O que é o SWIFT, a “opção nuclear” das sanções económicas anunciada, e os danos colaterais que daí podem advir
Esta rede é uma espécie de internet dos bancos e
sair dela seria ficar desconectado da economia global, já que este sistema liga
mais de 11 mil instituições financeiras de 200 países. E no passado esta arma
nuclear das sanções económicas já foi usada – entre 2012 e 2016 – contra os
bancos do Irão, impedindo-os de ficarem ligados ao sistema de pagamentos
internacional.
É na pequena cidade belga de La Hulpe que se situa o
quartel-general de uma empresa que pode protagonizar a mãe de todas as sanções
económicas, caso a tensão entre a Rússia e o Ocidente por causa da Ucrânia
continue a escalar. A Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias
Mundiais (SWIFT, na sigla em inglês) controla a rede global na qual bancos e
algumas empresas trocam as mensagens eletrónicas necessárias para realizar de
forma segura operações como transferências bancárias ou ordens de pagamento.
Em 2014, Alexei Kudrin – antigo ministro das
Finanças russo – apontava para uma quebra de 5% do PIB. Mas também há danos
colaterais para quem ativar esta arma. As empresas ocidentais com
presença na Rússia – em especial algumas instituições financeiras – são
potenciais vítimas da decisão. Há bancos europeus com exposições de dezenas
de milhares de milhões de euros ao mercado russo e esta economia é a quinta
maior cliente das exportações das empresas da UE, tendo um peso significativo
na Alemanha, por exemplo.
Outra
possível consequência da ativação da
opção nuclear nas sanções será a de levar Putin e também Xi Jinping a
acelerarem as redes alternativas à SWIFT que têm tentado desenvolver nos
últimos anos, especialmente após a retirada de bancos iranianos dessa rede. Moscovo
lançou, em 2014, uma rede alternativa – a SPFS – que conta atualmente
com 400 bancos, a maioria dos quais russos ou de algumas antigas repúblicas
soviéticas. No entanto, as maiores instituições financeiras do país continuam a
usar preferencialmente a rede SWIFT, caso das sucursais de bancos ocidentais
presentes no mercado russo. Ainda assim, apenas um quinto das transações
domésticas são feitas na alternativa russa à SWIFT, segundo um artigo de Maria
Shagina, investigadora do Centro de Estudos da Europa de Leste da Universidade
de Zurique. Também a China está a desenvolver um rival do SWIFT – a
CIPS –, mas igualmente com uma dimensão global muito reduzida. No
entanto, no encontro entre Putin e Xi Jinping no início deste mês de fevereiro,
os dois países acordaram em intensificar as suas ligações financeiras.
A
internet dos bancos
A
SWIFT é essencial para as instituições financeiras realizarem transferências e
pagamentos
- O que é a rede SWIFT?É uma rede de mensagens financeiras essenciais para os bancos globais trocarem informações para realizarem transações e é indispensável no sistema de pagamentos global. Há cerca de 11 mil bancos de 200 países a usarem a SWIFT, que é gerida pela Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais.
- Quem controla?A SWIFT funciona como uma cooperativa de cerca de 3 500 bancos. Tem um conselho de 25 diretores que representam instituições financeiras, que atualmente inclui um representante russo. A sua atividade é supervisionada pelos maiores bancos centrais do mundo.
- Influência dos EUAA sociedade que gere a SWIFT é neutra em questões de geopolítica, mas opera sob a legislação belga. No caso do Irão, após a UE ter decidido desligar os bancos desse país, a Bélgica aprovou legislação que teve de ser seguida pela SWIFT. Apesar de não estar sujeita à lei norte-americana, os EUA têm uma influência importante na rede devido ao domínio global do dólar. Washington pode forçar decisões através da ameaça de sanções ou de retirada dos seus próprios bancos da rede.
Fonte: Visão, 26 de fevereiro de 2022
Foto: “Bankable” (2002), realização Chi Chi
LaRue, com Briana Banks, Darla Crane, Dasha, Maya Divine, Kylie Ireland, Lola…
2 Comments:
At 10:54 da manhã,
Mariazita said…
Demorei uns (largos) minutos a ler, mas agradou-me muito esta postagem.
E, com passas, (sem serem do Algarve, desta vez) lá demos o salto para o novo ano.
Peço a todos os deuses do Olimpo que o façam sereno e com alguma coisinha de bom - para variar.
Feliz Ano para si e todos os seus.
Bom Fim de Semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS
At 7:54 da manhã,
Táxi Pluvioso said…
No final, são os americanos que controlam a circulação do dinheiro e, por isso, controlam o mundo tornando os europeus uma irrelevância absurda.
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