Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

sábado, Setembro 06, 2014

O FMI desce na Portela

1983. Lisboa, cidade malparecida, mal borrada nuns montes de terra, nos seus arcos enfeitados pouco poisaram as estrelas de escritores, artistas, poetas. William Beckford: “Nunca vi tão detestáveis subidas e descidas, tão escarpadas vertentes e íngremes ladeiras como aqui em Lisboa”. Amadeo de Souza-Cardoso: “Cidade anémica, onanista”. Roger Vailland: “Em Lisboa e pela primeira vez travara encontro com um povo que se tinha desinteressado”. Stefan Zweig: “Agradável deceção… o esplendor dentro da miséria e a miséria dentro do esplendor”. E, o sortudo, que nunca a visitou, Charles Baudelaire: “A cidade é à beira mar; diz-se que é construída em mármore e o povo odeia os vegetais a um ponto tal que arranca as árvores” [1]. Todavia, há anjos debruçados nos telhados das vielas, em Lisboa, são aqueles obrigados a visitá-la, os economistas e técnicos do FMI. Julho, segunda-feira, dia 18, “uma delegação do Fundo Monetário Internacional inicia hoje, em Lisboa, contactos com as autoridades portuguesas tendentes à assinatura de um acordo stand by para a obtenção de um empréstimo de 300 milhões de dólares (cerca de 36 milhões de contos)” [2].
Julho abrira-se promissor, sábado, dia 2, na RTP 1, Veiga Simão, ministro da Indústria e Energia, alteava o custo de vida. “O ministro justificou que os aumentos agora anunciados ‘são maiores porque os combustíveis contribuem substancialmente para o Fundo de Abastecimento (que foi criado em 1974 e se destina a suportar o custo de bens essenciais ao consumo público) e o seu passivo, em fins de 1982, ascendia a 126 milhões de contos’. Acrescentou que a energia consumida em Portugal deriva em 80 % do petróleo e que a seca prolongada encarece o custo de produção de eletricidade. Em petróleo, produtos petrolíferos e energia elétrica, Portugal importou em 1982 240 milhões de contos. Veiga Simão, depois de referir que ‘a dimensão global da crise tem que ser conhecida pelo povo português’ revelou que o Governo ‘vai providenciar para que seja publicado um livro branco sobre a situação económica e financeira do país’” [3].
Terça-feira, 12 de julho, Itália. “Termina hoje o prazo concedido pelos raptores da jovem Emanuela Orlandi para a sua libertação em troca de Ali Agca, o jovem turco que, em maio de 1981, tentou assassinar o Papa João Paulo II. Emanuela, de 15 anos, filha de um funcionário da Santa Sé, foi raptada quando, em 22 de junho, esperava o autocarro que normalmente a conduzia à escola. Após quatro chamadas telefónicas para os pais da jovem Orlandi, os raptores, em contacto com a ANSA, agência de imprensa italiana, expuseram publicamente as condições para a libertação da jovem. Ali Agca, em declarações à imprensa, após ter sido ouvido pelas autoridades policiais, desmentiu categoricamente o seu envolvimento no rapto de Emanuela Orlandi, manifestando, ao mesmo tempo, a sua solidariedade para com os pais da jovem”. Emanuela Orlandi está desaparecida há 31 anos. Em maio de 2002, “o padre Gabriele Amorth, que foi nomeado por João Paulo II como chefe exorcista do Vaticano, e que afirma ter realizado milhares de exorcismos, disse que Emanuela Orlandi foi assassinada e o seu corpo descartado. ‘Este foi um crime com motivação sexual. Eram organizadas festas com um gendarme do Vaticano como ‘recrutador’ de raparigas. A rede envolvia pessoal diplomático de uma embaixada estrangeira na Santa Sé. Acredito que Emanuela acabou vítima deste círculo’, contou o padre Amorth, presidente honorário da Associação Internacional de Exorcistas, ao jornal La Stampa”.
Sexta-feira, 29, FMI exige despedimentos nas empresas públicas. “O atraso das negociações deve-se a desencontros na área das empresas públicas e nomeadamente, à exigência de cortes radicais nos créditos no setor público o que, a concretizar-se implicaria o despedimento de trabalhadores e o adiamento de muitos projetos já em curso. As negociações principiaram no dia 18, sendo a delegação do Fundo chefiada pela economista italiana Teresa Ter-Minasean, que por outras vezes já viera a Portugal para se inteirar dos dados estatísticos e informações de ordem económico-financeira fundamentais para o FMI”. (…). “Paralelamente às negociações do acordo stand by, a delegação portuguesa pretende que o Fundo desbloqueie um crédito de 100 milhões de dólares, solicitado em 1982, ao abrigo da compensatory facility, modalidade de crédito mediante a qual os países membros do FMI podem obter apoios financeiros para compensar uma queda brusca das receitas da exportação, por motivos exteriores à sua economia. Durante o ano passado, o FMI solicitou ao Governo elementos para fundamentar a queda das exportações em 1981, sempre os considerando insuficientes, pelo que não desbloqueou o empréstimo".
Quarta-feira, 10 de agosto, “FMI: a pior receita de sempre. Maior quebra dos salários reais, aceleração do desemprego, travagem no desenvolvimento nacional durante vários anos” [4]. “O ministro das Finanças Ernâni Lopes e o governador do Banco de Portugal, Jacinto Nunes, assinaram na terça-feira a Carta de Intenções, que estava a ser negociada em Lisboa desde o dia 18 de julho, e vai ser enviada ao FMI para que este organismo a aprecie de modo a assiná-la em meados de outubro”. O comunicado do ministério das Finanças justifica que os ajustamentos “deveriam ter sido progressivamente concebidos e executados desde o segundo choque petrolífero de 1979/ 80. [Governo de Sá Carneiro / ministro das Finanças Cavaco Silva; e Governo de Pinto Balsemão / ministros das Finanças Morais Leitão / e depois João Salgueiro]. Nenhum governo responsável poderia evitar a aplicação de uma política conjuntural restritiva apesar das suas consequências negativas no plano do emprego e no nível de vida dos portugueses. (…). O Governo possa realizar o objetivo principal da sua ação: reestruturar e modernizar o aparelho produtivo, isto é, descer à raiz das dificuldades, para criar as condições do progresso a que o povo português justamente aspira. Sem a estabilidade financeira que agora se procura repor, o desenvolvimento económico não passaria de uma miragem permanentemente adiada. É só em nome desse desenvolvimento que se justificam os verdadeiros sacrifícios que a situação efetivamente exige. Cabe a todos os portugueses a responsabilidade de lhes dar conteúdo útil e construtivo”.
O alegre caminho da bancarrota. “Em 1979, a balança de transações correntes estava praticamente equilibrada: o défice atingia, então, 57 milhões de dólares, equivalentes a 0,3 % do PIB. No final de 1982, o desequilíbrio cifrava-se já em 3,2 mil milhões de dólares, que representam 13,5 % do PIB. Para financiar estes défices sucessivos e crescentes, o país foi-se endividando a um ritmo insustentável. Do final de 1979 até abril de 1983, a dívida externa total quase duplicou, passando de 7,3 para 14,2 mil milhões de dólares. Deste modo, a relação entre a dívida externa e o PIB situou-se, em 1982, num nível próximo de 58%. Em 1983, os juros a pagar ao exterior atingem 1,3 mil milhões de dólares e em 1984, mesmo com a introdução de medidas corretoras, subirão, inevitavelmente, para 1,5 mil milhões de dólares” [5].
Objetivos do programa do FMI. “1. – A redução do défice da balança de transações correntes para 2 mil milhões de dólares em 1983 e cerca de 1,25 mil milhões em 1984. No final de 1982, o saldo negativo desta balança atingiu 3,2 mil milhões de dólares. 2. – A limitação do endividamento externo total a 14,6 mil milhões de dólares em 1983 e 16 mil milhões em 1984. No final de 1982, a dívida externa total atingia 13,6 mil milhões de dólares”.
Meios financeiros de apoio “1. Acesso ao mercado financeiro internacional, particularmente importante numa conjuntura como a atual, perturbada pelas repercussões da acumulação da dívida dos países em desenvolvimento. 2. Ao longo do período de vigência do acordo, o acesso a um crédito de estabilização (stand by) no total de 445 milhões de direitos de saque especiais (equivalentes a cerca de 480 milhões de dólares). A utilização deste crédito é repartida em três fatias e condicionada ao progressivo cumprimento dos objetivos contidos na Carta de Intenções. 3. A possibilidade de acesso a um financiamento suplementar, ao abrigo de um outro mecanismo de crédito do FMI, designado por Compensatory Financing Facility. Segundo estimativas preliminares, tal financiamento – disponível ainda em 1983 – deverá cifrar-se em cerca de 200 a 250 milhões de dólares”.
Medidas de política económica “1. Subidas de dois pontos nas taxas de juro das operações passivas e de dois pontos e meio nas taxas das operações ativas. 2. Revisão global dos atuais sistemas de bonificação de juros. 3. Manutenção da atual política cambial, recusando o recurso a novas desvalorizações discretas e mantendo a taxa mensal de 1 % para a desvalorização deslizante, utilizada como instrumento de salvaguarda da competitividade externa das exportações. 4. Controlo dos aumentos salariais das empresas públicas e na função pública – disposição que deverá ter efeitos de arrastamento em relação ao setor privado. 5. Compensação de despesas e recurso a novos instrumentos de fiscalidade direta e indireta ainda nos terceiro e quatro trimestres de 1983, com o objetivo de contrair o défice do orçamento do setor público administrativo, que deverá ser reduzido para cerca de 8 % do PIB em 1983 e cerca de 6,5 % em 1984. 6. Contenção das necessidades de financiamento e aumento do autofinanciamento das empresas públicas. 7. Controlo e redução dos programas de investimento das empresas públicas. 8. Execução de uma política realista nas empresas públicas. 9. Adoção de medidas de acompanhamento e de saneamento económico e financeiro nas empresas públicas que venham a ser abrangidas pela declaração formal de ‘empresa em situação económica difícil’. 10. Como orientação da política económica, a introdução progressiva de elementos de flexibilidade nos processos de formação de preços (sobretudo os preço fixados administrativamente), de modo a criar uma maior transparência e racionalidade no funcionamento da economia”
Sexta-feira, 23 de setembro. FMI à rasca de massa [6]. “O ministro das Finanças Ernâni Lopes, o secretário de Estado do Tesouro António de Almeida, o governador do Banco de Portugal Jacinto Nunes e dois vice-governadores Rui Vilar e Vítor Constâncio, afadigam-se em Washington na tentativa de romper o estrangulamento das disponibilidades portuguesas em divisas para cumprir os compromissos externos. O empréstimo de 300 milhões de dólares (mais de 35 milhões de contos) acordado com o FMI no quadro das negociações da Carta de Intenções com o Governo português era a salvação momentânea: mas está comprometido com o anúncio da suspensão de empréstimos pelo Fundo até meados de outubro. O FMI está sem fundos disponíveis dado o crescimento em flecha de pedidos de auxílio por países como o Brasil, a Índia, o México e a Argentina, com dívidas externas monstruosas. Na base desta crise de tesouraria no FMI está a recusa do Congresso americano em aumentar a quota dos Estados Unidos. Os países industrializados da Europa fizeram saber que enquanto os americanos não aumentarem a contribuição para o Fundo, então não contem com o dinheiro europeu”.
Quarta-feira, 19 de outubro, o ministério das Finanças divulga o texto da Carta de Intenções. “Caro sr. de Larosière [Jacques de Larosière, diretor do FMI, 1978 / 1987]. 1. Nos dois últimos anos, o défice das operações correntes da balança de pagamentos de Portugal deteriorou-se para um nível claramente insustentável a médio prazo. Esta deterioração constitui, em parte, o reflexo de fatores fora do controlo das autoridades portuguesas, incluindo a recessão internacional e as altas taxas de juro no estrangeiro. Outros fatores importantes foram também a manutenção de uma taxa de crescimento da procura interna substancialmente mais elevada que nos outros países e a ausência de adequada flexibilidade nas políticas de taxas de juros e cambial. Por último, a balança de pagamentos continuou a ser afetada por sérios problemas estruturais, incluindo a elevada dependência em importações de energia e produtos agrícolas e uma base de exportações relativamente estreita. A escalada do défice da balança de operações correntes, que cresceu de um nível equivalente a cerca de 5 por cento do PIB em 1980 para 11 ½ por cento em 1981 e 13 ½ por cento em 1982, resultou num acentuado aumento da dívida externa e do peso do seu serviço, que atingiu 27 por cento das receitas de divisas em 1982. (…). Por conseguinte, considera altamente prioritária a redução do défice das operações correntes para US$ mil milhões (9 ¼ por cento do PIB) em 1983 e para cerca de US$ 1 ¼ mil milhões (6 por cento do PIB) em 1984. 2. A melhoria visada para as contas externas será obtida através de um programa global de contenção monetária e orçamental, acompanhado por políticas realistas e flexíveis ao nível das taxas de juros, taxa de câmbio e preços administrativos, e por esforços destinados a moderar o crescimento dos rendimentos nominais. Ao promoverem o crescimento continuado das exportações e a redução das importações, espera-se que estas políticas moderem o impacto da necessária redução da procura interna sobre a produção e o emprego. (…). 5. (…). Do lado da despesa, o Governo limitará as taxas de aumento dos vencimentos dos funcionários públicos em 1984 e alargará o congelamento de admissões em vigor a novas categorias de funcionários públicos até agora isentas, ao mesmo tempo que intensificará esforços para promover a mobilidade de pessoal dentro da administração pública. Procederá igualmente à revisão do sistema de prestações sociais, com vista à eliminação de abusos e à limitação do seu crescimento, de acordo com a capacidade económica do país. (…). 7. O Governo propõe-se iniciar imediatamente a preparação de uma reforma global do sistema fiscal, o qual se carateriza por excessiva complexidade e inelasticidade em relação ao rendimento. O imposto de transações e outras formas de imposição indireta serão substituídos por um imposto sobre o valor acrescentado, que representará a maior fonte de receita indireta do Orçamento do Estado. (…). 9. O Governo atribui elevada prioridade à melhoria substancial e duradoura da situação financeira das empresas públicas. Para tal, será feito um esforço global destinado a conter as necessidades de financiamento dessas empresas e aumentar o seu autofinanciamento. (…). 10. A política monetária será conduzida por forma a assegurar a melhoria programada para a balança de pagamentos e a desaceleração da inflação, que deverá passar de um nível próximo de cerca de 29 por cento no final de 1983 para cerca de 20 por cento no final de 1984. (…). 12. (…). O total do crédito interno concedido pelo sistema bancário (que se situava em Esc. 2,148,9 mil milhões em 31 de dezembro de 1982) não deverá exceder Esc. 2,786.5 mil milhões em 31 de dezembro de 1983, e Esc. 3,416.5 mil milhões em 31 de dezembro de 1984. (…). 13. As políticas financeiras terão que ser coadjuvadas por políticas destinadas a moderar os custos do trabalho, para que a desejada desaceleração da inflação possa realizar-se sem sacrificar indevidamente o crescimento da produção e do emprego. (…). O esforço para moderar o aumento de salários será acompanhado de medidas estruturais, para melhorar a produtividade do trabalho, através do aumento da mobilidade da mão de obra, de programas de formação profissional e outras medidas destinadas a dar maior flexibilidade à utilização da mão de obra (…) [7]. 18. (…). O Governo consultará o Fundo por iniciativa do Governo ou a pedido do administrador-geral, sobre as políticas de balança de pagamentos de Portugal”. Com os melhores cumprimentos, Ernâni Rodrigues Lopes ministro das Finanças e do Plano. Manuel Jacinto Nunes, governador do Banco de Portugal.
Segunda-feira, 26 de setembro, como sempre, nos processos de ajustamento, a Madeira estava falida. “A situação económica da Madeira foi o principal motivo das preocupações de Mário Soares que esteve naquela região autónoma durante três dias, acompanhado por uma delegação governamental em que se integravam o ministro do Trabalho e três secretários de Estado. De acordo com fontes madeirenses, o Governo central teria feito sentir a Alberto João Jardim a necessidade de um programa de emergência estilo FMI para sanear as finanças da Madeira, que está ‘mais que falida’ conforme afirmou um membro da delegação governamental”. “O défice acumulado vai já em 16 milhões de contos e as dívidas das autarquias locais da região, que são apenas onze, ultrapassam os 4 milhões de contos (as autarquias do continente, mais de 160, têm dívidas no valor de pouco mais de 8 milhões de contos). (…). No Funchal correm rumores apesar de desmentidos por Alberto João sobre a grave situação da Caixa Económica do Funchal, que teria já provocado a intervenção, por duas vezes, do Banco de Portugal. Esta situação derivaria, tanto da expansão daquele banco privado sem para tanto ter as infra-estruturas necessárias, em termos técnicos e de capital, como, por outro lado, do crédito malparado, em grande parte concedido às autarquias locais madeirenses. Perante esta situação, que quase se pode considerar desesperada, Soares terá regressado do Funchal no domingo com a garantia do apoio de Alberto João Jardim a um programa de emergência para a região que se traduziria na manutenção da cobertura dos défices, desde que o Governo regional garanta a compressão das despesas públicas[8].
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[1] A era do comércio global – freneticamente, todos vendem a todos – extinguiu as declarações honestas sobre povos, países ou cidades. Os produtores responsáveis, desembarcando num país estranho, instruem-se nas últimas palavras-chave descobertas pelas Relações Públicas para se misturar, massajando a alma coletiva e predispondo ao consumo. A cortesia reina. Durante a tournée de promoção do seu primeiro romance, “The Juliette Society”, declarava, de circunstância, Sasha Grey: “Já cá estive em 2009. (…). Mas passei todo o meu tempo em Lisboa, durante a noite e no Estoril durante o dia. Como tal, desta vez, é uma experiência completamente diferente, ver a cidade durante o dia. É diferente”, no programa Herman 2013. – Sasha Grey, 1,70 m, 49 kg, 83-66-78, sapatos 40, olhos cor de avelã, cabelo castanho escuro, nascida a 14 de março de 1988 em Sacramento, Califórnia, com o toque de Midas: tudo o que ela toca transforma-se em Cultura: na Penthouse julho 2007, fotos de Terry Richardson Em dezembro de 2008, as suas áreas matriciais são moldadas para o Sasha Grey's Deep Penetration Vibrating Pussy and Ass ®, “e agora a Doc Johnson vende a sua réplica da rata e olho do cu de Sasha Grey, completada com pelos púbicos (e também vibração)” Para completude das capelinhas, a mesma empresa também copiou a boca num Deep Throat Pocket Pal No Twistys agosto 2009 Nesse ano interpretou Molly no trabalho de Brody Condon de adaptação contemporânea de “Neuromancer”, uma novela de William Gibson, no New Museum de Nova Iorque Sasha Grey (2011), curta-metragem de Richard Phillips, rodada na Chemosphere House, à saída de Mulholland Drive Em novembro de 2011, no programa Read Across America, leu livros infantis para alunos da 1.ª classe da Emerson Elementary School, em Compton. “Sasha twittou sobre a experiência – chamando aos alunos os mais ‘queridos’ de sempre. (…). Um representante do distrito escolar nega categoricamente que Sasha tenha estado dentro de uma das suas salas de aula” No videojogo Saints Row: The Third (2011) Equal Pay Day” (2012) No BlackBook Mag, fotografada no Sunset Marquis Hotel, em Los Angeles (2012) La comicità di Sasha Grey” (2013). O top 5 dos seus filmes favoritos de todos os tempos: “Escape from New York” (1981), “A Woman under the Influence” (1974), “Pierrot le fou” (1964), “Fat Girl” (2001) e “Stroszek (1977).
No cinema Sasha estreou-se no cinema em “Fashionistas Safado: The Challenge” (2006), e soma mais de 200 filmes no seu palmarés: foi bónus em “So You Think You Can Squirt” (2006) ● “Tight Teen Twarts 2” (2006) ● “GrandTheft Anal 11” (2007) ● “Throat: A Cautionary Tale” (2009)… “Ela não gostava de atores masculinos que pedem: ‘Podemos preparar-nos para a cena fodendo agora durante uns minutos?’. ‘Não sou paga para ser uma fluffer’, diria ela. Ela não gostava de homens que tentavam beijá-la diante das câmaras. ‘Não estou aqui para fazer amor, não estou aqui para ser cortejada’, dizia. ‘Estou aqui para foder’. Ela não gostava de parceiros, masculinos ou femininos, que apareciam pedrados com Vicodin, Valium, cocaína ou metanfetamina. ‘Se você tem que andar metido nas drogas não deveria fazer porno’. (…). Finalmente, ela não gostava de realizadores que a queriam vestir como uma adolescente. ‘Eles pedem-lhe para você trazer roupas de uma miúda de 12 anos’, diz Sasha. ‘Ou vão vesti-la em minúsculas cuecas brancas com uma faixa cor de rosa. É horrível. Vão esticar-lhe o cabelo como uma jovem, ou vão pôr uma maquilhagem ligeira para produzir uma cara fresca de adolescente. Eu tenho 18 anos, é a idade que cada realizador quer. E o porno existe apenas para a masturbação. Mas ninguém deve bater uma punheta sobre uma miúda de 14 anos’”. Sasha, a 8 de abril de 2011, retirou-se do porno aos 23 anos: “Tornou-se evidente que o meu tempo como atriz do cinema adulto expirou. Não se preocupem. Não encontrei Jesus. Uma coisa é certa. Estou orgulhosa em dizer que não tenho arrependimentos. Sinto genuinamente que realizei tudo o que podia como artistaa).
A sua produtividade também enlaçou a música na banda de noise aTelecine. “Telecine é a transferência do filme para vídeo. Faz parte do processamento do filme. Decidimos colocar um ‘a’ antes porque havia uma banda cristã chamada Telecine, e não queríamos lutar por causa de nomes”. Sasha descreveu a sua música como experimental psychedelic death dub. Editaram o álbum “The Falcon and the Pod” (2011): 1. A Secret Ratio” ♪ 2. “Whisper” ♪ 3. “Sodium Vapor” ♪ 4. “A Moist Duck” ♪ 5. “None” ♪ 6. “New Future! ” ♪ 7. “Light Through the Leaves” ♪ 8. “No Other Way” ♪ 9. “4AM” ♪ 10. “Lost” ♪ 11. “Magazine” ♪ 12. “Pathless” ♪ 13. “The Falcon and the Pod”.
a) As diferenças explicadas, através da comida, entre sexo nos filmes e sexo na vida real: “Porn Sex vs Real Sex”.
[2] “Este empréstimo será concedido mediante a assinatura de uma Carta de Intenções, na qual o Governo português de compromete a aplicar determinadas medidas concretas de política económica, que deverão situar-se particularmente nas áreas do crédito e das despesas públicas. (…). Em 1978 o acordo [o primeiro com o FMI] entrou em vigor em março e prolongou-se até março de 1979 altura em que já era uma realidade o reequilíbrio da Balança de Transações Correntes, que havia atingido um nível recorde de 1500 milhões de dólares em 1977 e foi reduzido para cerca de 800 milhões em 1978 e para 50 milhões em 1979”. “A partir de 1980 verificou-se uma rápida deterioração das contas externas da economia portuguesa, tendo o défice das transações correntes passado sucessivamente para 1,3 mil milhões de dólares, 2,8 mil milhões de dólares (1982) e 3,2 mil milhões de dólares (1983). Em virtude desta rápida deterioração das contas externas, a dívida externa do país praticamente duplicou em dois anos, atingindo 13,4 mil milhões de dólares em dezembro de 1983, se se verificar o défice perspetivado para as contas correntes (cerca de 2 mil milhões de dólares). (…). Durante a aplicação do primeiro acordo de Portugal com o FMI (em 1978) foi possível equilibrar as contas externas em virtude de um forte crescimento nas remessas dos emigrantes, nas receitas do turismo e nas exportações. (…). Agora – disseram à ANOP vários economistas – a situação é substancialmente diferente, porque não existem cotas de mercado para recuperar, as receitas do turismo têm decrescido ou estagnado quando expressas em dólares (95 milhões no primeiro trimestre deste ano, igual montante nos primeiros três meses de 1982 e 150 milhões em igual período de 1979), e as remessas dos emigrantes apresentam uma tendência para decrescer quando expressas em divisas. Estes factos vão implicar a utilização de instrumentos de política económica diferentes dos de 1979, mais virados para a redução das importações e do consumo, os quais se situam na área do crédito e da contenção das despesas públicas. Estas medidas terão repercussões ao nível do investimento e consequentemente do emprego. (…). Diferentes economistas disseram que se verificará um significativo agravamento do desemprego, que, segundo o novo inquérito permanente lançado pelo Instituto Nacional de Estatística, era de 11 % da população ativa no primeiro trimestre deste ano. O Governo já adoptou uma série de medidas habitualmente exigidas pelo FMI como foi o caso da desvalorização do escudo em 12 % em termos efetivos e a subida dos preços de um conjunto de bens essenciais, particularmente os combustíveis b). (…). A dureza da política económica a implementar na sequência do acordo com o FMI fica bem expressa no facto de, dos 2 mil milhões de dólares perspetivados pelo Governo para o défice das transações correntes, cerca de 1,2 mil milhões correspondem a juros da dívida externa, valor que em 1978 era de 200 milhões”.
b) “Este tratamento de choque foi, aliás, comunicado ao FMI por uma delegação ad hoc que recentemente esteve em Washington, chefiada por Cavaco Silva, diretor do gabinete de estudos do Banco de Portugal, e de que fazia parte, nomeadamente Maria José Constâncio, subdiretora dos Serviços Centrais de Planeamento, figura chave em anteriores negociações com o FMI. (…). O Governo pretende reduzir o défice das transações correntes de 3,2 mil milhões de dólares (uns 380 milhões de contos) em 1982 para 1,5 mil milhões em 1984, ou seja menos 200 milhões de contos”.
[3] Gasolina super 84$00 (custava 74$00), normal 81$00 (70$00), petróleo carburante 46$00 (40$00), gasóleo 46$00 (40$00), gás em garrafa 51$00 (41$50), gás de cidade 16$50 (12$50). “Um adicional de 65 centavos por quilovátio, no consumidor doméstico, foi aplicado sobre as tarifas de energia elétrica, nos termos de uma portaria publicada no Diário da República, com data do dia 9. A nova taxa é de 55 e 50 centavos para os consumidores em média e alta tensão, respetivamente. (…). O adicional agora introduzido deverá ter caráter temporário, de acordo com a portaria subscrita por Veiga Simão. A sua criação é justificada com a situação de seca que assola o nosso país desde 1980 e o valor cobrado pela EDP deverá ser afeto ao Fundo de Apoio Térmico, que apresentava, em fins de 1982, um défice de 43 milhões de contos. A portaria indica que em 1979 a produção de energia elétrica foi assegurada em 75 % pelas centrais hidroelétricas, enquanto em 1980 esse valor já decrescia para os 50 %. Em 1981, a energia com essa origem cifrava-se nos 31 % e em 1982 crescia para 40 %. Os cálculos para este ano são de 45 %”.
[4] Portugueses suarão as estopinhas e além: “Young Nudist – Boobs Palace”.
[5] Lição aprendida e decorada. Nunca mais as elites portuguesas falirão o país. O povo, reconhecido, vota e dança: “Já não quero olhar, eu quero sentir teu balançar / Eu quero tocar no teu corpo e poder bailar / Eu quero dançar, bem juntinho colado a ti, / ao ritmo do som”: “Já não quero olhar”, p/ músico angolano Adi Cudz. Vídeo c/ Aryane Steinkopf [blindada por Deus], DJ e modelo brasileira, 1,64 m, 59 kg, 94-67-103, cabelo loiro, nascida a 14 de dezembro de 1986 em Vila Velha, Espírito Santo, Brasil. Começou a sua carreira como assistente de palco no programa “Pânico na TV”. Perfil: comida preferida: italiana e japonesa. Defeito: impaciência. Qualidade: determinação. Viagem de sonho: Dubai. {Playboy abril 2012} {Instagram} {site}.
[6] Lei de Murphy: tudo o que pode correr mal vai correr mal. Portugal teso. FMI teso. Bunda no chão. “Bunda”, p/ Putzgrilla Music Gang Bang, banda formada por Hugo Rizo, Rui Martins, Miguel Lamelas e Joana Pitty. Joana Janeiro “Pitty” foi concorrente da “Casa dos Segredos 1”, da TVI e pormenorizou: “A parte do corpo de que mais gosto são as costas”. Os Putzgrilla atuaram na Semana Académica de Lisboa 2014. Felizmente, o dinheiro também aterrou em Lisboa ou não haveria nem para as bananas: “Хочу банан!” (traduz Deus Google “Eu quero uma banana”), p/ Группа Маша Пирожкова ♪ “Я промокла мама” (traduz Deus Google “Tenho mãe molhado”).
[7] No século XXI, os Economistas Portugueses manusearão uma nova medida estrutural: o velho. “O Governo quer incentivar o trabalho a tempo parcial de trabalhadores mais velhos, apoiando, simultaneamente, a contratação de desempregados jovens ou de longa duração. Neste processo, o trabalhador mais velho deverá acompanhar o mais novo, transmitindo ‘conhecimentos e experiência’. O objetivo é ‘promover o envelhecimento ativo e incentivar os trabalhadores seniores a preparar a sua reforma, através da redução do seu horário de trabalho, bem como permitir a entrada no mercado de trabalho de desempregados, designadamente jovens, a quem é igualmente dada tutoria pelo trabalhador sénior’”, em Diário Económico, fevereiro 2014.
[8] O susto acagaçou Alberto João Jardim que nunca mais queimará dinheiro público: “You can tell your ma' / I moved to Arkansa' / Or you can tell your dog to bite my leg / Or tell your brother Cliff / who's fist can tell my lips / He never really liked me anyway”: “Achy Breaky 2”, p/ Buck 22 ft. Billy Ray Cyrus.

