Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

sábado, fevereiro 20, 2010

Gentil-homem

“Diga aos taliban que já não são bem-vindos nesta área” – declara o artilhado U.S. Marine,
land warrior, óculos escuros, para o tradutor, para o ancião afegão – “diga que estamos aqui e queremos ajudá-los a recuperar a liberdade”. O monólogo do soldado* representa-se no palco do Afeganistão**: uma flórea democracia asiática, onde até Britney Spears se registou para votar – que estreou, dia 13 de Fevereiro de 2010, a peça Operação Moshtarak (em árabe: “juntos”). Uma peça da Presidente Báráque Produtions: empresa de teatrada que permite aos actores exprimir o sentimento mais humano de todos: a vontade de matar: a cobiçada, globalmente, gloríola americana. Que maior entretenimento / prazer haverá, do que ver “cabeças de toalha”, estilhaçados pelos ares***?
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* O
Exército prefere-os novos. Jornalistas e fotógrafos do Denver Post acompanharam a manufactura do soldado Ian Fisher. Back home, as namoradas aguentam o forte.
** País onde também se come uma sopinha de legumes portuguesa de lamber a
malga.
*** A administração Wbush ordenou 41 ataques com
drones, matando apenas 454, terroristas ou população, não interessa: neste tipo de guerra: a morte é o objectivo principal: por que pretende-se uma descontinuidade no tecido social (que no caso afegão é político / religioso). Era urgente aumentar a produtividade nas mortes, Wbush vacilava, tolhido pela sua imagem “negativa”, para isso foi eleito “o eleito”: o presidente Báráque: logo decretou mais ataques drones: e, os seus publicitários camuflarem o número de mortes atrás de sucessos. O presidente Báráque tem-na grande…
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Short Dick Man” – os que assim o têm, o pirilau minguado*, condição máscula não tão grave como o koro**, iludem-se na frase feita, na piedosa mentira, de que “tamanho não conta”, claro que conta, se o corpo não é pequeno… (ou a alma). Canção dos 20 Fingers – grupo dos anos 90, formado por Charlie Babie e Manfred Mohr; aqui com a cantora Sandra Gillette: ao vivo no Brasil ♣ Gillette no México ♣ para aqueles que nutrem o engano de grande verga editou-se a versão sem dickShort Short Man”: – o 2º single do grupo foi “Lick It” com a voz de Roula ♣ ao vivo.
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*
concursos premiando o mais curto pendericalho.
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(**
Koro”: medo irracional de que o pau se retraia para dentro do corpo. Palavra de origem incerta, talvez derive do nome malaio “kura”: “cabeça da tartaruga”, também calão local para pénis. É referido pela primeira vez, na China, no livro “Medicina Clássica Interna do Imperador Amarelo” (300 a.C.). Em 1967, uma epidemia de koro alastrou-se em Singapura, produzindo uma corrida aos hospitais de homens segurando o pénis, à mão, com molas, tenazes, chaves inglesas ou, um aflito membro da família, agarrando-o firmemente, para que não desaparecesse. O Singapore Medical Journal atribuiu, esta onda de pânico de retraimento genital, a rumores de que a vacinação dos porcos, contra a febre suína, envenenara-lhes a carne. Em África, o koro deriva da magia negra e da feitiçaria e manifesta-se como roubo do pénis e não retracção. No ano de 1990 uma (verdadeira) pandemia de koro assolou a Nigéria. Como nesta variante, a contradição do facto é mais fácil, as vítimas, não convencidas, enredavam-se nas explicações: que o pénis regressou após a denúncia pública; ou baixavam as calças, asseverando que encolhera, que era um pénis fantasma ou que fora substituído por outro. O koro, nos Estados Unidos, é consequência de bad trips com drogas; ou por pedido próprio: Larry Don McQuay, condutor de autocarro escolar, de San Antonio, Texas, condenado a 6 anos de cadeia por abuso de um miúdo, pediu a castração cirúrgica, antes da sua libertação em 1995. – O sapiente Freud, na sua teoria psicanalítica, abordara a esfumação do pénis, como estádio do desenvolvimento da personalidade, durante o Complexo de Édipo: a visão dos órgãos genitais do sexo oposto causaria, na menina, a Inveja do Pénis (a origem da cleptomania); e no menino, a Ansiedade de Castração (origem do feiticismo e exibicionismo). Numa troca de argumentos em 1927 com Otto Rank, Freud escreve: “provavelmente nenhum macho masculino é poupado ao horror da castração ao ver os órgãos genitais femininos” (visão muito rara naquela época); na Fase Fálica, constatando a diferença, normalmente ao ver a mãe nua, o cérebro do catraio redemoinha numa fantasiosa explicação, de que a mãe sofrera a amputação do sexo, castigada pelo pai: punição que ele teme para si, sujeitando-se à autoridade paterna… e Lacan cascou-lhe com o significante desaparecido)].
