Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

domingo, junho 30, 2013

Até à próxima, Balsemão

1982. Segunda-feira, 20 de dezembro “o primeiro-ministro, Pinto Balsemão, apresenta esta tarde [17 horas] ao presidente da República o seu pedido de demissão. Cai, assim o VIII Governo Constitucional e o III da Aliança Democrática. Pinto Balsemão quer ser só presidente do PSD e, eventualmente, candidato às presidenciais” [1]. Querer, essa expressão da vontade, livre [2] para os escalados na sociedade, liberalizada naqueles acorrentados às faturas das governações. Volição, balcão do american express ou do livre-arbítrio: Raquel Pomplun, playmate do ano 2013, queria um BMW 325i branco [3], o eurodeputado Pedro Canavarro: “gostava de ver a rainha da Inglaterra a pôr um supositório” (Expresso, 1992) [4].
No olho de um furacão – o olho seco do FMI em Lisboa já desenhava um empréstimo – a economia portuguesa esvaecia [5], como testamento político, obrigatório auto-gabanço, esgravatou por obra-feita Balsemão: “concluiu-se a revisão da Constituição, a lei de Defesa está em vigor, bem como a do Tribunal Constitucional e atingiu-se assim, durante este tempo em que estive no Governo, a plenitude do regime democrático. Realizaram-se também as eleições autárquicas, as quais - ao contrário do que muitos vaticinavam - a Aliança Democrática obteve resultados que permitem estarmos certos de que em eleições legislativas - com os votos dos emigrantes e como é habitual, com uma menor abstenção -, novamente a AD obteria a maioria absoluta” [6]. Governar nas nuvens esborrachando miséria sobre o povo desfigura, um corpo inútil, um político incompetente, num princípio e os princípios também se decapitam, Gaetano Bresci: “não matei Umberto, matei o rei, matei um princípio!” [7].
Exonerado Balsemão, Freitas do Amaral, o n.º 2 na coligação governamental, não quis casar com a carochinha indigitada para primeiro-ministro, Vítor Crespo, modelo da pintora Maluda, um ministro da Educação, de profissão: ministro da Educação e Ciência dos VI e VII Governos Constitucionais, e da Educação e das Universidades no VIII Governo Constitucional. “Avançou-se para a escolha de pessoas antes de se definirem princípios, estratégias e critérios (…), não se fez, em minha opinião, uma escolha susceptível de reacender o entusiasmo e a confiança na opinião pública e no eleitorado da AD. (…). No fundo, no fundo, tenho de o dizer, esta já não é a mesma AD. É uma outra versão, também possível, também legítima, mas muito diferente da que ajudei a criar. Que sentido teria, assim, a minha permanência na base da divergência, da suspeição e da descrença? Tendo contribuído para a formação e para os êxitos da AD, não quero sentir-me associado ao que, julgo, será o seu gradual definhamento”: Freitas do Amaral renunciava a 29 de dezembro ao dourado bispote da vida política, afasta-se do partido, do Governo, do Conselho de Estado e do Parlamento. “A decisão de Freitas do Amaral em se demitir da presidência do CDS não é de agora, ‘mas de há uns quinze dias atrás. Tudo fizemos, - dizia-nos um dirigente conotado com a linha ‘moderada’ -, para que desistisse dessa ideia (…), psicologicamente afetado, acabou por ter um comportamento igual àquele que verberou: o de Balsemão que, perante umas ‘traiçõezinhas’ se demite do seu posto; o de Salgueiro, que, invocando solidariedade com um Balsemão ‘atraiçoado’, rejeita a eventualidade de lhe suceder; o de uns quantos oportunistas que, perante o desaire eleitoral da AD, se preparam como ratos para abandonarem o navio’”. “WTF[8].
Neste render de ratos, rato fora, rato dentro, o superior interesse da nação ressalva-se com um abalizado ministro das Finanças, e na nação um nome baliza. “Ora, apesar dos laços que o unem a Vítor Crespo, Cavaco Silva, tal como acontece com João Salgueiro, tem consciência da gravíssima situação económica em que o país se encontra e receia naturalmente que, no caso de entrar para o Governo, possa a breve prazo ficar isolado politicamente no seio do PSD face às medidas antipopulares que teria que tomar. No entanto, há também quem afirme que Cavaco Silva estaria interessado em ser nomeado vice-primeiro-ministro para os assuntos económicos – o que, na prática, significaria que seria ele o verdadeiro chefe do executivo – conseguindo, desse modo a linha de Eurico de Melo uma vitória total. A questão da vaidade e prestígio pessoais também não seria de afastar para uma decisão final de Cavaco Silva, que, diz-se, está por dentro de toda a ‘jogada’”. “Pavor Nocturnus[9].
Quinta-feira, 30, o Conselho de Ministros, ainda sob presidência de Pinto Balsemão debateu medidas “que se inserem nas coordenadas da política económica definidas pelo Governo e, em particular, na prossecução de uma política de preços e rendimentos, tendentes à contenção do défice orçamental e do desequilíbrio da balança de transações”. Estas medidas de austeridade ficarão suspensas para o novo Governo, “outros projetos aprovados incidem sobre o regulamento do imposto de Turismo, a nova redação do Estatuto do Instituto António Sérgio, do setor cooperativo, e o que altera o regime jurídico das máquinas elétricas de tipo flipers”. No ano seguinte, sexta-feira, 4 de fevereiro de 1983, o presidente da República Ramalho Eanes dissolve o Parlamento, e dia 25 há corrida de patriotas. “Quatro grupos disputam, à partida, a liderança do PSD no congresso deste partido que, hoje à noite, é inaugurado em Montechoro, no Algarve: Mota Pinto (vértice cimeiro da troika apoiado pelos barões do aparelho partidário), Mota Amaral (que envolve Balsemão e os seus apoiantes na corrida pela liderança), Luís Fontoura (o homem-de-ponta do grupo dos 44) e Helena Roseta (que surpreendentemente tem encontrado em João Jardim algum apoio)”. Vencerá a troika Mota Pinto, Eurico de Melo, Henrique Nascimento Rodrigues e Balsemão despede-se de todos os cargos no partido: “desde já afirmo que não quero candidatar-me a nada. Passo a militante de base … não votarei na troika. Eurico de Melo não tem a minha confiança política. Prejudicou muito o partido nos últimos dois anos”. No dia 26 no discurso de adeus Balsemão ataca Cavaco e Eurico: “é que não podemos aceitar, senhor presidente, senhores congressistas, que venham a ser recompensados aqueles que, nos últimos dois anos, só se distinguiram por se colocarem fora do sistema, por desrespeitarem as resoluções dos órgãos próprios do partido, por se refugiarem calmamente em sua casa ou no seu escritório e se limitarem a falar de quando em quando para os jornais ou a escrever cartas abertas publicadas nas piores ocasiões”. “Samo Shampioni”, Elitsa Todorova & Stoyan Yankulov, a Bulgária na Eurovisão 2013.
Em 1982, António Variações grava o seu primeiro singlePovo que lavas no rio / Estou além”: “Tenho pressa de sair / Quero sentir ao chegar / Vontade de partir / P’ra outro lugar”. Pinto Balsemão partiu não para muito longe. Em 2013, convidará para a reunião em Londres do Grupo Bilderberg, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas e o secretário-geral do PS, António José Seguro. No Festival da Canção de 1982, numa composição de Pedro Calvário, cantava Fernanda (Ágata) “Vai mas vem”: “Ah, quem me dera ter / os meus amigos perto de mim / Ah, quem me dera ser / amiga deles tempos sem fim … vai e vem a porta fica aberta para ti” [10].
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[1] Nas quedas, os porões dos Governos alvoroçam-se, ao invés de um navio, nenhum murídeo quer fugir. “Preocupados estavam os chefes de gabinete dos ministros e dos secretários de Estado. Afluíram ao hotel onde se realizava o Congresso Nacional, mal tiveram conhecimento da demissão do primeiro-ministro. Mais precavidos foram alguns membros do Governo. Discretamente, muito discretamente um ou outro já ofereceu os seus préstimos a Mota Pinto”.
[2] “Mas porque na consciência de si, a vontade é conhecida diretamente e em si mesma, nesta consciência reside também a consciência de liberdade. O facto é, contudo, esquecido que o indivíduo, a pessoa, não é vontade como um númeno, mas como um fenómeno de vontade (…). Assim, surge o estranho facto de que toda a gente acredita-se, a priori, ser perfeitamente livre, mesmo nas suas ações individuais, e pensa que a cada momento pode começar outro modo de vida, o que apenas significa que pode tornar-se noutra pessoa. Mas, a posteriori, através da experiência, descobre, para sua surpresa, que não é livre, mas sujeito à necessidade, que, apesar de todas as suas resoluções e reflexões não muda a sua conduta, e que desde o início da sua vida até ao fim, deve realizar a própria natureza que em si mesmo condena…”, em “O mundo como vontade e representação”, Arthur Schopenhauer.
[3] “Na quinta-feira, 9 de maio, na Mansão Playboy de Los Angeles, o fundador da revista Playboy Hugh Hefner nomeou Raquel Pomplun, de 25 anos, natural de Chula Vista, Califórnia, como Playmate do ano 2013 e deu-lhe um cheque de 100 000 dólares e o novo Jaguar F-Type de 2014”. Pomplun será capa da revista de junho, numa reportagem de oito páginas, fotografada por Michael Bernard. – Raquel Pomplun, 1,68 m, 54 kg, 89-61-91, sapato 37 ½, cabelo castanho, olhos castanhos, pele castanha, bailarina de ballet clássico, modelo em part-time, estudante em part-time, foi miss abril 2012. Fotos John Maramba. Fotos para a revista Venuz, no Hotel Rosarito, México. Ambições: “obter a minha licenciatura em bioquímica e viver sempre a vida ao máximo”; música perfeita para o quarto de dormir: “‘Samba Pa Ti’ do Santana é uma canção que me excita. É sedutora, relaxante e… sexy!”; A minha paixão: “dança, sou bailarina e uma marada por ballet clássico. Não posso imaginar a vida sem ele!”; o meu carro de sonho: “um BMW 325i branco com vidros fumados. Adoro porque é veloz, com classe e elegante - tal como eu!”.
Os carros das playmates do ano: “a tradição de a Playboy oferecer à sua Playmate do Ano um carro a acompanhar o habitual prémio monetário de 100 000 dólares começou em 1964, nesse ano Donna Michelle ganhou um Ford Mustang. Estava pintado num tom conhecido como Playmate Pink”. – Donna Michelle, 1,63 m, 53 kg, 96-55-93, “Playmate do Ano em 1964, tinha 17 anos quando apareceu nua pela primeira vez na revista. Donna prosseguiu como atriz e morreu de ataque cardíaco num supermercado em Ukiah, Califórnia, aos 58 anos, dia 9 de abril de 2004”. Ela foi Nina no episódio “The Double Affair” (1964), da série “The Man from U.N.C.L.E.” (1964-68).
[4] A casa real de Windsor, uma poderosa indústria inglesa de merchandising, deslumbra com o latão da nobreza o consumidor para a bugiganga britânica, no trono está um eficaz gabinete de relações públicas. Em maio de 2013, alunos de 9 anos do 4.º ano da escola primária de Moutidos em Águas Santas, Maia, desenharam temas da cultura inglesa, e a professora de inglês: “fui ao correio, meti todos os desenhos num envelope, os meninos escreveram uma carta”. E quinze 15 dias depois, festa na escola, obtiveram uma amável public relations reposta. Aluna: “nós éramos uma turma insignificante dum país pequeno e a rainha nos ter respondido era quase impossível… quando vi a resposta senti-me fascinada, radiante, porque nunca achei que os sonhos se podiam tornar realidade, mas, pelos vistos, enganei-me”. Outra aluna: “senti-me radiante porque vimos que a rainha gostou muito do nosso trabalho”.
[5] No boletim trimestral do Banco de Portugal divulgado na sexta-feira 17 de dezembro, sobre a política económica em 1982: 1) inflação seis pontos mais alta (23 %) que as previsões do Governo (17 %); 2) estagnação do poder de compra, com os funcionários públicos extremamente penalizados; 3) recrudesceu a fraude e a evasão fiscal; 4) dívida externa agravada em 16%.“O Banco de Portugal estima que se tenha verificado um agravamento de 1600 milhões de dólares no primeiro semestre do ano, atingindo a dívida total no fim de junho 11 603 milhões de dólares, o que representa um agravamento de 16% em comparação com o fim do ano passado. (…). Em junho a dívida externa total excedia as reservas cambiais do país em 57,1 % ou em 26,8 %, consoante se avalie o ouro ao preço contabilístico do Banco de Portugal, ou ao preço do mercado de Londres”; 5) défice orçamental muito superior ao previsto, que já era de 150,7 mil milhões de escudos.
[6] Depois da meia-noite de sábado 18 de dezembro, Pinto Balsemão divulgava o texto de renúncia: “tudo tem, no entanto, o seu tempo e, por mim, penso que consegui alcançar aqueles que eram os nossos grandes objetivos. Consegui-o, apesar de muita oposição, de muita incompreensão e mesmo de algumas traições. Enfrentei essa oposição da parte de outros órgãos de soberania, de outros partidos, dentro do meu partido e da coligação em que ele se insere, enfrentei essa oposição por parte de setores minoritários. Enfrentei greves gerais cujo saldo foi negativo para os seus promotores, deparei com ameaças e tentativas repetidas no sentido da minha demissão, ameaças e tentativas com as mais diversas origens. No entanto, sempre entendi que em vez de olhar esses fenómenos deveria, isso sim, era trabalhar com calma e bom senso para alcançar os objetivos a que me tinha proposto. O Estado deve estar acima da pequena política”.
[7]Gaetano Bresci (1869-1901) foi um anarquista italiano condenado à morte (depois a pena foi comutada para trabalhos forçados) por ter executado uma ação direta (que o próprio Bresci chama ‘um facto’): matou o rei Umberto I a tiro”. No interrogatório do juiz responde sereno: “o facto realizei-o por mim, sem cúmplices. Tive a ideia vendo tanta miséria e tantos perseguidos. É preciso ir ao estrangeiro para ver como são considerados os italianos! Somos apelidados de porcos. (…). Não matei Umberto, matei o rei, matei um princípio! E não o tal delito mas o facto!”; juiz: “porque o fez?”; Bresci: “após o estado de sítio na Sicília e Milão ilegalmente estabelecidos por decreto real, decidi matar o rei para vingar as vítimas”. Bresci emigrara para a América. A 29 de janeiro de 1898 desembarcava em Nova Iorque, e foi para Paterson em Nova Jérsia para trabalhar na indústria têxtil e frequenta a comunidade de anarquistas italianos emigrados.
“Durante a sua estadia na América, Bresci tomou conhecimento da feroz repressão em 1894 das Ligas Sicilianas dos Trabalhadores e da revolta popular de 1898. Em particular, em Milão, na sequência do aumento do preço da farinha e do pão, cujo custo crescia nos últimos anos, e o povo amotinou-se e assaltou os fornos do pão. Naquele ano, cerca de 40 anos da anexação da Lombardia no reino da Itália, após a segunda guerra da independência, a situação económica era grave, tanto que nesses 40 anos emigraram cerca de 519 000 lombardos. A insurreição de Milão, conhecida na História como ‘o protesto do estômago’, durou vários dias e foi sanguinariamente reprimida pelo exército comandado pelo general Fiorenzo Bava-Beccaris que, por esta ação de ordem pública, foi condecorado com a Cruz de Grande Oficial da Ordem Militar de Savóia, ‘para agraciar o serviço prestado às instituições e à civilização’, de Umberto I, rei de Itália. Na repressão militar estima-se que foram mortas mais de cem pessoas e centenas de feridos. Entre as vítimas, os miseráveis que estavam na fila para receber a sopa dos frades, sobre quem se disparou a metralhadora. Gaetano Bresci pretendia vingar o massacre e fazer justiça, por isso decidiu regressar a Itália com o objetivo de matar o rei Umberto, considerando-o o responsável máximo daqueles trágicos eventos. Após o regresso a Itália, alugou um quarto em Milão na via San Piero all’Orto n.4 e foi capaz de espiar durante dias os movimentos e hábitos do soberano, que se encontrava no 21 de julho de veraneio na vizinha Villa Reale em Monza. Na noite de domingo, 29 de julho 1900, em Monza, Bresci mata o rei Umberto I de Savóia disparando-lhe três ou quatro tiros de revólver”. Morreu um ano depois na prisão de Santo Stefano, não é claro se foi suicídio ou se foi suicidado pelos guardas.
Ascanio Celestini, ator, realizador, (“La pecora nera” 2010), dramaturgo, escritor, cantou-o, “La casa del ladro (a Gaetano Bresci)”: “Emanuele Filiberto de Savóia afirmou recentemente que ‘a Itália é um país pronto para uma monarquia constitucional’. Em consideração a esta declaração do príncipe, queremos dedicar esta canção a Gaetano Bresci, tecelão, anarquista e assassino do rei”. “Então, entro secretamente como um ladrão na casa do ladrão / Olho em redor na casa do ladrão: é tudo roubado / Até mesmo o ar que agora respiro com a falta de fôlego / é fruto de um roubo. // Quando um ladrão encontra um ladrão dentro de casa não fica feliz / E, de facto, aquele ladrão vê-me e diz: ‘tem cuidado’ / Ele diz-me: ‘olha bem para mim, eu não sou ladrão somente. / Eu sou o patrão’”. 
[8] O duo canadiano Keith Robertson e David “Dave” Henderson são os Autoerotique: “havia um programa de TV chamado ‘Kung Fu: Legends Continues’ e o gajo principal desse programa foi encontrado morto em Highland a fazer asfixias autoeróticas nele mesmo. Ele estava morto, mas quando abriram a porta estavam tipo sessenta e cinco putas lá. Basicamente, o que significa é, fazer qualquer coisa até ao ponto da morte por prazer” – “Asphyxiation”.
[9]Igorrr, cujo nome verdadeiro é Gautier Serre é um compositor multi-instrumentista francês nascido em 1984. Ele é conhecido por misturar muitos estilos de música nos seus álbuns, como música eletrónica, breakcore, música barroca, death metal, trip hop, etc.”. Discografia: álbum “Poisson Soluble” (2008): “Petit Prélude Périmé”; álbum “Moisissure” (2008): “Valse En Décomposition”; álbum “Nostril” (2010): “Double Monk” ♫ “Tendon”, ao vivo no Líbano; álbum “Hallelujah” (2012): “Tout Petit Moineau” ♫ “Damaged Wig” ♫ “Corpus Tristis”. – Igorrr é o fundador dos Whourkr, um grupo de death metal, grindcore, com influência eletrónica. Começaram em 2005, com Igorrr e Öxxö Xööx, o primeiro álbum “Naät”, gravado no seu estúdio caseiro é editado como auto-produção em 2007, “apesar das queixas dos vizinhos e a visita da polícia devido ao barulho”: “Kommiu”. Em 2008 sai Öxxö Xööx e Yann Coppier, ou -i snor, é o novo cantor da banda, “depois de dois anos de árduo trabalho, o álbum ‘Concrete’ ocorre como a perfeita mistura entre metal / noise / breakcore”: “Mindgerb” ♫ “Slaagt”. Em 2011, depois da saída de Yann, o “amigo da banda há muitos anos, Mulk torna-se a segunda parte do duo”, editam em 2012 o terceiro álbum “4247 Snare Drums”: “Gastro-equestre” ♫ “Arithmetic Punishment”.
[10] No ano de 82, no Teatro Maria Matos vence o Festival da Canção “Bem bom”, letra e música António Pinho, Tozé Brito e Pedro Brito, cantada pelas mosqueteiras Doce c/ roupas de José Carlos. Classificaram-se em 13.º lugar na Eurovisão com 32 pontos e nuestros hermanos espanhóis no 10.º com os 52 pontos da Lucía em “ÉL”. Lena Coelho dirá mais tarde: “e convém dizer que nesse Festival, a vencedora [a alemã Nicole “Ein Bißchen Frieden”], antes de vencer, já tinha um disco a dizer ‘a vencedora da Eurovisão’. (…). Toda a gente tem a mania de dizer, os portugueses isto, os portugueses aquilo, e há realmente jogos pelo meio, dos quais não temos conhecimento, mas dessa vez tivemos”.

