Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

quarta-feira, abril 27, 2011

…. mas os mouros é que vinham cobrar


Acolchetado na memória do povo, o tributo de cem formosas virgens, consentido pelo “infame rei Mauregato”, para proteger as goelas cristãs do alfange do mafamético Infiel [1], ainda faz estremecer sob a exequibilidade de novas cobranças. Escarmentado, o povo, receia tributo sem virgens [2], de vencimentos, pensões, subsídios, suspenso das letras de pagamento dos contemporâneos credores. Já não se visam gasganetes, nem os cobradores são “bichos papões” e, para que o povo, outrora invejado pela Irlanda [3], não desfaleça de fome, para aumentar-lhe a competitividade, boamente, em breve, abrirá em Lisboa o bodo do FMI. Alimentados, vestidos e calçados, a produtividade de economistas e teóricos expandir-se-á. Cantarão de galo. A enxurreira intelectual retornará ao leito. Teixeira dos Santos, demitente ministro das Finanças: “só um comentário mais técnico. A estabilidade e a confiança no sector financeiro são um bem precioso e são um bem público, e temos que entender como um bem público. E como bem público, nós temos obviamente que suportar o custo que a manutenção desse bem público implica” [4]. Tenho uma impressão [5]! Engendrando pensamento estratégico deste quilate, o ministro averba ou adverbia ou substantiva um futuro tão delicioso como lamber um Magnum, e estaciona Portugal no prestígio internacional again: – ainda veremos o assisado e industrioso João Vale e Azevedo, que na Inglaterra responde pelo nome de Jonathan Vale, a organizar o casamento real: só a “última noite de solteira de Kate vai custar 5 700 €”.


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[1] Almeida Garrett em “Os Figueiredos”: “Portugal e o mais de Espanha que obedecia aos reis de Astúrias e Leão, pagava aos mouros o indigno tributo das cem donzelas, que todos anos se escolhiam de entre as mais formosas, desde que o infame rei Mauregato se obrigara a este vergonhoso feudo para obter a proteção do rei Abderramão de Córdova. Faziam as autoridades cristãs a derrama pelas terras, mas os mouros é que vinham cobrar”.


[2] A riqueza do mundo já não é ouro, virgens ou dinheiro, é dívida. Para se precaver de novas “crises”, os desbocados políticos gritaram: “regulação! mais regulação!”, mas quem manda tem um método mais seguro: assegurar os meios de que os empréstimos são pagos. Umberto Calvini, personagem do filme “The International” (2009): “não. Não. O IBBC é um Banco. O objetivo deles não é controlar o conflito, é controlar a dívida que o conflito produz. Sabem, é que o verdadeiro valor de um conflito, o verdadeiro valor, está na dívida que ele gera. Controla-se a dívida e controla-se tudo. (…). Isto é a própria essência da indústria bancária para nos tornar a todos, quer como nações ou indivíduos, escravos de dívidas”.


[3] Em 1938, Richard S. Devane: “saindo do imenso deserto do chamado liberalismo, com o seu caos religioso, social e financeiro, Salazar, qual novo Moisés, conduziu o seu povo até à bela Terra Prometida há tantos anos cantada e sonhada por poetas e patriotas portugueses. Há quantos séculos cantam os nossos poetas gaélicos e anglo-irlandeses as penas da Níobe das nações? (…). Hoje Portugal ergue-se com dignidade do pó onde há longo tempo jazia – enquanto a Irlanda permanece vergada sobre os joelhos. Não terá a ressurreição de Portugal uma lição para a Irlanda?”, no Irish Ecclesiastical Record, citado por Filipe Ribeiro de Meneses na biografia “Salazar”.


[4] O demitente primeiro-ministro José Sócrates resguardava este “bem público” com o Orçamento de Estado de 2011: “este é o Orçamento que protege o país daquilo que são as consequências da turbulência financeira internacional. Este Orçamento abriga Portugal, e dá segurança às empresas e às famílias, para que elas possam obter crédito, pra que elas tenham condições de financiamento, que permitam fazer investimento. É por isso que este Orçamento é um Orçamento que defende o crescimento e o emprego”.


[5] “I Got a Feeling” é o Hino Nacional do século XXI. Tocado por Noa, Violin Player: “o meu nome é Noa, toco violino, faço improvisação sobre house music”; de seu nome Lia Gesta: “Noa, porque quando comecei com o projeto da música, com o violino, eu ‘tava a dar aulas na altura, e achei conveniente haver uma personagem unicamente pra música, que depois acabei por registar o nome, e acabou por abrir outros caminhos, noutras áreas, nomeadamente na Literatura. E claro que o Lia, como nome próprio, mantém-se sempre, e, tanto, num nome, como no outro, eu olho sempre”; presença noturna na sua tasquinha “O Barqueiro”, em frente da Alfandega do Porto; Facebook – “We Are the People” (dos Empire of the Sun) ☼ com DJ Rui Tomé a embelecer poesia.


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E… a indústria financeira é o único “bem público” que resta. A ideia de um “bem comum”, disponível a todo o cidadão, foi-se e não há martelo que a reviva. A água será talvez o último bem comum – algo a que todo o ser humano ou animal teria direito – mas, por ser um bem tão valioso como o petróleo, os empresários forçaram a sua retirada de bem comum para o converter num produto comerciável. Outros bens, propriedade de todos, houveram: um dos primeiros, a agricultura morreu e privatizou-se como exploração agrícola: na agricultura, cultivava-se a terra nos ciclos da Natureza; na exploração agrícola, o agricultor compra as sementes à Monsanto ou, se não as comprou, tem que devolver sementes e plantas, caso elas voem para os seus terrenos. A empresa emprega uma “gene police”, para verificar o cumprimento dos contratos dos seus produtos, e um batalhão de cientistas a viajar pelo mundo, patenteando plantas, que venderão como propriedade privada: encarecendo a ida ao “Kebab Shop[1].


