Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

segunda-feira, Outubro 06, 2014

Barraca dos tiros

1983. Julho. Por duas vezes este mês, no Restelo, os guardas da PSP confrontaram inimigos. Da primeira, cantam vitória. Da segunda, o Governo cantará por eles. Terça-feira, dia 19, aos arredores do concerto do Rod Stewart [1]. “Pouco passava das 23:30, largas dezenas de jovens que não tinham conseguido entrar no Estádio do Restelo corriam a bom correr pela rua Gonçalo Velho Cabral acima, fugindo à frente de uma carrinha (AG-80-41) da PSP, que os perseguia cheia de guardas altamente excitados. Junto ao prédio n.º 17 a carrinha parou. De imediato cerca de uma dezena de polícias, chanfalhos em riste, saltou para o pavimento correndo atrás do ‘inimigo’ e desatando a bater sem olhar a quem. O primeiro que levou foi um miúdo aí de uns 12-13 anos [2]. Sem ter tempo de fazer como os outros que saltaram para o jardim da vivenda n.º 17, ficou encostado às grades, junto do passeio. Encolhido, braço direito protegendo a cabeça, gritava: «Não me batam, não me batam. O meu pai é da tropa, é coronel». Ao ritmo do chanfalho, o polícia enfurecido repetia: «Quero lá saber se o teu pai é da tropa. Seu filho da puta, vais mas é aprender a não te meteres nesta merda, nunca mais atiras pedras». O miúdo ficou no chão”. Os guardas da PSP viravam o cassetete ao contrário para que a argola de metal, no final do cabo, se entranhasse na carne, marcando, nos corpos criminosos, a assinatura trade mark do seu recém-conquistado poder como força de autoridade (que fora perdido para os militares após o golpe militar de 25 de abril de 1974).
“O polícia saltou para o jardim particular, onde já outros colegas seus batiam, como lhes aprazia, em meia dúzia de jovens que para lá tinham fugido. (…). Apenas um jovem de vinte e poucos anos gritava, indignado para os agressores: «Mas eu moro aqui ao lado, os senhores não têm o direito de me bater». E um polícia a responder: «Essa já é velha. Metes-te em alhadas e depois não queres apanhar». «Porra, já lhe disse. Isto é inadmissível, não podem fazer isto. Moro ali». «Então vai para lá e não saias». Tudo demorou escassos segundos. No jardim ficaram dois ou três jovens contorcendo-se com dores. (…). Os polícias já tinham seguido à procura de mais inimigos. No local apenas ficaram o jornalista e um dos agredidos, o mesmo que gritava que morava ali mesmo. «É verdade, moro aqui, na rua Luís Pedroso Barros, 32, 2.º. Vim à rua ver o que se passava. Veja como me agrediram. Só não sei a quem me devo dirigir e o que devo fazer para processar estes tipos». Chama-se Jerónimo Manuel Montenegro Vieira Cardoso. (…). Um subchefe da PSP fez o ponto da situação: «Essa malta toda, que anda por aí de costas ao alto, quis derrubar os gradeamentos e o arame para entrar à borla» e «o que é pior, viraram um carro, subiram a telhados das casas próximas para ver lá de cima e incomodaram as pessoas que estavam em casa e não tinham nada a ver com isto». (…). «Os tiros foram para o ar, só para assustar e para os gajos não atirarem mais pedras. A gente vê-se à rasca: eles estão no escuro, atiram sem a gente saber donde vêm os calhaus e depois fogem para o meio das outras pessoas que não têm nada a ver com o problema. São uns cobardes. Mas garanto-lhe que se eu visse um atirar pedras disparava para acertar. Prefiro ir para a prisão do que ir para o hospital». (…). Verdade se diga: as pedras voavam contra os polícias, vindas dos locais mais desencontrados. Mesmo no início do Estádio do Restelo nem queria acreditar no que via: um polícia, agachado, escondido atrás de uma barraca de farturas para se abrigar das pedras que nesse momento já não voavam, estava de pistola fora do coldre, à espreita, esperando uma aberta ou uma desatenção do ‘adversário’. De repente disparou tiros à toa, para assustar. No que foi seguido por outros colegas seus quando mais pedras surgiram de novo no ar antes de partirem vidros a numerosos automóveis que por ali estavam parados”.   