na sala de cinema

Night of the Zombies” (1981), real. Joel M. Reed. “Investigadores procuram cadáveres desaparecidos de soldados e ouvem inacreditáveis rumores sobre zombies. Rejeitando esses rumores começam a investigar. Após dois homens serem encontrados mortos, o agente especial da CIA, Nick Monroe, é enviado para eliminar o que se suspeita serem desertores da antiga unidade dos Army Chemical Corps dos EUA. A investigação implacável de Nick descobre um plano macabro de dominação do mundo[1]. Night of the Creeps” (1986), real. Fred Dekker, c/ Jason Lively, Steve Marshall, Jill Whitlow… estreia sexta-feira, 27 de fevereiro de 1987 no cinema Xenon. “Em 1959, a bordo de uma nave espacial, dois alienígenas esforçam-se para evitar que uma experiência seja libertada por um terceiro membro da tripulação. O aparentemente possuído terceiro alienígena atira o contentor no espaço que cai na Terra. Nas proximidades, um universitário leva o seu par a um parque de estacionamento quando veem uma estrela cadente e vão investigar. Aterra no caminho de um paciente mental criminalmente insano em fuga. Enquanto o seu par é atacado pelo maníaco empunhando um machado, o rapaz encontra o contentor, do qual uma pequena coisa semelhante a uma lesma salta para a sua boca. Vinte e sete anos depois, Chris Romero lamuria sobre um amor perdido, apoiado pelo seu amigo deficiente J.C. Durante a semana da praxe na Corman University, Chris vê uma rapariga, Cynthia Cronenberg, e apaixona-se instantaneamente”. “Twice Dead” (1988), c/ Tom Bresnahan, Jill Whitlow… “A família Cates está excitada ao saber que herdou uma velha mansão do endoidecido ator de teatro Tyler Walker. Chegam para descobrir que a mansão se transformara num campo de jogos para um gang de rua local. Mas o gang não é a única preocupação dos filhos dos Cates, visto que o fantasma de Tyler faz saber que não está satisfeito com a sua intrusão[2]. “Nos tempos da vaselina” (1979), real. José Miziara, c/ João Carlos Barroso, Kate Lyra, Aldine Müller, Nídia de Paula … “Em Macacu, cidade do interior, o caipira Onofre recebe uma carta do seu primo Paulinho convidando-o para uma viagem ao Rio de Janeiro para desfrutar a Cidade Maravilhosa. Quando o ingénuo Onofre chega, é roubado na estação de autocarros e enganado pelo taxista. Ele tem que dormir na rua e pedir para comer sem a morada do Paulinho que estava na sua mala. Quando ele conhece o músico Carlinhos Lyra, usa o programa de televisão para encontrar o Paulinho. Onofre é recebido por Paulinho e os seus amigos na praia de Ipanema, mas o recém-chegado é desajeitado e é troçado pelo pessoal todo da praia. Contudo, Onofre sai com a Dadá e a namorada de Paulinho, Patrícia (Almavar Taddei), e outras moçoilas acreditam que ele é ‘bom na cama’” [3]. “O título é uma oportunista brincadeira com ‘Grease – Nos tempos da brilhantina’, (título no Brasil), de 1978”.
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[1] “Muitas cenas foram filmadas na casa e na propriedade do realizador porno Shaun Costello”, que tem no seu palmarés “Heaven’s Touch” (1983), título português “Cama quente, amor ardente”, estreado no fabuloso cinema Olímpia, segunda-feira, 6 de fevereiro de 1989, em sessões contínuas a partir das 14 horas. “Henry Ottinger (Michael Knight) trabalha num escritório nas Torres Gémeas, onde apenas tenta meter-se na sua vida. De alguma forma, ele exerce uma atração sobre as suas colegas de trabalho. Não demora muito tempo até que três dessas colegas persuadam o sr. Ottinger a serviços extra para dentro dos seus orifícios”. C/ Gayle Sterling (Wendy), cabelo loiro; Jade East (Louise), 1,63 m, 86-61-86, olhos castanhos, cabelo preto, nascida a 6 de fevereiro de 1954 em Los Angeles; Veronica Hart (miss Penny), 1,68 m, 56 kg, 91-68-96, olhos azuis, cabelo castanho, nascida a 27 de outubro de 1956 em Las Vegas; Sharon Kane (Linda Armstrong), 1,67 m, 58 kg, 86-63-91, sapatos 37 ½, olhos azuis, cabelo loiro, nascida a 25 de fevereiro de 1956 em Canton, Ohio; Kelly Nichols (Carlotta Munro), 1,66 m, 91-71-99, sapato 42, olhos e cabelos castanhos, nascida a 8 de junho de 1956 em West Covina, Califórnia; Joanna Storm (Ultrasleaze), 1,52 m, 55 kg, 96-71-96, olhos cor de avelã, cabelo loiro, nascida a 23 de agosto de 1958 em San Diego
[2] A família moderna tomou profundeza. La mosquitera” (2010), real. Agustí Vila, c/ Emma Suárez, Eduard Fernández, Martina García, Anna Yacobalzeta, Geraldine Chaplin… “Uma família abastada, inequivocamente urbana, vive presa no pequeno mundo que construiu à sua medida. Cada um dos membros luta por si próprio para salvar aquilo que o justificaria. Luís atravessa a adolescência descobrindo à sua volta mulheres e homens ora culpados ora inocentes”. De Bogotá, Colômbia, para este filme, a classe de saber estar nua de Martina García, nascida a 27 de junho de 1981. “Em Paris fez os seus estudos de licenciatura em Filosofia, na Sorbone”. Diz ela: “Em 2011 foi a mesma história, viajando por diferentes lugares para filmar, tem sido complicado a tema da universidade. Procuro não gerar frustrações onde não as há, e se não posso ir à universidade, não importa, para mim a filosofia está no quotidiano, está presente em mim”. Entrevista: “Soy de repeticiones, de releer libros, de oír la misma canción durante horas, de volver a ver las películas. En la literatura suelo remitirme a autores como Camus y Cioran, y recientemente a Paul Auster, sobre todo ‘La invención de la soledad’, que me fascinó. De Camus me encanta ‘La caída’, soy fetichista de ese libro; también ‘El extranjero’ y ‘Una muerte feliz’. De Cioran, soy fanática de ‘Los silogismos de la amargura’ y de ‘Ese maldito yo’. ¿Y las películas? ‘Mrs. 45’, de Abel Ferrara; ‘La dolce vita’, de Fellini; ‘Amores perros’, de González Iñárritu; ‘Los 400 golpes’, de Truffaut; y ‘Dogville’ y ‘Antichrist’, de Lars Von Trier”.
[3] Desde os anos 60 do século XX, antecipando o século XXI, a vagina substitui o coração como órgão mais importante para a carreira pessoal, social e profissional da mulher plenificada a). As Kardashian, por exemplo, uma típica família americana, como em todas, a vagina é o ganha-pão, dedicam-lhe extremoso cuidado, inspecionando-a, antes de saírem à rua. “‘Eu disse, nós temos de fazer verificações da vagina’ disse Khloe, explicando que é apenas o que se faz quando se veste uma saia com uma fenda. (…). ‘Eu disse, não, Kim, a tua vag está perfeitamente aconchegada’”. Metáfora do feminino moderno, a vagina é também um órgão anatómico. “A ciência não sabe onde é o clítoris. A nova ciência descobriu que o clítoris é muito maior do que qualquer pessoa jamais imaginou e que fica mais para dentro, perto da pélvis”, disse a escritora americana Naomi Wolf, autora do livro “Vagina: A New Biography”. “Por fim, em se tratando de uma autora que se orgulha tão ostensivamente de sua realização sexual, “Vagina – Uma biografia” parece estranhamente esvaziado de qualquer elemento erótico ou, por assim dizer, espiritual: a vagina é reduzida a uma parte da anatomia feminina que, em condições normais, responderá de tal ou qual maneira quando devidamente estimulada”. Fiduciárias, as mulheres de hoje mijam de . Modelo: Nettie Harris, 1,68 m, 52 kg, 81-66-91, sapatos 39, olhos azuis, cabelos ruivos. Entrevista: “O meu sonho é criar arte… em muitas formas de expressão”. Entrevista Vimeo ∆ fotos p/ Stephane Bienfaittumblr Creative Rehab ∆ no vídeo musical “The Beautiful Ones” do produtor, realizador, diretor de fotografia, editor e músico Dutch Rall (canção: Prince).
a) O pleno evidencia-se na autonomia. “Leva Boy” (2012), p/ Lizha James ft. Pérola: “Leva, boy, o que quiseres, baby! / Leva, boy, o que quiseres, baby! / Leva o carro, leva a casa / Que eu vou construir / Leva, boy!”. “All the Little Things” (2011), p/ The Icarus Line, banda de Los Angeles, formada em 1998, por Joe Cardamone, voz, Lance Arnao, baixo, Aaron North, guitarra e Aaron Austin, bateria. “Steps” (2013), p/ DJs Pareja, duo de produtores e remixers argentinos de Buenos Aires, Mariano Caloso e Diego Irasusta. “I Was Where Were You” (2013), p/ DTCV (pronuncia-se “detective”), trio franco-americano formado em 2012 em Los Angeles por The Lola Freakout, James Riot e Ringo.