na sala de cinema

Django 2 - Il grande ritorno” (1987), estreia sexta-feira 31 de março 1989 no Politeama. “Uma mulher chega a um mosteiro e diz a Django, há muitos anos o irmão Inácio, que ele tem uma filha em San Vicente, Marisol (Consuelo Reina), que foi raptada pelo malvado e cruel ‘El Diablo’ Orlowsky, um ex-soldado húngaro, que usa o seu navio de guerra para raptar homens e rapazes para trabalharem como escravos nas suas minas de prata e raparigas para serem vendidas a bordéis”. C/ Franco Nero, Christopher Connelly, que morre de cancro no ano seguinte, Licinia Lentini (na Playboy fevereiro 82), Donald Pleasence… Esta é a primeira sequela oficial do filme de Sergio Corbucci sobre o pistoleiro Django, 20 anos mais velho, desenterra a sua punidora metralhadora de uma campa sob a lapide Django. “O projeto nasce em paralelo com ‘Tex e il signore degli abissi’ de Duccio Tessari, [estreia sexta-feira 14 de outubro 1988, no Éden e Fonte Nova sala 3], tendo em vista o relançamento comercial do western spaghetti. Após o fracasso comercial e de crítica, Sergio Corbucci, que tinha inicialmente aceitado a realização da sequela e que acabara de escrever a história do filme, recusa-se a dirigi-lo. Também ‘Django 2’ foi um fracasso da crítica e do público e o projeto do renascimento esfumou-se. O filme foi rodado na Colômbia”. Havia dois Sergios. Sergio Leone, filho de pioneiros do cinema italiano, o pai o cineasta Vincenzo Leone, a mãe Edvige Valcarenghi i.e. Bice Waleran, atriz do cinema mudo. Com 19 anos era ator e assistente de realização no filme “Ladrões de bicicletas” de Vittorio de Sica [estreia segunda-feira 20 de novembro 1950, no Tivoli]. O outro, Sergio Corbucci, faz um raccord de crítico de cinema para assistente de realização, entre outros, de Roberto Rossellini. Cruzam-se em 1959. O realizador Mario Bonnard sofre uma crise de fígado no primeiro dia de rodagem e Leone termina o filme “Os últimos dias de Pompeia”, Corbucci era argumentista e realizador da segunda equipa. No início de 60, o peplum deslumbrava audiências, e os dois Sergios moviam cartão, Corbucci no argumento de “Maciste contro il vampiro” (1961) [estreia sexta-feira 3 de maio 1963 no Capitólio] e na realização de “Romolo e Remo” (1961), com história de Leone. Segundo a lenda, em 1963, os dois Sergios, na mesma semana, em dias diferentes, vão ao cinema ver “Yojimbo” (1961), de Akira Kurosawa: “conta a história de um ronin (um samurai sem senhor ou mestre), interpretado por Toshiro Mifune, que chega a uma aldeia onde senhores do crime competem pela supremacia. Os dois chefes tentam contratar o mortífero recém-chegado como guarda-costas (yojimbo em japonês)”. Os dois Sergios impressionam-se com a película oriental e resolvem transpô-la para o faroeste. Leone no “Por um punhado de dólares” (1964), estreia sexta-feira 21 de outubro 1966 no Éden, tão fiel a Kurosawa que amargou uma batalha legal de três anos nos EUA por não possuir os direitos de autor para o remake, “o outro Sergio”, alcunha de Corbucci, conservou apenas as duas fações rivais em luta e um homem no meio, um herói duro, frio, libertado do escolho de defender os fracos, “Django”, e a morte redentora na bala quente de metralhadora. “Django” (1966) estreia segunda-feira 5 de agosto 1968 no Condes. “Desde a primeira cena, Django já demonstra ser algo original, diferente de quase tudo feito até então: o personagem-título (Franco Nero), um veterano da Guerra Civil, entra na cidade com a sela sobre os ombros, e arrastando um velho caixão de madeira pela estrada enlameada, enquanto desenrolam-se os créditos iniciais ao som da belíssima música-tema composta por Luis Bacalov (e cantada por Roberto Fia em italiano e Rocky Roberts em inglês)”. C/ Loredana Nusciak, atriz de fotonovelas; no filme morrem 138 pessoas entre facínoras e inocentes. – “Django spara per primo” (1966) “faz parte desta primeira leva de sotto-Djangos (como eram chamados os sub-Djangos pela crítica de cinema da Itália), e percebe-se claramente que trama e personagem principal não têm nada a ver com o original. O filme chegou aos cinemas apenas seis meses depois do Django de Sergio Corbucci, evidenciando que já estava sendo filmado quando o outro foi lançado e foi transformado numa aventura não-oficial do personagem na pós-produção”. – “W Django!” (1971) c/ os atores brasileiros Anthony Stephen e Esmeralda Santos (na Playboy julho 1976). “Django está na pista de alguns bandidos renegados que mataram a sua mulher. No caminho, resgata um ladrão de cavalos de um enforcamento improvisado. Descobre que o homem sabe quem cometeu o assassinato. Os dois associam-se e dirigem-se para oeste para vingança”. – Django nas histórias aos quadradinhos.