Também em julho, em Lisboa, realizou-se um concerto, mais bonançoso, povo serenado, os únicos protestos cingiram-se ao circuito olho-cérebro. Quinta-feira, 21, “um Coliseu dos Recreios a abarrotar pelas costuras recebeu o pianista Chick Corea, que terminou a sua digressão pela Europa. (…). Os mais jovens devem conhecê-lo dos Return to Forever e obras posteriores muito influenciadas pelo rock, enquanto os mais antigos lembrarão o pianista que começou com Herbie Mann e floresceu no quinteto de Miles Davis. Chick Corea mostrou parecer querer voltar aos seus tempos mais jazz, nesta sua magnífica atuação ao lado de dois monstros do jazz, o contrabaixista Miroslav Vitous e o espetacular baterista Roy Haynes, uma glória da bateria jazz. O concerto começou com o trio a rodar com perfeição, com a mão direita de Corea a definir linhas claras de melodia e swing sobre temas da tradição jazz. Ao contrabaixo, Miroslav Vitous, sólido e rítmico, levando a sério o papel de contrabaixo como alicerce rítmico. À bateria, o enorme e sempre bem disposto Roy Haynes, um espetáculo dentro do espetáculo. Deste ritmista, que pela segunda vez nos visita, pode dizer-se que é atualmente o grande acompanhador do jazz, uma espécie de Kenny Clark dos anos 80, que a atividade lúcida da música poucas vezes terá sido tão fielmente reproduzida como na sua alegria e entrega, que o seu sentido e gosto captam qualquer inflexão do solista e o catapultam”. O público, de barba rala, tez branca, muito tricot, saias compridas, apenas “protestou com justiça contra as luzes e as câmaras de televisão que prejudicavam a sua concentração e visão”.
Quarta-feira, 27. A embaixada da Turquia na av. das Descobertas, 22, ao Restelo, sofre uma tentativa de ocupação por um comando arménio, (reivindicando o reconhecimento pelos turcos do genocídio do povo arménio na Grande Guerra), frustrado o intento, refugiam-se no edifício ao lado, a casa da embaixador. “Elementos do GOE ocupavam, a partir do meio-dia, os telhados das casas vizinhas do edifício. Às 12:01 ouviu-se no interior da vivenda uma violenta explosão, provavelmente de granada ou de bazuca, que estilhaçou as janelas dos andares superiores do prédio [de que terá resultado a morte dos quatro arménios e causou ferimentos que levariam à morte da mulher do encarregado de negócios da embaixada]. (…). Ao que parece, um dos assaltantes falava português. O gabinete de crise do Governo português iniciou às 12:15 uma reunião de emergência sob a presidência do primeiro-ministro Mário Soares, para analisar o assalto à embaixada turca em Lisboa. Este gabinete é constituído pelos ministros da Administração Interna, Eduardo Pereira, Defesa, Mota Pinto, Negócios Estrangeiros, Jaime Gama e ministro de Estado Almeida Santos. (…). Cerca das 13 horas, soube-se em Lisboa que o ataque à residência do embaixador turco foi reivindicado, em Paris, para a agência France Presse, pelo Exército Revolucionário Arménio” [3].
Cronologia. 10:30 – a chegada dos assaltantes ter-se-á verificado um pouco depois desta hora, com disparos sobre os dois elementos no exterior da embaixada e ferindo um guarda da PSP; 11:00 – começaram a comparecer no local os primeiros efetivos policiais, que cercam o edifício, começa a troca de tiros entre os assaltantes e os polícias; 12:01 – dá-se uma violenta explosão no interior da embaixada, que terá originado a morte de todos os assaltantes, de um guarda da PSP que conseguira introduzir-se no edifício e que incendeia as instalações; explosão de munições no interior que suscitou resposta das forças que se encontravam no exterior; 12:15 – reunião do gabinete de crise; 12:45 – evacuação da esposa e filho do encarregado de negócios da embaixada; 13:30 – chegada às traseiras da embaixada de três Range Rover dos GOE, contendo cerca de três dezenas de elementos; 13:38 – assalto a partir da entrada principal, para onde entretanto tinham seguido os GOE; 13:40 – início da operação de limpeza no interior do edifício da embaixada, com rajadas e granadas de fumo; 14:05 – os GOE chegam ao terraço mais elevado do edifício; 14:15 – os elementos que cercam as traseiras do edifício continuam convencidos que os assaltantes se teriam refugiado na cave; 14:22 – detetados os corpos de cinco pessoas carbonizadas no primeiro andar da embaixada; 14:25 – instala-se a convicção de que não há mais resistência, por eliminação de todos os elementos do comando; 14:52 – os elementos do GOE iniciam a retirada, com a maior parte do efetivo policial que comparecera no local; 15: 02 – entrada dos comandos policiais no edifício; 15:31 – os bombeiros podem finalmente começar a apagar os focos de incêndio que restam no primeiro andar, de onde eram retirados os corpos carbonizados” [4].