no aparelho de televisão

O foguete” (1983), programa da autoria de António Sala, Carlos Paião e Luís Arriaga, transmitido cerca das 21:00 horas, aos sábados na RTP 1, de 30 de julho até 1 de outubro de 1983. “Olhó foguete ó ó ó / Olhó foguete ó ó ó / Não vai à lua nem quer lá chegar! / Olhó foguete ó ó ó / Olhó foguete ó ó ó / Toma o bilhete para ir e voltar!”. “Um divertido programa de música e cultura portuguesa, apresentado por António Sala (c/ a sua engraçada expressão: ‘Chiu! Calou! Deitou!’), Carlos Paião e Luís Arriaga, gravado em 1983, no interior de um comboio. [Neste episódio] Luís Mascarenhas e Raquel Almeida interpretam os sketches cómicos. Os convidados são: João Maguy (mágico), o grupo Heróis do Mar, Peter Petersen (elemento do coro da canção ‘Playback’), João Maurílio (pianista), Artur Lucena (poeta), e Vítor de Sousa (ator), Suzy Paula (cantora), Vasco Rafael (fadista), e Belle Dominique (travesti)”. (Outro Foguete desembarcara Américo Thomaz em Viana do Castelo). “Adventurer” (1987), série australiana filmada na Nova Zelândia, transmitida cerca das 17:20, aos sábados na RTP 1, de 29 de agosto até 3 de outubro de 1987. Conceito do primeiro episódio em Portugal: “o último e (invulgar) condenado levava para a cela do navio Success, Jack Vincent (Oliver Tobias), um oficial naval demitido por ter desobedecido às ordens recebidas. Na cela, encontravam-se já Pat Cassidy (Peter Hambleton) e dois jovens detidos. Vincent descobre que o navio é comandado por um parente, Harry Anderson (Paul Gittins), com o qual tem uma relação de ódio por razões familiares e profissionais. Anderson resolve destruir psiquicamente Vincent, mas este consegue organizar um motim com os outros detidos e conquistam o navio”. Sinopse: “Jack Vincent, um aristocrata ex-capitão da marinha britânica, forçado pelas circunstâncias a tornar-se contrabandista, é capturado e transportado no HMS Success para a colónia penal na Norfolk Island, ao largo da costa da Nova Zelândia. Infelizmente para Vincent, o comandante do navio não é mais nem menos que o seu cunhado, o tenente Harry Anderson. Os dois discutiram violentamente no passado sobre a forma como Anderson tratava a irmã de Vincent, e agora Anderson submete-o a um particularmente duro e humilhante tratamento[1]. “Stingray” (1985-1987), produzida por Stephen J. Cannell, c/ Nick Mancuso “Ray, que vive no sul da Califórnia, dedica o seu tempo a ajudar aqueles em aflição. O seu passado é sombrio, tudo o que é dito sobre ele é que ele anuncia sub-repticiamente nos jornais, ostensivamente oferecendo um ‘Stingray preto de 65, para troca apenas para o parceiro certo’, e incluindo um número de telefone (555-7687). Aqueles que desejam recorrer aos seus serviços, presumivelmente, sabem o verdadeiro significado do anúncio por passa palavra, e telefonam-lhe a pedir ajuda. Não é claro se ‘Ray’ é mesmo o seu nome verdadeiro, ou simplesmente uma alcunha que ele retirou do carro que conduz, aquele descrito no anúncio. No episódio piloto, ele diz que é um diminutivo de ‘Raymond’, mas não se torna claro se ele está a ser honesto ou a usar um disfarce”.  
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[1] Outros mares do “duo de indie rock formado em Toms River, New Jersey, em março de 2008. O duo é composto pelo líder Brandon Asraf (baixo, voz) e John Tacon (bateria, samples eletrónicos, voz)”: Brick + Mortar Move to the Ocean” (2011), c/ extratos dos vídeos “Christina by Lelyak Production”, “Sasha + Masha (Hot russian girls by ‘baLOVEstvo’ 2012)”, ou “Clams Casino // I'm God”.