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O
presidente Báráque*: publicitado (e consumido) como “esperança”**: não frustrou expectativas no Afeganistão. Ensinado por Wbush, naquele pesadelo dos Relações Públicas, que foi o Iraque, – “We're Waist Deep in the Big Muddy” (Pete Seeger), – não descurou um pormenor na encenação da Operação Moshtarak e etc. Vão numa de diálogo, trazedores da liberdade, não como máquina de guerra, contra famélicos pastores de cabras; o inimigo, fraco, não causará muitas baixas na tropa libertadora, aliviando o coração das U.S. mamãs; mortes civis? agora, até são fofinhas – a campanha de Relações Públicas da guerra no Afeganistão é irrepreensível: as fotos são arte pura: a mão americana protegendo.
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* Fotos de
Brad Trent.
** O
presidente Báráque é sobretudo um produto de exportação. Hugo Chávez disse para Oh!bama: “quero ser teu amigo”. Valerie Jarrett, conselheira da Casa Branca, quando lhe perguntaram, se a presidência “baraquiana” mudara alguma coisa, respondeu: “eu penso que o que vemos é uma diferença enorme em termos de como os Estados Unidos são apercebidos no mundo”.
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Desde o seu “nascimento” para a Casa Branca, o marketing do
produto Oh!bama é impecável: colaram-no à única referência histórica na memória dos americanos – John F. Kennedy: e nem a adequação dos cabelos lhe descuidaram. Oh!bama vende-se como um inspirador*: fofura em cima de fofura: um igual de George Clooney: um compincha das tropas: mister nice guy. Nas suas fotos nada falha, são perfeitas, por que são criteriosamente seleccionadas e inteligentemente “photochupadas”. Detrás da fabricação da imagem Oh!bama está um glorioso português Pete Souza, ou dois… se contarmos o canito Bo. – Quando se ouve, que uns diletantes patuscos elaboraram um “plano para controlar a comunicação social” no país da fava rica, suscita gargalhada. Para controlar danos dos média, põe-se os olhos no presidente Báráque: contrata-se boas agências de comunicação ou compra-se… um cão; não se manda de jactinho, a Espanha, um administrador da PT.
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* No Paquistão,
Tuba Sahaab, cita-o como fonte da sua inspiração.
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Ministry of Sound – rede de clubes e etiqueta na zona da música de discoteca – house, electro, dance, techno, trance – ambos, ascetérios de virtuosas moças, que embelezam, com o espírito, os raios laser e os sóis sustenidos (canal YouTube). As gajas boas também melhoram o ambiente puss! puss! dos vídeos: Corenell misturador alemão “cheio de élan e confiança”: “Corenell vs. Lisa Marie Experience” ▬ Studio B pseudónimo do produtor Si Hulbert: “I See Girls” ♣ “C’mon Get It On” ▬ Rudenko produtor russo na conquista da Europa: “Everybody” ♣ “Summerfish” ▬ Geo Da Silva artista romeno: “I’ll Do You Like a Truck” ♣ “Bellezza” ▬ Uniting Nations grupo de dança inglês: “Out of Touch” ♣ “You and Me” ▬ Eric Prydz produtor sueco, com o vídeo, do qual Tony Blair disse “quase cai da minha passadeira rolante”, quando o viu no ginásio: “Call on Me” ♣ “Pjanoo” ▬ extra música de discoteca, elas vicejam os Emanuel, rock do Kentucky: “Cottonmouth” ▬ mas… para, de tetas de fora dançar, melhor não há que os Porte Mentaux, punks franceses: “A Ça Ira” ♣ “Elsa Fraülein].
