Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

domingo, outubro 23, 2011

De cassetete lubrificado

Introdução

Apuleius, Cæsarus, Caucenus, Connoba, Curius, Punicus e Tantalus, lusitanos chefes, juncaram o solo de cadáveres de romanos invasores. Punicus ceifou 6 000. Quando os seus descendentes, no século XXI, enlaçam o seu zingamocho, o ergastulário, encarnado no programa de ajustamento, chocalha as chaves e sussurra: “já que vais ser o meu cão, vou chamar-te… Spot. Bem-vindo à escravidão!” [1]. Punicus! Seu nome, numa rodada de chincalhada, tintol e burriés, esbola chistes de que há uma região específica para punir. Punicus! Puni c’os ferros da economia, mergulhando das janelas do palácio dos Andradas / Ericeira [2], madrasta economia essa que retine uma constante parlenda no longo espesso nevoeiro [3]. Portugal perdeu 300 milionários em 2010, perderá os seus pobres em 2011, sobejarão em 2012 os d’ “a visão da águia, a energia de um dragão, a força do leão e a postura briosa da formiga”. Apelintrar é a nova linha política que já prospera em pouco mais de 100 dias de Governo: por ela os portugueses cunharam um novo verbo. O verbo desaumentar. Os salários desaumentarão. As pensões desaumentarão. Os cuidados médicos desaumentarão. A qualidade do ensino desaumentará. O PIB desaumentará… só a excelência da classe política não desaumenta. Desta caldeirinha, uma alma afinal se perplexa, o cocote líder da oposição [4]. António José Seguro, ainda sem pegada governativa, sambenitava uma campanha eleitoral de um parceiro de partido – quando o seu lugar era na beira da piscina with the boys, com pistolas de água numa coreografia de “La gazza ladra” (Rossini) e não with the men com bandeiras contra a “Laranja mecânica” de Alberto João Jardim – ao crepúsculo leu o relatório governamental sobre as contas da Madeira e estrebuchou: “eu ontem fiquei perplexo entre outras coisas”. Estorcegado pelos impostos, “entre outras coisas”, o povo empacota every penny… “is” ponteando que não o desperdicem, o bago dos seus impostos. Nem um cêntimo fora da bilha! O povo age como líder, e também se banza quando Miguel Guilherme avisou: “o primeiro reality show inteiramente pago pelos vossos impostos”, no 1º episódio d’ “O último a sair”; um ingranzeu hasteou-se na lota pública, um notável programa de TV, mais a “iPadiana” credulidade dos portugueses, reproduziu o fenómeno da invasão dos marcianos do Orson Welles [5]. Um povo forra-gaitas, somítico na receita fiscal, com grandes potencialidades, “tem bom gado, todo certificado, com carimbo de qualidade” [6]: – “prostitutas vão para a periferia e deixam as ruas”, informa o Diário de Notícias e que elas se hospedam nas casas de alterne ou divulgam-se através de anúncios. Este empreendedorismo das operárias do sexo, é a imagem do povo anti-cigarra, que não canta em serviço, e que o Governo Sachs lubrificará de crédito barato: – a declaração de Alessio Rastani: “os Governos não mandam no mundo, Goldman Sachs é que manda no mundo”, espavoriu os homens livres, depois desanuviou-se, porque ele era um não-especialista; as tramóias do Banco na dívida grega, funcionários seus nos lugares de Poder, e a autonomeação do seu presidente: “sou um banqueiro a fazer o trabalho de Deus”, são miudezas, que não tresnoitam homens livres ou políticos, nem mesmo o “idiota de Bruxelas[7]. Amariçar o povo para a escravidão, força investimento na Polícia, puni c’os cassetetes “aqueles que pensam que podem incendiar as ruas e ajudar a queimar Portugal”, ou teremos espancamentos, fuzilamentos, filmados num telemóvel, à Kadhafi: gosmado pelo génio português Ângelo Correia: “morreu como merecia”. Nesse dia de liberdade para o mundo, de madrugada, também Liberto Mealha era sovado, para constranger a subida do degrau da filmagem por telemóvel, na rubrica orçamental para a Polícia, não haverá endividamento, não haverá défice, há abrir os cordões à bolsa, e o Governo sinaliza corretamente: “este ano ministro corrige salários na PSP e GNR”, “diretores de topo da PSP aumentaram em segredo os seus salários”, “PSP e GNR aumentados só nos postos mais baixos”… É que o castigo dos escravos, será um castigo de catraio: o fisco tem “ordem para penhorar televisões e consolas de jogos”, e para a cama sem sobremesa. Um povo sem televisão, PlayStation e pudim Boca Doce incendiará as ruas se a Polícia não lhe amochar o fósforo.
