Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Patos com laranjas e rosas

1983. Setembro, mês de culinária com o prato do ano e de anos vidouros, o assado, virado no espeto muito lentamente, bem tostado pela elite chef em cozinhado de reajustamento da economia, avental posto da receita intemporal de: a cozinha a arder, fumos positivos no forno. “O programa de Gestão Conjuntural de Emergência com a duração de 18 meses, anunciado pelo Governo em junho passado, vai durar, no mínimo, até 1986. Em conferência de imprensa dada quarta-feira, 7, no Palácio Foz, o primeiro-ministro Mário Soares - ladeado, à direita por Mota Pinto, e à esquerda, por Almeida Santos - precisou que o referido programa, basicamente determinado pelo acordo com o FMI, desenvolver-se-á através da redução do défice da balança de transações correntes e limitação do endividamento externo. Estes dois objetivos - disse Soares, são ‘indispensáveis à implementação progressiva de um Programa de Recuperação Financeira e Económica que visa criar, a médio prazo (2 a 3 anos), bases sólidas para o funcionamento sadio do sistema económico e financeiro e de um Programa de Modernização da Economia Portuguesa, com a duração prevista de quatro anos’ [1]. Ou seja, a dura austeridade que já afeta a vida da maioria da população portuguesa não abrandará, no mínimo, antes de 1986/87”. A abordagem política, o empratamento ao público, exige dois ingredientes, o saleiro: não estamos sozinhos. E o pimenteiro: isto está a correr muito bem. “Como exemplos europeus, com idênticos programas de austeridade ao do seu Gabinete, indicou o primeiro-ministro os executivos da vizinha Espanha, de França e da Grécia”. Mário Soares polvilhou “a existência já dos ‘primeiros sinais positivos’ da política de ‘estabilização conjuntural’. Sem, todavia, citar números concretos, o chefe do Governo indicou haver já sinais de melhoria da balança comercial, das receitas do turismo e do fluxo da remessa de emigrantes [contrariado pelas estatísticas], ‘mudança de atitude por parte dos bancos internacionais relativamente ao apoio à nossa economia’, [no falar atual diz-se mercados], ‘boa recetividade do público às emissões de títulos’ e ‘interesse manifestado por importantes entidades estrangeiras em investir em Portugal, em consequência da anunciada abertura de vários setores à iniciativa privada’” [2].
Os ajustamentos dos velhos tempos, ao contrário dos atuais, acarretavam um colossal aumento de impostos. Quarta-feira, 14, o Conselho de Ministros lança o pacote fiscal. Aumentam: imposto sobre o jogo, papel selado (60$00), portagem sobre o Tejo (30$00), sisa e taxa sobre a venda de veículos automóveis. São criados novos: imposto sobre bares e boîtes abertos depois da meia-noite, imposto extraordinário sobre rendimentos, imposto especial sobre automóveis e selo fiscal (1000$00) para idas ao estrangeiro”.
Sexta-feira, 23, a maioria PS/PSD na Assembleia da República aprova o pacote fiscal. O pacote fiscal “responde às exigências que o FMI impôs ao Governo português, na Carta de Intenções, a redução do défice orçamental deste ano para 186 milhões de contos. Inicialmente estimado no Orçamento de 1983 em 150 milhões de contos, o défice seria de 204 milhões, caso não fossem tomadas as medidas de exceção aprovadas (…). As diferentes medidas foram estudadas de molde a aumentar as receitas do Estado em 18 milhões de contos”. Nos ajustamentos dos velhos tempos, ao contrário dos atuais, havia uma geração brilhante que trabalhava como ajudantes de cozinha para inovar os ingredientes para o pacote. Em 1983, as medidas de exceção fiscal foram:
Criação de um imposto extraordinário. “A medida mais grave para o conjunto dos trabalhadores portugueses respeita à criação do chamado ‘imposto extraordinário sobre os rendimentos coletáveis sujeitos a contribuição predial, imposto de capitais e imposto profissional. (…). O novo imposto corresponderá a 6 % dos rendimentos coletáveis respeitantes a 1982 e que estejam sujeitos a contribuição predial, ou que respeitem ao exercício por conta própria de alguma das atividades constantes da tabela anexa ao código do imposto profissional. No que concerne aos restantes trabalhadores o imposto extraordinário será de 2,8 % e incidirá sobre todas as remunerações certas e permanentes recebidas até 30 de setembro de 1983 [3]. De acordo com informações do secretário de Estado do Orçamento, Alípio Dias, o imposto extraordinário proporcionará uma receita suplementar de 12,5 milhões de contos”. O “imposto de selo eleva o preço do papel selado para 60$00. (…). Com ele serão cobrados, espera o Governo, mais 3 milhões de contos”. No imposto de saída do país “o diploma estabelece em 1000 ou 500 escudos, conforme se trate de adultos ou de menores, o montante a pagar ‘por todos os indivíduos, nacionais ou estrangeiros, que saiam do país, qualquer que seja a via’. Do imposto ficam isentos os estrangeiros portadores de passaporte diplomático, os nacionais ou estrangeiros que entram ou saem por via terrestre, por um período inferior a 72 horas e os emigrantes que entram e saem do país”. A sisa “passa a ser de 15% o valor da taxa de sisa devida pelas transmissões de prédios urbanos ou terrenos para construção, cujo valor seja superior a 10 mil contos. A proposta aprovada diz tratar-se de tributar as transmissões que ‘constituam índice objetivo de capacidade financeira acima do normal’. A receita adicional originada por este aumento será de 300 mil contos”. O imposto sobre boîtes “a receita que vai proporcionar eleva-se a 200 mil contos [4]. A taxa de imposto é de 50 contos, 30 contos e 15 contos respetivamente, para boîtes de luxo, restantes boîtes e locais noturnos congéneres, sendo a cobrança mensal”. O imposto sobre o jogo “com o fim de aumentar as receitas do Estado em 200 mil contos passou de 15 % para 20 %”. O imposto especial sobre veículos “quarenta, sessenta e quinze é o que vão pagar de imposto especial os veículos ligeiros de cilindrada entre 1700 e 2600 cc, os de cilindrada superior a 2600 cc e os motociclos de cilindrada superior a 500 cc, respetivamente, todos desde que tenham menos de cinco anos”. 
Nos ajustamentos dos velhos tempos, ao contrário dos atuais, havia sempre uma noiva rejeitada que gritava inconstitucionalidade. Na sexta-feira, 4 de novembro “a cobrança da taxa de saída do país – 1000$00 para adultos e 500 para cidadãos menores de 18 anos – é ilegal e todos nós temos o direito, constitucionalmente garantido, de o não respeitar. Esta manhã, durante a reunião do plenário da Assembleia da República, o deputado do CDS Lobo Xavier apresentou uma posição do seu partido considerando a Lei do Enquadramento Orçamental como materialmente constitucional, pelo que todas as outras leis lhe devem respeito. A Lei do Enquadramento Orçamental, com o n.º 64/77, diz taxativamente no seu artigo 16.º: ‘Nenhuma receita poderá ser liquidada ou cobrada, mesmo que seja legal, se não tiver sido objeto de inscrição orçamental’”.
Quinta-feira, dia 1 de setembro o Governo aprova as disposições gerais de um grande melhoramento para o país, para que a sua classe dominante não escorregue do poder. “Mota Pinto apresentou na reunião do Conselho de Ministros um projeto sobre as ‘disposições gerais reguladoras de uma estrutura nacional de informações’. O ministro da Defesa falou na qualidade de coordenador da comissão interministerial designada para estudar a ‘problemática das informações em Portugal e propor medidas a tomar com vista à breve entrada em funcionamento de adequadas estruturas de pesquisa e análise de informações’. (…). A revista Nação e Defesa, do Instituto de Defesa Nacional justificava a necessidade do Serviço de Informações pela existência nomeadamente de ‘alguns movimentos e conferências ditos de paz, certos movimentos e partidos políticos de obediência’ a ‘regimes políticos poderosos, de vocação totalitária e marcadamente hegemónica’”.
Terça-feira, 13 de setembro os leitores do Diário da República tomam conhecimento dos gastos da Assembleia da República em 1982. “As contas do parlamento, aprovadas em julho passado, foram publicadas hoje no Diário da República e mostram que os deputados conseguiram um saldo positivo no fim do ano económico de 71 713 contos, verba que se transfere para as despesas do corrente ano por constituir receita própria da AR – apesar de terem gastado 883 mil contos. (…). O presidente da Assembleia da República gastou ao país 3706 contos, assim distribuídos: 1274 contos de honorários do presidente, 248 contos de despesas de representação do presidente (num total de 1622 contos, ou seja, uma média de 135 contos por mês), 1780 contos para o gabinete de apoio ao presidente acrescido de 204 contos de subsídios de férias e Natal para este gabinete [5]. (…). Os restantes membros da mesa da Assembleia – vice-presidentes e secretários – receberam ao longo do ano de 1982 5643 contos, entre subsídios e despesas de representação. Por seu turno, os deputados tiveram subsídios no valor de 154 mil contos, abonos diversos de 9400 contos e gastaram em transportes e comunicações 8900 contos. Em deslocações (compensação de encargos) os deputados receberam a quantia de 144 mil contos. Em média, cada um recebeu cerca de 108 contos mensalmente. Os funcionários da Assembleia quase não receberam horas extraordinárias – apenas 167 contos durante todo o ano de 1982 – em contrapartida tiveram 30 790 contos de abonos, um pouco menos que os 46 796 contos de remunerações certas e permanentes. (…). Os gabinetes de apoio aos grupos parlamentares custaram um total e 22 505 contos, enquanto os partidos receberam como subvenção 267 889 contos” [6].