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Os noruegueses toparam o presidente Báráque, atribuíram-lhe o Nobel da Paz, e porque não? O maior criminoso do século XX, Henry Kissinger, tem um. Numa questão de coerência, com a nossa época de Iluminismo Néon, paz é guerra, guerra é paz. Guerreia-se pela paz, quanto mais sangue derramado, mais justo é o prémio: e a assessoria de Báráque não terá dificuldade em provar que os mortos eram evil ones. Enquanto o boss recebia o Nobel, Eric Holder, o Procurador-geral, e o conselheiro presidencial David Axelrod, participavam no
concurso do bigode do ano.
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Judee Sill – (1944-1979) descobriram-lhe o corpo, morto de overdose de opiáceos e cocaína, no seu apartamento, em North Hollywood, Los Angeles: morrera no anonimato, sem marketing necrófilo da editora e alguns amigos só souberam da sua morte vários anos depois. Um papel junto do cadáver – uma meditação sobre o êxtase, o Além e o mistério da vida: rabiscos esotéricos, que talvez fossem uma das suas atormentadas canções ou uma folha de um diário – convenceu o médico legista de suicídio. (As biografias divergem – gravações inéditas). O pai morreu, ela era ainda criança, a mãe casou com Kenneth Muse, desenhador do Tom & Jerry, nunca se deram bem e ela saiu de casa para a rambóia dos anos 60: viagens pela América, tocar em clubes e drogas recreativas. Viciou-se na heroína: custava-lhe 150 dólares por dia: consta que baixou as cuecas pelo dinheiro. Tom King, biógrafo de David Geffen – que a contratara para a sua etiqueta Asylum – descreve-a como: “um antiga prostituta e junkie reformada”.
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No fim da década de 60, cumpre três meses de cadeia por posse de heroína; sai limpa e decidida a dedicar-se exclusivamente à música. Perfeccionista, podia demorar anos a escrever uma canção, o contrato com Geffen gerou: “
Judee Sill” (1971), “Heart Food” (1973) e o terceiro não foi publicado em vida. Influenciada por Johann Sebastian Bach e Mahalia Jackson, remando contra os temas da época – contestação social ou amor carnal – acreditava que o objectivo da música era a glorificação de Deus. Descrevem-lhe as letras como “hippie cristão pedrado, gritos de “Kýrie, eléison”, combinado com referências a anjos e planos astrais”: Michele Kort chama-lhe “country-cult-baroque” nas notas do CD “Abracadabra: The Asylum Years” (2006).
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Ela nasceu em Studio City, Califórnia, no dia 7 de Outubro de 1944. A família mudou-se para Oakland: o pai, Milford "Bud" Sill, abriu o Bud's Bar; ela recordou esses dias para a revista Rolling Stone em 1972: “foi aí que eu comecei a tocar piano e descobri que podia cantar harmonias. Mas, mesmo naquela época, eu sabia que alguma coisa estava errada, que eu estava a perder algo, não tendo uma vida normal. Era tão decadente no bar, você sabe? as pessoas estavam sempre a lutar e a vomitar, havia jogo ilegal, e meus pais bebiam muito”. O seu fim consumou esta falta de vida normal: adolescente rebelde, assaltos a lojas de bebidas e bombas de gasolina; reformatório em Ventura; casamento com o pianista Bob Harris, ambos viciados, ganham a vida como músicos em Las Vegas; regressa a Los Angeles; estadia na pildra; contratada, por 65 dólares/semana, pela produtora dos The Turtles escreve-lhes a canção “Lady-O”; atrai a atenção de Geffen; foi esquecida. Má condutora sofreu vários acidentes, que lhe estragaram a coluna, por causa da condenação por posse de narcóticos, os médicos cortavam-se na prescrição de analgésicos fortes, e a heroína ajudava: “
The Kiss” ♣ “Jesus Was a Crossmaker” ♣ “The Lamb Ran Away with Crown” ♣ “The Phoenix” ♣ versão da canção de Paul McCartney “Blackbird”; – e outros tocaram versões das suas The HolliesRika ShinaharaFleet FoxesPlattèlGraziano Romani].