no aparelho de televisão

O romance da raposa”, sábados, de 22 de outubro 1988 / 14 de janeiro 1989, na abertura da RTP1, cerca das 17:30 horas. Série de animação baseada no livro homónimo (1924) [1] de Aquilino Ribeiro [2], adaptação de Marcelo de Moraes: “o ‘Romance da raposa’ conta a história da Salta-Pocinhas uma raposa, raposeta, matreira, fagueira, lambisqueira! A raposinha Salta-Pocinhas é mandriona e faz tudo para ter a barriga cheia, desde enganar o Rei Lobo até roubar galinhas aos aldeões. Mesmo quando fica velha consegue enganar os outros animais e não ”. Diálogos e letra das canções Maria Alberta Meneres: “Mil famosas aventuras / aqui se vão relatar, / de certa Salta-Pocinhas / que tem muito que contar. // É matreira e embusteira / e um pouco pintalegreta. / Quando calha, ratoeira; / senhora de muita treta. // ‘Mestra de ladinas artes, / sou fagueira / e lambisqueira; / em cata de algum biscato / vou passando a vida inteira. // Cá vou eu, / póis-catrapós, / raposinha duma figa! / Corro os bosques, bato o mato, / só para encher a barriga!’ // ‘Sentada num penedinho / vou deitar contas à vida: / aventureira e farsante / só foi na justa medida. // Neste mundo tão vilão, / talvez um dia descanse, / eu, escalfada em roda-viva, / autora do meu romance!’”, cantada por Fernanda Figueiredo e coro. Animação de Artur Correia e Ricardo Neto. 1º episódio: “Saída à aventura”. “Sebastião come tudo” (1986), programa infantil de culinária, autoria e apresentação, Manuel Luís Goucha, voz e manipulação do Sebastião, Pedro Wilson, texto de José Jorge Letria, canção de Tó Sequeira: “Sebastião come tudo tudo tudo tudo. / Sebastião come e sabe o que quer. / Sebastião não quer ser um barrigudo, / lava as mãos e come sempre com talher. / Sebastião come tudo tudo tudo tudo. / Sebastião come e sabe o que quer. / Sebastião não quer ser um barrigudo, / lava as mãos e come sempre com talher”. É uma corruptela acriançada de uma canção com letra de J. Oliveira Santos e música de Alexandre S. Moreira publicada em 1943 pela Sassetti: “Sebastião come tudo, / Sebastião come tudo, / Sebastião tudo come sem colher; Sebastião fica todo barrigudo / e depois dá pancada na mulher…”, uma música de dança da Orquestra Melo Júnior, “que atuava no piso superior do Café Chave d’Ouro, no salão de c”. Em cada programa Manuel Luís ensinava uma receita e um ator ou atriz representava essa paparoca: Luzia Paramés, a filhó, Miguel Guilherme, o papo d’anjo.
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[1] Dedicado ao seu filho Aníbal: “as aventuras maravilhosas da Salta-Pocinhas raposeta pintalegreta, senhora de muita treta - contei-tas eu, sentado tu nos meus joelhos. Contando-tas, veio-me ideia de as escrever. Além de inspirador, colaboraste com os teus silêncios, perguntas e interrupções na frágil meada. Que mais não fosse, só por este título o livrinho teria de levar o teu nome...”. E termina a introdução: “aí fica, meu homem, no teu sapatinho de Natal esta pequena prenda. Aceita-a com os meus beijos de pai, que ao Menino Jesus vou pedir perdão do pecado, pois que a raposa é matreira, embusteira, ratoneira, e Ele apenas costumava brincar com pombas brancas e um branco e inocente cordeirinho. Santo Amaro de Oeiras. Natal de 1924”. Abria o livro com: “havia três dias e três noites que a Salta-Pocinhas - raposeta matreira, fagueira, lambisqueira - corria os bosques, farejando, batendo mato, sem conseguir deitar a unha a outra caça além duns míseros gafanhotos, nem atinar com abrigo em que pudesse dormir um soninho descansado”.
[2] Oliveira Salazar: “é um inimigo do regime. Dir-lhe-á mal de mim; mas não importa é um grande escritor”. Aquilino fora também inimigo da monarquia. Datado de 14 de janeiro de 1908, um ofício dos Caminhos de Ferro do Estado, Serviço de Movimento, avisava da evasão dos “calabouços da Polícia Cívil de Lisboa o preso Aquilino Gomes Ribeiro, escriptor, natural do Carregal, concelho de Sernancelhe e com os signaes seguintes: alto, magro, 22 anos, barba e cabelos crescidos de dois mezes, cor pálida”. Nesse ofício, o juiz de Instrução Criminal requeria sua captura: “o preso é da máxima responsabilidade, por ser accusado de um crime muito grave e por esse motivo se lhe recomenda a maior vigilancia possivel nos passageiros do seu comboio e se for reconhecido, deverá empregar todos os meios ao seu alcance para o deter tendo o maximo cuidado em o não deixar de novo evadir-se”. Evadira-se da esquadra do Caminho Novo enquanto jovem bombista e carbonário. A Carbonária foi fundada pelo bibliotecário, Artur Augusto Duarte da Luz de Almeida, morador na rua de Santo António da Glória, em Lisboa, descreve-o Rocha Martins: “o ajudante [de Feio Terenas na Biblioteca Municipal da Rua do Saco], era um rapaz magro, baixo, pálido, de poucas falas, sem gestos, sem vivacidade, sempre vestido de negro e com uma grande gravata Lavallière pendente sobre o colete. A casa era um rectângulo vasto de prateleiras enfileiradas, atulhadas de grandes livros que se iam buscar para os domicílios; ao lado ficava a sala de leitura e, no canto da janela que deitava para o largo, tristonho, por detrás dum estore corrido, o ajudante passava os dias lendo, muito compenetrado, com o seu ar sereno, os olhos tão negros como o fato ao erguerem-se, com um ar resignado, quando o vinham interromper. Chamava-se Luz de Almeida. Ao lado havia uma escola e, de quando em quando, ouvia-se a gralhada do rapazito no grande pátio vizinho, perturbando o silêncio grave da biblioteca. Todas as manhãs o homem chegava no seu passo moderado e lento, sentava-se na carteira, começava o seu serviço e depois mergulhava na leitura; às quatro da tarde saía para voltar à noite e de novo, à luz do gás sibilante, continuava a sua tarefa. (…). Nós não podíamos imaginar que em plena Lisboa, ali, no fundo daquela biblioteca, na pessoa tristonha daquele rapaz melancólico, estava um organizador como o ativo Basard das casas de Belford e da Rochela”.
Luz de Almeida é iniciado na Maçonaria em Lisboa, no ano de 1897, na Respeitável Loja Luís de Camões, n.º 226, do Grande Oriente de Portugal, uma breve dissidência do Grande Oriente Lusitano Unido, com o nome simbólico de “Desmoulins”. Em 1908, a Carbonária tinha 20 mil Bons Primos infiltrados nas estruturas do Grande Oriente Lusitano Unido, através da Respeitável Loja Montanha, de que Luz Almeida fora fundador e Venerável em 1900. “Luz d’Almeida foi fundador da Jov Port (Joven Portugal), a carbonaria que incitou o povo, e foi da sua organisação que sahiram todos os grupos, que em 28 de janeiro haviam de operar. O Veneravel da Loja Montanha e os seus irmãos fazendo irradiar os seus ideaes pela população de Lisboa, e depois pela do paiz, conseguem em muito, auxiliar o acto revolucionario. Parallelamente ao trabalho no quartel dos marinheiros, organisou dois grupos civis que com elles haviam de operar, um em Alfama, e outro na Madragoa. Quando rebentaram as bombas de dynanite na rua do Carrião a policia redobrou a vigilancia e Luz d’Almeida foi preso”. – (Um dos chefes da Carbonária será Manuel Alegre, em novembro de 2006, o seu neto homónimo frequentava a sessão de lançamento do livro de Mendo Castro Henriques “D. Duarte e a Democracia - Uma Biografia Portuguesa”: “Manuel Alegre, republicano assumido, destoava da pequena multidão de monárquicos que bebericava espumante Luís Pato e provava canapés enquanto apostava nos méritos do livro, ali à venda por 29,95 euros”).
Findava o ano de 1907, o carbonário e médico Gonçalves Lopes era vigiado pela polícia política da monarquia, escreve Aquilino: “um belo dia o dr. Gonçalves Lopes pediu-me para levar ao meu quarto dois caixotes com bombas. Hesitei, observando-lhe que a dona da casa podia atentar no facto, mas ele desvaneceu-me todos os receios, explicando-me que necessitava absolutamente transformar o meu aposento num depósito eventual de explosivos. Combinou-se o transporte dos caixotes do consultório do dr. Gonçalves Lopes, na rua do Ouro, para ali, mas, ou porque ele não me pormenorizasse bem como a coisa devia ser feita, ou por outro motivo de que me não recordo, o moço incumbido de os levar à rua do Carrião [nº 3, junto à rua de S. José e a avenida da Liberdade] teve de arrepiar caminho e voltou com os caixotes para o consultório. Grande pasmo do dr. Gonçalves Lopes e, no dia seguinte, após uma breve explicação que eu e ele tivemos no Suíço, os caixotes (cada um pesando aproximadamente sessenta quilos) tornaram a empreender a viagem para o meu quarto. Desde então, passei também a colaborar regularmente no fabrico de explosivos”. “Utilizavam pinhas de ferro, como as que eram usadas para enfeitar as sacadas das casas, pólvora negra e carda miúda de sapateiro”. Prossegue Aquilino: “Cada um de nós pegou numa bomba vasilha. Na minha frente estava o dr. Gonçalves Lopes e mais adiante o seu companheiro [Belmonte de Lemos, comerciante na rua dos Fanqueiros]. O dr. Gonçalves Lopes, descuidando-se um pouco nas precauções que era de uso tomar em tais circunstâncias, principiou a martelar com força no engenho que tinha na mão. Ainda lhe recomendei prudência; mas ele sorriu-se, incrédulo, do meu receio, e continuou o trabalho. De repente, um grande estrondo atordoou-me sensivelmente. A bomba do dr. Gonçalves Lopes explodira. Vi-o cair esfacelado, salpicando-me de sangue e vi o comerciante Belmonte avançar para mim, soltando um grito como o dum animal ferido de morte. Acolhi-o nos braços, mas tive que o largar logo a seguir porque já agonizava. Foi um instante de dolorosíssima atrapalhação. Dirigi-me a outro quarto a lavar-me, porque estava negro como um carvoeiro e quando voltei ao meu aposento pensei em fugir. Mas, como? O meu chapéu parecia um crivo, o vestuário não inspirava confiança, as mãos e a cara denunciavam-me, traiam-me… Passeei uns segundos pelo quarto sem saber o que fazer e quando percebi que gente estranha subia a escada, a inquirir do estrondo, fui estupidamente esconder-me debaixo da cama. Os primeiros minutos passei-os quieto e calado nesse refugio d’ocasião. Mas, logo que ouvi a curta distância os comentários da polícia e as interrogações dos repórter, longe de procurar misturar-me com o meu amigo e os nossos colegas [colaborava no jornal republicano A Vanguarda] comecei a agitar-me e despertei a atenção do chefe Ferreira. Estava apanhado
É preso, “manso como um cordeiro”, relata na sua autobiografia, “Um escritor confessa-se”, entre “iscarióticos esbirros que vinham, como no Jardim Zoológico, contemplar o gerifalte que caíra no laço”. É presente ao juiz nas Amoreiras “ao juiz Veiga, o célebre juiz Veiga, o grande papão dos republicanos, o terror dos anarquistas, o alcoviteiro do rei, a divindade colérica e tutelar que pairava sobre a Monarquia e as instituições, armada de tridente e coriscos”. Na inquirição responde-lhe Aquilino: “já confessei tudo a V. Ex.ª. Eu sou um serrano em Lisboa… Mal assentei o pé, pus-me a ler Kropoktine e, por desgraça, a minha condição, pobre, desamparado, sem futuro, deixei-me contaminar pelas ideias extremistas. Logo aqueles amigos aproveitaram a minha inexperiência e meteram-me nesta camisa-de-onze-varas”. Investiga o caso “um chefe de polícia néscio e um juiz reles e troca-tintas”, o dr. Alves Ferreira, “com a pelagem totalmente branca de cobaia e pele lisa dum poupon, tinha andado pelas ilhas, pela província, sempre em comarcas de rebotalho, até que João Franco o caçou ali em Sintra, pau para toda a colher”, descreveu-o em “Quando os lobos uivam” (1958). Encerrado dia 28 de novembro na esquadra do Caminho Novo, Aquilino evade-se na madrugada chuvosa de 12 de janeiro de 1908. Esconde-se na trapeira da casa de Joaquim Meira e Sousa, do jornal O País, na rua Nova do Almada, “pelas escadinhas de S. Francisco, e a menos de 200 metros do Ministério do Reino, podendo ouvir, se não houvesse a interferência acústica, os espirros do sr. João Franco”. No dia 3 de junho de 1908 está em Paris “uma cidade feita para dar a quota razoável de felicidade aos homens, e todos os seus costumes”. Jorge Reis nas “Páginas do exílio”: “turista sem cheta nem bagagem, transportava, porém, um alforge de promessas de ‘irmãos’ e ‘primos’, que lhe haviam jurado com os pés em esquadria – a ele raposo, beirão, que jamais se iludiu com empana-parvos”. Na Sorbonne bebe “sem chegar às fezes a taça de amor que ali se oferece a quem é voluptuoso” e França será sempre o seu “amado leite”. Aquilino era amigo dos regicidas também carbonários:  
“Foi no corrente de 1906 que Raul Pires apresentou no Gelo um rapaz de 28 anos, alto, desengonçado de corpo, duma fisionomia séria, quase triste, a que ninguém deu importância. Grandes olhos castanhos, lentos a mover-se, com uma fixidez que parecia de sonâmbulo e era de atenção, um nada de barba loira no queixo, o nariz levemente amolgado sobre a esquerda. É provável que uma tuberculose descurada, traiçoeiramente seguindo caminho, lhe achatasse o tórax, aguçasse os ombros e lhe imprimisse às costas uma quebratura já perceptível. (…). Alfredo Costa foi o homem, atirado para a cidade da aldeia alentejana, e que, dobrando-se sobre si, batido dos baldões, ‘se encontrou a marchar’. Atrás, todo o atavismo da alma popular, opressões, tristeza, fatalismo, mansuetude de cordeiro. Pela frente, o torvelinho do século, luz e sombras, ideias confusas, ideias desordenadas, ideias; a vida com as facetas todas; o homem em todos os planos”, em “Um escritor confessa-se”.
“Era Manuel Buiça dos mais assíduos frequentadores do Gelo, esse café todo arrumado a meio do Rocio tumultuário, que, não obstante o berrante das fardas, conserva um ar todo plácido de botequim provincial. As suas horas, nas meias manhãs preguiçosas de Lisboa, quando, tão lentas e doces, os senhores burocratas vão por aí abaixo mais brandos que liteira, ou à noite, depois do jantar, Buiça era certo à mesa branca do Gelo, na parte que olha a R. do Príncipe, um cálice de cognac à frente, escrevendo cartas ou cavaqueando alto com amigos ou próximos. (…). Mais que a identidade de ideias haviam-no imposto ao grupo revolucionário do Gelo, que paradoxalmente via o mundo através de Nietzsche e dos pensadores russos, haviam-no imposto aquelas virtudes do homem instintivo, generosidade, espontaneidade, poder de estimar e admirar, ao contacto dos quais o homem de pensamento se desvanece. (...). A sua cultura literária não era também comum. Professor do Colégio Moderno, dava-me a impressão de ter uma inteligência lesta, assimilando sem esforço, mas também sem perdurabilidade. Tinha, no entanto um sentimento bastante largo da vida que nas horas de excitação costumava traduzir pelos baixos epifonemas dum pessimismo exagerado”, no artigo “O regicídio e os regicidas”, revista Seara Nova, 5 de dezembro de 1921.

