Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

sábado, novembro 28, 2009

Os esperançados

Nas costas da Europa, reside rochaz povo, ocidental conforto, são reservatório da sanidade planetária. A Economia tiritava gélida. Timothy Geithner, secretário do Tesouro americano,
guitarreava: “o capitalismo será diferente”. Aguitarrava, como um homem, nas guitarras Johnson. Os dirigentes europeus, mais mulhericas, procuravam lugar nos degraus, quaisquer degraus. A balbúrdia pairava. Mas… eis que um glorioso povo desencobre-se, firme, escorado, como D. Fuas Roupinho* fincando as patas do cavalo nas arribas da Nazaré, e comerceia exemplos para essa sociedade diferente. Os capitalistas anos, que seguem dentro de segundos, serão querubínicos. A Moral norteará desde as profundezas do Ser. E o primeiro sinal vem de um português: Armando Vara “sente-se profundamente inocente” – sossega o seu causídico. Depois, o optimismo, (os joviais jornalistas dizem-lhe positivismo), campeará e Cristiano Ronaldo articula outro sinal: “estoy o. k.”. Contudo, o maior vinco, nas bermudas da praia perpétua, engomar-lho-á um político, o neo-político, o político com soluções, que vicia povo. O primeiro também é português: Paulo Portas é o ópio do povo.
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*D. Fuas foi o primeiro comandante naval português, no reinado de Afonso Henriques, e o primeiro a vencer uma batalha aquática contra a moirama. O primeiro de uma Marinha que hoje acantona 52 heróicos almirantes para 40 belicosos navios.
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(Claro que há problemas em Portugal. O mais grave é as discrepâncias salariais. José Penedos aufere 46 mil €/mês e Armando Vara apenas 34 mil. Doze mil euros parecerá uma mesquinharia, porém faz muita diferença, numa fase de inflação negativa. Ou seja, um período económico, onde todos os produtos de consumo habitual aumentam e o caviar, o Porsche, o Valentino, a lagosta, etc. descem, compensando o Índice de Preços ao Consumidor, e a inflação cai a pique para debaixo do 0%. A injustiça social no vencimento de Armando Vara obriga-o a divergir do nível de vida dos seus concidadãos, abdicando dos produtos caros, como água, electricidade, pão, arroz, etc. para consumir aqueles mais baratuchos. Fora do alcance da bolsa de Vara ficam os prazeres sensoriais básicos. A audição de um
concerto. Uma ida ao sonoro ver “Malice in Lalaland” com a Sasha Grey. Cheirar um lixeira no Gana. Apalpar a Katie Fey com uma mão, a Heather Summers com a outra e a Eufrat com o resto. Degustar uma pratada de feijões).
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Quando escaldava a eleição do presidente Báráque, os comentaristas engasgaram-se na “esperança”, “esperança” volta, “esperança” reviravolta, ensandeceram com a “esperança”. Uma insânia. Mas… no são cântaro da Europa, um português foi o primeiro na explicação cabal. Santana Lopes, no programa “5 Para a Meia-Noite”, numa entrevista ao
Nilton, deslindou: “O facto dele ter sido eleito na altura em que foi, pós-guerra do Iraque, pós soi disant, mas pronto, pós aqueles momentos mais duros da invasão do Iraque, com a crise económica toda no mundo, a eleição de Barack Obama foi uma bênção, eu não gosto muito dos exageros nessas coisas e houve algum exagero, coitado, entrou em funções com uma carga nos ombros enorme… ele foi como um tranquilizador para o mundo, a sua eleição foi uma espécie de bálsamo, fez bem ao mundo. E por isso, enfim, para quem acredita em Deus foi uma bênção dos céus”. O presidente Báráque é o Analgizer para dores várias.
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Heavy Metal – é o bombo da festa das agremiações religiosas, activistas e prosélitas, no resgate de almas, trancadas nos armários da perdição, e das penélopes de políticos americanos, engajadas, encabadas, entrefolhadas, no serviço público. Aos primeiros, cheiravam-lhes o enxofre da cozinha de Satã ou pior, o depauperamento (espiritual) dos padres. Mensagens satânicas “ouvem-se” em todos os géneros musicais, mas desrespeito pela autoridade do abade, não. Por exemplo, as fotos de Joanne Lathan, para a capa de “Death Penalty” (1982), dos Witchfinder General, foram tiradas no cemitério da igreja de S. Maria a Virgem Abençoada, em Enville, no Staffordshire, sem autorização do vigário, ofendendo a potestade do presbitério e da Cruz. As segundas, as fiéis esposas dos legisladores americanos, insaciadas… de acção cívica, intervêm na sociedade civil. Em 1985, emparelhadas no Parents Music Resource Center (PRMC) assanharam-se contra as letras das canções. Apelidavam de “porn rock” aquelas que lhes entornava o chá, e apresentaram o caso no Congresso, alegando que “não faziam pandan com as demandas morais da Cultura Americana”. Dee Snider, dos Twisted Sister, testemunhou numa comissão do Congresso, a defesa da liberdade artística, e Tipper Gore, mulher do ecopateta Al Gore, amealhou uns trocos no psicanalista. O PRMC “ouvia” violação, javardice e sadomasoquismo na canção “Under the Blade”, que Dee insistia referir-se a uma operação à garganta do guitarrista Eddie Ojeda e analisou: “as pessoas podem interpretar de muitas formas. A Sra. Gore procurava sadomasoquismo e bondage e encontrou-os, alguém procurando referências cirúrgicas encontra também”.