na aparelhagem stereo

O baile mandado é a dança dos povos, livres, e para liberdade perliquitete, o estado de ignorância é bênção e um imperativo geográfico. O capitão James Flint (Toby Stephens): “Deve haver, pelo menos, uma hipótese em três de que o horizonte continue despido e nunca mais vejamos o Andromache. É essa a verdade. Mas que bem é que esse conhecimento faria a qualquer homem desta tripulação que esteja a concentrar-se em fazer o seu trabalho? Esta tripulação precisa de certezas e eu preciso do apoio deles, para atingir um objetivo, que vai ao encontro do interesse de todos. Portanto, dançamos ao som da música. (…). Nunca houve um César que não soubesse cantar” [1].
Pia Zadora sabia [2]. Porém, a sua luta pelo lugar ao sol esbarrou com “o ressentimento, que é em sumo grau prejudicial ao doente” (“Ecce Homo”, Friedrich Nietzsche), da crítica musical e pelo goto popular, “avançavam, obscuros, na noite” (“Eneida”, Virgílio), e Pia Zadora passou como uma personagem picaresca dos anos 80. Em 1984 modilhou Pia por Portugal. Sábado, 28 de janeiro no Porto e domingo, 29 em Lisboa. Espostejou-a o Diário de Lisboa: “petulante, atrevida, mais que ousada, foi lançada definitivamente na película ‘The Lonely Lady’ (1983) [3], apoiada pelos muitos milhões do marido, um sujeito chamado Meshulam Riklis [4], que é considerado dono da 6.ª fortuna mundial e 31 anos mais velho que a menina. Ele não tem qualquer dificuldade em dar-lhe prendas como o avião particular em que chegou a Portugal para atuar no Porto (no ‘Sábado Vivo’, 21:50 horas, na RTP 2, que tem como convidado entrevistado Mário Dorminsky, o fadista José Freire, os Heróis do Mar e a artista americana Pia Zadora) e amanhã, pela tardinha, ofuscar a concorrência a Alvalade e às Antas, oferecendo os seus atributos físicos e alguma voz em ‘A festa continua’ (de Júlio Isidro). Apenas com 1 e 55 de altura, 27 anos declarados, criadora de ‘The Clapping Song’ (1983), anda agora apresentando um 45 rpm que inclui ‘Rock It Out’ e ‘Give Me Back My Heart’. Na segunda-feira volta a meter-se no jatozinho e tornará a Las Vegas, certamente para os braços apaixonados de um marido que nada se importa que os atributos da pequena sejam exuberantemente explorados”.
Na década de 80, o gosto das funçanatas das esfolhadas, no campo, ou do cantor romântico, nas cidades, tramitava. “O recorte do dia, é a tabela do top do programa ‘Rock em Stock’, referente a junho de 1980. Interessante constatar que a maioria dos 10 lugares do top foram ocupados por álbuns da turma do punk e da new wave. A começar pelo magistral ‘London Calling’ dos Clash, que destronou os intragáveis Genesis. Outro pormenor engraçado é a inclusão do 3.º álbum dos 999 no top, ‘Biggest Prize in Sport’ (1980), disco que nunca chegou a ser prensando em Portugal, somente saiu em Portugal um single retirado do álbum, ‘Trouble’” [5]. A via punk em Portugal. “Corriam os anos de 1978 e 1979, Paulo Ramos (guitarra) e Paulo Borges (voz) [6] tinham acabado o liceu, haviam passado um ano sem fazer nada no Serviço Cívico e acabavam de entrar para a faculdade: o primeiro em História, e o segundo em Filosofia. Ouviam então The Sex Pistols, The Clash, Damned, Television e Dr. Feelgood. Numa conversa num dos corredores da Faculdade de Letras resolveram criar um grupo punk a que chamaram Minas & Armadilhas”. “Em fevereiro de 1978 realizou-se a ‘primeira tarde’ punk em Lisboa, no Archote Clube no Arco do Cego em Lisboa. Foi uma organização do António Sérgio, do Joaquim Lopes e do José Guerra com passagens comentadas de vários discos de bandas de punk rock inglesas, americanas e francesas. Neste primeiro evento público de punk, houve passagem de discos, mas ainda não houve atuação de bandas. As primeiras reportagens sobre concertos de bandas punk portuguesas remontam a 1978: em maio e junho na Música & Som (concertos dos Faíscas no pavilhão de Os Belenenses e dos Aqui d’El Rock no Clube Atlético de Campo de Ourique); em junho no jornal Pop Clube (fez capa com os Aqui d’El Rock e os Faíscas); e em julho desse ano da revista Rock em Portugal”.
Nesse ano, nasciam os Social Distortion “banda de punk rock americana formada em 1978 em Fullerton, Califórnia. (…) Entraram num hiato temporário a meados da década de 80, devido ao vício em drogas do vocalista Mike Ness e problemas com a lei, que resultaram em períodos longos de internamento em vários centros de reabilitação, que duraram dois anos” Machine Gun Blues” (2010): “Well I'm a gangster 1934 / Junkies, Winos, Pimps & Whores / And all you men, women and kids / best get out the way” [7], – vídeo c/ Hidalgo’s Brunette Girl: Lacy Phillips e Hidalgo’s Blonde Girl: Dora Yoder, 1,68 m, 81-61-88, sapatos 37 ½, modelo de Los Angeles {site}.
Nova geração, Juliet “My First Hardcore Song”.
Punk-Kecas, “formados em 1995, são oriundos de Faro e percursores de uma geração punk hardcore, para a qual se tornou referência de culto. [João Dias (Sonecas), voz, Pedro Laranjeira (Laranja), guitarra, Francisco Aragão (Xico), guitarra, Bruno Augusto, baixo e Armando Brito (Chibo), bateria]. Apostando nas letras em português e de ideal niilista, fizeram assim passar a sua mensagem através dos concertos, sempre energéticos e bem lotados. Em 1996, gravaram para a rádio Super FM uma maquete com 3 faixas, das quais apenas uma (“Braços Cruzados”) seria tocada nas playlists da rádio. Essa maquete manter-se-ia desaparecida até 2007, quando finalmente surgiu uma cópia completa do master de estúdio em mp3. A banda separar-se-ia em meados de 1999, mas regressaria aos palcos, com presenças casuais em 2005, 2007, 2012 e 2013, sendo estas 3 últimas em concertos de beneficênciaSalazar” (Cover de Xunga-Core): “Empurrei-o da cadeira / Foi fácil de empurrar / Eu matei esse cabrão / Que se chamava Salazar // Morre Aníbal” ♫ “Pimba Kore”: “Pimba pimba lavagem cerebral / Musica para otários made in Portugal / E o cabrão do bico que te vai devorar / Fode-te os cornos e não te deixa pensar ♫ “Paxilfaro”: “Às vezes fico tão anormal que pareço um Serenal // Paxilfaro // Rhoypnol, Prozac e Dinintel para andar sempre pedrado quando não há papel // Paxilfaro”. Pé de Cabra, “grupo de Linda-a-Velha que nasceu a partir das cinzas dos Antiporcos, um outro grupo punk com alguma história no movimento. Tiveram existência entre 1988 e 1996. Ensaiavam na localidade de Sassoeiros numa garagem dividida com os metálicos Shrine. O grupo era constituído por Mário (voz), Sarrufa (guitarra), Pudim (bateria), Luís Pedro (baixo) e Alex (guitarra)” Discriminação” ♫ “Prostituição musical” ♫ “Aníbal”. Kaganisso, “nasceram em Alvalade, em Lisboa em 1990 e deram por findas as suas atividades em 1994, logo imediatamente a seguir à edição do seu primeiro e único álbum, ‘Princípio do Fim’ (1994) pela Polygram. Durante a sua existência, venceram, em 1991, a 2. ª Edição do Concurso Força Total à Música Nacional, organizado pela Rádio Super FM e decorrido no Johnny Guitar. Já haviam igualmente vencido, em 1990, o concurso de música moderna do Pavarte, organizado pela Escola Secundária Padre António Vieira. O grupo era formado por Miguel Pernes (guitarra), Bernardo Ribeiro (bateria), Pedro Careca (guitarra), Rui (baixo) e Juja (voz). O som praticado era um rock mainstream que mais não era que uma aproximação medíocre à música dos U2 de então ou aos espanhóis Héroes del Silencio, tão em voga na épocaO que me resta” ♫ “O que é feito?”.
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[1] Na pirática série de TV, estreada no mês de fevereiro de 2014, quartas-feiras 22:20 horas, no canal AXN, “Black Sails” (2014). “1715. Índias Ocidentais. Os piratas da ilha Nova Providência ameaçam o comércio marítimo na região. As leis de todas as nações civilizadas declaram-nos hostis humani generis (‘inimigos da humanidade’). Em resposta, os piratas aderem a uma doutrina própria… guerra contra o mundo”. Joviais tempos em que após saque proveitoso marinheiros gritavam confiantes no prostíbulo: “Rum e pachacha para todos!”. – Alguns diálogos sem pala nem perna de pau: Sanderson (Paul Snodgrass): “Vai-te foder, pachacha”, Eleanor Guthrie (Hannah New): “Mandaste-me foder? Sr. Scott, quem é este homem?”, sr. Scott (Hakeem Kae-Kazim): “O sr. Sanderson. É da tripulação do capitão Burgess, do Trinity”, Eleanor: “De quanto foi o último saque?”, sr. Scott: “Um lucro de quase mil. Foi o melhor saque em meses”, Eleanor: “Bem, sr. Sanderson, é um prazer ter a sua companhia. Sabe porquê? Porque é um ganhador. Sabe o que acontece quando estou perto de um ganhador? A minha rata fica molhada. Assim sendo, vou mesmo foder-me”. Eleanor mergulha dois dedos na caneca de cerveja induzindo-os como acendalhas desse ato a). | Sra. Mapleton (Fiona Ramsey): “Deste-lhe autorização, querida, temos de cumprir a nossa palavra”, puta stressada (Melissa Haiden): “Eu disse-lhe que ele podia pôr um dedo no meu cu, não três”, sra. Mapleton: “Então, da próxima vez, cobra-lhe ao número”. | Billy Bones (Tom Hopper): “E também o Christian Thoms, o Willy Robbins, o Jean Dubois, aquele português sopinha de massa, como se chamava ele…?”. | Montando na posição cowboy reverse, Anne Bonny (Clara Paget): “Mas que raio, Jack. Está outra vez mole”, Jack Rackham (Toby Schmitz): “A sério? Não reparei”, Bonny: “Então, queres que te enfie algo no cu?”, Rackham: “Não, não obrigado”. Problemas económicos amoleciam-lhe a piça desaplicando-o do sexo. Rackham: “Não temos qualquer plano, exceto este bordel de merda, que, por algum milagre da economia parece incapaz de dar lucro”, Bonny: “Como é que se pode ter aqui um bordel e não fazer dinheiro?”, Rackham: “Não faço ideia!” b). | Max (Jessica Parker Kennedy): “Quem te pagou aquelas moedas? Foi o capitão Hollindale, que eu vi, a sair do teu quarto, não foi? Um homem cujo único desejo é ser enrolado em tela, enquanto mama nuns peitos gordos, sem leite, como um bebé? E o preço que sempre cobrámos por maternalismos foi 20 peças, não 5”, Idelle (Lise Slabber): “Quem pensas que estás a acusar? Uma punheta são 5 peças. O capitão Hollindale hoje só teve tempo para um puxãozinho”.
a) A publicação do privado através da net matou simbologias que, reacionariamente, persistem nos rituais de efusão partidária. Os dois dedos que as mulheres do PSD, protérvias, brandem em alto, em baixo, enceram esses sicofânticos dois dedos. Modelo: Dillan, de Los Angeles, 1,75 m, 81-60-81, olhos cor de avelã, cabelo castanho. Obra pictórica ou cinematográfica: Dillian no LittleMuttDillan no Little Gray Guy ∆ Dillan Lee no Sexy Models ∆ Dillan no Jizz Bomb ∆ Felicity no FTV Girls. Dillion no Karups ∆ no BangbusDilion no First Time Auditions ∆ Dillian Lee no First Time Swallows ∆ Dillian Lee no Porn.com ∆ Dillan no Ron Harris Studio ∆ Dillian Lee no Holly Café.
b) Alguns nomes desta série correspondem a piratas verdadeiros como Anne Bonny, Jack Rackham, Charles Vane e Benjamin Hornigold. “Outra pirata desses mares foi Anne Bonney, que era uma irlandesa espampanante, de seios altos e cabelos fogosos, que mais de uma vez arriscou o corpo na abordagem de navios. Foi companheira de armas de Mary Read, e finalmente de forca. O amante, capitão John Rackam, teve também o seu nó corredio nessa função. Anne, com desprezo, encontrou esta áspera variante da censura de Aixa a Boabdill: ‘Se te tivesses batido como um homem, não te enforcariam como um cão’”, Jorge Luis Borges em “História universal da infâmia”.
[2] Pia Zadora, 1,52 m, 86-53-86, sapatos 38 ½, olhos pretos, cabelo castanho, nascida Pia Alfreda Schipani a 4 de maio de 1954 em Hoboken, New Jersey. Atriz-criança, estreia-se nas peças da Broadway: “Midgie Purvis” (1961) c/ Tallulah Bankhead, “a premissa é: uma mulher pueril de 50 anos abandona a sua desprezível família, disfarça-se de mulher de 80 anos e torna-se babysitter. Ela acaba corrompendo as crianças que cuida. Ensina-as a fumar e fumar. Pia tinha 7 anos na época. Isso extravasou o palco também. Ela era selvagem. Pia ia ao seu camarim e Tallulah dizia-lhe: ‘Toma, querida, dá um bafo nisto. Vai ajudar-te. Vais sentir-te bem’. No palco, fumar consistia numa espécie de dispositivo de soprar pó. Fora do palco, Tallulah tentava mostrar-lhe como era realmente feito para que as pessoas acreditassem nela”. Pia foi também substituta em “The Garden of Sweet” (1961) c/ Katina Paxinou, apareceu em “We Take the Town” (1962) c/ Robert Preston, uma versão musical de “Villa Villa”, e foi Bielke em “Fiddler on the Roof” (1964-66) c/ Zero Mostel. No cinema interpreta a jovem marciana Girmar em “Santa Claus Conquers the Martians” (1964). “Pia casou com o empresário Meshulam Riklis em 1977, quando ela tinha 23 anos e ele 54. Riklis costumava chalacear sobre a diferença de idades. Quando ela engravidou, ele disse: ‘Graças a Deus! Agora, terás alguém da tua idade com quem brincar’”. Um esposo rico dá felicidade c) e a carreira dela desencabrestou com “Butterfly” (1982), uma história de ambição e incesto c/ Pia Zadora, Stacy Keach, Orson Welles… música de Ennio Morricone. “A cena mais notória do filme foi a da banheira, na qual, Jess Tyler (Stacy Keach) ajudava a sua sedutora filha a tomar banho numa bacia de metal para relaxar após um dia de trabalho na mina. Enquanto mergulhava nua na banheira, ela disse: ‘Sabe bem. Vai ser assim todos os dias? Castigar o corpo e nada nos bolsos?’. Ajoelhando-se atrás dela massaja-lhe os ombros (‘Isso sabe tão bem, Jess. Boas, boas mãos’), e então ele segurou e apertou os fartos seios. Rapidamente larga-os. ‘Não está certo’, embora ela o tranquilizasse como uma mulher adulta: ‘Sabe-me bem. Não te sabe?... está certo se é bom’. Quando ele protestou: ‘Mas tu és a minha filha, Kady’, ela acrescentou: ‘E também sou uma mulher’. Ela prende-lhe o braço debaixo de água quando ele lhe acariciava entre as pernas, mas ele resistia ainda mais”. “Acabou sendo um dos filmes mais vilipendiados da década. Porque (alegadamente) o seu marido, Meshulam Riklis, convidou os membros da Imprensa Estrangeira de Hollywood, que dão os Globos de Ouro, para o seu casino, o Riviera Hotel, em Las Vegas. E também os convidou para a sua casa onde comeram do bom e do melhor, enquanto ele lhes mostrava o filme, e Zadora acabou vencendo o Globo de Ouro para Nova Estrela do Ano (sobre Kathleen Turner em ‘Body Heat’ e Elizabeth McGovern em ‘Ragtime’)”. Pia arrasou Cannes em maio de 1982. Na revista Oui de junho 1982. Aos 28 anos, cobriu o seu pudor com um patriótico cachecol para a Penthouse outubro 1983, neste mesmo ano posou para o artista pop Andy Warhol. Outra digna obra desconsiderada: “Voyage of the Rock Aliens” (1984), “o início do filme revela-nos alienígenas a escolher o seu próximo destino a fim de extravasar a sua febre de rock ‘n’ roll. Depois de uma breve incursão num planeta habitado por motards vestidos de branco, à porrada ao ritmo do imparável êxito ‘When the Rain Begins To Fall’ de Pia Zadora e Jermaine Jackson, o alienígena ABCD (pronunciado ‘Absid’) e a sua tripulação decidem visitar a cidade de Speelburg na Terra”.
c)Vai Anna| Go Anna”: “O meu nome é Anna / E estou aqui a chorar / Saí do velório pro meu marido enterrar / Estou muito triste / Mas não vou ficar assim / Quero me mexer / E dar ainda mais de mim / Eu quero começar / Eu quero começar / Quero mais da vida / O que quero é namorar / Quando eu era pequena / Minha mãe me ensinou / Anna cresce linda / E arranja um homem bom / Que tenha dinheiro e que te faça feliz”.
[3] Pia Zadora resume: “Do romance de Harold Robbins. É uma história de uma rapariga e a sua luta com Hollywood. É uma espécie de paródia do que se passa em Hollywood. Ela casou-se e divorciou-se, engravida e tem um aborto, mete-se nas drogas, tem uma relação lésbica e, finalmente, ganha um Oscar”. 
[4] “Meshulam Riklis foi pioneiro na aquisição alavancada (“leveraged buyout”) e títulos de alto risco (“junk bonds”), e desenvolveu um talento notável para ações virtuais (“paper trades”) entre várias companhias de sua propriedade, que os críticos afirmam fez desaparecer as suas dívidas nos momentos oportunos. (…). Segundo um relatório da Forbes de 2002, seis das maiores empresas controladas pela Riklis Family Corp. declararam falência nos anos 90 e início de 2000, deixando dívidas totais superiores a 2 mil milhões de dólares”. “Em 1987, Riklis e Pia doaram 1000 dólares cada um para a campanha presidencial de Joe Biden
[5] No over noticioso blogHoje Há Punk Rock no Liceu”. “Mike Read, conhecido locutor / dj de rádio, que passou muito do seu tempo de radialista na Radio One (BBC). Durante o período do punkismo, Mike Read editou 3 singles, um em nome pessoal, ‘Are you ready?’, powerpop como linha condutora, o single ostenta uma fotografia do próprio à porta do Roxy Club. A segunda pedrada em forma de vinil, foi já sob a chancela de Trainspotters, com o mui aclamado ‘High Rise’, tema que figura em algumas coletâneas punk / powerpop. Uma música que teve como base criativa o jingle do próprio programa de rádio do Mike Read. Resultando num tema punk pegajoso, no bom sentido claro, um clássico da fornada de 79”. Repartição do pão deste blog em som & imagem no Canal YouTube, Rock no Liceu, ou apenas som “Keeping up with the Drones” (1983), dos ingleses D.N.A.
[6] Editor do fanzine Estádio de sítio.
[7] Nada está seguro. “Um grupo satânico encomendou uma estátua do diabo, angariando o dinheiro para pagar ao escultor, que não vai identificar-se, como uma forma de protesto pela colocação de um monumento aos dez mandamentos no relvado da Câmara de Oklahoma City. A estátua, que está a ser esculpida num estúdio em Nova Iorque, está quase pronta, segundo Lucien Greaves, porta-voz do Satanic Temple. (…). A estátua de Baphomet, ou Bode Sabático, uma figura que tem sido usada para representar Satanás ao longo dos séculos, é feita de bronze derramado sobre um molde de barro. Imagens fornecidas à FoxNews, mostram a hedionda figura num trono, com crianças a sorrir, uma de cada lado. A organização de Greaves procura forçar Oklahoma a permitir a colocação da sua estátua ou demonstrar o que ele considera dois pesos e duas medidas inconstitucionais. As autoridades de Oklahoma dizem que, não há nenhuma maneira no inferno, que a estátua de Satanás alguma vez assuma posição no Capitólio”. The Mars Volta Days of the Baphomets”: “Give me a plague / Give me a plague / Make it blank / Nothing you own is safe”.