A privatização total é o modelo: a Myriad Genetics patenteou o gene BRCA1, origem de vários cancros genéticos, ou seja, quem quiser usar a sequência terá que pagar direitos e, com a privatização do ADN, a Vida será propriedade intelectual: e pagar-se-á pelo body type. A linguagem também é privatizada: Charlie Sheen flipou e desatou a desbobinar frases incongruentes: “Vatican Assassin,” “Tiger Blood,” “Rock Star From Mars,”, das quais registou os direitos. Se o Futre lhe imitasse a iniciativa, quando alguém dissesse “voos de charters” ou “o melhor jogador chinês da atualidade”, desembolsava-lhe para o bolso. Expedientes para impor a privatização são vulgares: a criação de listas de espera nos hospitais, e abertura de um “mercado da saúde” aos empresários privados, que esvaziarão essas listas, em nome da qualidade dos cuidados de saúde, e a troco de justa compensação monetária; a saúde é um bom negócio, e por isso não será um bem comum, um direito de todos. E a maior trapaça de todas: o endividamento, que pôs os Estados nas mãos dos banqueiros. E, o Estado na mão do Banqueiro significa hasta pública de tudo o que dê caroço.


O Comunismo fracassou, por ser um regime para santos e não para homens, mas eis que o capitalista moderno descende a escada do céu como salvador, como homem honesto, de coração aberto, solidário, o homem bom, o puro de Rousseau ou Voltaire. António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa: “o peso burocrático que é hoje exigido às empresas em termos legislativo, ambientais e outros é uma carga enorme que a realidade empresarial portuguesa não tem forma de suportar. Agilizem as coisas. Tornem-nas simples e nós faremos o resto. Nós levaremos o país ao desenvolvimento, ao crescimento, mas ajudem-nos, não complicando. Menos Estado, melhor Estado”.


O bem comum finou-se, exceto a “indústria financeira”, será o único “bem precioso”, o único “bem público” e “temos obviamente que suportar o custo que a manutenção desse bem público implica”. Na próxima “crise” os contribuintes serão chamados a resgatar este precioso bem para que, quando os sequazes de Mafoma, de Lutero, de Siddhartha ou de São Pedro vierem cobrar, lhes paguem com o seu próprio dinheiro, e não, por engano, com o dinheiro de algum empreendedor privado.


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[1] The Scarletz são “Bryony Jobes (a tímida misteriosa) Clare Martyne (a ruiva que faz caretas) Katiya Borlant (a ligeiramente intelectual) Tahnee Lee (a esquisita que usa chapéu)” ☼ canal YouTube.


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John Updike escanhoou extinta pelagem: “cada cabelo é precioso e individual, pois cumpre uma função distinta no conjunto: louro até à invisibilidade onde a coxa e o ventre se juntam, escuro até à opacidade onde os ternos lábios pedem proteção, forte e avermelhado como a barba de um guarda-florestal sob a curva do ventre, negro e ralo como o bigode de um Maquiavel onde o períneo retrocede a caminho do ânus. A rata a que me refiro modifica-se ao longo do dia e consoante a textura das cuecas. E tem os seus satélites: essa caprichosa linha de penugem que ascende até ao meu umbigo e se confunde com a cor tostada da pele, os beijos de pêlo suave na parte interior das coxas, a lanugem cálida que adorna a linha divisória do traseiro. Âmbar, ébano, avermelhado, baio, castanho, limão, avelã, leonado, tabaco, alfena, bronze, platina, pêssego, cinza, chama e rato do campo. Estas são algumas, poucas, das cores da rata”. Material, “múltiplas máscaras da mentira”, “bajulação do êxito”, só descoberto em escavações de épocas muito antigas, de “mulher velha ligada ao egoísmo, ao mal e ao pecado”, que abismaria os espectadores de cinema atuais, familiares com desparzidos fios pelos montes de Vénus ou rendidos ao uso & costume calvo:


– “3D Sex and Zen: Extreme Ecstasy” (2011): “conceituado académico da dinastia Ming, Wei Yangsheng acredita em, como a vida é curta, devemos procurar o prazer sexual supremo, enquanto vivos”: o primeiro filme erótico chinês em 3D com algumas atrizes AV Idols (= “ídolos do vídeo adulto”) no elenco, como Hara Saori; pornográfico, nos padrões americanos, desancou o “Avatar” (2009) em receitas de bilheteira: “no Ocidente a pornografia é uma indústria multimilionária, a maior parte do dinheiro arrecadado nos DVDs e online”, nos cinemas, é falência certa da sala. É um remake de “Sex and Zen” (“O Tapete de Oração da Carne”, em italiano: nome da novela erótica do século XVII, remota origem do seu argumento), de 1991, com a mamalhuda Amy Yip; a fúria do 3D também contagiou Tinto Brass que converte o seu “Calígula” (1980). – Mascotes que roubam a cena: o Huckleberry Hound, o Mutley ou as melhores amigas da Paris Hilton. – “The Challenge of the Lady Ninja” (1983): duelo entre Elsa Yang Hui-Sang e Yan Sau-Lee; Wu Hsaio-Hui uma heroína que explode nas cores portuguesas. – “Twilight” (2008), sequelas e livros promovem perplexidades na obscura não-ciência da Psicologia: “para os jovens tudo é tão estranho, e não se pode dizer, realmente, porque se reage às coisas – é um período difícil para um ser humano”, diz Maria Nikolajeva, professora de Literatura de Cambridge, “nós não sabemos exatamente como a Literatura afeta o cérebro, mas sabemos que o faz. Algumas novas descobertas identificaram zonas no cérebro que respondem à Literatura a à Arte”. Será Bella Swan um bom modelo? Para Nikolajeva “isso é muito deprimente”, os livros não endossam “a posição da mulher como uma criatura independente”. Opinião servil das modas “científicas” de uma árida mestra de sacristia universitária, que não é a de Caitlin Flanagan: “Bella é uma heroína antiquada: estudiosa, inteligente, corajosa, atenciosa com as emoções dos outros, e naturalmente competente nas artes domésticas (ela imediatamente se encarrega das compras no supermercado e da cozinha na casa do pai, e há inúmeros relatos, estranhamente atraentes, dela a confecionar o jantar – embrulhar duas batatas em papel de alumínio, metendo-os num forno quente, a marinhar um bife, a fazer salada verde)”. Edward Cullen, e a sua vampírica família, habitam arejada casa, e não insalubres caves, o que facilita o trabalho de uma dona de casa humana. A série originou produtos de consumo e muita zombaria: de Olivia Nunn; se Buffy, a caçadora de vampiros, lhes espetasse uma estaca, a localidade de Forks, no estado de Washington, “imersa num quase permanente manto de nuvens”, desassombraria; o trailer de “New Moon” (2009) causa peculiares fenómenos nas adolescentes; em vez de Bella, com hambúrgueres; e o Musical. – “Les Diaboliques” (1955): “o filme é baseado na novela de Pierre Boileu e Thomas Narcejac ‘Celle qui n’était plus’”. Alfred Hitchcock falhou a compra dos direitos por umas horas, “posteriormente, Boileu e Narcejac escreveram ‘D’Entre les Morts’, especialmente para Hitchcock, que o filmou como ‘Vertigo’ (1958)”; remake em 1996, apenas “Diabolique” com Sharon Stone e Isabelle Adjani. – “Sex Galaxy” (2008): “cem anos no futuro, devido ao superpovoamento e aos efeitos do aquecimento global, o sexo foi declarado ilegal na Terra. Quando uma tripulação de astronautas ouve falar de um distante planeta, habitado por insaciáveis criaturas do sexo feminino, que existem apenas para satisfazer os desejos do homem, decidem fazer um desvio da sua missão de rotina, em busca do mítico sistema solar, conhecido com Sex Galaxy”; vende-se como o primeiro filme 100% reciclado, pois foi realizado unicamente com imagens do domínio público, como cenas de “Voyage to the Planet of Prehistoric Women” (1967), de Peter Bogdanovich (como Derek Thomas), que fora realizado com cenas de “Voyage to the Prehistoric Planet” (1965) de Curtis Harrington que, por sua vez, tinha sido inserido várias cenas, com atores americanos, no filme russo “Planet Bur” (1962); “Sex Galaxy” é “uma longa-metragem mashup de imagens de arquivo livres de direitos, a extrovertida comédia de ficção científica entrança strippers, marcianos, foguetões e robots numa semi-coerente brincadeira”; a privatização da Cultura abolirá, “cem anos no futuro”, as imagens livres de copyright, e os vídeos dos These United States. – Tetas na TV: a teta de ouro para Emmy Rossum em “Shameless” (2011): na cozinha, no carro, na piscina, na cama


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[ToToM – produtor francês, antropófago dos sons dos outros (1), que se introduz no MySpace: “eu sou ToToM produzo mashups, conhecidos como bootlegs, cujo princípio consiste em misturar duas músicas que parecem, à primeira vista, completamente díspares. Zebra é muito bom neste jogo e, em geral, aqueles que estão no meu top friends têm um certo talento para a coisa” – em 2007 editou “Boo+wArds”: “hip-hop ou R&B a capella sobre canções de rock clássico” ☼ em 2008 sociabilizou o bicho Trent Reznor na trilogia “Bootleg is Resistance”: “álbum feito em torno de canções dos Nine Inch Nails” do CD ‘Year Zero’” ☼ em 2009 limpou teias de aranha de umas ossadas (2) no álbum “Dylan Mashed”: “é uma mistura única de velho e novo, combinando o lendário cantor/compositor com artistas que vão desde Eagles of Death Metal, Gorillaz e Pixies”: para download em MP3 ☼ o site ☼ no SoundCloud ☼ canal YouTube: “I’ve Told Every Little Pumpkin” ☼ “Pigs Must March!” ☼ “Echoplex 2” ☼ “Blowin’ in my Mind”.