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[1] Satánico Pandemonium (
Salma Hayek): “não vou sugar-te todo. Serás o meu escravo. Acho que não és digno do sangue humano. Vais alimentar-te do sangue de cães vadios. Serás o meu capacho e, quando eu mandar, lambes a merda no meu sapato. Já que vais ser o meu cão, vou chamar-te… Spot. Bem-vindo à escravidão”; ▪ Seth Grecko (George Clooney): “não obrigado. Já tenho mulher”, dispara e rebenta-a. Razor Charlie (Danny Trejo) anuncia-a no Titty Twister: “agora, para o vosso deleite, a amante do macabro. A personificação do mal. A mulher mais sinistra que já dançou na face da Terra (…). Curvem-se. Ajoelhem-se e venerem aos pés de a Satánico Pandemonium!”. Titty Twister, um clube no deserto “aberto do crepúsculo até de madrugada, hot carnitas, chicas calientes, nude dancing”, Chet Pussy (Cheech Marin) convida: “muito bem! … rata, rata, rata! Entrem amantes de rata! Aqui no Titty Twister cortámos a rata ao meio. Façam uma proposta à nossa melhor seleção de rata! É uma festa de rata! Temos rata branca, preta, espanhola e amarela. Temos rata quente e fria. Temos rata molhada e malcheirosa. Temos rata peluda e sangrenta. Temos rata comilona! Temos rata de seda, de veludo e de cabedal. Até temos rata de égua, de cadela e de galinha! Entrem. Querem rata? Entrem, amantes de rata. Se não temos, vocês não querem. Entrem. Amantes de rata”. No palco do Titty Twister, Tito and Tarantula: Tito Larriva, guitarrista e vocalista, Pete A. Tasanoff, saxofonista e Johnny Vatos Hernandez, baterista: “After Dark” ♫ “Cucarachas Enojadas” ♫ “Opening Boxes”. Do filme “From Dusk Till Dawn” (1996) realizado por Robert Rodriguez e escrito por Quentin Tarantino. As sequelas de qualidade equivalente à matriz: “From Dusk Till Dawn 2: Texas Blood Money” (1999) e “From Dusk Till Dawn 3: The Hangman’s Daughter” (2000). – (Titty Twister é também um clube de strip em Jena, cidade recomendada por Schelling, ao seu amigo Hegel, que em 1801, desenrasca um cargo de professor não remunerado na Universidade. Em 1086, paragrafava, virgulava e “pontofinalizava” a sua “Fenomenologia do espírito”, quando, ó certeza sensível! ó senhor! ó escravo! ó finito dissolve-te no infinito! Napoleão está in town para a batalha de Jena contra as tropas prussianas. Hegel colhe o general corso como um fruto maduro: “eu vi o imperador – essa alma do mundo – cavalgar pela cidade em missão de reconhecimento. É realmente uma sensação maravilhosa ver um tal indivíduo, que, concentrado aqui num único ponto, montado num cavalo, se estende pelo mundo inteiro e domina-o… este homem extraordinário, a quem é impossível não admirar”).
[2]
D. Luís de Meneses, 3º conde da Ericeira, político, general de artilharia na Guerra da Restauração, historiador, conselheiro de reis, vedor da Fazenda, economista hábil, alcunhado o “Colbert português”, (Jean-Baptiste Colbert ministro das Finanças de Luís XIV). No final da Guerra da Restauração a economia portuguesa estava de rastos pela destruição do comércio do açúcar no Brasil. Meneses para reduzir as importações da Inglaterra, introduziu teares nas vilas da Covilhã, Fundão, Redondo e Portalegre. Estimula uma política de proteção das manufacturas portuguesas proibindo o uso de tecidos importados. (Os lanifícios ingleses circulam na candonga pois os portugueses não abdicam de um bom fato inglês). Fixa novas indústrias de cintos, vidro, chapéus, curtumes. Incentiva a plantação de amoreiras para a criação de bichos-da-seda… atirou-se da janela do seu palácio para o jardim. Morreu dececionado, a economia não obedecia aos seus esforços de empurrar Portugal para a frente. Ironicamente, quatro anos após a sua morte descobriu-se o ouro do Brasil. A economia enriqueceu. E os portugueses construíram igrejas, igrejas e algumas igrejas.