segunda-feira, Agosto 04, 2014

Possibilidades, possivelmente 

1983, junho. Quarta-feira, 15, o calor esturrava Portugal. “Com o termómetro a subir e o fim de semana ainda longe, os lisboetas começaram a ser ‘perseguidos’ pelo calor. Trinta e seis graus foi a temperatura máxima na capital, mas hoje há mais… A previsão do Instituto de Meteorologia aponta para uma máxima de 38. Ao fim da manhã, com o termómetro nos 30, há quem já planeie um mergulhinho para acabar o dia” [1]. Nadava-se acima das nossas braçadas certos que, na praia, as elites construíam castelos de tijolo e cimento (o trabalho de casa) de uma economia espinafrada. Na década de 80, os partidos políticos alicerçavam sim a bitola nacional. “Os gestores e os assessores tornaram-se numa curiosa classe. Os gestores são quase sempre ex-ministros ou candidatos a ministros. Rodam entre si as empresas e os bancos; quanto aos assessores nomeados por interesses partidários ou pessoais, engrossam o número sempre criticado do pessoal da Função Pública”. A vitória eleitoral nas legislativas intercalares da coligação PSD / CDS / PPM (dita, Aliança Democrática, em 2 de dezembro de 1979) benfeitorizou o país com “só assessores foram 371… esta foi uma das heranças que a Aliança Democrática nos deixou. Mas não só. Também cerca de 500 diretores-gerais ou subdiretores-gerais, para além de nomeações com dispensa de habilitações académicas ou vínculo à Função Pública”.
 “Era a limpeza, logo a partir de 1979, de todos aqueles quadros superiores que não tinham a cor da AD. Muitos deles afetos ao PS – por convicção ou interesse. (...). Ainda em 1979 logo no início do Governo AD publicam-se 26 portarias de equiparação de cargos de dirigentes de vários ministérios a diretores-gerais e subdiretores-gerais. Em 1980, publicam-se 30 portarias de equiparação de cargos dirigentes a diretor e subdiretor-geral, ou diretor de serviços, 40 portarias que alargam a área de recrutamento de determinados lugares de quadros dirigentes com dispensa de habilitações literárias e vínculo à Função Pública e 54 portarias que criam 117 lugares de assessores letra B ou C. (…). Sá Carneiro morre em dezembro de 80 e Pinto Balsemão torna-se primeiro-ministro. E em 1981 sobe o número de portarias para 68, criando mais 79 lugares de assessores; são 37 o número de portarias que alargam as áreas de recrutamento de cargos dirigentes dispensando o requisito de licenciatura e são 22 o número de portarias que equiparam determinados cargos dirigentes a diretor e subdiretor-geral. E, chegamos, finalmente, a 1982. São criados mais 144 lugares de assessores, com a publicação de 111 portarias enquanto o alargamento da área de recrutamento é contemplado com mais 35 portarias. O ministério da Agricultura e Pescas foi o que produziu mais assessores, isto é, 68. Notou-se a rapidez de algumas decisões de reserva de alguns ex-latifundiários, rapidamente transformados em técnicos. (…). Mas, talvez, não seja por acaso que o outro setor parado da vida económica portuguesa, a Habitação e Transportes (estes sempre com o machado do défice), tenha sido o segundo ministério com mais assessores: 34”.
Quarta-feira, 1 de junho, “o aumento de 25 % nos maços de tabaco português entram dentro de duas semanas em vigor, segundo fonte da Tabaqueira. Mas atenção: este prazo poderá ser antecipado se se verificar açambarcamento de maços de tabaco. Os portugueses (e não só) são useiros e vezeiros neste tipo de abastecimento. (…). Os novos preços são: SG Lights 75 escudos; SG Gigante e outras marcas do mesmo formato 66$00; SG filtro 60$00 e SG Ventil 59$00; e Definitivos e Provisórios 42$00”. (…). Estima-se que o consumo de cigarros em Portugal atinge 60 milhões de unidades por dia”.
Quinta-feira, 9 de junho, na Inglaterra, a mãe de todas as soluções / pai dos náufragos do capitalismo Margaret Thatcher [2] rapa uma maioria absoluta na sua reeleição, florejando a Câmara dos Comuns de: (os seus) conservadores - 397 deputados; trabalhistas - 209; liberais sociais-democratas - 23. Thatcher foi uma sapateira remendona com a sovela do costume. “No retorno ao liberalismo económico, recusando o Estado providência, a primeira-ministra britânica está decidida a auxiliar apenas os que se ajudam a si próprios, ou seja, as empresas com iniciativa e que optem por indústrias de ponta. Traduzido em termos mais populares, o slogan dos conservadores prometia fazer de cada inglês um capitalista [3], que possua a sua casa, que possa sair para a rua sem ser atacado e que esteja pronto, como os jovens recrutas mortos na guerra das Malvinas, a dar a vida pela ‘Rainha e pelo País’”. Em tempos de crise (3 milhões de desempregados), o eleitor aprochega-se sempre de um líder de calças. “Os analistas políticos, no seu conjunto, favoráveis ou não à sra. Thatcher, atribuem à sua determinação, à sua autoridade, ao seu êxito na réplica nas Malvinas, a popularidade de que goza, muito mais do que às suas ideias ou aos seus resultados, em suma medíocres, da sua política económica, com exclusão da inflação baixada para 4 %. Muitos políticos falam de nanny complex, o complexo da governanta, que teria atingido de súbito todos os ingleses que, tidas as coisas de outra maneira, desejam um leadership musculado neste período de crise” [4].
Quinta-feira, 16 de junho, Yuri Andropov, secretário-geral do Partido Comunista Soviético, foi eleito chefe de Estado, sob ovações dos 1500 deputados do Soviete Supremo. “‘Permiti que vos agradeça de todo o meu coração a alta confiança que acabais de me testemunhar. Podeis estar certos de que farei tudo para ser digno dela’, disse Andropov, visivelmente emocionado, ainda sob a longa ovação dos deputados. Foi o antigo delfim de Leonid Brejnev, Konstantin Chernenko, que apresentou pessoalmente a candidatura única de Yuri Andropov. Chernenko, que em novembro já tinha proposto Andropov como secretário-geral do Partido, justificou a escolha do Politburo com ‘as altas qualidades e a experiência’ de Yuri Andropov. Este, sete meses após a morte de Leonid Brejnev, detém hoje todos os poderes do seu predecessor. Andropov, que fez ontem 69 anos, fora nomeado em maio presidente do Conselho de Defesa, posto que lhe dá o domínio dos assuntos militares”. No plenário do Comité Central do Partido, na terça e quarta-feira, Andropov discursara: “[a União Soviética] não permitirá que seja rompido o equilíbrio militar estratégico entre o socialismo e o imperialismo. (…). O estabelecimento desse equilíbrio é um dos principais resultados dos últimos decénios e exigiu muitas forças e meios do nosso povo e dos outros países da comunidade socialista. Não permitiremos que seja rompido. (…). Continuaremos a fazer tudo o que for preciso para assegurar a segurança do nosso país e dos nossos aliados. Continuaremos a reforçar a pujança das forças armadas soviéticas, poderoso fator de dissuasão dos desígnios agressivos da reação imperialista” [5].
Terça-feira, 21 de junho, no inseguro solo pátrio “o escudo foi desvalorizado em 12 % por decisão do Conselho de Ministros, prevendo-se em função desta medida uma certa expansão das nossas exportações mas sendo também de esperar efeitos muito mais penosos no peso das importações e da dívida externa, com a consequente subida em flecha do nível geral dos preços. Portugal importará este ano 200 milhões de contos de combustíveis e 100 milhões em bens alimentares, especialmente cereais [40 milhões], vindo este custo a ser substancialmente acrescido com a desvalorização, enquanto o serviço da dívida externa aumentará também proporcionalmente à desvalorização. O governador do Banco de Portugal, Jacinto Nunes, comentou esta desvalorização considerando-a inevitável, [a alternativa era gastar a totalidade das reservas de ouro para apoiar o escudo], pois estava a sentir-se uma forte retração das remessas de emigrantes e da vinda de capitais estrangeiros para o nosso país”.
Quarta-feira, 22 de junho, “crescimento zero para os próximos anos – ou mais exatamente redução forte das fracas taxas de crescimento do PIB dos últimos anos – foi o anúncio contido na primeira intervenção pública do novo ministro das Finanças, Ernâni Lopes, um homem-chave no Governo Soares / Mota Pinto. O ministro garantiu na Assembleia que vai ser necessário apertar ainda mais o cinto, para combater o défice externo do comércio português. (…). As regras da gestão da austeridade, de que o ministro falou em termos genéricos, vão ser aplicadas no quadro de um Programa de Emergência para 18 meses a que Mário Soares se referia ao apresentar o seu Governo na Assembleia”. “Um dos domínios onde estes princípios parece vir a ter maior incidência é o do crédito, que vai ser ainda mais seletivo e reduzido no seu conjunto, o que pressupõe dificuldades extremas para as empresas, com a aceleração da vaga de falências de empresas em crise. Ernâni Lopes foi claro neste ponto, apenas admitindo que a racionalização de crédito, beneficiará as atividades geradoras de divisas, construção civil e habitação e a revitalização das pequenas e médias empresas em detrimento ao crédito ao consumo”. Ernâni Lopes aos parlamentares: “Não vos escondo que a terapêutica será dolorosa, nem ignoro a exata dimensão dos novos sacrifícios que o Governo pedirá aos portugueses”. Prometeu combater: “A fraude, a corrupção, o tráfico de influências generalizado. O desanimo e a falta de convicção na capacidade dos portugueses” e “valorizar o trabalho e não o golpismo, a honradez e não o oportunismo, o espírito de competição e não o privilégio, o lucro legítimo e não a ganância especuladora ou a caça ao subsídio”. Vaticinou: “As circunstâncias atuais já não permitem desenvolver sem ser austero primeiro”. E diagnosticou: “Os três grandes grupos de problemas com que a economia portuguesa se defronta: [Primeiro], a extrema gravidade da situação a curto prazo, resultante dos desequilíbrios ao nível da balança de pagamentos e do endividamento externo, que exige medidas de ajustamento urgentes e enérgicas. [Segundo], os constrangimentos impostos por uma economia de há muito desregulada, com a irracionalidade, a irresponsabilidade e a descoordenação instaladas no seu funcionamento corrente. [Terceiro], está ligado às exigências de modernização estrutural de uma economia em estádio intermédio de desenvolvimento, nitidamente atrasada em relação aos seus mais importantes parceiros comerciais”.
Quinta-feira, 23 de junho “depois da desvalorização do escudo entrada em vigor hoje o Governo divulgou a segunda injeção do tratamento de choque ao défice das contas externas. Tratou-se desta vez de aumentos, bastante fortes, de bens alimentares essenciais (pão, leite e açúcar), dos óleos vegetais, adubos e rações para animais. O ministro das Finanças, Ernâni Lopes, que corporizou o odioso da comunicação dos aumentos, na televisão, já avisou também que ainda falta aplicar a terceira fase do tratamento: o corte nos investimentos e nos créditos às empresas do setor público”. Disse na TV Ernâni Lopes: “Todos os portugueses compreenderão que este estado de coisas não pode continuar. Não podemos continuar a endividar-nos, irresponsavelmente, apenas porque compramos ao estrangeiro para vivermos muito acima dos meios que temos sido capazes de produzir e criar com o nosso próprio esforço [6]. (…). Contemporizar, pretender esconder as evidências, privilegiar a captação de simpatias em detrimento da assumpção das responsabilidades, em suma, anestesiar o país, são atitudes que só podem contribuir para tornar cada vez mais difícil e dolorosa a solução. Não há mais lugar para pequenos jogos políticos. A hora é de trabalho, de serenidade e de coragem”. – Nova tabela de preços: pão 1.ª qualidade 45 g - 2$75 (custava 2$25); 500 g - 28$00 (23$00); 1 kg - 56$00 (46$00); 2.ª qualidade 500 g - 23$00 (18$50); 1 kg - 46$00 (37$00). Açúcar refinado - 59$00 / kg (51$50); granulado - 60$00 / kg (52$50). Leite gordo 1 litro - 33$50 (26$50); meio gordo 1 litro - 32$00 (25$00); comum 1 litro - 24$00 (16$50); esterilizado / gordo 1,5 litro - 46$50 (33$80).
Em 1983, um desses importantes parceiros comerciais de Portugal, a Inglaterra, bufava dinheiro e imaginação. “Funcionários públicos, preparando-se para a Terceira Guerra Mundial, escreveram uma comunicação à nação na qual a rainha falaria do horror do envolvimento da Grã-Bretanha num conflito nuclear. Ela era parte de um detalhado ‘jogo de guerra’ realizado em 1983, no qual funcionários de Whitehall representavam os papéis de Margaret Thatcher e os membros do seu gabinete, a responder a um ataque simulado, desencadeado pela União Soviética. Wintex-Cimex 83 era o nome de código da NATO para o exercício, que foi concebido para testar as respostas do Ocidente em caso de um ataque nuclear e incluía um discurso, a ser feito pela rainha, após a declaração de guerra. A monarca devia falar da terceira luta pela liberdade ‘neste triste século’, numa referência às duas guerras mundiais anteriores. O texto inclui referências à rainha ter apreciado o ‘carinho e comunhão de um Natal em família’ quando ‘os horrores da guerra não podiam parecer mais remotos. (…). O meu marido e eu compartilhamos com as famílias por todo o país, o medo que sentimos pelos nossos filhos e filhas, maridos e irmãos, que deixaram a nossa companhia para servir o seu país. O meu amado filho Andrew está neste momento em combate com a sua unidade [era piloto de helicópteros na Royal Navy, na época] e continuamente rezamos pela sua segurança e pela segurança de todos os militares, homens e mulheres, no país e no ultramar’. (…). [Este discurso] era um dos elementos chave da pormenorizadamente calendarizada marcha para a guerra, documentada no exercício, que começava com uma ‘nova liderança de linha dura’ a chegar ao poder em 1982 – uma clara referência à eleição de Yuri Andropov em novembro desse ano para secretário-geral soviético. Os documentos do ‘jogo de guerra’ de março de 1983, cuidadosamente, evitavam qualquer referência explícita à União Soviética ou aos poderes do Pacto de Varsóvia, em vez disso, referiam-se ao agressor como ‘Orange’. A evolução da guerra foi detalhada numa série de reportagens jornalísticas ficcionadas, incluindo uma com uma foto do príncipe William – que na altura tinha 9 meses – no seu batismo, com a legenda: ‘Mantenha-o a salvo Charlie, vamos precisar dele?’”.
Entretanto, nos jogos de poder reais. “John Kerr, um secretário privado no Tesouro, escreveu a 17 de março de 1983 à sra. Thatcher sobre a possível nomeação de William Hague [atual ministro dos Negócios Estrangeiros e herói de Jimmy Carter]. ‘A primeira-ministra com certeza lembrar-se-á do discurso dele em 1977, na conferência do Partido, enquanto jovem estudante de 16 anos’, salientou Kerr. Uma cópia do CV de Hague foi anexada, incluindo detalhes da sua extensa ‘oratória pública e experiência nos meios de comunicação’, incluindo aparições no Nationwide, Look North, Calendar e Good Afternoon”. Thatcher “rabiscou na parte superior da carta em letras grossas com tinta preta: ‘Não (sublinhado três vezes) – isto é um artifício e seria profundamente ressentido por muitos que têm experiência económico-financeira’. Em vez disso, ela subscreveu a apreciação do seu secretário privado Robin Butler, que assinalou: ‘Por muito promissor que William Hague seja, é um pouco difícil perceber como uma pessoa de 21 anos contribuirá como conselheiro especial do Tesouro[7]. Na resposta oficial a Kerr, Butler escreveu: ‘(a primeira-ministra) sugere que, se o chanceler e o secretário-chefe querem que o sr. Hague lhes ajude nos discursos, ele deve ser contratado pelo Conservative Research Department ou outras instituições privadas’. Porém, com a notícia de que Hague ia trabalhar para o Tesouro já divulgada, o assessor de imprensa de Thatcher, Bernard Ingham, teve de informar os jornalistas que os relatos eram ‘incorretos’ e que lhe tinha sido dado um destacamento muito mais modesto no Conservative Research Department na ‘área económica’”.
No dia 5 de março de 1983, no Coliseu do Porto, no XX Festival RTP da Canção, a Sofia cantara “Erva ruim”; a Helena Isabel “E afinal quem és tu?”; e a Tessa “Ave do paraíso”. No final de outubro, Paul McCartney cantaria “Pipes of peace”.
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[1]Uma breve e incompleta História do fato de banho”. “1996, Bangalore, Índia, é a cidade anfitriã do concurso Miss Mundo, mas as forças de indignação local obrigam que a passagem em fato de banho seja realizada nas Sheychelles. 1999, o concurso Miss América muda as suas regras sobre o fato de banho para proibir biquínis e tangas. 2011, fartos de ver turistas seminus, Barcelona proíbe biquínis nas ruas que não sejam adjacentes da praia. Os infratores enfrentam uma multa de 300 €”.
[2] Paira um tremor ontológico sobre se as mulheres que saem da Cozinha para o Gabinete são (être pour-soi) mulheres ou são homens. Em sociedade, aos outros, (être pour-autrui), o inferno de Sartre, elas aparecem como mulheres, numa convenção metafísica para uma evidência física contrária. Só por ilusão ótica são mulheres: Margaret Thatcher, Indira Gandhi, Gro Harlem Brundtland, Angela Merkel, Tarja Holonen, Jóhanna Sigurðardóttir, Golda Meir… desta, filha de um carpinteiro da Ucrânia, resumia Ben Gurion: “É o único homem do meu gabinete”. Delas, não escreveria Zola: “logo ao primeiro beijo se revelou cortesã” nem arrebatariam um certo filósofo português. Sobre a sua 2.ª esposa, Manuel Maria Carrilho: “Há um ano que a Bárbara [Guimarães] trata a depressão dos 40 com álcool, silicones, botox e 50 comprimidos por dia”. A 1.ª esposa, Joana Moraes Varela, j’accuse: “Fui espancada durante um dia inteiro e tive uma faca encostada ao pescoço”. Manuel Maria Carrilho, la bête humaine: “Não vejo essa senhora há 33 anos e desminto tudo o que disse”. – Às “mulheres de armas”, que confecionam furor na política e na economia, contrapõe o bom senso mulheres com armas (ou Gorgeous Girls With Guns), mulheres sem indeterminação ontológica, como:
Tilsa Lozano, 1,73 m, 51 kg, 86-60-92, sapatos 40, olhos e cabelos castanhos, nasceu Tilsa Marcela Lozano Sibila a 31 de outubro de 1982, em Lima, Peru. Em 2012, foi assinalada em Itália ao “ser vinculada sentimentalmente con el futbolista Juan Manuel Vargas”. Posição que lhe causou um lío mediático. “‘A Tilsa ya le dieron de alta. El miércoles ingresó a la clínica por un cuadro de descompensación y estrés, sufrió un desmayo, pero ya está bien. No hay de qué preocuparse’, indicó la mamá de la ‘Miss Colita’, quien no quiso precisar si el lío mediático con el ‘Loco’ Vargas provocó el sorpresivo malestar”. Entrevista: “Me encantan los hombres machistas, que me dominen, sobre todo en la intimidad, ahí me dejo llevar. ¿Si me gusta el sexo? Claro, es riquísimo, además soy bien boca sucia. Y qué, así soy yo”. “No soy sinónimo de trasero, no por mi poto gané popularidad” {blog} {site}.
Angie Jibaja, 1,72 m, 53 kg, 90-65-98, sapatos 38 ½, olhos castanhos, cabelos pretos, nasceu Angie Janinne Jibaja Liza a 29 de maio de 1980 em Lima, Peru. Angie Jibaja “se caracteriza por ser una mujer bastante liberal, sin pelos en la lengua, y si se quiere, calentona”. Augusto Bresani – “secretário de imprensa do ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos, de quem recebeu dinheiro dos fundos públicos para pagar os donos dos diários El Tio, El Chato, El Mañanero, La Chuchi, entre outros, para que em troca destacassem nas capas a imagem do presidente Alberto Fujimori e atacassem políticos opositores do regime e jornalistas independentes” – no seu livro “Ocaso y persecución” acusou Angie de ser uma das putas, cobrando 400 dólares / hora, no hotel Las Suites de Barranco, onde, na década de 90, Vladimiro Montesinos filmava políticos, militares, jornalistas, empresários e juízes em espasmos sexuais. “Fidel Liza, abuelo de Angie Jibaja, negó que su nieta fuera dama de compañía después de que ella confesara en El valor de la verdad que estuvo en el hotel Las Suites de Barranco. ‘En ese tiempo vivíamos frente a Las Suites de Barranco, y Angie y sus amigos se metían ahí para tomar licor y fumar marihuana. Su madre cuando llegaba de trabajar entraba a ese lugar para sacar a Angie. Incluso se peleaba con ella’”. Angie explicou no Facebook “El sábado también quedó una respuesta al aire. La pregunta de Beto fue: ‘¿Estuviste con tu mamá en las suites de Barranco?’ Y mi respuesta fue ‘SI’. Pero no expliqué por qué estuvimos en ese lugar las dos. Debo contarles que mi madre sólo entró un par de veces y fue a sacarme de los pelos, porque cuando tenía 17 años conocí a la novia del administrador, quien me invitaba junto a mis amigos a los previos y como éramos jóvenes y todo era gratis. Mi mamá vivía al frente y es por eso que ella estuvo conmigo en ese lugar”. Filmografia: “Mañana te cuento” (2005), “El rey de los huevones” (2006), “Tú no quieres saberlo” (2008), “Lo peor de los deseos”. E editou o singleBla bla”.
[3] O sonho internacional. Jana Cova, 1,63 m, 45 kg, 86-61-91, sapatos 37, olhos verdes, cabelos loiros, nascida a 13 de abril de 1980, em Vyškov, Checoslováquia. Colegas favoritos? “Aquela de quem mais gosto ultimamente é Jesse Jane. Recentemente fizemos uma grande cena juntas para ‘Hot Rod for Sinnners’ (2006). Foi a última cena de sexo do dia. Estávamos vestidas em jeans apertados com tops vermelhos e tínhamos posto um batom vermelho muito sexy. Jesse estava sentada no chão a brincar com um chupa-chupa e eu aproximei-me e agarrei no chupa-chupa. Ela segurou-me e começou a tirar-me a roupa. Então, empurrou-me para o chão, abriu-me as pernas e começou a lamber-me como uma doida. Terminado o serviço, pôs-me de gatas, e começou a foder-me por trás com os dedos e depois com um brinquedo que parecia uma pistola. Então, ela pegou no chupa-chupa e começou a esfregar a minha rata com ele e a lamber os meus sucos nele. Então, foi a minha vez, ela meteu a rata na minha cara e eu comi-a com o chupa-chupa. Depois de a cena estar feita, eu estava tão exausta! A Jesse é grande. Ela está cheia de energia e fode como ninguém. Normalmente, as raparigas com quem trabalho agem como se eu fosse uma boneca de vidro, mas eu gosto de foder à bruta! Não conheço muitos colegas masculinos porque não trabalho com homens. Mas aquele que vejo sempre no plateau é Scott Nails. Viu-o nu e, foda-se, a piça dele é enorme! Quase que me assusta!”. Experiência estranha? “Sempre quis fazer sexo na praia, já não. Porque, quando fomos para Bora Bora filmar ‘Island Fever 4’ (2006), tínhamos que fazer sexo na praia o tempo todo. E, enquanto eu e a Jesse estávamos a tentar fodermo-nos uma à outra e parecer sexy ao mesmo tempo, tínhamos ambas areia por toda a parte. Entre os dentes, na rata e água salgada por todo o lado também, e não sabe lá muito bem. Por isso, foi muito engraçado. Não é fácil fazer sexo na praia”. Posição favorita? “Adoro à canzana, porque posso senti-lo fundo e duro. E porque gosto de sexo violento, assim estas posições são as melhores para sexo violento, puxar o cabelo, palmadas no rabo”. Planos? “Ter uma família e ganhar o máximo de dinheiro que puder e abrir o meu próprio restaurante. Este é o meu plano para o futuro”.
Mão de obra de leste no vídeo “La Slavinoj” (“os eslavos”), de jOmO, (nome artístico de Jean-Marc Leclercq que canta em esperanto): Vesna Rozic, (jogadora de xadrez eslovena falecida aos 26 anos), Oleksandra Nikolayenko, (modelo e atriz ucraniana n. 3 de julho 1981, em Budapeste, Hungria, miss Ucrânia 2004, casou-se a 6 de janeiro 2008 com o bilionário septuagenário Phil Ruffin, tiveram o primeiro filho, Richard William Ruffin, em abril de 2010), Joanna Pacula (atriz n. 2 de janeiro 1957, em Tomaszów Lubelski, Polónia), Mina Cvetkovic (modelo n. 18 de fevereiro 1989, em Niš, Sérvia), Karolína Kurková (modelo n. 28 de fevereiro 1984, em Děčín, Checoslováquia), Maria Sharapova (tenista n. 19 de abril 1987, em Nyagan, Rússia), Ewelina Olczak (modelo n. 24 de agosto 1990, em Stargard Szczecinski, Polónia), Maryia Essman (Мария Есьман, bielorussa, n. 19 de agosto 1989, em Minsk, miss Simpatia no Miss Intercontinental 2009), Katja, Jana Cova, Rositsa Ivanova (modelo, miss Bulgária 2005, n. 30 de julho 1987, em Ruse, Bulgária), Maria Kirilenko (tenista n. 25 de janeiro 1987, em Moscovo), Hana Soukupová (modelo n. 18 de dezembro 1985, em  Karlovy Vary, Checoslováquia), Olga Antropova (Ольга Антропова, miss Bielorrússia 2004 n. em 1983 em Polorsk, Bielorrússia), Alyona, Joanna Krupa (modelo e atriz n. 23 de abril 1979, em Varsóvia), Adriana Sklenaříková Karembeu (modelo e atriz n. 17 de setembro 1971, em Brezno, Eslováquia. Ex-recordista das pernas mais longas do mundo, no Guinness, destronada por Svetlana Pankratova), Bianna Golodryga (jornalista e apresentadora americana n. 15 de junho 1978, na Moldávia), Anelia (Анелия Георгиева Атанасова, cantora n. 1 de julho 1982, em Stara Zadora, Bulgária), Masha Tyelna (modelo n. 28 de dezembro 1990, em Kharkiv, Ucrânia), Petra Němcová (modelo n. 24 de junho 1979, em Karviná, Checoslováquia), Michaela Ochotská (apresentadora de TV e atriz n. 19 de dezembro 1984, em Bruntál, Checoslováquia), Eliška Bučková (modelo n. 23 de julho 1989, em Hodonín, Checoslováquia), Natalia Vodianova (modelo n. 28 de fevereiro 1982, em Gorky, Rússia), Carmen Kass (modelo n. 14 de setembro 1978, em Tallinn, Estónia), Marija Vujović (modelo n. 19 de maio 1984, em Titograd, Jugoslávia, agora Podorica, no Montenegro), Euguenia Volodina (modelo n. 17 de setembro 1984, em Kazan, Tartaristão, Rússia), Natasha Poly (modelo n. 12 de julho 1985, em Perm, Rússia), Valentina Zelyaeva (modelo n. 11 de outubro 1982, em Moscovo), Ingūna Butāne (modelo n. 24 de fevereiro 1986, em Riga, Letónia).
[4] Mulheres normais como Diana García, desenhadora moda ou Carolina SotoY tu mamá también” (2001, filme mexicano, real. Alfonso Cuarón). “O filme combina uma narrativa simples com interrupções na bandas sonora, durante as quais a ação continua, mas um narrador fornece detalhes adicionais e contexto sobre personagens, eventos ou cenários mostrados. Além de ampliar a narrativa, estas notas de rodapé, algumas vezes, chamam a atenção para questões económico-políticas no México, especialmente a situação dos pobres nas zonas rurais do país. A história em si concentra-se em dois rapazes no limiar da idade adulta. Julio (Gael García Bernal), de uma família da classe média de esquerda e Tenoch (Diego Luna), cujo pai é um político importante. O filme começa com ambos os rapazes a terem sexo com as namoradas, uma última vez, antes de elas partirem numa viagem para Itália. Sem a companhia das namoradas, os rapazes depressa se aborrecem. Num casamento, conhecem Luisa (Maribel Verdú), a esposa espanhola do primo de Tenoch, Jano, e tentam impressionar a mulher mais velha com paleio e a invenção de uma praia isolada chamada Boca del Cielo. Inicialmente, ela recusa o convite para ir com eles, mas muda de opinião depois de um telefonema, onde Jano em lágrimas confessa tê-la traído. Embora Julio e Tenoch não façam ideia de como encontrar a praia prometida, os três partem para ela, de carro, através do México rural e pobre. Passam o tempo a falar das suas relações e experiências sexuais, com os rapazes a gabarem-se das suas modestas proezas, e Luisa falando em termos mais discretos de Jano e melancolicamente do seu primeiro amor, que morreu num acidente de mota quando ela era adolescente. Numa paragem noturna, num motel, ela telefona a Jano deixando-lhe uma ‘nota de despedida’ no seu atendedor de chamadas. Tenoch vai ao seu quarto à procura de champô, mas encontra-a a chorar. Ela sedu-lo e ele desajeitado, mas entusiasticamente, faz sexo com ela. Julio vê através de uma porta aberta e de raiva diz a Tenoch que lhe tinha comido a namorada. No dia seguinte, Luisa tenta empatar o jogo tendo sexo com Julio, Tenoch então revela que também lhe comeu a namorada. Os rapazes começam a lutar até que Luisa ameaça ir-se embora. (…). Os três dançam juntos sensualmente, em seguida, retiram-se para o quarto. Começam a despir-se e a apalparem-se bêbedos, ambos focando a sua atenção em Luisa. Ela ajoelha-se para mamar nos dois, eles agarram-se e beijam-se apaixonadamente”. – Maribel Ver, 1,65 m, 49 kg, 86-60-88, sapatos 37 ½, olhos e cabelos castanhos, nascida a 2 de outubro de 1970, em Madrid. Pergunta: “Clássico do cinema mais enfadonho da História?”, Resposta: “2001: odisseia no espaço”.
Banda sonora: “Here Comes The Mayo” Molotov y Dub Pistols ♫ “La sirenita” Plastilina Mosh ♫ “To Love Somebody” Eagle Eye Cherry ♫ “Showroom Dummies” Señor Coconut ♫ “Insomnio” Café Tacuba ♫ “Cold Air” Natalie Imbruglia ♫ “Go Shopping” Bran Van 3000 ♫ “La tumba sera el final” Falco Jiménez ♫ “Afila el colmillo” Titán e La Mala Rodríguez ♫ “Ocean in Your Eyes” Miho Hatori e Smokey Hormel ♫ “Nasty SexLa Revolución de Emiliano Zapata ♫ “By This River” Brian Eno ♫ “Si no te hubieras ido” Marco António Solís ♫ “Watermelon in Easter Hay” Frank Zappa.
[5] Yuri Andropov, “enquanto embaixador na Hungria (julho 1954 / março 1957) desempenhou um papel importante na coordenação da invasão soviética do país durante a revolução de 1956”. Nesta revolta popular contra o poder soviético, Andropov apanhou uma doença chamada “complexo húngaro”; segundo o historiador Christopher Andrew “ele assistiu horrorizado da janela da embaixada como os agentes dos odiados serviços de segurança húngaros eram pendurados nos postes de iluminação. Andropov permaneceu obcecado, para o resto da vida, pela rapidez com que um, aparentemente todo-poderoso Estado comunista de partido único, tinha sido derrubado. Quando, mais tarde, outros regimes comunistas pareciam em perigo – em Praga 1968, em Cabul 1979, em Varsóvia 1981, ele estava convencido que, tal como Budapeste em 1956, apenas as forças armadas poderiam garantir a sua sobrevivência”. Chefe do KGB (1967-1982) será o primeiro chefe da polícia política eleito secretário-geral do PCUS e chefe de Estado. Será durante o seu comissariado que Ronald Reagan, um bonzinho, a 8 de março de 1983 batizará a União Soviética de “império do mal”. E Andropov esteve-lhe na mira.
The Secret Life of Uri Geller – Psychic Spy?” (2013), documentário realizado por Vikram Jayanti. Uri Geller foi recrutado para trabalhar com as agências de espionagem americanas como arma contra Nina Kulagina na “corrida ao armamento psíquico”, entre as duas superpotências, durante a Guerra-fria. “Geller ainda permanece recatado sobre as suas atividades de espionagem. No entanto, o psíquico reconhece que, uma vez, os seus controladores lhe pediram para usar a telepatia para parar o coração de um porco. Ele recusou, sabendo que, se ele fosse bem sucedido, o próximo objetivo seria quase de certeza um ser humano [o então chefe de Estado soviético Yuri Andropov]. ‘Tentei executar missões que fossem possíveis’, afirma Geller. ‘Eu disse não a coisas negras’. (…). Infere-se que Geller tentou usar os seus poderes psíquicos para desativar radares durante o raid em Entebbe, quando os comandos israelitas invadiram um avião sequestrado. O dobrador de colheres também usou os seus poderes mentais para tentar apagar o conteúdo de disquetes levadas para a Rússia por diplomatas soviéticos [agentes do KGB] e para convencer um ministro russo a assinar um tratado de redução de armas nucleares [em Genebra, projetando mensagens de paz na sua cabeça]. (Geller é retratado ao lado desse ministro ladeado por um jovem e sorridente vice-presidente americano Al Gore). (…). ‘Quando Jimmy Carter foi eleito presidente, uma das primeiras coisas que fez foi, ter o Uri Geller a dar-lhe um briefing de quatro horas sobre a ameaça psíquica soviética. A América não queria uma lacuna psíquica e Uri era o tipo a consultar nestas coisas’ disse o realizador Vikram Jayanti. (…). Após o 11 de setembro, aparentemente, Geller foi reativado como espião psíquico. O acontecimento formativo fundamental na juventude de Geller parece ter sido a sua experiência de quase morte quando combatia pelo exército israelita durante a Guerra dos Sete Dias. Ele ficou cara a cara com um soldado jordano e matou-o para salvar a sua própria vida. ‘De toda a guerra, esse incidente particular, essa fração de segundo de matar um ser humano, deixou-me cicatrizes e definitivamente, tenho pesadelos recorrentes sobre ele. Aprendi a viver com isso’, Geller diz-me. ‘Quando acordei num hospital em Jerusalém, percebi o que tinha cometido…aquele soldado está incorporado na minha alma agora. É como meu irmão. É dessa forma que sinto. Embora esses pesadelos recorrentes são tais que ele aparece e agarra-me e diz: O que fizeste comigo, ainda sinto a sua alma na minha’. Apesar de Geller ser comedido sobre como ajudou a Mossad, ele tinha uma anedota reveladora sobre o líder militar Moshe Dayan num restaurante. Ele (Dayan) era um ávido colecionador de objetos arqueológicos, muito antigos, de quatro, cinco, seis mil anos. Eles estão por todo o lado em Israel. Quando ele me conheceu e viu os meus poderes, a primeira pergunta que me fez, depois de perguntas sérias sobre uso militar e tudo isso… foi: ‘Uri, achas que podes encontrar-me alguns artefactos arqueológicos com os teus poderes’. Eu disse ‘Sabe, Moshe, nunca o fiz mas vamos tentar!’. Isto resultou em várias viagens altas horas da noite quando Geller levaria Dayan com ele quando ia caçar relíquias antigas. ‘Encontrei algumas coisas para ele. Ele adorou. Ele costumava juntá-las no seu jardim’. (…). Em Sheffield, Geller, tardiamente, ofereceu as suas desculpas ao povo escocês por usar os seus poderes psíquicos, de um helicóptero, sobre Wembley, para tentar mover a bola antes de Gary McAllister marcar o seu fatídico penálti falhado contra a Inglaterra no Euro 1996. Ele reconheceu que essa foi uma ocasião em que definitivamente cruzou as linhas éticas”.
[6] A conta, por favor. O primeiro-ministro francês Manuel Valls: “Não é a Europa que nos impõe este caminho, é uma questão de soberania. Não podemos viver acima das nossas possibilidades”, abril 2014, no anúncio de um corte de 50 mil milhões de euros no Estado.
[7] Um artista enquanto jovem cão. “Tú mataste a Tarantino” (2003), curta-metragem mexicana, realizada por Teresa Suarez Maceiras, c/ Gabriela de la Garza, Juan Rios, Mariana Goya e Patrícia Llaca. “Enquanto Diana participa numa sessão de empoderamento de mulheres no retiro Cuarto Camino, o seu marido Eugenio na cidade do México mistura sexo e cocaína com a sua amante, Cecilia, a irmã de Diana. O cão da Diana, Tarantino, come alguma da coca e a tragédia sucede. Eugenio tenta encobrir as coisas enterrando-o. Quando Diana regressa procura freneticamente Tarantino”. – Gabriela de la Garza, 1,75 m, 90-62-92, sapatos 39, olhos cor de café, cabelos castanhos, 3 de outubro de 1976, “sou da cidade do México, nascida e criada em Colonia Condesa e San Miguel Chapultepec, perto de Chapultepec, um dos grandes pulmões da cidade”. Entrevista: “Fui modelo, bailarina, intenté con la música, soy psicóloga, he tenido negocios; no creo que haya un momento en la vida en que uno sepa qué va a hacer el resto de sus días. Cuando llega ese momento, tampoco es definitivo. Nada nos determina en la vida”. Gabriela é Olga Ivanova, bailarina do trio Zubareff, e cunhada de Mario Moreno, na biografia de “Cantinflas” (2014).