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(1) Perigoso labor, pela voracidade de dinheiro, dos políticos americanos que, sem ele, não são eleitos. Sobre a forja em canções de outros, escreveu o professor Lewis Hyde: “Bob Dylan retirou de um rico filão de velhas canções folk a maioria das suas primeiras canções” nos anos 60. Nos anos 90 os jazigos privatizam-se. No final da década, a Disney seduziu o congressista Sonny Bono – restolho da indústria musical após divórcio da Cher – para que propusesse uma lei, estendendo os direitos de autor por mais 20 anos, para que o seu rato marca registada ®, gerador de fortunas, não caísse no domínio público. Que o Congresso, absorto pelas proezas orais de Monica Lewinsky no Bill Clinton, aprovou em 1998. Esse ciumento Congresso também ratificou o Digital Millennium Copyright Act, consentindo aos donos de copyright cacetearem os infratores sem chatices de juízes e tribunais. Segundo Hyde: “os direitos de autor e as leis de propriedade intelectual colocaram, na sua estimativa, cerca de 75% da nossa ‘herança cultural’ – filmes, música, arte – nas mãos de privados”.


(2) Em 1963, novo darling de viola a tiracolo da canção de protesto americana, no Festival Folk de Newport de 65 eletrificou-se, horrorizando os puristas do folk, contabilizando, na venda de discos, os fãs do rock: dizem que saltou do acústico para o elétrico por conversas com Lennon. Dylan criticava as letras dos Beatles: “vocês não têm nada a dizer” e Lennon explicava-lhe que “ele não tinha som”. No pórtico da arca de Noé perguntaram-lhe: por que 30 denários se venderia? e ele respondeu: por “roupa interior de senhora” e fez-se a sua vontade pela Victoria’s Secret; mas “a voz de uma geração” come muitas últimas ceias e patrocinou o iPod + iTunes, o Cadillac Escalade ou a Pepsi. Safa-se ser um picuinhas na cedência de direitos, das suas melodias, para publicidade, poupando-nos os ouvidos, ou ser boa inspiração para a galhofa, no falso Bob Dylan’s Subterranean Home-Style Blues Buffet: “prato do dia sushi especial: desolation roe” = “ovas desolação”].

domingo, abril 03, 2011

Faducho


O flagício desfaz-se nos ecrãs com corrimento de muitos números reduzidos às décimas. Nas sobrelojas dos corretores, difama-se um povo, que muito escanchou para ser fixe, cotado de lixo, nem de luvas de exame em látex lhe asem. Povo de alavanca na mão citius, altius, fortius (“mais rápido, mais alto, mais forte”, lema dos Jogos Olímpicos), povo que deu padarias ao mundo, insultado de: papos d’anjo, bifes de rabilha, trouxas d’ovos moles, pastéis de massa tenra e, vergonha, despromovem-no a preto [1]. Quando um povo é desacreditado, e não há crédito para as despesas correntes, aspira salvatério num sabedor brichote. Exceto, se fronteiras adentro chucham válidos homens. No livro “Voltar a Vencer”, coordenado por Pedro Reis, um dos conselheiros económicos do líder do PSD, valida-se grande ideia de salvação nacional: “contratar um supersalesman, ex-top executive, para atrair investimento estrangeiro para Portugal, com uma equipa ao nível de secretaria de Estado com capacidade transversal e multidisciplinar (Finanças, Economia, Ambiente e autarquias)”, mais fiável, nesta missão evangelizadora updated de Portugal, seria um eunuco [2].


Um solerte supervendedor venderia: casas, “sexiest moments”, canecas do casamento real (os chineses (ou não) trocaram (talvez) a carantonha do príncipe com sorte, de pouco efeito real, desde que Kate Middleton assegure herdeiros), Citizen, Marilyn Monroe, Vitasnella, viagens de avião, jeans, lingerie, gases de vaca, o Dynosphere ou a Olívia Ortiz [3] no Hot Magazine.


Escasso povo, acostado no extremo do continente, dança o acordeão da Europa como os outros, avezeirado por indobráveis políticos [4], que dissecam, de pinças, em requintado metagoge, a conjuntura. Miguel Macedo, líder parlamentar do PSD, desembaraça-se: “ainda está pra nascer em Portugal um primeiro-ministro que tivesse enganado tanto os portugueses. E que aquilo que ficou agora à mostra com estes resultados (a gravidez do défice) é que nós não só tivemos apenas um mau Governo em Portugal. Tivemos em Portugal, infelizmente, para todos nós, um Governo que humilhou o país nos mercados e na cena internacional, e isso, do nosso ponto de vista, é absolutamente imperdoável”. O desagravo que o próximo Governo fará deste achincalho consertará a confiança na hora H. É que Portugal compete com as grandes potências, como o Zimbabué, que está open for business [5]. Enquanto isso “há mais 726 pessoas a dormir na rua”. Porquanto “Alma sem Gás[6]. Conquanto, mais umas eleições, edénico futuro.


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[1] No Verão de 1965 o Dr. Oliveira Salazar recebe Moïses Tshombé, cristão, anticomunista, presidente eleito do Katanga, província secessionista do Congo belga. Com a independência do Congo, em 1960, grupos de terroristas, “falando um francês mascavado”, infiltravam-se para matar e saquear as fazendas no norte de Angola, e Tshombe era um estadista da mesma família política e potencial aliado para travar esses terroristas. Depois da receção Salazar descreve-o: “muito bem informado, sensato, realista, lúcido e compreendendo que a orientação atual vai conduzir África a um colonialismo muito pior do que o de hoje”, e comenta para Franco Nogueira, ministro dos Negócios Estrangeiros, “gostei do homem. Olhe, promovi-o a branco”.