[3] Salazar, no mês de Maio de 1933, elogiava a mão-de-obra nacional: “meus amigos: eu que sou filho do povo, nascido na aldeia e acostumado a lidar de perto com os que trabalham, agradeço-vos as palavras rudes mas sinceras que me dirigistes. Trabalhai, operários, e lembrai-vos de que enquanto vós desenvolveis aqui a vossa atividade em prol da Pátria, eu vou reunindo no ministério das Finanças o dinheiro que é para o vosso pão e para o ressurgimento da Armada Nacional”, substitui-se “aldeia” por “universidade” e “Armada Nacional” por “consolidação orçamental”, ou nem sequer isso, e escutamo-lo ainda nas bocas de hoje.
[4] Um líder “seguido”. Cavaco Silva fala sobre o Orçamento de 2012, Tózé Seguro fala sobre Cavaco Silva falando sobre o Orçamento: “verifico com agrado que o sr. presidente da República tem estado atento e tem seguido as minhas declarações em relação ao Orçamento de Estado. O meu desejo é que o primeiro-ministro faça o mesmo”. Tózé já falara que as hipóteses de a sua liderança não aprovar o Orçamento eram 0,0001 %.
[5] Agora que os espectadores do
Zip-Zip já morreram todos, ou esticarão o pernil durante o programa de ajustamento, o superior programa de TV nos últimos anos, uma série histórica, de uma ironia arrasadora, foi “O último a sair”. Onde, certas figuras da cultura portuguesa parodiavam a sua própria personagem pública. Luciana Abreu num fruti-trocadilho: “vou ter saudades de banana branca”, ou Roberto Leal numa inquirição do Insondável com Bruno Nogueira: “dar asas a uma galinha é o mesmo que dar testículos a um Papa. Porque a galinha não pode voar e o Papa também não…”. Luciana e Rui Unas, no jacuzzi, sobre técnicas para fingir orgasmos. – Os telespectadores da RTP tomaram a nuvem por Nespresso e “viram” um reality show, no que era apenas uma comédia, propositadamente realista, e choraram o dinheiro do imposto audiovisual. Bruno Nogueira: “eu lembro-me, quando acabei de gravar o pontapé que o Marco me deu, no dia a seguir, ele mostrou-me mensagens de colegas dele, fuzileiros … a dizer que se precisares nós rebentemos o gajo e não sei o quê”. (…). “O nosso primeiro objetivo, quando criámos o programa, era o mais colado à realidade possível e depois tivemos que começar a forçar a ficção para as pessoas perceberem, quer dizer, o óbvio”. O cagaço do dinheiro público dilapidado causou pavor nos espectadores, que não viram uma “representação teatral”, mas uma “realidade”. Tal como o terror da contaminação bacteriológica causara alucinações na população de Nova Iorque e Nova Jérsia, durante a emissão da “Guerra dos mundos”. {“Análise do poder dos média para criar pânico”}. No dia 30 de Outubro de 1938, a rede de rádio da CBS transmitia “A guerra dos mundos”, uma peça de teatro, retirada do livro de H. G. Wells: “o melhor teatro radiofónico da década de 1930 foi o Mercury Theatre on the Air, um espectáculo com a aclamada companhia dramática de Nova Iorque fundada por Orson Welles e John Houseman”. No início a peça simulava um relaxante sarau musical (de uma banda falsa): “boa noite, senhoras e senhores. Da sala Meridian no hotel Park Plaza, em Nova Iorque, trazemos-lhes a música de Ramón Raquello e a