Sexta-feira, 16 de setembro. “O desenvolvimento de numerosos países foi travado de modo mais brutal o ano passado, do que fora nos 40 anos precedentes, afirma o Banco Mundial no seu relatório anual, salientando que devido a isso as suas atividades no campo dos empréstimos aumentaram, tal como no da assistência técnica. O relatório do Banco indica que durante os dois últimos anos de recessão (1981/82), o número de países em desenvolvimento que tiveram necessidade de reescalonar a sua dívida comercial foi tão grande como nos 25 anos precedentes. Perante a baixa dos mercados de matérias-primas e a baixa das taxas de juro, grande número de países em desenvolvimento viram-se na necessidade de aplicar políticas restritivas, que provocaram o afrouxamento de numerosos projetos de desenvolvimento, ou mesmo o abandono total de programas altamente prioritários [7]. Hoje, nota o relatório, o crescimento parece ter recomeçado nos grandes países industriais, mas ‘por muito otimista que se seja a respeito da evolução a curto prazo, é preciso admitir que os próximos anos serão difíceis e penosos’”. Durante o exercício de 1983 “os países que mais receberam emprestado do BIRD (Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento) foram o Brasil (1450 milhões de dólares), a Indonésia (1330 milhões) e a India (1080 milhões). Os principais beneficiários da AID (Associação Internacional para o Desenvolvimento, filial do Banco Mundial que empresta a países mais pobres), foram a India (1060 milhões), o Bangladesh (367 milhões) e o Paquistão (229 milhões)”.
Quinta-feira, 22 de setembro. “O leite subiu mais 30 % em litro. Os consumidores pagarão 33$50 por um litro de leite pasteurizado, ao domicílio. No posto de venda poupam 1$50. O meio litro custará 18$00 e quem consumir apenas 0,25 litros, despenderá 9$50. Os preços máximos do leite ultrapasteurizado de fabrico continental vão de 34$50 a 39$50, conforme seja magro ou gordo. O meio gordo passa a custar 37$00, sendo a margem do retalhista da ordem dos 2$20. As embalagens de meio litro oscilam entre os 18$00 (magro) e os 21$00 (gordo). No caso do leite esterilizado os preços máximos foram estabelecidos entre os 47$50 (magro) e os 55$00 (gordo), em pacotes de litro e meio”. “As carências de leite têm sido cíclicas em setembro e outubro, devido à normal falta de pastos no fim do verão e ao aumento da população urbana, com o regresso de férias e o retorno dos estudantes para as aulas. (…). Durante anos importou-se leite, prevendo-se situações semelhantes, mas o Governo chegou à conclusão que ‘estava a importar água’, disse um informador da UCAL. Como todos os organismos, a água constituía a maior parte do leite importado. Daí que o Governo tenha decidido passar a importar leite em pó para ser reconstituído em Portugal com leite e nata frescos, com a designação de leite recombinado” [8].
Quarta-feira, 21 de setembro o livro da culinária nacional enriquece-se. A RTP 1 na “Noite de cinema”, pelas 20:35 horas, exibe o filme italiano “L'anatra all'arancia” (1975), em português “Pato com laranja”, (estreado no cinema Londres quinta-feira, 1 de julho de 1976). Estava programado para essa rubrica televisiva das quartas-feiras preenchida com 7.ª arte um outro filme, “Far from the Madding Crowd” (1967), em português “Longe da multidão” (estreado nos cinemas Roma e Condes sexta-feira, 29 de março de 1968): “Bathsheba Everdine (Julie Christie), uma jovem determinada e namoradeira, inesperadamente herda uma grande fazenda e envolve-se romanticamente com três homens bastante diferentes”. Por alguma razão o filme de John Schlesinger foi trocado pelo de Luciano Salce. “Livio (Ugo Tognazzi) e Lisa Stefani (Monica Vitti) são um casal em crise. Em dez anos de casamento, não lhes faltam aventuras extraconjugais, mas a sua relação parece destinada a acabar definitivamente, quando Lisa se apaixona por Jean-Claude (John Richardson), um francês rico e fascinante, e pretende ir viver para França com ele. Livio tem ciúmes de Lisa que, embora à sua maneira, ama profundamente. Mas, em vez de reagir violentamente, adota uma tática mais subtil: propõe à mulher passarem o último fim de semana juntos numa vivenda à beira mar, convidando também Jean-Claude, de quem se gaba querer ser amigo. Neste ponto, porém, Lisa não pode impedir Livio de levar também uma companhia feminina. Quem se junta aos três é Patty (Barbara Bouchet), a desinibida secretária e amante dele, dita a pignasecca”. Será Barbara Bouchet, ou as suas tetas e rabo, que, aos olhos públicos na pantalha, engasgarão os portugueses nos lares. Jantados, com o Telejornal no papo, aconchegados no sofá para uma económica noitada de cinema, arregalam-se quando lhes entra pelos olhos cu e mamas. Houve corrida aos telefones de protesto, o presidente do conselho de administração da RTP ordena a interrupção da transmissão e o protocolar “inquérito interno para apurar responsabilidades”. E o calculável desfecho: primeiro, “a demissão forçada de João Palma-Ferreira, presidente da RTP, pelo facto de a emissora do Estado ter mostrado um filme com maminhas”. Segundo, a reposição do filme nos cinemas, na sexta-feira, 30 de setembro no Hollywood sala 1 (no Centro Comercial Alvalade) [9].
Em 1983, “aquela que foi a primeira, e talvez a única, mulher cabo de um grupo de forcados, em Portugal e talvez do mundo tem agora 73 anos, dá pelo nome de Maria da Assunção Almeida, e reside em pleno Bairro Alto, mais concretamente na travessa dos Fiéis de Deus, 140, 2.º andar. Vive com uma pequena reforma, arrastando agora, não só o peso da idade, mas também, e sobretudo, os reflexos dos traumatismos sofridos nos redondéis por onde passou nos finais da década de vinte. (…). Certo dia apareceu no Bairro Alto o mestre Luís, pregoeiro de touradas e funcionário do Sindicato Livre do Toureiros, a arregimentar moças para formarem um grupo de forcados. (…). Maria da Assunção era conhecida no bairro pelo seu ar arrapazado, alguém falou nela a mestre Luís e ei-la a ser recrutada, em segredo para a mãe não saber, a deslocar-se à sede do Sindicato, a fim de tirar as medidas para a jaqueta e para as calças da indumentária forcadista. E tal como ela lá estavam nas instalações da rua da Prata as restantes jovens selecionadas que iriam integrar o Grupo Lisbonense de Mulheres Forcados, cujos nomes constam de um cartaz da época já amarelecido pelo tempo, nos arquivos da empresa de Ricardo Covões, proprietária do Coliseu dos Recreios de Lisboa. A reter para a prosperidade: Maria Serra, Felismina Lopes, Manuela Bastos, Laurinda Esteves e Gracinda Neri, todas já falecidas e oriundas das casas de passe, desse ‘altar da prostituição’ em que o Bairro Alto estava transformado na altura. (…). Segundo conta Maria da Assunção, as mulheres-forcados atuavam protegidas por um colete almofadado, ao nível dos seios, e entre muitos dos episódios curiosos que marcaram a sua carreira, destaca um momento em que empregou demasiada genica na consumação de uma pega, dado estar muito nervosa. Assim ficou de tal maneira agarrada ao cachaço do touro que tornou-se necessário uma das suas companheiras morder-lhe as mãos para que largasse o animal. A carreira do grupo terminou ao fim de dois anos, quando estava no auge, devido ao boicote da mãe de Maria da Assunção que não queria que a filha ‘andasse feita machona’, tendo chegado a ir buscá-la aos redondéis no meio das corridas. E com o afastamento de Maria da Assunção considerada a coqueluche da formação, terminaria a curta carreira daquele que deve ter sido o primeiro e único grupo de mulheres-forcados”.
Quinta-feira, 29 de setembro. “Os agentes da PSP têm a partir de hoje legitimada a utilização das armas que lhe estão distribuídas, num conjunto de situações que permitem uma grande elasticidade. A regulamentação está contida num decreto-lei publicado dia 28 no Diário da República, subscrito por Mário Soares, Mota Pinto e Eduardo Pereira. O diploma propõe-se, explicitamente evitar abusos de utilização de armas de fogo, por parte de agentes da PSP, confinando-o aos justos limites da sua justificação. (…). O rol de situações que justificam o uso das armas de fogo por parte da PSP é entretanto tão vasto que dá para quase tudo. Assim, a sua utilização é permitida contra a agressão iminente ou em execução, ou tentativa de agressão, dirigida contra o próprio agente de autoridade, contra o seu posto de serviço ou contra terceiros. A justificação existe ainda para efetuar capturas ou impedir fugas de suspeitos, para prender evadidos, para libertar reféns, para suster ou impedir atentado em curso ou iminente, para abate de animais indiferenciados que façam perigar pessoas e bens, como meio de alarme ou pedido de socorro, quando a manutenção da ordem pública assim o exija ou os superiores do agente o determinem. A única proibição verifica-se se terceiros forem postos em perigo, excetuando tudo o que anteriormente ficou dito. O diploma estabelece a obrigatoriedade de advertência sempre que as circunstâncias o permitam, inclusive por meio de tiro para o ar”.  
____________________
[1] A veneranda pugnacidade da classe dirigente, sempre contendente em todas as épocas, nesta, no final de 80, funcionou apenas porque as condições externas se alteraram com a adesão à CEE, houve dinheiro para criar grupos económicos. – A determinação em italiano: "La Grinta", p/ VENA, são Riccardo Milo, voz, Giacomo Baroni, guitarra, Giacomo Bassano, baixo e Giulio Tosatti, bateria, sintetizadores. No Bronx, há outros VENA, um supergrupo de bachata urbana (ritmo musical oriundo da República Dominicana). “Dicen por el barrio que soy malo y que pierdes tu tiempo / Que soy un hombre terco / Y hasta comentan que soy mujeriego / Que soy un perro muerto en el / desierto, hasta secretos tengo”: “Sangre de mis venas”, p/ VENA, são Lenny Santos e Max Santos dos Aventura, e Steve Styles dos Xtreme.