[2] Eunuco = “vigilante da cama” (do grego: “eune” = cama + “ekhein” = guardar). Entre os chineses, os eunucos eram tidos por mais confiáveis nos negócios de Estado. E, nessa ideia de uma grande embaixada transitando o mundo, imitariam os portugueses a delegação do imperador Yongle composta por “tripulações que atingiam um total de cerca de 37 mil homens, em frotas que chegavam a contar 370 barcos”, o barco maior, “o Barco do Tesouro, de 9 mastros, 133 m de comprimento e uma largura máxima se 34 m, e decrescendo, em escala, do Barco dos Cavalos, do Barco das Provisões e do Barco do Aquartelamento, até ao Barco de Combate, com 5 mastros e 54 m por 20 m”, Daniel J. Boorstin, em “Os Descobridores”. O imperador Yongle (1359-1424) incumbiu o seu eunuco Zheng He (1371-1435) de comandar várias expedições (sete entre 1405-1433), para exaltar a sua grandiosidade entre os outros povos. Zheng He navegou no mar da China e no oceano Índico com a missão, não era converter, comerciar, capturar ou recolher informação científica (não pela Ciência mas pelo valor militar e económico), como os navegadores portugueses, mas mostrar o esplendor e o poder da dinastia Ming. Oferecia valiosos presentes em troca de simbólico tributo dos Estados visitados. “Um Estado que pagava tributo à China não estava a submeter-se a um conquistador. Pelo contrário, estava a reconhecer que a China, (…), transcendera a necessidade de auxílio”. Outra comitiva sulcou aqueles mares para glorificar um el rei qualquer: os portugueses. Vasco da Gama ofertava a fina produção nacional, isto é, bugigangas sem valor: tecido riscado, bacias para lavagens, colares de contas e mel, que fez o samorim de Calecut escarnecer de desdém. A nobre missão portuguesa fitava escravos, ouro, prata, especiarias e converter pagãos, para tal, estraçalhavam carne. Vasco da Gama esquartejou pescadores e mercadores, recolhidos aleatoriamente, e enviou um cesto cheio de mãos, pés e cabeças ao samorim (corrupção portuguesa de Samutiri = “aquele que possui o mar e a sua fronteira”) para uma rendição rápida. O vice-rei D. Francisco de Almeida arrancou os olhos a um mensageiro, com salvo-conduto, por desconfiar dele. O vice-rei Afonso de Albuquerque cortava narizes às mulheres e mãos aos homens para amansar os povos da costa arábica. As naus quando entravam pela primeira vez nos portos, dependuravam da verga cadáveres de cativos locais como aviso de que não brincavam.


[3] Olívia Ortiz, fisioterapeuta, nascida em França, (Facebook), Miss TW Steel 2009, “no dia-a-dia não me sinto nada poderosa nem sensual”, “eu era muito Maria rapaz quando era novinha”, ao som de Led Zeppelin, no vídeo de Pedro Cazanova.


[4] Condorcet, deputado da Assembleia Legislativa, na Revolução Francesa (1789-1799), votou a favor da guilhotina, como instrumento democrático de pena capital – antes os pobres enforcavam-se e aos nobres decapitavam-nos no cepo – mas quando lhe tocou a ele meter a cabeça na lâmina, acagaçou-se e envenenou-se (é uma hipótese para a sua morte: um amigo facilitou-lhe o veneno na cadeia; a outra, é que foi assassinado).


[5] Tendai Biti, ministro das Finanças: “o que é também indiscutível é que, apesar da política, ainda é um lugar onde se pode investir e pode-se realmente conseguir um bom retorno”.


[6] Dos Rosamate, (Twitter), são de Pedome, Vila Nova de Famalicão, e definem-se como “o agri-doce da balada perfeita em cruzamento com a dinâmica exuberante de uma toada pop vs rock” → “V.A.M.P.”.


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O faducho da tristeza nacional, de negra exploração “Monsieur Cok” (2007), de esverdeada precariedade, alegrou-se quando dois velhinhos “desviagrados” [1] tangaram para discutir o Orçamento de Estado para 2011. O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e o ungido da Oposição, Eduardo Catroga [2]. Negociações difíceis de suor em bica nos pixelizados ecrãs de abalizados economistas. Perigos aritméticos de somar e subtrair raspavam a guerra nuclear de “Pigeon: Impossible” (2009). Pugilava-se pela qualidade de vida dos portugueses. O otimismo grassava. Catroga: “existe de ambas as partes um espírito construtivo no sentido de tentar encontrar um ponto de equilíbrio”. Aumentaram-se impostos, baixaram-se salários [3].


O crucial instante ficou na História como a Guerra do Leite Achocolatado: enlencaram números, alavancaram regras de três simples e o IVA da saborosa bebida aguentou-se. Catroga esfuziava: “e portanto, eu hoje, quando ‘tava a tomar o pequeno-almoço, tomei aqui umas notas, porque considero esta minha comunicação, das mais importantes que eu fiz em toda a minha vida, e a minha vida já são 67 anos de idade, quase 68, e 43 ou 44 de vida profissional e apenas 2 de vida política. E portanto, não me levem a mal, eu não vou ler, mas… tenho aqui um guião para não me esquecer. Apesar dos meus 67 anos, quase 68, dizem-me que eu continuo a ter uma ótima memória, mas eu não posso… preciso hoje deste guião para não me esquecer das mensagens, das mensagens fundamentais”. E o momento mais ternurento: “quer os elementos do staff que estavam também, portanto, na retaguarda de apoio técnico nas nossas negociações, tiraram uma fotografia que eu vou, que eu vou, que eu vou ficar, ficar, ficar, ficar, digamos, na minha… uma fotografia que diz, que diz, que diz 23h e 19m (…). Esta fotografia para mim, para mim, vai ficar no álbum, no álbum, no meu álbum para ilustrar a minha vida profissional de… e a vida profissional e a vida de… já vai quase nos 68 anos”. Pura ternura, um velhinho arrebatado pelas cores vivas do ecrã, exibindo o seu telemóvel para os jornalistas [4].


