Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

quinta-feira, maio 22, 2008

Gambozinos

No dia 18 de Julho de 1969, Richard Nixon, numa mensagem ao Congresso, fez contas à vida… no planeta. Relatou que, no ano de 1830, um bilião de seres humanos palmilhavam a Terra. Em 1930, o número subira para dois biliões. Em 1960, para três biliões. E, nos seus dias, a contabilidade de almas ia em três biliões e meio. Ele trocou por miúdos. Ou seja, a Humanidade demorou milhares de anos para produzir o primeiro bilião de cabeças, mas depois tomou-lhe o ferro nos dentes e apressou o passo. Um século bastou para o segundo bilião, trinta anos para o terceiro, e o quarto bilião será gerado em apenas quinze anos. Nixon previa sete biliões de habitantes para o final do século XX. Falhou por pouco. (É muito gaiteiro).

[Gaita irlandesa tocada por Séamus Ennis, considerado um virtuoso da “uilleann pipe”. Na década de 50 seria um dos percursores do folk britânico. Outro fundador da música folclórica britânica moderna foi Ewan MacColl, escritor de canções, dramaturgo, actor, poeta, com ficha no MI5, por ligações aos comunistas, e pai de Kristy MacColl – (ela em “Terry” e com os The Pogues). Ewan causou escândalo em 1956, por encetar uma relação com Peggy Seeger, ao mesmo tempo que mantinha a segunda mulher, mãe de Kristy e do irmão, Hamish. Peggy, meia-irmã de Pete Seeger, nos anos 50, em pleno macartismo, visita a China, como represália o Governo americano retira-lhe o passaporte. Ela decide ir viver para a Inglaterra onde tocava banjo. Conheceu Ewan, vinte anos mais velho, durante um espectáculo e começaram uma relação de três décadas. – Ewan MacColl em “My Old Man”; “Van Diemen’s Land”; “The Joy of Living”; com Peggy em “Hughie the Graeme” e “The Crafty Farmer”. Peggy Seeger, num comício contra a guerra de Tony Blair, em Albert Square].

Um mundo sobrepovoado não tem apenas como consequência viajarmos mais aconchegados nos transportes públicos. George H. W. Bush, (bendito pai do melhor presidente dos Estados Unidos), em 1986 era vice-presidente doutro estupendo estadista, Ronald Reagan. Nessa qualidade, Bush Daddy coligiu um relatório sobre terrorismo. Na descrição do perfil do terrorista enumera: “grosso modo 60% da população do Terceiro Mundo tem menos de 20 anos, metade tem 15 anos ou menos. Esta pressão populacional cria uma mistura volátil de esperanças juvenis que, quando confrontadas com frustrações económicas e políticas, ajuda a formar uma grande zona de potenciais terroristas”. Os jovens, excluídos do McDonald’s, Coca-Cola e Buick, perpassam-lhes pela cabeça, ideias de choque e pavor, contra o lado certo da Humanidade. (O lado com canções de sucesso como “Cumberland Gap”).

[de Lonnie Donegan, foi a primeira canção tradicional a atingir o top britânico, em 1957. Lonnie, apelidado o “rei do skiffle”, era um escocês influenciado pelo blues e pelo jazz de Nova Orleães. – Ele em “The Battle of New Orleans”; “Grand Coulee Dam”; “I Shall Not Be Moved”; “Puttin' On The Style”; “Hard Travelling”; “Gamblin' Man”; “My Dixie Darling”. Os filhos, David e Peter, formam a Peter Donegan Band. O baterista desta banda é Ray Laidlaw dos Lindisfarne, conhecidos pela fusão entre o folk e o rock nos anos 70. – Eles em “Meet Me on the Corner” “Fog on the Tyne”. No ano de 1978 com “We Can Swing Together” e “King’s Cross Blues”; “Winter Song” (1984); “Clear White Light” (1995)].

Os jovens do Primeiro Mundo, (Portugal é o único país merecedor desta designação. Os nossos pobres comem somente salmão e cherne ultracongelados), nascidos com o rabo para a lua, não lhes atormenta desejos de bombástica destruição, contentam-se com reproduzir a vida do pai biológico ou político. Pedro Passos Coelho, enquanto jovem, foi domesticado no aparelho do Partido Social-Democrata, confessou-se: “fumei haxixe e não gostei do sabor”. (Atendendo ao nível de conhecimento da realidade, na classe política, provavelmente era louro prensado). Mas nos países subdesenvolvidos, mocidade sem nada para fazer, excepto coçar a micose, com uma palhoça num subúrbio de uma metrópole, como horizonte de vida, para não cair no caldo explosivo, originador de terrorismo, requer um líder carismático: religioso, que não seja como o reverendo Jeremiah Wright; ou político, com mão forte e amigo do Ocidente. (Que não beba “Whiskey in the Jar”).