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A origem do nome, talvez, seja a novela “
Nova Express” (1964) de William S. Burroughs: “with their diseases and orgasm drugs and their sexless parasite life forms – Heavy Metal People of Uranus wrapped in cool blue mist of vaporized bank notes – And the Insect People of Minraud with metal music”. E as citações literárias neste género musical espavorecem a dona de casa suburbana e informada. O poeta romântico inglês Samuel Taylor Coleridge inspira “Xanadu” (1977) dos Rush e “The Rime of the Ancient Mariner” (1984) dos Iron Maiden; Herman Melville “Iron Tusk” dos Mastodon; J. R. R. Tolkien “Mirror Mirror” dos Blind Guardian; William Blake “Themes from William Blake's The Marriage of Heaven and Hell” dos Ulver; e Dante os Sepultura. Mas o pior deles será Antonin Artaud nos Peste Noire e o piorio do piorio Hegel e Pasolini nos Cradle of Filth.
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Garimpando a origem deste estilo musical descobrimos o mítico guitarrista do rock ‘n’ roll, arraçado de shawnee,
Link Wray. A tuberculose contraída na Guerra da Coreia (1950-53) extraiu-lhe um pulmão, e os médicos anunciaram-lhe que nunca cantaria, eventualmente cantou, mas principalmente especializou-se na guitarra (Rumble” l “Trail of the Lonesome Pine” l “Way I Walk” l “Big City After Dark” l “Hang On” l “Trying to Find Your Love). Outra possível origem do Heavy Metal seria os psicadélicos de S. Francisco Blue Cheer com a sua versão de “Summertime Blues”. Retiraram o nome de uma marca de LSD, de muito boa qualidade, fabricada pelo químico Augustus Owsely Stanley III, financiador dos Grateful Dead, e só enterraram as guitarras, com a morte de Dickie Peterson em 12 de Outubro de 2009 (Roundhouse Blues).
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A
canção mais chata do mundo não é Heavy Metal – ufa! dizem os cientistas. E apesar da má reputação, que o golfista republicano Alice Cooper lhe dá, tocando para Oh!bama, o género não morreu, apenas os músicos envelheceram. Carregados de massa, já não comem migalhas da mesa do rei, sentam-se-lhe no colo e fazem de bobos da corte.
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O Heavy Metal multiplicou-se por várias designações, com uma característica comum, tocar depressa e alto. No Chile, os
Necrosis, melhor definiram uma mutação da década de 80, o Trash Metal, e as ruas de Santiago apinhavam-se de seguidores, os “trashers”. No Paquistão, o prémio Nobel da Paz 2009 Báráque Oh!bama mata-os do céu com os seus aviões MQ-1 Predator de 4 milhões e meio de dólares, mas sobre a terra o Metal sobrevive. No Iraque, os Acrassicauda (escorpião preto” em latim) fintavam as bombas de Wbush, exilaram-se em Damasco, depois na Turquia, e agora vivendo nos E.U.A. editarão em 2010 o primeiro CD realista: “Only the Dead See the End of the War”.
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A primeira influência do Heavy Metal não é o álcool, as drogas e o sexo, mas a música clássica erudita: “
As Quatro Estações, Concerto No. 2 em Sol menor, Op. 8, RV 315, “L’estate” (Verão)”, de Antonio Vivaldi, ouve-se em “Eruption” dos Van Halen ou na guitarra de Patrick Rondat ou “As Quatro Estações (Inverno)” na versão dos At Vance -^..^- Quarteto de cordas No. 4, Allegro molto de Béla Bartók no “Iron Fist” dos Motörhead -^..^- “Turangalîla Sinfonia, I/29: V. Joie du sang des etoiles” de Olivier Messiaen em “Toxic Garbage Island” dos Gojira -^..^- “Passacaglia num tema de Handel, para violino e violoncelo” de Johan Halvorsen em “Wrathchild” dos Iron Maiden -^..^- Sinfonia No.2 “Resurrection”, 1º movimento de Gustav Mahler em “Báthory Erzsébet” dos Sunn O))) -^..^- Sinfonia No. 9 em Mi menor “From the New World”, IV. Allegro con fuoco de Antonín Dvořák nos “War Pigs” dos Black Sabbath e também na versão dos Rhapsody -^..^- “24 Caprici para solo de violino, Caprici 1/5/24” de Niccolò Paganini em “Hangar 18” dos Megadeth ou Capriccio No. 5 por Steve Vai -^..^- “Die Walküre, Cavalgada das Valquírias” de Richard Wagner em “Raining Blood” dos Slayer e também nos Yggdrasil -^..^- “Sinfonia 10, II. Allegro” de Dmitri Shostakovich em “Hall of the Dead” dos Isis -^..^- “Sinfonia No. 5 em Dó menor, Op. 67, primeiro movimento: Allegro con brio” de Ludwig van Beethoven em “Master of Puppers” dos Metallica -^..^- “Fortuna Imperatrix Mundi” de Carl Orff no “O Fortuna” dos Therion -^..^- “Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky nos Dark Moor -^..^- “Bourree” de Johann Sebastian Bach em Yngwie Malmsteen.
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A inocente música Pop também gatunou na música clássica].

sexta-feira, novembro 20, 2009

Encarvoiçar

O século XXI debutou o novo
Iluminismo, estreou, a iluminação pública. A Razão, pílula do primeiro dia da compreensão científica, privativa de alguns, fagulhou nesta centúria para todos. O figulino ser, expelido do Paraíso, para caminhar as passas do Algarve, finalmente, comeu os tomates da Sabedoria. Sabedoria, esclarecimento, iluminação são agora instrumentos públicos, todos são luminárias. Resolvida a coisa intelectual, a tecnologia depressa aconchega o conforto corporal. O ser humano século XXI calça as suas pantufinhas-pão, ou saltos Lamborghini Gallardo Superleggera, traja ceroulas ou soutien, perfuma-se em francês, tonifica o rabo com Reebok e desarreigado das doenças, consome arte ou lê Walt Whitman ou abandona-se ao irresistível prazer de chupar.