O outro velhinho, Teixeira dos Santos, foi fintado, não ficou na foto: “gostaria muito de poder ter tirado uma fotografia com o Dr. Catroga aqui, para assinalar este momento. Ficarão obviamente nos telemóveis, mas é uma pena que os portugueses não possam ter essa fotografia e puderem atualmente partilhar connosco este momento”. O momento da década, a emoção nacional era de barrar no pão, Catroga sintetizava: “eu acho que foi uma vitória para e para os portugueses, porque ficou, ficou demonstrado que são possíveis entendimentos úteis ao país entre as forças políticas”. E os portugueses? metamorfosearam-se em milionários excêntricos [5].


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[1] Português não carece de Viagra. O presidente da Câmara de Lo Prado, município pobre ao sul de Santiago, propôs distribuir pílulas de Viagra aos munícipes com mais de 60 anos para “melhorar a qualidade de vida”. Gonzalo Navarrete explica o plano: “isto tem a ver com a qualidade de vida e é feito de forma responsável. Não é como distribuir rebuçados na esquina”. “Serão entregues mensalmente quatro pílulas de 50 miligramas, isto é, o necessário para quatro relações sexuais por mês”.


[2] Um velhinho de ouro. Com danada sorte. Pai da primeira parceria público-privada quando era ministro das Finanças de Cavaco Silva. Em 2008, o savant Prof. Dr. Luís Duque, do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, contrata-o por conveniência urgente de serviço, a tempo parcial 0 %.


[3] O abnegado Teixeira dos Santos: “quanto à questão da minha vida pessoal, com certeza que terei que fazer um esforço, tanto mais que é um agregado familiar que, cujo, que sã… em que ambos trabalhamos para o Estado, mas é um esforço que na parte que me toca penso que não será difícil porque, de uma forma geral, tenho uma vida muito frugal e sóbria. E portanto acho que é manter essa, essa conduta e essa norma de vida. Que, acho que sempre me protegeu no passado e me continuará a protege no futuro. Muito obrigado. E escusam de estar preocupados com a minha vida pessoal porque eu tratarei dela, muito obrigado”.


[4] Noutras paragens os velhinhos só acedem a tecnologia antiga. Vidal Charcón Pérez apanhado em flagrante a abusar sexualmente da sogra de 100 anos, foi acusado de “acto carnal contra vítima especialmente vulnerável”, pelo procurador Óscar Mora Rivas no tribunal do estado de Táchira, 800 km a sudoeste de Caracas.


[5] Defecavam nas ruas como Salvatore ''Sam'' Cerreto; abriram bancos de esperma para prémios Nobel como Robert Clark Graham; enriqueceram na Second Life como Ailin Graef; desfizeram-se da fortuna porque eram infelizes como Karl Rabeder; vivem em palhotas como Graham Pendrill; compram cidades como Scott Alexander…


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[Noite de destruição do disco sound – “na Primavera de 1979, a estação de rádio WLIP, de Chicago, contratou um DJ de 24 anos chamado Steve Dahl, antigo rival na estação WDAI. Dahl despedira-se do seu programa na WDAI, após a estação mudar para um formato apenas disco (…). Ele, e o co-apresentador Garry Meier, imediatamente começaram a campanha ‘disco sucks’ que rapidamente se tornou o ponto alto do seu programa diário. Os ouvintes telefonavam para pedir as suas canções disco mais odiadas, para serem tocadas, brevemente, antes de um apresentador roçar a agulha sobre a faixa, riscando o disco*. Entretanto, em 1959, Bill Veeck comprara os White Sox, equipa de basebol “medíocre e sem vedetas”, que constrangia a aparatosos golpes publicitários para encher o estádio. “As primeiras sementes da Disco Demolition Night cresceram em 1977, após um jogo em que os White Sox atraíram mais 5 000 adeptos do que o habitual, graças a um concurso de dança disco”. No Miller’s Pub, em Manhattan, nos copos com os colegas, depois do jogo, alguém sugeriu que da próxima vez organizassem o oposto: “em vez de celebrar o disco, por que não cascar-lhe?”. “‘parecia um ótima ideia, às quatro da manhã, no pub Miller’, recorda Veeck”. Como muitas ideias etílicas ficou adormecida, durante dois anos.


Dahl prosseguia a sua cruzada contra o disco na rádio, arrebanhando almas gémeas no Exército Disco de Steve Dahl “dedicado à erradicação e eliminação da pavorosa doença musical conhecida como disco”. Ele gravou “Do You Think I’m Disco?” parodiando Rod Stewart e os rockers vendidos à febre de sábado à noite. Na noite de 12 de Julho de 1979, no jogo contra os Detroit Tigers, os espectadores depositariam à entrada do Comiskey Park, o estádio dos White Sox, os álbuns a destruir que Dahl explodiria no centro do relvado. E a assistência invadiu o campo para festa. Milhares de fãs do rock, descontentes, encenaram o “Disco Demolition Night”, criando um inferno disco, ateando fogo a discos, tumultos com a bófia e detenções. Que Nile Rodgers, emérito produtor disco, comparou às fogueiras de livros pelos nazis e os Bee Gees apelidaram-lhe “a morte do disco”. Mike Veeck, filho de Bill e promotor de basebol, explicou que os efeitos da marijuana eram mais brandos que os da cerveja**: “a sorte era que os putos estavam pedrados. Se tivéssemos de lidar com bêbedos então teríamos alguns problemas. Os putos eram realmente pacatos”. A televisão e as estações de rádio acusaram o protesto contra esta música de origem preta, gay e latina e retiram-na das playlits, substituindo-a por punk e rock.