[dos The Dubliners. No começo da década de 60 chamavam-se The Ronnie Drew Group. – Em “McAlpine's Fusiliers” e na TV irlandesa. Como The Dubliners – “Dublin in the Green”; “Finnegan's Wake”; “The Wild Rover”; ao vivo em Estocolmo (1973) com “Black Velvet Band” e “Wecha Wailia”; Barney McKenna, depois de muitos anos de álcool, canta “I Wish I Had Someone To Love Me” e “Fiddler’s Green”; também tocaram com os The Pogues e André Rieu].

Na película “She” (1965), produção da Hammer Films, com os inevitáveis Peter Cushing e Christopher Lee, Ursula Andress interpreta o papel da princesa Ayesha, líder de uma cidade perdida nas montanhas, possuidora de uma chama mágica, que lhe concede imortalidade. Ayesha governa os Amahagger com mão-de-ferro, tomando decisões extremas, em nome do poder, e para o bem do povo. Ela é o equivalente, na novela de H. Rider Haggard, a Manuela Ferreira Leite, na literatura de cordel portuguesa. A Sra. Leite justifica as suas acções: “sou dama de ferro nos valores”. Ayesha também se rege por valores. Explica aos estrangeiros, que assistem horrorizados a uma bárbara execução, como sendo uma demonstração do seu poder absoluto. Perante as objecções dos abalados visitantes, sobre a moralidade de reinar através da indução do terror nos súbditos, Ayesha contra argumenta, se governar pelo medo, será pior que o mundo deles, que mata milhões em nome da Liberdade. (“The Half-Remarkable Question” – 1968).

[dos escoceses The Incredible String Band, precursores do electric folk. Designação da música tradicional celta e britânica, tocada num estilo rock, derivado da electrificação dos instrumentos. Eles em “Painting Box”; “All Writ Down”; no festival de Woodstock (1969) em “When You Find Out Who You Are” e “This Moment”; “You Know What You Could Be” (2003)].

As sociedades exportadoras de Liberdade excluíram o cagaço das suas preocupações. Nelas não há medo de perseguições da Administração Pública, das agressões policiais, da prisão ilegal, da proliferação de impostos, de ficar sem emprego, da perda do poder de compra, da total falência pessoal. Líderes carismáticos encarregaram-se disso. Cavaco Silva, primeiro-ministro responsável pelas melhores cargas da polícia sobre a população, na época da chuva (não dourada mas adiamantada) de dinheiro da Europa, teve o condão de enterrar o país. Ele também tem uma boa explicação: “aquilo que fiz, foi na convicção que estava a fazer o melhor pelo MEU país”. De uma maneira geral, toda a população mundial teve sorte com os seus líderes. Nunca algum veio a público dizer: “eu sou um perfeito cretino. Não devia ter ocupado o cargo”. Todavia, na perspectiva daqueles que nasceram iluminados pela sabedoria do que é melhor para os outros, certos povos foram mal servidos. E, como no dizer de Mark Twain, “somos todos iguais, por dentro”, é um dever libertar esses nossos semelhantes. Aliás, a Liberdade cresce como um pão-de-ló, que em breve aparecerá um Exército de Libertação da Liberdade, para a combater. Por enquanto este é um anúncio holandês, alertando para os perigos do fogo de artifício, mas um dia, tanta Liberdade existirá, que anulará a condição de ser livre. (Lá se vai porta fora o casamento ideal, cidadão / liberdade, da Revolução Francesa. “Wedding Dress” – 1972).

[dos Pentangle, outro antecessor do electric folk. Em 1968 – “Travelling Song” e “Let No Man Steal Your Thyme”; em 1970 – “Light Flight” e “House Carpenter” e “Hunting Song”; nos anos 90 ao vivo no Quebeque – “Reynardine” e “Cruel Sister”. O guitarrista formou o John Renbourn Group – “The Flower of Northumberland”; “Belle Qui Tiens Ma Vie”; “Round Midnight”; “English Dance”; em 2005 – “Great Dreams From Heaven” e “Walking The Dog” Parte 1 e Parte 2; a vocalista, Jacqui McShee, a solo em 2007 – “She Moves Through The Fair” e no Festival Folk de Cropredy].

Se os dirigentes políticos são os modernos apinários, os chefes espirituais concorrem na mesma área do entretenimento, mas lidam com outro material. Retiram a matéria-prima, para a razão da sua existência, da superstição, resultante da ignorância. A religião não é outra coisa, senão a superstição racionalizada e institucionalizada, e como a ignorância nunca abandonará o ser humano, os pastores não faltarão. Entre as crenças a la carte, os budistas ocupam um lugar especial. Eles são o Belenenses das religiões. As pessoas pertencentes a outras fés engraçam com eles, como benfiquistas e sportinguistas simpatizam com a equipa do Restelo. Angariaram fama de conhecimento e sabedoria falando por enigmas, e palavras soltas da língua páli são chupadas, no Ocidente como, rebuçados. Contudo têm uma vantagem. São amigos do seu amigo. O Dalai Lama, um líder para consumo de intelectualóides, afirmou sobre Wbush: “apesar da minha discordância com algumas das suas políticas, como pessoa, amo-o. Nós ficamos amigos imediatamente. Ele é uma pessoa muito amável”. (“Time Will Show the Wiser” – 1967).