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Bandulho cheio, mioleira carburando, e que faz uma época racional?... A resposta é simples: vê Deus em todo o lado. Como nos lugares místicos do século XX, no século XXI,
snifa-se cola (scroll lateral), os mirones viraram-se para a América. Os americanos não vêem propriamente Deus, eles são um “Jesus’ people”, por isso a cara do Filho é notícia de TV. Jesus selecciona os locais de suprema fé da cultura americana para se revelar, na tampa de uma sanita ou numa guitarra e, para os maiores de 18 anos, concede encontros, sexuais ou não, depende se pintar clima. E Sua Modernaça Mãe aparece no eBay. Nesta era das luzes, os cientistas religaram o interruptor, desenhando a Sua Tisnada Face, e homens de fé confirmam, nas suas visões, que Jesus era mais pró escurinho. Ebanizar o Messias confirma o que está na cara, ele regressou. Na Austrália avistam-No, tutorado pela Virgem, nas lâmpadas de lava, e no resto do mundo enxergam-No, assessorado pelo Bem, na Casa Branca.
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A segunda vinda de Cristo esfogueteou o sentido de protecção do Ungido. Os enfrascados da Sua palavra bradam: “podem fazer tudo mas não pisem no meu presidente de camurça preta”. Então, quando os estrangeiros chacoteiam, é bye bye doce pássaro da serenidade. Os australianos incluíram, no programa “Hey Hey it’s Saturday”, uma paródia aos Jackson Five. Os manos, imitados por brancos com a cara enfarruscada de preto e Michael, desempenhado pelo médico indiano Anand Deva, pintado de branco. Harry Connick Jr, membro do júri, ligou a sirene: isso é um grande insulto para os nossos
americano-áfricos. O falhado pianista não é um homem de letras, nem fã das imagens em movimento, apenas um Sinatra que não deu certo, assim não viu o filme “Bamboozled” (2000) de Spike Lee. Uma sátira da tradição teatral “Blackface”. No filme, um argumentista tem a ideia de uma série de TV, representada por actores pretos, pintados com a cara de preto.
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Aqui jaz a tradição. Também a tradição só tem interesse, se for rentável, para perder dinheiro, já há os Bancos e as sociedades financeiras. Os franceses não manjarão o seu chocolate
Banania, ou os ingleses não reporão a série “The Black & White Minstrel”, e as roupas étnicas desaparecerão dos escaparates, e os orientais cingir-se-ão aos olhos em bico. E cessa as libertinagens artísticas. A Vogue francesa de Outubro cometeu a última heresia. (O equivalente português a cuspir na mãe de Cristiano Ronaldo). Publicou fotos de Steven Klein, da alva modelo holandesa, Lara Stone, pintada de preto, torvelinhando coros de “insensibilidade cultural”. O século XXI “inteligentou” as pessoas, elas vêem através dos olhos da Razão, e o algodoeiro raciocínio não engana. Tudo é racismo. Uma certeza tão verdadeira como o almoço para Wittgenstein. Naomi Campbell convivendo com as feras, ou uma Grace Jones enjaulada, é racismo. A Vogue italiana, de Julho de 2008, “chocou o mundo da moda”, com Jourdan Dunn na capa, mais racismo, confundido com negócio, pois vendeu como azeitonas (verdes).
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Nesta intelecção do mundo “desracista”, na Holanda, o Pai Natal habilita-se a perder o seu ajudante
Pedro Preto.
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Charlie and his Orchestra – no início da década de 40 do século XX, todas as quartas-feiras e sábados, por volta das 21:00 horas, as ondas hertzianas, vindas do Terceiro Reich, transmitiam sobre a Inglaterra, a música deste grupo alemão, dirigido pelo violinista e saxofonista Lutz Templin, com o cantor Karl Schwedler (nome anglicizado para Charlie), Fritz Brocksieper na bateria, Kurt Abraham na flauta e Willy Berking no trombone. No continente, os pastos verde-ervilha, mosqueavam-se de vermelho-sangue e afumavam-se de negro-bomba, decorria a “Segunda” Guerra Mundial...
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(Uma das muitas mentirolas “históricas” pra encantar a grei é a divisão entre duas guerras mundiais, quando existiu apenas uma, combatida em duas partes, com um intervalo para
gin, flappers, modelo T, Coco Chanel, electrocutar Sacco e Vanzetti e eleger a primeira miss América. Os historiadores, para além do ofício de mangas-de-alpaca assalariados, para amoldar o passado, consoante as necessidades ideológicas do presente, obedecem ao princípio: os políticos erram, porque as suas motivações estão desadequadas, mas nunca por serem simplesmente idiotas. Ora, enquanto os soldados se estilhaçavam nas trincheiras, os líderes, sentados no sofá da Grande Guerra, exorbitavam.
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Na Rússia, o czar Nicolau II governava como um ditador, mas a mulher, a bisneta da rainha Vitória,
Alix de Hesse, “pessoa obstinada ainda que fraca de espírito”*, no recato do palácio, tratava-o abaixo de cão; Vladimir Sukhomlinov, o seu ministro da Guerra, era um mandrião, opositor de todas as inovações, e reservava as suas poucas energias para consolar a jovem esposa; o kaiser Guilherme II herdou um QI limitado; Francisco José, morreu em 1916, a cantar “Deus Salve o Imperador, mas antes, já com 80 anos, reinava no Império Austro-Húngaro, um saco de gatos, por causa das divisões étnicas, políticas e religiosas, exclamou quando o seu irmão Francisco Ferdinando foi assassinado em Sarajevo: “desta forma, um poder superior restaurou a ordem, que eu, infelizmente, era incapaz de manter” e… a Grande Guerra valsejou toca a morrer; o primeiro-ministro inglês H. H. Asquith era um inapto, substituído a meio da guerra por David Lloyd George, “esse trovador de pés de cabra, esse visitante humanóide da nossa era, vindo da feitiçaria e dos bosques encantados da antiguidade celta”**; o presidente americano Woodrow Wilson era um idealista e orelhas moucas às ideias dos outros; Clemenceau amava a França e odiava a Humanidade.
