Com paciência e vaselina
1983.
Maio. Um mês antes, a 18 de abril, mas de 1692, Leibniz escrevia a Bossuet:
“Hoje, é quase todo o norte que se opõe ao sul da Europa; é a maioria dos povos
germânicos oposta aos latinos”. Aludia ele ao cerne da divisão norte / sul, ao
natal da aliança intelectual, moral e depois económica, que nunca mais será
desatada, por mais chernes [1] que lhe atirem.
Fénelon: “Mas que terrível palavra de cerceamento fez Deus ouvir sobre a terra
no século passado! A Inglaterra rompeu o único sagrado laço de unidade capaz de
reter os espíritos, entregou-se a todas as visões do seu coração. Uma parte dos
Países Baixos, a Alemanha, a Dinamarca, a Suécia, são outros ramos que o gládio
vingador cortou e que já não se agarram ao tronco antigo” (“Sermon pour la fête
de l’Épiphanie”, 6 de janeiro de 1685). Do rompimento com a autoridade do
papado de Roma nasceram duas Europas, não são velocidades diferentes, são dois
mundos apartados. Cita R. H. Tawney, em “Religion and the Rise of Capitalism”, um
contemporâneo, que relatava uma inaptidão natural para os negócios na religião
papista; enquanto que, um maior despertar para a realidade, entre os
reformadores, favorecia a inclinação para o comércio e a indústria, pois
consideravam ilegítima a preguiça [2].
Se
na Europa há dois, em Portugal há dois em um. Dois partidos, um desígnio. É a “coisa
portuguesa” [3]. Sábado, 7 de maio de 1983, Lisboa,
também se enviava uma carta, não para participar cisões, mas para dar parte de
que há orçamento para comer, tachos para distribuir e as cinco ou seis
famílias, donas do país, desapossadas no 25 de abril de 1974, esperavam… clima
económico. Isto é, lã política para tricotar uma economia robusta que
agasalhará o país no mais rico da Europa em 2014. “Uma carta deve seguir ainda
hoje da Comissão Nacional do PS para o Conselho Nacional do PSD, ambos reunidos
em Lisboa: ela conterá o convite socialista aos sociais-democratas para um
entendimento sobre a constituição do próximo Governo. A aceitarem o convite, os
homens do PSD parecem já ter acertado agulhas quanto às suas exigências: querem
Vaz Portugal na Agricultura, Mota Pinto vice-primeiro-ministro, acumulando com
outra pasta (Reforma Administrativa ou Justiça), além da Defesa e das Obras
Públicas” [4]. Segundos, minutos, horas, dias de
luta pelos despojos ou, em linguagem política, pelo superior interesse do país [5]. “A banca, os seguros, a comunicação social
dependente do Estado e os governadores civis são outros setores que irão ser
também apreciados conjuntamente, para além da presidência da Assembleia da
República. Se é certo que cada um dos partidos procurará obter o mais que puder
para si, há todavia uma regra basilar que estará sempre sobre a mesa das
negociações: a proporcionalidade dos resultados eleitorais (36,3 % PS; 27 %
PSD)” [6].
Os
jovens, fruta dessa década, não girovagavam na colagem de cartazes ou agitação
de bandeiras, contribuíam com coisas jovens. “O vice-presidente da JSD afirmou
que a sua organização só viabilizará um eventual Governo PS / PSD se forem contempladas
algumas das suas exigências. Questões ligadas ao desemprego, ao ensino, à
habitação e ao serviço militar fazem parte daquelas exigências. Segundo Rui
Rio, estas matérias estão a ser negociadas no seio da organização para serem
apresentadas à Comissão Política do PSD” [7].
O
eterno clássico, o cargo de ministro das Finanças, também aperreou Mário
Soares. “Soube-se que durante a sua curta estada em Paris, 19 de maio, o líder
socialista se avistou com o economista Ernâni Lopes, embaixador de Portugal
junto da CEE. Admite-se que, perante as recusas sucessivas aos convites de
Soares para o preenchimento da pasta das Finanças (Vítor Constâncio, Rui Vilar
e Francisco Veloso) este contacto esteja orientado para a formação do novo
Governo”. Sexta-feira, 27 Soares é indigitado pelo presidente da República,
general Ramalho Eanes, para formar governo, depois do conluio nacional com o
PSD. “São os seguintes os pontos acordados: implicação dos dois líderes (Mário
Soares e Mota Pinto) no Governo; não revisão da Constituição durante a próxima
legislatura; rotatividade do presidente da Assembleia da República ,
começando pelo PS (Manuel Tito de Morais); cooperação parlamentar; entrega da
Provedoria da Justiça à oposição (para permitir ao CDS ter um representante no
Conselho de Estado); estabelecimento de um plano económico que inclui a
abertura de determinados setores (banca, seguros, adubos e cimentos) à
iniciativa privada; assinatura de um pacto de solidariedade social; proporcionalidade
de lugares no Governo, ao nível de ministérios e secretarias de Estado; definição
das quatro pastas políticas - Negócios Estrangeiros, Justiça, Administração
Interna e Defesa - que serão repartidas igualitariamente com a garantia de que
nenhum dos partidos poderá ficar com as duas primeiras ou com as duas últimas;
defesa e consolidação das autonomias regionais; definição de uma ‘estratégia
comum’ para as eleições presidenciais de 85, sem impedimento de que cada um dos
partidos apresente o seu candidato; e, por último, a não extensão do acordo às
eleições autárquicas”.
Terça-feira,
31 de maio a 1.ª sessão plenária durou cerca de 30 árduos minutos. “Recomeçou
esta manhã a Assembleia da República. Nos corredores, os deputados
cumprimentam-se, reencontram-se. As caras novas, no hemiciclo, adaptam-se aos
próximos meses de nova atividade. São 250 deputados que, a partir de hoje,
legislarão e fiscalizarão a atividade do Governo. Se, pela primeira vez desde o
25 de abril, a extrema-esquerda não tem qualquer representante na Assembleia
(com o afastamento da UDP), entra um Verde. Integrado nas listas da APU, o PCP
pediu a suspensão de José Luís Judas (dirigente da Intersindical) e abriu a
porta a António Gonzalez, o Verde”. Com 36 anos, técnico de computadores, filho
de um espanhol e uma portuguesa, amadureceu aos jornalistas que a sua “imagem
de marca” é a “criatividade e imaginação”. “Vou-me comportar no Parlamento como
sempre fui na vida. Já não me lembro, por exemplo, da última vez que usei
gravata. Mas, se um dia me apetecer, ponho-a e ninguém tem nada com isso”.
A
conta. (O salário mínimo na época era 13 000$00). Então, “os deputados recebem
pela letra A da função pública, isto é, 51 600$00. Os deputados por Lisboa e
concelhos limítrofes têm 800$00 por cada sessão plenária e 1032$00 por cada senha
de presença em comissão e passe gratuito; quanto aos deputados pela província,
recebem 2400$00 por cada dia de plenário (isto inclui o pagamento do hotel e
refeições, que manifestamente não chega) e 15$00 por quilómetro ou caderneta de
comboio, avião ou autocarro. Todos os deputados se podem deslocar, uma vez, por
legislatura, à Madeira e aos Açores. Os deputados, pelo círculo da Emigração
podem ir três vezes por legislatura ao círculo da Emigração por que foram
eleitos. Tal como os deputados em comissão internacional, recebem 7500$00 por
dia (incluindo o da partida e o da chegada), para além do pagamento (menos 15
%) do hotel”. – Sábado, 4 de junho no Hotel Altis oficializa-se o conluio nacional.
“Mário Soares e Mota Pinto foram os únicos a apor a sua assinatura aos dois
textos que consubstanciam as bases da aliança PS / PSD. Mas encontravam-se
rodeados pelas direções dos dois partidos - Eduardo Pereira, Jaime Gama,
Almeida Santos, Cal Brandão e António Macedo, pelo PS. António Capucho, Vítor
Crespo, Eurico de Melo, Nuno Rodrigues dos Santos, Ângelo Correia e Fernando
Condesso, pelo PSD. Na sala, as flores retratavam também a aliança. Enquanto na
mesa rosas vermelhas, que têm sido emblema do PS, davam a coloração socialista,
um enorme ramo de flores cor de laranja e brancas marcava a presença do PDS” [8].
Quinta-feira,
9 de junho tomada de posse do IX Governo Constitucional no palácio da Ajuda
pelas 12:00 [9]. “No seu discurso de posse,
Soares foca a gravidade da crise económica (agravamento da dívida externa que está
a afetar em cerca de 10 % as nossas reservas de ouro) e refere a elaboração de
um programa de gestão conjuntural de emergência (18 meses) que dará prioridade
à vertente externa da economia. Outros programas previstos: de recuperação
financeira e económica (2 a
3 anos) ‘que visa criar condições sadias para o investimento, estimular a
produtividade, gerar poupanças e fomentar uma atividade empresarial ativa e
dinâmica’; e de modernização da economia (4 anos), tendo em conta a adesão à
CEE”. – Quarta-feira, 6 de julho fez-se História, os socialistas meteram o
socialismo na gaveta e, coligados com o PSD, lançaram-se as bases de uma
economia pujante que tornará o país no mais rico da Europa em 2014. Na
Assembleia, discutia-se: “‘Só os burros não mudam de opinião…’ – diziam
deputados socialistas, de Roque Lino a Almeida Santos. Só que, responde Carlos
Brito (PCP), em tarde de grande inspiração. ‘mudam, mudam, às vezes depende das
rações’”. “Cerca das duas da madrugada, o Parlamento votava a proposta do
Governo presidido por Mário Soares, de abertura da banca, seguros, adubos e
cimentos à iniciativa privada”. “Dois ex-ministros das Finanças defenderam a
abertura da banca e seguros ao setor privado: João Salgueiro (PSD) e Morais
Leitão (CDS). Este último tribuno exaltava: “Tratava-se, quanto mais rápida
tivesse sido tomada, de uma grande e significativa vitória política dos
defensores da liberdade e de um modelo económico europeu sobre todos os
coletivistas que comandaram o golpe de 11 de março de 1975 e organizaram o assalto
comunista mais brutal e completo de que foi vítima desde há muitas décadas
qualquer economia do mundo ocidental”. Este Governo, mandado pelo FMI, fará
muitos estragos, com paciência e vaselina, o povoléu aguenta aguenta [10].