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O “Paradoxo Portugal” diz: a luz ao fundo do túnel é outro túnel. Um quebra-cabeças matemático que se enuncia assim: que comprimento terá um túnel, para ser um túnel, e não outra coisa qualquer? Os luso-políticos prometem que o valor é tendencialmente absurdo (n + /!%#P). Paulo Rangel, apreciador de
heavy metal, no “calor” da campanha eleitoral para as Europeias 2009, revelava a banda preferida: “assim não sei dizer, mas assim, talvez, como banda mais completa, os Metallica, talvez” (resposta clássica: Metallica já foi heavy metal, na década de 80, actualmente, talvez, com uma pitada dos Journey) – vem com cartesianismo e modéstia salvar-nos: “aquilo que faz ganhar eleições, e eu sei de que falo, porque ainda recentemente ganhei umas, são as ideias claras e a afirmação de um projecto claro. É clarificação, não a falsa unidade”. Entretanto, a sua putativa antecessora na presidência do partido, a Sra. Leite, balançou o seu mandato: “a sensação de dever cumprido, em tendo atingido todos os objectivos a que me propus, quando me candidatei à liderança do partido”. Mas, a melhor ideia, saída da cabeça, saiu de… Alberto João Jardim: propôs uma jardineira. A união da Oposição, na votação da Lei das Finanças Regionais, ideou-o para uma alternativa ao Governo: um compromisso parlamentar juntando os partidos da Oposição: “eu se fosse líder do partido tinha apresentado uma moção de censura mas previamente combinado com os outros partidos”. Há quem esteja pior, entregue aos bichos, nós estamos entregues aos humanos.
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[Pra pequenada cartoons → ].

sábado, fevereiro 13, 2010

Umas sobre as outras outras sobre umas e os outros

Regabofe! Bródio! Libertinagem! Príapo debagando Messalina, ou Rock Hudson
Mae West, ou Jane Vasco* devaneando: “aquilo que me apetecia mesmo era distrair-me com uns shots de tequila e um fim-de-semana com o Brad Pitt… e a Angelina”, – recordam lascivos comboios nas páginas de Henry Miller** ou Catullus 16***, não piedosas escrituras ou beata vida. Nestas, verso e gesto são mele suavius, fabis jucundis (“mais doces do que favas com mel”), como a correspondência entre o devoto Álvaro e Santo Eulóquio; ou não. Um grupo excede-se na salacidade e eróticos arroubos, que coraria, de casta pudicícia, Sasha Grey, – arguta conselheira de “demasiado sexo pode ser uma coisa má”… nos animais –, são esses degenerados: os primeiros cristãos.
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* Personagem da série “
Painkiller Jane” (2007), interpretada por Kristanna Loken, o cinzelado robot T-X (Terminatrix), vindo do futuro, no filme “Terminator 3” (2003), para descabeçar o inimigo das máquinas John Connor; e, a dampira, (sacrílega prol de vampiros com mulheres humanas), na trancada contra as grades no “BloodRayne” (2005), versão cinematográfica de homónimo jogo.
** Nascido na
sarjeta contemporânea, a cidade de Nova Iorque, apoiante do poeta Kenneth Patchen – “Patchen: Man of Anger & Light” (1946) – gracioso comensal, industriado no opus penicillu; a franqueza sexual dos seus escritos arvorou ganas de proibir nos defensores da liberdade; e distinto anfitrião para monologar na retreteparte2parte3.
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Poema banido da tradução, por linguagem demasiado obscena, do poeta romano, admirador da poetisa grega Safo, Gaius Valerius Catullus (século I a.C.).
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[Bonecos animados Merrie Melodies →
_ _ _ _ _ _ ].
