Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

Sábado, Maio 11, 2013


Balbúrdia no poente

1982. Jacinto Nunes, governador do Banco de Portugal: “os portugueses estão a fumar charutos Davidoff! Não pode ser. Nem podem mudar de fato três vezes por ano” [1]. A riqueza é não é um valor absoluto, é uma grandeza, é mensurável, contam-se milhões nuns comparando a trocos noutros, encurtando o fosso entre ricos e pobres, não se enriquecem os pobres, empobrecem-se os ricos; comparativamente, estes têm menos dinheiro. Assanhava-se contra reis ou desigualdades o anarquista italiano Giovanni Passannante: “a maioria que se demite é culpada. A minoria tem o direito de a lembrar” [2], repõe a revolta no carril o rolhista Américo Amorim (2013): “atacar quem tem dinheiro e sucesso é uma cachorrice”. Logo, atacar quem o não tem é um reajustamento. Entretanto, Rita Lee: “já fui rica mas bebi e snifei tudo”.
Sexta-feira, 1 de outubro, [3] Jacinto Nunes, na apresentação do Relatório do Banco de Portugal sobre a Economia Nacional em 1981, recomenda ao Governo para, “sem ditadura”, aplicar medidas de austeridade, uma “chicotada para acordar a opinião pública”. Derivado a: “não podemos estar a endividar-nos continuamente e a resolver os nossos problemas à custa dos créditos externos”. E chutou para a história: “por nós, temos obrigação de fazer as recomendações e fá-las-emos. Se o Governo as aplica ou não isso não é da nossa responsabilidade. Os documentos ficam arquivados e a história fará a justiça” [4]. Em 1982 “a dívida externa portuguesa está já a ultrapassar (e irá além até ao fim do ano) os mil milhões de contos sendo necessário ao Estado português, só para pagar os juros, a média anual de mil milhões de dólares em divisas. (…). Este é o único marco histórico que o Governo Balsemão, seguramente, vai atingir porque os outros anunciados para a economia estão todos por cumprir. Os salários reais estagnaram; aumentou o desemprego; diminui, brusca e violentamente o ritmo do crescimento do produto nacional; a balança de pagamentos conhece um défice jamais alcançado; e a taxa de atividade foi a mais baixa dos últimos cinco anos”. Alguém faltou a esta cerimónia económico-religiosa. “O diretor do Gabinete de Estudos do Banco de Portugal, departamento responsável pela recolha, controlo e tratamento de dados para a elaboração do relatório, é o prof. Cavaco Silva [5]. Este ex-ministro das Finanças de Sá Carneiro é apontado por muitos como um dos pais do caos atual, pelo eleitoralismo da sua política em 1979 que conseguiu levar a AD ao poder, mas aniquilou o movimento de recuperação sentido em domínios sensíveis como o do comércio externo. Ele não se sentou ao lado do prof. Jacinto Nunes, delegando no seu adjunto prof. António José Girão. (…). O governador do Banco disse ter o prof. Cavaco Silva pedido uma certa distanciação em relação ao relatório de 1981, dado que inevitáveis confrontos resultariam com a sua política de 1980”.
Quarta-feira, 13, “o vice-governador do Banco de Portugal, dr. Rui Vilar, anunciou esta manhã no Algarve, durante o seminário para banqueiros estrangeiros, a decorrer em Vilamoura, que a dívida externa portuguesa atingiu, em fins de junho último, 11,6 mil milhões de dólares, o que, ao câmbio do dia, corresponde exatamente a 1,32 mil milhões de contos. (…). Um terço daquela monstruosa dívida externa tem de ser amortizado em curto prazo e neste momento as divisas estrangeiras disponíveis no Banco de Portugal dão apenas para cobrir dois meses de importações. (…). No entanto, Portugal continua a gozar de facilidades de crédito internacional, porque tem cumprido pontualmente os seus pagamentos e mantém elevadas as suas reservas de ouro” [6].
Quinta-feira, 14, “o presidente da República chega ao fim da tarde ao Porto, no avião TAP Madeira, no termo de uma visita de quatro dias à Áustria. Na capital nortenha Eanes discursa na sessão inaugural do I Congresso dos Empresários do Norte e espera-se que foque, sem rodeios, a grave crise económica que o país atravessa. De resto, direta ou indiretamente, a situação económica portuguesa nunca deixou de estar presente enquanto Eanes ‘passeou’ pela pátria de Mozart. Ainda esta manhã correram rumores entre a comitiva presidencial sobre uma provável vinda a Portugal de responsáveis do FMI com uma novidade na bagagem: este Governo não conseguirá mais empréstimos sem o aval do presidente da República”. O porta-voz Joaquim Letria não confirmou, era-lhe “assunto desconhecido”. Os povos do norte impressionaram a embaixada do sul [7]. “Eanes, respondendo a um jornalista que se mostrava especialmente impressionado com a eficácia, a disciplina, a ordem encontrada em todos os aspetos da vida austríaca (falou das ruas limpas, horários sempre cumpridos, casas antigas perfeitamente conservadas, tudo previsto, tudo programada) comentou: ‘tudo isso é verdade. Mas apesar disso prefiro a nossa desordem à ordem austríaca’”. Na comitiva, o ministro dos Negócios Estrangeiros Vasco Futscher Pereira “dizia-se espantado com o facto de a Ópera de Viena, que se mantém em funcionamento ininterrupto durante dez meses no ano, ter um orçamento superior ao do próprio ministério dos Negócios Estrangeiros austríaco, e comentava: “claro que isto seria impensável em Portugal. Gastar dinheiro com a cultura? O que não diriam logo os jornais”.
No I Congresso dos Empresários do Norte, “começando por considerar que talvez ainda não tenhamos a noção exata da profundidade das dificuldades económicas em que vivemos, Ramalho Eanes acentuaria que ‘a persistência dessas dificuldades económicas é o sinal claro, ou pelo menos, uma indicação suficiente de que o debate, de índole político, que se tem desenvolvido a este propósito, não é o mais eficaz, nem o mais esclarecedor. Não é o mais eficaz, como se comprova pela ausência de soluções satisfatórias e de resultados positivos. Não é o mais esclarecedor, pois nem produz as condições de consenso político e social que são necessárias para que haja uma resposta nacional organizada e orientada’. Eanes recordou, depois, a recuperação que se fez em 1978 e 1979, após a celebração do acordo com o FMI, disse que Portugal chegou a ser ‘um exemplo de uma política de estabilização económica bem sucedida’, mas que hoje corre riscos de ser exemplo negativo. Deixemos, pois, acrescentou, ‘os artifícios verbais, as promessas sem realismo e as soluções formais que esquecem realidades da economia portuguesa e dos comportamentos económicos seja dos empresários, dos trabalhadores, dos investidores ou dos consumidores’. (…). Considerando que o êxito político não estará em optar por um dos segmentos sociais contra os outros, Ramalho Eanes sublinhou também que ‘o fracasso dessas escolhas desiguais ou é o fracasso dessas medidas ou é o caminho para o autoritarismo’. E, em sua opinião, ‘a revolta, violenta ou passiva, é a resposta natural à concessão de privilégios a uns e à distribuição de sacrifícios a muitos outros”.
Sexta-feira, 15, de manhã, Freitas do Amaral recebe no 8.º andar do edifício da Gomes Teixeira, Frank Carlucci, secretário adjunto da Defesa, “que se encontra de visita particular ao nosso país, mas tem previstos diversos contactos ao mais alto nível com responsáveis portugueses. Carlucci, antigo embaixador norte-americano em Lisboa e ex-subdiretor da CIA, avistou-se ainda durante a manhã com o primeiro-ministro Pinto Balsemão. [À saída o sorridente Carlucci disse apenas ter debatido questões “gerais e defesa”]. De tarde o dirigente dos EUA tinha na sua carregada agenda contactos com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Futscher Pereira, com o CEMGFA, general Melo Egídio, e com o presidente da República Ramalho Eanes. No final de todas estas audiências, Carlucci será obsequiado pelo MNE com um jantar no Palácio das Necessidades”. “Carlucci, que diria ter vindo a Lisboa também para matar saudades e rever amigos, tem aproveitado os intervalos das audiências para conversas particulares [8]. (…). De qualquer modo, parece líquido que o responsável norte-americano debateu com as autoridades que o receberam questões ligadas ao reequipamento militar das Forças Armadas e um eventual papel, político-militar, do Estado português na questão namibiana” [9].
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[1] Os economistas do passado, presente e futuro sempre exageraram, o povo esfumaçava Definitivos.
[2] Giovanni Passannante, cozinheiro e anarquista, trocou um casaco velho por uma faca de oito centímetros, “boa apenas para fatiar maçãs”, disse o dono da loja. No dia 17 de novembro de 1878, Umberto I, a mulher Margherita de Savoia e o primeiro-ministro Benedetto Cairoli, num cortejo real, atravessavam o Largo della Carriera Grande em Nápoles, Passannante “aproximou-se da carruagem do monarca, fingindo uma súplica, saltou para o degrau, de repente puxa de uma faca e atacou-o gritando: ‘viva Orsini! Viva a República Universal!’. Umberto I conseguiu desviar a arma, recebendo uma ferida ligeira no braço. A rainha Margherita atirou-lhe um ramo de flores à cara e gritou: ‘Cairoli, salva o rei!’ Cairoli segurou-o pelos cabelos mas foi ferido numa perna. Passannante foi atingido na cabeça com um sabre por Stefano De Giovanni, capitão dos couraceiros e foi preso. (…). Durante o julgamento, realizado em 6 e 7 de março de 1879, Passannante, que agiu sozinho, reclamou que as ideias do Risorgimento [a unificação da Itália] foram traídas, o Governo não se importava com o povo, que se tornava cada vez mais pobre por causa dos aumentos do imposto sobre a farinha. Passannante foi condenado à morte em 29 de março de 1879, embora a pena capital se aplicasse apenas em caso de regicídio, assim a sentença foi comutada para prisão perpétua”. E Passannante foi trancado em Portoferraio, na ilha de Elba, numa cela de 1,40 m, sem luz nem latrina, acorrentado, viveu 10 anos no meio dos excrementos até que, enlouquecido, o transferem para o manicómio de Montelupo Fiorentino. “Passannante permaneceu enterrado vivo, na mais completa escuridão, numa cela fétida situada abaixo do nível da água, e lá, sob a ação combinada da humidade e da escuridão, o seu corpo perdeu todos os pêlos, descolorou e inchou… o carcereiro que o vigiava tinha ordem categórica de nunca responder aos seus pedidos, ainda que fossem os mais indispensáveis e urgentes. O Sr. Bertani... podia ver este homem, esquelético, reduzido a ossos e pele, inchado, descolorido como a argila, forçado a ficar imóvel numa cama imunda, que emitia suspiros e levantava com as mãos uma grossa corrente de 18 quilos, que não podia mais sustentar por causa da extrema fraqueza dos seus rins. O infeliz emitia de vez em quando um grito lancinante que os marinheiros da ilha ouviam e ficavam horrorizados”, Salvatore Merlino, “L’Italia così com’ è”, 1891 em “Al caffè”, de Errico Malatesta, 1922. Depois do atentado “alguns jornais dirigiram acusações infundadas contra Passannante: O L’Arena de Verona e o Corriere della Sera de Milão retrataram-no como um malfeitor que matara uma mulher no passado, enquanto que numa litografia publicada em Turim relatava-se que o seu pai era um camorrista. (…). A família de Passannante foi presa, apenas o seu irmão conseguiu escapar. Giovanni Parrella, presidente da Câmara Municipal de Salvia di Lucania, foi a Nápoles para se desculpar e pedir um perdão de Umberto I. Num sinal de absolvição, por ordem dos conselheiros do soberano, a cidade natal de Passannante foi obrigada a mudar o seu nome para Savoia di Lucania, por decreto real de 3 de julho de 1879”. Passannante na música: “testamento de giovanni passannante, anarchico italiano” (2011), de inòrsominòre. (cover: “quando lo vedi anche”, inòrsominòre., - com um ponto no final e em minúsculas, é um projeto iniciado em 2005 por kappa, vocalista, guitarrista, compositor da finada banda, 1999-2004, de Verona Lecrevisse). E no cinema: “Passannante” (2011).
[3] Nesse mesmo dia na Lapa. “O fadista António Mello Correia, de 38 anos, proprietário do restaurante O Senhor Vinho, foi assassinado à facada e à catanada no quarto de cama da sua casa, na rua das Trinas, 36, 1.º à Lapa, por dois jovens, um dos quais (António Joaquim Viena, de 26 anos, operário fabril) acabou por ser detido cerca das 9 horas desta manhã, quando se preparava para abandonar o local num táxi. (…). A detenção de António Viena foi executada pelo ardina José Salvador que suspeitou dos ‘movimentos e das caras de dois indivíduos desconhecidos na zona’, quando se encontrava à porta do Clube dos Vendedores de jornais, localizado mesmo em frente da casa habitada pela vítima. ‘Como estava desconfiado fui sorrateiramente até ao pé de um deles e consegui deitar-lhe a mão. Só foi pena não ter alguém, o taxista teve medo, que me ajudasse para apanhar o outro’. (…). No momento em que foi imobilizado, António Viena, que tinha a catana e a faca escondidas debaixo do blusão, confessou logo o crime dizendo que se tratava de um problema de sexo. Versão que acabou por repetir mais tarde aos agentes da Judiciária, acrescentando que ele e o companheiro tinham conhecido António Mello no cais do Sodré, indo depois dali para casa do fadista onde tiveram ‘relações sexuais toda a noite’. (…). A catana e a faca faziam parte de uma coleção pertencente a António Mello, que habitava com a mãe, a qual de acordo com a vizinhança, mesmo que tivesse ouvido algum barulho suspeito, não se admiraria pois era hábito do Senhor Vinhas, como o fadista era conhecido no meio, ‘levar amigos lá para casa altas horas da noite, pois gostava muito de farra’”.
[4] “1. Os salários reais não aumentaram: só cresceu o desemprego, de 7,7 % em 1980 para 8,2 em 1981. 2. Inflação atingiu os 25%. 3. Registou-se a mais baixa taxa de atividade dos últimos quatro anos. 4. A indústria portuguesa perdeu competitividade internacional. 5. O investimento de capital fixo baixou de 9% em 1980 para 5% em 1981. 6. O PIB cresceu apenas 1,8 contra 4,9 no ano anterior. 7. As importações aumentaram 6,2% em volume. 8. As exportações diminuíram 1,8%. 9. O défice da balança comercial foi de 293 milhões de contos. 10. A dívida externa atingiu os 10 mil milhões de dólares. No primeiro semestre deste ano ultrapassou os 11 mil milhões e nesta altura já está a rasar os 12 mil milhões de dólares. 11. O Estado português paga de juros médios anuais ao estrangeiro mil milhões de dólares, ou seja, uns 80 milhões de contos”.
[5] A fazer fosquinhas merovíngias nas imediações do grande zigomático nos 100 anos do Instituto Superior de Economia e Gestão em 2011, Cavaco Silva: “qual o papel que devem ter os economistas na sociedade portuguesa de hoje? Esta interrogação recordudo recordou-me uma lição de sapiência que proferi em fevereiro de 1982, precisamente sobre esse tema, e que se encontra publicada na revista Economia. Antecipava-se, então, a segunda vinda do Fundo Monetário Internacional a Portugal, no contexto do acordo de ajustamento que acabou por vir a ser assinado em 1983. E curiosamente, ao reler o que então escrevi, conclui que muitas das interrogações e das expetativas da altura não perderam a sua atualidade. Vivia-se uma grave crise económica, marcada pelo desemprego, sobretudo entre os jovens. Havia uma grande desigualdade na distribuição da riqueza. Era baixa a produtividade da economia. E visível tendência para défices externos insustentáveis”.  
[6] Em 82, havia vida para além da bancarrota: hoje há “Death”, das Babymetal. São elas SU-METAL (Nakamoto Suzuka), MOAMETAL (Kikuchi Moa), e YUIMETAL (Mizuno Yui) ▬ “Headbangeeeeerrrrr!!!!!” ♫ “Doki Doki Morning” ♫ “Uki Uki Midnight” ♫ “Ijime, Dame, Zettai” ♫ “My First Heavy Metal” ♫ e a dança da fã Jesikira. As Babymetal floriram do Sakura Gakuin. Sakura Gakuin, (trad. “academia da flor de laranjeira”), é um grupo adolescente feminino formado em abril de 2010 pela agência de talentos Amuse. “Como o grupo é concebido como sendo integrado de raparigas da escola secundária, quando um membro termina o liceu, também recebe o ‘diploma’ da Sakura Gakuin, isso é, abandona o grupo” ▬ single de estreia “Yume ni Mukatte / Hello! Ivy”, (12 de dezembro de 2010). As cachopas diplomadas da Sakura Gakuin são transferidas para outras bandas. A primeira foi Twinklestars ▬ primeiro singleDear Mr. Socrates”, (28 de novembro de 2010). A segunda é Babymetal. A terceira Mini-Patissier. A quarta SCOOPERS ▬ “Brand New Day”. A quinta sleepiece ▬ “Medaka no Kyoudai”. A sexta “Pastel Wind. A sétima Kagaku Kyumei Kiko Logica? (Departamento Mecânico de Investigação Científica) ▬ “Science Girl Silence Boy”.
[7] Mais a sul impressionam mais: Suély Pedroso, 1,77 m, 98-62-95, sapato 37, nascida dia 3 de janeiro de 1992 em Joinville, Santa Catarina, Brasil: “estou solteira, e nunca namorei. Para me conquistar basta agir naturalmente, ser gentil, nada de ficar forçando situações, ou inventando histórias para tentar me impressionar. E claro, é fundamental ser bem-humorado”. {Bella da Semana c/ Michelle Poligamia e Vanessa Coelho}. {Bella Club}. Em 2012, participou no concurso da revista Playboy pelo rabo mais bonito do Brasil. P: “qual a mulher com o bumbum mais bonito do Brasil, além de você?” R: “Nicole Bahls” – 1,70 m, 64 kg, 90-60-105, uma panicat, (assistente de palco do programa Pânico na Band), que detonou Luana Piovani na net: “sou bem direta e verdadeira e falam nas costas. Para mim é covardia. Então, estou aqui para falar. Há muito tempo venho acompanhando as declarações nojentas e maldosas da boca da atriz Luana Piovani indiretamente. Estou cansada dos seus comentários podres, hipócritas e maldosos, Luana Piovani. Você já deveria ter maturidade até pela sua idade e passado negro. Cala a boca sua nojenta, falsa moralista, seu passado te condena. Essa foto pode te ajudar a lembrar”.
[8] Humanos como nós os políticos. David Cameron confessou à Tesco Magazine (2012) a sua primeira paixão por uma celebridade: “temo, como toda a gente, acho que tinha aquele cartaz da Cheryl Tiegs na parede”. (Cameron teria 11 anos). P: “será que também teve o famoso poster da Athena, da rapariga a jogar ténis?*”. R: “provavelmente tive”. Cheryl Tiegs reagiu: “ó meu Deus! Eu tenho um fraco por ele, acho-o tão inteligente e sedutor. Eu adoro um bom sotaque britânico. É algo que me derrete o coração. Isto apanhou-me de surpresa. Cameron e eu deveríamos definitivamente encontrar-nos um dia, só para dizer ‘olá’”. No outro lado do mar, na América, o “presidente Obama teve boa fortuna quando se trata de encontro com amores da adolescência. Depois de ele ter feito uma pose super nabo com Nichelle Nichols (a tenente Uhura em ‘Star Trek’), Nichols entusiasmada tuitou: ‘meses atrás pres Obama foi citado como dizendo que tinha uma paixoneta por mim quando era mais novo. Perguntei-lhe sobre isso & ele orgulhosamente confirmou-o!”. – Cheryl Tiegs ainda circula na net como regra 5: ou seja, “toda a gente gosta de uma rapariga bonita” (e elas multiplicam as visualizações dos posts): kickin’ it old school with Cheryl Tiegs!: “Barack Obama provou mais uma vez que é realmente um orgulhoso marxista (como Yuri Maltsev, ex-assessor de Mikhail Gorbachev, o chama) quando ele defendeu que os empreendedores americanos de sucesso ‘não construíram’ os seus negócios sozinhos. Os burocratas do Governo foram responsáveis pelo seu sucesso, o marxista na Casa Branca afirmou, citando escolas públicas, estradas, etc.”. – * Tennis girl “a fotografia foi tirada por Martin Elliott em setembro de 1976, e apresenta Fiona Butler (agora Walker), de 18 anos, a sua namorada na época. A foto foi tirada na universidade de Birmingham, usando um vestido emprestado, raquete e bolas. O poster foi publicado pela primeira vez, como parte de um calendário para o jubileu de prata da Athena, em 1977. (…). Butler disse que não estava envergonhada por posar nem amargurada por não ter recebido royalties da foto”. “A sra. Walker não era uma entusiasta jogadora de ténis e pediu emprestado um vestido a uma ‘amiga de uma amiga’, as sapatilhas do pai e usou as bolas de ténis do cão para a foto”.
[9] “Durante o início da década de 70, Donald Rumsfeld tornou-se protegido do sr. Carlucci enquanto o sr. Carlucci lhe mostrava o ringue. Carlucci foi subsecretário de Saúde, Educação e Segurança Social quando Caspar Weinberger era secretário durante a administração de Nixon. Carlucci tornou-se embaixador de Portugal, e serviu nesse posto de 1974 até 1977. Ele ainda é lembrado com muito carinho entre os vencedores do coup d’état de 25 de novembro”.