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* Barbara W. Tuchman, “Os Canhões de Agosto”.
** John Maynard Keynes, citado por R. F. Harrod, “A Vida de John Maynard Keynes”.
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Oito milhões e quinhentos mil soldados mortos , 21.2 milhões de feridos, 7.7 milhões prisioneiros ou desaparecidos depois, os líderes assinaram o verdadeiro início da “Segunda” Guerra Mundial, o
Tratado de Versailhes. John Maynard Keynes, representante do Tesouro inglês, participou na Conferência de Paz de Paris (1918), antes de a abandonar, enojado com as condições do Tratado, que impunha impossíveis custos de reparação dos danos da guerra à Alemanha. Refugiou-se na casa do seu ex-namorado, o pintor Duncan Grant, para escrever “As Consequências Económicas da Paz”, antevendo mau tempo no canil… da Humanidade. De facto, as economias dos países europeus estagnaram, refasteladas nos despojos da guerra, e a alemã desenvolveu-se, pressionada pelo pagamento das compensações aos vitoriosos. E, no dia 1 de Setembro de 1939 começou a parte II da peleja, com os dois acontecimentos que os desleixados historiadores fincam no início da “Segunda” Guerra: o bombardeamento da cidade polaca de Wieluń e, cinco minutos depois, a barragem de projécteis 280 mm e 170 mm, lançados pelo SMS Schleswig-Holstein, contra a península de Westerplatte).
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Não se ganham guerras com os
melões da Eva Braun mas com a desmoralização do inimigo. Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler e teórico do Estado da era dos Meios de Comunicação Social, no seu discurso “Conhecimento e Propaganda”, citando Kant, “age como se o princípio da tua vida, pudesse ser o princípio da nação inteira”, descreve o movimento das “ideias individuais”, para “visões do mundo”, através da “arte da propaganda”, expondo as bases da manipulação “rebanhística” do cidadão moderno (tal como, no querido Portugal, o “processo mediático” a ou b ou c, “que está a abalar o país”, conduz a manada para a “opinião”, e daí para a “acção”). Goebbels amodernou o aproveitamento dos média, dizia ele, “Napoleão falava da ‘imprensa como o sétimo poder’”, no século XIX, então no século XX, afigurava-se a “Rádio como o Oitavo Grande Poder”, as ideias impunham-se na batalha das ondas de rádio. Uma das vozes mais ouvidas nesta luta foi a de Lord Haw-Haw, pseudónimo para vários locutores do programa “Germany Calling” (1939-1945), mas geralmente atribuído a William Joyce. Nascido no Brooklyn, Nova Iorque, e enforcado na prisão de Wandsworth, Inglaterra, acusado de traição, em 1946.
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Outros sons ouviram-se na guerra da propaganda. Embora o
jazz, produto originário de Nova Orleães, afamasse como decadente e anti-ariano, Goebbels ponderou-lhe as possibilidades de comunicação rápida com os jovens, e apadrinhou o conceito de uma pura “orquestra de dança e entretenimento” germânica. A rifa saiu a Lutz Templin (Mein kleiner Teddybär” c “It’s a Long Way to Tipperary” c “Schade) . Charlie and his Orchestra integram o contingente da guerra psicológica com o propósito de difundir mensagens do lado alemão. O Ministério do Esclarecimento Público e Propaganda modificava as letras das canções, ou respeitava o original até próximo da segunda estância, quando introduziam palavras sobre o desespero de Churchill, as perdas aliadas, as canalhadas da judiaria ou a derrota eminente – “Goody Good” c “Blue Skies Are Around You” c “We’re Are Gonna Hang Out the Washing on the Siegfried Line”.
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A orquestra perdeu “arianice” nas sucessivas substituições de músicos. A cantora
Evelyn Künneke, última sobrevivente da “geração Lili Marlene” (até 2001), também trabalhou para uma unidade de propaganda das cadenciadas SS, antes de cair em desgraça e ser salva por Leni Riefenstahl, (Sing Nachtigal Sing” c “Mäckie-Boogie” c “Junger Mann). Contou ela: “músicos italianos, belgas e checos, havia meio-judeus e ciganos, maçónicos, testemunhas de Jeová, homossexuais e comunistas – não é bem o tipo de pessoas com quem os nazis normalmente querem jogar cartas, mas porque o seu trabalho era classificado, como sendo importante para o esforço de guerra, eles sentavam-se nos clubes de música em Berlim, e não atrás de arame farpado, e tocavam swing”. Finda a guerra, muitos prosseguiram carreira na música, e “Charlie” emigrou, nos anos 60, para o anonimato dos Estados Unidos.
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Depois da rendição em 1945, o vergonçante passado alemão, foi desamarrotado pela “pastoral psicadélica” do
Krautrock e as aventuras no capitalismo do Grupo Baader Meinhof. (As filhas gémeas de Ulrike Meinhof, Bettina e Regine, enterraram em 2002 o cérebro da mãe, falecida em 1976. Os de Andreas Baader, Gudrun Ensslin e Jan-Carl Raspe desapareceram, manjados pelos zombies do Estado, nos laboratórios da Universidade de Tübingen. Bettina Röhl, jornalista, varre o complexo de Édipo e Electra no livro “So macht Kommunismus Spass! Ulrike Meinhof, Klaus Rainer Röhl und die Akte KONKRET(2006). A vingadora filha não ataca só pai e mãe, ferrou-se a Joschka Fischer, divulgando uma foto, do então Ministro dos Negócios Estrangeiros, enfrentando a bófia numa manifestação, e acusou Daniel Cohn-Bendit de pedofilia, desencovando-lhe o livro “Le Grand Bazar” (1975). Nele, Dany o Vermelho escrevera uma “pura provocação para chocar a burguesia”, quando trabalhava num jardim-de-infância em Frankfurt: “o meu permanente namorisco com todas as crianças rapidamente tomou formas eróticas”. Entrementes, os canadianos Baader Meinhof Gruppe / Red Army Faction dão “música post-industrial para o povo”).