na aparelhagem stereo

Sepultura – “Beneath the Remains” (1989): “Cities in ruins / Bodies packed on minefields / Neurotic game of life and death / Now I can feel the end” – “Arise” (1991): “Obscured by the Sun / Apocalyptic clash / Cities fall in ruin / Why must we die? // Obliteration of mankind / Under a pale grey sky / We shall arise”.
No Rock in Rio Lisboa 2010 José Luís Peixoto expetava: “sim bastante. Tudo aquilo que me influencia, a minha vida, acaba por influenciar o meu trabalho e os Soulfly [1] em particular, mas principalmente os Sepultura, donde nasceram os Soulfly, são uma inspiração já há bastantes anos. (…). Acho que a força desse movimento está bem visível, esse dia, o dia do metal, aqui no Rock in Rio e noutros festivais, acaba sempre por ser um dia de festa garantida em que, na verdade, como conversava há pouco com o Vasco [Duarte, dos Homens da Luta] é um dia também muito cordial ao contrário do que às vezes as pessoas imaginam, é um dia de boa educação. (…). Na verdade, um dos concertos que mais me atraiu para vir cá hoje foi justamente Motörhead, que é uma banda que eu ainda nunca vi ao vivo, mítica, quase com a minha idade de existência e que também faz parte do meu imaginário de uma forma fortíssima e ‘tou cheio de vontade de pôr esse carimbo no meu passaporte” [2]. Fixava-se o escritor em transata testosterona [3]. Concertos de heavy metal em Portugal esgotavam lotação e cerveja, pela tribo vestida de ganga e desordeira, no século XXI, esses maus rapazes aprumaram-se. Embarrigam, descapotam da careca, num clube recreativo de bairro, neste século, os verdadeiros duros nascem antes. O dia do metal no Rock in Rio Lisboa 2010 teve 36 mil espectadores, no dia da Miley Cyrus foram 83 mil dos mais ferinos consumidores, as miúdas com menos de 10 anos. Elas já distinguiam Miley de Hannah Montana, os pais não, atarantados no choque de gerações, fingiam-se fixes, jovens.
Aos 17 anos da atriz, a personagem Hannah Montana desvanecia-se, no Rock in Rio Lisboa 2010, na primeira parte do concerto, ela coloca no mercado o seu produto para adultos, e as câmaras focaram a unha de camelo de Miley Cyrus: “é maravilhoso encontrar novos fãs e encontrar pessoas novas. Eu penso que é bom também ver o que acontece nas novas canções num novo disco, estar com novos fãs, estar num lugar novo. Eu penso que tudo o que acontece é novo, é muito entusiasmante” (os fãs fizeram uma bandeira de Portugal com 15 m) “obrigada! Eu penso que é muito bom ver a forma como toda a gente é orgulhosa aqui, andei por aí, a dar um passeio e foi maravilhoso ver tantos fãs que estavam felizes por me ver, pois estavam orgulhosos pela minha vinda, por estar aqui, portanto… obrigada!” [4].
Metalurgia portuguesa nos aos 80:
Ibéria, em 2011 “quase 20 anos depois do fim, os Ibéria estão de volta. O grupo, hoje formado por um maquinista da CP (João Sérgio), um administrativo (Miguel Freitas) e um produtor de renome (Ricardo Landum), entre outros, acaba de reeditar os seus discos e prepara já os primeiros espetáculos”. João Sérgio: “a sensação que tenho é a de um coito interrompido (risos). Os Ibéria formaram-se com a ideia de romper fronteiras. Chegámos a ter alguma aceitação internacional, fomos a primeira banda portuguesa a passar na BBC, [em janeiro de 1989, no Friday Rock Show, da BBC-Radio One, Tommy Vance rodou ‘No Pride’], e até andámos nos meios mais underground no Japão e nos EUA. Podíamos ter ido mais longe. (…). Landum: uma vez decidi saltar para o meio do público. Só que a malta desviou-se, eu bati com a cabeça no chão, desmaiei – e a banda continuou a tocar”. “A história dos Ibéria começa na Baixa da Banheira em 1978, quando 3 miúdos de 10/11 anos começaram a tocar guitarra. João Alexandre Marques, João Sérgio Reis e Toninho, tinham como ambição formar uma banda. (…). A paixão pelo heavy metal levou-os a arranjarem um baterista, Tony Duarte e um vocalista, Luís Filipe, formando dessa forma a sua primeira banda no início de 1984, os Asgarth. Em 1986, a banda sofre alterações de fundo. Francisco Landum, ex-TNT junta-se à banda e o nome é alterado para Ibéria, Tony Duarte sai para os Samurai entrando Tony Cê para o seu lugar. A 31 de janeiro de 1987 gravam a primeira demo com 3 temas: ‘Hollywood’, ‘Lady in Black’ e ‘Warriors’” ▬ discografia: LP “Ibéria” (1988) 1. “Warriors” 2. “She’s So Lovely” 3. Sex Gun” 4. “Lady in Black” 5. Fuck the Teacher” 6. “No Pride” 7. “Some Girls” 8. “Unfaithful Guitars” 9. Children of the World 10. “The Sailing Way to India” ♫ LP “Heroes of the Wasteland” (1990) A1. “Deep Cuts the Knife” A2. “Heroes of the WastelandA3. México A4. I'm Not a FoolA5. Rock 'n' Roll StarB1. Got To RunB2. “Please, Please” B3. StripteaserB4. Do You Wanna Die?B5. China Girl CD “Angel” (2011) 1. “Code Red / Revolution” 3. “All Night Flying 4. Angel” 5. “Stooge” 6.She Devil” 7. “Turning Back” 8. “Dizzy” 9. “Hot in Love” 10. “Ride” 11. “Tired (Leave Me Alone)” 12. N.I.T.R.O.” 13. “Tommy’s Frequency / Hollywood”.
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[1] António Freitas no Rock in Rio Lisboa 2010: “sendo que os Soulfly já têm assim uma grande e longa história com o nosso Portugal. O backdrop, portanto a fotografia, a imagem que estava atrás, no palco, foi precisamente tirada na Boca do Inferno, em Cascais, e é a capa do primeiro álbum dos Soulfly. Já há aquela relação de há muito tempo”.
[2] José Luís Peixoto, em “Uma casa na escuridão”: “Era uma manhã que carregava um crepúsculo terrível. Assim que entrámos na cidade, assim que cruzámos as primeiras casas que eram o início da cidade, ouvimos o céu rasgar um trovão de ferro. O céu era todo feito de ferro negro e o trovão foi aquele céu de ferro a rasgar-se. E entrávamos na cidade. E entrávamos na cidade abandonada. Nas ruas, havia soldados que tinham pressa. Havia mulheres e homens que choravam convulsivamente porque tinham perdido tudo. Havia mulheres e homens mutilados, com a pele a apodrecer, que tinham pressa. Debaixo da sombra daquele céu, a cidade era o lugar do medo”.
[3] A atracagem de popa de Rob Halford, vocalista dos Judas Priest, chocalhou este género musical. Afinal, entre os deuses do metal gingam também catamitos de plástico. “Sans rustiques ennuis, guêpes, rosée ou givre / Je voudrais à jamais coucher, aimer ou vivre / Avec un tiède enfant, Jacques, Pierre ou Firmin. / Arrière le mépris timide des Prud’hommes!” (Sem rústicos aborrecimentos, vespas, orvalho ou geada / Queria para sempre me deitar, amar ou viver / Com um tépido amor, Jacques, Pierre e Firmin. / Adeusinho desprezo tímido dos julgadores”, em “Pédérastie”, primeiro poema de Marcel Proust. (Um fanzine sobre Proust: “Proust Said That”. Monty Python: The All England Summarize Proust Competition).   
[4] Destiny Hope Cyrus, afilhada de Dolly Parton, filha de Billy Ray Cyrus, troca o nome a 1 de maio de 2008 para Miley Ray Cyrus, – 1,66 m, 50 kg, 86-60-81, sapato 36, olhos azuis, cabelo loiro pintado, diminutivos “Smiley Miley”, “Miley Ray” –, nasceu a 23 de novembro de 1992, em Nashville, Tennessee. Comprometida com o ator australiano, Liam Hemsworth, desde 6 de junho de 2012, o anel de noivado, desenhado por Neil Lane, tem 3,5 quilates e custa cerca de 250 000 dólares. Em 2012, pelo 22.º aniversário de Liam, Miley ofereceu-lhe um bolo-pénis. Quando namorava o modelo Justin Gaston jurava: “quero manter a minha virgindade até me casar. Fui criada numa família cristã”. Séries favoritas: “Sex and the City” (1998-2004), “Bad Sex” (2011); versículos favoritos: Efésios 6:10-11: “finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes permanecer firmes contra os esquemas do Diabo”; perfume favorito: Juicy Couture Eau de Parfum. Estreou-se no ano de 2003, como “Kylie”, em três episódios da série de ideologia cristã, “Doc” (2001-04), protagonizada pelo pai, e no cinema como “Young Ruthie” no filme de Tim Burton “Big Fish” (2003). Aos 12 anos, dólares e fama como ídolo da pequenada feminina na série da Disney “Hannah Montana” (2006-09); em 2008, “a atriz de 15 anos interpreta uma aluna de liceu com uma vida secreta como estrela pop, numa série com um público-alvo composto por raparigas entre os 6 e 14. Mas, Cyrus está obcecada pelo mais adulto ‘Sex and the City’, que muitas vezes contém picantes cenas de sexo, e espera trazer algumas qualidades desta série para o seu próprio trabalho. Diz ela: ‘obviamente, não os cenários. Mas se você ver o ‘Sex and the City’, como a forma como as amigas são, a forma que é direta e elas todas têm personagens distintas, é uma coisa que tentamos fazer na nossa série. É a minha série favorita. Adoro-a!’”. Aos 15 anos escreve as memórias: “estou tão entusiasmada de mostrar aos fãs quão importante a minha relação com a minha família é para mim. Espero motivar mães e filhas para construírem memórias para toda a vida e inspirar as crianças de todo o mundo a viverem os seus sonhos”. Aos 16 anos, estava escalada para o filme “Wings”, da Disney, baseado no best-seller homónimo de Aprilynne Pikes. Tiquetaqueava o contador da idade legal para enfiar-se nas camas: ela a 353 dias dos 18 anos. – Doce (de hermesetas) pássaro da juventude: {em biquíni nas Bahamas, sabedoria da Miley: “sacudi as coxas e elas balançaram por vontade própria por três mississipis acabaram-se os lucky charms à noite”}. {saindo do Millions of Milkshakes /2009}. {saindo do Starbucks em Los Angeles /2009}. {tatuagem no tórax “just breathe” /2009}. {Teen Choice Awards /2009}. {Wonder World Tour /2009}. {bravia em 2010}. {hot pants e bindi e botas de cowboy /2010}. {foto /2010}. {dourado sem alças nos Óscares 2010}. {videoblog: paparazzi /2010}. {mamilo duro /2011}. {fumadora s/ soutien}. {fumadora c/ cão /2011}. {Prestige Magazine /2011}. {sem soutien no ultramar /2011}. {biquíni /2012}. {flanco da teta /2012}. {incomodada com um paparazzo postou a foto do carro dele no Twitter: “se virem este idiota choquem com ele” /2013}. {apanhada tirando autofotos sexy /2013}. {fetiche da língua}. {celebridade}. {fotos sexy}. {momentos inapropriados}. {espetáculo de pernas}. {irmãs elegantes}. – Noah Cyrus, a irmã, aos 9 anos, emparceirava com a melhor amiga, Emily Grace, para lançarem uma coleção de lingerie para crianças para a Ohh! La, La! Couture; “o site da empresa descreve a Emily Grace Collection como tendo um ‘toque última moda, adorável, todavia arrojado, reminiscência da verdadeira personalidade de Emily. Ela está a colaborar com os estilistas da Ohh! La, La! Couture para criar estilos versáteis que podem ser usados com amorosas sapatilhas de bailarina, ténis catitas ou combinados com meias de renda e botas para um ar mais rock and roll. A coleção de Emily não apelará apenas a miúdas pequenas, a linha tem também uma Teen Collection disponível até ao tamanho 46”. Noah dobrou a voz da personagem principal e cantou o tema do filme de anime “Ponyo” (2009). – Visual & áudio de Miley Cyrus: Miley visitou os “Marretas” num Disney Channel Special (2008). No cinema: aparição especial em “Sex and the City 2” (2010): “na cena, Mario Cantone, que interpreta Anthony, ironiza: ‘Nossa Senhora! Ela está a usar o mesmo vestido de Hannah Montana’, para Samantha, quando ela sai com a mesma roupa de Miley’”; primeira cena de sexo no ecrã em “LOL” (2012): preparação para o filme: “rebuçados de menta, abdominais, spray bronzeador. Mais, exercícios para fazer as minhas mamas parecerem maiores, arrebitá-las”; “So Undercover” (2012). O novo singleWe Can’t Stop” (2013). Sabedoria da Miley: “as raparigas que realmente baseiam quanto valem nos favores sexuais que podem fazer por alguém, isso deixa-me realmente triste. Porque o sexo é realmente muito bonito. É a única maneira de nós geramos e é a única maneira de o mundo continuar”. Miley, cidadã de uma sociedade que não manipula o sexo para recolta de proveitos, refreia-se da personagem infanto-juvenil: “eu não posso ser Hannah até aos 30, mas quero continuar a fazê-lo o mais tempo possível”, esvaziada a clepsidra, nenhuma intenção sexual, desembaraça-se da roupa para Fabio Testino em 2013. Smells Like Teen Spirit” (2011): “A mulatto / An albino / A mosquito / My libido / Yeah”.