sua orquestra. Com um toque espanhol, Ramón Raquello inicia com ‘La Cumpasita’”, quando o programa é interrompido com notícias de uma invasão de marcianos. Os ouvintes borram-se de medo e a histeria em massa origina pânico e delírio: sentiam-se sufocar pelos gases, viam as máquinas marcianas ou o fumo da batalha no horizonte. A brincadeira cessou com o pagamento de um par de sapatos pretos a um homem que gastara o dinheiro dos sapatos na fuga aos marcianos. As outras ações judiciais foram arquivadas. No Equador não foi assim tão barato. Em Fevereiro de 1949, Leonardo Páez representa uma versão espanhola na Rádio Quito. Para ambiente, convence os seus patrões a publicar pequenas notícias no El Comercio sobre avistamentos de discos voadores, e no dia 12 abre a peça com um dos mais famosos conjuntos equatorianos da época, o Duo Benítez y Valencia (► o YaravíPuñales” ♫ o pasilloInvernal” ♫ o albazoPajarillo”). A histeria atingiu todos, polícia, tropa, populares: debandada incontrolada pelas ruas, na igreja homens confessavam adultério na presença das mulheres, o padre absolvia multidões de uma só vez. Quando Páez desfaz o equívoco, o medo converte-se em raiva, atacaram a estação de rádio à pedrada e incendiaram-na. A bófia não os protegeu porque estava à procura dos marcianos. Das pessoas dentro do edifício morreram seis, os outros fugiram pelo telhado, incluindo Páez. A sua namorada e sobrinho não escaparam, e ele exilou-se na Venezuela. A peça foi encenada: em Santiago do Chile, 1944 ou em Buffalo, Nova Iorque, 1968.
[6] Da canção “
Mãe Kikas faz-nos bem” – vídeo filmado na casa de alterne La Siesta no Vale de Santarém – do maior artista português Jaimão ► “Puta da bófia” ♫ “Rabio Hotel”: “Mas com razão as pitas se queixam / A culpa é dos putos de hoje em dia / Que não as fodem por causa da PlayStation” ♫ “A ASAE é a nova Pide” ♫ “A merda da tradução” ♫ “Broches de Espanha” ♫ “Fode-te (vai para casa dos teus pais)” ♫ “Mamma a minha” ♫ “Tu é uma besta” ♫ “Pingo Doce” ♫ “Óleo” ♫ “Ta que pariu o Farmville”. {canal YouTube}. “A Kikas é a Maria da Conceição, uma mulher de 51 anos que já foi rainha da sucata, passou pela cadeia de Tires e agora é rainha da noite no Ribatejo. Num espaço de oito anos construiu, sozinha, um verdadeiro império. Reza a lenda que a casa é frequentada por altos magistrados, deputados, jogadores da bola, muita gente conhecida e influente”.
[7] Graças a Nossa Senhora não é o nosso rapaz na Europa, o Durão Barroso, um líder: “há uma decisão que podemos tomar agora e por agora quero dizer agora!”, mas, por lapso, Amadeu Altafaj-Tardio, o
Sydney Morning Herald reportou-o como sendo de nacionalidade portuguesa. O porta-voz da Comissão Europeia, participava numa discussão sobre a crise na Zona Euro, Peter Oborne, um colunista, arroja uma papaia: “é terrivelmente assustador ouvir aquele idiota em Bruxelas”, e o locutor chuta a palavra para Altafaj-Tardio: “sr. idiota em Bruxelas quer responder?”, e ele defende o seu patrão Olli Rehn e a lengalenga do “projeto político” da Zona Euro. Oborne insiste no “idiota em Bruxelas”, e que a questão não é política, é económica, Altafaj-Tardio retira o micro e pira-se.