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O “
Evangelho segundo Eva”, pior fim teve que as audições de Mário Crespo, da mesa nº 12 do Hotel Tivoli, não desenrascou acoito, em papiro amigo, e perdeu-se no pó do oblívio como “o vulcão venezuelano*. Pouco resta desse evangelho, excepto extractos da pessoa que o baniu da posteridade bíblica. Nele, antes das frescas hippies, apregoava-se o “amor livre”, o coitus interruptus, obstando a procriação do acto, e beber esperma como ritual religioso. Conta Epifânio, bispo de Salamina, que eles seguravam aquela impureza nas mãos levantadas ao céu e rezavam: “nós oferecemos esta dádiva, o corpo de Cristo”; e bebiam-na dizendo: “isto é o corpo de Cristo e esta é a Passagem pela qual o nosso corpo sofre”. Isto era o cúmulo para o fundador da Igreja, as cristãs mereciam melhor iguaria sacramental, e riscou-lhe as hipóteses de figurar na Bíblia. O “Evangelho de Eva” pertencia aos livros sagrados dos borboritas (do grego “borboros”: “lama”, traduzível por “porcos imundos”); Epifânio não engraçava com eles, é possível que abstraísse do sentido metafórico e simbólico dos textos místicos, interpretando-os literalmente, como um coetâneo Saramago.
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* Epíteto comercial de
Acquanetta, actriz de filmes série B, de nome verdadeiro Burnu Acquanetta – em arapaho, “burnu” significa: “fogo ardente”, e “acquanetta”: “água profunda”. Nasceu a 21 de Julho de 1921 na reserva índia arapaho, de Cheyenne, Wyoming: mãe índia arapaho e pai índio anglo-franco-cherokee. Dada para adopção, cresceu como Mildred Davenport, na cidade de Norristown, Pensilvânia. Modelo em Nova Iorque, estreou-se no cinema, como figurante no filme “Arabian Nights” (1942), foi a “rapariga gorila” no “Captive Wild Woman” (1943), trepou ao hollywoodesco cume, no papel da sacerdotisa do culto do leopardo, em “Tarzan and the Leopard Woman” (1946); morreu com Alzheimer em 2004.
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[Entremeada de cultura:
Joshua Clover – poeta, crítico de poesia, cinema, música e cultura postou no seu blog as canções de 2009; – e também extractos do seu livro “1989: Bob Dylan Didn't Have This to Sing About”, sobre a ascensão para a hegemonia global da América, (o mundo sob uma potência: a Pax Americana após o chilique da URSS), manifestada na música pop: sem um irado ex-profeta da juventude, como Dylan: hoje, um “weird man” c/guitarra para as crianças, um “complete unknown”, no entanto, um querido ursinho de peluche, manual de citação obrigatória para bófias e políticos e outras meretrizes posicionadas: 1) what it means, how it feels (introduction excerpt) 2) thinkin' of a master plan (chapter one excerpt) 3) the acid house revolution (chapter two excerpt) 4) i don't wanna, i don't think so (chapter three excerpt) 5) feeling like you're spellbound (chapter four excerpt) 6) between the wars (chapter five excerpt) 7) bob dylan didn't have this to sing about (chapter five excerpt)].
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A convivência cristã autoriza,
preliminares dos criados*, aos ricos gestores de impérios, económicos; esmolas de qualquer coisita, rápida e sem suor**, nos casais monogâmicos; nas solteiras catequizadas, tocar, mas não chafurdar: “I Touch Myself” (dos australianos Divinyls); e… nas freiras, admissão de culpa para a absolvição: – a irmã Norma Giannini, 79 anos, confessou, em 2007, que abusara, na década de 60, de dois jovens, 13-14 anos, da St. Patrick's School, Milwaukee: a justiça dos homens condenou-a a um ano de cadeia, por que essa é idade das revistas e não das freiras. Os cristãos apologizam “o apelo ao compromisso e ao diálogo paciente e frutuoso”, mas, o vinho azeda, se a pessoa humana envilece em pessoa animal, se uma “Bad Little Woman” (dos Shadows of Knight) meneia tentadora maçã, encapuzada de traidora serpente ou de intelectual ar ingénuo, restabelecendo o culto da primitiva depravação, para essas, que o cinto de castidade já a honra não defende, reservam a fava-de-santo-inácio***.
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* Para contento dos
sexos alternativos, a nova série de Sam Raimi, “Spartacus: Blood and Sand” (2010), com a actriz e cantora neozelandesa Lucy Lawless: a indefectível princesa guerreira “Xena” (1995).