na sala de cinema

V Madonna: daisenso” (1985) ou “Go For Broke!”, de Genji Nakamura, os “Sete samurais” (1954) de Akira Kurosawa defendem os fracos no espírito da década de 80: “no total são cinco (e não sete) as guerreiras de rua recrutadas para ajudar um grupo de rapazes (da Hope Hill High School) que vivem encurralados pelos subornos e a violência constante, que um grupo de motociclistas (os Yagyu), liderados por uma dominadora que mantém um romance com uma das raparigas do grupo rival, exerce com mão dura num sítio localizado nos arredores de Tóquio”. “Pauline à la plage” (1983) de Éric Rohmer, estreado sexta-feira, 22 de março de 1985 no Estúdio 444 e no Quinteto, a Comissão de Qualidade não lhe concedeu a menção “filme de qualidade”. “Marion (Arielle Dombasle), estilista em Paris, e Pauline (Amanda Langlet), a sua jovem prima, passam as férias numa estância balnear na Normandia. Encontram Pierre (Pascal Greggory), apaixonado por Marion, Henri (Féodor Atkine), um etnólogo divorciado e atraente, assim como Sylvain (Simon de la Brosse), um adolescente à procura de uma moça da sua idade”. “Seguindo a influência do grande Jacques Tati em ‘Les vacances de Monsieur Hulot’ (1953), talvez o seu filme mais emocionante, Rohmer desliza a câmara silenciosa, aproximando-se o suficiente dos protagonistas. Nas conversas que estes mantêm, parece como se o realizador estivera participando, deleitando-se com o que escuta”. – Finalizados os Seis contos morais [1], Pauline, “um enorme sucesso no seu lançamento americano (em parte graças, sem dúvida, a um cartaz retratando a sexy Arielle Dombasle em primeiro plano num biquíni)”, é o terceiro dos seis filmes do novo ciclo de Rohmer, Comédias e provérbios: “La femme de l’aviateur” (1981) ou “Nós não poderíamos pensar em nada”, antítese da obra de Alfred de Musset “Nós não poderíamos pensar em tudo”; “Le beau mariage” (1982) ou “Que mente não divaga? Quem não constrói castelos em Espanha?”, de La Fontaine; “Pauline à la plage” ou “Quem fala muito, prejudica-se”, de Chrétien de Troyes; “Les nuits de la pleine lune” (1984) ou “Quem tem duas mulheres perde a sua alma, quem tem duas casas perde o juízo”, provérbio da província de Champagne; “Le rayon vert” (1986) ou “Que venha a hora onde os corações se apaixonam”, verso do poema “Chanson de la plus haute tour” de Arthur Rimbaud; “L’ami de mon amie” (1987) ou “Os amigos dos meus amigos meus amigos são”, provérbio.
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[1] Os Seis contos morais são: “La boulangère de Monceau” (1963), “La carrière de Suzanne” (1963), “Lacollectionneuse” (1967), “Ma nuit chez Maud” (1969), “Le genou de Clair” (1970), “L’amour l’après-midi” (1972).