[2] O trivial. Um ajustamento português atrai sempre coisas boas. – No leste. Anjelica Ebbi t.c.p. Krystal Boyd, Abbiy, Abbie, Slim Anya, Abby C, Kathy I., Angel, Chelsea, Ebbi, Ira, Abby H, Alice, Katherine A, Abbey, Angelica, Ksusha, Ksyusha, Megan, Vera, Snejanna, 1,73 m, 52 kg, 76-58-81, sapatos 39, olhos azuis, cabelos castanhos, nascida a 14 de abril de 1993, em Moscovo. Modelo e atriz porno provida de um espírito santo: “Super Sexy Russian” ≥ “Perfect Fuck” ≥ “Awesome Fuck” ≥ “Anjelica Gentle Dream” ≥ X.ArtPornably videoPornably videoPornably videoPornably videoPornably videoPornably videogifs
Connie Carter t.c.p. Mary Grey, Conny Lior, Conny, Anna, Conie, Connie, Josephine, Muriel, Roselyne A, Roxanne, 1,78 m, 51 kg, 91-68-96, sapatos 38 ½, olhos e cabelo castanhos, nascida a 24 novembro de 1988, em Praga, República Checa. Modelo e atriz porno abarrotada de espírito santo: “Before Sunset” ≥ “Close Shave” ≥ “The Best Way To Study” ≥ “Do Not Disturb” ≥ “Eurotic Encounters”.
[3] A facécia nacional logo situou que o Governo tirava os 2,8 para não tirar os 3. – Números do oriente. Ai Kawanaka (河中麻系), 1,56 m, 92-58-85, sapatos 36, olhos e cabelos castanhos, nascida a 3 de março de 1985, em Okayama, Japão. Ai gosta de ouvir música, cozinhar. Talento especial: badminton. YouTubeYouTubeYouTube.
[4] Um milagre, visto a vida noturna em Portugal ser mais enfadonha que papel pardo atado com barbante. Para diversão superabundante, só frequentando uma boîte em… Bogotá. “La hija del mariachi” (2006/08), telenovela musical colombiana c/ Carolina Ramírez e Mark Tacher. “Emiliano Sánchez-Gallardo Galván, filho de uma família mexicana rica, é injustamente acusado de um delito e teve de fugir para a Colômbia. Logo se encontra sozinho em Bogotá onde não conhece ninguém. Uma noite, no exterior do Bar Plaza Garibaldi, Emiliano é assaltado. Ajuda-o, Rosario del Pilar Guerrero Santana, uma estudante de Administração de Empresas, que também canta rancheras. A vida de Rosario está marcada pela memória de seu pai, um famoso mariachi, um boémio que ela amou e de quem ainda conserva o seu traje de charro como uma relíquia. Rosario torna-se na protetora de Emiliano e consegue-lhe um emprego a cantar no Bar Plaza de Garibaldi. Para fazê-lo, Emiliano usará o traje do pai de Rosario”. Canciones: “Rata de dos patas / Si te vas no hay lio” ♪ “Por un amor” ♪ “Fallaste corazón” ♪ “Echame a mi la culpa / Perdón / Tu y la mentira” ♪ “Pleito de rancheras” ♪ “Adónde estás / Adónde estás / Mátame cielo / Trágame tierra / Llevame Cristo / Si no vuelves más”: “Siempre hace frio”. – Carolina Ramírez, nascida a 20 de junho de 1983 em Cali, é uma das mais belas colombianas, porém a voz nas canções é da cantora e atriz também colombiana Adriana Bottina: “La oveja negra” ♪ “Devueleme el corazón” ♪ “Por un amor”.
[5] Apesar de figura decorativa ferra a unha no erário por ser escolhido o mais inteligente na praça em passatempos e quebra-cabeças. – Rubik's Boob”, no video, a modelo tamanho grande Leah Kelly, 1,78 m, sapatos 40, olhos azuis, cabelos castanhos, nascida a 27 de julho de 1987, em Mission Viejo, Califórnia.
[6] O dinheiro mais bem gasto da república. As estelas da democracia. – “Ella estrella”, p/ La Gusana Ciega. No vídeo, a atriz mexicana Diana García, 1,70 m, 53 kg, 89-61-88, sapatos 39, olhos cor de café, cabelos castanhos, nascida a 16 de janeiro de 1982 em Monterrey, México. “Diana começou a sua carreira de modelo aos 16 anos e utilizou esta forma de vida para pagar as suas aulas de representação”. Interpretou “Guadalupe, the Virgin” (2011). Entrevista: “Ando picando piedra en Estados Unidos, donde aparte de que difícil empezar de cero, es emocionante incursionar en el sueño de allá, explorando otros territorios donde la industria no sabe quién soy”.
[7] O desemprego o motor do capitalismo. – Hijos del presente”, p/ YDKM - You Don't Know Me, a banda nasce em 2007 nos arredores de Madrid e são Alex, Pablo, Iván, Víctor e David. A rodagem deste vídeo deu a primeira oportunidade de trabalho a onze jovens.
[8] Água a piscina da vida. – “Pool Play”, modelo Kiera Winters, 1,57 m, 45 kg, 86-60-91, sapatos 36, olhos azuis, cabelo castanho, nascida a 2 de fevereiro de 1993 em Meridian, Idaho.
[9] Outros patos outras laranjas nos ecrãs dos televisores. “Um particular apresentou queixa na Polícia Judiciária contra a RTP por ter exibido, em 7 de janeiro de 1987, no primeiro canal, o filme português de António-Pedro Vasconcelos, ‘O lugar do morto’ (1984), (estreado nos cinemas Castil e Vox quinta-feira, 25 de outubro de 1984). Segundo revelou a RTP, a queixa de um cidadão não identificado, acusa-a de ter passado um filme com cenas reprováveis e ‘desagregadoras da família’, de uma pelicula que passou nos cinemas classificada para maiores de 12 anos”. O diretor-adjunto de programas, Seixas Santos “manifestando o ponto de vista da RTP, a exibição ‘não infringiu qualquer lei’, nomeadamente, a Lei 75/79 que menciona o que são programas interditos em televisão (programas contra o regime democrático, pornográficos ou obscenos). ‘O que acontece é que se uma cena mais forte é representada por atores portugueses (Ana Zanatti e Pedro Oliveira), a audiência tem uma reação completamente diferente do que se fosse por atores americanos, por exemplo’”.
O império dos sentidos (愛のコリー)” (1976), real. Nagisa Oshima, c/ Tatsuya Fuji e Eiko Matsuda (estreado no cinema Estúdio sexta-feira, 5 de novembro de 1976). “No Japão pré-guerra. Sada, uma ex-prostituta trabalhando agora como empregada doméstica, apaixona-se pelo seu patrão, Kichizo, após vê-lo a fazer amor com a esposa. Os dois encetam um tórrido romance onde exploram as suas fantasias e incitam-se um ao outro até ao limite. Quanto mais a relação progride, contudo, mais Sada e Kichizo se desafiam um ao outro e, eventualmente, a dor e a humilhação substituem o prazer”. Transmitido na RTP 2, pelas 21:55, terça-feira, 19 de fevereiro de 1991, o filme pôs ovos alvoraçando o galinheiro. D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo de Braga, acusou ter sentido “horríveis vómitos” desarranjando-lhe estômago e educação: “aprendi mais em dez minutos deste filme do que no resto da minha vida”, 67 anos dela que, no entanto, tinham sido amaciados uma hora e meia antes pelo primeiro canal com o genérico da “Tieta do Agreste” (estreada pelas 20:15, na RTP 1, segunda-feira, 29 de outubro de 1990, e responsável pelo reviver da moda das botas de bico em Portugal). Familiarizado com o corpo feminino, mais imaculado, o sacerdote aconselhou, para “filmes assim”, uma exibição “às duas ou três da noite, que será hora adequada para marginais e certos doentes”. Na sexta, 22, os deputados Hermínio Martinho, Carlos Lilaia, Barbosa da Costa e Rui Silva, do Partido Renovador Democrático (PRD), apresentavam no parlamento um voto de protesto. “Voto n.º 187/V de protesto pela exibição no canal 2 da RTP, do filme O império dos sentidos. A Radiotelevisão Portuguesa transmitiu, através do seu canal 2, num horário de grande audiência, um filme ofensivo dos valores culturais e morais de boa parte da população portuguesa. Considerando embora o seu caráter agressivo, seria talvez desculpável que pudesse ser exibido noutro horário, inacessível a níveis etários mais suscetíveis, evitando-se assim os efeitos perniciosos facilmente detetáveis. Não se trata de assumir uma postura conservadora ou de cunho tradicionalista, mas tão só de defender os direitos dos que se sentem violentados pela entrada escancarada nas suas casas de cenas e conceitos que não se ajustam à realidade portuguesa. A Radiotelevisão Portuguesa, enquanto serviço público de comunicação social, não pode ter tais procedimentos manifestamente inconvenientes para grupos significativos da população e com caráter marcadamente deformador das consciências dos jovens e das crianças portuguesas. Face ao exposto, os deputados do PRD manifestam a sua preocupação pelo sucedido e apresentam o seu protesto junto do ministro da tutela e do conselho de gerência da RTP”.