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A História teve um final feliz. Os alemães do século XXI vivem-no a “fazer o merkel].

terça-feira, novembro 10, 2009

Rebentos & grelos & brotos & vergônteas

As vedetas caminham o vale das luzes, as revistas cor-de-rosa, ou a sua versão mais reles, os jornais de referência, badalejam-nas,
nuas nas capas, para que os incógnitos, escolham livremente, quem lhes levará os dedos, os anéis, os votos, o tempo, e refulja a Esperança. Algumas cedem o seu nome a novas espécies. O povo idealiza-as bonitas 2.0. São procuradas na Net ou nas esquinas das avenidas, pelo comum dos mortais, pela bófia, ou pelos paparazzi, (cuja perseverança recompensou numa Jacqueline Kennedy nua). E, no glorioso Portugal, quem não ambiciona cruzar-se com o vivo-vivo Ernâni Lopes, que atire a primeira solução para os problemas da “economia”, ou quem não lhe apeteceu comungar a Erica Fontes na missa que atire a primeira hóstia.
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Na secção procriação – a prole das celebridades – uns rebentos assemelham-se com o
pai outros com a mãe.
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Harper Simon – nasce dia 7 de Setembro de 1972, filho de Peggy Harper e Paul Simon, um membro do casal Simon & Garfunkel, que alcançou o seu maior sucesso a solo, o álbum “Graceland”, rapinando música nas voltas do mundo. (Segundo Steve Berlin de Los Lobos, Paul era um “colossal falhado”, quando eles foram chamados para uma colaboração: “entramos no estúdio, e ele tinha literalmente nada. Quero dizer, não tinha ideias, não tinha conceitos, e disse: ‘bem, vamos improvisar’” e no final surripiou-lhes o resultado dessas sessões, a canção “All Around the World or the Myth of Fingerprints”). Harper, aos 4 anos, cantou “Bingo”, com o pai, para a Rua Sésamo, no entanto a sua carreira penou por falsos arranques e retrocessos, e só em 13 de Outubro deste ano editou o primeiro disco – “Berkeley Girl” h “From the Morning” h Harper Simon & Friends h Sean Lennon e Yuka Honda.
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Chaz Bono – no início da década de 70, a díada Salvatore Phillip “Sonny” Bono e Cherilyn “Cher” Sarkisian larachavam junto dos melhores actores americanos de sempre, Ronald Reagan e Burt Reynolds, no programa The Sonny & Cher Comedy Hour. Nele apresentaram a sua filha Chastity Sun Bono, baptizada com o nome do primeiro filme de Cher, “Chastity” (1969), e nascida dia 4 Março de 1969. A criança não morreria de amores por saias e insistia numa vestimenta masculina, mais tarde, (1998), decifrou o enigma: “quando tinha 13 anos, finalmente encontrei um nome para a minha diferença. Compreendi que era gay”. Ela iniciou carreira, sem sucesso, no grupo Ceremony e descobriu outra vocação: ser gajo. E, em 2008, decidiu transmigrar de género. Sonny & Cher conceberam uma bela rapagona, que hoje é um belo rapagão, cumprindo tarefas de macho.
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Kyle Eastwood – músico de jazz, nascido em 19 de Maio de 1968, filho do cowboy / bófia fdp Clint Eastwood e da modelo Maggie Johnson. Irmão da realizadora, actriz, modelo e estilista Alison Eastwood, despida com classe e capa da Playboy de Fevereiro de 2003. Kyle explicou (2006) a sua musicómana opção: “os meus pais legaram-me o gosto pela música e o meu amor pelo jazz vem desde tenra idade”. Tem quatro CDs editados e colaborou nalgumas bandas sonoras dos filmes do pai. E o querido Portugal viu-o, no Vale do Douro, no mês de Setembro, entre as vedetas Milos Forman e Andie McDowell – “Iwo Jima” h “Big Noise”, do CD “Paris Blue”, o pai Clint assobia na versão de estúdio h “Song for you” h no festival de jazz das Canárias.
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Bobbi Kristina Houston-Brown – filha da parelha em drogas, Whitney Houston e Bobby Brown, nasceu em 1993 e já pinta a manta, não degenerando. A mãe Whitney, apesar de habitar uma casa cheia de soul music – é filha de Cissy Houston, afilhada de Aretha Franklin, e prima de Dee Dee e Dionne Warwick –, ficará na parede da fama pelo seu espectacular “kiss my ass”. Whitney, Bobby e Bobbi Kristina habitavam um normal lar americano: no ano passado internaram Bobbi Kristina para tratamento psiquiátrico, porque atacou a mãe com uma lâmina e cortou os pulsos, e Whitney contou no programa da Oprah, que o marido Bobby, naquele feliz casamento de 14 anos, lhe cuspia e batia. Whitney regressou aos palcos este ano. A editora cobiça empanturrar-se de x+y+zê-liões de dólares, que até bloqueia o vídeo de apresentação, e investiu muito trabalho forçado de manicure, pedicure e “caracure”, para suplantar a cara de drogada pela cara comercial. “Nippy”, alcunha de Whitney, abençoa as adolescentes transformações da filha, diz ela, que em criança possuía a estrutura corporal de Bobby e agora, fisicamente, se lhe assemelha, e já escreve e canta, e arrastou-a para o palco numa das suas actuações.