[dos Fairport Convention, com Judy Dyble, como vocalista, substituída mais tarde por Sandy Denny. Em “Tam Lin”; “Dear Landlord” / “Cajun Woman”; “Fotheringay” / “Who Knows Where The Time Go”. No ano de 1970 ela já não fazia parte da banda – “Now Be Thankful” e na Taverne de l’Olympia e “Walk A While With Me”; “The Hanging Song” (1972); “Dirty Linen” (1982); “A Sailor's Life” com June Tabor (1987); “Matty Groves”; “Meet On The Ledge” (2007). Sandy Denny, após a saída, formou os Fotheringay – “Gypsy Davey”(1970). E depois enveredou por uma carreira a "Solo"; “The North Star Grassman and the Ravens” / “Crazy Lady Blues”; “The Quiet Joys of Brotherhood”].

Esta amizade extravasa o humano. O Núcleo de Beja, da União Budista Portuguesa, tem sede num moinho recuperado, onde venerandos mestres, embrulhados em lençóis, impregnaram de amor, compaixão e sabedoria. Os seguidores de “Udâna” (palavra de Buda), em meditação no Alentejo, para escapar ao “samsâra” (ciclo das reencarnações), quando os cofres lhes permitem fazem a “libertação de animais”. Isto é, vão ao supermercado comprar caracóis para soltar nos campos. Dizem eles, que os alentejanos são gulosos pelo molusco, mas a sua morte é cruel, atirados na escaldante caçarola, sem nenhuma preocupação paliativa. Esta compaixão pelo sofrimento impressiona tal como a sua paciência. No Japão, na cidade de Naha, no templo Shuri Kannondo, o monge Joei Yoshikuni ensina um cão a meditar. O cão, um Chihuahua, chamado Conan, já acompanha o seu mestre juntando as patas em sinal de reverência. Excepto no Sri Lanka, onde fazem algo mais do que desenhar “thangka”, e tratam da “sankhâra” (resíduos kármicos) da etnia Tamil, o respeito por todas as formas de vida, parece ser um dominador comum nos simpáticos budistas. (“Gaudete”).

[dos Steeleye Span – “The Lark in the Morning” (1970); “All Around My Hat” (1975); “Blackleg Miner”; em 1987 no Festival Folk de Filadélfia – “King Henry” e “Misty Moisty Morning”. O guitarrista, Martin Carthy, considerado o padrinho da comunidade folk, influenciou Bob Dylan e Paul Simon, também tocou com a mulher Norma Waterson e a filha, Eliza Carthy. Norma Waterson & Richard Thompson – “There Ain't No Sweet Man”; “Black Muddy River” (1999); Eliza Carthy, Martin Carthy, Norma Waterson & co. Martin & Eliza Carthy – “The Wife of Usher's Well” (2001) e “Bows of London”; Eliza Carthy e Soul Rose no Festival da Primavera de Shepley (2007); Eliza Carthy & the 3/2 Five (1) e (2) (2008)].

Não admira pois a onda geral de simpatia pelo Tibete quando as câmaras de televisão focaram a tocha olímpica. O governo tibetano no exílio, em Dharamsala, na Índia, aproveitou para mandar mensagens de torturas e refugiados. Falaram de protestos pacíficos de monges contra a administração chinesa. No entanto, da cidade de Lhasa vieram imagens estranhas da contestação. Viram-se sobretudo ataques a chineses fixados no território e as suas lojas a arder. É compreensível. Mesmo os piedosos, sensíveis ao sofrimento dos outros, professos do sábio ideal “ahimsâ” (não-violência), “num dia claro”, mostrarão a sua verdadeira natureza, que enterraram sob rezas e civilização. Todos os povos anseiam por uma “noite das facas longas” para libertarem o ódio contra os seus inimigos. No Ocidente da Liberdade para dar e vender, a causa tibetana possibilitou aos protestantes profissionais uma razão de ser. Estes seres, agitadores de cartazes e t-shirts com dizeres, destrambelhados por não acertarem na fórmula da sociedade perfeita, abraçam qualquer coisa que lhes dê a sensação de lutar por um mundo melhor. E uma marcha pelas ruas é um óptimo exercício para um sono angélico. (“One of Those Days in England”).