O disco é caracterizado por uma linha de baixo sincopado sobre um batida quatro por quatro, vinda dos ritmos latinos, trazidos para Nova Iorque, pelos emigrantes latino-americanos. O disco surgiu numa época de segregação e uniu pretos e brancos, homo e heterossexuais na pista de dança. Joni Sledge, das Sister Sledge: “mudou a indústria da música. Costumava haver géneros específicos, tocados em estações diferentes, nos Estados Unidos, mas quando o disco saiu, não importa a estação em que estava, elas tinham que passar disco. Até Barbra Streisand cantava música disco! Politicamente, as coisas mudaram e uniu as pessoas”. Talvez. Ou talvez não. No livro “Appetite for Self-Destruction: The Spectacular Crash of the Record Industry in the Digital Age”, Steve Knopper “identifica numerosos dos muito discutidos fatores culpados pelo estado de confusão na indústria da música na última década – Napster, iTunes e ganância das editoras, entre outros – mas ele também lembra-nos que há 30 anos a maior ameaça para a música era a própria música. Especificamente, o disco”, que emurchecia a vida sexual dos jovens desajeitados: “para sacar uma gaja um tipo tinha que aprender a dançar e usar um fato janota”. Pelo menos, muita coca*** se consumiu no Studio 54 ao som discothèque:


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* O antagonismo ao disco sound foi forte na cultura popular suburbana. Num episódio de “WKRP in Cincinnati” (1978-1982), Johnny Fever radialista amante de rock, contratado para o programa de TV Gotta Dance, relutante contra o disco, desdobra-se numa dupla personalidade, no final feliz, o rock vence, por melhor qualidade, e põe a assistência a dançar “Ready Teddy” de Little Richard.


** No dia 4 de Junho de 1974, num jogo contra os Texas Rangers, os Cleveland Indians idealizaram nutrir a bilheteira com a “noite da cerveja a 10 cêntimos”: quantidade ilimitada de cerveja Stroh que os adeptos pudessem beber por 10 cêntimos. Inebriados pelo álcool, com o jogo empatado, atacaram o defesa exterior dos Rangers, Jeff Burroughs, e as bancadas amotinaram-se. “Os abrigos esvaziaram-se quando os jogadores de ambas as equipas se uniram para conter a multidão. Vários foram atingidos com garrafas e cadeiras. Depois de o árbitro, Nester Chylak, ser agredido na cabeça com uma cadeira, parecia óbvio que o jogo seria perdido para os Texas”. As outras noites agendadas foram limitadas a 4 copos por pessoa.


*** E cascatas de sémen. O apreciador Truman Capote: “é realmente o nightclub do futuro”.


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Sylvester → “You Make Feel (Mighty Real) ” ♫ First Choice → “Let No Man Put Us Under” ♫ MFSB → “Love Is The Message” ♫ Walter Murphy → “Fifth of Beethoven” ♫ Taana Gardner → “Work That Body” ♫ Gaz → “Sing Sing” ♫ Diva Gray and Oyster → “St. Tropez” ♫ Phylicia Rashād → “Two Loves Have I / Josephine Superstar”, versão disco de “J’ai Deux Amours” de Josephine Baker.


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Como dançar disco? Convencionou-se ser John Travolta o professor. Nada disso. O mestre é Åke Blomqvist (movimentos para envelhecer), ou aprende-se com a soldadesca russa, ou os vaqueiros americanos.


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Os anos 80, o seu cata-vento, circundava pela China (e arredores): Huang Chung (depois Wang Chung) → “China” ♫ o electropop new wave de Nancy Nova → “Made in Japan” ♫ The Flirts → “Oriental Boy” – “You and Me” ♫ Japan → “Visions of China” ♫ e os australianos Pel Mel → “No Word from China”, esgotado o arroz venceram as potências do eixo, a Alemanha e Itália:


Italo disco, expressão oriunda das compilações de disco alemão e italiano “Italo Boot Mix” (1983); o termo é atribuído a Bernhard Mikulski, fundador da editora ZYX Music, para circundar a música de dança europeia, diferente da americana, no movimento corporal dos dançantes, saracoteando o corpo, e nos instrumentos dos músicos, artilhados de sintetizadores e caixas de ritmos:


Itália: Azóto → “San Salvador” – “Havah Nagilah” ♫ Giorgio Moroder → “Chase” da banda sonora de “Midnight Express” (1978) ♫ Monia → “Nuclear War” ♫ Wish Key → “Orient Express” ♫ Lee Marrow (pseudónimo do DJ Francesco Bontempi) → “Sayonara” ♫ Miko Mission (nome artístico de Pier Michele Bozzetti) → “The World Is You” ♫ Eminence → “Hollywood By Night” ♫ Martinelli → “Orient Express” ♫ Camomilla → “Queen of the Night” ♫ Den Harrow (anglicização da palavra italiana “denaro” = “dinheiro”; o modelo Stefano Zandri era o vocalista principal. Anos de dinheiro mais tarde foi revelado que Zandri não cantava as canções, e sim diversos outros cantores, como Tom Hooker e Silver Pozzoli) → “Charleston” ♫ Rose → “Magic Carillon” ♫ Cicciolina → “Muscolo Rosso”.