** Philomena Briggs desimpede a via láctea ao namorado Connor McKnight: “finalmente ela despe-se e deita-se de costas na cama como a Olympia de Manet, entediada e arrogante, como uma odalisca aborrecida. – Depressa, – ordena, – e sem transpirar.
O narrador aceita o que lhe dão, como um grato consumidor”, Jay McInerney, no livro de contos “Modelos”.
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Planta donde se extrai a estricnina.
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Outra
Boa Nova cristã cantaria, caso os textos dos borboritas, fintassem a cautelar providência de Epifânio. Volvidos dois milénios viveríamos como viciosas bacantes e não como sadios espectadores de futebol*. O báquico regalório irmanar-nos-ia aos ratos**, inventariamos geringonças para desencorajar o sexo ou robots para suprir a escassez de mulheres, e haveria rapidinhas contra a máquina de fotocópias ou nas escadas do prédio para desopilar. As mulheres deslaçariam o beijo lésbico***, os homens lésbicos ambicionariam ser, ou por gays os tomassem; felizmente, esse universo alternativo foi travado por São Epifânio. A nossa realidade pulula de poesia pelo género feminino: “eu não sei bem quem tu és / sei que gosto dos teus pés”****: o homem, esse “Strange Animal” (do canadiano Gowan), esbarra na bela agarena, eternamente à espera do príncipe, nos serviços de encontros via vídeo (sobrevivendo na era net).
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Leah Catherine Spencer, americana, mostrou as mamas num jogo de futebol do campeonato mexicano; numa atitude de saudável empreendedorismo leiloa a camisola e o gorro na net.
** Outros
projectos de Jon Haddock circundam coqueluches da nossa sociedade: a violência e um autómato sobre o “don’t tase me bro’”: pedido do estudante Andrew Meyer, aos bófias armados de tasers, durante um comício do boneco de corda John Kerry.
*** A
quente Megan Fox, com a aquecida Amanda Seyfried, no filme “Jennifer’s Body” (2009).
**** Os melhores versos da poesia portuguesa – “um não sei quê” de
dama pé-de-cabra e moda – de Jorge Palma, para o filme “A Bela e o Paparazzo” (2010).
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[
Vince Taylor – (1939-1991), David Bowie alistou duas influências na feitura da sua personagem Ziggy Stardust: uma) cerca de meia hora de gratificante confabulação com Lou Reed, no final de um concerto dos Velvet Underground nos EUA, no início da década de 70, – dias depois um amigo corrigiu-o: “não… não… Lou deixou o grupo no ano passado. Falaste com Doug Yule, o seu substituto, que é quase a sua cara chapada”; duas) o pré-beatlíco apocalíptico rocker Vince Taylor*. Joe Strummer (1952-2002), vocalista dos Clash, elogiou-o: “Vince Taylor foi o começo do rock ‘n’ roll inglês. Antes dele não havia nada. Ele foi um milagre”. Um milagre! saldado, não em ouro e fama, mas em Preludin, anfetaminas, LSD, álcool e uma dieta apenas de ovos.
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* Bowie
rememora-o: “esteve em Londres, um par de semanas, e conheci-o. Ele era realmente maluco, julgava-se um misto entre o Filho de Deus e um extraterrestre. A coisa que nunca esqueci, foi ele espalhando mapas do mundo no chão, em frente da estação de Metro de Tottenham Court Road, na hora de ponta, nós ajoelhados olhando e ele mostrava-me onde todos os OVNIs iriam aterrar”.
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Nascido
Brian Maurice Holden, em Isleworth, na Inglaterra; aos 7 anos a família emigra para Nova Jérsia, EUA; em 1955 a sua irmã Sheila casa com Joe Barbera (futura metade dos estúdios de animação Hanna-Barbera) e mudam-se todos para a Califórnia. Brian estudou rádio, meteorologia e tirou o brevet. Pelos 18 anos, homiziado na música de Bill Haley e Presley, canta em concertos amadores, festas e bailes de liceu. Joe Barbera protege o cunhado e, numa viagem de negócios a Londres, arrasta-o para verificar a cena musical britânica. Indicaram-lhes o 2i’s Coffee Bar, na Old Campton Street, onde Tommy Steele tocava, e Brian misturou-se com músicos amadores, clientela residente do local. O seu nome, Brian Holden, não coincidia com o estrépito do rock ‘n’ roll; então, da expressão latina “In hoc signo vinces”, nos maços de Pall Mall, Joe e Brian concordam no Vince; a admiração do rebaptizado Vince, pelo actor Robert Taylor, proveu o apelido: e nasceu Vince Taylor and the Playboys.