no aparelho de televisão

Fisga”, estreia sábado, 17 de outubro de 1987, na RTP1, pelas 17:30: “novo espaço televisivo da autoria de Zita Rocha e Piedade Maio em que se explora o grande manancial de potencialidades e espontaneidade dos jovens”; no sábado 5 de dezembro desse ano é suspenso, por terem sido “gravemente desrespeitados valores culturais e nacionais que os portugueses prezam e a RTP defende”, justificava o comunicado da Direção de Programas da RTP. O tema desse episódio fora a nacionalidade e “um dos intervenientes não obedeceu ao sentimento e ao respeito pelo tema em questão”. O ator João Grosso cantara o hino nacional batendo com os pés no chão a acompanhar o ritmo. “João Grosso protagonizou nas várias edições do programa Fisga uma série de sketches [textos de Eduardo Rodil] que tiveram o propósito didático de pôr os jovens a pensar sobre determinadas questões, incentivando-lhes o espírito criativo e interventor com a irreverência própria da juventude. Já no final do programa, o vocalista do grupo Ocaso Épico cantava uma estrofe de última hora sobre a censura na RTP. Os telespetadores souberam da suspensão após o Jornal de Sábado com a leitura do comunicado da Direção de Programas. Segundo fonte da RTP, algumas dezenas de pessoas telefonaram para as suas instalações dando o seu apoio à decisão”. Em 2012, João Grosso relembrava: “cantei o hino com energia roqueira, com o pessoal todo que estava no estúdio, portanto os jovens que assistiam ao vivo, a marcar o ritmo com os pés e foi uma ofensa aos símbolos nacionais, e tive um processo aberto na secção da Polícia Judiciária de Combate ao Terrorismo e ao Banditismo”. No dia 7 de novembro, nesse programa, gravado ao vivo no teatro Europa, estreavam-se na televisão os Mão Morta. – Os dirigentes da Ação Católica Rural das dioceses de Braga, Guarda, Lamego, Viseu e Vila Real também protestavam contra a RTP. A dirigente Maria Margarida Soares de Moura afirmou que a sua organização “repudiava vivamente certas iniciativas e até reclames publicitários”, principalmente a presença da deputada italiana Cicciolina, no dia 26 de novembro, no programa das quintas-feiras “Já está”, de Joaquim Letria, na RTP2. “O comportamento de Cicciolina – disse a militante católica – é um atentado contra a dignidade do ser humano e muito diretamente da mulher”. “Chuva na areia”, segunda-feira, 7 de janeiro de 1985 / sexta-feira, 3 de maio de 1985, do romance “Agarra o verão Guida, agarra o verão”, de Luís de Sttau Monteiro: “as aventuras são passadas numa vila piscatória dos anos 1960, Vila Nova da Galé, construída em Tróia com a arte e engenho do arquiteto Conde Reis. A Vila Nova da Galé é invadida por turistas prontos a gozar as suas belezas naturais. Esses turistas são os alemães Adolf Schmidt (António Rama) e Hans Neuber (Carlos Wallenstein), e com a ajuda de Vilela (Henrique Viana) e do banqueiro Vítor Costa (Baptista Fernandes), querem modernizar a cidade com construções de hotéis e piscinas. A população sente-se agitada pelas alterações aos hábitos que essa afluência implica. (…). Toda a história se centra no Caniço (Nuno Melo), pela sua fama de ladrão de praias, [e prostituto de camones, falecido por capadura], e na Guida (Natália Luísa), principalmente, pois esta quer Agarrar o verão, e só consegue isso em setembro com a chegada da Chuva na areia[1]. No primeiro episódio: “Nunes (José Viana), Antunes (Carlos César), Esteves (Armando Cortez) e Gomes (António Montez) jogam à bisca e conversam enquanto Mimoso (Rogério Paulo) os observa. Chega à pensão o Silva (Rui Pedro), o caixeiro-viajante. Desenrola-se um pequeno diálogo agressivo entre Antunes e Nunes. No interior da igreja, o padre Correia (António Lopes Ribeiro) encontra Maganão (Manuel Cavaco) que terminada a reza, conversa sobre os desembarques de contrabando em que ele anda envolvido. Vilela continua no café a conversar com Neuber. O tenente Ferreira (Rui Mendes) observa-os sentado noutra mesa. Entretanto, chega D. Odete (Alina Vaz), a mulher do tenente, que se senta à mesa do marido”, frustrada por viver numa pacata vila a que chama “esta merda desta terra”. – As telenovelas brasileiras foram o saca-rolhas de Portugal da Idade Média. Universidades no lar, elas ensinaram às mulheres imaginação no vestir e aos homens cultura geral. “Na segunda-feira, 16 de maio de 1977, a estreia de Gabriela marcou uma outra revolução entre nós. Com a apresentação da primeira novela, houve um reencontro de todos, com a vivência da democracia conquistada. O romance de Jorge Amado transfigurado em televisão estimulou o convívio nas famílias, acordou uma nova consciência social. Os políticos suspendiam os trabalhos da Assembleia Constituinte, em frente da televisão. Os ministros faziam uma pausa de hora marcada e até o dr. Álvaro Cunhal chegou uma vez atrasado ao programa Mosaico, na RTP, por ver Gabriela” [2]. “O astro”, segunda-feira, 16 de outubro de 1978 / quinta-feira, 5 de julho de 1979. Na quarta-feira, 21 de março “drama na Brandoa: um soldado da Guarda Nacional Republicana matou a própria mulher a tiro porque ela se recusara a fazer-lhe o jantar. O disparo não foi ouvido pela vizinhança pois, àquela hora, estava toda a gente com a televisão ligada, a ver O astro. D. Alice, testemunha ocular, conta que a vítima, ao era atingida na cabeça, ergueu as mãos e gritou ‘ai os meus ricos filhos’. E caiu morta. Chamava-se Ana Maria Rosa e tinha 28 anos. O homicida, agora viúvo, é o soldado Fernando Martins Canelas, que aparenta 30 anos e que, após a consumação do crime, foi-se entregar ao posto da corporação a que pertence, na Brandoa. [D. Alice, vizinha do casal] conta que não tem televisor e por isso costumava ver O astro na casa da vítima. Marido e mulher andavam amuados há vários dias (estavam na fase de se tratarem por você) e, (…) ao almoço, ele tinha recusado a comida que ela lhe preparara. Preferiu cozinhar o seu próprio almoço. (…). Quando estavam todos em casa (o casal e os filhos, além de D. Alice e um filho desta) o marido ordenou à esposa que lhe fosse fazer o jantar. A reação da vítima não se fez esperar, ‘se você fez o almoço, agora faça o jantar…’. A partir daqui, o ‘cabeça de casal’ passa a agredir a mulher com vários murros na cabeça e chega a pegar numa cadeira como arma de arremesso, mas desiste, tem uma ideia melhor: dirige-se ao quarto e aparece com uma Walther. Ana Maria Rosa é atingida com um tiro na cabeça. (…). No momento do tiro, conta D. Alice, ‘estava o Alan a conversar com a Amanda’. Ela, Alice, correu então a chamar outra vizinha, a D. Isilda, que ficou espantada com a coincidência: a outra a chamá-la, ‘ó dona Isilda’, e no pequeno ecrã a ‘tia’ também a chamar, ‘ó Márcio, ó Márcio…’. [O GNR] era um homem grosseiro que se irritava facilmente e, prova disso, as nódoas negras que a mulher trazia sempre pelo corpo. Aliás, outro vizinho conta que, meia hora antes, Ana Rosa tinha lá estado em casa e às tantas dissera, na reinação, ‘vou-me já embora, se não o meu marido parte-me os cornos”. Noutra notícia, uma miúda de 10 anos, ao ser proibida pelos pais de ver O astro durante uns dias, fugiu de casa para o Porto com 360 contos em jóias e dinheiro. Uma espetadora de Camarate escrevia para a revista O astro: “sempre que vejo o Tony Ramos na televisão, sinto-me apaixonada por ele. Vejam se eu também posso entrar na telenovela”. Terminado O astro houve uma pausa nas telenovelas brasileiras. A abstinência foi terrível, os portugueses ressacavam. Até que segunda-feira 15 de outubro de 1979, na primeira página do Diário de Lisboa, a boa nova: “a partir desta noite, 70 horas de telenovela com Dancin’ days. Finalmente a partir das 20:30 de hoje, a quinta telenovela brasileira virá animar os serões dos portugueses, de muitos milhares de portugueses”. Entretanto, a RTP2 transmitira, fraco paliativo para as dores da privação, de quarta-feira, 11 de julho de 1979 a quarta-feira, 15 de agosto, a telenovela venezuelana “Dona Bárbara[3].
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[1] Um tele-romance e não uma telenovela, distingue Luís de Sttau Monteiro: “a telenovela tem uma técnica própria que assenta, essencialmente, ou na narração televisiva de uma pequena história em cada episódio ou, como é mais frequente, na narração de duas pequenas histórias por episódio: uma que termina, outra que começa. A terminar a ação da que começa (e que vai acabar no episódio seguinte) uma cena de suspense, mais ou menos elaborada, que tem por objetivo ‘prender’ o espetador e levá-lo a querer ver o desfecho da cena. Trata-se, apesar de tudo, de um processo um pouco rudimentar que se adivinha destinado a agradar às audiências que, embora vastas, não terão um grau de exigência muito elevado. Chuva na areia não assenta, assim, num doseamento mais ou menos habilidoso de incidentes artificiais em relação à vida nem pretende fornecer aos espetadores pequenas doses diárias de suspense. Antes pelo contrário: proporciona-lhe a possibilidade de rever, criticamente, um período que ele viveu e de entender melhor muita gente que ele conhece e com quem se dá no seu dia-a-dia. Todos os acontecimentos são verosímeis. E a técnica utilizada para os narrar andará próxima do folhetim, que, tendo marcado épocas e gerações, pode retomar o gosto pela vida na sequência desta experiência”.
[2] As putas do Bataclan: “durante a exibição da novela Gabriela compareci a uma festa em Ilhéus e lá encontrei as senhoras da sociedade todas elas fantasiadas de putas do Bataclan. Uma delas debruçou-se sobre mim, sussurrou-me ao ouvido: ‘sou Clarinda, rapariga de Augusto Juvenal e teu xodó, te lembras?’ De Clarinda me lembrava, nunca a esquecerei, mulata caboverde, rosto oriental, riso de malícia, olhos de quebranto, boca de, peço perdão, não digo de quê a boca, seria falta de respeito para com a brancarrona cor de leite, quarentona grã-fina e licenciosa a querer passar por puta inocente, saí de baixo”, Jorge Amado, no livro de memórias, “Navegação de cabotagem” (1992).
[3] O remakeDoña Bárbara, La Devoradora de Hombres” (2008-09): “Bárbara é uma mulher atraente, criada principalmente nos rios da Venezuela pelo seu pai, capitão de barco. Sua mãe era uma índia que morreu ao dar à luz. Ela estava loucamente apaixonada pelo jovem Asdrúbal até que a tragédia esmagou tudo. Alguns homens que trabalhavam para o seu pai roubam-lhes o barco e matam-lhe o pai. Os patifes então violam-na e matam-lhe o namorado. Isto faz com que odeie os homens, mas ao mesmo tempo dorme com eles para conseguir o que quer. Ela envolve-se com Lorenzo Barquero, proprietário de uma fazenda de gado, de quem fica grávida e tem uma filha chamada Marisela”. Marisela é interpretada por Génesis Rodríguez, 1,65 m, 52 kg, 86-60-81, sapato 40, olhos castanhos, cabelo castanho, nascida em Miami, dia 29 de julho de 1987. Citação: “Génesis como uma fonte. Como no princípio da vida, do mundo. O meu pai tinha acabado de se separar da sua primeira mulher, quando ele conheceu a minha mãe, Carolina. Alguns meses depois cheguei eu – surpresa! Eles pensaram que era um augúrio de sorte para toda a vida”. Génesis: “Deus, a minha família e os meus amigos conhecem-me e são os únicos cujas críticas me podem afetar”. Ela foi dançarina no “El club de los tigritos”, e é atriz de telenovelas: “La prisionera” (2004), “Dame chocolate” (2007) e filmes: “Identity Thief” (2013), “Hours” (2013). – Na Prisionera contracenou com o ator mexicano Mauricio Islas, 31 anos. No dia 28 de junho de 2004, a Telemundo ofereceu ao elenco uma festa no hotel Mandarín, de Miami. Depois da meia-noite, Islas e Génesis, a um mês dos 17 anos, “aparentemente tinham bebido e logo subiram a um quarto onde tiveram relações sexuais. Dias depois, durante a gravação de uma cena, Génesis sofreu um desmaio, fracturou um calcanhar e foi de imediato levada para um centro médico. Fontes próximas do caso dizem que foi nesse momento, quando, ao lado do pai, o médico lhe fez uma pergunta de rotina sobre se podia esta grávida, devido ao risco de exposição aos raios x, à qual ela respondeu que tinha as suas dúvidas e foi aí que a bomba estalou”. Sobre o seu descruzar de pernas: “segundo declarações de Génesis, ‘foi fácil de manipular’ e se sentiu presa naquela situação. Finalmente, a polémica terminou quando um juiz determinou um acordo entre a família da jovem e o ator mexicano. Diz-se que o acordo incluiu vários milhões de dólares e cem horas de trabalho comunitário, além de algumas desculpas públicas, evitando dessa forma a pena máxima que ascendia a 15 anos de prisão”. Islas foi retirado da telenovela e substituído por Gabriel Porras.