Na portaria do Diário de Notícias foi deixada uma carta de instruções intitulada “À polícia”. “A. Não aceitaremos qualquer forma de intervenção da polícia. Exigimos que nas próximas 48 horas a polícia se coíba do seguinte: 1. Desdobramento de forças da polícia ou do exército visando entrar na área de operações. 2. Utilização de escadas de salvação, acessos por telhados ou caves para penetrar na zona de operações. 3. Estacionamento de atiradores especiais nos telhados dos edifícios circundantes. 4. Organização de grupos de assalto. Uma ação deste tipo redundará sem dúvida em baixas entre a polícia e os reféns. 5. Utilização de munições de expulsão de poeiras, tendo em vista obscurecer a visão. 6. Uso de técnicas de desorientação, como sejam, holofotes, projetores, ruídos. 7. Utilização de helicópteros. B. Se em qualquer circunstância as condições acima não forem respeitadas, temos explosivos suficientes para fazer saltar todo o edifício, morrendo com os reféns. C. Lançaremos para o exterior uma amostra do explosivo que temos em nosso poder. D. Lembramos de novo, que o menor gesto de interferência não só porá em perigo a vida dos reféns como também a segurança de toda a vizinhança. E. Recusamo-nos a comunicar com a polícia, porque não somos criminosos. Somos revolucionários. O nosso objetivo é a defesa dos legítimos direitos do povo arménio. F. No que respeita a posteriores desenvolvimentos e explicações sobre as causas que nos impeliram a ocupar o edifício, a opinião pública mundial será mantida informada pelos nossos camaradas presentes fora do perímetro da embaixada ou através de comunicados emitidos no estrangeiro”.
Estes “acontecimentos acabariam por representar um desafio à capacidade de resposta da polícia portuguesa, com a estreia, no terreno, do Grupo de Operações Especiais. Uma atuação que afinal se concretizaria quando a embaixada da Turquia já não passava de uma casa de mortos”.
Balanço. 7 mortos e 3 feridos. Manuel Francisco Pacheco, guarda da PSP, que compareceu no local após o alarme, bom conhecedor do edifício por ali fazer frequentes serviços gratificados [baleado antes da explosão. O Governo emitiu um louvor póstumo pela “coragem e abnegação com que assumiu o cumprimento do seu dever”]; Cahide Mihcioglu, de 38 anos, mulher do encarregado de negócios, que faleceu a caminho do hospital; Vatchi Navar Tagihlian, de 19 anos, elemento do comando, morto no início do assalto, à entrada. Alugou um carro com uma carta de condução internacional passada no Líbano; Simon Khacher Yahnniyon, de 21 anos, também do comando, que entrou com passaporte n.º 273624 emitido em Beirute e carta de condução internacional também de Beirute, com o n.º 67178: Sarkis Abrahamion, de 21 anos, solteiro, passaporte libanês n.º 307153; Strak Onnik Ajamian, de 19 anos; Abra Hovsel Karvikian, de 20 anos. Os feridos. Yutsev Mihcioglu, encarregado de negócios da embaixada, que teve alta e compareceu no local por volta das 16:30; o filho de 17 anos do encarregado de negócios que terá ficado internado; Abílio Ferreira Pereira, guarda da PSP, de 23 anos, atingido com três tiros no princípio do ataque, na sequência de uma rajada disparada por um dos comandos. Também ficou internado. As três viaturas alugadas. EU-21-60, Ford Escort, creme, abandonada em Algés; NE-74-63, Ford Escort, vermelho, alugado na Inter-Rent do Estoril, que o comando estacionou sobre o passeio em frente da embaixada; CM-01-21, Ford Escort, branco, alugado na agência Netil, em Lisboa, que foi estacionado no interior da embaixada.
A explosão dos comunicados. A Juventude Centrista de Viana do Castelo reclamava “autoridade e firmeza”. O atentado “constitui mais um alerta a quem de direito para que se tomem as medidas necessárias e eficientes para pôr cobro aos assassínios cometidos por mercenários que escolhem para seu campo de luta um Portugal irreconhecível em que os próprios governantes ousam pôr em discussão a integridade e a independência nacional”. O Conselho de Ministros, na sua função politizadora, maquilha um fiasco numa vitória: “Os terroristas não terem logrado o seu objetivo de ocupação do edifício da embaixada turca e sequestro de grande número de reféns, com os consequentes reflexos na opinião pública universal. Esse facto obrigou-os a alterar o seu plano inicial e a refugiarem-se na residência do encarregado de negócios da embaixada da Turquia. Esta conclusão é retirável do facto de os terroristas serem portadores de alimentos para vários dias”. E elogia “a rapidez e a eficácia da reação das forças policiais, designadamente do Grupo de Operações Especiais (GOE), bem como a perfeita coordenação entre estas forças e o centro de crise criado precisamente para enfrentar situações de emergência”. “O Exército Revolucionário Arménio afirmou em comunicado que os seus elementos se ‘sacrificaram no altar da liberdade’. Num comunicado do ministério turco dos Negócios Estrangeiros entende que ‘os terroristas arménios serão queimados pelos fogos que eles próprios ateiam, como no caso de Lisboa’” [5].