Alemanha: The Radio Pirates → “What Shall We Do with the Drunken DJ” ♫ Cruisers → “Space Hotel” ♫ The Why Not → “Ghedaffi” ♫ Sugarshake → “Boogie Man” ♫ Mokka → “Everyone’s a Solo Dancer” ♫ Expo → “Walkie Talkie” ♫ En DavyOkay I Am K.O.” ♫ Gina T (Tielman) → “Tokyo By Night” ♫ Max Him → “Japanese Girls” ♫ Mikron → “Polynesia” ♫ Moonshine → “China” ♫ Mozzart → “Jasmin China Girl” ♫ Shipra → “Sugar and Spice” ♫ Jessica → “Chinese Magic” ♫ Dschinghis Khan → “Hadschi Halef Omar” ♫♫ Fancy (o cantor Manfred Alois Segieth) → “Slice Me Nice” – “Chinese Eyes” – “China Blue”.


França: Amanda Lear → “Assassino” ♫ Chocolat’s → “King of Clubs” – “Tequila” ♫ Françoise Pascal → “Woman Is Free” ♫ Debra Leeburn → “Into the Night(versão inglesa de “Toute Première Fois” de Jeanne Mas)Albert’s Negrita → “That’s the Ball” ♫ Andrea → “Macho ManCorynne Chaby → “Boule de Flipper” – “Pile ou Face”.


Inglaterra: Ellie Warren → “Satellites” ♫ Tina Charles → “You Sent My Heart on Fire” ♫ Kelly Marie → “Feels Like I’m in Love


Canada: Francine Kirsch → “Tiger Bay” ♫ Jumbo → “Turn On To Love”.


Espanha: Total Toly → “Oriental Acupuncture” ♫ Cinemaspop → “Sigan a esa Rubia”.


Bélgica: Shanady → “Do You Wanna Play In My Heart” ♫ The Jeffrey Lake Group → “Give Me Your Sexy Body”♫ Nacht und Nebel → “Ready To Dance(grupo do extravagante Patrick Marina Nebel; a expressão “Nacht und Nebel” = “noite e nevoeiro”: é uma ordem de Hitler em 1941, permitindo o desaparecimento de prisioneiros da resistência nos territórios ocupados, sem deixar rastro, nem nenhuma informação do seu paradeiro).


Hungria: Leslie Mandoki & Csepregi Éva → “Korea” ♫ Neoton Família → “Nem szállunk ki a hajóból”.


Austria: Joy → “Lost in Hong Kong”.


Suiça: Isabelle → “Dancer”.


Índia: Bollywood atravanca a pista de dança: “Disco Dancer” (1982), filme de culto na Rússia e na Turquia, sobre a via para o estrelato de um artista de rua, Jimmy: “mãe, eu tenho a minha música. Vou aguçar esta música como uma espada e apunhalar o coração da cidade com ela”; com Parvati Khan em “Jimmy Jimmy Jimmy Aaja” (=“Jimmy vem cá”), retirada da canção “T'es OK!”, do duo francês Ottawan ou Bappi Lahiri em “I’m a Disco Dancer”, que inspirará os Devo ♫ Preity Zinta move os lábios à voz de Vasundhara Das em “It’s a Time To Disco”, no filme “Kal Ho Naa Ho” (2003) (= “pode haver um amanhã ou não”).


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Nos anos 40-50, Cuba estremecia com Benny Moré y su Banda Gigante, nas décadas posteriores a memória dos ritmos latinos moeram-se nas discotecas com os Modern Romance → “Everybody Salsa” – “Ay Ay Ay Moosey” – “Can You Move" C+C Music Factory → “Things That Make You Go Hmmm…Junkie XL → “More”.


Nos anos 80, subsistia a ténue esperança de que a ZE Records editaria a música sucessora do disco, e salvaria as pistas de dança, quando a Sodoma do século XX, San Francisco, espalhou o seu vírus da imunodeficiência adquirida e tudo congelou. Por segurança era melhor ficar em casa frente à MTV. Fundada em 1978, em Nova Iorque, por um inglês, Michael Zilkha, (Z) e um francês, Michel Esteban (E), a ZE Records contratou uma portuguesa de Mangualde, emigrada na Bélgica, Wanda Maria Ribeiro Furtado Tavares de Vasconcelos. Sob o nome artístico de Lio, (personagem de Barbarella), boa moça, sua teta desvenda para o público, animou a dança europeia, de pélvis pendulear, com um êxito, “Le Banana Split” (produzido por Marc Moulin e Dan Lacksman do grupo de synth pop belga Telex), versão ao vivo, remix e versão inglesa “Marie Antoinette”. Outras canções de Lio: “Sage Comme une Image” – “Fallait Pas Commencer” – “Les Brunes Comptent Pas Pour Des Prunes” – com Alba Gaïa Bellugi – na banda Phantom. O medo da SIDA refreou a convulsão extasiada dos corpos que os artistas do catálogo ZE Records pressagiavam: Kid Creole & The Coconuts → “Stool Pigeon” – “Annie, I’m Not Your Daddy” ♫ Was (Not Was) → “I Walk the Dinosaur” ♫ Cristina → “Drive My Car” ♫ Don Armando's 2nd Av. Rhumba Band → “I’m an Indian Too].