[de Roy Harper. Ele faz parte do grupo dos puristas do folk, que tentava conciliar tradição e inovação, e criticava a submissão ao rock. Em “Drawn To The Flames” no Festival de Glastonbury (1982); “Little Lady” no filme “Made” de John Mackenzie (1972). Também pertence ao mesmo grupo Nic Jones – “Wanton Seed”; “Duke of Marlborough”. Davy Graham – “Cry Me a River” no documentário da BBC, sobre a popularidade da guitarra na Inglaterra, dirigido por Ken Russell, em 1959; no documentárioCain's Film” (1969) de Jamie Wadhawan sobre o poeta e escritor Alex Trocchi; Davy Graham com Tony Reeves ao vivo em Janeiro de 2008; Shirley Collins e Davy Graham – “Love is Pleasin’” e “Hares on the Mountain”. E por último June Tabor – “The Water is Wide”; “Hughie Graeme” (2003); e com a Oysterband – “Love Will Tear Us Apart” (2006)].

Os atletas gregos participavam nos Jogos Olímpicos antigos nus ou de “kynodesme”, (etimologicamente a “trela do cão”. Era uma correia que imobilizava o pénis para que não atrapalhasse durante as provas desportivas). Vestidos com roupa de marca registada, nos jogos modernos, são moeda de troca política. A China esmerou-se na organização dos próximos. Querem apresentar uma festa para os olhos. As raparigas para entregar as medalhas são escolhidas segundo critérios de beleza ocidental. Têm de ser altas (entre um 1,68 m e um 1,78 m), magras, entre os 18 e 25 anos, universitárias, saudáveis e com boa aparência. Mas, pelo andar da carruagem, vão desfilar para o boneco. Os líderes mundiais, responsáveis directos pela crise económica, e por situações insuportáveis dentro dos seus próprios países, vão boicotar a cerimónia de abertura. O recém-casado Sarkozy quer condições prévias. A “das Mädchen” de Helmut Kohl, Angela Merkel, não vai. Até o bazófias Gordon Brown fica de pantufas em casa. A birra destes governantes, não fará nenhum povo sonhar com Liberdade, é mais uma reedição do mito de Sísifo. Um rotineira caça / soltura de gambozinos. Da costa americana, Wbush vai numa boa, como se fosse um rei. (“Brian Boru” – 1999. Brian Boru foi um rei irlandês do início do século XI).

[de Alan Stivell, apesar de ser francês, a sua música é de influência celta e bretã. “Tri Martolod”; “Suite Sudarmoricaine”. Com Dan Ar Braz – “Pop Plinn”. No programa de TV Le Grand Echiquier, (1982) com Angelo Branduardi no violino e “Les Arbres Ont Grandi”. Gilles Servat / Dan Ar Braz / Stivell / TriYann formaram o grupo L'Héritage Des Celtes – “An Alarc'h” e “Borders Of Salt”].

domingo, maio 11, 2008

O efeito Mourinho

Os destemidos gauleses temiam apenas que o céu lhes caísse em cima da cabeça. Se o ano fosse 2008 d. C., e não 50 a. C., por Toutatis, lhes tombaria na tola os portugueses. Mercê vento brando e boas abertas históricas é nas alturas, ao lado de Dante e Beatrice, que hoje o povo das quinas habita. Atribui-se a responsabilidade deste feito à geração mudasti… mudasti! mudasti!! mudasti!!! Mais ínclita que a ninhada de D. João I, a actual prole portuguesa, enxotou das nossas costas, males e pragas que outros assolam. Num mundo ensandecido, Portugal é uma ilha de sanidade. (Tal como a Coreia do Norte).

[Os Shinwha, uma boy band sul-coreana, actuou no norte. Note-se a animação do público, roça o paroxismo, em perfeita sintonia com o ritmo. As mulheres trajando o “hanbok” – vestido tradicional coreano – também participam da folia geral. Os Shinwha nos vídeos “Hero” e “Wild Eyes”. O mesmo sucedeu na actuação das Baby V.O.X., uma girl band sul-coreana. Elas em “Why” e “Get up”].

No ido ano de 1998, Vítor Constâncio, fino siliginário da Economia, zumbaiava a adesão ao Euro. À pergunta, “que podem os portugueses esperar?”, respondia: “o que podem contar, é viver num sistema de inflação baixa, com taxas de juros baixos, a corresponder”, com “a possibilidade mais fácil de acesso a crédito”, que irá “aumentar a qualidade de vida”, comprando “bens duradouros” (casa, carro e viagens de férias). E rematou a faena num belo passe de muleta: “e os salários continuarão a subir”. Decorridos dez anos, Portugal tem um milhão de penhorados, por dívidas ao fisco. Quanto ao herói, protagonista de um belo filme série B, vemo-lo donairear como Governador do Banco de Portugal botando previsões, realizáveis dentro doutros dez anos. (Na Coreia do Norte, Constâncio iria de Metro para um animado show ao livre).