Sexta-feira, 29. David Niven “faleceu na sua casa de Château d’Oex, na Suiça, para onde se mudara há poucos dias, da sua habitual residência de Saint-Jean-Cap-Ferrat, na Côte d’Azur. Niven, de 73 anos, sujeitara-se, na primavera passada, a tratamento numa clínica de Londres, devido a uma doença nervosa pouco comum que atrofia os músculos [esclerose lateral amiotrófica], tendo regressado a casa em 14 de março. (…). Niven fez honra nos seus últimos momentos à imagem do homem simpático e brincalhão, típica do humor inglês. ‘O seu último gesto foi levantar o dedo polegar em sinal de que tudo ia bem’ – disse um familiar”. Órfão de guerra, o seu pai morreu durante a Primeira Guerra Mundial, em Gallipolli, Niven “andou de escola em escola e até roubava nas lojas, mas foi aceite no colégio militar Sandhurst, onde desenvolveu o charme e as maneiras corteses que iriam servi-lo bem. Numa comissão de serviço, em 1930, é colocado em Malta, mas rapidamente enfastia-se com a vida militar. A gota de água ocorreu durante uma aborrecida palestra dada por um general que o impedia de se encontrar com uma mulher para jantar. No fim da palestra o general perguntou se havia alguma pergunta. ‘Poderia dizer-me as horas, sir?’ perguntou Niven. ‘Tenho de apanhar um comboio’. Colocado sob prisão por insubordinação, Niven partilhou uma garrafa de whisky com o oficial de guarda e, em seguida, fugiu por uma janela e foi para a América, renunciando à sua comissão por telegrama durante a travessia do Atlântico. Durante o ano seguinte, meteu mão em numerosas ocupações, incluindo vendedor de whisky, promotor de rodeios e limpador de espingardas, antes de decidir tentar Hollywood. (…). Niven saboreou Hollywood e o acesso a belas mulheres que lhe proporcionava. Rapidamente tornou-se amigo íntimo de Errol Flynn, dois mulherengos crónicos, até partilhando uma casa que chamavam ‘Cirrose-à-beira-mar’. A amizade terminou somente depois de Flynn, que admitiu ter dormido com ‘qualquer coisa que se mova’, se atirou a Niven”.
Nesse mesmo dia, Luis Buñuel morria na cidade do México. “Buñuel, considerado pelos especialistas um dos dez melhores realizadores da história do cinema, morreu às 14:15 locais (23:15 em Lisboa) no Hospital Inglês da cidade do México. O cineasta dera entrada no hospital no dia 21 do corrente mês, com uma insuficiência hepática, renal e cardíaca. O seu médico pessoal, Teodoro Casarmal, declarou que a sua morte se deveu a uma paragem cardíaca. Mas até ao último momento e apesar dos seus muitos males, Luís Buñuel ‘permaneceu lúcido e de muito bom humor’ o que é francamente extraordinário. Luís Buñuel, cineasta e crítico cinematográfico, nasceu em Calanda (Aragão), em 22 de fevereiro de 1900. Filho de uma família burguesa, efetuaria os seus primeiros estudos num colégio religioso e depois nos jesuítas de Saragoça. Posteriormente, entra na Universidade de Madrid onde estuda engenharia, curso que suspenderia para se virar para a filosofia, em 1924”. Emigra para o México em 1946. “Três anos mais tarde adquire a nacionalidade mexicana. Dirige, então, aqueles que ficariam como os seus piores filmes de sempre, casos de “Los olvidados” (1950), “La hija del engaño” (1951) e “Ensayo de un crimen” (1955). Mas ‘Los olvidados’ alcança, em 1951, o prémio de realização do Festival de Cannes, a sua grande consagração mundial”.
No mês de julho, o que é nacional é do mesmo, ou seja, contas para pagar. “A dívida externa portuguesa ronda neste momento os 14 milhões de dólares o que equivale, ao câmbio de 120 escudos / dólar, a mil e 638 milhões de contos. Dividida por todos os cidadãos portugueses temos que em meados de 1983 cada português deve ao estrangeiro 164 contos. E como apenas parte da população está integrada no circuito produtivo, pode avançar-se, também que cada trabalhador ativo tem sobre os ombros o fardo de 364 contos de dívida externa”.
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[1] Rod Stewart, vindo de Madrid, desembarca no aeroporto da Portela por volta das 16:30, para um concerto no estádio do Belenenses, num palco que demorou cerca de 9 dias a ser montado, 99 mil watts de som e 264 mil watts de luz. Preço dos bilhetes: venda antecipada 1000$00, no dia 1100$00, com os Táxi na primeira parte. “Recorde-se, entretanto, para os mais esquecidos, que Rod Stewart esteve já uma vez no nosso país em novembro de 78, para aqui assistir ao jogo entre as seleções de futebol da Escócia e de Portugal” (Portugal derrotou por 1-0 a poderosa seleção escocesa).