domingo, junho 02, 2013

Fosforar cogitando

1982. A tribuna pública palanque do sublime altar-mor dos mores alto-mar marisqueira da lagosta pulvinar dos que por graça ou custo “percebem coisa óbvia” [1]. Óbvio é o político que apalavra a palavra, – Passos Coelho: “eu posso garantir-vos, não será necessário, em Portugal, cortar mais salários, nem despedir, para cumprir um programa de saneamento financeiro no Estado português” [2]. E quando desastre a governação é, o próprio político evidencia óbvio bom senso “de pôr o Governo em tribunal” [3]. A lisura das elites veda os conflitos sociais, a luta de classes, governados a encherem o depósito da camioneta fantasma [4] ou, uníssonos, com o grito em tribunal do anarquista italiano Pietro Acciarito: “hoje vou eu, amanhã será a vez do Estado burguês. Viva a anarquia! Viva a revolução social!” [5].
O labor da elite guardadora de rebanhos é… interminável: “não posso estar contente – respondeu Salazar, sacudindo a cabeça. – Uma obra de Governo nunca se encontra completa. Há ainda tanto para fazer! E a vida começa a fugir-nos, os anos passam tão depressa…”, em “Férias com Salazar”, Christine Garnier. É… insatisfatória: “Salazar debruça-se sobre o conjunto de realizações, e desabafa com alguns íntimos: ‘o país não tinha quase nada, foi preciso fazer tudo desde o zero em quase todos os domínios. Como temos trabalhado na medida dos nossos recursos, pulverizámos estes em mil miudezas, indispensáveis e úteis no conjunto, mas miudezas. Não deixaremos nada de grande’”, em “O ataque”, Franco Nogueira [6]. É… o que houver. Terça-feira, 9 de novembro de 1982, “no âmbito salarial, os aumentos europeus situam-se entre os 6 e 7 por cento, pelo que a solução que o Governo terá de encontrar não agradará nem a gregos nem a troianos. Esta ideia foi expressa por Pinto Balsemão, esta manhã no fim da reunião de trabalho com o presidente da República em Belém. Pormenorizou que o Governo tem tido discussões com os sindicatos, ‘nomeadamente com a UGT, e associações patronais’ no sentido de se encontrar uma norma salarial que ‘evite a aceleração da desvalorização deslizante do escudo’”.
Quinta-feira, 18, Mota Amaral, presidente do Governo Regional dos Açores, no afrancesado Palácio de Santana, enrolha-se: “prefiro não falar de certas coisas. Sabe, não queria escaqueirar isto, mais do que já está, e vir a desempenhar um papel nesta peça que, como sabe, tem aspetos de tipo revisteiro” [7]. No final de 1982, o Governo de coligação da AD esfarinhava-se: “as tensões são evidentes e óbvias. Mas há solução melhor? – perguntou, antes de sublinhar que o novo Governo constitucional que aparecer terá pela frente o peso da crise económica com que nos debatemos e é igual em toda a Europa”. Quinta-feira, 2 de dezembro, às zero horas, a OCDE publicava o seu relatório anual sobre Portugal: “o desemprego chegará aos 9% no próximo ano, os salários reais continuarão a descer, a inflação manter-se-á acima dos 20% (22.5 para o ano em curso), o crescimento do produto não deverá ultrapassar os 2% (tal como este ano), o défice da Balança de Transações Correntes agravar-se-á (para 2,7 mil milhões de dólares, ou seja, 12,8% do PIB). (…). E a manutenção de um défice orçamental ainda significativo, representando 8,5% do PIB. (…). O relatório afirma que Portugal se arrisca a ser particularmente afetado por uma evolução desfavorável da economia mundial em virtude da fragilidade da sua economia no exterior e devido à forte dependência das remessas dos emigrantes para financiar a economia”.
Terça-feira, 7, “recomenda a EDP. Toca a poupar energia. Com as albufeiras a um nível de 40% e a falta de centrais térmicas para a produção de energia, a EDP recomenda moderação nos consumos, sustentando no entanto que as iluminações de Natal não são propriamente desperdícios energéticos. Num apelo nacional à poupança, responsáveis da Eletricidade de Portugal afirmam que cerca de 22% dos consumidores foram abastecidos durante a seca que se tem vindo a agravar nos três últimos anos – fenómeno que ocorre uma vez em cada século – por, energia importada, ou recurso à térmica, que envolveu a compra de fuel oil. Daí a EDP (o país) ter despendido cerca de 37 milhões de contos em divisas”. Enevoado futuro [8].
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[1] Numa sociedade anterior à televisão Marques Mendes seria um patetinha, nos ecrãs, em 2013, a cores, é um analisador gabaritado: “na prática, o Tribunal Constitucional considerou que setor público e privado, na prática, são iguais. Ora isto é um disparate. Aqueles senhores juízes podem ser muito inteligentes, muito brilhantes, mas acho que não percebem uma coisa óbvia, veja só este exemplo, uma empresa que ‘tá em dificuldade, o que é que o empresário faz quando há rotura? Despede. No Estado não é possível despedimento, e portanto são diferentes, deviam ser tratados de forma diferente”.
[2] Prometia Passos Coelho coelho, não gato, na campanha eleitoral de 2011: “eu não sei quantos ministros precisam de carro com motorista” … “no dia em que todos eles dispensarem os altos gamas, aqueles que estão abaixo deles, perceberão que ainda têm de fazer mais sacrifícios” … “eu não quero ser primeiro-ministro a qualquer preço, quem quiser TGV e mais auto-estradas e mais benefícios escondidos e mais aparelhismo e mais amiguismo e mais batota em Portugal, vote no engenheiro Sócrates”.
[3] Enquanto a SIC transmitiu o “Buéréré”, (1993-95), apresentado pela Ana Marques, Eduardo Catroga foi ministro. Um grandíssimo ministro das Finanças de Cavaco Silva. Engrandeceu a dívida pública de 55,8 para 60,9 % do PIB. Entrou na História Económica Mundial por em 1994 ter penhorado o estádio das Antas e a sanita do balneário dos árbitros por dívidas fiscais do F.C. Porto. Foi condecorado pelo ex-patrão em 2006 com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Em 2011, Catroga pedia para os outros que não para si: “esses jovens, deviam deviam, na minha ótica, independentemente do sucesso jurídico, que às vezes depende de aspetos formais, deviam de pôr o Governo em tribunal. E deviam responsabilizar o primeiro-ministro [José Sócrates] por pelo por um conjunto de erros e de ocultação e de não ter falado a verdade aos portugueses” … “podemos ter mais impostos sobre o consumo. Mas devemos ter simultaneamente menos impostos sobre o rendimento. Podemos racionalizar benefícios ou racionalizar um mix do grupo de produtos do IVA, onde se aplica a taxa reduzida, taxa média e taxa normal. Isso é, reestruturar, não é aumentar” … “a minha geração tem essa obrigação, deixar um Portugal, infelizmente não vai deixar um Portugal melhor, do que aquele Portugal quando eu estava no Governo, mas, pelo menos, com uma esperança no futuro” –, falava após a vitória dos seus nas eleições legislativas, voz embargada, lágrimas nos olhos, condição fisiológica de incontinência glandular da velhice.
[4] No final da Primeira Guerra Mundial as finanças portuguesas estão de pantanas, há uma colossal desvalorização da moeda, a libra valia 7$50 em 1914 e 127$40 em 1924, há assaltos a estabelecimentos de géneros alimentícios, os golpes militares são frequentes. Liberato Pinto, chefe de Estado-Maior da Guarda Nacional Republicana, governa entre 30 de novembro 1920 / 2 de março 1921, a sua demissão e condenação a um ano de detenção provocou uma sublevação no dia 19 de outubro de 1921, chefiada pelo coronel Manuel Maria Coelho, conluiado com os oficiais da GNR Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos, e o capitão-de-fragata Procópio de Freitas. O chefe do Governo, António Granjo, demite-se às 10:00 horas, Lisboa fica pacificada e o país sem Governo, o presidente da República, António José de Almeida, recusa-se a empossar a Junta Revolucionária. Ao cair da noite, uma carrinha, sob comando do cabo da marinha Abel Olímpio, o Dente de Ouro, sai do Arsenal da Marinha, percorre a cidade, prendendo políticos sidonistas, conduzindo-os ao Arsenal onde serão mortos, é a camioneta fantasma. “A camioneta continuou a sua marcha sangrenta, agora em busca de Carlos da Maia, o herói republicano do 5 de outubro e ministro de Sidónio Pais. Carlos da Maia inicialmente não percebeu as intenções do grupo de marinheiros armados. Tinha de ir ao Arsenal por ordem da Junta Revolucionária. Na discussão que se seguiu só conseguiu o tempo necessário para se vestir. Então, o cabo Abel Olímpio, o Dente de Ouro, agarrou-o pelo braço e arrastou-o para a camioneta que se dirigiu ao Arsenal. Carlos da Maia apeou-se. Um gesto instintivo de defesa valeu-lhe uma coronhada brutal. Atordoado pelo golpe, vacilou, e um tiro na nuca acabou com a sua vida. A camioneta, com o Dente de Ouro por chefe, prosseguiu na sua missão macabra. Era seguida por uma moto com sidecar, com repórteres do jornal Imprensa da Manhã. Bem informados como sempre, foram os próprios repórteres que denunciaram: ‘rapazes, vocês por aí vão enganados… Se querem prender Machado Santos venham por aqui…’. Acometido pela soldadesca, Machado Santos procurou impor a sua autoridade: ‘esqueceis que sou vosso superior, que sou Almirante!’. Dente de Ouro foi seco: ‘acabemos com isto. Vamos’. Machado Santos sentou-se junto do motorista, com Abel Olímpio, o Dente de Ouro, a seu lado. Na avenida Almirante Reis, a camioneta imobiliza-se devido a avaria no motor. Dente de Ouro e os camaradas não perdem tempo. Abatem ali mesmo Machado Santos, o herói da Rotunda”. Também foi fuzilado o coronel Botelho de Vasconcelos, não caçaram o ministro da Marinha, Pais Gomes, prenderam o seu secretário, o comandante Freitas da Silva, que foi morto a tiro à porta do Arsenal. António Granjo refugia-se junto do líder da ala esquerda do republicanismo, Francisco Cunha Leal, chibado por uma porteira, a casa é cercada, cerca das 21:00 um oficial da marinha confirma que levará Granjo para bordo do navio Vasco da Gama. Cunha Leal acompanha-o, sobem para a camioneta, o seu destino não é um porto seguro, será o Arsenal. No Terreiro do Paço marinheiros e militares da GNR apupam e querem matar Granjo, Cunhal Leal protege-o. São separados no pavilhão dos oficiais, um dos revoltosos dispara três tiros ferindo gravemente o deposto presidente do Governo. Transferem-no para o posto médico. Uma turba de militares da guarda e marinheiros irrompe no quarto de Granjo e descarrega as armas e um corneteiro da GNR espeta-lhe um sabre no bucho: “venham ver de que cor é o sangue de um porco!”.
A razão para esta matança seria uma explosão de paixões pela frustração com o regime, a República prometera bacalhau a pataco e trouxera instabilidade, miséria e depressão. No enterro de António Granjo, Cunha Leal: “o sangue correu pela inconsciência da turba – a fera que todos nós, e eu, açulámos, que anda solta, matando porque é preciso matar. Todos nós temos a culpa! É esta maldita política que nos envergonha e me salpica de lama”. E Jaime Cortesão: “sim, diga-se a verdade toda. Os crimes, que se praticaram, não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa”.
[5] Pietro Umberto Acciarito (1871-1943) foi o segundo anarquista que tentou matar Umberto I, rei de Itália, próximo de Roma, no dia 22 de abril de 1897. Acciarito “é de uma família muito pobre, Pietro não pode prosseguir os estudos e permanece num estado de semianalfabetismo. Por causa das dificuldades económicas familiares decide emigrar para Roma para encontrar trabalho. Na capital consegue abrir uma pequena oficina onde trabalha como ferreiro, mas o trabalho escasseia e Pietro não se sai bem. Começa a frequentar os ambientes socialistas e anarquistas, mas não é muito conhecido e muitos nem sequer o consideram anarquista. No dia 20 de abril de 1897, Acciarito fecha definitivamente a loja e visita o pai anunciando-lhe que seria a última vez que o veria. Condenado a prisão perpétua, sofreu o mesmo tratamento de Giovanni Passannante, encerrado numa cela sem luz e em rígido isolamento, enlouqueceu e morreu no manicómio de Montelupo Fiorentino. Acciarito declarou: “o atentado que fiz, primeiro que tudo não é uma conspiração e não fui pressionado por ninguém, mas fi-lo porque estava na miséria. Eles atiram os milhões em África e o povo tem fome porque lhe falta trabalho. É esta a questão: é a pobreza”.
[6] Em 1 de março 2013 o ministro da Finanças Vítor Gaspar: “terem alcançado as bases indispensáveis para um novo ciclo de prosperidade, quer por meio de reformas estruturais, quer pela estabilização do sistema financeiro, quer ainda pela consolidação orçamental estrutural, Portugal consegue agora perspectivar a saída da crise”.
[7] Em 1980 Mota Amaral: “entendo por isso, não se justificarem alguns temores que por aí circulam, acerca do futuro da nossa experiência de Governo próprio e do nosso processo de desenvolvimento, na fase de estabilidade política nacional decorrente das eleições de 5 de outubro [maioria absoluta de Sá Carneiro], aliás para alguns dos que mais os alardeiam, esquecidos que há bem pouco emprestavam o rosto e o braço às forças mais despudoradas de opressão centralista, tais temores não passam de rematada perfídia. Quem até aqui tão firmemente nos apoiou, Sá Carneiro e o Governo a que preside, o partido social-democrata e a atual maioria parlamentar, passará agora a desprezar-nos? Quem a nosso lado travou duras batalhas, desde os tempos do domínio gonçalvista, deixaria-nos agora sem defesa? Ou pior ainda, apunhalar-nos-á pelas costas? Bem pobre conceito da política e dos políticos, homens na sua ação subordinados a critérios éticos, fazem os que reduzem as questões do Estado, aos jogos malabares de aritmética parlamentar”.
[8]Blurred Lines” (2013), Robin Thicke, T. I., Pharrell Williams: “What do they make dreams for / When you got them jeans on / What do we need steam for / You the hottest bitch in this place”. Vapor demasiado quente que o YouTube proibiu. – A morena no vídeo é Emily Ratajkowski 1,70 m, 52 kg, 90-61-86, sapato 34, olhos castanhos, cabelo castanho, supermodelo e atriz polaca americana, nasceu em Londres a 27 de abril de 1992 e cresceu em Encinitas, Califórnia. {Treats! Magazine}∙{Frederick’s of Hollywood}∙{Tom Kelly for GQ}∙{XOXO girls}; anúncio aos hambúrgueres Carl’s Jr. & Hardees c/ Sara Underwood; Ratajkowski foi Tasha, namorada de Gibby, em dois episódios da série iCarly (2007-2012). – A loira é Lindsey Gayle Evans, 1,78 m, 57 kg, 86-60-91, olhos castanhos, cabelo loiro, ex-namorada de Deadmau5, playmate do mês de outubro 2009.

na sala de cinema

Belles, blondes et bronzées” (1981), de Max Pécas: “Marc e Alain são dois amigos que se envolvem involuntariamente numa cena de assalto ficando com o saque. Perseguidos pela polícia, assim como pelos verdadeiros ladrões, que querem recuperar o fruto da sua malfeitoria, eles misturam-se num grupo de bailarinas que partem em tournée num grande hotel turístico do Magreb”. Um filme da fase “orçamentos raquíticos, piadas muitas vezes pesadas e repetitivas, atores conotados, raparigas desnudas”. Max Pécas (1925-2003) “começa a carreira em meados dos anos 50, como assistente em numerosos filmes que foram realizados nos estúdios ao redor de Nice e Cannes. Mais tarde, muda-se para Paris, onde se estreará como realizador em 1959 com ‘Le circle vicieux’. Incapaz de romper com a influência de alguns mestres (Fellini, Hitchcock), os primeiros filmes de Max Pécas não têm ainda a plena pujança que atingirão no seu apogeu (1977-1986). No entanto, sobre uma moldura de ‘polar’ [mistura de film noire e ficção policial] ele já adiciona o seu saboroso toque pessoal, quer dizer, um mínimo de enredo por um máximo de eficiência, tudo polvilhado de algumas cenas marotas”. Nesta fase, nos anos 60, estimula ele a carreira de Elke Sommer, 1,70 m, 91-55-91, 56,6 kg, com os papéis principais em “De quoi tu te mêles Daniela?” (1961) e “Douce Violence” (1962). “A partir de ‘La baie du désir’ (1964), os seus filmes comportam cada vez mais nudez e atividade sexual mais ou menos discreta. Então, todo o cinema erótico que prevalecia depois de uma década, em 1970, aciona a inevitável enxurrada de pornografia. Max Pécas e José Bénazéraf foram os ativistas de vanguarda desses ‘filmes de cu’. Com ‘Je suis une nymphomane’ (1970), Max bate forte realizando a união perfeita entre erotismo desenfreado e estudo psicológico das nossas zonas obscuras”.