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Georgia May Ayeesha Jagger – nascida dia 12 Janeiro de 1992, interessada em roupas e modelo, fotografada por Norman Jean Roy, cumpre um ancestral desejo do planeta Terra: a boca de Mick Jagger num corpo feminino. Para alcançar essa perfeição Jagger esforçou-se. Primeiro, com Marsha Hunt, cantora e escritora, (reconheceu, na sua autobiografia, que “Brown Sugar” refere-se a ela), resultou na Karis Hunt Jagger (4 de Novembro de1970). Depois, a nicaraguense Bianca Jagger contribuiu com a modelo e desenhadora de jóias, mãe de duas filhas, Jade Sheena Jezebel Jagger (21 de Outubro de 1971). As filhas brotavam mas de lábios nicles, até Jerry Hall, modelo na capa do álbum “Siren” e no vídeo “Let’s Stick Together”, de anel no dedo, enfiado pelo apaixonado namorado Brian Ferry, ir na cantiga do bandido de Jagger, e chutar Ferry pra canto. Na primeira tentativa nasceu Elizabeth Scarlett Jagger (2 Março de 1984), na segunda James Leroy Augustin Jagger (28 Augusto de 1985), e na terceira foi de vez, Georgia May Jagger pula cá fora. Jagger, embalado, ainda deixa nos braços de Jerry Hall, Gabriel Luke Beauregard Jagger (13 Dezembro 1997), antes de engravidar a modelo brasileira Luciana Gimenez, com Lucas Maurice Morad Jagger (18 Maio de 1999). Jerry Hall mereceu música, Jagger dedicou-lhe “Miss You”, e quando ela chibou inconfidências carnais, na autobiografia “Tall Tales” (1985), Ferry respondeu-lhe “Kiss and Tell”.
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Eva Maria Livia Amurri – filha de Susan Saradon, e do realizador italiano Franco Amurri, nasceu dia 15 de Março de 1985. E este ano mostrou um par de motivos, para ser uma grande actriz, no papel da estudante e part-time stripper Jackie, na série “Californication”.
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Lourdes Maria Ciccione Leon – nascida dia 4 de Outubro de 1996, filha de Madonna e Carlos Leon, prossegue as pegadas da mãe, acompanhando-a no palco ou ao piano. A pegada “madonológica” estica-se desde os guedelhudos tempos: o leilão de duas fotos suas, sem barbeado púbico, publicadas na Playboy de 1985, alcançou 37 500 dólares. Parodiada no “Medusa: Dare To Be Truthful”. Apostou adoptar o Malawi e perfilhou um brasileiro na cama. Divorcia-se por 75 milhões de dólares e compra uma casa de 38. E o novo single chama-se “Revolver”.
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Leopoldo "Polo" Jasso – é um habilidoso cartoonista, filho de Klaus Kinski, o actor alemão, célebre pelas suas citações e contributo na fabricação de Nastassja Kinski, (descoberta aos 15 anos pelo prisioneiro dos americanos Roman Polanski).
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Dree Louise Hemingway Crisman – Bisneta do “agente Argo”. (Ernest Hemingway, na década de 40 do século passado, contactou em Havana e Londres, agentes do KGB, presenteando os seus serviços de “espião diletante”, para ajudar a causa de Stalin, mas as suas informações nunca foram relevantes e descartaram-no no final da década. O bisavô era também um bom conselheiro. F. Scott Fitzgerald, acusado pela mulher Zelda de ser pouco abonado, responsabilizando esse “pequeno facto” pela sua própria maluquice, consultou Hemingway, e este mediu-lhe o pénis na casa de banho do Michaud’s, na esquina da Rua Jacob e a Rua des Saints-Peres, em Paris, avalizando normalidade. Céptico deste diagnóstico, então Hemingway mandou-o “comparar com as estátuas do Louvre”, para tirar as teimas). Dree, nascida dia 4 de Dezembro de1987, é filha de Mariel Hemingway, actriz que recebeu o nome da cidade portuária cubana, e dotada de bons genes para desnudar-se. Cumpriu-se esse desígnio na Playboy de Abril de 82, e em papéis, pendendo para o outro lado, no filme “Personal Best” (1982) ou “In Her Line of Fire” (2006). E, claro, foi fotografada pela ubíqua Annie Leibovitz. Dree Hemingway é uma quinta coluna da moda, por ela dobram os sinos, quando diz adeus às… roupas.
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Mao Xinyubelo moçoilo, nascido dia 17 de Janeiro de 1970, é neto de Mao Zedong, e para quem o “avô é Deus”. Já não há proletariado, não há campesinato e a luta de classes, vence-se engatando uma viúva rica (ou viúvo). Não há campesinato, vírgula, mas há campónios. Tal com Pacheco Pereira, Mao Xinyu é também um ferino blogger. O soldado raso Pacheco, no Parlamento, é a Esperança de Portugal: o pulítico! a responsabilidade pulítica”! – bracejava ele. O coronel Mao Xinyu posta sobre a causa de Mao Zedong, e como o sol nasce no Oriente, quem sabe se não será a Esperança do movimento maoísta.