na aparelhagem stereo

O decano dos povos periféricos está na posição de rabo de pato – “Companhia! / braços estendidos / punhos fechados / dedos para cima / ombros encolhidos / cabeça para trás / rabo de pato”, “Chu Chuá” (2011), Panda Vai à Escola; braços estendidos, confere, punhos fechados, confere, dedos para cima, confere, ombros encolhidos, confere, cabeça para trás, confere, rabo de pato, confirmadíssimo, e nesta posição seus jovens esgotam os produtos, sólidos ou espirituais, alistados e apreçados no catálogo internacional de luxe. Um candeeiro design, um input económico, um trend cinematográfico, um buzz musical, vendem-se às rebatinhas. É uma geração com poder estético, nos subúrbios da Europa: “acho que esta nova geração é uma geração masculina que tem, que tem mais cuidado com a sua aparência, a sua forma física, tem algum cuidado com o que diz respeito também ao vestir”, Sérgio Rosado, uma asa dos Anjos. Aformoseados eles querem casar, elas guardam seu celofane original para eles: “Arranjei uma miúda / Que ainda tem os três vinténs / Fechados a sete chaves / Que os não dá a ninguém”, “Esta miúda (dá-me cabo da cabeça)” (1995), Nel Monteiro.
Os casamentos, significantes, hissopam-se em terreno consagrado, na arena do arrabalde, no concerto do artista devotado. Tony Carreira é a suma teológica arredor, ele é Bono, Springsteen, Dylan, Bieber, uma direção (One Direction). Certo apaixonado par, mal findaram as núpcias, nem as fatiotas da cerimónia despiram, e já bem-fadavam sua felícia num espetáculo do Tony Carreira; esclarecia o recém-esposado: “já tínhamos planeado casar neste dia 13 de maio e foi precisamente coincidir com um concerto dele… tínhamos os bilhetes comprados para o concerto dele”; a feliz consorte, Iva Alves, interpreta as inscrições nas suas preciosas alianças: “o nome da música. A minha tem ‘Não desisto de ti’. A dele tem o nome da música ‘Viver sem ti não é viver’”. “Gosto muito do Tony Carreira e o meu marido também”. No toque de género, errou o major Valentim Loureiro a sua avaliação do supremo dos cantores: “é o artista, enfim, põe todas as mulheres com os corações, enfim, um bocadinho, um bocadinho abalados”.
Iguais cenas da vida no campo. Concerto dos U2 no Estádio Municipal de Coimbra, 2/3 de outubro de 2010, uma pechincha, preços de 32 a 260 euros. Havia três controlos de bilhetes e adeptos: 1º o bilhete é conferido a olho nu, 2º toda a gente é revistada, 3º controlo eletrónico do bilhete através do código de barras. Foi um festival de fãs. Vítor Machado: “eu pra mim basta ‘tar a ouvir o Bono que começo a chorar. ‘Tá tudo dito. Já oiço U2 desde praticamente pra’í há 20 anos e o Bono a mim diz-me muito”. Sérgio Cardoso, o primeiro na entrada, chegou ao estádio: “uma, uma e meia da tarde, quinta-feira” (concertos no sábado e domingo). “Porque, porque queria ser o primeiro mesmo, porque já oiço U2 há 15 anos e ‘tou passado por eles” (repórter: ‘tás apaixonado por eles?) “exato”. O casal José Besteiro e Ana Rosa likes montes matrimoniar-se no estádio. Besteiro: “sabemos que podemos pôr música, podemos forrar a nossa mesa onde nos vamos casar com a bandeira dos U2”, Ana: “podemos decorar a tenda”, Besteiro: “podemos pôr música e já agora… (repórter: qual é a música?), Besteiro: “‘All I Want Is You’ é o mote do casamento, é a música da minha vida e da dela”. Desilusão e esperança perante a impossibilidade material do nó num terreno sagrado. Besteiro: “ao princípio sim, ficamos um bocadinho revoltados, porque não percebemos imediatamente o porquê, é que esquecemos sempre da parte legal. Um casamento, o casamento é um acto solene, é um acto civil, em que pode aparecer alguém que diga: eu impeço este casamento por isto ou por aquilo”. Com a ajuda da produção esperam que o vocalista lhes dê a bênção e ajude no casamento. Besteiro: “passou um passarinho no Twitter”, Ana: “e disse. Foi”, Besteiro: “mandou-me um tweet a dizer que o Bono já sabia da nossa história e que nos ia chamar ao palco”. Outro fã trocava os vouchers por bilhetes para a zona mais cara, a Red Zone: “bem, os nossos bilhetes, cada um custou 250 euros há um ano atrás”. “Vale, sem dúvida que sim, é uma oportunidade única de ver os U2 em Portugal. O meu filho acompanhou-me, desta vez, também é um fã dos U2, e ter um grande prazer também investir neste pequeno prémio pra ele pra assistir comigo e com a minha esposa, também, a ver os U2”.
“A organização dos concertos dos U2, em Coimbra, confronta-se com casos invulgares como o de um casal que se separou após adquirir os ingressos e acabou em tribunal a discutir a titularidade das entradas. ‘O homem defende que os bilhetes lhe pertencem. Alega que foi ele que esteve na fila para os comprar’, disse hoje à agência Lusa uma fonte da produtora Ritmos & Blues. Outro caso envolve também um casal, igualmente desavindo depois da compra dos bilhetes com lugar marcado e que recusam agora sentar-se ao lado um do outro no estádio. ‘Compraram bilhetes juntos, entretanto a relação acabou e não querem ficar ao pé um do outro’, sublinhou a fonte. Em declarações aos jornalistas, Álvaro Ramos, responsável da Ritmos & Blues, aludiu também a casos de fãs dos U2, atualmente grávidas, preocupadas com os acessos ao estádio. ‘Temos histórias giríssimas de pessoas que compraram o bilhete [há um ano] e agora estão grávidas, ligam-nos a dizer que fizeram mal o planeamento familiar e estão muito preocupadas como é que vêm [aos concertos]’, frisou. Outros admiradores da banda irlandesa, adiantou, ‘compraram [acessos] de deficientes e já não são. Outros não eram e passaram a ser’”. Caindo num caldeirão destes, poção de vida mágica, não há outra alternativa senão afundar-se na bebida e na droga: “Keep Control Plus” (2009), Sono, banda de Hamburgo.
O Papa Bento XVI prevenia em 2000, talvez com o seu espírito em Fátima, contra o rock: “é a expressão de paixões básicas que nos festivais de música ganha um carácter de culto oposto à adoração cristã”.
Pelos caminhos de Portugal:
Mário Mata nasceu em Luanda dia 2 de setembro de 1960. Em agosto de 1974 retorna a Portugal. “Passou a sua juventude no Algarve, e mais tarde assentou arraiais com a família em Penela, Coimbra. Em 30 anos de carreira, gravou apenas 5 discos: 3 na década de 80 (quando foi descoberto), um na de 90, e outro já neste novo milénio. É muito pouco para tantos anos dedicados à música, por paixão. Mas continuou sempre, e teimosamente, de viola às costas, cantando em bares e pequenos espaços, com pouco mais que apenas ele e a sua música, e sempre que possível com o seu amigo e companheiro de palco João Ma” ▬ “Não há nada p'ra ninguém” (1980) ♫ “Rolling na Reboleira” (2012). Conjunto Mundo Novo “foi fundado em 29 de agosto de 1990. Preparavam-se para no dia 31 de dezembro dar o seu primeiro espetáculo no lugar Catraia de Assequins em Águeda. Inicialmente era constituído por seis elementos: dois acordeonistas, um guitarrista, um percussionista, duas vozes femininas e muita vontade de levar a música portuguesa aos ouvidos das pessoas. Os instrumentos tocados eram o acordeão eletrónico e acústico, viola ritmo e os instrumentos de precursão tradicionais como o bombo, a pandeireta e os ferrinhos acompanhados pela caixa ritmo” ▬ “Mexe, mexe mexilhão” (1994) ♫ “Grilinho sai da toca” (2001) ♫ “Ruz truz truz / A picada do ouriço” (2009/2010). – O grilinho é um bicho escuro muito na boca do povo. Em Padim da Graça, Braga, “Alzira e um cantor pimba vivem na mesma rua. Ele fez uma canção sobre o grilo da Zirinha. Ela não gostou, ‘deu-lhe duas chapadas’ e ele levou o caso a tribunal. A mulher foi admoestada pelo juiz, mas agora corre outro processo na Justiça, com Alzira a pedir uma indemnização. João Miguel Costa, 39 anos, cantor e compositor, é vizinho de Alzira Reis Gomes, 52 anos, operária têxtil, casada, mãe de três filhos e descendente de uma das famílias mais conhecidas de Padim da Graça. Alzira é conhecida na freguesia de Braga por ‘Zirinha’”: “Cacei o grilo à Zirinha” (2013). Miguel Costa explicou-se: “a senhora é que tocou na campainha de minha casa, alguém lhe disse que o Miguel fez um CD muito bonito e q’a música era pra ela. Ela foi influenciada por alguém, não pelo Miguel, foi alguém que a influenciou” (repórter: foi lá a casa ouvir o CD?) “exatamente” (repórter: ouviu a música?) “ouviu essa música, ouviu todas elas, porque o meu CD começa desde ‘O meu querido pai’ à última faixa” (repórter: ela disse alguma coisa em relação a essa música?) “ela disse, gostou muito”. “Essa senhora, então, julgando que a música q’é pra ela, só aparece uma vez por ano às comissões de festas, chega lá, intimidou a comissão de festas, porque a mãe é empresária, e então intimidou a comissão de festas, à partida, que se puserem o meu CD a tocar que automaticamente não há, essa verba não lhes é atribuída”. Agora Zirinha exige 6 mil euros alegando ser vítima de chacota popular por causa  do “Cacei o grilo”. O compositor não desiste, insiste noutro hit: “O peixinho da Maria, é outro, isso é outro tema que vai ser integrado num outro CD que eu vou lançar, vamos ver se tudo nos corre bem, pronto. Eu ‘tou a trabalhar com força nisso (…) espero que nenhuma Maria se vá zangar comigo, por amor de Deus, que isto já, porque o tribunal já me está aqui até à palinha do cabelo” [1].
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[1] A gravação foi inventada para gravar música portuguesa. Fonoautógrafo, sistema de gravação inventado em 1857 por Édouard-Léon Scott de Martinville, 20 anos antes do fonógrafo de Thomas Edison. Martinville foi o primeiro a gravar som, Edison o primeiro a reproduzi-lo. “Por mais de um século, desde que ele capturou as palavras ‘Mary had a little lamb’ numa folha de alumínio, Thomas Edison tem sido considerado o pai da gravação sonora. Mas investigadores afirmam ter descoberto uma gravação da voz humana feita por um francês pouco conhecido, que precede em cerca de duas décadas a invenção de Edison do fonógrafo”. O historiador de áudio Patrick Feaster: “Édouard-Léon Scott de Martinville foi o inventor da ideia de gravar sons do ar através de uma membrana. Assim, a ideia básica é que isso abrande todos os microfones, todos os dispositivos de gravação de som que temos hoje”. Em 2008, cientistas do Lawrence Berkeley National Laboratory, Califórnia, extraíram o som de um fonoautograma de 1860, do que julgaram ser a voz de uma criança cantando “Au clair de la lune”. Cientistas do “first sounds” alcançaram outra conclusão, o historiador de áudio David Giovannoni: “neste momento, esta gravação de ‘Au clair de la lune’ ainda é de 9 de abril de 1860. Isso não mudou. O que muda é a nossa interpretação. Em vez de uma janela abrindo-se para o passado, onde esta jovem está tentando chegar até nós, cantando ‘Au clair’, em vez disso, agora entendemos que os sons vindos através dessa janela são do próprio inventor a fazer uma experiência”. Patrick Feaster: “decidimos que, em vez de reproduzir a voz de uma jovem, provavelmente a filha do inventor, estamos realmente a ouvir a voz do próprio inventor. Nós reproduzíamos na velocidade errada. Mas, além dessa gravação, tropeçamos numa arca de material novo num arquivo em França datando de três anos antes, portanto, um lote de gravações de 1857”. – Atualmente, a Vulcan Cylinder Record Company, Sheffield, Inglaterra, ainda comercializa cilindros de cera: “He’s In The Jailhouse Now”. “Na década de 1890, cilindros de cera (para o fonógrafo) e discos de goma-laca (para o gramofone) eram tecnologias competindo no mundo da gravação de sons. Os ouvintes podiam ouvir as vozes de Thomas Edison, inventor do fonógrafo e Emil Berliner, criador do disco” ▬ fotos na inspiradora lua, “Au clair de la lune”: Georges MélièsColette RenardlooolPathétiqueMc Solaar.