cinema:

Margaret Nolan ou Vicky Kennedy: “com a sua fantástica figura, 104-60-91, os seus olhos azuis, cabelos loiros e os seus lábios a fazer beicinho era a perfeita fantasia para a fórmula mágica de Harrison Marks [1]”; Margaret era uma beldade dos sixties, nascida a 29 de Outubro de 1943, em Hampstead, Londres, de pais irlandeses. Queria ser bailarina mas, como diz ela, “cresceu demasiado alto!”, (as tetas se lhe insuflaram num pouco clássico par de melões), e estreou a sua carreira profissional como modelo glamour, sob o nome de Vicky Kennedy, antes de ser descoberta no ano de 63 por um produtor, para um pequeno papel de secretária, na série “The Saint” (1962-69). Pulou para o cinema, na cena do casino, debruçada sobre Wilfred Brambell, no beatlíco “Hard Day’s Night” (1964). Foi contratada para ser fotografada como a rapariga dourada no genérico de “Goldfinger” (1964) – no filme, a moçoila assassinada por uma demão de ouro é Shirley Eaton –, ela exigiu uma participação na fita: o seu papel de Dink, a massagista de Bond, na famosa despedida, para “conversa de homens”, com uma palmada no rabo: ▪ Felix: “sabia que te encontrava em boas mãos”; ▪ Bond: “Felix! Felix! Como estás? Dink, este é o Felix Leiter”; ▪ Dink: “alô”; ▪ Bond: “Felix, cumprimenta a Dink”; ▪ Felix: “olá, Dink”; ▪ Bond: “Dink, diz adeus ao Felix”; ▪ Dink: “o quê?”; ▪ Bond: “conversa de homens”, e plaf! palmada de mão cheia nas nádegas. Disse ela sobre esses dois filmes: “Sean era reservado e simples; os Beatles foram emocionantes, eles queriam que eu fosse a anfitriã no ‘The Magical Mystery Tour’, mas eu estava a fazer outra coisa e não podia! O John Lennon efetivamente telefonou ao meu agente!”. As suas transbordantes tetas atulharam alguns filmes “Carry On”, como Buxom Lass em “Carry On Henry” (1971), ou Dawn Brakes, a moça que espirra, e rebenta os botões do decote, em “Carry On Girls” (1973) e na catfight pelo biquíni. E foi Sophie, no episódio Element of Risk, de uma das melhores séries dos anos 70: “The Persuaders!” (1971-2). {A sua biografia ilustrada}. {Fotos}. {Fotos}. {Fotos}. {Foto}. {Site}. – Cuecas: descobrem o maneirinho rabo da Sigourney Weaver, como a oficial Ellen Ripley, no filme “Alien” (1979). Dilatam o sucesso escolar, Julia Montgomery, em “Revenge of the Nerds” (1984). Colmatam o produto da ciência, Kelly LeBrock, em “Weird Science” (1985), musicado pelos Oingo Boingo. Destapam as confissões lascivas por big dick das adolescentes americanas, Mena Suvari, em “American Beauty” (1999). Vitaminam os poderes curativos de Amy Smart em “Road Trip” (2000). Condizem com os peúgos e chapéu de Britney Spears em “Crossroads” (2002). – Cenas chocantes: “The Girl Next Door” (2007), uma parábola sobre os bons sentimentos humanos. Baseado no caso verdadeiro de Sylvia Marie Likens falecida aos 16 anos. Os pais, Lester e Betty Likens, trabalhadores do circo, confiaram-na, com a irmã Jenny Faye Likens, 15 anos, ao cuidado da família Baniszewski, uma velha divorciada, mãe de seis descendentes, por 20 dólares semanais. Quando o primeiro pagamento se atrasou, a velha Baniszewski encheu-as de porrada. A velha Baniszewski era uma mulher típica americana, mastigadora de Bíblia, acusava as Likens de serem putas, pregava-lhes acerca da imundice das putas e das mulheres em geral. Asseava Sylvia, para entrada no Paraíso, mergulhando-a em água a ferver e esfregando-lhe sal nas queimaduras. Incontinente pelos maus-tratos, amarrada à cama, irritava a velha Baniszewski, quando molhava a enxerga, um dia forçou-a a introduzir uma garrafa de Coca-Cola na vagina, enquanto lhe cravava no abdómen com uma agulha em brasa: “sou uma puta e orgulhosa disso”. – Top nuas: Helen Mirren, há cinco décadas a despir-se, fiel ao seu lema: “carne vende”: “Age of Consent” (1969), “Savage Messiah” (1972), “Calígula” (1979), “The Roman Spring of Mrs. Stone” (2003), na promoção de “Love Ranch” (2010). – “Sign of the Cross” (1932), realizado por Cecil B. DeMille antes da vigência do código Hays (1934-68), algumas cenas serão cortadas para licenciamento da exibição: a cena da dança lésbica: Marcus Superbus, rejeitado pela inocente cristã Mercia (Elissa Landi), incita Ancaria a executar a erótica “Dança da Lua Nua”, que “a aquecerá para vida”; a sequência da arena com mulheres nuas atacadas por crocodilos e um gorila. Sobre o banho de Poppaea (Claudette Colbert): “DeMille, logicamente, anunciou à imprensa que estava a ser usado leite verdadeiro de burra, embora tenha sido, provavelmente, leite em pó de vaca. O leite foi deixado na banheira durante a noite, e no segundo dia, transformou-se em queijo sob o calor dos holofotes. O fedor era insuportável. Colbert quase desmaiou pelo cheiro”. “A reação da Igreja Católica dos Estados Unidos ao conteúdo deste filme e ao de “Ann Vickers”, adaptado da novela de Sinclair Lewis, conduziu à formação, em 1934, da Legião Católica da Decência, uma organização dedicada à identificação e combate aos conteúdos questionáveis, do ponto de vista da Igreja, no cinema”, distraíram-se na fiscalização das famílias que doavam as crianças à religião e aos padres. – “Diva” (1981), filme de Jean-Jacques Beineix, realizador de “Lua na Valeta” (1983) e “Betty Blue” (1986): “é um dos primeiros filmes a abandonar o humor áspero realista do cinema francês dos anos 70, e regressar a um estilo colorido, melódico, chamado cinéma du look”: “estes realizadores dizia-se que favoreciam o estilo sobre a substância, o espetáculo sobre a narrativa. Referia-se a filmes que tinham um estilo visual habilidoso, e focado em personagens jovens e alienadas, que se dizia representarem a juventude marginalizada da França de François Mitterrand. Os três principais realizadores do cinéma du look foram Jean-Jacques Beineix, Luc Besson e Leos Carax”. Da banda sonora: “Sentimental Walk”, um pastiche das “Gnossiennes” de Erik Satie, composto por Vladimir Cosma; a ária “Ebben? Ne andrò lontana”, do Primeiro Acto da ópera “La Wally”, de Alfredo Catalani. – “Colombiana” (2011): “quando tinha nove anos, Cataleya viu os seus pais serem assassinados por Marco, o guarda-costas de um traficante colombiano local chamado Dom Luís. Escapou antes que eliminassem as testemunhas, a nossa pequena heroína consegue chegar à embaixada dos Estados Unidos, e depois a Chicago, onde fica sob a tutela do seu tio Emílio. Aí, transforma-se numa altamente treinada assassina”, com o corpo de Zoe Saldanha.
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[1]
Pioneiro inglês da foto glamour (outro nome para gajas nuas), na revista Kamera, no final dos anos 50, quando os pêlos púbicos eram retocados por razões de pudor. A tolerância das modelos, nos sixties, para barbearem os seus montes de Vénus, facilitava o cumprimento desta regra censória. Um manual dos rapazes, sempre à mão, para os trabalhos de casa sobre as modelos, a revista interrompeu a sua publicação em 1968 e renasceu em 69. A empresa Kamera Publications Ltd, com a suposta esposa de Marks Pamela Green, falecida no ano passado, como managing director, editou muitas outras revistas, como a Solo. Depois de 1958, Marks filmava curtas-metragens em 8mm das suas modelos a despirem-se ou a posarem nuas, os seus “filmes caseiros glamour”: com Margaret Nolan, “Attic Queen” e “Making Hay”.