[2] Os jovens do século XX, danavam-se na ociosidade, não usufruíam ainda de um líder visionário, Cavaco Silva: “Precisamos de convencer mais jovens (...) que esta pode ser uma atividade rentável e que em lugar de irem para o estrangeiro para tentarem encontrar um emprego, podem, eventualmente, beneficiando dos apoios que agora serão reforçados (...), fazer uma experiência na agricultura” (março 2014). “Ai, ai, ai, o canto da serra / Ai, ó linda até quando será / Ai, ai, ai, o canto da terra / Ai, ó linda o tempo dirá”, Roberto Leal: “Canto da terra”. (Cavaco Silva, pelo seu horário oportunístico, pipia de meias altas Economia, de botas altas mia Presidência, cala (fundo) fala (profundo) ao coração de melão do povo que se derrete num excesso de gratidão. Cavaco Silva, o mais sexy presidente no verbo, na memória de seu povo imprimirá como o de boa imagem, aquele que vale um pixel no seu retrato oficial, para alcantilar garbo no museu da presidência, com retouching de “Body Evolution – Model Before and After”, ou das pinturas famosas photoshopadas para parecerem top models).
[3] “Nome adotado pelos Comandos de Justiça do Genocídio Arménio a partir de julho de 1983, na sequência de dissenções internas que quase paralisaram as suas atividades. É possível que o ERA tenha aceitado nos seus quadros alguns elementos do ASALA-Revolutionary Mouvement, a ala radical do ASALA”, em “Ação direta”, John Andrade.
[4] Top 10 das situações com reféns na História moderna. A crise dos reféns do Irão. Patty Hearst. A crise dos reféns do teatro de Moscovo. Roy Hallums. O Air France 8969. A crise dos reféns da escola de Beslan. O resort de Dos Palmas. A crise dos reféns da embaixada japonesa. O tiroteio na escola amish. Íngrid Betancourt.
[5] O governo turco apenas admite “lamentáveis abusos” na morte de dois milhões de arménios durante a deportação para Alep, na Síria, entre maio e agosto de 1915.
[6] Em Portugal sempre se cavalgou dívida, na Holanda, país rico, cavalga-se um Sybian. No vídeo “Go To Go” (2014) da girl band holandesa ADAM, composta pelas ex-alunas de teatro musical Loulou Hameleers, Suzanne Kipping e Sanne Den Besten, e pelas cantoras Anna Speller e Eva Cleven. “A música é descrita como pop, funky, dança e macho. No que respeita ao som e carisma, ADAM é um cruzamento entre as Pussy Riot e as Spice Girls. Em suma, bem vestidas com uma mensagem”. Entrevista sobre a filmagem desta excitação clitoridiana, Suzanne: “Pensámos que ia ser muito dificil, porque conversámos muito sobre isso antes de fazermos o vídeo. Não houve nenhum ensaio prévio de todo, nós somente pensámos: vamos viver o momento e ver o que acontece. Estávamos realmente nervosas quando começámos. Mas quando fomos para frente da câmara, uma de cada vez, e fizemo-lo, não foi nada dificil, foi muito divertido. Pode nos ver a rir porque foi apenas um momento engraçado. No final, eu não estava nervosa fazendo-o”. Anna: “Requer muita concentração, a sua voz espalha-se, assim, você tem de se focar na voz, bem como nas outras coisas que estão a acontecer no seu corpo”. Sanne: “Perto do fim, eu não tinha mais a concentração para cantar, havia também pessoas a assistir, o que foi muito estranho”. Suzanne: “Foi inspirado pela série viral de vídeos de arte Hysterical Literature. Houve um vídeo recente onde tinham mulheres a ler a sua obra literária favorita enquanto tinham um orgasmo. Essa foi a nossa principal fonte de inspiração” ▬ “Hit me Again” versão trash metal ♪ “Weten dat je het waard bent”, versão de “7 Seconds”, p/ Youssou N'Dour ft. Neneh Cherry.