Emanuelle nera” (1976), real. Albert Thomas, c/ Laura Gemser, Karin Schubert, Angelo Infanti, Isabelle Marchall… (estreado nos cinemas Condes e Roxy quinta-feira, 3 de junho de 1976). Emanuelle, num avião, folheia displicentemente uma revista de gajas nuas, o casal ao seu lado direito esfrega-se sexualmente, excitada, apazigua-se com um flashback seu, deitada nua sobre uma cama, masturbando-se. Cumprido o título do filme. O maço de Marlboro vazio, Emanuelle levanta-se à procura de tabaco. “Desculpe, tem tabaco?”, hospedeira: “Lamento, mas acabaram. Vendemos tudo”, jovem missionário: “Tire, por favor, eu comprei o último maço”. Emanuelle: “Desculpe, não sei que língua fala”, jovem missionário: “Não é a minha língua. É suaíli. Fique com estes. Sente-se, por favor”, Emanuelle: “Obrigada, sou americana”, jovem missionário: “Não se ofenda, mas tomei-a por africana. É a primeira vez que vai a África?”, Emanuelle: “Sim e você?”, jovem missionário: “Na verdade, vivo em África há cinco anos. Para onde vai?”, Emanuelle: “Para Nairobi”. Em terra, esperava-a Ann Danieli (Karin Schubert). Emanuelle: “Sou a Mae Jordan, mas assino como Emanuelle, à francesa, é o meu nome de batalha”, Ann: “Que surpresa! Emanuelle, a famosa fotógrafa da revista Aston”. Na estrada para a propriedade, Ann: “Aqui começa a propriedade do meu marido. Milhares de acres de café, milho, amendoim, algodão, e é a partir daqui que nos começamos a tratar por tu”. Na bomba de gasolina Kenol Ruaraka, enquanto atesta o carro do marido, o Range Rover KPM 852, Ann decide “dar algo a provar” ao empregado Joseph, “que a comia com os olhos”, na casa de banho, fingindo querer lavar as mãos. Joseph: “Aqui tem o lavatório e uma toalha limpa”. Aqui o filme diverge na versão softcore de uma outra reforçada com cenas hardcore, filmadas com body double, para os mercados do norte da Europa. Na primeira, Ann põe-se de cócoras, tateia a braguilha, despe-se, e sem se descalçar, monta o empregado preto que está completamente vestido num asseado macacão azul. Na segunda, umas mãos abrem a braguilha e retiram um possante tição, que se vê depois, num grande plano, filmado por trás, bombear num escafiado bidão branco. De regresso ao carro, onde esperava Emanuelle, diz Ann: “Desculpa se te fiz esperar, mas fiz uma boa ação, o pobrezinho já não podia mais”. No domingo, 13 de julho de 2014 a CMTV, pelas 00:45, transmitia a versão setentrional, talvez esfuziada pelos bons sinais da economia que nos aproxima mais de rico do que de pobre. Uma aurora boreal que durou mais dois inserts. No chuveiro com Gianni, marido de Ann. Emanuelle: “Desculpa pelo que aconteceu nas ruínas. Ele saltou-me para cima (Richard Clifton, sócio e grande amigo de Gianni). Que devia fazer? Um escândalo?”, Gianni: “Basta, Emanuelle. Estes jogos não me agradam, está bem? Vai-te embora. Vai”. Na versão soft, os beijos de Emanuelle não descem abaixo da zona peitoral de Gianni, na hard uma cabeça mergulha a sul para chupar uma baioneta em estado de prontidão. Na casa do pintor William Meredith, “o Salvador Dalí de África”, para a primeira sofreguidão dos corpos, Emanuelle, contemplando uma pintura, de traço africano, de um nu de mulher, diz para Gianni: “Queres fazer a comparação entre a realidade e a obra e arte?”. Na versão soft, fazem lindo amor de gestos suaves e languidos suspiros, na hard, nos preliminares, uma mão massaja e uma cabeça chucha a masculinidade que depois vemos penetrar a Maxillaria schunkeana. Emanuelle fotografa a savana, os animais exóticos, como era habitual nos filmes cuja ação decorria na África profunda. Intervalo. Quando a sessão de cinema recomeça, “Emanuelle nera” esfumara-se, a programação da estação de TV salta para o filme seguinte, “Emmanuelle IV”. O grande público já não assiste ao seguimento da amizade de Emanuelle e Ann que na savana se entusiasmaram pela fotografia. Emanuelle: “Agora, quero fotografar-te nua”, Ann: “Estás louca?”. Ann: “Agora, vou fotografar-te a ti”, Emanuelle: “Não!”. De volta a casa, a língua de Ann Danieli (ou a body double de Karin Schubert) busca a entrada no topiário de Emanuelle (a body double de Laura Gemser) e esta retribui, meiguices, que o grande público já não assistiu. Gianni: “É um pouco estranho, marido e mulher terem ciúmes da mesma pessoa”, Ann: “Podemos dividi-la, como bons amigos”, Gianni: “Ou podemos fazer amor, pensando nela”. Quando o filme foi retransmitido no dia 14, das cenas hardcore nem rasto, o grande público assistiu a aveludado erotismo, retomando Portugal a sua condição de país pobre depois de um sonho nórdico de verão 2014. Nem um padre vomitou, nem alguém aprendeu, nem uma família se desagregou, nem uma consciência jovem se deformou, nem um valor cultural e moral se ofendeu, nem a realidade portuguesa se desajustou.

na sala de cinema

Pretty in Pink” (1986), real. Howard Deutch, escrito por John Hughes, o elenco outrora e agora [1]. Estreou sexta-feira, 1 de agosto de 1986 nos cinemas Alfa 2, Amoreiras 3 e São Jorge 1. “Aluna finalista do liceu, Andie Walsh (Molly Ringwald) é uma rapariga da classe operária que tem um fraquinho por um dos betinhos ricos da sua escola, Blane McDonough (Andrew McCarthy). Quando Andie e Blane tentam ficar juntos, encontram resistência por parte dos seus respetivos círculos sociais. Andie vive no ‘lado errado da linha do comboio’ com o seu pai desempregado, Jack (Harry Dean Stanton). O melhor amigo de Andie, Phil ‘Duckie’ Dale (Jon Cryer), está apaixonado por ela, mas leva-o na galhofa na sua presença. Na escola, ele e Andie são assediados pelos amigos de Blane, os arrogantes, geralmente chamados meninos ‘riquinhos’, Benny (Kate Vernon) e Steff (James Spader). Andie trabalha na TRAX, uma loja de discos new wave, gerida pela sua velha amiga e mentora Iona (Annie Potts). Iona aconselha Andie a ir ao baile de formatura apesar de não ter par. Blane arrasta-lhe a asa, conversando com ela na biblioteca através do computador e Andie fica derretida. Blane aventura-se na zona da escola onde param os punks, metaleiros e new wavers e pede a Andie para sair[2]. (Locais de rodagem). No argumento original, o filme termina com Andie e Duckie, juntos, na pista de dança. “Segundo entrevistas no DVD, a projeção-teste da primeira versão do filme teve como público-alvo grupos de miúdas adolescentes, que odiaram o final com o Duckie. Elas queriam que a heroína ficasse com o parvo bonitão. Então, as cenas finais foram reescritas e filmadas de novo (desta vez com Andrew McCarthy a usar uma horrenda peruca, porque já tinha começado outro filme para o qual teve de cortar o cabelo). Na nova versão, Blane encontra-a no baile e deixa escapar um desajeitado ‘Amo-te’ e com o incentivo de Duckie, Andie perdoa-o”.
Banda sonora cumpre as regras da cidadania musical. “If You Leave”, p/ Orchestral Maneuvers in the Dark ♪ “Left of Center”, p/ Suzanne Vega e Joe Jackson no piano ♪ “Get to Know Ya”, p/ Jesse Johnson ♪ “Do Wot You Do”, p/ INXS ♪ “Pretty in Pink”, p/ Psychedelic Furs ♪ “Shellshock”, p/ New Order ♪ “Round, Round”, p/ Belouis Some ♪ “Wouldn't It Be Good”, p/ Danny Hutton Hitters ♪ “Bring On the Dancing Horses”, p/ Echo & the Bunnymen ♪ “Please, Please, Please, Let Me Get What I Want”, p/ The Smiths ♪ “Try a Little Tenderness”, p/ Otis Redding [3].
Absolute Beginners” (1986), real. Julien Temple, c/ Patsy Kensit (Crepe Suzette), Eddie O'Connell (Colin - o narrador não tinha nome no livro original, portanto, no filme, foi-lhe dado o primeiro nome do autor, Colin MacInnes), David Bowie (Vendice Partners), James Fox (Henley of Mayfair), Bruce Payne (Flikker), Graham Fletcher-Cook (Wizard), Sade Adu (Athene Duncannon), Ray Davies (pai), Mandy Rice-Davies (mãe)… Estreou quinta-feira, 26 de junho de 1986 nos cinemas Las Vegas 2 e Londres. “O filme passa-se em 1958, uma época em que a cultura pop está a transformar-se do jazz e rock primitivo dos anos 50, numa nova geração à borda da década de 60. Londres é pós-segunda guerra mundial, mas pré-Beatles / Stones. O enredo integra elementos dos motins raciais de Notting Hill em 1958. O jovem fotógrafo Colin apaixona-se pela aspirante a designer de moda Crepe Suzette, mas ela só está interessada na sua carreira. Colin tenta ganhar o seu afeto tentando ele próprio a sorte no sucesso, enquanto isso, as tensões raciais aquecem no bairro londrino de Colin”. “Depois de submeter o filme para uma classificação de 15 anos, o produtor Stephen Woolley foi contactado pelo British Board of Film Classification (BBFC) e informado que Patsy Kensit tinha revelado um mamilo numa das cenas do filme. Apesar da garantia de Woolley que esse não era o caso, pois Kensit tinha sido insistente durante as filmagens para não mostrar o seu corpo, o censor James Ferman meticulosamente vasculhou o filme, usando uma máquina de paragem de imagem da BBFC, até que, finalmente, ficou convencido que a informação original estava incorreta. Só então ele concedeu ao filme um certificado sem cortes”.
Banda sonora cumpre as regras da cidadania musical. “Absolute Beginners”, p/ David Bowie ♪ “Killer Blow”, p/ Sade ♪ “Have You Ever Had It Blue?”, p/ The Style Council ♪ “Quiet Life”, p/ Ray Davies ♪ “Va Va Voom”, p/ Gil Evans ♪ “That's Motivation”, p/ David Bowie ♪ “Having It All”, p/ Eighth Wonder…
The Goonies” (1985), real. Richard Donner, estreia sexta-feira, 29 de novembro de 1985 nos cinemas Ávila, Castil, Terminal e Vox. “Os goonies, um grupo de quatro amigos, que inclui Mikey (Sean Austin), o líder de boa índole mas asmático, Mouth (Corey Feldman), o tagarela sarcástico, Data (Jonathan Ke Quan), o engenhocas esperto e Chunk (Jeff Cohen), o desajeitado sonhador badocha e peteiro. Vivendo no bairro de Goon Docks de Astoria, Oregon, eles enfrentam a execução hipotecária das casas das suas famílias devido à expansão do Astoria Country Club. No último fim de semana juntos, o seu moral afunda-se particularmente baixo, porque Brand (Josh Brolin), o irmão mais velho de Mikey, chumba no exame de condução, frustrando os seus planos de ‘passear pela costa em estilo’. Enquanto remexiam no sótão dos Walsh, encontram um velho recorte de jornal, um mapa espanhol e um artefacto, relacionados com um rumor de um tesouro pirata perdido algures na área. Ouvindo o apelo da aventura, Mikey tenta persuadir os amigos a juntarem-se-lhe na procura do tesouro escondido por um pirata chamado One-Eyed Willie. Inicialmente relutante, o grupo decide finalmente escapulir-se da autoridade de Brand e fugir para um última aventura goonie[4].