no aparelho de televisão

MacGyver” (1985-1992), estreia na RTP1, domingo 24 de setembro de 1989, pelas 19:00 horas. O engenhoso herói dos anos oitenta, nado em Mission City no Minnesota em 1952, que equipado de um canivete suíço, muita fita adesiva e bagagem científica na área da química, terá sido o precursor da fação operacional do terrorismo [1] pelas industriosas ideias de, vulgares produtos de cozinha ou drogaria, fabricar bombas e explosivos. No episódio piloto, Barbara Spencer (Darlanne Fluegel): “não me digas que sabes fazer uma bomba com pastilha elástica?”, Mac: “porquê? tens aí alguma”, ele fará a bomba com sódio metálico. Os primeiros episódios continham muitas referências ao cinema e até os seus beijos eram cinematográficos, depois o herói, que detesta alturas, armas e boxe, fã de hóquei no gelo e corridas de carros, parou o chocho pelo pedagogismo e a série reconverteu-se aos temas candentes: ecologia, democracia, racismo, culturas autóctones, violência juvenil, droga, terror nuclear, biológico… [2].
“Thief of Budapest”, Mac: “sal, açúcar e pesticida, não gostaria de o comer mas o resultado final deve ser dinamite”; o episódio cita o filme “Italian Job” (1969), na cena da fuga em Minis; no final trocam presentes, Mac oferece o seu canivete suíço, Jana (Kelly MacClain) dá-lhe a medalha de São Dimas, o patrono dos ladrões, que traz ao pescoço. “The Heist”, Chris Rhodes (Doran Clark): “pareces o James Bond”, Mac (para o espelho): “sinto-me como o… James Bond”. “Trumbo’s World”, Mac: “que vida levo eu! Descer os rápidos nas montanhas nos Pirinéus num dia e no seguinte, atravesso o mundo para ajudar um amigo com um problema muito estranho, numa parte bizarra da Amazónia”, esse problema era formigas gigantes, Marabunta, uma referência ao filme “The Naked Jungle” (1954). “Last Stand”, Mac: “uma bicicleta de corrida é feita de magnésio: leve, resistente e inflamável. Quando o desfazemos em pó, juntamos óxido de ferro, a ferrugem, mistura-se, comprime-se, e faz-se um maçarico de uma bicicleta cara. E temos uma faca quente a cortar manteiga”. “Target MacGyver”, Mac estivera no Médio Oriente a explodir uma central nuclear, Barney (William Frankfather): “o contrato foi lançado no dia seguinte. Contrataram o Axminster”, Mac: “ele matou o xeque Hussein?”, Barney: “a meio das orações, mandou-o diretamente para Alá, e mandou mais 37 pelo caminho”. “Nightmares”, Mac: “é um facto conhecido que 80 decibéis de água a correr, é um dos sons mais agradáveis para o ser humano”. “Flame’s End”, Mac: “o passado é um local estranho. Voltamos lá e não nos reconhece. Eu mudara em sentido de que nem me tinha apercebido, e se eu era um estranho, também a Amy era. Em tempos, éramos um só, a Amy e eu naquele tempo, neste local, a Amy ficou, eu segui”; flashback da praia, banda sonora, “Crocodile Rock” de Elton John: “I remember when the rock was young”, ele chega de moto e blusão de cabedal. A ex-namorada, Amy Diane Austin (Tannis G. Montgomery): “ainda me lembro do teu gosto”. Idiossincrasia de Mac (para os seus botões): “detesto alturas e abomino armas”. “Countdown”, o amigo e patrão Pete Thornton, nascido em 18-12-1933, Mac: “tenho um contrato com o gabinete de Peter Thornton que me permite aceitar apenas as operações que quiser”. “The Enemy Within”, indução de um ataque de coração, Mac: “o ácido atípico num composto que inclui a hexametilenodiamina, vamos ver, a solução contém uma certa quantidade de partículas de ferro, vou ativar um campo magnético e transformar os químicos em nylon, bom para as meias das senhoras e para entupir artérias humanas”. “Every Time She Smiles”, Mac conhece, na Bulgária, na bicha do aeroporto, aquela que o espectador tomará por sua namorada, no sex please, uma cachopa natural do Iowa, Penny Parker (Terri Hatcher): “americano?”, Mac: “sim”, Penny: “não sabe como é bom ver alguém do nosso país. Aqui só há estrangeiros”, Mac: “estrangeiros?”, Penny: “claro, olhe à volta. Há mais de um mês que não falo com um americano. Achei que seria o máximo viver aqui, mas acredite, não é. Principalmente porque não falo a língua. Sou Penny Parker. É fácil de lembrar porque começam os dois pela mesma letra. No teatro, isso é muito importante”, Mac: “sim?”, Penny: “claro, pense lá. Farah Fawcett, Tina Turner, Marilyn Monroe”, Mac: “Penny Parker”, Penny: “percebe depressa”. Penny: “claro que Penny Parker não é o meu nome verdadeiro, mudei-o quando comecei a fazer desfiles e também não foi mau para a carreira de dançarina, na verdade, foi o que me trouxe aqui, a dança, digo”. Penny estava em fuga do ex-namorado, o major Stepan Frolov (Kai Wulff) da segurança do Estado, sobrinho do general Petrovich (Milos Kirek), ao avistar o major mete as jóias no bolso de Mac, terminam na esquadra vestidos de amarelo. Penny: “eu sou uma grande mulher?”, Mac: “tens todas as qualidades”, Penny: “é a coisa mais querida que alguém me disse”, Mac: “tu és a pessoa mais querida a quem já disse”, e dá-lhe um beijo rápido “é para dar sorte”, ela corresponde lábios espojados, Penny: “precisamos de toda a sorte que consigamos”. Mac: “a química da cozinha deve ser a melhor solução. A minha receita precisa de um tacho fundo, uma pitada de raticida, quatro medidas de detergente em pó, tudo acompanhado com limpa-azulejos e deixar fermentar… agora o que preciso é tempo para arranjar um pavio. Uma saudável dose de banha serve para começar, coberta com uma folha simples do jornal, enfeitada com cristais do limpa-fornos. Deixa-se marinar tudo debaixo de uma fonte de gás baixa”. “Ugly Duckling”, Mac: “aviação federal? fala Macgyver do DXS (Department of External Services), identificação n.º X-C 4479”. “Slow Death”, Mac: “uma das melhores maneiras de entrar na mente de um homem é através do corpo dele… um ser humano pode tentar mentir, mas o mais curioso é que o corpo tem sempre forma de dizer a verdade. Basta calibrar o seu equipamento médico, juntar-lhe um despertador e faremos um tradutor” … “quando mentimos, a tensão sobe e suamos, a transpiração cria uma condutância e faz tocar o despertador, assim”. “A Prisoner of Conscience”, improvisação de uma gazua, Mac: “todas as lâmpadas têm filamentos de tungsténio, dois fios de metal do tamanho e forma ideais”. “The Human Factor”, Mac: “se James Bond tem uma missão é na Riviera e repleta de biquínis, eu acabo num fim do mundo, cortesia do meu amigo Pete Thornton, o novo diretor de operações da Phoenix Foundation”. A Phoenix Foundation for Research é um think tank de Los Angeles, 56 H South Soring St. 555-4675, telefone: 5553493. “The Eraser”, a paixão de Mac: “um homem disse, em tempos, que se metera numa briga e acabou num jogo de hóquei. Quando eu era garoto, era conhecido como um rato do ringue, era o primeiro a entrar no gelo e o último a sair”. “Twice Stung”, Joanne Remmings (Pamela Bowen): “ouvi falar de si. É o tipo das jigajogas, sabe macgyverismos, transforma uma coisa noutra”. Mac: “dá-me uns ganchos”, Joanne: “ganchos? Claro…”, Mac: ótimo. Empreste-me isto (lenço que ela traz em volta do pescoço a fazer de gravata) e dois botões… Podem ser três”, Joanne: “outro macgyverismo?”, Mac: “empresta-me os teus óculos, por favor”, Joanne: “são teus”, Mac: “obrigado”, Joanne: “o que fazemos agora?”, Mac: “tu já fizeste” (de uma totó de laboratório agora uma sensual doutora loira). “Jack of Lies”, o grande amigo, Jack Dalton, solitário, aventureiro, mentiroso, ladrão. Mac: “não via o Jack Dalton há cinco anos. Ele, Mike Forrester e eu parecíamos três mosqueteiros depois da faculdade, calcorreámos a Europa toda”. Jack (Bruce McGill): “agora tenho uma empresa própria. Jack Dalton, único dono da linha aérea noturna Flight By Night ao seu dispor, a linha aérea por excelência para bandidos, escumalha e toda a tralha”. Jack treme o olho direito quando mente e tem uma frase: “não te preocupes, tenho um plano”. “The Road Not Taken”, outra ex-namorada, Mac: “tínhamos algo bonito, quero saber porque partiste?”, Debra Easton (Marilyn Jones): “ias pedir-me em casamento”, Mac: “tu sabias?”, Debra: “não estava preparada para casar, não era a altura certa, Mac. Nenhum dos dois estava preparado”, Mac: “eu estava”, Debra: “foi há oito anos, já não somos os mesmos”, Mac: “claro que somos, continuo a gostar de hóquei e aposto que ainda gostas de picles molhados em queijo-creme, não é?”, Debra: “pensei que tinha deixado de pensar em ti, estava tão enganada”, beijo. Ela é freira. “Three for the Road”, Guy Roberts (Edward Mulhare): “no filme de 1945, ‘To Have and Have Not”, Lauren Bacall cantou a canção ‘How Little We Know’, a voz dela foi dobrada por que jovem de 14 anos?”, (eram 16 anos), June Roberts (Anne Rogers): “Andy Williams”. Mac: “tirar o enchimento de um Caddy era fácil. Usá-lo para impedir os tipos que nos seguiam, era outro assunto. A gasolina ia ajudar. Ajuda sempre que precisamos de uma explosão, como torci a parte de trás do tubo de escape, a explosão só tinha uma saída, para fora, e ia mandar a pega do volante do Guy pelos ares ao mesmo tempo, uma espécie de morteiro caseiro”. “Family Matter”, Mac: “sabes o que é metano?”, Michael Thornton (Scott Coffey): “o gás dos pântanos. Não sou químico mas sei que cheira mal e arde”, Mac: “também explode se estiver confinado. Se metermos gás do pântano num recipiente fechado, fazemos uma pequena bomba. E para recipiente…”, Michael: “cana de bambu para fazer bombas?”, Mac: “podes crer, é oca e é estanque, corta algumas com um, um metro e vinte, depois faremos os nossos foguetes”. “Soft Touch”, Mac: “uma lei básica da física afirma que quando algo aquece, se expande, em palavreado bonito chama-se-lhe o coeficiente volumétrico de expansão, ou dito de uma forma mais simples, o que aquece, aumenta e com sorte fará rebentar o cadeado”. “Birth Day”; Mac: “as moléculas de hélio são as mais pequenas de todos os gases, sairiam pelas costuras do saco como fumo num painel de rede, ensopando o saco, a tensão da água na superfície selaria os orifícios do teto”. “Out of the Cold”, Pete Thornton (Dana Elcar): “tofu? Não consigo comer milhares de feijões desfeitos em papa”, Mac: “tudo bem, o que queres?”, Pete: “comida chinesa? Eu ligo ao Fang Loo’s e pago eu se fores lá buscá-la”, Mac: “está bem, mas diz-lhes para não meterem glutamato de sódio”. “Partners”, o arqui-inimigo Murdoc, dificil de morrer, Mac: “fazia hoje 7 anos que tinha conhecido Pete Thornton e passara a manhã a seguir as instruções de aniversário que Pete me enviara. Ele pedira-me para arranjar uma lupa retangular e levá-la ao ferro-velho do Adler’s, às 8 em ponto”. Mac: “Pete, recordas o que aconteceu, faz hoje 7 anos?”, Pete: “sim, foi quando nos conhecemos”, Mac: “perseguindo o Murdoc”, Pete: “Murdoc? Está morto, morreu quando aquele edifício colapsou”. Murdoc (Michael des Barres): “acabou. Lembras-te de Lisboa?”, Pete: “sim, quase te apanhei!”, Murdoc: “quase, mas neste jogo o quase não conta”. Mac: “o tubo de escape é ferro ferrugento, a lata é alumínio e a bateria ainda tem ácido” … “o óxido de ferro e as aparas de alumínio devem gerar calor suficiente para fazer explodir a bateria”. “Bushmaster”, Mac: “as claras de ovo são boas para muita coisa: tarte merengada de limão, suspiros e para vedar radiadores. A ideia é a água do radiador cozinhar os ovos até taparem temporariamente os buracos. Isto se os buracos não forem muito grandes” [3]. “D.O.A.: MacGyver”, Mac: “o ácido muriático é usado para limpar algas dos cascos dos navios, junta-se-lhe amoníaco e a reação é… interessante, para não falarmos, é claro, do cheiro. Há que ter cuidado quando manuseamos químicos, todos podem ser relativamente mortais, mas misturados, neutralizam-se e obtém-se uma névoa química instantânea”. “For Love or Money”, Diana Rogers (Deborah Adair): “tu é que trataste da fechadura da embaixada com um filamento de lâmpada e o chumbo de um lápis. Também causaste um curto-circuito num sistema de alarme com a prata de uma pastilha elástica e meio limão, vá lá…”. Mac: “carvão medicinal, espalhado no ar, cria uma bela nuvem de pó sujo, só me faltava um modo de a espalhar” … “a ideia que estava a magicar era usar a casca das batatas como primeiro detonador. O problema era arranjar alguém que o ativasse” … “comprimidos de nitroglicerina para problemas de coração servem perfeitamente, cada comprimido contém uma medida certa de nitroglicerina, a melhor opção era esmagar os comprimidos até os desfazer, junta-se-lhe um pouco de álcool”. “Lost Love”, outra ex-namorada, Mac: “Lisa Kohler, há dois anos, na costa do báltico, era o meu contacto num grupo de resistência clandestino. Foi tudo muito oficial e cristalino, até se tornar pessoal, no pior local e momento para nos apaixonarmos, mas foi exatamente o que aconteceu, até sermos destacados para fazer explodir um arsenal secreto. Tentei impedir que Lisa fosse, mas ela insistiu, argumentou que a informação e o trabalho eram dela, seria o último, na verdade. Tinha tratado de tudo para ela regressar a casa comigo, mas primeiro tínhamos que executar a missão, colocando explosivos em dois locais separados implicou que corrêssemos ambos perigo e me preocupasse imenso”. Lisa (Elyssa Davalos): “fui baleada, sim. Fiquei gravemente ferida mas sobrevivi, MacGyver”, Mac: “mas nunca me disseste nada, porquê? o que aconteceu?”, Lisa: “mandaram-me para um gulag”. “Jack in the Box”, Mac: “é apenas uma ilusão, Pepe. Vamos simular uma fuga de gás com a mesma reação química que ilumina estes capacetes, não faz mal a ninguém mas é muito eficaz. Quando se mistura carbureto com água, cria um gás inflamável chamado acetileno”, Pepe Sanchez (Daniel Faraldo): “como o que usam para soldar?”, Mac: “nem mais, a minha ideia é usar este sílex na cabeça do martelo, criar uma nuvem espessa de gás, fazer uma faísca e estamos lançados”. “Blow Out”, Mac: “a minha busca do remédio para a gripe deu numa tentativa de evitar um assalto. Lembrei-me que gás lacrimogéneo caseiro vinha a calhar” … “uma pitada das especiarias certas, um pouco de bicarbonato de sódio, um pouco de vinagre e temos a receita para uma surpresa muito desagradável”. Neste episódio, Nicole “Nikki” Anne Carpenter, – telefone: (818) 555-3082, data de nascimento: 30-05-59, Washington DC, Cidadania: EUA, Altura: 1,79 m, Peso: 46,7 kg, Estado civil: viúva, Marido: Carpenter, Adam, morto num carro-bomba, W. Virginia, 03-01-85, Morada: 2723 Forster Lane apt. 206 Los Angeles, CA 90068 –, é contratada, Pete: “parabéns, bem-vinda à Phoenix Foundation”, Nikki (Elyssa Davalos): “obrigado”, Mac: “compreendes que não significa de todo que trabalhemos juntos”; Nikki: “claro que não”; Mac: “não é nada contra ti, atenção, mas temos métodos diferentes”; Pete: “meninos…”; Nikki: “é verdade, eu sou uma profissional e tu vais desenrascando as situações”. “Thin Ice”, Mac: “como a maioria dos miúdos do Minnesota aprendi a patinar antes de saber andar. Quando o meu antigo treinador me enviou um pedido de ajuda, aproveitei a oportunidade de volta a casa e acompanhar a equipa às eliminatórias dos campeonatos. Os Raiders lutaram ao longo de uma temporada difícil para estarem entre os melhores, contra os Waverly Hawks, eu só tinha de os manter na linha”. “The Negotiator”, uma inimiga, Deborah (Kristian Alfonso) estuda-o, “Sujeito: MacGyver, Perfil: solitário, atlético, artístico, inteligente, Rotina: Phoenix Foundation, aulas de arte, voluntariado com deficientes, causas ambientais, Vida amorosa: ???, Opções: #1: comprá-lo? #2: assustá-lo? #3: amá-lo?” #4: matá-lo?”, episódio com a música “Eau d’Leo”, composta por Richard Dean Anderson. “Mask of the Wolf”, condução de trenó de cães, Mac: “hike é para avançar, gee à direita… haw é esquerda?”, Anna Lightfoot (Marianne Jones): “tem boa memória”, Jack: gee haw? Gosto… e para parar?”, Anna: “basta dizer whoa e atirar isto à árvore mais próxima”. “Rock the Craddle”, Mac: “eu tenho um pesadelo recorrente. Estou num concurso televisivo e a dos 100 mil dólares é: qual é o oposto da Swiss Air? E antes de sequer pensar, respondo a Dalton Airways. O sonho de Jack Dalton, o meu pesadelo e, de momento, estamos ambos a vivê-lo. Ele escolheu este chaço velho num leilão policial do México, com o preço mínimo, claro, até os traficantes de droga desesperados têm padrões para transportes aéreos, mas não Jack, ó não”. “The Endangered”, outra ex-namorada, Mac: “vim visitar Karen Miller. Tínhamos tido uma relação na faculdade, mas após um par de anos juntos, ela estava preparada para algo mais permanente, eu não, por isso, segui em frente, ela vestiu o uniforme de guarda-florestal”. Park ranger Karen (Moira Walley-Beckett): “exite um Sam. Sam Sheehan. É um dos guarda-florestais, um tipo formidável, não contavas voltar à minha vida passados 3 anos, pois não?” … “o Sam sabe que estás aqui. Contei-lhe tudo, e também lhe disse que não se preocupasse, que agora és apenas um amigo, passaste um mau bocado e precisas de umas fériazinhas, não é verdade?”, Mac: “sim! claro!”