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Yevgeny Dzhugashvili – nascido na década de 30, filho de Yakov Iosifovich Dzhugashvili e Yulia Meltzer, uma dançarina judia de Odessa, é neto de Stalin. No país das formosas fontes, das denunciadoras mini-saias, da arte de salsicharia, das cidades perdidas, das noivas pra casar, da tecnologia dos tanques de guerra, do boxe feminino (graças a Deus, sem cuninlingus, esse letal golpe que todos/as atira ao tapete), das novas estratégias de luta, como a greve de sexo, Yevgeny Dzhugashvili também evoluiu. Não guarda rancor ao avô, que encolerizado pelo namoro de Yakov e uma judia, comentou com desprezo, enquanto o filho se esvaía em sangue, após uma tentativa de suicídio: “ele nem disparar direito sabe”. Yevgeny processou a Novaya Gazeta, por atentado à honra e dignidade do avô, que num artigo, adjectivava Stalin de “canibal sangrento”. O juiz decidiu em favor do jornal. Valeu a intenção de dourar a pílula Stalin. O historiador Orlando Figes falando, talvez, com dor de corno, por lhe terem cancelado a publicação de um livro, sobre a vida na época de Stalin, ou mais provavelmente por causa de uma “luta ideológica pelo controlo das publicações históricas”, afirma que o Kremlin quer reabilitar Stalin.
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Sarah Darwin – bióloga, tetraneta de Charles Darwin participa, desde 1 de Setembro até Maio de 2010, numa espécie de reality show científico, que reconstitui o percurso do navio HMS Beagle, pelo Hemisfério Sul, carregando o seu embarcadiço tetravô, no século XIX. A bordo do veleiro Stad Amsterdam, financiado pela TV holandesa VPRO, filmam “Expedição Darwin – As Espécies e o Clima”, um documentário de 35 episódios, sobre as descobertas do evolucionista. Sarah embala-se na espuma das boas intenções: “espero poder ver, através dos olhos do Darwin do século XIX, os lugares que visitou, ver o que ele viu, os factores que o levaram à conclusão da evolução através da selecção natural”. O século XIX produziu “A Origem das Espécies”, um dos livros mais odiados na América, agarrada às saias da Bíblia. O século XXI, para além de “conteúdos televisivos”, produzirá… ecológicos.
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George Prescott BushJeb Bush e a mexicana Columba Garnica Gallo geraram, quiçá, a Esperança (mais uma) do mundo. No Texas, dia 24 de Abril de 1976, nasceu “P”, sobrinho de “W”. O tio Wbush, um amásio de livros (sim, gosta de Camus), um parque de diversões na parvónia global, na sua colossal alma, não fez, mas doou História. Só os políticos europeus mortos, mas não enterrados, lhe assacaram o final dos tempos, salvos pelo gongo (o presidente Báráque). A providencial eleição esbulhou o racismo, até das prateleiras dos hipermercados, quando a Coles concordou alterar o injurioso nome das suas bolachas “Creole Creams”. Mas ainda subsiste uma raça inferior nos E.U.A.: os mexicanos. “P”, filho de mãe mexicana, ocupando a Casa Branca, aspergiria de Esperança estes desgraçados (e os europeus, sempre ávidos). O pai Jeb acirra o Partido Republicano a limpar a imagem de “partido de velhos branquelas”. Na biografia do filho, já constam factos importantes, para uma eleição “casa branquiana”. No dia 31 Dezembro de 94, arrombou e entrou na casa de uma ex-namorada, na Florida. Cumpriu a tropa com treino de “oficial inteligente”. E, casou com uma “toda americana girl”, a Amanda "Mandi" Williams. Diz o adágio: “depois que o menino nasceu tudo cresceu”. Que a Virgem de Guadalupe proteja “P”, putativa Esperança do Universo!

segunda-feira, novembro 02, 2009

Heroificando

Uma das desvantagens, de viver no Ocidente livre, é as ameaças. Elas são mais que as mães… solteiras. Uma das piores foi, sem dúvida, o
queijo, responsabilizado por todos os males humanos, desde as pragas, as epidemias e a podridão moral. Em todas as épocas, quando o perigo espreita, erguem-se de pronto os heróis. E neste caso, sobretudo heroínas, partiram o queijo, enfrentaram-no e venceram.
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Marguerite Marie Alacoque, na adolescência, como as donzelas de hoje tatuam o nome do namorado, ela no século XVII, cravou no peito, com uma faca, a palavra “Jesus”, para dissipar dúvidas sobre os direitos de propriedade daquele corpinho. Proveniente de uma família de comedores de queijo, aos 9 anos mortificava o corpo para se ribeirar do Divino e adquiriu asco ao lacticínio. No dia 25 de Maio de 1671, o irmão depositou-a no Convento da Visitação, em Paray-le-Monial, com a condição de não lhe servirem queijo, mas as sacanas das freiras, para contrariar, impuseram-no como penitência. Marguerite confessou “nunca senti tanta repugnância por uma coisa”, contudo, venceu aquela punição oral e 8 anos depois, todos os dias, peniscava-o de forma ritual, esteando as suas visões do Sagrado Coração.
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No México, na última metade do século XVII, circulava a superstição que o queijo estupidecia as pessoas.
Sor Juana Inés de la Cruz, em criança, adorava-o e ambicionava ser erudita, então perante o dilema, cortou com o queijo, justificando-se: “o desejo de saber era mais forte do que o desejo de comer”. O seu progresso foi espantoso, para um período pré-computador Magalhães na América Latina*, com 3 anos já lia e escrevia, aos 8 devorava Platão, Aristófanes e Erasmo em latim, como se fossem livros “Twilight” da mórmon Stephenie Meyer, na adolescência dominava a Lógica grega e com 13 anos ensinava Latim às outras crianças.
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* Na Venezuela, rebaptizaram o computador dos cliques de ouro, da SP Sá Couto, “
Canaima” e Hugo Chavéz anuncia-o como sendo… 100% venezuelano.