___________________
[1] Momento europeu da mais
terna fofura. Durão Barroso, o nosso peixe no aquário, recebe, em Bruxelas, a
comissão de trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo: “Não posso ser
eu, para falar com franqueza, a dizer Ó comissário Almunia, de quem sou
muito amigo, Ouve lá, resolve lá este assunto porque são amigos meus lá em Portugal. Não ! O que eu tenho é que dizer Vamos resolver o assunto
de acordo com as regras. E aí estamos num processo em que tem que ser o Governo
português, as autoridades portuguesas, a apresentar soluções (…) mas o Governo
até agora, português, não me fez chegar nenhuma posição oficial sobre isto, o
que eu sei, da parte do Governo, é aquilo que vejo na imprensa, e confesso que
na imprensa, vejo tanta coisa diferente, que francamente,,," (28 de janeiro de 2014) a).
–
a) Tão fofinho como garotas com cócegas.
Tão amiguinho como Annabelle para a sua amiga Cassie: “Os meus pés
são coceguentos”. Habilíssimas atrizes. Annabelle Lee, 1,57 m , 49 kg , 86-60-86, sapatos 37, olhos
castanhos, cabelo ruivo, nascida Anna Pierceson
a 9 de setembro de 1982 no Arizona. Cassie
Courtland, 1,56 m ,
45 kg ,
86-60-86, sapatos 36, olhos castanhos, cabelo loiro, nascida a 3 de dezembro de
1982 em Atlanta.
[2] Preguiça manifesta na obediência,
oração, contemplação e mendicidade dos papistas. Para os protestantes, o seu
progresso pessoal, não colidia com o plano de Deus. “Chamado a exercer a sua
profissão, ou, dizendo melhor, a sua função, por um decreto irrevogável do céu;
predestinado para a compra e venda, como outros para escrever e pregar;
praticando as mesmas virtudes exigidas, a um tempo, pela vontade de Deus e pela
prosperidade do negócio: atividade, consciência, prudência, economia – o
comerciante, que vai ganhar na sociedade europeia um lugar cada vez mais
considerável, passa sem remorsos, sem escrúpulos, sem hesitação, do escritório
para o templo, cabeça alta, ciente de obedecer ao seu duplo dever, orgulhoso
por assegurar, ao mesmo tempo, o lugar presente na terra e o lugar futuro no
céu. Desforra do Calvinismo: assim se carateriza pelo menos em parte, a
deslocação do poder que se faz do sul para o norte”, em “A crise da consciência
europeia”, Paul Hazard.
[3] Quinta-feira, 31 de março
de 1983, a
RTP 1 transmite no programa “1.ª Página”, apresentado pela locutora Margarida
Marante, um debate televisivo entre Mota Pinto (PSD), Mário Soares (PS), Álvaro
Cunhal (PCP) e Lucas Pires (CDS). “Um debate em que, para surpresa, sem dúvida,
do seu próprio eleitorado, o prof. Mota Pinto, nervoso, hesitante e pouco à
vontade no seu novo papel de líder do PSD, não aguentou o fogo cruzado de
Soares e de Cunhal, por um lado, e as ‘mordidelas’ de um Lucas Pires apostado
em demonstrar que a ‘social democracia não é senão uma espécie de
euro-socialismo’”. Com o FMI em Lisboa era obrigatória uma coligação PS / PSD
para assinar os contratos. Por isso, “convencido de que tudo, nestas eleições,
joga a seu favor, Mário Soares trata Mota Pinto com bonomia, como um
primeiro-ministro trataria um seu ministro da Administração Interna de um
partido coligado: eles são um pouco a caricatura do marquês de Pombal e o seu
leão domesticado na estátua da rotunda”. No caldo do debate, Mota Pinto defendeu-se
com portugalidade das arranhadelas de Lucas Pires: “O PSD está muito no cerne
da coisa portuguesa. (…). Nós, no PSD, quando ganharmos as eleições vamos para
um Portugal ligado aos valores portugueses. Democrático mas com firmeza e autoridade
do Estado”.
A
situação do país era simples bancarrota. “Dos cerca de 9 mil milhões de dólares
da dívida de médio e longo prazo, Portugal tem de pagar, este ano, 13 % (1,7
mil milhões de dólares), 15 % em 1984 (1,35 mil milhões) e 14 % em 1985 (1,26
mil milhões). A conjugação da dívida de curto prazo (cerca de 3,6 mil milhões)
com o serviço da dívida externa (juros e amortizações), que ascende a 2,47 mil
milhões, verifica-se que Portugal tem de pagar este ano mais de 6 mil milhões
de dólares ao estrangeiro”. O país sem um chavo, o FMI não emprestaria para
leviandades, tais como comer ou vestir, mesmo assim, Mota Pinto prometia como
um cura: garantiu aos portugueses casa própria e rendas baixas, à juventude
asfixiada, primeiros empregos, aos reformados, melhores reformas, “tudo sem
demagogia” b).
Nas
ações da campanha eleitoral de 83,
a luta de classes refletia uma luta de culturas. “Quanto
ao CDS, as ações de campanha previstas para sábado, 2 de abril, são um comício,
em Coruche, às 18:15, onde usarão da palavra Adriano Moreira, Caldas de Almeida
e Soares Cruz, num convívio rock com
o agrupamento Da Vinci,
na Feira Nacional da Agricultura em Santarém, enquanto Lucas Pires se desloca à
Régua, na qualidade de ministro da Cultura”. Na segunda-feira, 4 de abril “no
Porto, a APU (Aliança Povo Unido, coligação entre PCP, MDP/CDE e Os Verdes) promove
no circo Povo Unido, instalado na avenida Fernão de Magalhães, uma noite de jazz com o quarteto de António Pinho Vargas”.
–
b) Em Pombal, um concelho laranja, a 27 de julho
de 2013, em frente da estátua de Mota Pinto, no lançamento da primeira pedra do
Centro Carlos Alberto da Mota Pinto, o 1.º ministro Passos Coelho torce a História
fazendo o milagre da transformação do pechisbeque em ouro: “Apesar das
diferenças que existiam entre os partidos, ter sido possível com a liderança
dele, colocar muitas das diferenças de lado, e essas diferenças existiam,
mas podermos mostrar um! espírito de união para o país, que era necessário para
ultrapassar aquelas grandes dificuldades”. O Centro Mota Pinto, orçamentado em
750 mil euros, segundo o presidente da Câmara, Narciso Mota, “permitirá ‘atribuir
uma nova dimensão e valorização à casa onde nasceu e viveu’ o
ex-primeiro-ministro, ‘como espaço privilegiado e orientado para a promoção,
estudo e investigação da vida e da obra’ daquele ‘ilustre pombalense’”.
[4] O suspense adensava-se. “Em
termos de gabinetes ministeriais a proporção será de nove para o PS e seis para
o PSD. Nesta base, admite-se que o próximo Governo venha a ter a seguinte
distribuição de pastas: Assuntos Parlamentares - PS, acumulada com a função de
vice-primeiro-ministro; Justiça e Reforma Administrativa - PSD, acumulada pelo
vice-primeiro-ministro; Finanças e Plano - PS; Negócios Estrangeiros - PS;
Defesa - PS; Mar - PS; Trabalho e Assuntos Sociais - PS; Indústria - PS;
Educação - PS; Cultura - PS; Administração Interna - PSD; Saúde - PSD;
Agricultura - PSD; Habitação e Obras Públicas - PSD; Transportes e Comunicações
- PSD. Não estando ainda totalmente decidida esta estrutura, a Cultura é uma
das pastas que poderá ir para o PSD, enquanto que, na troca, o PS ficaria com
as Obras Públicas ou os Transportes”. “Tem-se falado na proporção nove / seis,
mas tudo indica que o mais correto venha a ser de oito / seis, ou seja: oito
ministérios para o PS, além do lugar de primeiro-ministro, e seis para o PSD.
Contrariamente às pretensões do PS, deverá haver apenas um
vice-primeiro-ministro (Mota Pinto), ficando Almeida Santos como ministro de
Estado”.
[5] As lutas políticas para
trazer o país ao estado de mais rico da Europa em 2014 foram duais e violentas.
Os dois líderes gritaram-se: “you bitch, I'll make you suffer!” – Chun-Li vs. Vega
no filme de animação “Street
Fighter II” (1994). Chun-Li vs. Tifa (Street Fighter II vs Final Fantasy VII) c/ a atriz,
dupla de cinema e especialista de artes marciais canadiana Samantha Jo (Chun-Li) e a dupla de
cinema, atriz, especialista em parkour,
corrida livre, artes marciais e ginástica, também canadiana, Irma Evangelista. Nos jogos: Chun-Li: “Sou a mulher
mais forte do mundo!”. Tifa Lockhart é “esplendorosa e otimista, Tifa anima sempre os
outros quando estão em
baixo. Mas não se deixe enganar pela sua aparência, ela
consegue dizimar praticamente qualquer inimigo com os seus punhos”.
[6] A “repartição de outros
cargos fora do Governo, caso das empresas do Estado, banca, seguros, direções
regionais, etc. será feita, também, na base da proporcionalidade dos resultados
eleitorais de 25 de abril. Recentemente, numa reunião de militantes, Mário
Soares garantiu que serão readmitidos nos seus lugares, se o pretenderem, os
quadros socialistas que foram afastados pelos Governos da AD (Aliança
Democrática). Quanto à estrutura orgânica do novo Governo, ela está totalmente
estabelecida: serão quinze pastas, repartidas na proporção oito / seis, mais o
‘independente’ Ernâni Lopes”.