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Gravaram dois singles em 1958: “I Like Love / Right Behind You Baby” e “Pledgin’ My Love / Brand New Cadillac*”: para a Parlophone-Odeon, que insatisfeita com o resultados monetários, despedi-os; a Palette Records contratou-os, editando “I'll Be Your Hero / Jet Black Machine”, em 19 de Agosto de 1960. O comportamento errático de Vince valeu-lhe uma ordem de expulsão pelos Playboys: que, sob o nome
The Bobbie Clarke Noise foram contratados para actuar, no Olympia de Paris, em Julho de 1961: e levaram Vince. Ele, artilhado do seu cabedal preto, medalhão de Joana D’Arc, comprado em Calais, ao pescoço, arrasou no sound check: os organizadores, impressionados, incluíram-no cartaz: do sucesso dos espectáculos resultou um contrato de seis anos de Eddie Barclay; no final de 1962 eram a atracção no Olympia com a rockista yé-yé Sylvie Vartan na primeira parte.
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* Sem multiplicar as libras da editora, a canção de Vince, “
Brand New Cadillac”, multiplicou-se noutros bardos: The ClashBrian Setzer Orchestra ♪ no power psychobilly dos brasileiros: Os Catalépticos ♪ pelas punks escocesas: The Hedrons ♪ no rockabilly de Barcelona de Loquillo y los Trogloditas.
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Granjeou alcunha de “Presley francês”, mas o vinho, o speed e o LSD esboroaram-lhe o juízo; no dia 23 de Maio de 1965
flipou perante o público do clube parisiense La Locomotive: “vocês pensam que sou Vince Taylor, não é? bem, não sou, o meu nome é Mateus, sou o novo Jesus, filho de Deus”. Encasquetou-se-lhe delírios de religião e extraterrestres: quando, em 1966, Bowie se cruzou com ele, em Londres, estava completamente passado: de lupa, apontando nos mapas os lugares de aterragem dos discos voadores. Acalmou-se com o casamento (1983) e a profissão de mecânico de aviões na Suiça; confessa: o tempo mais feliz da sua vida. Por lá morreu com 52 anos ► “Baby Let’s Play House” ♪ “Too Much” ♪ “What I'd Say” ♪ “20 Flight Rock” ♪ “There's a Whole Lotta Twistin' Goin' On” ♪ “Shakin' All Over” ♪ “Peppermint Twist” ◄ depois de enloucado, a Barclay edita o álbum “Vince is alive, well and rocking in Paris” (1972); e ele, esporadicamente, regressava do hotel dos espectros para concertos – “Blueberry Hill” (1979) ♪ “Whole Lotta Shaking Going On” (1979) ♪ “Fever” (1980)].
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No país do
feeling*, a desdita bate à porta, dura, duramente, como quem chimpa as tabuletas da casa do revés campo de Ourique. O azar é tamanho que os melhores espíritos não escolhem a carreira política. Que galo! Tarrenego! Cruzes! Cavaco Silva, presidente da República, discursou: “muitas das leis produzidas entre nós, não têm uma adequação à realidade portuguesa. Correspondem a impulsos do legislador, muitas vezes ditados por puros motivos de índole política, ou ideológica, mas não vão ao encontro das necessidades reais do país, nem permitem que os portugueses se revejam no ordenamento jurídico nacional”. Ó infortúnio! Ó desgraça! Ó maquinação de Mefistófeles que o não trouxeste mais cedo para a vida pública. Quisera a teia da serapilheira do Destino que ele tivesse sido ministro das Finanças ou primeiro-ministro e nas Ilhas Afortunadas, hoje, residiríamos… mas colados a Espanha.
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* Muito apreciada canção dos Black Eyed Peas, recreada pelos fãs, que despoletou, ensaiadíssimas, danças espontâneas no programa da Oprah.