Banda sonora cumpre as regras da cidadania musical. “The Goonies 'R' Good Enough”, p/ Cyndi Lauper ♪ “Eight Arms to Hold You”, p/ Goon Squad ♪ “Love Is Alive”, p/ Philip Bailey ♪ “I Got Nothing”, p/ The Bangles ♪ “14K”, p/ Teena Marie ♪ “Wherever You're Goin' (It's Alright)”, p/ REO Speedwagon…
_____________________
[1] As paixões adolescentes dos anos 80: onde estão elas agora.
[2] É cor-de-rosa Mikie Hara (原幹恵), 1,63 m, 46 kg, 94-61-87, sapatos 38, olhos castanhos-escuros, cabelos castanhos, nascida a 3 de julho de 1987, em Niigata-shi, Niigata, Japão. É uma gravure idol (グラビアアイドル, gurabia aidoru), isto é, um manequim feminino japonês cujas “fotos são dirigidas ao público maioritariamente masculino com poses ou atividades, muitas vezes, pretendendo ser provocadoras ou sugestivas, em geral, realçadas por um ar de gaiatice e inocência, em vez de sexualidade ofensiva. Embora as modelos gravure possam, algumas vezes, usar roupas que expõem a maior parte do seu corpo, os mamilos e os genitais são geralmente tapados e raramente aparecem completamente nuas. É comum as gravure idol terem seios muito grandes, e nos seus vídeos são mostradas a realizar atividades especialmente destinadas a fazê-los ressaltar ou abanar como jogging ou a fazer polichinelos”. (O termo gravure idol deriva de rotogravura, técnica de reprodução de imagens nas revistas sobre papel de lustro). Portefólio de Mikie que também é atriz, estreando-se no superfilme “Cutie Honey: The Live” (2007).
[3] Top bandas sonoras de filmes dos anos 80.
[4] A última espada em aventura samurai. “Boachi Bushido: Code of the Forgotten Eight” (1974) “Tetsuro Tanba interpreta um ronin niilista que enfrenta o ‘Clã dos oito esquecidos’, que obtiveram o nome, porque perderam todos os seus sentimentos básicos como a consciência, gratidão, lealdade, vergonha, etc. Com a sua espada Onibouchou (literalmente: a faca de cozinha do ogre), o personagem de Tanba força-se nas suas fileiras de uma maneira que há membros e cabeças decepadas a voar por todos os lados e o sangue flui em rios. No seu passo, ele só para para tomar cada mulher que encontra, à força, se necessário”.   

no aparelho de televisão

Max Headroom: 20 Minutes into the Future / Max, o computador” (1985), episódio piloto transmitido na RTP 1 na sexta-feira, 18 de dezembro de 1987, em duas partes. A primeira, cerca das 17:00 horas. Às 17:35 há uma interrupção para o programa “Sumário”, e às 17:40 retoma a segunda parte. Na segunda-feira, 21, cerca das 17:00, estreia a transmissão do “Max Headroom Show”, um programa de 30 min. de videoclips e entrevistas – como a dos Arcadia (Simon Le Bon e Nick Rhodes). Na terça-feira há tarde de Alta Cultura com o “Natal dos hospitais”. Na quarta, 23, regressa a exibição do Max até quinta-feira, 31 de dezembro. “Max Headroom é uma inteligência artificial (IA) ficcional britânica, conhecido pela sua sagacidade e gaguejar com a voz distorcida eletronicamente. O personagem foi criado por George Stone, Annabel Jankel e Rocky Morton, em meados de 80, e interpretado por Matt Frewer, como ‘o primeiro apresentador de TV do mundo gerado por computador’, embora a aparência gerada por computador fosse conseguida com próteses, maquilhagem e fundos desenhados à mão, porque a tecnologia computacional da época não era suficientemente avançada para alcançar o efeito desejado. Preparar o visual para as filmagens envolvia uma sessão de quatro horas e meia de maquilhagem, que Matt Frewer descreveu como ‘cansativa’ e ‘não divertida’, comparando-a a ‘estar no interior de uma bola de ténis gigante’. (…). Max Headroom apareceu pela primeira vez no telefilme cyberpunk ‘Max Headroom: 20 Minutes into the Future’, que foi transmitido em 1985. Depois do sucesso da película, o personagem-título foi separado como um veejay de um programa de telediscos britânico, o Max Headroom Show’”. Em 1986, Max faz uma participação especial no vídeo “Paranoimia” dos Art Of Noise. Em 1987, o argumento de “Max Headroom: 20 Minutes into the Future” constituiu a base da série de TV “Max Headroom” (1987/88). “A série decorre numa distopia futurista governada por uma oligarquia de estações de televisão. Mesmo as funções do governo, essencialmente como um Estado fantoche dos executivos dos canais, servem sobretudo para aprovar leis, tais como banir botões de desligar nos aparelhos de TV, que protegem e consolidam o poder das estações. A tecnologia da televisão evoluiu ao ponto em que os movimentos físicos e pensamentos dos espetadores podem ser monitorizados através dos aparelhos de TV, entretanto, quase toda a tecnologia não-televisão deixou de se produzir ou foi destruída. “Rockpalast” (1974-presente), “é um programa de televisão alemão de música ao vivo transmitido na estação Westdeutscher Rundfunk (WDR). Rockpalast começou em 1974 e continua até hoje. Centenas de bandas de rock e jazz tocaram no Rockpalast”. Durante o mês de setembro de 1984, aos sábados, cerca das 18:00 horas, a RTP 1 transmitiu quatro atuações – dia 8, The Greg Kihn Band ♪ dia 15, Paul Brady ♪ dia 22, a 1.ª parte de Little Steven and the Disciples of Soul ♪ e dia 29, a 2.ª parte. “Clube de Rock”, sextas-feiras pelas 22:45 na RTP 2, no dia 20 de abril de 1984 começou a transmissão do Thommy’s Pop Show Extra [1]. “Realizado em Dortmund, Alemanha, em 17/12/1983 e com apresentação de Thomas Gottschalk, este Thommy’s Pop Show Extra constitui um desfile de alguns dos maiores nomes do rock mundial ao mesmo tempo que nos traz grupos notáveis da moderna música alemã”. Sexta, 27, o rock intervala com o jazz nesse horário da RTP 2 e é transmitido o “Jazz em Antibes”. Na sexta-feira, 4 de maio, 2.ª parte do Thommy’s Pop-Show: “Nena é uma conhecidíssima rocker alemã, que já nos apareceu, mais de uma vez, nas noites de Rock e Clássico. Os restantes nomes são sobejamente conhecidos. O programa termina com uma interpretação, a solo, de Bonnie Tyler”. Sexta-feira, 11, “Jazz em Antibes” c/ Stan Getz. Sexta-feira, 18, “terceiro e último programa da grande maratona do rock que se realizou em Dortmund, na RFA. Intérpretes desta noite são Kim Wilde, Kajagoogoo, Spandau Ballet e outros”. Neste extra do Thommy’s Pop-Show, transmitido pela Eurovisão para a Bulgária, Bélgica, Finlândia, Suíça, Portugal, Suécia, Áustria, Itália, Jugoslávia, Turquia, Dinamarca e a União Soviética de Andropov, (entretanto falecido, em 9 de fevereiro de 1984, quando o programa foi exibido), tocaram, por exemplo, os Righeira: “Vamos a la playa” ♪ Gazebo: “I Like Chopin” ♪ F.R. David “Words” ♪ Laid Back: “Sunshine Reggae” ♪ DÖF: “Taxi” ou Musical Youth: “Pass the Dutchie”. O “Clube de Rock” e o “Clube de Jazz” alternarão até 2 de novembro, dia em que o alterne será feito entre o jazz e o programa “Rock Português” – inaugurado com Jafumega e Táxi – até sexta, 4 de janeiro de 1985. “Music Box”, canal 24 horas de música por cabo e satélite, que viveu entre 29 de março 1984 / 30 de janeiro 1987, em Portugal sobreviveu entre 1987-1990. “Originalmente, estava sedeado no coração de Londres, num edifício onde também coabitavam a Virgin Vision e o Super Channel, e que mais tarde foi o lar dos escritórios londrinos da CNN International e do Cartoon Network e atualmente do Warehouse (retalhista de roupa). A morada durante os anos do satélite era 19-21 Rathbone Place (London) e o endereço público era P.O. Box 4DX, London W1A 4DX, Inglaterra. Em 30 de janeiro de 1987, o Super Channel foi lançado na mesma frequência anteriormente usada pelo Music Box, no satélite pan-europeu Eutelsat 1-F1, localizado a 13º leste, substituído em 1987 pelo Eutelsat 1-F4. Por esta razão o Music Box deixou de ser um canal transmitindo 24 horas, e a Virgin criou a Music Box como uma produtora independente de programas de música, continuando a transmitir os seus programas até ao final de setembro de 1987, durante 10 horas diárias, no Super Channel. De outubro de 1987 até janeiro de 1990, foi reduzido das 10 horas para apenas um par de horas por dia de programas musicais produzidos para o Super Channel, com um intervalo de dois meses, no final de 1988, devido a problemas relacionados com o Super Channel, que ia ser vendido. O Music Box terminou a sua experiência de satélite em janeiro de 1990 com a última exibição do Power Hour[2].
____________________
[1] O “Clube de Rock”, intervalando semana sim semana não com o “Clube de Jazz”, na sexta-feira, 9 de março de 1984 iniciou a transmissão de um Rock & Classic gravado em 1980. “Realizados e gravados no Circus Krone de Munique, os programas da série Rock & Classic voltam à televisão portuguesa. Festival non-stop entre a boa música clássica e o bom rock”. O último programa foi transmitido sexta, 6 de abril, entre outros, com Jon Anderson. “No dia 12 de novembro de 1980, o compositor e maestro Eberhard Schoener apresentou o seu concerto Rock & Classic no edifício do Circus Krone. Estações de TV de 16 países estavam ligadas quando Schoener abriu um concerto de seis horas apresentado em dois palcos. No superior, os músicos de rock e o seu equipamento, no inferior a Chamber Opera Orchestra de Munique. (…). Em 1982 o segundo Rock and Classic foi produzido em Munique. Desta vez, os convidados de Schoener eram principalmente bandas de teclados, entre elas OMD, Sparks e Tangerine Dream. Schoener teve de investir o seu próprio dinheiro neste evento para cobrir os custos de um concerto desta dimensão. (…). Em 1983, o concerto já era um acontecimento estabelecido e desta vez tinha Gary Brooker como convidado outra vez [vídeo do programa “Wetten Dass...?”, apresentado por Thomas Gottschalk]. Pantomima, dança e máscaras foram usadas para dar uma dimensão adicional à música tocada. A maioria das bandas que tocaram em 1983 vieram da então popular cena new wave. Klaus Nomi, Zarathustra, Sternenreiter, Ultravox, Hazel O’Connor e a banda alemã nonsense Trio enfrentaram músicos rock mais tradicionais como Mike Oldfield e Gary Brooker”.