[7] Jovens maduros, um futuro
certo, orgulho de pais e país, exceto nos invisíveis cromossomas, não havia hipsters na multidão em Portugal c). “Lesbian Hipsters”, Cassie Laine e Kiera Winters no filme “We Live Together: Bang Me Fever” (2013): “Cassie Laine estava ocupada a
estudar para o seu curso, – talvez na Lusófona e corresse contra o tempo por
causa do Conselho Oficial da Praxe Académica –, mas Kiera não estava
satisfeita. Kiera estava aborrecida e queria galhofa, por isso pôs-se a
distrair Cassie até conseguir o que queria. Realmente não demorou muito para
pôr a Cassie toda amável e com tesão”. Atrizes do método, bolseiras de conservatório
e escolas superiores de cinema, ambas, ofuscam, na arte de representar, as
canastronas de Hollywood oscarizadas. Kiera Winters, 1,57
m , 45
kg , 86-60-91, sapatos 36, olhos azuis, cabelo castanho,
nascida a 2 de fevereiro de 1993 em Meridian, Idaho. No site Digital
Desire ♣ {blog}. No cinema “Early Morning” ♣ c/ Natasha
Malkova ♣ c/ Veronica
Rodriguez ♣ a deusa latina Veronica Rodriguez, a gira Kiera Winters e
a aboborinhas pequeninas Odette
Delacroix em "Circle of Friends". Odette é uma atriz nascida a 15 de outubro de 1989 em Los Angeles ,
Califórnia, 1,52 m ,
40 kg ,
81-58-81, sapatos 35, olhos verdes, cabelo loiro {site}. – Magnificat Cassie
Laine, 1,55 m ,
43 kg , 81-60-86,
sapato 35, olhos castanhos, cabelo castanho, nascida a 23 de outubro de 1991. Posição
favorita: à canzana. No site Twistys
♣ Matrix Models ♣ Babes.com.
No cinema: solo ♣ “Confortando uma amiga”, c/ Lola Foxx.
Atriz americana, 1,52 m ,
50 kg , 81-60-91,
sapatos 37, olhos castanhos, cabelo castanho, nascida em Los Angeles a 1 de
novembro de 1991 ♣ “Burro lambido e mastigando gatinho”, c/ Alyssa Reece.
Atriz canadiana nascida a 3 de maio de 1985 em Vancôver, 1,65 m , 52 kg , 86-61-84, sapatos 38
½, olhos castanhos, cabelos castanhos. Posição favorita: “diria à canzana, provavelmente, e por cima
e também a posição do missionário, essas três” {site} ♣ “Cassie
gosta de brincar com os pés sensíveis a cócegas e lábios cor-de-rosa da Shyla”.
Shyla Jennings, 1,57 m , 44 kg , 81-63-83, sapatos 35, olhos
verdes, cabelo castanho. Posição preferida: o 69. “Adorável, bem torneada e compacta,
a estonteante morena Shyla Jennings nasceu Brenda Reshell Kibler a 16 de junho
de 1985 em Estugarda, Baden-Württemberg, na Alemanha. Ela é de descendência
holandesa, alemã e espanhola. Ademais, o seu pai era militar e ela cresceu no
Texas. Shyla perdeu a virgindade aos 15 anos”. Entrevista:
Shyla tem dois cães, um pássaro e peixe de água salgada. Ouve desde Led
Zeppelin, Sneaker Pimps a Radiohead. Filmes de sempre: “Big Fish” (2003), “True
Romance” (1993). Lugar favorito no mundo: a sua cama. Parte preferida do seu corpo:
“as minhas mamas, pequenas mas atrevidas e divertidas de se brincar”. Lugar
mais estranho onde fez sexo: “em cima do meu carro no estacionamento do meu apartamento”.
Brinquedo favorito: o coelho. Fodes no primeiro encontro? “Nunca”. Vês porno,
qual é o teu nicho favorito? “Rapariga com rapariga trituração de rata”. Tens
orgasmos reais quando rodas uma cena? “Absolutamente”. {site} No cinema: PornHub.
–
c) “Investigadores determinaram que o homem do
mesolítico tinha olhos azuis e pele escura, após testarem um dente encontrado
numa gruta em Espanha. (…). O retrato robot do homem do mesolítico revela que o
homem moderno não é assim tão diferente dos seus antepassados das cavernas como
se pensava, apresentando o retrato uma semelhança impressionante com a fauna
barbada hipster de Brooklyn”.
[8] As flores de Portugal desabrocham
graças à Filosofia. Em junho de 2013, aconteceu uma mudança de filosofia na Playboy
portuguesa, a revista decide apostar em jovens desconhecidas. “Maria
João
Domingues foi a primeira
‘não-celebridade’ (apesar de ter já realizado trabalhos de fotografia sensual
para diversas revistas) a ser capa da Playboy Portugal. A modelo de 21 anos, protagoniza
na praia uma sessão ousada, da autoria de Maria Vasconcelos, a recordar que é
já este mês que se inicia o verão”. Aos 19 anos, ela foi a vencedora do mês de
março 2012 da Miss Fanática Record. – Maria
João, 1,65 m ,
57 kg ,
93-65-83, nascida a 30 de janeiro de 1992 em Arcos de Valdevez. “Depois de ter
ganhado o título Miss Escola, quando andava no Secundário, a jovem decidiu apostar
numa carreira na moda. ‘Desde essa altura, tenho feito vários trabalhos como
modelo fotográfico, e este verão vou fazer uma formação nessa área’, revela.
Paralelamente, estuda Ciências da Comunicação, no Porto. ‘Vou sempre conciliar
os estudos com a moda’”. Mais disse: “Estou em muito boa forma e, se há coisa
que me dá prazer, é cuidar do meu corpo e valorizar-me”. “Acho que tenho um
corpo escultural e bem delineado, mas é graças ao meu esforço. Tenho muitos cuidados”.
“A parte de que mais gosto são as pernas, porque estão muito tonificadas. De
uma forma geral, estou muito contente como meu corpo”. “Recebo muitos piropos,
mas eu não sou só peito e rabo. Sou uma pessoa muito criativa, determinada e
sonhadora. Mas gosto de ser elogiada, não nego”. A Playboy Portugal de julho /
agosto de 2013 introduz a segunda jovem desconhecida, Patrícia
Lage,
natural de Portimão, estudou hotelaria em Lagos e tem como ambição ser uma
Relações Públicas.
[9] Composição do Governo. Primeiro-ministro
Mário Soares; vice-primeiro-ministro Mota Pinto; ministro de Estado e dos
Assuntos Parlamentares Almeida Santos (PS); Negócios Estrangeiros Jaime Gama
(PS); Administração Interna Eduardo Pereira (PS); Justiça Rui Machete (PSD);
Finanças Ernâni Lopes (independente): Indústria e Energia Veiga Simão (PS);
Agricultura Manuel Soares da Costa (PSD); Equipamento Social e Transportes
Rosado Correia (PS); Cultura Coimbra Martins (PS); Educação e Universidades
José Augusto Seabra (independente); Mar Carlos Melancia (PS); Comércio e
Turismo Álvaro Barreto (PSD); Trabalho e dos Assuntos Sociais Amândio de
Azevedo (PSD); Saúde Maldonado Gonelha (PS); Qualidade de Vida e do Ambiente
António Capucho (PSD). E Sottomayor Cardia ganhou o cargo de líder parlamentar
do PS.
[10] “Se realmente queres
ganhar o amor completo desta mulher, com paciência e vaselina, chega-se longe
nesta vida”, sábia sentença no “Caso cerrado”, da juíza
Ana María chamada a arbitrar o conflito entre, uma desvalida esposa, que
reclamava divórcio assustada pela enormidade do pilão do marido, e o cônjuge
que exigia o seu direito de penetração. “Umas queixam-se porque é pouquinho,
outras queixam-se porque é muito, aqui ninguém está feliz”, concluía a juíza
uma verdade existencial. – “Caso cerrado é um programa de televisão transmitido
a partir de 20 de novembro de 1998 pela estação Telemundo desde Miami, Estados
Unidos, cujo formato se baseia na resolução de conflitos. A sua apresentadora é
a doutora em leis cubano-americana Ana María Polo”.
na sala de cinema
“Nana” (1983), real. Dan Wolman, música
Ennio Morricone, produção Yoram Globus e Menahem Golan, filme livremente adaptado
do romance de Émile Zola c/ Katya Berger, Debra
Berger [1], Jean-Pierre Aumont, Annie Belle [2], Mandy Rice-Davies [3]...
“Na década de 1880, Paris, uma cândida moçoila chega a um bordel, ela é Nana,
autêntica, sincera, mas rapidamente aprende a usar a sua sensual inocência para
conseguir o que quer. É atriz para um cineasta de softcore e em breve é a mais popular cortesã em Paris, traduzindo
isso numa casa, comprada por um banqueiro abastado. Ela despacha-o e ocupa-se
com o seu vizinho, um conde de retidão impecável e com o impressionável filho
do conde. Rapidamente, o conde está pela trela como um cãozinho e a hipotecar
as suas terras para satisfazer os caprichos dela. Nana leva-o à falência,
organiza a corrupção sexual da sua esposa e seduz-lhe o filho no dia do seu casamento”. {poster} {YouTube} [4]. “A
gozar, a gozar, que el mundo se va a acabar” (1990), real.
Miguel M. Delgado, filme mexicano c/ Roberto ‘Flaco’ Guzmán, Eduardo de la Peña , Joaquín Cordero,
Guilherme Rivas, Lina
Santos… “Um padre embebeda-se e, durante um tremor de terra, um santo
avisa-o que o mundo vai acabar. Comunica a notícia ao povo e todos se
confessam, mas quando chega o dia, não acontece nada e discutem todos uns com
os outros. Entretanto, uns engenheiros regressam aos trabalhos numa barragem e
a aldeia desaparece submergida nas águas” [5].