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Nem sempre aconteceram queijosas desgraças. Há um relato do efeito benfazejo do queijo. No século III, o imperador
Septimius Severus apresentava uma proposta aos cristãos, ou veneravam deuses romanos ou iam verificar pessoalmente a Salvação. Os crentes, para escaparem, refugiaram-se nas catacumbas ou no anonimato, mas a Justiça de Roma caçava-os sem piedade. Vivia Perpétua, filha de um nobre pagão, casada com filhos, em Cartago, convertera-se ao Cristianismo. Com 22 anos prenderam-na juntamente com a sua escrava Felicitas. No julgamento, diante do procurador Hilarianus, recusou-se abdicar da Fé e condenaram-na à morte. Na véspera da execução, nas masmorras, adormecida pelo torpor do cansaço, apareceu-lhe um pastor de barba branca que lhe ofereceu queijo de ovelha. Ao ouvir a palavra “ámen” despertou com um melífluo sabor na boca, que a encorajou para ser flagelada, espezinhada por uma vaca e decapitada, com um sorriso nos lábios.
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O medo do queijo desapareceu, via prevenção da osteoporose, outros ameaços ao Ocidente debruam a Doirada Aurora, e pleonásticos heróis, ainda mais
heróicos, precisam-se. O Japão, país das mulheres de peito cheio, destemidas, audazes, introduz uma heroína, a Princess Robot Bubblegum, competente para “debelar” as “redes tentaculares” do terrorismo e da bad economia. Na Espanha, país de… espanholas, na paisagem faroeste de Almería cavalgaram os mocinhos que nunca falhavam na “debelação” dos bandidos nos Western Spaghetti, parábolas dos punhados de dólares, distribuídos pelo bom, o mau e o vilão das “redes tentaculares”, musicadas pelo Ennio Morricone e enterradas pelo Django. Os Estados Unidos, país de Michael Bay, “debeladores” dos males do mundo livre, nenhuma “rede tentacular” lhes faz ferro-velho atrás do Nordeste do Paquistão, no Waziristão ou em Swat. Os seus heróis são cheios de estilo e com agenda moderna como “Our Man Flint” (1966). Derek Flint, agente da Z.O.W.I.E. (Zonal Organization for World Intelligence and Espionage), peixe na piscina entre os biquinis, regressa ao activo, para neutralizar uns cientistas loucos, que chantageiam as democracias com uma máquina de controlo do clima. E, em “In Like Flint” (1967) frustra uma conspiração das mulheres, descontentes por não lhes calhar, nem um cargo de Secretárias de Estado. Outro herói, misto de semideus e santo, super-cheio de super-estilo, com agenda super-modernaça, fogueará os terroristas, aguará a economia, terreará as armas nucleares, e ventará as alterações climáticas, chamam-lhe… o nosso homem Báráque.
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Enquanto santos e heróis rogam por nós, no recato do computador, assistimos a
cinema on-line ou ouvimos pós-punk, bem guarnecidos de sandes de queijo.
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Kim Wilde – o ídolo pop dos anos 80, alegria dos quiosques, fatal decoração nas paredes dos quartos de dormir europeus onde, a mão, só descansava nas noites sem Kim Wilde e mesmo assim… Ela nasceu Kim Smith no dia 18 de Novembro de 1960, filha de Marty Wilde (nome verdadeiro Reginald Smith), pioneiro do rock ‘n’ roll inglês (Teenager in Love” K “Bad Boy” K com Cliff Richards e Dickie Pride). Marty era músico habitual nos programas produzidos por Jack Good, “6.5 Special”, a primeira expedição da BBC nos ritmos jovens, e para a ITV, “Oh Boy!” e “Boy Meets Girls”. E aí, de facto, conheceu uma girl, a mãe de Kim, Joyce Baker, cantora nas Vernons Girls (Lover Please” K “You Know What I Mean” K coros de PJ Proby K “Don’t Look Now). Depois do casamento a sua carreira, como ídolo adolescente, declina mas reforça-se como compositor. E na década de 80, em conjunto com o filho Ricky, engenha o sucesso de Kim. Cantam juntos em 1987. Kim Wilde, na montanha russa do sucesso, não perdeu de vista a noção de envelhecimento, “sempre tive a ideia de que não queria ser uma pop star depois dos 40”, e desde 1998 prossegue uma premiada carreira de jardineira, alternada com uns pezinhos de música.
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Kids in America” K “Cambodia” K “Chequered Love” K “You Keep Me Hangin’ On” K “You Came” K “Water on Glass” K “View from a Bridge” K “Four Letter Word” K “Schoolgirl” K “Love Blond” k “It’s Here” K “Suburbs of Moscow” K “Anyplace, Anywhere, Anytime” para comemorar os 20 anos de carreira da Nena dos 99 balões K “Say You Really Want Me” K “Real Wild Child” K “A Big Hunk o' Love” K com Steve Coogan, actor inglês, que vestido na personagem Tony Ferrino, melhor caiou a brilhante vitória dos portugueses no festival da Eurovisão K “Who Do You Thing You Are” K “Perfect Girl” K com Ali Campbell dos UB40 K “Born To Be Wild” do melhor grupo de sempre Steppenwolf (diz Iggy Pop dos lobos da estepe: “uma canção bem esgalhada. A guitarra é, sabes, imoral”) K e, obviamente, foi recebida no nosso querido Portugal, com a única coisa que o hospitaleiro povo sabe fazer: cânticos da bola.
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Documentário Wilde Life:
198119821983198419851986198719881989199019911992199319941995199619971998 / 1999200020012002200320042005200620072008.
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Roxanne Wilde – irmã mais nova de Kim, nascida em 79, subestimada pelo “público em geral”, os seus posters não potenciam o ambiente erótico dos quartos, os rapazes actuais preferem Cristiano Ronaldo, move-se no som deste século. Forma em 1999 os, infelizmente esquecidos, Dimestars (“Play” K “Solo So Long” K “My Superstar). Terminados em 2001, Roxanne continua numa carreira a solo ou colaborando com DT8 Project e/ou Darren Tate, o duo alemão Milk & Sugar e Kim Wilde].