[2] A falência é fenómeno exclusivo de países sem ministério da Economia. Ex-ministro da Economia, o grande da nação, Álvaro Santos Pereira: “Eu penso que o ministério da Economia deve ser muito diferente do ministério da Economia que o precedeu. Não mais este ministério da Economia deve ser o ministério dos lóbis. Não é! Não mais este ministério da Economia deve ser o ministério das rendas. Não é! Fomos nós que cortámos as rendas. Nós fechámos as portas aos lóbis e não mais este ministério da Economia deve ser o ministério dos subsidiozinhos de apoio às empresas. Este ministério da Economia não o é. Este ministério da Economia o que está a fazer é a libertar a economia e a criar as condições para que as nossas empresas, os nossos empreendedores, os nossos inovadores, possam recuperar” (eloquência-mor na Assembleia da República, maio 2013). Um singelo ministério da Economia liberta a economia do pleno no emprego: Keisha Grey, 1,57 m, 52 g, 81-63-86, sapatos 37 ½, olhos e cabelos castanhos, nascida a 9 de junho de 1994, em Tampa, Florida. Atriz porno. Intelectual na biblioteca. Estudiosa de violoncelo. Anfitriã na cozinha. Senhora na cama. Um singelo ministério da Economia cria condições para inovação: Tawny Henderson, Irene Grimm ou Olive Southard.

na aparelhagem stereo

Nas sociedades de vagos valores, de princípios tão gerais que afugentam qualquer objetividade, tão qualitativos que enojam qualquer mente quantificadora, de definição tão lata que prefiguram-se absurdos literários, como a igualdade [1], a proporcionalidade, a justiça, a imparcialidade, a boa-fé ou a confiança [2], de direitos adquiridos, esse chiste com o qual os velhos desengolfam as velas dos jovens, um axioma, indiferente a evoluções sociais, betona-se, verdadeiro: o sagrado direito da mulher à infidelidade. Para casar, qualquer labroscas basta, para reproduzir-se, alto e para a ejaculação. A transmissão dos melhores genes, aqueles que darão vantagem aos filhos na luta pela sobrevivência, é a função primordial da mulher que, na sua inteligência natural, separa o seu equilíbrio emocional e sustento económico, o marido / o de facto companheiro, do pai dos filhos, na lei biológica do progresso científico: casar-se com um, reproduzir-se com outro [3].
“A música ‘complexa’ ou erudita excita mais as mulheres do que a música simples, garante um estudo realizado a 1500 mulheres pela Universidade de Sussex, no sudoeste da Inglaterra. A estas mulheres, com idade média de 27,9 anos – que não estavam grávidas, nem a amamentar, nem a tomar contracetivos hormonais – pediu-se-lhe que elegessem, entre quatro músicas para piano, a mais complexa. Depois, perguntou-se-lhes se preferiam ter o compositor daquela peça como parceiro sexual ou como companheiro numa relação a longo prazo. A experiência comprovou que, no auge do período fértil, quando o risco de conceção está no ponto mais alto, as mulheres escolhiam como parceiro sexual o autor da música complexa”, publicado na revista The Proceedings of the Royal Society B. Benjamin Charlton, o cientista: “A capacidade para criar música complexa pode ser indicativa de capacidades cognitivas mais desenvolvidas. Deste modo, as mulheres procuram garantir benefícios genéticos para a descendência, elegendo como companheiros sexuais homens capazes de criar música mais complexa” [4], na Revista do Expresso n.º 2168.
Agência matrimonial na TV dos anos 80:
Big Love” (1987), p/ Fleetwood Mac. “Peter Green, o excelente guitarrista, outrora a principal candeia dos Fleetwood Mac e agora a trabalhar como porteiro de hospital a 50 dólares por semana, ordenou ao seu contabilista que desse as suas economias à caridade. Foi-se o Jaguar E-Type e em seu lugar fica um velho chaço e, mesmo esse, diz Peter, é para marchar. ‘Eu não sei o que vou fazer no futuro. As minhas ideias mudam de dia para dia. Quero livrar-me do meu dinheiro. O dinheiro é uma chatice, ser feliz é que importa’, disse Peter a um repórter do London Evening News, que o localizou. Peter, que frisou que quer ser deixado em paz, confirmou que já não está a tocar música. ‘Há dias’, disse Peter, ‘em que este trabalho me faz muito feliz’”, em Rolling Stone, 8 de junho 1972 If You Don't Know Me By Now” (1989), p/ Simply Red. “A origem dos Simply Red data do concerto, em 1976, dos Sex Pistols no Lesser Free Trade Hall, em Manchester, Inglaterra. O estudante de arte de Manchester, Mick Hucknall, era um dos muitos jovens fãs melómanos presentes juntamente com Mark E. Smith dos The Fall, assim como membros originais das bandas Joy Division, The Smiths e Buzzcocks. A primeira incarnação da banda foi um grupo punk chamado The Frantic Elevators, cujos sete anos de existência produziram edições limitadas em etiquetas locais e terminou em 1984, após a aclamação pela crítica do seu último single, ‘Holding Back the Years’” Against All Odds” (1984), p/ Phil Collins. “Foi calculado, na lista dos mais ricos do Sunday Times de 2011, ter uma fortuna de 115 milhões de libras, tornando-o uma das vinte pessoas mais ricas da indústria britânica da música. Em 2012, Collins foi estimado ser o segundo baterista mais rico do mundo, derrotado no primeiro lugar por Ringo StarrSaving All My Love For You” (1985) ♪ “How Will I Know” (1985), p/ Whitney Houston. “Mas Whitney não cresceu no gueto. Após a semana de motins raciais de Newark em 1967, a família mudou-se para East Orange, New Jersey. Quando ela tinha 13 anos passou todos os sábados, durante meses, no cinema local, desde a matiné até à última sessão, vidrada num filme chamado ‘Sparkle’ (1976), acerca de três jovens cantoras que caem vítimas de vigaristas, viciados e ladrões. ‘Para uma miúda na década de 70, ali estava a cena do black exploitation’, disse mais tarde. ‘Este era um reforço positivo para uma jovem afro-americana. Para quem queria perseguir o seu sonho e apresentar os seus dons. Ele simplesmente tocou-me’” Smooth Operator” (1984), p/ Sade. “Nasceu em Ibadan, estado de Oyo, Nigéria. O seu nome do meio, Folasade, significa ‘honra confere a sua coroa’. Os seus pais, Adebisi Adu, um professor de economia nigeriano da etnia ioruba, e Anne Hayes, uma enfermeira inglesa, conheceram-se em Londres, casaram-se em 1955 e mudaram-se para a Nigéria. Mais tarde, quando o casamento enfrentou dificuldades, Anne Hayes regressou à Inglaterra, para viver com os seus pais, levando Sade de 4 anos e o seu irmão mais velho, BanjiToy Soldiers” (1988), p/ Martika. “Marta Marrero nasceu a 18 de maio de 1969 em Whittier, Califórnia, e é de ascendência cubana. Entrou no mundo do espetáculo mainstream num papel, não creditado, como uma das órfãs no filme ‘Annie’ de 1982. Isto levou a que fosse contratada, como Gloria, no longevo programa infantil ‘Kids Incorporated’, como uma, de um grupo de crianças do bairro, que alcança a fama local cantando produções encenadas na esquina da pastelaria”.