___________________
[1] Katya Berger “nascida em
Munique, Alemanha Ocidental, 1964. É filha de Hugh Russell Bebb e da cantora,
compositora e atriz croata Hanja
Kochansky, e enteada do ator austríaco, veterano dos western spaghetti,
William Berger. O seu meio-irmão é Kasimir Berger (nascido em Londres a 3 de
outubro, 1974), que atuou com o seu pai na minissérie ‘Christopher Columbus’
(1985), como Diego em criança; em ‘Taureg: il guerriero del
deserto’ (1984), [estreia no Odeon, sexta-feira, 26 outubro de 1990], como
o filho de Gacel; e com a sua mãe e irmã em ‘Rosso sangue’ (1981),
como Willy Bennett. E ela é meia-irmã da atriz Debra
Berger. Katya apareceu apenas num punhado de filmes entre 1978 e 1983, muitas
vezes em cenas e papéis sexualmente muito explícitos mas, depois de um hiato na
representação de mais de 20 anos, reapareceu recentemente na curta-metragem ‘13/14’
de Ingrid Gogny”. – Decantados filmes com Katya Berger: “Piccole Labbra” (1978), o regresso do
soldado a casa com os genitais estraçalhados na guerra que se enrabicha pela
filha de 12 anos do estalajadeiro. Ou “Storie di ordinaria follia”
(1981), estreia quinta-feira, 3 de fevereiro de 1983 no cinema Castil. Katya é
a miúda na praia que pergunta: “De onde te vem a poesia?”, Charles Serking (Ben
Gazzara): “Mostra-me as tetas e faço-te um poema só para ti”, ela: “Vem para a
minha ilha, vem. Podes saber tudo sobre poesia, mas não conheces o caminho ”, Charles Serking: “E
o sol brande misericórdia / mas como uma tocha lá no alto, / e os jatos cruzam
ao seu lado / e os foguetões saltam como sapos, / a paz já não é, por alguma
razão, preciosa / a loucura flutua como almofadas de lírios / numa lagoa
circulando insanamente / os pintores pintam molhando / os vermelhos e os verdes
e os amarelos, / os poetas rimam a sua solidão, / os músicos morrem de fome
como sempre / e os escritores erram o alvo, / mas não os pelicanos, as gaivotas
/ os pelicanos mergulham, sobem, / arrepiados quase mortos / com peixes
radioativos nos bicos; / o céu acende-se de vermelho e laranja, / as flores desabrocham
como sempre / desabrocharam mas cobertas de uma fina poeira / de combustível e
cogumelos / cogumelos envenenados; / e em milhões de alcovas / os amantes se
entrelaçam e perdidos / e doentes como a paz; / Não podemos acordar? devemos
para sempre / queridos amigos, morrer enquanto dormimos?”, extratos do poema The Sun Wields
Mercy, de Charles Bukowski. {YouTube} a).
–
a) Que se lixe o espetáculo, a arte deve
continuar. “Primeiras
cenas de nudez das estrelas”. Mischa Barton: “Não me importo com a nudez,
desde que seja necessária para a história, quero dizer, é um pouco estranho,
porque estamos, tipo, nuas num quarto cheio de estranhos”. Há um momento de
reserva do corpo feminino que lhe aumenta o valor, escreve Georges Bataille: “Na
maior parte dos casos, o objeto oferecido à procura masculina esquiva-se.
Esquivar-se não significa que a oferta não se dê, mas que as condições
requeridas não tiveram lugar. De resto, mesmo que o tenham tido, a fuga
inicial, aparente negação de oferta, sublinha o seu valor”, em “O erotismo”. Valorizada,
Mischa, desnuou-se em frente de eventuais estranhos em “The Oh in Ohio” (2006), “Closing
the Ring” (2007), "Assassination of a High School President" (2008)…
[2] Annie
Belle,
nascida em Paris, 10 de dezembro de 1956. “Belle teve o seu
primeiro papel, antes dos 18 anos, no filme de 1974 de Jean Rollin ‘Tout le
monde il en a deux (ou Bacchanales
sexuelles)’ b), no qual tem apenas um
pequeno mas memorável papel. Rollin adorou trabalhar com Belle, então decidiu
recrutá-la para o seu filme de 1975 ‘Lèvres
de sang’, e essas foram as únicas vezes que ela trabalhou com o realizador.
Pouco depois de rodar ‘Lèvres de sang’, Belle mudou-se para
Itália e depressa se tornou uma das mais requisitadas atrizes do cinema exploitation italiano, protagonizando,
apenas em 1976, três filmes maiores: ‘Laure
(ou Forever
Emmanuelle)’,
real. Emmanuelle Arsan, ‘Blue
Belle (ou La
fine dell’innocenza)’ e
‘Veluto
nero’ c/ Laura Gemser [estreia quinta-feira, 10 de maio de 1979 no cinema
Pathé]. ‘Blue Belle’ foi um dos pontos-chave na carreira de Belle, um filme
onde é mencionada como co-argumentista, e chamou ao realizador Massimo
Dallamano ‘um grande profissional e um homem talentoso’. Um dos filmes de Belle
mais controversos foi ‘Veluto nero’. Belle
recorda-se de ‘Forever Emmanuelle’ como um filme ‘não muito bom’. No início de
1980, Belle trabalhou em filmes italianos, ‘La casa sperduta nel parco’
(1980), o qual recorda como sendo muito ‘cruel’ e também muito ‘interessante’ e,
em dois filmes de Joe D’Amato, ‘Absurd (ou Rosso sangue)’
e ‘L’alcova’
(1985). Belle adorava D’Amato, chamando-o um grande diretor de atores e também
disse que ele poderia ter sido, de facto, ‘um dos maiores cineastas de sempre’. Problemas pessoais
abrandaram a sua carreira nos anos 80 e em 1989 entrou no seu último filme ‘Luna di sangue’,
depois retirou-se”.
–
b) “As
amizades descolam com um bom começo, quando a insaciável Joëlle Coeur e a
sua amiga Michelle (Marie-France Morel) chegam a um apartamento parisiense bacano,
onde vão passar algum tempo a cuidar da casa do primo de Joëlle, um jornalista
que está fora cobrindo uma grande reportagem. Com desenhos de Phillipe Druillet
emoldurados na parede, bugigangas góticas sobre a cornija da lareira e
prateleiras cheias de estranha e rara literatura francesa, de certeza parece-se
com o apartamento de Jean Rollin. (…). ‘Tens algo que se beba?’, pergunta
Michelle. Embicando de imediato Joëlle para a cozinha, volta com vodka e
vermute, que elas emborcam diretamente das garrafas. Para completar o ambiente,
Michelle dirige-se para o gira-discos e coloca a agulha no LP ‘Go Home’, do grupo
de jazz avant-garde Art Ensemble of Chicago”.
[3] Mandy Rice-Davies foi uma
das prostitutas, ditas call girls, que na alvorada da década de 60
animaram o Governo conservador inglês. A outra foi Christine Keeler. A imprensa
chamou-lhes “vice girls”. O ministro da Guerra John
Profumo comeu. Christine Keeler “a call
girl e modelo, cujo caso com o
ministro John Profumo perseguiu o Governo de Harold Macmillian, foi presa
durante nove meses em dezembro de 1963 por perjúrio. Contando isso aos seus
pais atrás das grades na prisão de Holloway, ela tenta tranquilizá-los dizendo
que está a aguentar-se. Então com 21 anos, escreveu: ‘Não se preocupem, estou
bem, na verdade, é como regressar à escola, e há aqui uma rapariga com quem
andei na escola’. Keeler tinha apenas 19 anos, quando começou o seu caso com
Profumo em 1961, após ele tê-la visto a sair nua da piscina na Cliveden House,
perto de Marlow, durante um passeio ao fim da tarde com a esposa. A subsequente
mentira de Profumo, na Câmara dos Comuns, sobre o caso, precipitou a sua
renúncia, e, possivelmente, a derrota dos conservadores em 1964” . Working girl de Stephen
Ward, “um osteopata com um biscate na prostituição para a classe alta, Keeler
ascendeu à fama durante o julgamento de Ward, em 1963, acusado viver de
‘rendimentos imorais’ c). A sua reputação foi
lacrada por uma foto, dela, escarranchada numa cadeira, sem
nada vestido, tirada nesse verão”.
O
fotógrafo Lewis Morley recorda: “Esta foto era uma de uma série de fotografias
publicitárias para um presumível filme que nunca viu a luz do dia. Só em 1989 é
que um filme dos acontecimentos de 1963 foi lançado, com o título ‘Scandal’. A
sessão fotográfica aconteceu no meu estúdio que, na altura, estava situado no
primeiro andar do Establishment, um clube noturno satírico, em parte
propriedade de Peter Cook, famoso pela comédia teatral ‘Beyond The Fringe’. Os
números satíricos ocorriam num pequeno palco no rés-do-chão do clube. O Dudley
Moore Trio tocava jazz na cave. (…).
Os produtores do filme estavam presentes e exigiram que ela se despisse para algumas
fotos nuas. Christine estava relutante em fazê-lo, mas os produtores
insistiram, dizendo que estava escrito no seu contrato. A situação ficou
bastante tensa e chegou a um impasse. Sugeri que todos, incluindo o meu
assistente, saíssem do estúdio. Virei-me de costas para a Christine dizendo-lhe
para se despir, e se sentasse com cadeira ao contrário. Ela estava agora nua,
cumprindo as condições do contrato, mas ao mesmo tempo estava tapada”.
“A
cadeira, inspirada num do mais bem sucedidos designs de mobília do século XX, está no centro da história de uma
das mais inesperadas aquisições do Museu Victoria and Albert. A cadeira em que
se sentou Christine Keeler na célebre sessão fotográfica, foi corretamente
identificada como uma falsificação, ou imitação, da cadeira clássica, modelo
3107, de Arne Jacobsen. O fotógrafo Lewis Morley tinha comprado meia dúzia delas
nuns saldos no Heal’s por 5 xelins cada em 1960. A cadeira está
inscrita, por baixo, por Lewis, com os nomes dos muito famosos que a
obsequiaram com o seu traseiro, incluindo Sir Robert Frost, Joe Orton e Dame
Edna Everage”.
“Em
março de 1964, Keeler escreveu que esperava capitalizar com a sua celebridade
quando fosse libertada. ‘Sou apenas jovem e devo começar uma carreira de algum
tipo, visto o meu nome ser bem conhecido. Poderia muito bem continuar com isso
e fazer-nos muito dinheiro ha! ha!’, escreveu ela aos pais. Contudo, a sua
carreira como uma pin-up foi
relativamente curta e ela acabou a viver numa série de casas da Câmara”.