Sexta-feira, Abril 19, 2013


Um ano na ópera

1982. Os dias do loureiro são corridos a perfumar as frontes dos heróis. Dias de loureiro metamorfose da ninfa Dafne. Seu pai, o rio-deus Peneu, seu corpo endurou em casca e galhos, pés sepultados na terra, num arbusto, o loureiro, sua virtude resguardando da paixão de Apolo que perdido, enfeitiçado, pelas diabruras de Cupido, abraça o tronco: “já que não podes ser a minha esposa serás a minha árvore” [1]. Desde esse dia as folhas de louro enfeitam as cabeças dos homens, – e da lenda de Apolo e Dafne desenterrou-se na casa de Jacopo Corsi no Carnaval de 1598 o tema para a primeira ópera [2]. As coroas de louro nas cabeças dos homens cativam viris iscas os amores femininos; outro assim através dos tempos: “a história de galantear os homens” - o emcee Akinyele ft. Kia Jefferies: “Put it in my mouth / She said put it in her mouth / I said my motherfuckin mouth / I mean her motherfuckin mouth” (1996) - homens-heróis [3], expulsam do Olimpo os deuses, e eles deuses e meio serão enredos para óperas; outro assado da brumosa anciã Álbion: “seis mitos sobre os pobres: que eles são preguiçosos, são viciados em álcool e drogas, não são realmente pobres, burlam o sistema, têm uma vida fácil e que causaram o défice” [4].
Portugal teve casa de ópera [5], desmoronou-se em sete meses, as operísticas personagens endógenas, essas, não ruíram, são mais que as cantoras carecas e do fragueiro bufam cosmopolitismo. Numa ópera lusa the important é o papelão e o vioxene dos cenários. Segunda-feira, 11 de outubro de 1982, o programa da RTP 2, “Clube de Imprensa”, transmite pelas 22:00 horas uma peça dramática desempenhada em canto de pardaloca, um debate entre Mário Soares e Álvaro Cunhal. “A pontualidade de Mário Soares, e que o próprio considerou de britânica, ficou demonstrada com a chegada do líder socialista aos estúdios do Lumiar às 21:11 horas. A acompanhá-lo, Isabel Soares, sua filha, José Manuel Santos, dos serviços de imprensa do PS e Jorge Lacão, chefe do seu gabinete. Primeira preocupação: as regras do jogo. Ainda Soares não tinha dado mais de dois passos e já falava a José Eduardo Moniz, que iria moderar o debate, da necessidade de se definirem as ditas regras. (…). Este tranquilizava-o, dizendo-lhe: ‘não se preocupe. Está tudo previsto, doutor’. (…). Álvaro Cunhal, sem pressa mas a horas, chegaria aos estúdios do Lumiar cerca de quinze minutos depois de Soares. Com ele, Victor Dias e Pina Moura, da CP do PCP”. “Terminado o debate, os humores de cada um deferiam dos iniciais. O líder socialista mostrava-se algo enervado, enquanto o líder comunista exibia uma beatitude serena”. Das palavras ditas, Soares: “Cunhal mete medo às pessoas. Fez mais pelo anticomunismo que Salazar e Caetano”; Cunhal: “apoiar a candidatura de Mário Soares a Belém? Não sei que bicharoco teríamos de engolir vivo para dar esse apoio” (era um sapo, engoliu-o, na 2ª volta da eleições presidenciais de 1986). Soares, intriguista como um Iago de Verdi, é essencialmente uma opereta, Natália Correia apelidava-o de “le roi soleil”, e Herman José bosquejava-o: “adora ver o povo bem tratado, mas adora ver os amigos com dinheiro” [6].
Quarta-feira, 1 de dezembro, Jorge Jardim “morre em Libreville, no Gabão, onde residia. Contava 64 anos e foi vítima de um ataque cardíaco quando participava numa reunião do Interbanque, de que era administrador”. Jardim era uma cortesã de Salazar que não se assoava nas camélias. Empossado em 16 de outubro de 1948 como subsecretário de Estado do Comércio e Indústria; num dia chuvoso, foi com António Castro Fernandes, ministro da Economia, a uma audiência com Salazar, no final, o presidente do Conselho inquire o jovem Jardim pela sua falta de sobretudo e chapéu. Responde-lhe que não usava, Salazar diz-lhe: “então passa a usar. Vá, tenha juízo, compre um”. E comprou. Uma remodelação ministerial trava-lhe a carreira política, discute com o novo ministro da Economia Ulisses Cortez e demite-se em 1952. Raspou-se para Moçambique, de Lourenço Marques escreveu a Salazar: “posta de parte a hipótese de aceitar uma ‘arrumação’, generosamente amiga, nos quadros oficiais ou de inspiração oficial, só me restava o caminho do ultramar”. No verão de 1952 administrava na Beira a filial da fábrica de fibrocimentos Lusalite, de Raul Abecassis. Para divulgar Moçambique criou o concurso local de misses: c/ Íris Maria de Jesus, miss Moçambique e miss Portugal 1972. Trocou centenas de cartas com Salazar contendo informações sobre África “que obtinha dos seus amigos poderosos (como Hastings Banda, líder do Malawi) e da rede de espionagem que criou naquele continente. Nas suas respostas, Salazar fazia sugestões e enviava roupa para os seus filhos recém-nascidos”, na revista Sábado n.º 448. Jardim teve 12 filhos, nove fêmeas: Patucha, Kanicha, Xenica, Carmo, Mituxa, Cinha, Luísa, Xandinha e Rosarinho, que se suicidou aos 33 anos. Em 1954 Jardim está infiltrado entre os canecos “para passar despercebido, pediu ao alfaiate do primeiro-ministro Nehru para lhe fazer um fato de cerimónias igual ao dele. Usou-o em jantares com indianos que defendiam a autonomia de Goa”. Reportou a Salazar: “tive de dominar muito os nervos para ouvir as coisas mais desagradáveis a nosso respeito (…) quando tinha vontade de os desancar a cavalo-marinho” [7].
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[1] “Metamorfoses” do poeta latino Ovídio: “Diz-lhe o deus: já que não podes ser a minha esposa, / serás a minha árvore, sempre a terei / nos cabelos, na cítara e aljava, ó loureiro; / entre os chefes do Lácio ouvirás os alegres / cantos e as triunfais pompas no Capitólio. / Serás fiel guardiã do palácio de Augusto, / e às portas estarás protegendo o carvalho; / como jamais corto os cachos juvenis, / com perpétua folhagem, serás sempre honrada. / Peã calou-se, e, inclinando a copa, feito / fronte, o loureiro, com seus ramos, anuiu”.
[2] O primeiro é sempre uma paragem arqueológica. Sobre a primeira ópera: “a resposta dos manuais é fácil. A primeira ópera foi ‘Dafne’, tocada pela primeira vez em 1598 durante o Carnaval na casa de Jacopo Corsi (m. 1604) em Florença, música de Corsi e Jacopo Peri (1561-1633), libreto de Ottavio Rinuccini (1562-1621). (…). A partitura não sobreviveu”. Antepassados da ópera foram os intermezzi. “No espírito da Renascença, peças romanas eram representadas nas ocasiões festivas nas cortes dos príncipes italianos. Talvez demasiado pesadas para alguns dos convidados. Era costume ter entretenimentos mais luxuosos (intermezzi ou peças intermediárias) entre os actos, com efeitos cénicos espetaculares, bonitos figurinos e muito cantar e dançar. (…). Os primeiros intermezzi preservados para a prosperidade foram tocados para celebrar um casamento na corte dos Medici em Florença”, na História da Ópera. Intermezzi de Girolamo Bargagli “La Pellegrina” para o casamento entre Ferdinando I de Medici e Cristina de Lorena, dia 2 de maio de 1589.
[3] Nem Péricles, nem Cícero, nem Napoleão, os heróis do Iluminismo mesmo iluminado são economistas. “A questão social não pode ser iludida, e eu julgo também que, embora não possa ser, não deva ser iludida, não nos deve obscurecer, digamos, a nossa clarividência. Ou seja, não podemos pelos nossos sentimentos cristãos e pela nossa pela nossa compaixão pelos mais pobres e pelas pessoas que mais sofrem, e isso eu julgo que não podemos estar a medir-nos desse ponto de vista, isso não nos deve obscurecer, digamos, a clareza do raciocínio. Ou seja, eu julgo que há um lugar para discutir a forma de distribuição da austeridade, ou seja, é necessário fazer cortes, é necessário reduzir o consumo, isso para mim é evidente, porque o nosso consumo é exagerado face à nossa produtividade, face ao nosso PIB, o consumo tem que ser reduzido. Tem vindo a ser reduzido mas tem que ser reduzido ainda ain ainda mais. Agora, outra coisa é nós discutirmos entre nós quais são as classes sociais, quais são as esferas da sociedade que devem ser mais afetadas e provavelmente haverá lugar à discussão e eu poderia entrar nisso nou noutra ocasião, sobre a justiça e sobre a forma como isso está-se a fazer. Uma coisa é, como redistribuir como distribuir a austeridade, outra coisa é a necessidade de a fazer. Ou seja, são duas coisas diferentes. O consumo face às nossas necessidades de desenvolvimento tem que ser reduzido, claramente. Nós temos que ter mais exportações, temos que ter mais capital acumulado (…) se nós consumimos demasiado, acumulamos pouco capital”, Avelino de Jesus, no programa da tvi24 “Olhos nos olhos” (2013). 
[4] Épica ópera moderna “Anna Nicole”. “A vida de Anna Nicole Smith, a ex-coelhinha da Playboy, morta em 2007 por um cocktail letal de drogas, advém uma ópera. O espetáculo, que será encenado na Royal Opera House de Londres em Fevereiro de 2011, é esperado como um dos ‘maiores do calendário artístico do Reino Unido’, é assinado pelo compositor Mark Anthony Turnage e pelo escritor Richard Thomas. Na estreia será protagonista a soprano Eva Maria Westbroek”. – Anna Nicole Smith, 1,80 m, 64 kg, 97(realidade aumentada c/ silicone)-66-97, sapato 42, olhos cor de avelã, sovacos barbeados, pêlos púbicos aparados, morto, seu corpo, valorizou-se: “Larry Birkhead pagou quase 3000 dólares num leilão (2008) por lingerie usada pela sua falecida ex, Anna Nicole Smith, numa produção da Playboy. Birkhead explicou que pagou 1800 dólares por um corpete cor-de-rosa e 1000 por uma combinação branca, porque ele queria dar à sua filha de um ano de idade, Dannielynn, uma lembrança da mãe”. Anna Nicole sofreu agruras de heróis trágicos: “Daniel, 20 anos, morreu de overdose acidental nas Bahamas em setembro de 2006, apenas três dias depois de a sua mãe, Anna Nicole, dar à luz a sua filha Dannielynn”. E o cadáver de Anna dinamizou a indústria advocatória: “Stern, 40 anos, parceiro de longa data de Smith e o advogado, compareceram diante do juiz (2009) sob acusação de conspirar com dois médicos para fornecer drogas a Smith antes da sua overdose fatal em 2007”. A “acusação apresentou uma gravação como prova de que Howard K. Stern e dois médicos [Khristine Eroshevich, 61 anos, Sandeep Kapoor, 40 anos] conspiraram para manter Anna Nicole Smith num torpor narcótico dois anos antes da sua morte. (…). Stern gravou o vídeo de 45 minutos na casa de Smith nas Bahamas a 12 de agosto de 2006, na festa de aniversário dos nove anos de Riley Shelley, a filha de um amigo”. – Corpo de Anna no cinema: “The Hudsucker Proxy” (1994); “Naked Gun 33 1/3: The Final Insult” (1994); “To the Limit” (1995); “Skyscraper” (1996); “Anna Nicole Smith: Exposed” (1996); “Wasabi Tuna” (2003); “Be Cool” (2005) e o póstumo “Illegal Alliens” (2007). Corpo de Anna nos videoclipes: Brian FerryWill You Love Me Tomorrow” (1993); SupertrampYou Win, I Lose” (1997); e cantou, letra e música de Cole Porter, vídeo filmado em França por Nicolai Lo Russo, “My Heart Belongs To Daddy” (1997).