na sala de cinema

Devil Hunter” (1980), real. Jess Franco, c/ Soledad Miranda, (sob pseudónimo de Susan Korday), Paul Muller, Andrés Monales, Greta Schmidt... “Uma mulher é perseguida através da selva por uma multidão furiosa vestindo tangas de pele, enquanto que outra é perseguida nas ruas por hordas de fotógrafos em calças vincadas. As pessoas perseguindo a primeira querem oferecer o seu coração ainda palpitante ao seu seminu deus, enquanto que, aquelas perseguido a segunda, querem vender a sua imagem a quem pagar mais. Qual é a diferença? – pergunta você. De certo modo, é cultural [1]. No entanto, o argumentista e realizador Jess Franco [‘Eugénie de Sade’ (1974)] e o argumentista e produtor Julián Esteban dão um passo em frente em ‘Devil Hunter’ (ou, ‘Sexo canibal’), uma película canibal saturada de miolos e pouco mais. À superfície, o filme parece mais uma tentativa de ganhar dinheiro com toda a loucura canibal que varria a Europa durante a era disco. Todavia, a borbulhar por debaixo de todo esse absurdo de mastigar tripas, existe uma empolgante sátira, uma que deita um olhar arguto ao vacilante estado da supremacia branca no final do século XX”. “Prime Evil” (1988), real. Roberta Findlay, c/ William Beckwith, Christine Moore, Mavis Harris… “Um grupo de monges renegados assina um pacto com o Satanás em pessoa. Em troca da sua imortalidade, a cada 13 anos, eles juraram sacrificar um parente em seu nome. Nos tempos antigos, as vítimas eram abundantes e os corpos facilmente descartados. Com o passar dos anos, porém, eles têm de se aventurar cada vez mais perto da cidade. Agora, no século XX, a sua busca levou-os a Nova Iorque, onde os homicídios são comuns e a maior parte das vezes ignorados. Contudo, uma freira notou e, junto com a congregação, contratou um investigador privado. A cidade está prestes a transformar-se em torta de carne moída, quando as forças do bem e do mal se confrontam antes que a próxima cerimónia sacrificial esteja completa”. “Matou a família e foi ao cinema” (1991), real. Neville de Almeida, c/ Cláudia Raia (Márcia), Louise Cardoso (Renata), Alexandre Frota (Bebeto)… “No Rio de Janeiro, após uma discussão com os pais, um jovem chamado Bebeto mata a família e vai ao cinema, onde assiste a quatro estranhas curtas-metragens. A primeira é sobre uma mulher rica, Márcia, enfastiada com o casamento, decide passar um par de dias sozinha na sua casa de Petrópolis. Quando, inesperadamente, a sua melhor amiga Renata chega para lhe fazer companhia, embebedam-se, e algo trágico acontece. A segunda é sobre um falhado que chega a casa chateado e bêbedo e mata a família. A terceira é sobre um trágico relacionamento lésbico reprimido. A última é sobre um homem viciado em roubar roupa interior feminina”.
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[1] No século XXI, o papel cultural da mulher para o homem, viril, culto, ativo, confina-se a simples screen 3D para o sacrifício a) que ele presta ao deus egípcio Atum (ou Tem, Temu, Tum, Atem criou o universo masturbando-se. O fluxo e refluxo do rio Nilo são consequência das suas ejaculações).
a) Quadro clássico moderno de “The Fourth Body” (2004), livro & DVD de Roy Stuart, publicado pela Taschen, c/ Anna Bielska, Mika'ela Fisher, Li Jin, Aviva Manya… música: Roy Stuart, Gary Lucas, Antonio Floriot; letra: Nelson Villamor, Guillaume Apollinaire; vozes: Anna Bielska, Aviva Manya, Gary Lucas, Louise Berton, Nelson Villamor”. “Roy Stuart começou como fotógrafo mas também fez filmes documentais como ‘Glimpse’. As suas fotos, amiúde, lidam com o corpo feminino. Em ‘The Fourth Body’ aparentemente vemo-lo a trabalhar. Não que vejamos muito os fotógrafos, o filme concentra-se nas mulheres. Algumas vezes estão vestidas, usualmente estão nuas. Vemos cenas hardcore a serem rodadas, mas geralmente vemos as mulheres no cenário. Muitos destes cenários são artísticos, estranhos ou fascinantes. Há também breves imagens da mudança da guarda em Copenhaga. Este filme não é um filme no sentido tradicional, pois, de facto, não é contada nenhuma história. Na verdade, é mais ou menos uma colagem de fotografias em movimento”.
A heroína Anna Bielska – modelo no site Met-Art rendia arte como Takya A em produções fotográficas de Roy Stuart tais como “Mademoiselle” (12 de março 2003) ∙ “Mademoiselle Does Not Behave” (22 de agosto 2003) ∙ “Libertas” (14 de julho 2003) ∙ “Cap D\’Agde” (16 de dezembro 2006). Uma “Blowjob Queen” nos filmes de Roy Stuart: Anna Bielska / Anna Biella, na série Glimpse (vídeo extraído de Glimpse 3), ou em “Giulia” (1999), produzido por Tinto Brass para a compilação “Tinto Brass presenta Corti Circuiti Erotici”, ou “The Lost Door” (2008): “um thriller erótico que estica a linha entre fantasia e realidade. Esta interação é já um tema dominante na fotografia de Stuart e é explorada sob uma nova luz, com as adicionais complexidades do diálogo, movimento e música”.
O fotógrafo e realizador Roy Stuart nasceu a 25 de outubro de 1959 em Nova Iorque.1977-1980. Estes foram os anos da evolução de Roy Stuart em Nova Iorque no contexto da chamada contracultura americana. Poetas, músicos e drogados. Ele convive com Gregory Corso e Allen Ginsberg, mas de extrema importância foi o encontro com o poeta cubano Nelson Villamor de quem se tornou amigo íntimo. Stuart e Villamor partilharam uma experiência musical ligada à banda Pigeons of the Universe. Paralelamente à música, na alvorada dos anos 70, Stuart teve a sua primeira experiência cinematográfica: um pequeno papel no ‘Padrinho II’ e, posteriormente, em muitos outros filmes, entre os quais alguns classificados para adultos na época (do realizador italiano Lasse Braun). (…). 1980-1990. Stuart, aparentemente decidido na recusa do american way of life, abandonou os Estados Unidos para a Europa. Estabeleceu-se na Inglaterra, onde tirou instantâneos eróticos da sua namorada, que mais tarde venderia a algumas revistas francesas. (…). Roy Stuart tornou-se fotógrafo profissional e, durante um certo período, trabalhou também como fotógrafo de moda. O clima tenso em Londres nos anos 80 desencadeou a sua partida para Paris”. Michel Houellebecq gaba-o: “Ele é dotado a filmar as mulheres, a sua dança…”. Na promoção do filme “The Lost Door”, para “Le cabinet des curiosités”, “o mestre do erotismo dos salões burgueses parisienses propõe-nos uma trip rock ‘n’ roll poética ao encontro de Guillaume Apollinaire”. Roy Stuart Documentary (2013). Obra fotográfica no site Met-Art: Eloise AElsi AKeiko ASwanna AYuka B / Yuka BAsuka AYuka B & Asuka AYuka B & Melinda AAjanna AElettraCarla ABisine ACribelle AYomor A