“Naquela época, lembra um contemporâneo, ‘cada homem na sala queria fazer sexo
com ela’. Atualmente, a avó de 71 anos vive sozinha numa habitação social (sheltered house) em Beckenham, sul de Londres, com os seus gatos”. A outra, “Mandy Rice-Davies
capitalizou a notoriedade que o julgamento lhe trouxe, comparando-se a Lady
Hamilton, a amante de lorde Nelson. Converteu-se ao judaísmo e casou com o
empresário israelita Rafi Shauli, abrindo vários clubes noturnos e restaurantes
em Telavive. Foram
chamados Mandy’s, Mandy’s Candies e Mandy’s Singing Bamboo. Em meados dos anos
60, Rice-Davies gravou uma série de singles
pop fracassados para a etiqueta
Ember, incluindo ‘Close
Your Eyes’ e ‘You Got
What it Takes’. (…). No auge do escândalo Profumo, o primeiro
primeiro-ministro da Malásia independente, Tunku Abdul Rahman, veio a Londres
para uma visita. Numa receção, no aeroporto de Heathrow, quando lhe perguntaram
o que queria fazer primeiro, ele retorquiu ‘Eu quero Mandi’, o que chocou a
festa de receção, porque eles não sabiam que ‘Mandi’ significa ‘tomar um banho’
em malaio”.
“Talvez
o mais fascinante de tudo, é que, apesar de antigamente serem tão unidas que
alinhavam em comboios de sexo a três, incluindo com Douglas Fairbanks jr., as
duas mulheres não se falam há 30 anos. Rice-Davies, que também é avó, afirmou
que não sabe por que a ex-amiga nunca mais lhe falou. ‘Por alguma razão ela não
gosta de mim, talvez por que vivi no estrangeiro e escapei a muito do óbvio
preconceito que ela sofreu’. Mas segundo um antigo conhecido de Keeler, a visão de Rice-Davies
envolvendo-se na ribalta outra vez, seria demasiado para Keeler suportar. ‘Ela
sempre considerou Mandy como uma arrivista, que viu o que Christine tinha, no
início, e queria-o. É muito irritante para ela ver quão bem Mandy se safou. Christine
não chega perto da obstinação ou espírito empresarial de Mandy. Teve sempre uma
certa ingenuidade. Sente-se usada por tantas pessoas e ela acabou com nada’.
(…). O veredito de Keeler sobre a sua ex-amiga é mais amaldiçoador. ‘Uma
verdadeira pega’, é como ela descreve Rice-Davies na sua mais recente
autobiografia, ‘Secrets and Lies’, acrescentando: ‘Havia sempre uma surpresa na
sua cara sempre que ela pensava que devia fazer mais do que deitar-se na
horizontal para ganhar a vida. Ou balançar-se de lustres. Nos anos desde que
nos conhecemos, sinto que ela tem deturpado os eventos e me deitado abaixo. Ela
deve ter gostado do meu estilo, no entanto, pois imita-o nas suas fantasias,
tomando conta da minha vida’. (…). Elas conheceram-se no Murray’s Cabaret Club,
no Soho, onde os escalões altos da sociedade londrina bebericam champanhe,
enquanto assistem a espetáculos de raparigas de seios nus – incluindo Keeler e
Rice-Davies – a dançar nas suas mesas em trajes de lantejoulas e meias de rede.
Keeler, que cresceu na pobreza em dois vagões adjacentes em Wraysbury,
Berkshire, tinha 17 anos quando começou a trabalhar lá, na primavera de 1959. Filha
de um polícia, Rice-Davies tinha acabado de fazer 16 anos quando apareceu no ano
seguinte vinda de Solihull, nas West Midlands. Forçada a dividir o seu camarim
pela primeira vez, Keeler logo antipatizou com ela. ‘Tudo nela dizia Quero
casar com um milionário, ela poderia muito bem ter carregado um letreiro’,
escreveu ela na sua autobiografia, acrescentando: ‘Ela tinha impregnado o
cheiro da ambição. Parecia-me sem tato’. Mas atiradas no mesmo fosso de ursos
social, muitas vezes incapazes de ganhar o suficiente para se alimentarem, as
duas adolescentes tornaram-se companheiras, vagueando por Chelsea e Belgravia,
à procura de cafés baratos ou amigos endinheirados para as alimentarem.
‘Descobrimos que dando-nos bem era mais fácil do que sermos más uma para a
outra’, lembra Keeler. Foi no Murray’s Cabaret que Keeler conheceu o osteopata
Stephen Ward, que contava entre os seus clientes Winston Churchill, Frank
Sinatra e Elizabeth Taylor, e tinha a reputação de fornecer jovens atrativas acompanhantes
aos seus amigos ricos”.
–
c) Stephen Ward introduzira Christine Keeler na
cama de Profumo e na do adido naval russo e espião Yevgeny Ivanov e Mandy
Rice-Davies na do visconde de Astor, entre outros, no mundo de orgias
frequentadas por aristocratas, políticos e estrelas de cinema. “Quando o
ministério público notou que lorde Astor negou o caso e mesmo de alguma vez a
ter conhecido, Mandy respondeu: ‘Ele o negaria, não negaria?’”.
[4] A alegria da liberdade. “Fashion Monster” (2013): “Não quero ser uma boa rapariga como as
outras, não sentes o mesmo / Não quero ser amarrada pelas regras dos outros /
Ser egoísta, coração a bater, quero continuar assim”. “Kiriko Takemura nasceu a
29 de janeiro de 1993, conhecida pelo seu nome artístico Kyary Pamyu Pamyu, é
uma modelo, bloquista e cantora japonesa. A sua imagem pública está associada à
cultura kawaisa [significa
‘adorável’, é a qualidade de fofura no contexto da cultura japonesa] e decora
[subcultura de moda jovem caraterizada por roupas coloridas com excesso de
acessórios e brinquedos], concentrada no bairro Harajuku de Tóquio. (…). Kyary
explicou o seu nome artístico numa entrevista para a MTV japonesa. Ao usar
perucas loiras como uma afetação de moda no liceu, uma amiga começou a
chamar-lhe Kyari, porque ela adotou a cultura ocidental e parecia-se ‘como uma
rapariga estrangeira’. O nome pegou. Ela pensou que o nome Kyari – a soletração
fonética japonesa do nome ocidental Carrie – era muito curto e ‘faltava-lhe
algo’. Juntou-lhe Pamyu Pamyu porque soava fofo. Ela refere o seu nome
artístico completo como Caroline Charonplop Kyary Pamyu Pamyu” ▬ “PonPonPon” (2011) ♫ “Tsukematsukeru / pestanas
postiças” (2011), “Kyary declarou que a música foi criada após trocar mensagens
com o seu produtor, Nakata Yasutaka. Kyary disse que se tornara viciada em
colocar pestanas postiças e Nakata respondeu-lhe que ‘Tsukematsukeru soava
bem’”.
[5] Ou acaba o mundo ou acaba
o corpo. (Futuros não existem na vida real, só na Economia e apenas por inépcia
da atual classe política). “Un amour de jeunesse”
(2011), real. Mia Hansen-Løve, c/ Lola
Créton, Sebastian Urzendowsky… “Paris, 1999. Camille tem 15 anos e está apaixonada
no amor e no sexo por Sullivan, que tem 19 anos. Sullivan planeia uma viagem de
dez meses à América do Sul com os seus amigos. Não leva Camille com ele, o que
a faz sentir-se bastante insegura e ressentida. Antes de Sullivan partir, eles
passam algum tempo na casa de montanha de Camille em Ardeche, a cavalgar pelos
campos, a colher amoras, a desfrutar do sol e a nadar no Loire. Quando regressam,
no outono, Sullivam parte, escrevendo cartas a Camille, enquanto ela traça a
rota dele num mapa na parede do quarto de dormir. O tempo passa, e Sullivan
deixa de escrever. Camille entra em depressão e acaba num hospital depois de
uma tentativa de suicídio. Mas ela segue a sua vida em frente. Em 2003, quatro
anos decorreram, e Camille é uma estudante de arquitetura. Seguiu com a vida,
cortou o cabelo, tem um emprego, e lentamente começa a apaixonar-se pelo seu
professor Lorenz”.
Banda sonora deste amor
adolescente: Violeta Parra “Volver a los 17” ♫ Violeta Parra
“Gracias a la vida” ♫ Matt McGinn “Little Ticks of Time” ♫ Patrick Street
“Music for a Found Harmonium” ♫ Andrew
Cronshaw “Wasps in the Woodpile” ♫ Miss Kittin
& The Hacker “Frank Sinatra” ♫ We in Music “Now That Love Has Gone” ♫
Johnny Flynn e Laura Marling “The Water”.
no aparelho de televisão
“L’Heure Simenon” (1987-88), duração 52 min., coprodução
franco-germano-hélvetico-austro-holandesa baseada nos romances de Georges
Simenon. Transmitida às terças-feiras cerca das 22:30 na RTP 1. De 12 de julho /
23 de agosto de 1988. Episódio 3 “Strip-tease”: “durante
os anos 50, no universo glauco de uma boîte de província, a vida sem alegria de
uma bailarina a envelhecer”. Episódio 4 “Les demoiselles de
Concarneau”: “levando uma existência sufocante entre as suas duas irmãs, um
homem vê a sua vida irremediavelmente desperdiçada por um acidente, pelo qual
ele não é totalmente responsável”. Episódio 5 “Le fils Cardinaud”:
“saído de uma família proletária, um homem, tornado burguês de moral muito
estrita, não pode aceitar a partida da sua mulher e faz tudo para a
reencontrar”. “Fantasy
Island” (1977-1984), duração 45 min., transmitida às quintas-feiras
pelas 13:30 na RTP 1. De 30 de junho de 1988 / 6 de abril de 1989. “Antes de
ser uma série de televisão, A ilha da fantasia, foi apresentada ao público em
1977 através de dois telefilmes. Transmitida entre 1978 e 1984, a série era
interpretada por Ricardo Montalbán, como Mr. Roarke, o enigmático supervisor de
uma ilha misteriosa no oceano Pacífico, onde as pessoas de todas as classes sociais
podiam vir e viver todas as suas fantasias, ainda que por um preço”, 50 mil
dólares. “A série foi filmada principalmente em Burbank, Califórnia, sendo as
cenas do litoral da ilha mágica, no genérico, filmadas em Moorea, Polinésia
francesa. A casa com a torre do sino, onde Tattoo toca, é o Queen Anne Cottage,
localizado no arboreto e jardim botânico de Los Angeles, em Arcadia. O avião [1], ‘a chegar’ com os convidados, era filmado na
lagoa atrás do Queen Anne Cottage. Às vezes, as cenas exteriores eram filmadas
no arboreto”. Muitos(as)
convidados(as) famosos(as) aterram na ilha como Linda Cristal,
Lola Falana, Sue
Lyon, Tracey Gold,
Samantha
Eggar, Jo
Ann Pflug ou Dorothy
Stratten. Em 1998, a
ABC ressuscitou a série com Malcolm McDowell no papel de Mr. Roarke. “Enquanto
esta versão teve alguns elementos interessantes, não teve o mesmo charme da
série original. Produzida entre 1998 e 1999 rodaram-se 13 episódios. Mr. Roarke
é o anfitrião da nova Ilha da fantasia [2].