. “Murderer’s Sky”, Mac: “ele está de gravata”, Pete: “que mal tem uma gravata?”, Mac: “é uma gravata”. “The Secret of Parker House”, Penny: “hmm chocolate, menta e cobertura de banana? Até te lembraste do que mais gosto!”, Mac: “sim, quem poderia esquecer uma combinação destas?”. “Blood Brothers”, a cidade natal de Mac, Mission City, população 42 597, Mac: “as decisões que fazemos moldam a nossa vida. Quando eu era miúdo, tomei uma má decisão sobre uma arma e a minha vida nunca mais foi a mesma. Agora estava de volta 25 anos depois, para cumprir uma promessa que eu tinha de cumprir, por mais que me custasse”. A sua casa é agora uma Golden Years Nursing Home. “Collision Course”, Mac: “no 8º aniversário, o meu avô Harry levou-me na sua carrinha azul direito à reta atrás da quinta Clemens, pôs-me as mãos no volante e carregou a fundo no acelerador. Nunca esquecerei o som do vento a fustigar-me as orelhas. O ponteiro vermelho a tremer depois dos 145 km/hora. O volante a tremer-me nas mãos, apanhei um susto de morte e achei que não havia nada mais emocionante no mundo” … “desde então sou um apaixonado pelas corridas”. “The Survivors”, Pete: “yuh, se tivéssemos maneira de revelar as fotografias, temos?”, Mac: “vou precisar de ácido da bateria, que posso arranjar no avião, brometo de potássio, bicarbonato…”, Pete: “isso arranja-se no kit de primeiros socorros”, Mac: “cápsulas de amónia, também deve haver no kit, e posso usar o sumo de uma das tuas laranjas”. “Cleo Rocks”, cartaz anuncia: “Gala Premiere Friday Nite! Jacques Leroux presents Cleo Rocks a new rock opera starring Penny Parker”; Penny sai de um sarcófago e canta Cleo Rocks: “I’m the queen of the pyramids / and I rule the Nile / I’m the queen of snake / why don’t you stay for a while”. A produção da ópera rock fora um estratagema de Murdoc para apanhar Mac. Pete: “sabes o que é a periplaneta americana?”, Murdoc: “deveria saber?”, Pete: “é a barata vulgar, é o que tu és”. “Fraternity of Thieves”, conflito de gerações no conceito de traição à pátria, Pete Thornton: “Michael, talvez o tenhas feito pelo dinheiro, talvez por me quereres magoar, mas não compreendo como perdeste a capacidade de distinguir o certo do errado”, Michael Thornton: “ainda existe um certo e um errado, pai? o mundo em que viveste não era a branco e preto. Toda a vida disseste que operavas numa área cinzenta”, Pete: “fiz o que fiz, dentro da lei! Fi-lo pelo meu país!”. “The Battle of Tommy Giordano”, Mac: “álcool, amoníaco e ácido do descalcificador, se conseguir ter corrente, deve bastar para incendiar o álcool, depois de arder o resto fará uma cortina de fumo, depois disso estamos por nossa conta”. “Runners”, flashback de quando um polícia informava, o avô, Mac tinha 7 anos, da morte da sua avó e do pai, “sr. Harry Jackson?” … “a sua mulher é Celia Jackson e o genro é James MacGyver?” … “lamento dizer-lhe, houve um acidente, o carro saiu da estrada e caiu no Muller’s Creek, afogaram-se os dois”. Mac: “a minha mãe morreu de um ataque cardíaco. Na altura estava no Afeganistão numa missão, não soube até ao dia do funeral, nem tive oportunidade de me despedir dela”. “Gold Rush”, Natalia (Colleen Winton): “MacGyver, passaram 5 anos não pareces feliz em voltar a ver-me”, Mac: “tens razão! Não estou”. General Sergei Barenov (Walter Gotell): “esta é a dra. Natalia Velskaya, ministra da Economia”. Natália: “ MacGyver porque não descontrais? Não sou a Mata Hari”. “Renegade”, dr. Kozby (Stephen Furst): “observem, bacillus anthracis, conhecido como anthrax, uma das bactérias mais fáceis de fabricar”. “Unfinished Business”, a inimiga que falhou a morte de Mac, Deborah (Kristian Alfonso): “fizeste-me falhar, pela primeira vez na minha carreira. Passei os últimos dois anos na prisão a tentar perceber porquê?”, Mac: “e a que conclusão chegaste?”, Deborah: “paguei o preço, deixei interferir os meus sentimentos. Sempre encontrei algo que odiar nas minhas vítimas. Facilitava-me o trabalho. Fazia toda a diferença. Foi por isso que ganhas, MacGyver, porque não encontrei em ti nada que odiar”. Dependurada num precipício, Deborah: “ajuda-me por favor, não me deixes morrer. Agarraste-me?”, traiçoeiramente esfaqueia Mac e cai mesmo, Mac: “não percebo, estava a segurá-la, ela estava salva”. Pete: “lembrei-me da antiga fábula do escorpião e a tartaruga. O escorpião queria atravessar o rio mas não sabia nadar e pediu à tartaruga se podia atravessar em cima das costas dela. A tartaruga achava que nada tinha a recear porque o escorpião não ia picá-la, ou afogavam-se os dois. E disse, claro, sobe e eu levo-te ao outro lado. A meio do rio o escorpião picou-a, e enquanto se afundavam, a tartaruga virou-se para o escorpião e perguntou: porquê? Porque o fizeste? Agora morremos os dois. E sabem qual foi a resposta do escorpião? Porque está na minha natureza”. “Legend of Holy Rose”, uma vizinha, Zoe Ryan (Lise Cutter): “lembras-te de mim, MacGyver? Já passou um tempo, pensa, Mission City, Minnesota, eras finalista do liceu, eu estava no 7º ano, éramos vizinhos”. “Cease Fire”, Danielle (Claudia Ferri): “porque é que a Phoenix Foundation patrocinou as conversações de paz? Porque não as Nações Unidas?”, Mac: “bem, por vezes, uma organização privada promove uma abordagem mais fresca, com menos burocracia”. “Children of Light”, Mei Jan (Michele B. Chan): “os estudantes, os meus camaradas da praça Tiananmen enviaram-me para a América, precisava de um lugar seguro para iniciar a minha missão, Su Ling falou-me de ti”. Mei: “a Su Ling ia fazer um discurso no auge do comício pró-democracia nessa noite e eu pedi a câmara de vídeo emprestada a um amigo, pelo caminho, juntámo-nos à celebração massiva da nossa nova inspiração, a deusa da democracia, como vêem o ambiente era festivo, corriam rumores de que o exército atacaria, mas não estávamos preocupados. Na noite anterior, 10 mil estudantes tinham-lhes oferecido comida e flores, mas estávamos enganados. Nesse dia, mais tarde, o exército chegou com tanques, quando a noite caiu, o ambiente mudou de repente, e começaram os problemas”. “Black Rhino”, no final do episódio: “eu sou Richard Dean Anderson, em 1989, existem menos de 4 mil rinocerontes negros vivos no meio selvagem, se nada se fizer, ao ritmo a que estão a ser mortos, estarão extintos no ano 2000”. “Two Times Trouble”, o rock contra a droga, canta Roxy Yeats (Audrey Landers) “Higher Life”: “life is short stay clean!”.  Eve (Babs Chula): “Roxy! Estamos a filmar um vídeo sobre drogas, sobre os malefícios do consumo, não tem cabimento os olhares sensuais e os sorrisos”. Pete: “és amigo de infância da Roxy, deve contar para alguma coisa”. “Log Jam”, Glass (Patrick Bishop): “a Yakuza tem um ditado: o vento não espera que a árvore se dobre”. Amy Chandler (Nancy Everhard): “MacGyver, Jack é o meu marido”, Mac: “ Amy e eu andámos juntos na escola, somos velhos amigos”. Glass: “abra bem os olhos, chama-se yubitsume. Cometi um erro uma vez e para provar a minha lealdade, o meu valor, cortei o meu próprio dedo, enquanto os oyabun assistiam”. “The Lost Amadeus”, Alice “Lulu” (Tamsin Kelsey): “quantos anos tens?”, Mac: “39”, Alice: “39 e nunca casaste?”, Mac: “e então?”, Alice: “das duas uma… ou tens pavor aos casamentos ou tens pavor aos compromissos”. “Tough Boys”, rap de G Love E: “os duros / ouve, chavalo / ouve com atenção / não queremos mais veneno / a rondar o nosso bairro / os duros, os duros / não te vão dar descanso / os duros, os duros/ traficantes, consumidores / deem todos um salto atrás”. “Harry’s Will”, o avô deixa-lhe em testamento um carro, um Chevy Nomad de 57, matrícula IBO-JKR, num episódio com Wendy O’ Williams, vocalista dos Plasmatics, como Big Mama: “afinfa-lhe”. MacGyver’s Women”, com Traci Lords como Jenny: “és tu MacGyver?”. Mac: “Jenny? Jenny!”, Jenny: “ usei o teu chuveiro novamente, espero que não te importes, fofo”. “Jerico Games”, ex-namorada, Mac: “Ellen?”, Ellen (Mary Ann Pascal): “há quanto tempo MacGyver”, Mac: “Ellen Stewart? Podes crer! Há quanto tempo?”, Ellen: “20 anos, no dia do fim de curso do liceu” … “já não sou a lorpa chata que chorou durante meses quando acabámos”, Mac: “não foi assim tão mau, pois, não?”, Ellen: “estás a brincar? Fiquei de rastos!”, Mac: “Ellen, estávamos no liceu, eu tinha 18 anos”, Ellen: “MacGyver, para. Tive 20 anos para te esquecer, enfim, não te esqueci, ainda és uma das minhas recordações preferidas”. Ellen: “tens alguém na tua vida, agora?”, Mac: “existe uma rapariga, está em missão da Phoenix”, Ellen: “é sério? Mac: “penso muito nela, mas se é sério… não sei”; é Maria Romburg (Brigitta Stenberg). “Eye of Osíris”, Beth Webb (Deborah Foreman): “aquela pedra é o que eu penso?”, Mac: “ um pedaço de meteorito, feito de silicato de alumínio e titânio, entra na atmosfera, atinge a terra e obtém-se…”, Von Leer (Kai Wulff): “corúndio, safiras, miss Webb, a maior que já vi, não admira que Alexandre a quisesse para ele”. “The ‘Hood’”, Mel (Adrian Sparks): “sinto falta dos anos 60, nessa altura, era um revolucionário, colocado entre as pessoas inocentes e a máquina política, isso continuou ao longo dos 70, e depois chegaram os anos 80, dei por mim a defender senhores da droga e traficantes de armas”. “Good Knight MacGyver”, Pete: “como eu disse ao MacGyver se alguém consegue descobrir a árvore genealógica é o dr. Irwin Malcolm”. Irwin (Colm Meaney): “o nome Macgyver desaparece algures no século XVII, mas o clã M’Iver recua até ao século XIV”, Mac: “há provas de que este clã M’Iver tenha algo a ver com a minha família?”, Irwin: “provas? Provas rapaz? Temos as indicações mais fortes. Falamos de uma época com uma população limitada, só a similaridade dos nomes M’Iver e MacGyver é bastante para indicar um parentesco. Mas além disso, o primeiro chefe do clã, registado no século XIV, Iain M’Iver, partilha o primeiro nome, do nome do século XVII, Iain MacGyver”. Mac: “acho que é uma imagem invertida, Iain escreveu ao contrário para se difícil de ler” … “‘caminha com amor, caminha a servir os outros e caminharás com honra meu abençoado filho… Angus’, o Malcolm tinha razão sobre tudo, temos o mesmo nome próprio”. “The Stringer”, Sean “Sam” A. Malloy (Dalton Jones): “Chung Tai Shan, é este aqui no meio, é dono de uma empresa de importação chamada Globalwide” … “há 10 anos, era o coronel Chung do Exército Vermelho chinês, quero denunciá-lo como assassino” … “vi-o, só tinha 9 anos, mas nunca esquecerei aquela cara” … “ele matou a minha mãe. A mãe era fotojornalista. Estava a trabalhar numa história sobre o movimento democrático na China. Instalámo-nos numa pequena aldeia perto de Beijing, uma noite houve uma reunião, vieram os soldados, a mãe obrigou-me a esconder”, Mac: “foi morta ao oferecer resistência”, Sam: “é a versão oficial. Como sabes?”, Mac: “conheci uma mulher morta na China, como se chamava a tua mãe?”, Sam: Katherine, ela achava pomposo e gostava que lhe chamassem…”, Mac: “Kate”, Sam: “sim”, Mac: “Kate Malloy” (Lisa Savage), Sam: “conheceste-a?”, Mac: “foi há muito tempo, há uns 20 anos”, Sam: “ a mãe deu-me isto, tem duas fotografias, uma é dela. Ela diz que a outra é do meu pai” … “és tu, não é? tu és o meu pai?”. Sam: “na verdade, o meu verdadeiro nome é Sean, Sam é alcunha. Sean A. Mallory, SAM, percebes?”, Mac: “e o que é o A?”, Sam: “é o meu nome do meio”, Mac: “deixa-me adivinhar, Angus”, Sam: “sim, a mãe adorava” [3].
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[1] Osama bin Laden, o “Che Guevara da al Qaeda”, era fã de MacGyver. Kola Boof, escritora e poetisa sudanesa, para Najwa bin Laden uma abeed lan sharmuta (“puta escrava escarumba”), vindica-se como tendo sido escrava sexual durante quatro meses no hotel La Maison Arabe, em Marraquexe. “Como eu bem sei, e partilho com Sally Hemings [escrava mestiça de Thomas Jefferson, ele quarentão, ela com 14 anos, no total pariu-lhe seis filhos], só por que alguém a estupra não significa que você não vá ter um relacionamento profundo com essa pessoa. Osama violou-me na primeira noite em que nos conhecemos. Mas, do meu medo e determinação para sobreviver, tornámo-nos camaradas, amantes, escrevíamos poesia juntos, eu tratava-lhe do cabelo, cozinhava para ele, ele dava-me jóias e dinheiro, enviava-me a Milão em maratonas de compras, enterrou um dos seus guardas que eu matei e mexeu os cordelinhos para eu passasse apenas um noite na cadeia”. Com a credibilidade na lama por ser preta, descriminada no tratamento das amásias públicas brancas, como Monica Lewinsky ou Camilla Parker-Bowles: “Connie Chung e os seus produtores na CNN perguntaram-me à queima-roupa: ‘porque um homem com a riqueza e estatuto de bin Laden tem uma amante preta?’”, Kola Boof chamava-o Somi, e chibou-se da intimidade, sem grande mossa nos média americanos. “Deixo-vos com este naco de bom senso e sabedoria materna: ‘em qualquer mansão… são as criadas e as putas… quem mais sabem”. “Fui eu, no fundo, quem disse há dez anos que os guardas de Osama utilizavam telemóveis (fui crucificada por Peter Bergen por isso, porém descobriram na semana passada que é verdade). Fui eu que informei há dez anos sobre Osama ter inventado ‘o mito da hemodiálise’. Fui eu que informei sobre os seus jardins de marijuana e a sua obsessão pela cultura ocidental. Fui eu quem primeiro escreveu sobre o seu ódio por Saddam Hussein”. “Na sua pasta deparar-me-ia com fotos da revista Star, assim como exemplares da Playboy”. Osama tinha preferência por Whitney Houston. “Ele explicou-me que, para possuir Whitney, estaria disposto a quebrar a sua regra da cor e torná-la uma das suas esposas. O nome de Whitney Houston era aquele que ele mencionava constantemente. Como ela era bonita, que belo sorriso ela tem, quão verdadeiramente islâmica ela é, mas sofre lavagem cerebral da cultura americana e do marido Bobby Brown, o qual Osama falava em mandar matar, como se fosse normal mandar matar os maridos das mulheres”. E Osama era assíduo das séries “The Wonder Years” (1988-93), “Miami Vice” (1984-90) e MacGyver.
[2] MacGyver só será substituído por um robot.
[3] “Os argumentistas da série baseavam as invenções de MacGyver em objetos encontrados no local, ideias dos conselheiros científicos John Koivula e Jim Green e eventos reais. A série oferecia um prémio monetário às pessoas que enviassem boas ideias. Um jovem fã sugeriu que MacGyver poderia consertar o radiador de um carro quebrando um ovo lá dentro”.
[4] Em 2012, MacGyver, dono de um serviço de reparações, trabalha com a sua filha Caitlin, apenas para a publicidade ao Mercedes-Benz Citan, (filmado em Joanesburgo, na África do Sul). “Em 2012, Tony Lee juntou-se ao criador de MacGyver, Lee David Zlotoff e ao consultor técnico John Potter para escrever uma banda desenhada em cinco partes intitulada MacGyver: Fugitive Gauntlet”. E, mercê de o Il castello del sogno, “algumas ferramentas, montes de tempo e engenhosidade, assim fomos capazes de forjar engrenagem improvisada para fazer as coisas funcionar”, Seja um MacGyver multimédia.