[O maior cantor norte-coreano é, sem sombra de dúvida, Kim Il Sung. Canta na sua pulcra voz “Nostalgia”. Pai e líder incompreensivelmente morreu, mas é imortal, e a vida continua…].

No liberalismo económico à portuga duas forças se digladiam. Os empresários e o Estado. Se vencerem os primeiros teremos um turístico país de empregados de mesa, porteiros, femmes de chambre e caddies (com mestrado). Vencendo o Estado não faltarão jobs como fiscais, inspectores, polícias e directores-gerais a potes. Em ambos os casos é necessário muito carcanhol para pôr a nora social a funcionar. Por isso, na Direcção-Geral de Impostos estão os mais imaginativos cérebros desta geração. Produzem ideias em catadupa para encher os cofres do fisco. Uma das melhores visa os casamentos. Os recém-casados devem declarar tudo, para que nada, fique por taxar: o número de convidados, as prendas, o Viagra do noivo e o jogo de vibradores da noiva, os enfeites de flores e o bouquet, o fato e o vestido, o fotógrafo, o motorista, o custo descriminado do copo de água (e se havia outra festa no mesmo espaço para testar o grau de trafulhice do dono do restaurante). Estipulado na lei o “dever de colaboração”, o casal é coagido a participar na “batalha contra a fraude e evasão fiscal”, se não quiser começar a vida a dois, aligeirado na conta bancária. As multas variam entre 100 € e 2 500 €. O melhor fiscalista português, Saldanha Sanches, (tão bom que chumbou no exame para catedrático) tem outra receita para cozinhar o bolo do Estado. Ele admite a terrível concorrência, existente nos negócios do copo de água, mas propõe eliminar a economia paralela de uma vez por todas, através do controlo das contas bancárias. Diz ele que, nos países evoluídos do seu conhecimento, um programa informático verifica os movimentos irregulares, e depois é só chamar a carroça da Justiça. (Com bons cérebros se constrói um país próspero como a Coreia do Norte).

[A maior obra do Pai foi o Filho. Kim Jong Il é a coisa perfeita. Possui todos os atributos. Não lhe cabe mais perfeições. Ele é “O Mestre da Criação”; “O Mestre das Artes”; “O Grande Diamante”; “O Grande Atleta”; “Fashion Designer”; “O Grande Guerreiro”; “O Grande Viajante”; “O Grande Arquitecto”; “O Grande Diplomata”; “O Invencível Supremo Comandante”].

Boas ideias sempre as houve. Os pesticidas anunciavam colheitas protegidas dos insectos. Os antibióticos acabavam com as mortes por infecção. O plástico prometia um material mágico para infinitas aplicações. Os biocombustíveis punham os carros a funcionar pelo preço (antigo) de uma tigela de arroz. Por isso, não admira que os cérebros com ideias sejam os mais apetecidos. Portugal, entranhado na tradição do “encoberto”, da filosofia de José Marinho, assenta ontologicamente toda a existência, tal como o metafísico do Porto, no “insubstancial substante”. Um “lugar” enigmático, espalhador de nevoeiro, donde regressam as múmias, e depressa o país converge para um clima estético saído d’ “A Noite dos Mortos Vivos” (de George A. Romero).

Na área da política os regressos são sempre festejados e o de Sebastiana Ferreira Leite ainda mais. Uma horsa, rigorosa, respeitada, inteligentíssima e prenhe de tisanas económicas. Quando foi ministra das Finanças do famoso brichote luso, Durão Barroso, fez obra. Aumentou o IVA de 17% para 19%. Contratou, por um ordenado principesco, o santinho Paulo Macedo para cobrar impostos. E passou as dívidas fiscais para o Citigroup, enfim, safou o país da inópia. Depois dela nunca mais fomos pobres. Agora retorna para ganhar as eleições em 2009. Acusa José Sócrates de ser “economicista” e, auto-definindo-se como “humanista”, promete cobrar impostos com luvas de peliça, laçarotes, cortinados e abjures cor-de-rosa. Na área da poluição televisiva também temos o regresso significativo de Manuela Moura Guedes. Esta apresentadora de telejornais vem provar, que as clínicas de cirurgia plástica usam o mesmo programa informático, proporcionando uma cara igual a todas as velhotas saídas do bisturi. E, talvez, as injecções de silicone nas beiças, inspirem Miguel Esteves Cardoso para mais um êxito musical do cancioneiro nacional. (Na Coreia do Norte, Manuela teria “The Loving Smile”).

[dos Pochonbo Electronic Ensemble. Juntamente com a Wangjaesan Light Music Band são o topo do hit parade na Coreia. Os nomes derivam de sítios revolucionários, onde o Pai derrotou os soldados e polícia japoneses, na década de 30. Conta a tradição que as bandas foram fundadas por Kim Jong Il. Os Pochonbo Electronic Ensemble em (1); (2); “Socialism is Good”; “My Happy Country”; “Is The Dear Leader Healthy?”; "City Girl Goes To Get Married”. A Wangjaesan Light Music Band em (1); (2); (3); (4); (5)].