[5] A Real Ópera do Tejo, capacidade: 600 pessoas, entre plateia e 48 camarotes. Ou Teatro Real do Paço da Ribeira, obra do arquiteto italiano Giovanni Carlo Galli da Bibbiena, paga pelos cofres de D. José. Situado entre a praça do Comércio e o cais do Sodré, foi inaugurado dia 31 de março de 1755, com uma superprodução que teve 25 cavalos em palco, “Alessandro nell’Indie”, composta por David Perez, Mestre de Capela e professor de princesas reais, a viver em Lisboa desde 1752, com libreto de Pietro Metastasio. A programação do teatro ainda propiciou aos cultos nobres de Portugal mais duas óperas: a 6 de junho “La clemenza di Tito” e “Antigono” a 16 de outubro, compostas durante a sua permanência em Lisboa, por Antonio Mazzoni, libretos de Pietro Metastasio. No dia 1 de novembro de 1755 pelas 09:45 Lisboa treme, o terramoto estremeceu o coração de Voltaire em Paris e na devastação o fausto foi-se por esse rio abaixo, sobejaram apenas as pedras derribadas da Real Ópera do Tejo.
[6] Antes dos amigos está a própria pele. Em fevereiro de 1975, Álvaro Cunhal precipitava uma política de esquerda: “se formos ver as conclusões das comissões, quase todas elas concluíram pela necessidade de nacionalizações”. “Na ordem de trabalhos, está inscrito ainda outro assunto mais, e esse assunto adquire, no momento em que vivemos, um profundo significado para os trabalhadores rurais: é a reforma agrária. A liquidação dos latifúndios tornou-se um objetivo profundamente sentido pelas mais amplas massas trabalhadoras”. Em 19 de maio, Raul Rêgo, acusado de transformar o jornal República, no órgão oficioso do Partido Socialista, é expulso da direção pelos trabalhadores. Mário Soares lucra: “a ocupação do República jogou, nessa mutação psicológica, um papel decisivo: a história do assalto ocupou as primeiras páginas dos principais jornais internacionais, foi a primeira grande ‘campanha de alarme’ tocada no exterior, anunciando que a democracia portuguesa estava em perigo”. Com o país na rota da esquerda, a direita amotina-se, incendiando sedes do PCP sob a sotaina do cónego Melo, um padreca bombista, que lutava contra “os inimigos da Pátria”, os comunistas, coadjuvado pelo MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal), cujos operacionais escondera num seminário de Braga. Era o Verão Quente de 1975.
Mário Soares declarava, politicamente: “o PS não tem armas e não tem a vocação de formar milícias armadas”. Verdadeiramente: “no dia 25 de novembro de 1975, o então tenente-coronel Ramalho Eanes mandou entregar aos elementos de ligação no PS um lote de 150 espingardas automáticas G3, para o que desse e viesse. Edmundo Pedro, um dos dirigentes socialistas ligado ao setor da ‘segurança’, recebeu nesse dia, ‘de Manuel Alegre, a indicação para ir ao Centro de Instrução de Artilharia Antiaérea e de Costa, a Cascais, receber as 150 G3’. A entrega foi discretamente feita pelos militares pouco depois da meia-noite e Edmundo recebeu instruções de um dos oficiais que lhe entregaram as G3 para não revelar ‘a quem quer que fosse a origem das armas’ e para ‘apagar o número identificador gravado nas espingardas metralhadoras’”, no jornal O Diabo, nº 1880. Edmundo transporta-as para a sede nacional do PS em Lisboa: “tinha muita gente à minha espera. A maioria dos que ali se encontravam tinha sido avisada pela rede partidária do setor de segurança que eu estava a chegar com a encomenda que lhes era destinada”. Mário Soares antes mexera cordelinhos: “pouco antes do 25 de novembro entrevistei-me, na Grã-Bretanha, com [James] Callaghan, a quem disse que ia produzir-se um golpe comunista e que era preciso contra-atacar. Os Nove e os que organizavam a resistência tinham medo de que não houvesse suficiente gasolina no país, nem bastantes armas. Callaghan enviou-me um oficial do serviço de espionagem britânico, que pus em contacto com os Nove [Melo Antunes, Vasco Lourenço, Sousa e Castro, Vítor Alves, Pezarat Correia, Franco Charais, Canto e Castro, Costa Neves e Vítor Crespo]. A sua missão era estudar a maneira como nos poderia ajudar a Inglaterra nas primeiras horas, no caso de o país ficar dividido ao meio. No estudo da situação, chegou-se à conclusão de que eles nos fariam chegar armas ao norte, no caso de ser necessário”.
“Em 1975, durante um jantar na embaixada alemã em Washington, Willy Brandt procurou convencer Kissinger de que Portugal não era uma causa perdida. Um dos convivas presentes nesse jantar descreveu esta troca de informações. Kissinger começou por traçar o seu cenário pessimista, afirmando que a única forma de travar a maré comunista seria com o envio de marines. Segundo nos confidenciaram, Brandt teria retorquido: ‘Henry, por favor, deixa serem os europeus a tratar do assunto, nós saberemos lidar com ele e sairemos vitoriosos’. Irritado, Kissinger replicou que Brandt não percebia a realidade portuguesa. Portugal está perdido. Foi-nos dito que Brandt o contrariou, afirmando: ‘que mesmo que seja a última coisa que os sociais-democratas façam na Europa, fá-lo-ão: salvaremos Portugal’”, Juliet Antunes Sablosky, em “O PS e a transição para a democracia em Portugal”.
O Regimento de Comandos da Amadora de Jaime Neves, coronel promovido a antifascista, arrefeceu o verão quente. E as fuscas do PS não deram um tiro. Foram arrecadas num armazém da empresa de eletrodomésticos de Edmundo. No dia 11 de janeiro de 1978, a Guarda Fiscal intercepta na zona de Almada uma carrinha com 36 armas, Edmundo supervisionava a sua devolução aos militares, atrás, no seu carro, intrépido, responsabiliza-se pelo carregamento e é preso. “O dirigente socialista e presidente do conselho de administração da RTP Edmundo Pedro foi detido no decurso de uma operação desencadeada pela Guarda Fiscal. Fonte próxima de Edmundo Pedro disse que a prisão teve lugar às 13 horas. Sabe-se, igualmente, que a Guarda Fiscal estava há cerca de uma semana para desencadear esta operação, esperando que a Polícia Judiciária a dirigisse”. Seria um caso de contrabando de eletrodomésticos, junto com as G3 estavam alguns gira-discos, que depois se provou estarem legalizados, outra detenção fora a sobrinha, Adelaide Pedro, gerente da Tecno-Bazar, na rua Oliveira Martins, 41-C, Lisboa. No dia 12, de manhã, o Secretariado Nacional do PS conjurar-se na casa de Mário Soares no Campo Grande para o comunicado de ratos a abandonar o navio: G3? “decerto relacionadas” com tarefa “antifascista” e “antitotalitária” de Edmundo, “o Secretariado Nacional do PS, independentemente da solidariedade que, no plano pessoal, deve a Edmundo Pedro, não pode deixar de reprovar, no plano político, um comportamento de que não tinha conhecimento e a que é absolutamente alheio”. Caía Edmundo como contrabandista para não manchar outras reputações. Ramalho Eanes era presidente da República e Mário Soares primeiro-ministro.
Edmundo Pedro cumpriu “seis meses de vexatória prisão condicional” de bico calado. Manuel Alegre e Tito de Morais visitam-no. “Não tinham vindo visitar-me para me apoiarem moralmente e para me comunicarem que iriam assumir, perante o juiz, as suas próprias responsabilidades. Tinham vindo para se eximirem a elas, deixando-me mais afundado do que estava. O principal objetivo da visita era, afinal, convencer-me a não referir o nome de Manuel Alegre no processo que me estava a ser instaurado”. O seu amigo Manuel Alegre temia o cárcere: “Edmundo, espero que não fales de mim (…). Não queres que eu seja preso, pois não?”. O PS pagou advogados caros Francisco Sousa Tavares e Proença de Carvalho. “Sousa Tavares tinha acompanhado de perto a entrega das armas aos socialistas e era membro do PS”. Aconselharam-no a contar toda a história ao juiz, Edmundo não se chibou. Escreveu nas suas “Memórias, um combate pela liberdade, III volume”: “se tivessem reivindicado a legitimidade da posse das armas, esclarecendo que, tendo deixado de ser necessárias, estavam a ser por mim recolhidas para serem devolvidas às Forças Armadas, todo o desenvolvimento do processo teria sido outro”. Muitos anos depois, almoça com Ramalho Eanes no hotel Altis, descreve-lhe o seu currículo, dez anos no Tarrafal, participação no 25 de novembro, porque raio o então presidente da República lhe negara a condecoração da Ordem da Liberdade? Eanes faz-se desentendido: “peço-lhe desculpa pela decisão que então tomei. Estava mal informado. Ninguém nem no seu partido, nem no Governo, desmentiu essas versões altamente caluniosas”.
[7] “Quando vivia em Lisboa, era habitual ir no dia 13 de cada mês a Fátima com o amigo Baltazar Rebelo de Sousa, pai de Marcelo. Partiam depois do jantar e à meia-noite estavam na capela das Aparições a rezar”. Depois do 25 de abril, foi emitido um mandado de captura contra ele, refugiou-se na embaixada do Malawi, na rua dos Navegantes, na Lapa. Vinte e três dias depois, às 05:32 do dia 13 de junho de 1974, retirou a cavilha de uma granada ofensiva, “disposto aos últimos extremos”, e fugiu para Espanha. João Braga, um berrador de fado, também escapulido de Portugal e a conspirar em Espanha, recebeu um telefonema de Jardim: “yo soy el comandante Pereira y quería hablar com usted”. Marcaram no estacionamento do prédio no centro de Madrid onde vivia Braga: “parecia um mexicano. Tinha um bigodinho, o cabelo muito empastado e usava botas de tacão alto”. Seriam dois parceiros na maquinação para retroceder a rota de Portugal. “Com medo de estar a ser vigiado, Jardim entrava no rés-do-chão de João Braga em Madrid pela varanda”. “Numa noite, sentados numa das mesas de gamão de uma discoteca, Jardim contou-lhe o seu plano: pegar fogo às 318 sedes de partidos do que chamava ‘esquerda radical’, da Lourinhã até São Pedro da Torre, durante o verão quente de 1975. João Braga tornou-se operacional desse plano, mas Jardim não chegou a entrar em Portugal”, na revista Sábado, n.º 448.
“Jardim passaria os seus últimos anos no Gabão como banqueiro associado do presidente Omar Bongo. (…). O banco tinha alguns problemas de capitalização e, talvez por isso, o seu médico e amigo Carlos Graça [foi primeiro ministro de São Tomé] sentia-o angustiado. (…). Jardim estava numa reunião com o seu filho Carlos Frederico e caiu com a cabeça sobre a mesa”. Morreu. Com descendência certificada. Filha de Cinha, a sua neta Pimpinha Jardim: “quando estou grávida fico com o olfato superapurado, pareço um cão de fila lá em casa”.