What's the Color of Money”, (1986), p/ Hollywood Beyond, grupo de Birmingham, conceção do cantor, pianista, guitarrista e compositor Mark Rogers Sideshow” (1987) ♪ “Waterfall” (1987), p/ Wendy & Lisa. “Duo composto por Wendy Melvoin e Lisa Coleman. Começaram a trabalhar com o Prince no início de 80 e faziam parte da sua banda, The Revolution, antes de florirem por conta própria lançando o seu álbum de estreia em 1987”. Porque decidiram continuar a trabalhar juntas depois de saírem da The Revolution? Wendy: “Nós estávamos casadas e eu era a maior fã dela. Tudo o que ela tocava emocionava-me, ainda emociona, e eu quero possuir isso e desejá-lo e torná-lo meu”. Lisa: “Ya, estamos acorrentadas. Estamos algemadas. Não, eu amo a Wendy. Conhecemo-nos praticamente a vida inteira. Quando ela foi finalmente contratada para a banda do Prince, foi como um sonho para mim. Tinha-me apaixonado pela Wendy, a minha amiga de infância, e de repente, estávamos a olhar uma para a outra de forma diferente, mas eu tinha de partir para a estrada o tempo todo. Era simplesmente tortura. Finalmente, o Prince conheceu a Wendy e havia alguns problemas com a outra guitarrista [Dez Dickerson], e a providência agiu de tal forma que a Wendy acabou na estrada connoscoSerious” (1986) ♪ “Joy & Pain”, p/ Donna Allen. “É uma cantora de dance-pop americana, nascida em Key West, Flórida, e criada em Tampa. Algures foi cheerleader dos Tampa Bay Buccaneers. Começou a sua carreira atuando nas bandas Hi-Octane e TramaJoe le taxi” (1987), p/ Vanessa Paradis. “Nascida Vanessa Chantal Paradis em Saint-Maur-des-Fossés, França, em 22 de dezembro de 1972, filha dos designers de interiores André e Corrine. Paradis gostava de cantar desde tenra idade. A sua carreira começou a desenvolver-se quando tinha 8 anos, depois e o seu tio, o produtor de discos Didier Pain, mexer os cordelinhos para meter a sobrinha no popular programa de TV, ‘L’École des fans’. Um programa de talentos que dava às crianças a oportunidade de cantarem as suas próprias versões de canções populares. Paradis cantou uma canção do musical ‘Émile jolie’ de Philippe Chatel. Aos 13 anos, Vanessa gravou o seu primeiro single, ´La magie des surprise parties’. Mas a sua carreira não descolou até aos 16 anos, quando lançou o single ‘Joe le taxi’. (…). Ela estreou-se no filme ‘Noce blanche’ em 1989 aos 17 anos. No filme, Paradis interpreta uma adolescente viciada em drogas que tem um caso amoroso com o seu professor, mais velho do que ela. O seu desempenho valeu-lhe um César”. (Versão brasileira de “Joe le taxi”, Angélica, “Vou de táxi”) Yeah Yeah” (1991) ♪ concerto em Sopot, Polónia (1988), p/ Sabrina. “Depois de vencer um concurso de beleza na sua região natal, Ligúria, Sabrina começou como modelo e em 1984 estreou-se na televisão no programa do horário nobre ‘Premiatissima’, no Canale 5. No ano seguinte, o seu primeiro single, ‘Sexy Girl’, cantado em inglês, é editado” Let Me Be Free” (1997), p/ Samantha Fox + “Call Me” (2010), p/ Sabrina & Samantha Fox. “Filha mais velha de Carole Ann Wilken e do falecido John Patrick Fox, Samantha Karen Fox vem de uma família de vendedores do Chapel Market, Islington, Londres. Fox frequentou a St. Thomas More Catholic School, em Wood Green, e interessou-se pelo teatro desde muito cedo. Apareceu pela primeira vez no palco aos 3 anos. Aos 5 anos frequentava a Anna Sher Theatre School. Fez a sua primeira aparição na TV quando tinha 10 anos numa peça da BBC chamada ‘No Way Out’, e aos 11 foi aceite pela Judy Dench Mountainview School. Todavia, a música foi o primeiro amor de Sam e aos 14 formou a sua primeira banda, os S.F.X. Quando tinha 15 anos conseguiu o seu primeiro contrato de gravação com a Lamborghini Records [5]. Quando Fox tinha 16 anos, a mãe enviou várias fotos, que tirara à filha em lingerie, para o concurso de modelos amadores, Girl of the Year, do jornal The Sunday People. Ela ficou em segundo lugar entre 20 000 participantes e as fotos atraíram a atenção do jornal The Sun, que a convidou para posar para a Página 3. (…). Os boatos sobre a orientação sexual de Fox emergiram em 1999, quando ela foi juiz num concurso lésbico de beleza, e circularam rumores que a mulher com quem ela residia – a australiana Cris Bonacci ex-guitarrista das Girlschool – era a sua amante. Embora as duas mulheres morassem juntos nenhuma declarou publicamente que eram amantes. Contudo, a relação foi confirmada por Bonacci numa entrevista”.
Tainted Love” (1981), p/ Soft Cell. “Foi um de uma nova vaga de grupos ingleses como os Culture Club, Depeche Mode e Human League, que carpintejaram os seus êxitos pop com sintetizadores e tornaram moda as roupas sexualmente ambíguas e o estilo de vida decadente. (…). Marc Almond e Dave Ball conheceram-se na escola de arte de Leeds, Inglaterra, e formaram os Soft Cell em 1980. Com Almond na voz e Ball lidando com os teclados e programação o duo autofinanciou – com um empréstimo de 2000 libras da mãe de Ball – a publicação, no final do ano, do seu primeiro EP chamado ‘Mutant Moments’. O lançamento chamou a atenção da etiqueta Some Bizzare, que editou o sucesso undergroundMemorabilia’ em 1981Naked” (1988), p/ Falco. “Foi um músico pop e rapper austríaco. Teve vários sucessos internacionais: ‘Rock Me Amadeus’ (1985), ‘Der Kommissar’ (1981), ‘Vienna Calling’ (1985), ‘Jeanny’ (1985), ‘The Sound of Musik’ (1986), ‘Coming Home (Jeanny Part 2)’ (1986) e, postumamente, ‘Out of the Dark’ (1998). Falco começou a mostrar sinais de talento invulgar muito cedo. Quando criança, era capaz de manter o tempo da batida das músicas que ouvia na rádio. Foi-lhe dado um piano de meia cauda pelo seu quarto aniversário, um ano depois o seu presente foi um gira-discos, que ele usava para tocar discos do Elvis Presley, Cliff Richards e os Beatles. Aos 5 anos, fez audições para a Academia de Música de Viena, onde foi confirmado que ele tinha o ouvido absolutoSometimes” (1987) ♪ “Love To Hate You” (1991), p/ Erasure. “É um duo britânico de synthpop, composto pelo cantor e compositor Andy Bell e o compositor e teclista Vince Clark. Formou-se em Londres e entrou na cena musical em 1985 com o single de estreia ‘Who Needs Love Like That’. (…). Vince Clark foi um dos fundadores dos Depeche Mode e único autor dos seus três primeiros singles (incluindo o breakthroughJust Can’t Get Enough’). Após deixar a banda no final de 1981, Clark construiu uma carreira igualmente notável com o duo Yazoo. Depois de dois álbuns de sucesso em dois anos (1982-83), separou-se da companheira dos Yazoo, Alison Moyet, e formou, por um breve período, The Assembly, com o produtor Eric Radcliffe. O projeto gerou um single número quatro no top inglês, ‘Never Never’, com Feargal Sharkley na voz. Clarke, em seguida, lançou outro single com o vocalista Paul Quinn, ‘One Day’. Fracassou, levando Clarke a colocar um anúncio no Melody Maker procurando um vocalista para um novo projeto musical. Ele selecionou Andy Bell, natural de PeterboroughAll I Need Is A Miracle” (1985) ♪ “Over My Shoulder” (1994), p/ Mike + The Mechanics. “Durante as pausas dos Genesis, Mike Rutherford tinha vindo a encalçar uma carreira a solo lançando ‘Smallcreep’s Day’ em 1980 e ‘Acting Very Strange’ em 1982. Todavia, ele achava o processo de gravar um álbum a solo excessivamente difícil e os resultados artisticamente insatisfatórios. Lembrou ele: ‘Tive uma revelação, também, nessa época… que não sou um artista completo sozinho… sou mais criativo e inspirado quando há outras pessoas à minha volta e eu estou a partilhar ideias’. No entanto, ele ainda sentia que trabalhar apenas com os Genesis iria deixá-lo não realizado e, para satisfazer, tanto o seu desejo de criar música fora do formato dos Genesis, como o seu desejo de colaborar com outros músicos, ele começou a formar a sua própria bandaTake My Breath Away” (1986), p/ Berlin. “Apesar do nome, os Berlin não tem nenhuma ligação especial com a capital germânica mas, em vez disso, foram formados em Orange County, Califórnia, em 1978. Eles eram inspirados por aquilo que estavam convencidos ser um trabalho de teclas sem-par dos Kraftwerk, Devo, Sparks e The Screamers. O seu primeiro single, ‘A Matter of Time’, foi lançado no início de 1979 na Zone-H Records. O single foi reeditado em 1980 com a vocalista substituta, Virginia Macolino, depois de Terri Nunn ter temporariamente deixado a banda para prosseguir uma carreira de atriz. (Antes, Nunn fizera audições para o papel de Leia Organa para o filme ‘Guerra das estrelas’. Em 1978, interpreta Jeannie no filme ‘Thank God It’s Friday’). (…). A banda estava a ter dificuldade em ganhar a atenção e o respeito da indústria de gravação. Segundo Nunn, ‘no momento em que aparecemos, a música empolgante que estava a ser contratada era por bandas como os The Knack, The Plimsouls, The GoGos e os The Motels. Era tudo gravatas finas e montes de coisas upbeat, alegres, de guitarra. As editoras simplesmente não entendiam o que estávamos a fazer’” You Can Leave Your Hat On” (1986), p/ Joe Cocker. “É um cantor de rock e blues inglês, que arribou à popularidade nos anos 60, e é conhecido pela sua voz áspera, o movimento espasmódico do corpo ao cantar e as suas versões de canções populares, particularmente as dos Beatles”.   