Trocou o antigo fato branco por modelos de Giorgio Armani para melhor receber os
seus novos hóspedes. Mr. Roarke está mais irónico, mais misterioso e já não
conta com a assistência de Tattoo” [3]. “Vivá
Música” “programa da autoria de Jorge Pêgo, João Igreja e
Manuel Medeiros. Produção de Manuel Medeiros e apresentação de Jorge Pêgo.
Nasceu para fazer o aproveitamento dos telediscos que iam chegando todos os
dias à RTP. O autor e apresentador era Jorge Pêgo que na mesma altura
apresentava o programa ‘TNT - Todos No Top’ na Comercial. Trabalhava em rádio
desde o início da década de 70 tendo colaborado em televisão no programa
‘Ligeiríssimo’ (1977) [4] e na segunda fase de
‘Semi-Breves’ (1979). Depois de ser convidado para fazer o programa sugere que ele
passe a apoiar a música portuguesa que vivia o emergente ‘boom’ do rock português. O programa começa por
ser transmitido, quinzenalmente, na RTP 2. Graças à popularidade obtida passa a
ser transmitido, todas as semanas, pela RTP 1. [Domingos, cerca das 17:20, de 1
de agosto a 27 de setembro de 1981, no período de férias do ‘Passeio dos
alegres’, de Júlio Isidro]. Os três primeiros programas foram apresentados na
RTP 2. O primeiro foi dedicado ao rock,
[quarta-feira, 27 de maio, 1981, 21:00H], o segundo à Banda do Casaco [10 de junho,
22:00 H] e o terceiro ao último álbum de Sérgio Godinho (‘Canto da Boca’) [24
de junho, 21:00 H]. No programa de 10 de junho foram divulgados Banda do Casaco
(‘No Jardim da Celeste’), Dina, Sérgio Godinho e Fisher Z”. Reaparece aos domingos, 17 de
outubro de 1982, cerca das 18:00, para a 2 de julho de 1983 trocar para o sábado,
(com Dina e Heróis do Mar), cerca das 16:00, substituindo o ‘Festa é festa’, do
Júlio Isidro / termina a 10 de setembro de 1983, com um especial Kajagoogoo,
Clube Naval, novo duo português, Grupo Novo Rock (GNR). Regressa pelas
18:15 aos sábados, 2 de janeiro / 10 de setembro de 1988. “Philip Marlowe, Private Eye” (1983-1986),
duração 60 min., transmitida às quintas-feiras cerca das 21:30 na RTP 1. De 2 a 30 de agosto de 1984. “Durante
a década de 30, o detetive de Los Angeles, Philip Marlowe, confia
na sua esperteza, instinto, arma e whisky para resolver muitos dos piores
crimes da cidade”. Dos
livros de Raymond
Chandler: “Ela cheirava da mesma forma que o Taj Mahal parece ao luar”, em “The
Little Sister” (1949). “Cagney
& Lacey” (1981-1988), duração 60 min., transmitida aos domingos
pelas 19:00 na RTP 1. De 16 de dezembro de 1984 / 6 de janeiro de 1985. “O
produtor Barney Rosenzweig foi influenciado pelo feminismo através da sua então
namorada Barbara Corday, que lhe recomendou o livro ‘From Revenge to Rape’ de
Molly Haskell. Depois de saber por Haskell que nunca tinha havido um filme de
compinchas feminino, Rosenzweig procurou fazer um, uma comédia inicialmente
chamada ‘Newman & Redford’ (antes de alterar o título por razões legais). Barbara
Avedon & Corday escreveram o guião. Nenhum estúdio queria fazer o filme [5], então Corday ponderou levá-lo para a televisão.
Rosenzweig pegou no guião, removeu a trama principal (deixando apenas os traços
dos personagens), e levou-o a todas as estações de televisão, mas só a CBS lhe
pegou”. “A maioria dos episódios de Cagney & Lacey lidavam com as
dificuldades quotidianas encontradas por duas mulheres numa profissão predominantemente
masculina. Isso implicou muito mais do que simplesmente apresentar conflitos de
género no local de trabalho, embora certamente havia muitos deles. Em vez
disso, esta estrutura dramática requeria uma reconsideração de toda a estrutura
genérica da ‘série policial’. Enquanto as duas mulheres tratavam com questões
como ‘violência’, ‘armas’, ‘criminosos masculinos’ ou ‘as ruas’ – todos os
elementos da ficção policial – os argumentistas e produtores, bem como as
audiências eram obrigados a refletir sobre as novas ressonâncias dentro do género”. Trivia:
“no início das suas carreiras, Miguel Ferrer e o seu irmão Rafael estiveram
ambos em papéis convidados na série. Na filmagem do seu episódio estavam tão
juntos que os irmãos foram de férias para o local de filmagem, acompanhados
pelo seu pai José Ferrer. Convidado para ir ter com eles, estava o seu primo
George Clooney, que falhara encontrar trabalho como atleta profissional e
estava sem rumo quanto à sua escolha de uma carreira. Foi durante estas férias
que Miguel o encorajou a enveredar pela representação”. “O produtor executivo
Barney Rosenzweig estava casado com a cocriadora Barbara Corday quando a série
estreou. Eventualmente, divorciaram-se e Rosenzweig, mais tarde, casou com a
protagonista Sharon Gless”.
___________________
[1] “Da plane! Da plane!”,
esta pacata vida feliz, que lhe trazia sorrisos nas suas hélices, liberdade nas
suas asas, decairá no mais negro sofrimento de um motor engripado na oficina de
um mecânico malévolo. Após o cancelamento da série o avião
foi vendido e, segundo o Oklahoma Bureau of Narcotics, usado para traficar
cocaína para o sudeste de Oklahoma.
[2] Fantasy Island é… Eau
de Toilette para mulheres lançada em 2013 por Britney Spears. “A fragrância
pertence à popular linha de perfumes doces. A linha inclui a Fantasy original
de 2005, Midnight Fantasy de 2006, Hidden Fantasy de 2008 e Circus Fantasy de
2009. O perfume é anunciado como uma escapadela a uma ilha tropical feita de
aromas florais e frutados. Ele abre com um cocktail de citrinos, tangerina,
clementina, arando vermelho e melancia. Flores de jasmim, violetas e frésias
excedem o baixo apontamento de almíscar e cana-de-açúcar”. – Também é uma
compilação de desenhos animados com Duffy Duck e Speedy Gonzales parodiando Mr.
Roarke e Tattoo: “Duffy
Duck’s Movie: Fantastic Island” (1983). – E… cereja, bolo e refrescos com
bolhas, um programa de TV australiano: “Fantasy Island Reality TV”:
“200 belas mulheres, 100 homens ricos e bonitos deixados à solta numa ilha paradisíaca
tropical”.
[3] Hervé Villechaize canta. “Embora popular
para o público, Villechaize provou-se um ator difícil na Ilha da fantasia, onde
continuamente importunava as mulheres e discutia com os produtores.
Eventualmente, foi despedido depois de exigir um salário equivalente a Ricardo
Montalbán”. Nos anos 80, tornou-se muito famoso em Espanha com as suas
imitações de Felipe
González no programa “Viaje con nosotros” de Javier Gurruchaga. Villechaize
suicidou-se na sua casa em
Los Angeles em 1993. Na carta
datada, 3 de setembro, escreveu: “03:00 não posso falhar com uma bala idiota –
Ah! Ah! Nunca ninguém soube da minha dor – por 40 anos – ou mais. Tenho que
fazer isto lá fora menos sujeira”.
[4] Programa que estreou o
vídeo promocional de “Aquele
fim de verão” (1978), uma balada estival pop de Tozé Brito para o primeiro LP das Cocktail – a primeira girl band
portuguesa, c/ Fernanda de Sousa (i.e. Ágata), Rita Ribeiro (filha de Curado
Ribeiro, atualmente bisavó)
e Maria Viana (filha de José Viana).
[5] Um estúdio apoiava o
filme desde que o produtor contratasse Raquel Welch e Ann-Margret para os
papéis principais. “‘Danny Melnick ia fazer o filme, se conseguíssemos Raquel
Welch e Ann-Margret, e orçamentá-lo abaixo de um milhão e seiscentos mil
dólares, mas, infelizmente, o preço e o elenco excluíam-se um ao outro.
Francamente, por um milhão e seiscentos mil dólares não poderia fazer aquele
filme com a minha tia e tio, muito menos com Welch e Ann-Margret’, observou
Barney Rosenzweig”.
na aparelhagem stereo
“Rockin” Reece Undercut
prevê os êxitos musicais para 2009 [1]. Disponíveis
ao grande público estão infindos métodos
de adivinhação. Gerais, como: tiromancia (queijo), pelomancia (lama), rapsodomancia
(textos), oomancia (ovos), nefelomancia (nuvens), antracomancia (carvão
incandescente), aritmomancia (números), bibliomancia (Bíblia), cleromancia (dados),
alectoromancia (galo). Ou, outros mais particulares da tradição portuguesa
como: oinomancia (vinho), onicomancia (azeite) ou onfalomancia (número de filhos
de uma mulher) [2]. A fertilidade da mulher
portuguesa, sobretudo, a sua fidelidade, permitem prever acroamático êxito de Canuco Zumby ft. Bernardina
“Minha xuxa”: “Isso é
p’ro meu marido / P’ra mais ninguém”, canta ela com compostura pelo lar e
altar. – Nas sociedades livres, a vida das pessoas não o pode ser, e o seu
consumo tem que ser controlado, para autonomia nula, orientado, para lucro supremo,
sintonizado, na tinta (cola social) da classe dominante [3]. No caso da música esse instrumento produtor chama-se
versificador. George Orwell em “1984”:
“Havia semanas que a canção estava em voga em Londres. Era uma das
inúmeras músicas publicadas para as proles por uma subsecção do Departamento de
Música. As letras eram compostas, sem intervenção humana, num instrumento
chamado versificador”.