na sala de cinema

Roba da ricchi” (1987), realização Sergio Corbucci, filme com três pares de hipertrofiadas glândulas mamárias all’italiana [1]: Serena Grandi, 1,70 m, 100-60-100, sapato 35, olhos cor de avelã, cabelo castanho, corpo laureado “em virtude do seu compromisso com a implementação dos ideais mais nobres e valores da vida, confere-se a nomeação de académico honoris causa a Serena Grandi[2]; Laura Antonelli 1,72 m, 58 kg, 91-58-88, sapato 38, olhos cor de avelã, cabelo castanho, corpo subestimado: “sou baixa, um pouco magra e tenho as pernas bastante curtas, quem sabe porque agrado?”. [3]; Francesca Dellera, 90-58-90, olhos castanhos, cabelos castanhos, corpo esfaimado: “às vezes acho que gostaria de dois homens, um não é suficiente[4]. Dédalo: “sob o pano de fundo de Monte Carlo desenvolvem-se três histórias diferentes. 1ª história: Attilio Carbone (Paolo Villaggio) é um empregado trapalhão de uma seguradora, que foi despedido por ter aceitado o seguro de um cão, contra os danos causados pelo animal. Encontra Dora (Serena Grandi), que o vai convencer a vender ao marido (Maurizio Micheli) um seguro de vida e depois matá-lo, dividindo ambos o dinheiro. 2ª história: o ‘commendator’ Aldo Petruzzelli (Lino Banfi) é um rico empresário que não hesita em trair a mulher Mapi (Laura Antonelli), com diferentes mulheres. Ao reunir-se com a família em Monte Carlo, descobre que a esposa perdeu a cabeça por Napoleon (Maurizio Fabbri), um músico de rua; a conselho médico (Milena Vukotic) e para vencer a depressão, aceita reunir-se com a mulher e o amante desta. 3ª história: ‘Don’ Vittorino (Renato Pozzetto) é um sacerdote que, de volta de uma viagem a Lourdes com alguns paroquianos, é retido em Monte Carlo por ser a cópia exata do homem que perturba os sonhos da princesa Topazia (Francesca Dellera). Sobre pressão do futuro marido desta, de um monsenhor (Vittorio Caprioli) e do próprio Papa João Paulo II, é obrigado a concordar em fazer-se passar pelo tal homem que aparece nos sonhos da princesa”.
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[1] E uma ainda adolescente Claudia Gerini, 1,68 m, 86-55-86, olhos verdes, cabelo castanho. Em 1985, aos 13 anos, vence o concurso de beleza Miss Teenager. Esse corpo insuflará para filmes como: “Padre e figlio” (1994); “Sono pazzo di Iris Blond” (1996); “Il gioco” (1999) c/ Susan Lynch; “Desafinado” (2001) c/ Ariadna Gil; “Non ti muovere” (2004); “Viaggio segreto” (2006); “La sconosciuta” (2006); “Una famiglia perfetta” (2012). Claudia também é cantora “Maniac” ♫ “Teorema”; e dança no varão embalada por “El tango de Roxanne” da banda sonora do filme “Moulin Rouge”, no programa de variedades da RAI 1, “Riusciranno i nostri eroi” (2013).
[2] Serena Grandi “é o nome artístico de Serena Faggioli nascida em Bolonha a 23 de março de 1958. Formada em programação de computadores, ela foi inicialmente empregada num laboratório de análise científica. Começou a sua carreira na representação em 1980 interpretando um papel secundário na comédia ‘La compagna di viaggio’ de Ferdinando Baldi. {Filme completo}. Antes tivera uma breve aparição no filme ‘Ring’ (1978) de Luigi Petrini. No mesmo ano de 80, sob nome de Vanessa Steiger, fez o papel de Maggie no controverso filme ‘Antropophagus’, realizado por Joe D’Amato. (…). Depois de vários papéis menores ganhou o papel principal em ‘Miranda’ (1985), de Tinto Brass, que lhe deu estatuto de sex symbol na sua nativa Itália e lançou-a no caminho do estrelato”. Serena noutros filmes: “Desiderando Giulia” (1985), inspirado no romance Selinità de Italo Svevo, que Mauro Bolognini traduziu numa versão mais literal no filme “Selinità” (1962) c/ Tony Franciosa e Claudia Cardinale; “La signora della notte” (1985), “Simona, uma jovem professora de aeróbica, descobre os prazeres do sexo extraconjugal, mas acaba por regressar para o marido para um final, católico, reprodutivo, para em nome do amor verdadeiro terem um filho. O único objetivo do filme é mostrar a abundante Serena Grandi a lidar com variados e fogosos amantes. Assinala-se uma masturbação com o cano de uma arma”; “The Adventures of Hercules” (1985) c/ Lou Ferrigno, o Hulk na série de TV “The Incredible Hulk” (1977-1982); “Rimini Rimini” (1987), realizado por Sergio Corbucci, várias histórias de engano e sedução entrelaçam-se em Rimini. “Ermenegildo Morelli (Paolo Villaggio) é um juiz em férias, severo defensor dos bons costumes e absolutamente contra a pornografia, é seduzido por Lola (Serena Grandi), e por ela começa a fazer loucuras. O objetivo de Lola é vingar-se dele porque no passado ele tinha-a fechado num local rígido”. Diálogo no filme - médico: “você viu um gato sem olhos, negro, encaracolado, peludo… não compreendo!”, Gildo: “doutor, o gaaato era um… um ‘acessório’… de uma mulher nua”; “L’iniziazione” (1986), da novela “Les exploits d'un jeune Don Juan” (1911) de Guillaume Apollinaire, com a estreia cinematográfica de Virginie Ledoyen aos 10 anos de idade; “L'insegnante di violoncello” (1990), “chega o verão e, para escapar ao tédio, um jovem de boas famílias decide ter aulas de violoncelo”; “Monella” (1998), realização Tinto Brass, c/ Anna Ammirati, Edith Rozanyai, Serena Grandi, Francesca Nunzi… “O filme passa-se na Itália dos anos 50, mais precisamente numa pequena cidade na fronteira com a província de Emilia Romagna e perto de Véneto, para ser exato estamos em Pomponesco, e narra a história de Lola, uma rapariga muito sexy, que está preste a casar com Masetto, padeiro ciumento, que decidiu ‘respeitá-la’, sendo a moça ainda virgem”. “Brass encontrou a sua protagonista, Anna Ammirati, quando acidentalmente chocou nela com o carro enquanto ela andava de bicicleta. Embora saísse ilesa, Anna disse na brincadeira a Tinto que a menos que ele a contratasse para seu último filme, ela denunciá-lo-ia à polícia”. Anna cantou para a banda sonora “Monella”, música Pino Donaggio, letra Tinto Brass. – O título do filme repetiu no grupo italiano de rockabilly Go-Go Monellas.
[3] “A trajetória de Laura Antonelli declina bruscamente na noite de 27 de abril de 1991, quando são encontrados na sua vivenda em Cerveteri 36 gramas de cocaína depois de uma rusga motivada por uma denúncia anónima. A atriz é presa alguns dias e colocada sob prisão domiciliária. É condenada em primeira instância a 3 anos e 6 meses de cadeia por tráfico de droga. Em 2000, após nove anos de recursos, o tribunal da relação de Roma retém a acusação de posse para uso pessoal mas não a de tráfico de droga. Laura Antonelli é absolvida de todas as acusações contra ela. (…). Durante a preparação de ‘Malizia 2000’ (1991), Laura Antonelli submeteu-se aos cuidados de um cirurgião plástico que lhe injeta colagénio na cara para esconder algumas rugas, mas o efeito, inesperado e dramático, provoca-lhe uma alergia grave que deixa sequelas mais ou menos irreversíveis. Uma ação cível opõe a atriz e o cirurgião. Depois de treze anos de litígio, o tribunal de Roma rejeita o seu pedido de danos e prejuízos e acorda que os distúrbios dermatológicos sofridos por Laura Antonelli não são devidos à injeção de substâncias, mas a uma reação alérgica chamada edema de Quincke. Por conseguinte, as acusações contra o cirurgião são arquivadas, assim como sobre o produtor e realizador processados eles também por a terem forçado a seguir o tratamento. A lentidão excessiva da justiça provocou um estado de sofrimento mental profundo em Laura Antonelli que é admitida no manicómio de Civitavecchia, o que leva os seus advogados a acusar o ministério da Justiça e a exigir uma justa reparação do Estado italiano pelo prejuízo sofrido. O desgastante processo judicial termina finalmente. O tribunal da relação de Perugia, por despacho de 23 de maio de 2006, reconhece uma compensação de 108 000 euros, correspondentes aos prejuízos sobre a sua saúde e a sua imagem”. Luchino Visconti catalogou-a “a mais bela mulher do universo”, entre 1972 e 1980 Jean-Paul Belmondo circum-navegou-a, em 1980 a Playboy italiana paginava-a. O implacável tempo retalhou-a: “hoje eu não preciso de dinheiro, vivo com pouco, leio, rezo e faço o bem”, vive com 510 euros de pensão. Laura gravou alguns anúncios da Coca-Cola para o programa de TV “Carosello” (1957-77), fotografou-se para as difundidíssimas fotonovelas, e estreia-se no cinema em pequenos papéis como em “Il magnifico cornuto” (1964) ou “Le sedicenni” (1965). Outros filmes: “Le spie vengono dal semifreddo” (1966), Franco Franchi e Ciccio Ingrassia contra ameaças ao Ocidente e aos generais da NATO; “Venere in pellicia” ou “Le malizie di Venere” (1969), o filme, uma transcrição demasiado literal da novela “A Vénus das peles” (1870) de Leopold Sacher-Masoch, foi “lançado na Alemanha em 1969 sob o título ‘Venus im Peltz’, na Itália, o filme não passou na censura por causa das cenas de sexo consideradas demasiado escabrosas. A película, despojada das cenas mais fortes, foi reintroduzida em 1973 sob o título ‘Venere nuda’, mas esta versão cortada foi proibida e a obra não foi distribuída nas salas de cinema. O filme poderá sair nos cinemas italianos, em formato altamente censurado e alterado, apenas em 1975 sob o título ‘Le malizie di Venere’ (título concebido propositadamente para aproveitar a onda de popularidade que colheu Antonelli depois do sucesso de ‘Malizia’ dois anos antes)”; “A Man Called Sledge” (1970), um western spaghetti c/ James Garner; “Incontro d’amore a Bali” (1970), “realizado por Ugo Liberatore em 1970, com o título emblemático de ‘Bali’, por insucesso comercial, foi relançado nos cinemas em 1972 com o título de ‘Incontro d’amore’ e ainda mais tarde como ‘Incontro d’amore a Bali’. O projeto inicial de 1970 manteve a estrutura geral, mas adicionou-se a sequência de abertura do filme dirigida por Paolo Heusch que, em teoria, devia ser usada para completar o enredo, mas realmente acrescentando pouco ao filme, exceto o elemento dúbio representado pela presença de algumas cenas de nudez rodadas por Ilona Staller, com o pseudónimo de Elena Mercury”; “Il merlo maschio” (1971), “situado na cidade de Verona, em particular no ambiente da Orquestra Filarmónica da Arena, conta a história do frustrado violoncelista Niccolò Vivaldi (Lando Buzzanca), bloqueado na sua carreira e negligenciado pelo seu maestro, que começou a fotografar a sua amantíssima esposa, a cantora Costanza (Laura Antonelli), em poses cada vez mais ousadas, para depois mostrar as imagens, primeiro, ao melhor amigo Cavalmoretti (Lino Toffolo), e depois aos colegas, num crescendo de exibicionismo que a levará ao nu integral (aparentemente casual) diante de toda a plateia da Arena durante a representação da Aida”; “Trappola per un lupo” (1972), de Claude Chabrol, “o dr. Paul Simay (Jean-Paul Belmondo), médico de província, sedutor inescrupuloso de mulheres feias, porque são as mais fáceis, diz ele, trai a sua feia mulher Christine Dupont (Mia Farrow), com quem casou para impulsionar a sua carreira, com a bela irmã dela, Martine (Laura Antonelli). Acabou com as pernas partidas no hospital devido a um acidente de viação, quando um médico amigo, o dr. Berthier (Daniel Ivernel), lhe diz que perdeu a virilidade, tenta o suicídio. Ajuda-o a mulher que confessa ser amante do seu amigo”; “Malizia” (1973), de Salvatore Samperi, “Acireale, final dos anos 50. O industrial têxtil Ignazio La Brocca, viúvo com três filhos para criar, encontra na empregada doméstica Angela La Barbera, contratada pela defunta esposa e que chegou no dia do funeral, a mulher ideal para casar, um perfeito anjo do lar, de maneiras modestas e mamalhuda”. Samperi falhou o mesmo sucesso comercial com uma replicação de argumento e atores em “Peccato veniale” (1974); “Sessomatto” (1973), filme de Dino Risi em vários episódios sobre sexo e perversões sexuais; “Mio Dio, come sono caduta inbasso!” (1975), “na Sicília, no início do século, Eugenia di Maqueda (Laura Antonelli) e Raimondo Corrao, marquês de Maqueda (Alberto Lionello), depois de se casarem descobrem na noite de núpcias que são irmãos, o que impossibilita a consumação do matrimónio. Por questões de herança e decoro da casa, os dois decidem não revelar a ninguém a verdade. Perante todos representam o papel de marido e mulher, mas na sua intimidade vivem em absoluta castidade como irmão e irmã. Mas as necessidades carnais da bela Eugenia, ainda virgem, são cada vez mais prementes”; “Divina creatura” (1975), “na alta sociedade de Roma nos anos 20, o duque Daniele di Bagnasco (Terence Stamp) é um dos homens mais proeminentes, brilhante e charmoso conquistador de corações femininos. Quando se arrebata pela burguesa Manuela Roderighi (Laura Antonelli), compartilhando-a e depois roubando-a ao seu ingénuo namorado Martino Ghiondelli (Michele Placido), aquela que deveria ser apenas a sua enésima aventura de curta duração, transforma-se numa paixão ardente, submetida a dura prova quando ele descobre que esta senhora frequenta habitualmente o bordel da infame sra. Fonés (Doris Duranti), e sente-se atormentado, perguntando-se se ela corresponde verdadeiramente aos seus sentimentos”; “L’innocente” (1976) de Luchino Visconti, “na Roma de Umberto I, em 1891, o aristocrata Tullio Hermil (Giancarlo Giannini) não tem escrúpulos em expor publicamente a sua relação extraconjugal com a condessa Teresa Raffo (Jennifer O’Neill). A dócil esposa Giuliana (Laura Antonelli) parece resignada a uma convivência limitada à ‘estima e respeito’ recíproco”; “Mogliamante” (1977), “no início do século XX, Luigi De Angelis (Marcello Mastroianni), rico comerciante de vinhos da província de Véneto, tem uma esgotada relação conjugal com a mulher Antonia (Laura Antonelli), que sofre de distúrbios histéricos e está acamada com calmantes e soníferos. Num período de acesa disputa política, ninguém suspeita dele como anarquista e autor (sob o pseudónimo de Ulisse) de opúsculos clandestinos incitando à revolta. Testemunha involuntária de um homicídio, Luigi acredita ser procurado e é forçado a esconder-se no sótão da casa de seu primo Vincenzo (Gastone Moschin). O desaparecimento do marido obriga Antonia a vencer a sua doença imaginária e a cuidar dos negócios da família: na charrete, começa por dar uma volta pelos clientes e, no decorrer destas visitas, não só descobre as simpatias anarco-libertárias de Luigi, mas também as suas relações extraconjugais”; “Casta e pura” (1981), “Antonio (Fernando Rey) é o marido de uma rica herdeira que, pouco antes da morte da mulher, compreendendo os riscos de ser expulso do património, convence a moribunda a pedir um voto de castidade à jovem filha Rosa, de modo a que esta não pudesse casar até à morte do pai”; Porca vacca” (1982), “Primo Baffo (Renato Pozzetto) é uma espécie de cantor de cabaré que entretém o povo com canções e sátiras durante a guerra. Faz de tudo para evitar ser recrutado para a guerra. Todavia, no final do último espetáculo, é levado à força diante do coronel para o alistamento. Primeiro finge ser homossexual para esquivar a incorporação, mas o coronel mete-o na ordem pedindo-lhe para inserir um dispositivo no reto para provar a sua homossexualidade. No dia seguinte, Primo Baffo parte para a frente, mas depois de alguns quilómetros de patrulha numa aldeia cruza-se com uma rapariga indigente chamada Marianna (Laura Antonelli) que, seduzindo-o, despe-o, e ajudada pelo cúmplice Tomo Secondo (Aldo Maccione) rouba-lhe toda a roupa e objetos pessoais”; “La venexiana” (1986), de Mauro Bolognini, “no século XVI, em Veneza, decorrem as festas. Angela (Laura Antonelli), uma bela viúva, está mal de amores. Durante um passeio de gôndola apercebe-se de um belo jovem, Jules (Jason Connery, filho de Sean Connery e da falecida atriz australiana Diane Cilento), que erra nas estreitas ruas. Ela cai no seu feitiço. Nessa noite, durante uma procissão, este belo estranho apaixona-se perdidamente por Valeria (Monica Guerritore), uma outra mulher soberba”. – Laura Antonelli tem uma sósia, Kristen Pyles i. é. Hailee Rain, 1,70 m, 52 kg, 88-60-88, sapato 37,5, olhos azuis, cabelo castanho, nascida dia 18 de março de 1991, modelo de Nova Iorque, foi Cyber Girl em março de 2011. Kristen diz: “estou apenas a divertir-me e a viajar por aí. Estou a conseguir papéis em filmes em Atlanta, eles são pequenos, mas quem sabe onde eles levarão!”. “Gosto de namoriscar, sou muito sociável e divertida. É difícil não me notar!”.
[4] Francesca Dellera nascida na província de Latina, Lazio, dia 2 de outubro de 1965, “concluído o liceu muda-se para Roma onde começa a trabalhar como modelo. A sua beleza física, nesta fase da sua carreira, aterrou-lhe a imagem nas capas de publicações nacionais e internacionais. Foi fotografada pelos maiores nomes da fotografia, incluindo Helmut Newton, Dominique Isserman, Greg Gorman, Michel Comte, André Rau, Annie Leibovitz e muitos outros”. Alguns filmes: “Grandi magazzini” (1986) ainda como Francesca Cervellera, c/ Laura Antonelli, Simonetta Stefanelli, Ornella Muti, Eva Grimaldi e a Sabrina Salerno como larápia de roupas; “Capriccio” (1987) de Tinto Brass. Francesca: “eu não tinha 20 anos ainda. ‘La Chiave’ (1983) tinha acabado de sair, um grande sucesso, e toda a gente queria o papel principal no novo filme. Eu fui escolhida numa discoteca e convocada para um teste. Sendo anarquista, não levei o assunto muito a sério e continuei a dormir. Eles ligaram-me outra vez. Eu fui sem grande entusiasmo”; “La romana” (1988), mini-série televisiva do romance de Alberto Moravia realizada por Giuseppe Patroni Griffi. Na “La romana” cinematográfica (1954) de Luigi Zampa, uma macia Gina Lollobrigida interpretava o papel de Adriana, na TV, engelhada pela velhice, contrataram-na para mãe. Francesca: “a sua hostilidade causou-me muito sofrimento. Eu era muito jovem e ingénua. Junto de mim encontrei uma pessoa altamente competitiva, nada humana ou generosa. Ainda me pergunto hoje por que concordou ela em desempenhar o papel da mãe quando era claro que ainda queria ser a filha”. “Houve uma cena em que ela, como mãe, tinha de me bater. As bofetadas que ela me deu eram reais, magoaram-me realmente. Justificou-se dizendo ‘eu uso o método da verdade’. Noutra cena ela devia atirar-me uma tesoura. Patroni Griffi deteve-a. Ele compreendeu tudo”; “La carne” (1991) de Marco Ferreri que lhe chamou “a mais bela pele do cinema italiano”. Francesca sobre Ferreri: “a nossa foi uma imediata compreensão entre dois anarquistas. Ferreri era um homem livre, um cosmopolita como eu. Acho que o defeito de certos realizadores italianos é ficarem fechados dentro dos seus limites. Não procurarem novos desafios”. “Marco Ferreri baseou esse filme em mim, ele vinha a minha casa com a argumentista para inspiração. ‘Só tu podes fazer este papel’, costumava ele dizer”; “L’orso di peluche” (1994) c/ Alain Delon e Francesca como a roliça Dj Holly.