Não é possível acepilhar Portugal. É um país que atingiu a perfeição. Os portugueses correm um único risco, chamado na Sociologia, “o efeito Mourinho”. Consiste em ser tão bom, tão bom, mas tão bom, que não se encontra trabalho neste planeta. A nossa bófia não tem o ritmo e graciosidade da Banda da Polícia de Trinidad e Tobago mas põe os criminosos a dançar. Num meneio cervantesco, montados num cavalicoque, dão lições ao mundo sobre investigação e resultados, por isso recusam a imagem do polícia da triste figura. Aníbal Malvar, jornalista do El Mundo, relatou uma conversa com Gonçalo Amaral, ex-inspector da Polícia Judiciária, conhecido por farinhar o caso Maddie. O jornalista castelhano estranhou, por ele não se importar com epítetos porventura mais aviltantes, como bebedolas e balofo, e apenas se lamentasse que os ingleses mofavam do seu trajar enxovalhado. “Bolas, Aníbal. Este fato é da Hugo Boss” – lamuriava. Os homens das forças de segurança, vaidosos da sua produtividade, estão cada vez mais coquetes. (Um inspector portuga afinaria num Coro Militar na Coreia do Norte).

[Kim Jong Il segue a política do “exército primeiro”. Como consequência assistimos às melhores paradas militares do mundo. E mulheres soldado felizes. A fixação de Kim Jong Il pela tropa explica-se por, tecnicamente, a Coreia do Norte ainda estar em guerra com os Estados Unidos, os seus dirigentes nunca assinaram um Tratado de Paz, apenas um armistício em 27 de Julho de 1953].

As sinaleiras são a grande atracção de Pyongyang. O inspector-geral da ASAE, António Nunes, é a grande atracção de Portugal. Ele sozinho afugenta o cinzento, colorizando o quotidiano com espirituosos chistes, para que o país não se confunda com uma banda desenhada de Alberto Breccia (o mestre do preto e branco). Em Abril, o CDS, um partido sectário do “acto de amor”, do Papa Bento XVI, “que o esposo e a esposa partilham, como sinal de um mistério maior, que os torna protagonistas e comparticipantes na criação”… com o homem por cima, denunciou a forma de fiscalização das máquinas de brindes, nos cafés, pela ASAE. Pedro Mota Soares acusava-a de “considerar um jogo que dá chocolates, em troca de uma moeda de cinquenta cêntimos” como “um jogo de fortuna e azar”, suscitando jumental reflexão sobre acaso e necessidade. Nesta semana apareceu um documento que estabelecia objectivos para os inspectores da ASAE e que António Nunes negava a existência. Logo instaurou uma auditoria para averiguar e percorreu o calvário dos telejornais, parando nas diversas estações, para justificações. Afinal era um documento de trabalho, elaborado pela Região do Norte, com “resultados operacionais”, distribuído por engano, que “não devia ter o título” e “não devia ser conduzido”. E reafirmou o papel da sua polícia na estrita “defesa dos consumidores” e da “livre concorrência”. Serem demasiado bons é a actual sina dos portugueses. (Tão bons são que não terão entrada na capital do paraíso).

[Kim Jong Il é maluco pelo Daffy Duck. Possui a maior colecção de memorabilia sobre o subversivo pato. A terra produz pródiga e todos são felizes. A Coreia do Norte é invencível… no YouTube, pelo menos].

domingo, maio 04, 2008

Bilhar de bolso

O sexo está a engodilhar o harmonioso convívio entre géneros. Interfere e confunde situações. Estonteia seres racionais. Porque lhe desviaram o propósito original de fazer meninos. No histórico dia 3 de Abril de 1982, no local mais produtivo do mundo, o Parlamento português, João Morgado, visionário, brilhante deputado do CDS, poetado por Natália Correia, durante o primeiro debate nacional sobre o aborto, meteu “o viril instrumento” no seu lugar. Defendeu ele, convicto, que o acto sexual só existe para procriar. Na cama cumpre-se um desígnio de Deus, para rambóia e folgança há os parques de diversões ou os chás dançantes nas associações de bairro, para respeitosamente dançar, vivaços ma troppo, “Celebration”.

[dos Premiatta Forneria Marconi, grupo de rock progressivo italiano. Enquanto jovens na TV. Em “La Luna Nuova” e “Impressioni di Settembre". Numa versão já envelhecidos. E em “La Carrozza de Hans”; “Dove… Quando”; “Rain Birth/River of Life”; e “Dolcissima Maria”].