no aparelho de televisão

Sweet & Sour” (1984), série transmitida de segunda a sexta-feira pelas 20:30 na RTP 2. De segunda-feira, 20 de outubro a sexta-feira, 14 de novembro de 1986. Publicitava-a a RTP: “série australiana dirigida ao vastíssimo público jovem e refletindo a vitalidade da juventude, ‘Sweet and Sour’ combina a música dos nossos dias, o drama e a comédia, numa mistura destinada a divertir os jovens e a estimular o interesse daqueles que não estão ainda habituados ao som e ritmos modernos. A série documenta os esforços dos The Takeaways, um conjunto recentemente formado, e que tenta penetrar e vencer no circuito dos pubs do centro da sua cidade”. Enredo: “em meados de 1983, uma banda de Sydney, The Takeaways, é formada. Inicialmente, composta por Carol Howard, Martin Kabel e George Poulopoulos. Carol Howard (Tracy Mann) é uma atraente vocalista e guitarrista principiante de Melbourne; ela seguiu uma carreira na representação com pouco sucesso, mas está focada agora na sua música. Carol escreveu a sua primeira canção no comboio para Sydney. Martin Kabel (David Reyne) é um estabelecido, embora sem sucesso, guitarrista que quer progredir na sua banda atual: ele gostaria de cantar as suas próprias canções. Martin tem a sua oportunidade com os Takeaways. George Poulopoulos (Arky Michael) está mais interessado em jogar futebol pelos Combined Hellenic Travel Agents, mas relutantemente junta-se ao grupo para tocar baixo. Ele aprende a tocar na primeira sessão de ensaio da banda, lentamente, supera a sua timidez e torna-se num músico confiante. (…). Enquanto isso, Christine Yates (Sandra Lillington) invade a casa deles e, em vez de a entregarem à polícia, eles oferecem-lhe um lugar na banda. O pai de Christine, o lendário saxofonista dos anos 60, Shrug Yates (Martin Vaughan), ensina-a a sentir a música enquanto toca o saxofone. Christine é vocalista principal nalgumas canções”. “Gloss” (1987-1990), série transmitida na RTP 1 cerca das 13:30 às sextas-feiras, de 16 de junho de 1989 / 20 de Julho de 1990. “Gloss foi uma popular série dramática neozelandesa produzida pela TVNZ que foi exibida no final dos anos 80. Acompanhava uma família rica, os Redferns, com um lucrativo negócio nas revistas de alta-costura. Yuppies, enchumaços e méthode champenoise abundam nesta glitter soap”. “Foi dirigida por Chris Bailey. A telenovela neozelandesa centra-se em torno da família Redfern, donos de um império editorial que enfrenta muitos escândalos, controvérsia e dificuldades. O império editorial tem a sua sede em Auckland e foca-se no cruel mundo das revistas de alta-costura. Maxine Redfern (Ilona Rodgers) é uma editora glamorosa e sensata, a trabalhar duro para trazer a sua visão original para a empresa, apesar do drama que muitas vezes a rodeia