na sala de cinema

Lifeforce” (1985), real. Tobe Hooper, estreia sexta-feira, 29 de agosto de 1986 nos cinemas Éden, Gemini e Alfa 3. Enredo manifesto: “uma raça de vampiros espaciais chega a Londres e infeta a populaça”. C/ Steve Railsback, Peter Firth, Frank Finlay, Mathilda May, 1,78 m, 91-63-88, sapatos 41, olhos e cabelos castanhos, nascida a 8 de fevereiro de 1965 em Paris, e Christopher Jagger, irmão de Mick “Brenda” Jagger, interpreta o papel do primeiro vampiro. Disse o técnico de efeitos especiais de maquilhagem Nick Maley: “‘Lifeforce’, indubitavelmente, tem os efeitos de criaturas mais complexos de qualquer filme que eu fiz. Em muitos casos planeei as sequências e noutros dirigi a Segunda Unidade de animatrónica. Na época, estávamos a fazer tecnologia de ponta. Grandes multidões com maquilhagem protética zombie, transformações, bonecos animatrónicos, este filme tinha de tudo. Infelizmente, alguns dos meus bonecos fizeram melhores representações que alguns dos atores”. Enredo latente: “‘Lifeforce’ pode vir a ser considerado um filme de ficção científica notável, precisamente porque é tão implacavelmente nada sentimental e mordaz. Este filme mostra uma sensibilidade tão ímpar, tão pouco familiar, que pode revelar-se um dos mais subtilmente originais filmes da década de 80… O filme tem algo para ofender quase toda a gente mas oferece muito para uma análise séria”, em Brooks Landon, “The New Encyclopedia of Science Fiction, 1988”. “Invaders from Mars” (1986), real. Tobe Hooper, estreia sexta-feira, 28 de abril de 1989 no Quarteto sala 4, c/ Karen Black (falecida em 2013), Hunter Carson, Timothy Bottoms, Larraine Newman. “Na noite de uma chuva de meteoritos, o jovem David Gardner vê uma nave espacial alienígena numa área de extração de areia nas traseiras da sua casa. Este é o início de uma invasão extraterrestre que vê os pais de David (George e Ellen Gardner), os seus professores e os habitantes da cidade serem, lentamente, absorvidos pelas formas de vida alienígena, e regressando depois com menos emoções. A única que acredita em David é a enfermeira da escola, Linda Magnuson”. Remake do filme de William Cameron Menzies, “Invaders from Mars” (1953); Jimmy Hunt, o original jovem David Gardner, interpretará o papel de chefe da polícia, ou a escola chamar-se-á Menzies Elementary School, na versão de Hooper. “The Hidden” (1987), real. Jack Sholder – vencedor do prémio para melhor realizador no Fantasporto de 1988 – estreou sexta-feira, 25 de novembro de 1988 no Nimas e no Amoreiras sala 6. Enredo: “criaturas de outro mundo, capazes de entrar livremente num corpo humano ou animal, usam-no como recipiente enquanto precisam”: cena do stripclub, (canção, “Bad Girl”, p/ Mendy Lee). C/ Kyle MacLachlan, Michael Nouri, Claudia Christian (vestiu-se para a Playboy americana de outubro 1999). “Claudia Christian (Brenda, a stripper) gosta de contar duas histórias sobre a sua experiência neste filme. Primeiro, é o design do seu vestuário: os produtores acharam os seus seios visualmente inadequados e então desenharam os seus trajes para enfatizar as nádegas em seu lugar. Segundo, a sua lesão no olho: o material explosivo de uma arma de adereço arranhou-lhe dolorosamente a córnea. Por causa disso, sempre que tinha de disparar uma arma de adereço na série de TV ‘Babylon 5’ (1994-1998), ela, instintivamente, virava a cara sempre que carregava no gatilho, mesmo que isso fosse desnecessário, porque as armas de adereço de ‘Babylon 5’ não disparavam realmente fogo, visto que todos os efeitos especiais eram adicionados mais tarde”. “Gotcha” (1985), real. Jeff Kanew, estreia sexta-feira, 16 de maio de 1986 no Alfa 2 e no S. Jorge 2. “Jonathan Moore, estudante universitário da UCLA, está a jogar um jogo chamado ‘gotcha’ (popular nos campus universitários em meados dos anos 80 como ‘assassin’ ou ‘tag’), em que aos jogadores é atribuído um alvo simulado noutro jogador para uso de uma inofensiva pistola de paintball. Moore e o seu colega de quarto Manolo vão de férias para Paris. Após visitaram parte da cidade, num café, Moore encontra Sasha Banicek, uma cachopa checoslovaca. Eventualmente, Jonathan tem relações sexuais com Sasha, perdendo ele a virgindade[1]. C/ Anthony Edwards, Linda Fiorentino, 1,71 m, 67 kg, 70-62-77, sapatos 38 ½, olhos castanhos, cabelo preto. Nascida a 9 de março de 1960 na Filadélfia para pródiga filmografia: “Beyond the Law” (1992), “The Last Seduction” (1995), Jade” (1995).
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[1] A tecnologia de ponta no século XXI reconfigurou o sexo exilando o homem nas funções de motorista do jaguar, pagante do leopardo no guarda-roupa, e o leão é o Hitachi. Sally Charles, 1,74 m, 50 kg, 86-58-86, olhos cor de avelã, cabelos castanhos, nascida em Sydney, Austrália, a 9 de junho de 1993. Entrevista: primeiro emprego? “Comecei como assistente de farmácia quando tinha 13 anos”. Partes favoritas do teu corpo? “Os meus lábios e a crica”. Sex toy favorito? “O Hitachi”. Tens animais de estimação? “Um adorável gato chamado Snowball”. Atriz com provas dadas em: “XXX at Work” (2011), “The Initiation of Anissa Kate” (2012), “Soft Touch” (2012), “Two Lovers” (2012), “Freshening up” (2013). – Giselle Leon t.c.c. Lexi Brooks, 1,60 m, 52 kg, 83-60-91, sapatos 38, olhos azuis, cabelo castanho, nascida a 9 de dezembro de 1991 em Los Angeles. Sex toy favorito? “Hitachi”. Bebida favorita? “Vodka”. Posição favorita? “Todas”. Excitadores? “Pichotas grandes, rostos atraentes”. Engolir ou cuspir? “Engolir, claro”. O seu currículo impõe-se por si próprio: “Sorry Daddy, Whitezilla Broke My Little Pussy!!! 7”, “A Wet Dream on Elm Street” (2011), “Farm Girls Gone Bad” (2011), “Gym Rats Orgy” (2011), “Guilty Pleasures” (2012), “It’s So Big” (2013). Lexi Brooks entrevistada e em seguida de joelhos para chupar galo”.