O perspicaz Morgado, familiarizado com o “Atlas Mundial da Sexualidade”, (deve ser gralha mas diz sobre as moças portuguesas: “girls begin to have namoradas soon after menarche”), ou com a “Enciclopédia Internacional da Sexualidade”, intuiu que o “acto sexual” transformado em “queca”, abria as portas da perdição. A mulher, olhada como objecto de depravação, e não como santuário de procriação, vê-se como uma peça de fruta que todos querem comer. Sucedeu em Lecco, na Lombardia, o juiz Paolo Salvatore condenou um homem, de 33 anos, a 10 dias de prisão e um multa de 40 €, por olhar de forma muito demorada e imprópria, para uma mulher de 55 anos, num transporte público. O juiz não teve outro remédio. Prefigurou-se um crime continuado. No primeiro dia, o finório sentou-se no mesmo banco da senhora, tão próximo, que ela achou muito perto. No seguinte, abancou à frente dela e não lhe tirou os olhos de cima. Queixou-se a vítima: “os olhares do homem foram tão insistentes e impertinentes que me deixaram incomodada”. Defendeu-se o réu: “na posição em que estava sentado, não havia como não olhá-la”. Perante os factos, o douto juiz teve de ponderar a questão objectiva do tempo, que demora o olhar masculino a circunvalar uma italiana. Não é fácil. O hábito local de empanzinar pasta estofou os corpos femininos de carnes sem fim, como a Elisabetta Gregoraci ou a Francesca Dellera (provida da capacidade de acabar com a fome no mundo). Só decorrido um tempo razoável uma italiana pode gritar: “Live me Alone”.

[dos Banco del Mutuo Soccorso. Num festival pop. Em “Il Ragno”; “Il Volo”; "Moby Dick"; "750,000 Anni Fa L’Amore"; e em 2000 no festival ArtRock no Rio de Janeiro].

O “acto sexual” é executado pelo homem e a mulher, na presença de Deus, no recato do lar, e confirma a ordem universal, a “queca” pratica-se em todo o lado, sem contenção, por dois corpos inanes transpirados, gerando alarme social. A família nuclear explodiu no século XX, os estilhaços daí resultantes flutuam entre obrigações, urgência de parceiro sexual, sobrevivência e inaptidão para educar e proteger os filhos, que apenas vagueiam perdidos no consumo. Nesta magma social, os ingleses ficaram mais desnorteados que os outros povos, pois precisam dos americanos para serem british. No mês de Fevereiro, os armazéns Woolworths enfrentaram um pesadelo de marketing. Tinham um combinado cama/secretária para vender, destinado a raparigas novitas, que o fabricante chamou Lolita Midsleep Combi. Logo soaram os toques polifónicos nos “parenting groups” (grupos de pais, incompetentes para ensinar os filhos, mas que se associam para convívio, engate e enganar a solidão). Lembraram-se da novela “Lolita” de Vladimir Nabokov publicada em 1955. Nela, o professor Humbert Humbert, recém-chegado a Ramsdale, na Nova Inglaterra, procura alugar um quarto. Visita a casa de Charlotte Haze, uma viúva enxuta, que enumera as vantagens do espaço que tem para arrendar. Ele não mostra grande interesse, até ver a filha de Charlotte, Dolores, de 12 anos, no jardim. (Encontro filmado por Stanley Kubrick e Adrian Lyne de forma diferente). Esta visão despoleta recordações de um amor perdido na infância e Humbert envolve-se com a rapariga. Como o antigo critério científico dos 30 kg desapareceu essa relação, hoje, inclui-se na temível pedofilia. O horror do estado da civilização actual! Os grupos de pais alertaram a gerência do Woolworths para este pormenor e os móveis foram retirados. E, para os ingleses, o sonho ainda não acabou. “Sogno di Estunno

[dos Locanda Delle Fate. No ano de 1977, parte1 e parte2].

Vontade não faltaria para queimar, na praça pública, tanto o livro como os filmes, mas, ainda subsiste um certo pejo residual, em ser associado a outros graciosos momentos históricos. Se fosse uma relação, entre um rapazote e uma mulher mais velha, outro galo cantaria. Até o caçador Miguel Sousa Tavares acha que, neste caso, não há crime. Os moços têm de aprender com a experiência, e não com as catraias da sua idade, que nada sabem da poda. Quem não gostaria de se iniciar na vida sexual com a Mónica Bellucci? Um homem ainda é um homem. No caso das mulheres vamos com calma. “Contrappunti – Frutto Acerbo”.

[dos Le Orme. Do álbum conceptual “Felona e Sorona”, parte 1 e parte 2; “Amico di Ieri”; em 1982 tocavam assim “Rosso di Sera”; em 1997 reganharam juízo com “Madre Mia – Prima Aqua”; e no ano de 2007].