na aparelhagem stereo

“Laranja, peso, potência / Que se finca, se apoia, delicadeza, fria abundância. / A matéria pensa.” (Herberto Hélder). Matéria pensante, um povo, orgulha-se comercial mercantilmente de seus produtos. Possessivos. São nossos. A Sagres: “somos brasão e quina / orgulho nacional / somos a cerveja / nós somos Portugal PORTUGAL!”, o proprietário é a Heineken. A REN, redes energéticas nacionais, os proprietários são a State Grid of China 25,0 % e a Oman Oil 15,0 %. A EDP, energia de Portugal,“viva a nossa energia”, a proprietária é a China Three Gorges 21,35 %.“Se o telefone toca, penso logo em ti / Será que és tu, / a ligar para mim?” (as adolescentes M3), a PT, “a entidade portuguesa com maior projeção nacional e internacional”, é 31,6 % portuguesa, com certeza! é, com certeza, uma empresa portuguesa [1]. Contudo, como diz o ditado, a cagança é a última a morrer.
No programa de fim de ano de 2011, na RTP 1, balança-se o ano, o locutor Jorge Gabriel balancé: “connosco, para falar sobre esta coragem, esta, enfim, esta grande aventura em que se envolveu, não só uma onda portuguesa, mas Garrett McNamara…”. No dia 5 de novembro desse ano, o extreme waterman explorer americano surfou uma onda de 31 metros na Nazaré, o orgulho pátrio ribombou no Twitter e Facebook pela colossal massa de água, poucos viram o homem na onda, que se lixe, a onda é nossa! Nos estúdios da RTP, Sérgio Muacho, técnico superior de meteorologia marítima, para canonizar a nossa onda. Gabriel: “o que é que ali o nosso território proporciona para que as ondas surjam daquele tamanho e sejam procuradas?”, Muacho: “antes de mais convém esclarecer que a onda não foi gerada ali naquele local. A onda teve a sua génese no Atlântico, muito perto da Gronelândia, uns dias antes…” / Gabriel, esfarelado o sonho de posse, brada: “meu Deus!” / Muacho conclui: “…fruto de uma depressão que esteve a atuar dois dias”. “Apanha a onda”, do CD “Boa onda” (2010), Marta Peneda – atriz e cantora, nascida em 16 de novembro de 1997, foi Alice de Mont, filha dos proprietários do Orfanato Lar do Monte, a quem os órfãos chamavam os Demónios, nas “Chiquititas” (2007-08), da Teresa Guilherme Produções para a SIC; foi Francisca, filha de Marta (Isabel Abreu) em “Pai à força” (2009-10) na RTP 1; foi Lara Figueiredo, filha de Simone (Patrícia André) em “Anjo meu” (2011) na TVI. Do primeiro CD “As canções da Marta” (2008): “Doce pastel de nata”: “Foste e serás / Sempre o rapaz / Que me fez querer saber / Qual é o teu nome / De onde vens e porque comes / O mesmo bolo que eu”.
O amor está sempre no ar que respira um povo possessório de tanto bem e produto. No festival Super Bock Super Rock no Meco em 2010, os The National aprofundavam coisas em comum nacionais; o vocalista Matt Berninger: “começamos a ter uma boa base de fãs na maioria dos sítios, mas Portugal esteve muito à frente de todos os outros no que diz respeito a adotar-nos”; o baixista Scott Devendorf: “a música tem, apesar de nem sempre, uma espécie de tristeza ou melancolia que, de alguma forma, as pessoas gostam muito. Talvez seja esta coisa do fado, não sei. Teorizei sobre isso, mas não sei a resposta”. A plangência de possessor entorna fado na arte em geral ainda no forno; Toy: “eu acho que todas as pessoas que estão ligadas à arte, de uma maneira ou doutra, devem ou têm que ser românticos, porque se não, não há arte. A arte não se pratica sem romantismo. Ninguém pinta um quadro sem romantismo, ninguém escreve um argumento, ninguém canta uma canção, ninguém… ninguém faz um filho”. Outros não, a ideia enfada-os; André Sardet: “eu não gosto muito da ideia de que sou um cantor romântico. Detesto esse rótulo: é um músico romântico. Não sou. Os afetos. Os afetos, mas também falo da indiferença, também falo de de da sociedade, que o país está mal, também falo disso”.
Romantismo especulativo que não construirá castelos em Sintra nem esgotará quartos no Palácio Hotel do Buçaco. Nuno Flores, - vítima de atropelamento e fuga, em 2007, no acesso do IC32 à ponte Vasco da Gama por um guarda da PSP num Audi A6 cinzento com duas gajas, (o bófia foi condenado a pagar durante 170 dias 8,50 €/dia, um total de 1445 €, “não se terá apercebido do atropelamento”, concluíram, em 2013, os juízes, a outra face da lei) -, violinista nos Quinta do Bill e nos Corvos, no programa “5 para a para a meia-noite” c/ Fernando Alvim; Alvim: “qual é o papel das mulheres na tua vida?, Flores: “isto é uma pergunta difícil”, Alvim: “já tiveste um desgosto de amor?, Flores: “já!”. Elas estão noutra, Rosinha: “lembro-me de amar o meu primeiro acordeon, que não correu bem. Vou-te contar uma história triste da minha vida. Eu, a primeira vez que entrei na escola, escolhi o acordeon de teclas. Um acordeon enorme, com um fole roto. Eu tinha 10 anos. Aos 12 as protuberâncias começaram a querer sair, a querer saltar. Eu, cada vez que fechava o acordeon levava uma trinca numa protuberância. Pronto, desisti de estar apaixonada por aquele acordeon, passei para o de botões, não mordem. Foi até hoje. Foi a minha grande paixão e tem sido até hoje”, em “5 para a meia-noite” c/ Fernando Alvim.
Bens transacionáveis nos anos 80:
Em 1982, Júlio Isidro editava um (único) single: lado A “Pizza 4 estações” / lado B “É natural tal e qual”. ♪ Em 1985, o Duo Tony Lemos editava cassetes e tocava em romarias. Eram dois irmãos, António Fernando de Sousa Lemos, 12 anos, no órgão eletrónico e Marlene Filipa de Sousa Lemos, 7 anos, na voz. Transposta a barreira da cassete para as feiras, sob o nome Tony & Marlene, editaram o CD “Ai Cigano! Ai Cigano!” (1996) → “Eram cem mil”. Em meados de março de 1998, os seus nomes transmutam-se para Tó Lemos e Filipa Lemos e com Américo Luís Soares Marante invadem no business da eurodance como os Santamaria, nesse ano editam pela Vidisco o primeiro álbum “Eu sei, tu és…”. ♪ Salada de Frutas, “em setembro de 1980 Lena D’Água – ex-Beatnicks e ex-Dia D’Água, grupo que atuava durante a peça ‘As profecias do Bandarra’, de Almeida Garrett, no Teatro Experimental de Cascais em 1978 e na peça para crianças ‘Ou isto ou aquilo’ representada nos bairros pobres da periferia de Lisboa –, Luís Pedro Fonseca (ex-Plexus) e Zé da Ponte (ex-Saga) formam o grupo Salada de Frutas. O seu primeiro disco intitulado ‘Sem Açúcar’ é editado pela empresa discográfica Rossil. Com um som muito próximo do praticado por nomes anglo-saxónicos nos anos 60, mas com uma prensagem muito deficiente”. Lado A: 01 - “Escuta aí”, 02 - “Máquina”, 03 - “Para ti”, 04 - “Bolonha (o atentado à bomba na estação de Bolonha, Itália). Lado B: 01 - “Como se eu fosse tua”, 02 - “Lágrimas e sorrisos”, 03 - “Woodstock” 04 - “Shui de Shock” (a polícia de choque que carregava sobre os espectadores nos concertos de rock), 05 - “Rodinha”. “Como convidados, neste disco, surgem Guilherme Scarpa Inês (bateria) e Zé Carrapa (guitarra); os quais dão um acentuado colorido ao som da banda. Estes dois músicos tornam-se membros efetivos passado pouco tempo. Em 1981 o grupo (já com a nova formação) lança o mega-sucesso ‘Olh’ó robot’ (que venderia para cima de 30.000 exemplares). (…). Após uma atuação na festa do ‘Avante’ em setembro [uma EP, entrada permanente, para os três dias custava 170$00] desse ano Lena D'Água é expulsa do coletivo, alegadamente por não se mostrar capaz de integrar uma formação de música rock. Luís Pedro Fonseca abandona, também, o grupo e forma (com Lena) a Banda Atlântida”. “A primeira vez que Lena D’Água subiu a um palco foi em 1974 numa reunião de moradores do bairro de Santa Cruz, em Benfica, quando o amigo que se encontrava a atuar para encerrar a sessão a chamou para assobiar a melodia da flauta do tema do Sérgio Godinho ‘Pode alguém ser quem não é’. A sua inesperada estreia verdadeiramente a solo seguiu-se, quando se acompanhou à guitarra para cantar o tema ‘Ne Me Quitte Pas’, de Jacques Brel. Lena D’Água foi a primeira mulher em Portugal a integrar como vocalista uma banda de rock, (os Beatnicks, grupo de rock progressivo com base na Amadora). A sua estreia na banda aconteceu na festa de finalistas do Liceu de Sintra, em maio de 1976. (…). As suas últimas atuações com a banda aconteceram em 7 - 8 de abril de 1978, nas noites em que os Beatnicks fizeram a 1ª parte dos concertos de Jim Capaldi, no Coliseu dos Recreios de Lisboa” (bilhete 130$00). ♪ Adelaide Ferreira, “nasceu Maria Adelaide Mengas Matafome Ferreira no dia 1 de janeiro de 1960 em Minde, Alcanena. Aos 3 anos, mudou-se para as Caldas da Rainha, onde teve o seu primeiro contacto com as artes, ao substituir a sua irmã mais velha, Laurinda, numa peça infantil. Ruma para Évora, em 1976, para participar no Curso de Formação de Atores Profissionais. Após um ano de curso, foi contratada pelo Grupo 4 do Teatro Aberto onde permaneceu durante três anos. Em 1979 entra no filme ‘Kilas, o Mau da Fita’ de José Fonseca e Costa, no papel de Palito La Reine e aparecendo na banda sonora a cantar o tema ‘Balada da Rita’. Em 1980 consegue o  seu primeiro papel como protagonista na peça ‘Andorra’, de Marx Fritch, ao lado de António Rama. (…). Vai para o Algarve com o namorado, Luís Fernando, para cantar em bares. Quando volta a Lisboa é desafiada a gravar um disco. Assim, em 1981 é editado o singleBaby Suicida’, tema composto por ela e por Luís Fernando num quarto de uma pensão. O disco vendeu mais de 20 mil exemplares. (…). Adelaide Ferreira junta-se aos Preço Fixo. Os Preço Fixo eram formados por Necas (bateria), Luís Fernando (viola), Vasco Alves (viola baixo), Eduardo Quintela (teclas) e Carlos Borracha (viola solo). Tó Freitas entra para o lugar de Necas. Ainda em 1981 lançam um novo single com os temas ‘Bichos’ e ‘Trânsito’”. – Adelaide Ferreira tem duas filhas, Alexia e “Luana, que se estreou na televisão em ‘Conta-me como foi’, mantém a vontade de ser atriz”. No dia 4 janeiro de 2013, Luana, de 15 anos, foi internada no hospital Júlio Muller, em Cuiabá, no Brasil, onde morava na casa dos pais do noivo, Jean Carlo de 21 anos, com hemorragias pela ingestão de comprimidos para interromper a gravidez, sendo depois detida na Casa de Retaguarda Paulo Prado, por decisão judicial. Luana escreveu no Facebook: “não lhe contei que estava grávida. O meu maior erro nem foi engravidar, foi não ter contado à minha mãe, pois se o tivesse feito, tenho a certeza que aquilo que ela faria era trazer-me para Portugal e dar-me o devido acompanhamento necessário a uma gravidez. Se alguém tem culpa do que aconteceu sou eu. Lá por ter 15 anos não quer dizer que não saiba nem consiga fazer as coisas sozinha. A minha mãe é, e sempre foi, a melhor mãe deste mundo e a melhor mulher também”. No dia 22 de março, Luana, já mais adulta, com 16 anos, em Lisboa casa-se com o namorado “e estão à procura de casa”. – “Coqueirando”, Adelaide Ferreira no “Deixem passar a música” (1987); Lena D’Água e Adelaide Ferreira no programa “Parabéns” do Herman José no Natal de 1995.
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[1] O fundo de pensões dos professores do Ontário é dono de 18 000 000 ações, 2,01 %, da PT. De Toronto, Ontário, Dragonette: “Pick Up the Phone” (2009). De Scarborough, Ontário, Kardinal Offishall: “Set It Off” (2008): “The same time the mothafuckers bargaining and lawyering / That coke money just keep pouring in and pouring in”.