Só o desvio sexual é vaga esperança de o homem regressar ao papel de leão, (um dos animais que a mulher gostaria de ter. Efetivamente, tem um panda na garagem, um coelho no guarda-roupa e uma lontra na cama). “Nymph()maniac” (2013), real. Lars von Trier. Onze cenas do trailer: “1. O caos reina em cuecas. Uma jovem (que parece a Joe interpretada pela Stacy Martin a) masturba-se prostrada numa mesa com as cuecas à volta dos joelhos. Claro, há uma raposa (embalsamada?) numa ponta da mesa a tocar a perna dela com uma pata. (…). 2. O colo do papá. Uma jovem Joe totalmente nua senta-se no colo de um senhor mais velho. 3. Lesbianismo. Bom, é claro. Realmente não se pode fazer um peça sexual sem ele nos dias que correm, certo? 4. Palmadas. Uma Joe mais velha (Charlotte Gainsbourg) grita antes de ser espancada sado-masoquistamente por Jamie Bell. ‘Não é assim que funciona’, diz ele parecendo irritado. ‘A maioria das pessoas não grita até eu lhes bater’. (…). 5. Cuspir ou engolir? Portanto, a jovem Joe vai numa demanda de… identidade e despertar sexual, experimentando tudo o que está no manual como um meio para ser… aventureira? Isto é onde Lars é bastante brilhante. E então, e se ela for? É um direito seu, não? Joe entra num comboio e faz uma mamada no que parece ser um desconhecido e tenta engolir, seguido de um sorriso orgulhoso (…). 6. Rapariga por cima. Oh, pensando melhor, isto é muito brando. Pelo menos, segundo os padrões de Lars. 7. Mais lesbianismo. Joe ainda tem um gostinho pelo safismo quando é mais velha. O mais provável é ela ser simplesmente uma viciada sexual dando igualdade de oportunidades a ambos os sexos. (…). 8. Forçado a ver. Uma cena do trailer indica claramente uma imagem perturbadora: Joe a ser fodida, com a cara de um outro homem-mistério a ser segurada e forçado a assistir b). (…). 9. ‘A cama da fornicação’. Está bem, não é uma cena per se, mas a melhor fala no trailer é facilmente Uma Thurman a perguntar a Stacy Martin ‘Estaria certo se eu mostrasse às crianças a cama da fornicação?’. (…). 10. Completo no fellatio. Von Tier disse antes que todos os atores representariam as… suas próprias cenas de ação. Isso já foi desmascarado. Evidentemente, atores porno irão dobrar os atores em todas as cenas de sexo explícito no filme (que, sim, provavelmente, mostrará penetração). Mas, se Charlotte Gainsbourg está a abocanhar algo falso aqui, é mesmo muito credível (…). 11. Convalescença porno? Sim, há toneladas de Não Seguro Para o Trabalho e cenas pornográficas no trailer, todavia, a menos explicita – mas talvez a mais provocante e retorcida – é uma cena a preto e branco de Joe. Ela está no hospital e… a ficar húmida. A sua paixão visivelmente escorre pela perna abaixo, enquanto a câmara foca para revelar o rosto enfaixado do personagem de Christian Slater inconsciente numa cama de hospital. Bónus extra. A pachacha. Uma foto do filme aqui seria demasiado, mas não é difícil detetar um grande plano completo de uma vagina na montagem super rápida da abertura”.   
O filme “Nymphomaniac” foi lançado em dois volumes. Brian Viner: “Graças a Deus que não há um volume três. Esse foi o meu primeiro pensamento, depois de ter assistido numa única cansativa sessão, aos volumes um e dois da intransigentemente explícita, implacavelmente não erótica, representação da dependência de sexo, do argumentista e realizador dinamarquês Lars von Tier”. Na Roménia, “Nymphomaniac II” foi declarado “impróprio para exibição pública, uma decisão que o distribuidor diz ser única na Europa”. O filme foi classificado IM-18XXX, proibido a menores de 18 anos, para não projeção pública.
a) Stacy Martin, 1,70 m, 54 kg, 79-58-84, sapatos 38 ½, olhos verdes, cabelos castanhos, atriz franco-inglesa, nascida a 1 de janeiro de 1991, em Paris: “O Lars deu-me muita liberdade. Ele realmente não disse ‘Faz isto, faz aquilo’. A única verdadeira indicação que me deu foi ‘Tens que me dar um mau broche, Stacy’”. Num pénis protésico. “O único componente do filme de que Martin tinha queixas era sobre a estranheza dos pénis protésicos nas cenas de broche: ‘Era tão duro como isto’, diz, batendo na mesa em frente dela. E eles diziam tipo: Que gloss queres? É ótimo’, diz ela sarcasticamente”.