música:

[Remy Munasifi – “é um árabe-americano, comediante de ‘comédia em pé’, músico trocista e artista de vídeo. (…) pai iraquiano, médico, e a mãe libanesa, instrutora de Pilates”. Pelas suas palavras: “sou um YouTuber a tempo inteiro. Sou um content partner no site e sou-o há um ano e meio, o que tem sido fantástico. O YouTube e a Google têm sido muito generosos e apoiantes dos seus parceiros e fazem um grande trabalho criando e mantendo um ambiente ótimo para cineastas que querem um espaço para o conteúdo dos seus vídeos”. E o seu sonho: “atuar em Beirute seria um sonho tornado realidade. (…). Hallab, em Tripoli, é provavelmente o meu restaurante favorito na Terra”. {Canal YouTube GoRemy}. ► “Munasifi, 31, é originário de McLean, e estudou na Langley High School. A biografia no seu site diz que frequentou a Wheeling Jesuit University, em Wheeling, West Virginia. Recentemente (em 2009) mudou-se para Arlington, o que estimulou o novo rap sobre a sua nova toca”: “Arlington: The Rap”: “So if you think you got the cred and you think your toughness got me come and see me in my town and we'll grab a cup of coffee / At the Starbucks, or the Starbucks...” ♫ “Saudis in Audis”: “Drive to Emirates tonight / shopping for some stuff Dubai / drive Audi out in Amman / even we go to Cinnabon” ♫ “Hey There Khalilah”: paródia da canção “Hey There Delilah”, o corno ilude-se, dos Plain White T’s ♫ “McDonald's: The Rap”: “They say, ‘you're playing with a cardiac arrest, my boy’ / Only thing bad for my heart's when they forget my toy / Now I'm-a have a milkshake, but before you rant / It's made of shamrocks--now that's a plant” ♫ “Raise the Debt Ceiling Rap”: “on the beach getting tan / and sipping Corona / we got a monetary plan / and it involves a lot of toner...” ♫ “Occupy Wall Street Protest Song”: “now there's fountains on streets / from which clean water pours / Four dollar generics / at all big box stores / a sultan and student / both have iPhone 4s / it's not fair”:
O credo da economia americana é: make money, e se for easy money, melhor. “A fundamental e pragmática regulação bancária, que surgiu a partir do devastador colapso financeiro da Grande Depressão, durante décadas, reforçou os Bancos dos EUA e os mercados de capitais, tornando-os os motores gémeos do crescimento americano e a inveja do mundo. O desmantelamento sistemático dessas mesmas regulações, por banqueiros gananciosos, começou a sério em 1980 (com o
Depository Institutions Deregulation and Monetary Control Act, assinado por Jimmy Carter), atingiu o pico em 1999 (com o Gramm-Leach-Bliley Act, assinado por Bill Clinton), e, finalmente, culminou com a decisão da Securities and Exchange Commission, em Abril de 2004, uma decisão final, que pavimentou o caminho para a implosão de tudo o que a regulação fora projetada para proteger”. Sem a imposição legal de possuir valor, que cubra as suas obrigações financeiras para com os clientes e credores, as grandes corretoras de valores como a Bear Stearns, a Goldman Sachs, o Lehman Brothers, a Merrill Lynch, e a Morgan Stanley festejaram o easy money, de que o deboche do subprime é um exemplo. Michael Lewis resume esta onda do muito dinheiro: “a estratégia oficial para o individual trader era ignorar a razão e participar na loucura”, e esclarece porque talvez os convocados com a divina missão de restucar o capitalismo desacertem na esconjuração de novas “crises”: “Tim Geithner, o secretário do Tesouro, o que pensa que ele irá fazer quando deixar de ser secretário do Tesouro? O seu próximo passo natural é ir trabalhar no setor financeiro”. A História já regista o presidente Báráque como acendalha intelectual dos seus fãs: galava ele a bunda da brasileira Mayara Rodrigues Tavares, enquanto Sarkozy se lambuzava? a mãe da moça, Lúcia Rodrigues: “se eu estivesse lá puxava-lhes as orelhas. (…). Ela é muito magra e só veste calças. Mayara é tímida e envergonhada do seu corpo. Esta foi a primeira vez na sua vida que usou um vestido, e foi emprestado por uma amiga na favela, porque ela não tem um”. E registará a História Báráque como habilíssimo emissor de sound bites: “não aceitaremos um sistema que constantemente nos coloca em risco”, a sua reforma da regulação bancária – expostas as lacunas e deficiências no bom, o mau e o vilão, no Huff Post – embaterá contra o muro de Wall Street, e não será mais uma agência, o Consumer Financial Protection Bureau: para garantir que os empréstimos proveem real valor – e não bombas armadilhadas – para os mutuários, que impedirá estes consumidores de produtos financeiros de serem trapaceados, nem impedirá que a única almofada do capitalismo, o dinheiro dos contribuintes, seja promovido a Capital, nas “crises”. O presidente Báráque, na impossibilidade de devolver o país às índias, devolve-o a Wall Street:
Asfalto de outras ambiciosas selvas: “a grande oportunidade” para “iniciar uma verdadeira revolução global”:
OccupyWallStreet. No sentido de humor contestatário dos sixties marcharam contra os milionários, visitando as casas dos ricos na Fifth Avenue, desde a 59th Street. Ocasionam-se solidariedades: “fornecer às pessoas informações sobre eventos que estão a ser organizados, em curso, e a arquitetar-se por todos os EUA”: Occupy Together. E estes descontentados contabilizam-se: “1% dos americanos controlam 40% da riqueza. Os outros 99% têm essencialmente sido privados de direitos pelo controlo corporativo do Governo”: OccupyWiki. (Aritmética económica já arromançada por Gore Vidal em “The Golden Age” (2000): 1% da população é dona de quase toda a riqueza; 19 % desenrasca-se, pois trabalha para esses donos; 80% está lixada). As aglomerações são plantações para recoleta de produtos para a indústria jornalística: NYDaily News. E, feira com carrinhos de choque, barraquinhas de tiro, ursos de peluche e algodão doce para aqueles que mais se divertem nos mistifórios protestativos: as forças da ordem: bófias em festa, a equipa da my Fox e manifestantes atingidos por gás pimenta e bastões. Os privilegiados também espreitaram; tuítou Russell Simmons: “acompanhei Kanye West através do occupywallstreet. Adoro como ele foi doce e tolerante para a multidão”; confirmou-o a jornalista Lucy Kafanov, da Russia Today America: “bem foi rápido. O artista de rap Kanye West faz uma aparição no OWS. Não fala com ninguém. Ele e Russell Simmons entram num carro e partem”. {live-blog Village Voice}. {Twitter}. {Top das mais giras ocupadoras}. {O bófia hipster}. O filosofante Slavoj Zizek discursou perspético: “a mudança é possível. O que é que consideramos possível hoje? Basta seguir os média. Por um lado, na tecnologia e na sexualidade tudo parece ser possível. É possível viajar para a lua, tornar-se imortal através da biogenética. Pode-se ter sexo com animais ou qualquer outra coisa. Mas olhem para os terrenos da sociedade e da economia. Nestes, quase tudo é considerado impossível. Querem aumentar um pouco os impostos aos ricos? Eles dizem que é impossível. Perdemos competitividade. Querem mais dinheiro para a saúde? Eles dizem que é impossível, isso significaria um Estado totalitário. Algo tem de estar errado num mundo onde vos prometem ser imortais, mas em que não se pode gastar um pouco mais com cuidados de saúde”:
Julian Gough – romancista irlandês a viver em Berlim “escreve novelas sérias disfarçadas de novelas humorísticas. É conhecido por ganhar prémios e roubar porcos”, autor de “Jude in London”: “o enredo é uma estrutura em torno daquilo que Gough faz melhor: sovar certos aspetos da sociedade contemporânea numa narração charmosa e hiper-real de BD”. Em 2007 postava uma crise por causa do mercado de derivativos: “porque quase toda a inovação financeira importante, não regulada, começa por ser usada para a sua finalidade, é usurpada por mais e mais instituições financeiras principais para fazerem dinheiro de borla, e é empurrada para um grotesco excesso, levando ao inesperado colapso e desgraça de, frequentemente veneráveis instituições, seguido de reforma e regulação”. Em 2003 escrevia uma fábula burlesca sobre economia para o Financial Times, depois peça radiofónica na BBC Radio em 2009: “The Great Hargeisa Goat Bubble”, e prevista no palco a meados de 2012. Postou Stephanie Flanders: “a maior parte da ação decorre na Somaliland, em meados dos anos 80, mas confiem em mim, é um conto para os nossos tempos”. Também na biografia de Gough: “enquanto estudava filosofia na universidade de Galway, começou a cantar com, a muito literária e underground, banda de rock Toasted Heretic” ► “You Make Girls Unhappy” ♫ “You Can Always Go Home” ♫ “Sodom Tonight” ♫ “Galway and los Angeles” ♫ “LSD (isn't what it used to be)” ♫ “Another Day Another Riot].