no aparelho de televisão

Passerelle” (terça-feira 4 de outubro de 1988 / sexta-feira 17 de março 1989) na RTP1, original de Ana Zanatti e Rosa Lobato Faria, 120 episódios, segundo elas, para “mostrar as coisas bonitas de Portugal, não só na moda como também na culinária e no turismo”, c/ Carmen Dolores, Manuela Maria, Maria David, Filipe Ferrer, Armando Cortez, Alexandre de Sousa, Carlos Daniel, Guida Maria, Lídia Franco, Manuela Carlos, Helena Isabel, Margarida Carpinteiro, Virgílio Castelo, Vítor de Sousa, Luísa Barbosa, Natalina José, Rosa do Canto, Fernando Mendes, participação especial Florbela Queiroz, Júlio César, Ana Padrão, Isabel Gaivão, Julie Sergeant, Filomena Gonçalves, Paula Cruz, Paulo Trindade, Ana Bola, Cláudia Cadima, Dulce Guimarães, Inês Vaquinhas, João de Carvalho. Telenovela “descrita pelas autoras como ‘a história de duas irmãs que seguem caminhos diferentes’, Passerelle mostra-nos o agregado familiar de Luís Cardoso (Filipe Ferrer), casado com Maria do Carmo (Carmen Dolores), uma mulher submissa e acomodada que vive para as lides domésticas. O casal tem dois filhos: Gil (Paulo Trindade), estudante de Arquitectura, e Catarina (Ana Padrão), cujo sonho é ser modelo. (…). Outra família central é a de André Guimarães (Alexandre de Sousa), dono de uma fábrica de confeções. André enviuvou muito cedo e a sua filha Rosarinho (Julie Sergeant) foi criada com a ajuda da governanta Amélia (Manuela Maria). Esta não resiste aos galanteios do contabilista da fábrica, o senhor Teixeira (Armando Cortez), a quem considera ‘um homem muito fino’. Rosarinho namora com Gil, mas o romance fica atribulado com a chegada da prima Céu (Helena Isabel), cujo principal passatempo é semear intrigas no seio da família”. Curiosidades Passerelle: “na trama, Célia e Lurdes eram rececionistas do consultório do professor Senna Rocha, médico de Maria do Carmo. O jornal Se7e publicou um artigo sobre estas personagens, entrevistando duas rececionistas reais, que as classificaram de ‘ridículas’, por lerem fotonovelas e bisbilhotarem a vida particular dos clientes. (…). A menina Ritinha foi vivida por Inês Vaquinhas, sobrinha de Guida Maria (sua mãe na novela). A pequena intérprete confessou à revista Maria não gostar de Nuno Teixeira, o realizador. Porquê? ‘Porque é um chato. Obriga-me a decorar muita coisa e não me deixa tossir’. (…). Também a criada Luzia despertou algum sentimento de antipatia do público. Embora não fosse uma vilã, Luzia desejava tudo o que Rosarinho tinha, desde as roupas ao namorado, Gil. Isabel Gaivão, a sua intérprete, chegou mesmo a ser ameaçada na rua!”. Mário Castrim desfilou-se: “a imagem do primeiro capítulo pareceu-me de muita qualidade, de grande transparência, utilizando em força cores básicas da TV: verde, azul e vermelho. Pessoalmente prefiro os suaves tons intermédios de que a televisão inglesa tem o segredo”. “Arroz Doce” (segundas-feiras à noite de 8 de abril / 5 de agosto de 1985), “que era para se chamar ‘Amigo público’. O estúdio era uma sala de estar e a porteira do prédio era a dona Rosa (Eunice Muñoz). Era designado pelo seu autor como ‘Talk e Humour Show’”. O programa editava um jornal, o Pau de canela: “o órgão oficial do Arroz Doce, o único semanário que o não faz chorar ao fim de semana, à sexta-feira nas bancas”. Teve o passatempo Hula-Lois, uma ressuscitação do hula hoop pela marca de jeans Lois; apontamentos humorísticos com Rufina e Baltazar, Ana Bola e Maria Vieira, os gatos que vivem no apartamento do Júlio; e números musicais como, na estreia, os Odisseia Latina com Isabel-Victoria da Motta. Ou Márcio Ivens e as Tetéias – um cantor brasileiro de estrondoso êxito nos anos 70 com “Bilú tetéia”, e cronista de duas páginas na Crónica Feminina, a revista da mulher portuguesa, publicada pela Agência Portuguesa de Revistas às quintas-feiras, custo 1$50; as Tetéias, as bailarinas, que foram dezenas, regeneravam-se consoante envelheciam ou casavam-se. “Bogi” Beatriz agora tem 80 anos, casou com o maestro Vasconcelos, Wanda Kritiscaya casou com o pianista Mário Simões…

na aparelhagem stereo

Anthony Bourdain, no seu programa enfarta-brutos de javardice culinária mundial, “No Reservations” (2012), confabulava com um aborígene: “Tozé Brito é um lendário produtor de música, compositor, músico e contador de histórias. Ainda se lembra da altura em que a expressão artística era censurada pela polícia política de Salazar”; Tozé Brito amostarda o seu profile: “pertencia a um dos grupos mais famosos daquele tempo, por causa disso, tínhamos um historial político, muitos discos foram proibidos pela polícia política, tirados das lojas… Decidi que não iam pôr-me no exército a lutar uma guerra que não era minha”; Bourdain: “o que fez?”; Tozé: “desertei. Fui-me embora. Fui para a Inglaterra e depois da revolução voltei”. Não é congénita esta versúcia para desentranhar espírito de gola alta na linha rasa da vida de cada um, arrosta de muita educação com vara e pau que bussola a barcaça de ossos pelos alísios dos altos valores adquiridos. O alcaide (Costinha): “é o que tem uma pessoa casar-se na tua idade. Na tua idade deve-se estar viúvo, pelo menos, de uma. Olha, eu estou de quatro: Rosa, Manuela, Visitação e Henriqueta Gomes, que foi a última. Todas boas raparigas. Gostavam muito de dançar e de água fresca. Todas, sem exceção, provaram muitas vezes esta vara. Na minha casa… na minha casa, coser e cantar”, na peça “A sapateira prodigiosa” (1968), de Frederico García Lorca, tradução Carlos Wallenstein, encenação Varela Silva, música García Lorca, c/ Amália Rodrigues; um DVD que a berradeira de Lisboa via incontáveis vezes, recorda o guitarrista Mário Pacheco: “ela achava aquilo muito ternurento”.
O declínio instrutivo advertiu-o Camilo Castelo Branco: “já não há pais que saibam criar as filhas com pão e pau…”, e mesmo já não havendo pais, as filhas, floridíssimas, água benta e alecrim, propugnam. Os Funkylicious: “Rigth To Be Wrong” E “Superwoman” (2010) c/ Catarina Feio, segunda filha de António Feio, a primeira, Bárbara, desenha moda. Alimentada pelo pai a montante Powered by Seat a jusante a cantora de alma Áurea: “porque eu quando era pequenina não, não gostava nada do nome, porque não havia ninguém com, com, com o nome de Áurea, e portanto nós quando somos pequeninos gostamos de ter mais alguém, gostamos de ser acompanhados em tudo o que fazemos e não conhecia nenhuma Áurea em Silves. Então queria mudar o nome pró da minha melhor amiga, pronto. Que era Sónia”. Planos de vida: “eu queria fazer nascer bebés, que era o que eu dizia, queria ser parteira. O meu pai gostava que eu fosse advogada, na altura, e eu queria seguir Psicologia. Acabei por entrar em Linguística, em Lisboa, e não gostei, não me identifiquei com o curso, de todo, e alterei pra teatro”. A vida acontece: “foi um, um amigo, um grande amigo meu, o Rui Ribeiro, que estudava música na mesma universidade e então ouviu-me cantar… ele ouviu-me cantar na brincadeira e então aquilo chamou-lhe à atenção e ele pensou: ‘fogo! tenho que que ouvir isto melhor’. Foi-me ouvindo mais vezes…”.
As filhas já não se educam com pão. A neo-fadista Carminho: “o meu primeiro cachê foi uma piscina da Barbie” – vídeo “A Bia da Mouraria”, realização João Botelho. E o pau amoleceu-se em alegorias, Ana Free: “foi simplesmente um projeto que achei, que achei interessante que, eu normalmente, não, não me enfio em coisa que não, da qual não gosto, não é? é uma regra minha, mas eu gostei mesmo do projeto”. Projeto: “Summer Love” com a dupla brasileira Claus e Vanessa. “Claus Fetter e Vanessa Marques conheceram-se há doze anos nos bares de Porto Alegre. Influenciados por ídolos da infância e adolescência que vão de Elis Regina a John Mayer, resolveram apostar na música em 2001. ‘Conheci a Nessa dando uma palhinha em um bar de Poa. Quando a ouvi cantando falei, ela tem que cantar comigo’, afirmou Claus. ‘Fazíamos vários formatos de shows no circuito de bares e baladas, que chegavam a ser até nove por semana. Numa casa noturna de praia eram cinco mil pessoas vindo abaixo. Alguns leigos achavam que havia uma banda por trás da gente tamanha a animação do público’, lembra Vanessa”.
No ocaso da educação paterna irroga-se o poente da língua materna. O cómodo degrau da escrita carunchou na guerra dos trinta anos, numa batalha de letras, uma zargunchada brigada por peritos da lusitana glote, perdida! amaro Acordo Ortográfico, com os doídos cortes nas letras, caladas, mudas, mortas, da vivedoura língua de Portugal. Os sabidos, e uma moura encantada em Belém também, alcantilaram-se, aprumados de razão, confundidos entre signo e significado, sarapatel, onde não há uniformização ortográfica praticável quando, a boca de um português, mesmo nos coros, pronuncia: “moça eu não tenho pressa p’ra te conquistar / o braço da viola vai-me consolar até você abrir de vez o seu coração”, “Amor de violeiro”, da dupla luso-brasileira Marcelo e Alex.
Aldemenos, a linguagem do amor ilibou-se deste desentendimento. Camilo one more time: “e as mulheres mais bonitas de Portugal. Se o senhor visse as camponesas da Maia, as padeiras de Valongo e Avintes, as lavadeiras de S. Cosme e Fânzeres, as varinas de Espinho e Ovar! Não leu em Virey que as mulheres mais lindas que ele vira nas suas viagens foram as de Guimarães?”. Ó filhas da nação! Ó mães de Portugal! medi-vos, pesai-vos, fotografai-vos, empreendei vós mulheres de espavento, no site Apartado X ponde-vos na posição missionária de faular amor honesto e imaculado nos homens. Que, legitimadas diante de Deus e do civil, os seios aflantes, o averdugado ventre, as frescuras íntimas, serão açacalados em núpcias no Motel Dunas: Dj Mia Ferrero ft. Canuco Zumby: “esta noite eu quero sexooooo / eu quero muito sexooooo”, Mia: “qual é a tua? hummm, fica, fica, ai tão bom (risos)”.
E dia e noite nos anos 80:
Teresa Maiuko nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, “em 1985 estreou-se como cantora nos Trópico, conjunto de baile que não deixou rasto. Depois prosseguiu como cantora de bares. No Xafarix conhece Luís Filipe, o autor e produtor do seu primeiro single, ‘Under Cover Lover’. O seu segundo single, editado em Novembro de 1986, é ‘Do You Wanna Spend The Night’. Enceta uma digressão por Portugal e pelo estrangeiro. Participa no Festival da OTI de 1987 com ‘Não me tirem este mar’, música de Carlos Mendes, letra de José Jorge Letria, arranjos do maestro José Calvário. Em 1988 grava para a MBP o seu primeiro álbum que foi um fiasco comercial”. Em 1991 troca Lisboa por Londres: “fui estudar arte moda mas também tinha a ver com música”; e ainda canta “Break Down the Walls” ♫ Diva, 1985, “três elementos dos Odisseia Latina decidem formar uma nova banda com o objetivo de participar no II Concurso de Música Moderna do Rock Rendez Vous. Para vocalista escolheram Tucha que era presença assídua nos ensaios do grupo. Acabam por não participar no concurso do RRV mas conseguem arranjar contrato com a Metro-Som, editora mais ligada ao folclore e à música popular mas que tinha sido a responsável pelas primeiras edições de nomes como UHF, Jafumega e Aqui d'El Rock. O grupo estreia o estúdio ‘Metrópolis’ de Manuel Cardoso onde estiveram duas semanas e meia. Em Novembro de 1985 é editado o primeiro single com os temas ‘Chuva’ (lado A) e ‘Saudade e Raiva’ (lado B). Devido a um erro gráfico lamentável os temas aparecem indicados como ‘Saudade’ e ‘Raiva’. O grupo era constituído por Natália ‘Tucha’ Casanova (voz), Pedro Solaris (guitarra), João Vitorino (bateria), Diamante (baixo) e João Marques (teclas)”. Conheceram Ricardo Camacho num espetáculo das Manobras de Maio, que lhes produzirá o álbum “Ecos de Outono” (1990). No programa de Marco Paulo, “Eu tenho dois amores” (1994-95), os Diva apresentaram “Mariana”. – Marco Paulo não avelhenta, em abril de 2010 esgueira-se de surpresa no programa Curto Circuito da SIC Radical: “querem saber uma coisa? uma novidade, é eu ser espetador e assistente em minha casa deste programa, do Curto Circuito”. Ele é um galã, um ladies killer, o mais macho português, despe-o com o intelecto Lili Caneças: “é uma pessoa que transmite uma imagem de alegria, de bem estar e boa disposição”, e é um beijoqueiro experiente do corpo feminino, quando afinfou a cantora brasileira Joana no seu programa, murmurava: “hum que doçura, hum que coisa tão boa”. Na entrevista a Natália Casanova, a rebelde alça do vestido preto cai, Marco repõe-a no sensual ombro, enquanto ela desfiava a biografia da banda: “eu lembro-me que o primeiro espectáculo que eu dei era num bar do Bairro Alto que já não existe, que era o Ocarina, foi antes de nós gravarmos o nosso primeiro single e que foi num espaço tão pequeno quase como este ou então mais pequeno… que eu via as pessoas mesmo à minha frente, eu ‘tava tão nervosa, tão nervosa que não me conseguia sair a voz, eu só dizia meu Deus, eu não vou conseguir cantar”. C/ Adolfo Luxúria Canibal “E o verbo criou a mulher” (1996).