na aparelhagem stereo

No princípio… os sons pipilavam ao redor, os da natureza “Sons da British Library”, os da voz humana “BBC Voice recordings”, emulsionados em placas de Petri, umas de ócio outras de negócio, fez-se música. “22 miles of hard road / 33 years of tough luck / 44 skulls buried in the ground / Crawling down through the muck / Aw yeah”: “Souljacker Part I” (2001), p/ Eels (vídeo realizado p/ Wim Wenders). Dois dedos de evolução depois. “And trust me they know it all alone / From the first time they lay their eyes on you / They said I really shouldn’t want you back / oooh oooh oooh”: “They Know” (2014), p/ Índia Malhoa. No intervalo, festejam-se os países orgulhecidos. “Para a esquerda para a direita / Ao som do kuduro Portugal se ajeita / Para a direita para a esquerda / Ao ritmo do kuduro / Com as cores da bandeira”: “As Cores da Bandeira” (2012), p/ Índia Malhoa, Ana Malhoa ft DJ True Love. Num élan remissório, escreveria Miguel de Cervantes: “Onde há música não pode haver coisa má”. Subtraindo-se o mal sobra o bem, e o bem…
When Metal Ruled the World (80's LA Sunset Strip Story)”. Simplificava a década de 80 em Los Angeles o fotógrafo de rock Neil Zlozower: “Eram os anos do reaganomics, excesso de tudo: excesso de dinheiro, excesso de drogas, excesso de bebida, excesso de mulheres” [1]. Em Lisboa, brandiam as facas da casa os Samurai. “Eram um projeto de hard FM / pop de Francisco Landum, guitarra / voz (ex-TNT / Ibéria) e Manuel Cardoso, guitarra / voz (do grupo de rock progressivo Tantra), com a ajuda de Tónica, baixo e Tony Duarte, bateria. O seu primeiro concerto foi na discoteca Voxmanias a 29 de maio de 1987. No final de 1986 gravaram o seu álbum de estreia ‘Samurai’ nos estúdios M.I.D.I., produzidos por Landum e Cardoso. O álbum incluía 9 canções, metade cantadas em inglês, metade em português, ‘Dance Forever’, ‘Shout for Love’, ‘Amazona’, ‘I Know’, ‘Radio Suicide’, ‘Bandeira’, ‘Sem ti’, ‘Sexo no chão’, ‘Amazona (O regresso das amazonas)’” [2].
Get Thrashed: The Story of Thrash Metal”. Substanciava este subgénero musical o vocalista dos Slipknot Corey Taylor: “Era um grito de guerra, vamos queimar os nossos ídolos, vamos criar algo completamente diferente, e têm que se aguentar, portanto vão-se foder”. Em Lisboa, trashavam os Decay. “Da Parede, Lisboa, banda de black / trash metal. Formada em agosto de 1990 por dois amigos, J. A., guitarras / voz e Nuno, guitarra. Com a colaboração de Pedro na bateria e Carlos no baixo, os primeiros ensaios aconteceram em setembro. Em outubro, Jorge ‘Divino’ Fonseka (futuro Cunnilingus – ‘Sodomizada pelo pentagrama’ ♫ ‘Pantera negra’ ♫ ‘Beber e foder’) juntou-se como vocalista. Em dezembro, a banda gravou a sua cassete de promoção com quatro faixas: ‘Untold Tales (Intro)’, ‘No Tomorrow’, ‘Our Existence’ e ‘Too Fast’, e no mesmo mês tocaram o seu primeiro concerto na Parede, no dia 16 de dezembro. A segunda atuação é realizada a 17 de março de 1991, e logo Pedro e Jorge abandonaram o grupo, sendo substituídos por Mike (Moonspell) e João (Moonspell, Grog, Ironsword), respetivamente. É por volta dessa época que eles mudaram o nome para Decayed”. “A banda viria a mudar o nome para Decayed e avança para um black metal estilo Bathory. Com várias formações, os Decayed lançaram uma sucessão de maquetes, 7 polegadas e álbuns em várias etiquetas underground europeias. Por volta de 1996, o baterista J.B. saiu e nas gravações posteriores usaram uma caixa de ritmos. Em 2002, o último membro restante abalou, deixando o fundador, J.A., como o único sobrevivente que, até hoje, continua a banda recorrendo a músicos de estúdio” – “The Conjuration of the Southern Circle” (1993) ♫ “In Lustful Mayhem” (EP 1995) ♫ “The Book of Darkness” (1999) ♫ “The Black Metal Flame” (2008).
Reportagem [TVI] - Black Metal”. Peça de bom jornalismo, a locutora introduz: “A Portugal a música de Satanás chegou uma década depois, os seguidores do black metal, anticristãos e satanistas, aumentaram consideravelmente nos últimos anos, profanar cemitérios e incendiar igrejas são rituais satânicos cumpridos por muitos que fazem do black metal uma forma de estar na vida”. Bate forte com Ciência, o sociólogo João Teixeira Lopes: “Atacar o cristianismo é uma forma também de promoção. Eles são tão audazes, são tão corajosos, são tão fora do sistema que, vão diretamente à raiz daquilo que costuma ser o ritual dos outros, o sagrado dos outros, digamos, as normas dos outros. É uma forma de demarcação radical. Agora, não é uma forma, como é que hei de dizer, consciente, reflexiva, que tenha uma ideologia no sentido clássico da palavra, não. É meramente uma revolta difusa que encontra algo que agrega energias, que agrega fúrias, que agrega ódios, que agrega no fundo um conjunto de frustrações que vêm, como eu disse, do falhanço da integração social noutras instituições, designadamente na escola, na família e no mercado de trabalho” [3]. – “A expressão black metal foi cunhada pela banda inglesa Venom com o seu segundo álbum ‘Black Metal’ (1982). Embora considerado trash metal em vez de black metal, pelos padrões de hoje, as letras e imagética do álbum focavam mais temas anticristãos e satânicos do que qualquer outro antes. A música era rápida, rude na produção e com vocais roucas ou grunhidas. Os membros dos Venom também adotaram pseudónimos, uma prática que se propagaria entre os músicos de black metal”.
O diabo é o pulsar do quartzo, em 2012, um ex-baterista dos Venom (2000-2009) Antton Lant: “Sempre me senti como se estivesse a tocar as canções de outra pessoa. O ênfase dos Venom foi sempre fazer outro ‘Welcome to Hell’ ou outro ‘Black Metal’, e eu pensava: porque não estamos apenas a escrever uma merda de um bom álbum? Os M-Pire of Evil era a mesma coisa, eles fiavam-se demasiado na cena Venom. Tenho muito mais liberdade com os Def Con One. Tive uma grande discussão com o meu irmão e os M-Pire of Evil, que levou a grandes problemas. Julgo que um dia darei uma entrevista sobre porque isso aconteceu mas, neste momento, só quero distância disso. (…). Se alguém disser que os Def Con One são originais, serei o homem mais feliz do planeta”. – O épitome do black metal é o grupo sueco Marduk. “Formado em 1990 por Morgan Steinmeyer Håkansson a fim de criar a ‘banda mais brutal e blasfema do mundo’. O seu estilo musical era de uma influência direta do death metal na música black metal, mas com o passar dos anos o seu estilo e imagética tornou-se numa mais rápida e intensa forma de black metal”. A sua primeira maquete, “Fuck Me Jesus” (1991), tinha na capa a namorada de Håkansson (talvez) a punhetar-se com um crucifixo.
Em Gaia, masturbava-se… intelectualmente, os Candle Serenade. “Mais do que um mero projeto de black metal, os Candle Serenade constituía para os seus membros uma horda, uma congregação esotérica em torno da qual se realizavam debates, reuniões e rituais orientados pela crença no oculto em geral e no satanismo, vampirismo e paganismo em particular. Formados no verão de 1993 pela guitarrista Daniela Portela (aka Stregoyck, editora do fanzineMetalkraft’), o quinteto era ainda constituído por Odranoel (voz), Belfegor (guitarra), Nihasa (baixo) e Demogorgon (teclas). A banda estreou-se no ano imediatamente a seguir com a promo-trackTales from Walpurgis’, gravada nos Estúdios Rec'n'Roll e aclamada no meio underground. O registo denotava uma vastidão de influências, explorando especialmente texturas familiares ao gothic / doom / black metal. Esses elementos seriam ainda mais evidentes no único álbum publicado, ‘Nosferatu's Passion’, em que Stregoyck assume o lugar deixado vago por Odranoel”. – O doom desce em linha reta dos Black Sabbath. Exempli gratia a banda formada em 2006 em Hickory, Carolina do Norte, Hour of 13. Levanta-se o seu vocalista Phil Swanson: “Não sou realmente um ‘cantor’ cantor. Concentro-me mais no fraseado e na prestação do que em carregar notas. Nunca fui treinado e efetivamente não acredito nisso, rouba toda a sua identidade, e você parece um grande maricas ao fazer toda essa merda. Isto é metal, não ópera! Simplesmente deite-o cá para fora! É tudo o que precisa de saber. O meu treino é como fã, presto atenção e tomo nota das pequenas nuances que ouço. Prefiro mil vezes um cantor estilístico como Bon Scott a Bruce Dickinson. Não é que eu não aprecie talento, simplesmente não tenho nenhum” – “Who’s to Blame”. No doom, em Portugal, os Agon doominavam na Bobadela (1996-98), com Paulo Ribeiro, voz / guitarras, Soraia, voz, Rui Bettencourt, guitarra rítmica, Jorge Bettencourt, teclas, Capitão, baixo e Pedro Peres, bateria. Gravaram a maquete “The Dawn of Times” (1997) e o EP “Silent Cries” (1997) com as faixas “The Night” ♫ “Silent Cries” ♫ “Bestial Devotion” ♫ “Fearing Myself” ♫ “Eternally”.
A Documentary about Death Metal”. Danny Nelson, vocalista dos Malignancy, matava de vez a definição: “Death metal, para mim, é o período mais extremo de toda a gama metal, quero dizer, é o mais técnico de tocar, realmente difícil de tocar, é quase como o equivalente metal do jazz” [4]. De Espanha soprava os bons ventos dos Haemorrhage, formados em 1990, c/ Lugubrious, voz, Luisma, guitarra, Ana Belén de López, guitarra rítmica, Ramón Checa, baixo e Jose, bateria – “Via Anal Introspection” (1995) ♫ “Mortuary Riot” (2002) ♫ “Suzio Policia” (2012). Em Gafanha da Boavista, Ílhavo, jazeram os Deification com três maquetes: “Promo tape Fev. 95” (1995), “A New God Had Been Created” (1995) com as faixas “A New God Had Been Created” ♫ “Unholy Truth” ♫ “Putrid Mind” ♫ “Eternal Dream” ♫ “Suffer Land” e “The Stolen Tracks (the last rehearsal)” (1996) com as agradáveis melodias “Cadaveric Decomposition” ♫ “Hands of Disfiguration” ♫ “I’m Encarnation of Evil”.
Folk metal local, os Hyubris. “A banda formou-se em 1998 e começou uma aventura chamada ‘Lupakajojo’, as iniciais dos seus integrantes. Juntos exploravam o heavy metal. Em 2001 surgiu uma mudança na formação da banda: Filipa Mota tornou-se na vocalista e introduziu a flauta na sonoridade do grupo. A banda mudou o nome para Hyubris que significa Desafio aos Deuses. Ainda nesse ano lancharam o EP ‘Desafio’. Em 2002 destacaram-se em participações como na Festa do Avante” – “Canção de Embalar” (2005).
American Goth” (2005) documentário de Ryan Rhea. “Em 2002, a cidade de Blue Springs, Missouri, candidatou-se e recebeu uma verba federal de 273 000 dólares para investigar a cultura gótica”. Este “documentário de 86 minutos fornece uma análise aprofundada da cultura gótica que é, muitas vezes, tipificada por roupas pretas e um interesse em música sombria, literatura e cultura. Numa era pós-Columbine, os góticos têm sido percebidos e estereotipados de muitas formas. American Goth é um documentário coloquial em estilo ‘faça você mesmo’ que pergunta se a cultura gótica constitui uma ameaça para a sociedade ou se é simplesmente um estilo de vida alternativo”. Na margem alternativa do Tejo, os Capela das Almas. “Foi uma banda de gothic metal nascida em Almada em finais de 1989. Muito influenciados por grupos como The Sisters of Mercy ou Fields of The Nephilim, só em 1993, após diversas alterações no seu line up inicial, gravam o seu único trabalho, ‘Estranhos São os Desígnios de Deus’, que será editado no ano seguinte no formato cassete. Dada a muito boa aceitação por parte do público apreciador do género, esta demo permitiu-lhes a possibilidade de atuação em cerca de 40 concertos. Destes, poder-se-ão destacar a abertura da tour ‘Under The Moonspell’ dos Moonspell e a primeira parte do derradeiro concerto dos Land of Passion ocorrida no Ponto de Encontro em Almada” – “Fogo de outra sorte” (1994) ♫ “Avé” (1994).
“Em janeiro de 2008, um jovem casal gótico de Dewsbury, West Yorkshire, viu recusada a sua entrada num autocarro… porque o rapaz trazia a sua namorada pela trela – precisemos que ela é totalmente consenciente e que ela se considera como um animal doméstico. Quem diz gótico diz interesse pela música (entre outras formas de expressão artística), confirmado pelo facto de a jovem, Tasha Maltby, 19 anos, ser estudante de tecnologia do som. (…). Considerada a madrinha e a inspiradora da franja mais rigorista do movimento gótico (tal como John Cale, que participa muitas vezes nos seus discos), Nico deixou uma obra somítica – seis álbuns de estúdio em vinte anos – mas extremamente singular. (…). Nos anos 80, vivendo entre Manchester e Ibiza – onde morre, vítima de uma hemorragia cerebral, após uma queda de bicicleta em 1988 – ela adaptou-se à nova geração cold, dando concertos acompanhada de jovens músicos britânicos, como os Bauhaus. O seu cantor Peter Murphy dirá: ‘Nico era gótica, mas de um modo Mary Shelley, enquanto que os outros eram de um modo filmes de terror da Hammer. Todos tinham produzido Frankensteins, mas o de Nico era o verdadeiro’”, na revista “Les inrockuptibles hors série - Les filles du rock” [5].
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[1] Em Portugal nessa década vivia-se o habitualnomics i.e. a aplicação de medidas de austeridade para corrigir desvios na economia que, cientificamente, se chamava “apertar o cinto”, e o lógico passeio no parque. As salas de cinema abriam as portas como bocas esfomeadas e o dinheiro para as trespassar jazia nas ruas. 1983 estreou. “Sem Sombra de Pecado” (1982), real. José Fonseca e Costa, c/ Victoria Abril (Lucília / Maria da Luz), Mário Viegas (Henrique), Armando Cortez (tenente Sanches), João Perry (tio Miguel), Lia Gama (Adelina)… do conto “E aos costumes disse nada”, de David Mourão-Ferreira, no livro “Gaivotas em terra”. – Com razão, David Mourão-Ferreira ficou desgostado por não se ter “nem no cântico dos seios nem no soluço das pernas” de Victoria Abril; explicou Fonseca e Costa: “Fiz uma pergunta sacramental ao David: está interessado em trabalhar comigo na adaptação, sendo você escritor? E ele disse não, não, não quero meter-me nisso. Você faz da história aquilo que quiser, e assim foi, e assim foi. Eu levei as coisas ao ponto de nem sequer convidar o David para assistir às filmagens. O David, depois, falando sobre isso, disse-me: Ao Zé nunca lhe perdoarei que nem sequer me tivesse apresentado a atriz que veio fazer o papel. E foi confrontado com o filme depois de ele ter ficado pronto. Quando o filme acabou, eu estava à espera que o David viesse dizer-me qualquer coisa. O David saiu da sala, parecia uma seta, e nem me viu e atravessou a rua para entrar em casa. Eu fiquei espantado, bom, ele deve ter detestado o filme. Não viu o filme, com certeza absoluta, porque nem sequer me disse nada antes de entrar em casa. O David volta-se para trás, vem a correr para mim a dar um grande abraço e disse-me: Olhe, gostei muito do filme. Bom, fiquei tranquilo, como imagina”. Estreou na sexta-feira, 11 de fevereiro de 1983 no Éden e Cinebloco (Lisboa), Lumière (Porto), Gil Vicente (Coimbra) e Rosa Damasceno (Santarém).
Também estrearam nesse ano, não um mas dois James Bond. “Octopussy” (1983), c/ Roger Moore estreia quinta-feira, 27 de outubro de 1983 no São Jorge sala 1, no Ávila, av. Duque d’Ávila, 92-A e no 7.ª Arte, av. da República, à estação de Entre Campos, junto ao n.º 68. “Never Say Never Again” (1983), c/ Sean Connery estreia quinta-feira, 15 de dezembro nos mesmos cinemas. “Bilbao” “a história de um fascínio” (1977), real. Bigas Luna, c/ María Martín (María), Àngel Jové (Leo), Isabel Pisano (Bilbao)… estreia sexta-feira, 13 de maio no Quarteto sala 1, rua Flores de Lima, 16. “María é uma atriz em decadência, que tenta conservar o glamour dos seus tempos de glória. Assim, mantém um caso com Leo, mais novo que ela, e com o tio (Jordi Torras) do rapaz, que garante o seu sustento. A relação entre eles é uma mistura de autoritarismo, materialismo e sadomasoquismo. Na sua busca por motivações fetichistas, Leo conhece e apaixona-se por Bilbao, uma bela mulher que ganha a vida prostituindo-se e fazendo strip-tease nos lugares mais sórdidos. Como se ela fosse um objeto, ele quer apropriar-se dela”. “Sob a influência de ‘The Collector’ (1965), o filme de William Wyler, baseado no best-seller homónimo de John Fowles, em que Terence Stamp rapta uma jovem e ‘coleciona-a’ como faz com as borboletas, e que no final morre por falta de assistência médica, Luna consegue uma das maiores obras-primas do cinema espanhol de todos os tempos, ao filmar apaixonadamente esta sórdida crónica impregnada de um erotismo mórbido e doentio, pleno de magnetismo e revestida de uma pátina suja e decadente, edificada sobre a vida quotidiana de um psicopata maníaco e escrupuloso nos abismos do delírio e da perdição”.  
Na quadra natalícia de 1983 é reposto o filme mais importante alguma vez exibido em Portugal. Os desenhos animados, os “101 Dálmatas” (1961), de quinta-feira, 15 de dezembro de 1983 / quarta-feira, 4 de janeiro de 1984 no cinema Tivoli. De sexta-feira, 16 de dezembro de 1983  / sexta-feira, 17 de fevereiro de 1984 no cinema Alvalade. De sexta-feira, 16 de dezembro de 1983 / quinta-feira, 5 de janeiro de 1984 no cinema Turim, estrada de Benfica, 723 A. De sexta-feira, 17 de fevereiro de 1984 / quinta-feira, 22 de março de 1984 no cinema Caleidoscópio. O filme impactou fundo nos jovens portugueses impacto que medrará. Em 2014, o candidato às eleições europeias Paulo Rangel: “Gostaria de dar uma novidade, é que este Manifesto é um manifesto da geração das redes sociais (…). Está organizado em 101 tweets, tantos como os dálmatas, 101, todos, todos e cada um deles, com menos de 300 carateres”. “Tootsie” (Quando ele era ela) (1982), nomeado para 10 Oscares, incluindo melhor filme, melhor ator Dustin Hoffman, melhor realizador Sydney Pollack, melhor atriz secundária Jessica Lange, melhor atriz secundária Teri Garr, estreia sexta-feira, 25 de março nos cinemas Castil, 7.ª Arte e Cine Estúdio Terminal. Entretanto, no Terminal, um pouco mais acima, queimava-se tempo, gamava-se e arrebentava-se:
“‘a escumalha do Cais do Sodré transitou para o centro comercial’, diz, desabridamente, uma lojista do centro comercial Terminal, no Rossio”. “Outros, sobretudo rapazes, esperam nos corredores ou nos largos de acesso à estação do Rossio, por um gesto de simpatia. Então, vagarosamente, dirigem-se à casa de banho da estação, a única que não tem guarda, e a troco de dinheiro, por lá ficam longos minutos. (…). ‘Tivemos de cerrar as portas das casas de banho para podermos contar as pernas. Quando lá estão quatro é porque a coisa não está bem’. Este processo engenhoso contado por uma empregada dos sanitários do centro comercial, onde depois de instaurado um sistema de controlo não existem problemas, não vigora nos sanitários junto às plataformas de embarque, onde o terreno é dos ‘arrebentas’”. Por 200$00 o homem casado, infeliz pela inaptidão da esposa, finalmente tinha um orgasmo mamando um Calipo morno nas casas de banho da Estação do Rossio. Os 200 paus chegavam, por exemplo, para ir ao Cine 222, av. Praça da Vitória, 37 (ao Saldanha), ver bom cinema como os Gansos selvagens, “The Wild Geese” (1978), onde morriam mais pretos que no enriquecimento da Guiné Equatorial para em 2014 resgatar bancos portugueses, BCP, Banif… (Exibido de quinta-feira, 12 de janeiro / sexta-feira, 10 de fevereiro de 1984). “O filme teve a assessoria do famoso mercenário Coronel Mike Hoare, também conhecido como Mad Mike, que ficou mundialmente conhecido pelas suas ações em África nos anos 60. (…). Em meados da década de 70, Hoare foi contratado como consultor técnico para o filme ‘The Wild Geese’, a história fictícia de um grupo de soldados mercenários contratados para resgatar um presidente africano deposto. O coronel Alan Faulkner (interpretado por Richard Burton) teve como modelo o próprio Hoare. Pelo menos um ator no filme (Ian Yule) foi efetivamente mercenário sob o comando de Hoare. Dos atores interpretando mercenários, quatro tinham nascido em Africa, dois eram antigos prisioneiros de guerra e a maioria recebeu treino militar”.
Na década de 80 chupava-se também muitas pílulas de alho Rogoff, extrato concentrado de alho forte, “para chegar à mesma idade e estar ainda fresco e cheio de vitalidade tome as famosas pílulas Rogoff”; preparado por: Woelm Pharma (Alemanha Ocidental); representantes: CREFAR – Representações, Lda. rua da Madalena, 171 - 2.º Lisboa.
[2] No programa “Deixem passar a música” (1987-1988), transmitido na RTP 1, Manuela Bravo convidou os Samurai. Apresentou-se Manuela: “Foi assim que tudo começou, 1979, Festival da Eurovisão em Istambul, a cantiga chamava-se ‘Sobe sobe balão sobe’, e por ela eu deixei o meu curso de Direito para enveredar por uma carreira profissional a tempo inteiro como cantora. Carreira essa que já dura nove anos, nove anos de muita luta, muito sacrifício, muito esforço, de muita música, de muitas canções, mas tem valido a pena. A todo o meu público, a todas as pessoas que sempre me receberam com muito carinho, com muita amizade, eu dedico esta dúzia de canções”. Os Samurai tocaram “Shout for Love”. Depois, Manuela apresentou-os: “Os Samurai são uma ótima banda e merecem maior projeção, pois o seu trabalho não é inferior a muitos outros de importação. É com prazer que os tenho no meu programa, e quero agradecer-lhes terem regravado um dos seus temas mais fortes, de modo a que fosse possível cantá-lo comigo”. E juntos cantaram “Amazona”, ela vestida de blusa branca, gravata e calças de cabedal pretas: “Amazona let me into your heart / Amazona / I have the right / Have the right / Have the right to be in love”.
O balão do tempo. Em 2013, a cantora Manuela Bravo “apresentou uma queixa-crime em tribunal por ‘difamação, insultos em via pública e tentativa de agressão’ contra a atriz Paula Martin da Silva, ex-colaboradora do projeto ‘Cumplicidades’. (…). ‘Do que se passou nos bastidores, não vou falar’, diz a atriz. ‘Quero apenas salientar que escrevi um musical para ela, que nunca me agradeceu’. O início da história remonta a fevereiro, quando o produtor Vítor Aroeira decidiu homenagear Manuela Bravo pelos 40 anos de carreira e encomendou um texto a Paula Martin da Silva. Assim nascia ‘Cumplicidades’, espetáculo que cruza música e palavra e era interpretado pelas duas artistas. Vítor Aroeira diz que investiu ‘cinco mil e tal euros’ no projeto, onde ‘toda a gente tinha concordado ganhar à bilheteira’. Depois de sete sessões no Parque Mayer e com sessão marcada para amanhã (23/8/2013) na Costa da Caparica, a cantora abandonou o show, no dia 12, por e-mail. ‘Fez uma birra porque foi chamada à atenção por usar indevidamente o patrocínio de um cabeleireiro, e quis sair", conta Teresa Santos, colaboradora de ‘Cumplicidades’. ‘Para mim, é uma grande infantilidade’”.
[3] O mercado de trabalho, em Portugal, só será domado like a bitch pelo ex-ministro da Economia Álvaro Santos Pereira: “Tínhamos um mercado laboral demasiado rígido, e um mercado laboral que também é um bocado muito dual, ou seja, para as pessoas da vossa geração – o que os economistas gostam de dizer no seu jardão jargão, a história do insider outsiderpara as pessoas da vossa geração, poucos direitos, para outras pessoas, muitos direitos, portanto era importante fazer e estimular, flexibilizar a contratação. (…). É muito fácil falar de crescimento. Eu gosto de crescimento. E eu pergunto a todos vós: quem é que não gosta de crescimento? Quem não gosta de crescimento não percebe o que o crescimento é. (…). Porque é que a competitividade fiscal é tão importante? Porque se eu for um investimento um investidor estrangeiro, eu olho p’a Portugal e p’a outros, outros países no mundo, na Europa e noutras partes do mundo e pergunto: porque é que eu hei de investir em Portugal? O investidor só investe em Portugal se fizer sentido. (…). Ou seja, é todo um pacote de incentivos que esse investidor está à procura. Porque se o pacote de investidor não for competitivo, esse investidor vai a outro país e vai conseguir um pacote de incentivos tão bom ou melhor do que nós avançamos. (…). Não era sexy apostar na agricultura, na indústria, nas minas e por isso abandonámos tudo (…) e quando o fizemos criámos as condições para termos a crise atual que temos atualmente” (perolava para jovens de JSD, fevereiro 2013).
[4] Para apreciar plenamente este género musical “Aquela que é já considerada a mais importante revolução no campo do áudio depois da grafonola, eis que os melómanos portugueses têm desde dezembro de 1983 a oportunidade de observar e adquirir o fenómeno compact-disc. (…). Fundamentalmente, o CD tem por característica forte a reprodução de música gravada em pequenos discos de 12 cm de diâmetro, sem que qualquer ruído de fundo, distorção em graves e agudos, reverberações, ou mesmo sujidade, possam afetar a audição. (…). Mas o CD não fica por aqui e traz-nos, por extensão, uma dinâmica de sons a todos os títulos notáveis, permitindo, pelas suas caraterísticas técnicas que, todos os instrumentos musicais possam ser ouvidos com perfeita clareza. (…). Além disso, CD tem uma outra e definitiva caraterística: sabendo-se que o elemento de leitura dos discos é um feixe laser, portanto, sem qualquer contacto físico com os discos, estes obviamente, deverão ter uma duração ‘infinita’, sem perda de qualidade. (…). Os discos têm 12 cm de diâmetro (1/6 da área dos 30 cm vinil). Apenas um lado se encontra gravado, podendo comportar 60 minutos de música ininterrupta, e em certos casos 70 minutos. Contrariamente ao sistema vinil, a leitura faz-se do centro do disco para o exterior a uma velocidade de 200 rotações p/m no interior e 500 rotações p/m no exterior (no vinil: 33 1/3 rotações p/m). (…). O CD não para aqui. Dada a sua fácil utilização, e bem assim a possibilidade de ser deslocado do seu ponto de apoio normal, os técnicos desenvolvem já a utilização em automóveis, ponto máximo e meio caminho para a quebra da cassete neste tipo de veículo.
Numa primeira fase, e dos cerca de trinta leitores já comercializados na Europa, Portugal, por dimensões de mercado, verá apenas três marcas. Curiosamente, duas delas utilizando a mesma tecnologia da terceira. As duas são a Marantz e a Grundig, a terceira é a Philips. A Marantz é, digamos assim, um ‘agente tecnológico e comercial’ da Philips, no Japão. A Grundig tinha já há algum tempo sido parcialmente comprada pela Philips, e agora vai mesmo ser gerida totalmente pela multinacional holandesa. (…). Numa segunda fase, a Pioneer e pelo menos a Denon, farão também a sua entrada. (…). Para não assustar já, começamos por dizer que eles custam em média o equivalente a um bom conjunto de alta-fidelidade. Em escudos, isto traduz-se por cerca de 160 contos para o Philips e 190 para o Marantz. (…). Em Portugal, um bom gira-discos custa mais de 60 contos, se conseguirmos ter um CD a 90 ou 100 contos, já seria bom (na Grã-bretanha ele custa em média 70 contos, para um poder de compra 4 ou 5 vezes superior). (…). Fomos falar com um responsável da Polygram e ficámos a saber que o disco após entrar no país sofre uma inflação total na ordem dos 350 %, no meio existe um fator proeminente, uma sobretaxa de 60 % que penaliza as importações, o consumo, e também a cultura. (…). Quer isto dizer que o disco compacto não custará mais de 1000$00 à entrada na fronteira, chegando à vítima (o consumidor) por 4000$00. (…). Ninguém em pleno juízo compra discos a quatro contos – a menos que ‘ache giro’, tão ‘pequeninos e brilhantes’ – depois, toda a gente vai ao estrangeiro, e se não há sempre um amigo que vai; a seguir, o tal ‘pequenino’ custa por lá, sempre menos de 2000$00”.
[5]Strip-tease” (1963), real. Jacques Poitrenaud, c/ Nico, Dany Saval, Jean Sobieski… música p/ Serge Gainsbourg, canção “Strip-tease”, interpretada por Juliette Gréco. “Nico interpreta Ariane, uma aspirante a bailarina que é preterida em favor de uma estrela famosa, numa produção teatral, em que estava completamente empenhada e, lentamente, envolve-se com a cena de clubes noturnos de strip, no despertar deste fenómeno. Obviamente, ela é muito reservada no começo, mas lentamente entrega-se à atuação e ao entretenimento dos outros mas, no processo, perde bastante de si própria”.