Debra Lafave, 27 anos, professora americana, foi condenada em Novembro de 2005, a 3 anos de prisão domiciliária e 7 de liberdade condicional, por ter tido relações sexuais com uma aluna de 14 anos. Pena não muito pesada, pois o safismo é uma fantasia generalizada, e um quadro estético de bom gosto. Como condição da sentença, Lafave foi obrigada ao registo na lista dos delinquentes sexuais, que estipula um número infindável de restrições. Praticamente arrasa a vida social. Em Dezembro de 2007 voltou a ser presa por violar as condições da liberdade condicional. Os funcionários do Estado entrevistaram uma colega, de 17 anos, no restaurante onde Lafave trabalhava, desde Janeiro de 2006. A jovem declarou que discutiram: “assuntos não relacionados com o trabalho, como problemas familiares, os amigos, o liceu, a vida pessoal, os namorados e temas sexuais, em conversas privadas e não privadas”. Num convívio normal, isto seria considerado, em americano “girl talk”, mas quando o sexo se mete ao barulho, a história é outra. “Una Storia”.

[dos New Trolls. Em 1968 seguiam o padrão musical inglês com “Visioni”; no ano de 1980 eram considerados os Bee Gees italianos; “Il Sole Nascerà” em 2007; “Quella Carezza Della Sera”; na TV com “Una Miniera”].

A América não perdoa o sexo. Não são como os franceses que se estão nas tintas para a Primeira-dama au naturel. Eliot Spitzer era uma figura em ascensão do Partido Democrata. Ganhou fama, e a alcunha de “Eliot Ness”, como Procurador-geral no combate à corrupção em Wall Street. (Os homens de negócios detestavam a sua atitude “sou mais santo do que tu” e acusavam-no de usar o seu poder para lhes sacar multas. Achavam-no demasiado virtuoso para ser verdade). Eleito, com uma votação maciça, governador de Nova Iorque, em 2007, dispara entusiasmado: “temos de transformar o nosso Governo, para que seja tão ético e sábio, como toda Nova Iorque”. Apontado como possível vice-presidente na lista Hillary Clinton, talvez futuro candidato à Casa Branca, posteridade não lhe faltava, até ser apanhado com as calças em baixo. Numas escutas telefónicas descobriram que ele era o “cliente 9” do Emperor’s Club VIP, uma casa de prostituição de luxo, com preços tabelados entre os 1 000 e 5 500 dólares/hora. No quarto 871 do Hotel Mayflower, em Washington, desembolsou 4 300 dólares por “Kristen”, uma brunette boa como o milho, de nome verdadeiro Ashley Alexandra Dupré, que ambiciona ser cantora e, enquanto não canta, encanta na cama, em troca de justa quantia. Depois do escândalo, Spitzer fez o acto de contrição público, com a esposa, Silda Wall Spitzer, ao lado. E, ficou limitado ao “acto sexual” com a mulher. Se os apetites por “quecas” regressarem, resta-lhe os banhos de água fria. “Neve Calda”.

[dos Balletto di Bronzo. “Introduzione” em 2004; “Technoage”; “Napoli Sotterranea”; e “Tastiere Isteriche”].

O novo governador de Nova Iorque, David Paterson, 53 anos, entrou a matar por causa das quedas do poleiro provocadas pelo sexo. Avisou que experimentou cocaína um par de vezes quando tinha 22 ou 23 anos. Fumou cannabis no final da década de 70 e pôs os cornos à mulher, Michelle, retribuindo-lhe com a mesma moeda, quando descobriu que ela andava a utilizar hardware alheio. O sexo entontece mentes brilhantes ou foscas. A Galeria de Arte Barbican dedicou-lhe uma exposição intitulada “Arte & Sexo Desde a Antiguidade Até Agora”. E, agora, prenuncia-se ser mais uma actividade humana controlada e inspeccionada por uma Alta Autoridade. (Por enquanto, para não transgredir nenhum código de comportamento, é melhor ficar pelo bilhar de bolso). Mas nos derradeiros dias do capitalismo há sinais de esperança. Lula da Silva explicou: “o que está acontecendo agora ao mundo? Tem mais pobres comendo, e a produção de alimentos não cresceu de forma proporcional à demanda. Isso não pode ser visto como uma coisa perigosa, isso é uma coisa passageira”. E, justificando este espírito de recuperação económica, a Royal Dutch Shell apresentou 23 biliões de dólares de lucros, referentes aos quatro meses iniciais do ano, espantando os analistas. Os verdadeiros lucros seguem-se dentro de momentos... A mãe de todas revoluções é feita pelo “Das Kapital”. “L’Internazionale”.

[dos Area, grupo politizado e experimentalista. Em “Gerontocrazia”; “Scum/Giro, Giro, Tondo”; “Evaporazione”; na TV Suiça; Demetrios Stratos, o vocalista, em “Cometa Rossa”].