Na
criação da sociedade perfeita, aquela com controlo absoluto sobre os cidadãos
para que estes, por sua vez, possam ser livres, a ciência desmoça territórios.
“O Projeto Genoma
da Música foi inicialmente idealizado por Will Glaser e Tim Westergren no
final de 1999. Em janeiro de 2000, uniram forças com Jon Kraft para fundar a
Savage Beast Technologies para levar a ideia ao mercado. O Projeto Genoma da Música era um
esforço para ‘capturar a essência da música ao nível fundamental’ usando quase
400 atributos para descrever as canções e um algoritmo matemático complexo para
os organizar. Sob a direção de Nolan Gasser, a estrutura musical e execução do
Projeto Genoma da Música, composto de 5 genomas (pop / rock, hip-hop / eletrónica, jazz, world music e clássica),
estavam avançados e codificados. Uma determinada canção é representada por um
vetor (uma lista de atributos), contendo aproximadamente 400 ‘genes’ (análogos
aos genes determinantes de uma caraterística para os organismos no campo da genética).
Cada gene corresponde a uma caraterística da música, por exemplo, sexo do
vocalista, nível de distorção na guitarra elétrica, tipo de coros, etc. As
canções rock e pop têm 150 genes, as canções rap
têm 350 e as canções jazz têm
aproximadamente 400. Outros géneros de música, como world e música clássica, têm 300-500 genes”.
A
sociedade perfeita é biológica, debaixo da pele tocam estações de rádio, basta
a estrutura política rodar os botões para o cidadão dançar (trabalhar). “A música do ADN e
as proteínas”. “A estrutura do ADN e os genes subentendem uma harmonia que
certos artistas e compositores transcreveram na sua música. Para além destas
visões de artista, a física quântica mostra, graças a Joël Sternheimer, que a
cada aminoácido, compondo uma proteína, está associada uma onda de escala, que
pode ser transcrita numa nota de música. Através da música das proteínas ou
protéodias, é possível entrar em diálogo íntimo com o organismo, o que abre
perspetivas apaixonantes e novas na agricultura e na medicina. (…). Acontece
que certas músicas populares contêm protéodias, naturalmente, sem que o seu
compositor tenha consciência. É, por exemplo, o caso do tema ‘O Sole Mio’, uma canção
popular de Nápoles tornada célebre pelo tenor Enrico Caruso. Corresponde à
estimulação de uma proteína que tem um papel de acumulação de energia nas
células do girassol. (…). Como é divertido, quando pensamos que o girassol
armazena continuamente energia nas suas células, quando lhe cantamos ‘O Sole
Mio’ sob um sol brilhante de verão! É também o caso do ‘Canon’ de Pachelbel, cujo
tema corresponde a um proteína antistress, e da canção ‘Aimer’, extraída da
comédia musical ‘Romeu e Julieta’, cujo tema corresponde a uma proteína que
favorece a fertilidade. Efetivamente, houve um aumento da natalidade na época
(em 2002)”.
Os
músicos também estão no compasso certo da sociedade perfeita. David Cope: “Comecei
as Experiências em
Inteligência Musical em 1981, como resultado de um bloqueio
criativo. A minha ideia inicial envolvia a criação de um programa informático que
tivesse a perceção do meu estilo musical geral e a habilidade de seguir as ideias
de um trabalho em processo criativo, de tal forma que, num determinado momento,
eu pudesse requer a próxima nota, o próximo compasso, os próximos dez
compassos, etc. A minha esperança era que esta nova música fosse, não apenas
interessante, mas relevante para o meu estilo e trabalho atual. Porém, tendo
muito pouca informação sobre o meu estilo, comecei a criar programas
informáticos que compunham obras completas nos estilos de vários compositores
clássicos, sobre os quais eu sentia que conhecia algo de mais concreto”.
Dave Solder e Nina Mankin, com
base num inquérito realizado na primavera de 1996 a 500 pessoas, escreveram
a música e letra das músicas Mais Desejadas e das Mais Indesejadas. “Este
inquérito confirma a hipótese que, atualmente, a música popular fornece,
realmente, uma estimativa precisa dos desejos da vox populi. O conjunto
mais apreciado, determinado pela atribuição de uma notação por parte dos participantes
à combinação dos seus instrumentos favoritos, compreende um grupo de tamanho
moderado (três a dez instrumentos), consistindo em guitarra, piano, saxofone,
baixo, bateria, violino, violoncelo, sintetizador, com vocais baixos masculinos
e femininos cantando no estilo rock /
R&B. As letras favoritas narram uma história de amor e o ambiente favorito
para ouvir era em casa. A
única caraterística, nos temas das letras, comum a ambas as categorias, mais
desejadas e mais indesejadas, é ‘estimulo intelectual’”.
Conselhos.
Dos bons. “The
Manual (How to Have a Number One the Easy Way)”: “Em primeiro lugar, você
deve estar teso e no desemprego. Qualquer pessoa com um emprego decente ou
dedicada a tempo inteiro à educação, não terá tempo para despender para
conseguir realizá-lo. Além disso, estando no desemprego dá-lhe uma perspetiva
clara de como grande parte da sociedade é gerida. Se você já for um músico pare
de tocar o seu instrumento. Melhor até, venda droga. Tornar-se-á mais claro à
frente, por enquanto, acredite na nossa palavra. (…). Ainda pior do que ser um
músico é ser um músico numa banda. Bandas a sério nunca chegam a Número Um, a
menos que sejam fantoches. (…). Não ter dinheiro aguça o engenho. Força-o a
nunca tomar a decisão errada. Não há rede de segurança para o apanhar quando
você cair”. The Manual “é
um livro de 1988 dos Timelords, (Bill Drummond e Jimmy Cauty), mais conhecidos
como The KLF. É um guia, passo a passo, para alcançar um single n.º 1, sem dinheiro ou competências musicais, e um estudo da
sua paródia pop ‘Doctorin’ the Tardis’”,
n.º 1 no Reino Unido.
A
indústria não ficou de ouvidos moucos. “A Polyphonic HMI anunciou (2004) que
orientou a produção de uma canção de êxito. A primeira canção a ser lançada,
cujo produtor usou o Hit Song Science (HSS), como instrumento de produção,
atingiu ‘alta rotação’ no lançamento e estreia no mercado. A canção, ‘Left Outside Alone’, foi
lançada para a rádio na Europa no final de fevereiro e já está a queimar os tops. O diretor de programas do Rádio
Hamburgo, Marzel Becker diz que a canção ‘porta-se muito bem (pela reação dos
ouvintes) e pusemo-la em alta rotação’. A canção foi produzida por Glen Ballard
e Dallas Austin, com produção adicional e mistura feitas pelo produtor vencedor
de um Grammy, Ric Wake, que usou o serviço da Polyphonic HMI para calibrar o
trabalho para padrões matemáticos ideais”.
A “uPlaya fornece a músicos independentes ou
sem contrato retorno imediato da sua música. O Hit Song Science da uPlaya
analisa tecnicamente canções carregadas pelo seu potencial de sucesso através
da deconvolução espetral”. “Desde músicos a sonhar na sua garagem a
multinacionais, tais como a Sony ou a Universal, toda a gente está a usar
clandestinamente uma nova e controversa tecnologia para ganhar vantagem sobre
os seus concorrentes. E, tal como nos atletas e as drogas que melhoram o desempenho,
há uma relutância notável em falar disso. Mas o segredo está na rua: a
indústria de gravação, antigamente um bastião do talento criativo rebelde, está
a sucumbir à simples, fora de moda, ciência da análise estatística. (…). Este
equivalente computorizado do programador de televisão Juke Box Jury é conhecido
como Hit Song Science. Foi desenvolvido por uma empresa espanhola, a Polyphonic
HMI, que usou décadas de experiência a desenvolver tecnologia de inteligência
artificial para o setor bancário e indústrias de telecomunicações, para criar
um programa que analisou os padrões matemáticos subjacentes na música. Isolou e
separou 20 aspetos da construção de uma canção, incluindo a melodia, harmonia,
progressão de acordes, batida, tempo e altura, e identifica e cartografa
padrões recorrentes numa canção, antes de a fazer corresponder a uma base de
dados contendo 30 anos de singles de
sucesso da Billboard – três milhões e meio melodias no total. O programa então
atribui à canção uma pontuação que regista, de facto, a probabilidade e ser um
sucesso nos tops”. David
Meredith, CEO da Music Intelligence Solutions, sobre o software Hit Song Science: “(É) uma série de algoritmos que usamos
para procurar qual é possibilidade de uma canção ficar no ouvido, para ter
esses padrões na música, que corresponderão àquilo que as ondas cerebrais
humanas achariam agradável”. O negócio de vender ao povo o que o povo quer e
precisa é um hit. Mike McCready,
cofundador da Polyphonic HMI, no final de 2005, partiu para fundar em 2006 a Music Xray.
Clientes
satisfeitos. Os Tyrannosaurus
Grace. Diz o seu
teclista e engenheiro de som Justin
Foss: “Adoramos que uPlaya seja um serviço que se dedica a ajudar artistas,
e ajuda a fortalecer-nos ainda mais, para tomarmos a nossa carreira musical nas
nossas mãos”.
Nota
final. “A fórmula
científica para prever uma música de sucesso”. “Deve notar-se que nem todas
as tentativas para prever êxitos se focam na desconstrução do ADN das
caraterísticas da canção. Há outras abordagens que tomam um rumo completamente
diferente, tal como a que se baseia na análise linguística de opiniões Online
sobre a canção. Todavia, talvez a mais impressionante de todas seja a abordagem
do grupo da Universidade
Emory, que usa imagens de ressonância magnética do cérebro das pessoas,
quando ouvem uma canção, como base para as suas previsões”.