In Between Days” (1985), p/ The Cure. “São um grupo rock inglês formado em Crawley, West Sussex, em 1976. A banda passou por várias mudanças na sua composição, sendo o vocalista, guitarrista e principal compositor, Robert Smith, o único membro constante. (…). Depois do lançamento de ‘Pornography’ em 1982, o futuro da banda era incerto e Smith estava empenhado em deixar para trás a reputação sombria que a sua banda tinha adquirido. Com o singleLet’s Go To Bed’, editado no mesmo ano, Smith começou a colocar uma sensibilidade pop na música do grupo (assim como uma encenação em palco única)” West End Girls” (1986), p/ Pet Shop Boys. “Neil Tennant e Chis Lowe conheceram-se numa loja em Kings Road em Chelsea, Londres, em agosto de 1981. Reconhecendo interesse mútuo em música de dança, começaram a trabalhar material juntos. Primeiro, no apartamento de Tennant em Chelsea e, depois de 1982, num pequeno estúdio em Camden Town. Foi durante estes anos iniciais que vários futuros êxitos foram criados, incluindo ‘It’s a Sin’, ‘West End Girls’, ‘Rent’ e ‘Jealousy’. No princípio, o duo chamava-se West End, por causa o seu amor pelo West End londrino, mas mais tarde chegaram ao nome Pet Shop Boys, derivado a amigos seus que trabalhavam numa loja de animais de estimação em Ealing. A sua grande oportunidade aconteceu em agosto de 1983, quando Tennant foi designado pela Smash Hits para entrevistar os Police em Nova Iorque. A dupla estava obcecada por um manancial de discos Hi-NRG feitos pelo produtor nova-iorquino Bobby Orlando, conhecido simplesmente por Bobby ‘O’. De acordo com Tennant: ‘Pensei, bem, se tenho que ir e ver os The Police tocar, então também vou almoçar com Bobby ‘O’. Eles partilharam um cheeseburger e bolo de cenoura num restaurante chamado Apple Jack em 19 de agosto, e, depois de ouvir uma maquete que Tennant trouxera consigo, Orlando sugeriu fazer um disco com os Pet Shop Boys”. – “Domino Dancing” (2006), p/ West End Girls: duo eletrónico sueco de covers, Isabelle Erkendal, a vocalista principal, é a figura de Neil Tennant, Emmeli Erkendal é Chris Lowe. “Vejam-nos como uma banda de synth que fez um álbum de tributo ao melhor grupo do mundo, mais tarde, vamos tocar as nossas próprias canções juntamente com material dos PSBSunglasses at Night” (1984), p/ Corey Hart (no vídeo, a mulher-polícia de óculos escuros é a atriz, escritora, apresentadora de TV e rádio, Laurie Brown). “Hart nasceu em Montreal, Québec, em 31 de maio de 1962, o benjamim de cinco irmãos. Cresceu em Montreal, Espanha, cidade do México e Key Biscayne, na Flórida. Tornou-se fluente em três idiomas (inglês, espanhol e francês) devido à sua educação nesses locais. Os seus pais, Mina (Weber) e Bert Hart, separaram-se (e posteriormente divorciaram-se), quando ele tinha 3 anos. Regressou a Montreal com a mãe e o irmão mais velho, Robbie. Ele compartilhou uma relação particularmente próxima com a mãe, a quem o primeiro álbum de Hart foi dedicadoHello Again” (1984), p/ The Cars (do álbum “Heartbeat City”, o videoclipe foi realizado por Andy Warhol, “que também apareceu no vídeo, assim como uma, então desconhecida, Gina Gershon. O vídeo explorou os controversos tópicos de sexo e violência, principalmente o primeiro, que estavam a ser exibidos nos telediscos na época”). “A banda fez a sua estreia profissional numa festa de ano novo em New Hampshire. Em março de 1977 estavam a tocar nos melhores espaços punk de Boston, designadamente o Rathskeller, e tiveram a oportunidade de abrir um concerto de Bob Seeger. (…). Finalmente, uma canção de uma das suas maquetes, ‘Just What I Needed’, tornou-se tão popular em duas estações de rádio de Boston, que as editoras começaram a procurá-los. Ocasek e os The Cars tinham assinado pela Elektra quando 1977 chegava ao fim[6].
____________________
[1] Vítor Bento: “O que é que é a igualdade? É um princípio suficientemente lato. E portanto, quando começa a estreitar a sua interpretação, começa a entrar no campo das escolhas das das escolhas políticas, e aí começa de facto a criar-se um problema ehm de futuro”.
[2] O único sinónimo português do vocábulo “confiança” é “banqueiro”. Define o presidente da Associação de Bancos, Faria de Oliveira: “Os bancos são os primeiros interessados em promover todas as ações que visem a confiança na sua atuação, centradas, principalmente, em três dimensões: trabalhar bem a relação com o cliente, e, designadamente, informar com rigor, com dados precisos e entendíveis, com transparência, com objetividade, que são valores essenciais perseguidos pelo sistema bancário, e em linguagem o mais acessível possível” (abril 2013). O mais alto banqueiro da nação ilustra-a. Alto é baixo para ele. Desde a interrupção do fabrico de psichés que a Língua Portuguesa não tem advérbio de lugar para pousar Ricardo Salgado. “Foi nomeado Economista do Ano, pela Associação Portuguesa de Economistas (1992) e Personalidade do Ano, pela Câmara Portuguesa de Comércio do Brasil (2001). Recebeu as condecorações de Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito (1994) e da Ordem Nacional da Legião de Honra (2005), de França, e a de Grande-Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (1998), do Brasil. Em 2012, foi condecorado Commander's Cross Order of Merit da República da Hungria e distinguido na categoria Lifetime achivement em Mercados Financeiros nos Investor Relations and Governance Awards 2012, iniciativa da Deloitte que distingue as melhores práticas no setor empresarial. Em julho de 2013 foi-lhe atribuído o doutoramento Honoris Causa pela Universidade Técnica de Lisboa, tendo sido distinguido por serviços prestados à Economia, Cultura, Ciência e à Universidade”.
Ricardo Salgado: “Não admito essa hipótese. Já foi aprovada em Conselho, e portanto vai, vai avançar e devia avançar, por que se não avançar, é muito mau para os mercados internacionais, os tais mercados que para criarem confiança para Portugal não podem ficar sujeitos a alterações última da hora por mudanças legislativas ou fiscais, sabe?” (novembro 2010). Neste ano, a PT, possuída em 7,99 % pelo Grupo Espírito Santo, antecipava a distribuição de dividendos, que assim não eram abrangidos pelas novas regras de tributação introduzidas no Orçamento de 2011. Ricardo Salgado reagia, muito justamente, a vis acusações de má-fé e imoralidade naquilo que era um normal ato de gestão, salientando, muito profissional e patrioticamente, a quebra de confiança se a decisão fosse anulada.
O “ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, acusou a Portugal Telecom (PT) de estar a fugir aos impostos por querer pagar o dividendo extraordinário de um euro por ação em 2010 e não em 2011, altura em que, com a aprovação do Orçamento do Estado, entra em vigor o novo regime fiscal sobre os dividendos, que obriga a uma retenção de 21,5% e ao pagamento de uma taxa final de IRC de 29% sobre os montantes recebidos”. Outro alto banqueiro, de invejáveis vitórias. “No final de 2012, foi homenageado pela Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, como Empresário do Ano de Portugal, por ter sido um dos empresários que mais têm contribuído para estreitar os laços entre Portugal e Brasil. Em 2013, Ricciardi foi agraciado com o prémio Business Expansion Award. O prémio foi entregue pelo ministro de Estado para o Comércio e Investimento, Lord Green (Minister of State for Trade and Investment) como reconhecimento pelo contributo do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), enquanto investidor, no mercado britânico e presente na City. Dias depois, a convite do primeiro-ministro britânico David Cameron, participou na Global Investment Conference 2013, iniciativa que integra a reunião dos ministros das Finanças - G7 e que faz parte da UK’s Presidency – G8. Em setembro de 2013 foi eleito Banqueiro Europeu do Ano pela revista britânica World Finance, que escolheu José Maria Ricciardi por ser ‘um ator principal no setor’ da banca”.
José Maria Ricciardi, presidente do BESI, refutou com uma lógica imbatível a mesquinha insinuação de Teixeira dos Santos, ministro das Finanças do Governo de José Sócrates. “ A Portugal Telecom não é do Estado. Tem 70% do seu capital no estrangeiro e um dever fiduciário para com os seus acionistas”, “a decisão”, disse Ricciardi, “foi tomada num Conselho de Administração, onde o Estado está representado”, logo, “se a PT está a cumprir a lei e a cumprir um compromisso com os seus acionistas, não há nenhuma razão” para nulificar “a decisão”.
[3] Outra função da mulher é sobreviver para se reproduzir. Uma mulher nua, pensa-se, não constitui uma ameaça, por ser fisicamente mais fraca que o homem e estar visivelmente desarmada. Mayra Leal (“Chica”), no filme “Machete” (2010), desfez este sossego. Traiçoeira, retira da vagina, num reconhecível ruído chlep, a mais letal arma de todas, um telemóvel. A mesma área onde Sylvia Kristel (“Diana”) no filme “La marge” (1976), de Walerian Borowczyk, escondia do chulo parte do dinheiro. “All you ladies pop your pussy like this”, “Like This”, vídeo p/ Masin Vic (canção “Pop It”, p/ Y.A & Jdogg).
[4]Charles Darwin sugeriu pela primeira vez que a música humana, não tendo nenhum valor implícito para a sobrevivência, pode ter evoluído como uma forma de atrair parceiros. Em ‘The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex’ (1871), ele escreveu: ‘Parece provável que os progenitores do homem, tanto os machos como as fêmeas ou ambos os sexos, antes de adquirirem o poder de expressar o seu amor mútuo através da linguagem articulada, tentavam cativar-se um ao outro com notas musicais e ritmo’”.
[5] Sam: “Não foi muito bem-sucedido. O próprio sr. Lamborghini, o pai, deu ao filho uma pipa de massa para começar a sua editora. Eu assinei pela Lamborghini. Eles não eram brilhantes. O disco fez tipo número 42, creio, o primeiro. O segundo foi tipo top 50. Eles não pescavam nada naqueles tempos e eu também não. Era muito nova. Eu não fazia puto ideia sobre o negócio da música. Basicamente, deixei tudo com eles e não estavam a fazer um trabalho brilhante. Mas o que fez por mim foi que me deu muita experiência numa idade jovem. Estava a fazer muito trabalho ao vivo numa idade tão jovem”. Sob o nome S.F.X. editaram dois singles. Lado A “Rockin' With My Radio” / lado B “My Old Man” (1983). Lado A “Aim To Win” / lado B “17 and Holding” (1984).
[6] O grupo de todos os grupos é, como não podia deixar de ser, português. Os Hexa Plus: “Não te posso fazer amar…” (2002) ♪ “Virtual Reality” (2002). Constituído por Carlos, Nelson, Cifrão: “Foi uma alcunha que os meus colegas me puseram quando eu tinha 12 anos e fui acampar. Nunca tinha saído de casa. Eles levaram todos cinco contos [25 euros] e os meus pais deram-me 40 contos [200 euros], com medo de que me faltasse alguma coisa. Pela piada, eles começaram a chamar-me ‘puto cifrão'. Eu era o mais novo do grupo” – Kiko, Bruno SkyFly, Miguel “Xinês” e Gustavo Santos, o guru dos jovens adultos portugueses do século XXI. “Torna-se conhecido do público após entrar na casa mais famosa do país, aquando a segunda edição do Big Brother Famosos (2002). Era um dos concorrentes a quem se perguntava: ‘Mas quem és tu c@#a|ho?!?’”. Será ele o motorista do príncipe da sonhadora “Floribella” (2006-08) ou o Luís Pires na orfandade “Chiquititas” (2007-08). Para viver uma nova idade de ouro o povo bem escolheu para primeiro-ministro Passos Coelho: “Restabelecer a confiança no futuro, nos mercados e nos portugueses”, o fruto do ventre dessa prosperidade é Gustavo Santos: “Na vida existem dois caminhos: ou sentes mais ou sentes menos. Não sentir não é um caminho, é um poço negro, fundo e denso para onde se cai e nunca mais se é encontrado”.