Êxitos retumbantes:
Agricultor Debaixo do Tractor
“oriundo de Aveiro, o grupo era liderado por Ivar Corceiro, um dos
urbano-depressivos locais que um dia desejou criar uma banda experimental com
influências de Nurse With
Wound e Negativland,
projetos que, à data, estavam na baila. Ivar Corceiro (teclas, voz, recolhas
sonoras), Paulo Corceiro (teclas, voz, sampler),
Carla, Pôlas e Pedro Serrazina (colaborações diversas) foram os integrantes da
banda que, formada em outubro de 1990, gravou duas maquetes utilizando apenas
órgãos infantis, colagens sonoras de sons pilhados algures, samplings de discursos e algumas linhas
rítmicas para dar um tom modernaço. Os amigos logo anunciaram que se havia
descoberto o futuro da arte. Deram por encerrada a sua actividade logo a
seguir. Ivar Corceiro foi também mentor dos projetos Criança Carbonizada, Grupo
Excursionista e Astrólogo Perneta. Trabalha atualmente na área do cinema, faz ilustração
infantil e está a preparar um novo projeto designado Annoying Pop Up. Paulo
Corceiro integrou ainda na década de 90 – conjuntamente com o seu irmão Ivar,
Zé Tó e Filipe Álvelos – outros projetos como os Paul Aroid, bem mais sério e
tecnicamente coerente que os anteriores devaneios”
► “É pra todos” (1991) ♫ “Super scope antitártaro”
(1991). Friedrich que se lixe “originários de
Alcobaça nunca alcançaram grande sucesso comercial mas os seus concertos
esgotavam sempre e eram seguidos por uma legião de fãs por todo lado. Considerados
por muitos a melhor banda rock de
Portugal para a sua época. Eram uma das poucas bandas portuguesas com algumas
letras em inglês. Ainda
hoje é assumida como uma banda lendária da cena musical portuguesa dos anos 80
& 90” ► no Bar Ben ♫ “Prece a Deus” ♫ “Last One”. Tu Metes Nojo “nascidos em 94, estes rapazes eram (e
continuam a ser) uns verdadeiros parolos-billys.
O tipo que berra dava pelo nome de Xano Maxi Lino e andava na escola Quinta das
Flores e era guarda-redes de pólo aquático. Tinha umas sapatilhas nojentas e
umas calças de ganga que, meu deus... (deus com letra minúscula é mesmo
assim).... Bem, o guitarrista de nome To Douglas (o cabelo à Kirk Douglas é uma
delícia) era o maior dos putos parolos. Poupa e hard-creepers e era vê-lo a consumir King Kurt, Klingonz e apagar fogos
com o Paul Fenic. Quanto ao baixista, esse era o maior (atenção que não é o
Brunh quem escreve isto). Brunh era um senhor. Uma pequena poesia: parece que
de luto ando, todo de preto vestido, é o preço que se paga, por ser um gótico
assumido. Quanto ao tipo da bateria, o Miraldinho, esse puto era um pró. Acho
que a palavra pró resume tudo. Assim em 94 estes tipos juntam-se e até 2005
fazem mais concertos que ensaios. Alguns lemas da banda: ‘faz uma banda e tem
prejuízo’, ‘música rápida implica violência’, ‘o papa está connosco’, ‘opá
metes-me cá um nojo se tu soubesses’, ou ainda, ‘esta banda é uma manta de
retalhos’. Alguns ícones da banda: Zé Guru (fundador dos Tu Metes Nojo), Zé
Porco, Tony Fortuna, Papa, couves e nabos, o violador... Frase favorita dos
técnicos de som: mal empregado P.A. para estes gajos...
Alguns momentos altos: expulsos do palco principal da latada depois de terem dito que o Olavo Bilac era o namorado da Ruth Marlene e que a queriam violar, concerto com os Gothic Sex na via latina em que no jantar ainda tentaram falar com o promotor para receberem 10 contos, ou ainda quando na Fuzeta um pescador mostrou a pila e queria atirar um tijolo aos cornos do vocalista. Alguns momentos menos bons: não há. Bem, esta banda acabou quando o papa João Paulo 2 (este 2 também tem a sua classe) morreu. Tinham prometido que assim seria desde o primeiro dia e cumpriram. Deram o seu último concerto no palco RUC, na queima das fitas no dia 13 de maio de 2005. No presente momento são todos homens de sucesso, menos o vocalista” ► “Lição de moral” ♫ álbum “À papo seco” (2001).
Alguns momentos altos: expulsos do palco principal da latada depois de terem dito que o Olavo Bilac era o namorado da Ruth Marlene e que a queriam violar, concerto com os Gothic Sex na via latina em que no jantar ainda tentaram falar com o promotor para receberem 10 contos, ou ainda quando na Fuzeta um pescador mostrou a pila e queria atirar um tijolo aos cornos do vocalista. Alguns momentos menos bons: não há. Bem, esta banda acabou quando o papa João Paulo 2 (este 2 também tem a sua classe) morreu. Tinham prometido que assim seria desde o primeiro dia e cumpriram. Deram o seu último concerto no palco RUC, na queima das fitas no dia 13 de maio de 2005. No presente momento são todos homens de sucesso, menos o vocalista” ► “Lição de moral” ♫ álbum “À papo seco” (2001).
__________________
[1] Desenho animado de David John Firth “nascido em 23 de janeiro
de 1983 é um animador, videoartista, cineasta amador e músico inglês. Como
cartunista o trabalho de Firth é amplamente distribuído via Internet principalmente
no popular site de animação em Adobe Flash ,
Newgrounds, assim como nos seus próprios sites”.
[2] Falta coniculomancia, s.
f. (do Lat. cuniculu + Gr. mancia): adivinhação através das caganitas
depositada por um coelho passeando num prado. Esta adivinhação é fulcral quando
há milagre económico, novo ciclo, sinais positivos da economia, exportações, crescimento,
lato sensu, inversão. Durão Barroso, o turista propositado europeu a), consultou uma coniculomante, concretizou o
prognóstico, enaltece: “Permitam-me também agora, na minha língua materna, uma
palavra muito especial ao primeiro-ministro de Portugal, dr. Pedro Passos Coelho.
Fiquei muito sensibilizado sr. primeiro-ministro, caro amigo, por se ter deslocado
para participar nesta cerimónia. Agradeço-lhe também as suas palavras generosas
e aproveito para lhe expressar a minha sincera admiração pela determinação e
coragem com que tem enfrentado os desafios verdadeiramente históricos que agora
se colocam a Portugal. Gostaria também de lhe agradecer a forma
empenhada, competente e construtiva com que tem contribuído para um
aprofundamento do projeto europeu” (16 de janeiro 2014, em Cáceres, ao
receber o merecido prémio Carlos V).
–
a) Don
DeLillo: “Ser turista é fugir da responsabilidade. Os erros e os defeitos
não se colam em nós como em
casa. Somos capazes de vaguear por continentes e línguas,
suspendendo a atividade do pensamento lógico. O turismo é a marcha da
imbecilidade. Contam que sejamos imbecis. Todo o mecanismo do país hospedeiro
está adaptado aos viajantes que se comportam de um modo imbecil. Andamos às
voltas, aturdidos, olhando de esguelha para mapas desdobrados. Não sabemos
falar com as pessoas, ir a lado nenhum, quanto vale o dinheiro, que horas são,
o que comer ou como o comer. Ser-se imbecil é o padrão, o nível e a norma.
Podemos continuar a viver nestas condições durante semanas e meses, sem
censuras nem consequências terríveis. Tal como a outros milhares, são-nos
concedidas imunidades e amplas liberdades. Somos um exército de loucos, usando
roupas de poliéster de cores vivas, montando camelos, tirando fotografias uns
aos outros, fatigados, desintéricos, sedentos. Não temos mais nada em que
pensar senão no próximo acontecimento informe”, em “Os Nomes”.
Turismo
responsável só em Gustávia, capital de St. Bart’s ou de… Bikini micro, c/ Veronika
Fasterová, em Magaluf, Maiorca. Veronika Fasterová,
1,71 m ,
48 kg ,
82-60-87, sapatos 40,
olhos castanhos, cabelos castanhos, nascida a 8 de outubro de 1987 em Praga. “No
mesmo ano os Guns N’ Roses lançaram o ‘Appetite for Destruction’. Depois de
ouvir o álbum pela primeira vez, ela disse que lhe mudou a vida, inspirando-a a
ter uma rosa tatuada no tornozelo direito”. Fotografou para a Playboy
maio 2012 ♣ fotos
Massimiliano Uccelletti ♣ no lago.
[3] A liberdade obriga a
controlo de camadas que vão desde a música, o cinema, a literatura, a arquitetura,
a política, o trabalho ou… a comida. Guy Debord: “A utilidade essencial da
mercadoria moderna, que apenas pôde desenvolver-se à custa de todas as outras,
é o facto de ter de ser comprovada: e é por isso que, devido a um milagre cujo
segredo só ela conhece e à mediação do capital, é capaz de ‘criar emprego’! Mas
o emprego que nós lhe podemos dar e o uso que dela podemos fazer é postulado
automaticamente ou evocado falaciosamente e, no caso dos alimentos,
conservando-lhes artificialmente algumas caraterísticas da sua antiga origem”,
em “Enganar a fome” b).
–
b) Réplica do situacionismo no século XXI – “The Love Kills Theory”
(2007), dos The Love Kills Theory, banda de Nova Iorque, fundada em 2006 pelo
escritor, músico, produtor cinematográfico Cevin Soling, para publicar as suas
canções após a separação da sua banda The Neanderthal Spongecake.
Em 2007, editam o CD “Happy Suicide, Jim!”, referência a Jim Jones, líder do
Templo do Povo, um culto que se suicidou na Guiana em 1978. “the love kills theory é uma
tentativa artística para trazer a filosofia contemporânea para a narrativa
dominante [ou “história dominante”, precisão teórica inventada pelo brilhante ministro
Poiares Maduro, como uma app para users de discurso descontaminado de José
Sócrates] onde pode ser acessível e relevante. O grupo é liderado por Cevin
Soling, que atualmente está a estudar filosofia para o seu mestrado na
Universidade de Harvard. Os the love kills theory são baseados numa amálgama
das obras de Guy Debord, fundador da Internacional Situacionista, Aldous Huxley
e outros, fundidos com estudos biogenéticos atuais sobre a evolução do
desespero”.