b) Em Portugal, na margem sul e Lisboa, assistir custa 50 € e participar 100 €, c/ a Diana (cu de melancia) e o Pedro - Olá, somos um casal jovem heterossexual, ambos bonitos e fisicamente elegantes. Ele 30 anos e ela 20. Adoramos sexo, aventuras, novas experiências e estamos disponíveis a realizar as tuas fantasias. Temos ao teu dispor as seguintes fantasias: Fazemos sexo durante 1 hora, só contigo a assistir ou casais. Aqui não envolve participação de outros, apenas ficam a ver e podem dizer o que querem que façamos na altura. Ela oferece um strip e masturbação com objetos incluído nessa hora. Nesta fantasia vale tudo, anal, oral, engolir, bater, rasgar roupa. A outra fantasia é sexo a 3, com a participação de outro homem ou mais homens sempre com o meu namorado a ver ou participar. Vale tudo, anal, dupla penetração anal, vaginal e ambas, oral, podem bater, puxar cabelos, chamar nomes, tratar-me mal, sou a tua puta na cama. Fazemos deslocações a motéis ou a tua casa e poderemos ver na nossa =) Só Margem sul e Lisboa. Contudo, cada fantasia tem um preço: Assistir 50e Participar 100e Duração 1 hora ambos. Pretendemos sigilo, higiene e preservativo =).
Este casal, serial entrepreneur (anal, dupla penetração anal, vaginal e ambas, etc.), abandonou o investimento não produtivo (órgãos genitais para fazer xixi) pelo money for value. “No sofá”. “Ninfomaníaca Portugal”: “aah”, “aah”, “aah, fogo, não, por favor, para seu cabrão”. “Hotel anal”: “para, cabrão, aah, aah, para, cabrão de merda”, “para, cabrão, porra, qu’abrasa, aaaah, aaaaah”, “sai, cabrão, aaah”. “Vício anal: “aah”, “aah”, “aah, hum”, “aah, não posso”, “eu não quero”. Pedro: “não queres não”. Diana: “Para!”, “fogo! ‘tas-me a magoar, aaa-mor”, “sai, sai, sai, sai, aaaaah, meu Deus!”.

no aparelho de televisão

China Beach” (1988-1991), série americana transmitida aos sábados, cerca das 22:40 na RTP 1, de 13 de maio / 1 de julho de 1989. “A série retratava questões familiares de comédias negras de guerra como ‘M*A*S*H’ e alegorias revisionistas como ‘Apocalypse Now’. O enredo explorou a corrupção ou inépcia das autoridades militares; a incapacidade dos soldados para funcionar em interação ‘normal’; a necessária postura da equipa médica de ironia corrosiva; ou a súbita restrição da guerra na amizade ou romance”. A sua promoção em Portugal: “três jovens mulheres: uma enfermeira do exército, uma voluntária da Cruz Vermelha e uma cantora. Todas elas vieram até China Beach por motivos vários. Porém China Beach não é uma colónia de férias; trata-se de China Beach, em Da Nag, no Vietname, em 1967. A guerra do Vietname estava no seu auge e as três mulheres estava no epicentro dessa guerra”. Encontro no chuveiro. C/ Dana Delany, 1,70 m, 62 kg, 94-64-89, sapatos 38 ½, olhos castanhos, cabelos castanho escuro. Ela foi Lisa Emerson no filme “Exit to Eden” (1994), c/ a clássica cena onde senta o seu desnudo rabiosque nas costas de Paul Mercurio: “Agora vou deixar-te sentir o que gostarias muito de ver”; e Marg Helgenberger, 1,67 m, 54 kg, 81-63-83, sapatos 37, olhos azuis, cabelo ruivo. Ela foi a detetive Rose Ekberg no telefilme “Frame by Frame / Conundrum” (1996), c/ a clássica cena de sexo em peúgas brancas findando com rugas na testa. “Châteauvallon” (1985), o Dallas à la française, série franco-helvética-britânico-ítalo-luxemburguesa transmitida às sextas-feiras, cerca das 13:30 na RTP 1 de 16 de dezembro de 1988 / 9 junho de 1989. “Nas margens do Loire, em Châteauvallon, vive a rica e poderosa família Berg. Na Commanderie, a sua propriedade, celebra-se o duplo aniversário do patriarca, Antonin e do seu jornal La Dépéche républicaine. A festa marca também o regresso de Florence, a filha pródiga, que o pai gostaria de ver tomar o leme. No dia seguinte, encontram o cadáver do jornalista Paul Bossis. Este último investigava a duvidosa transação imobiliária de Sablons. André Travers, igualmente jornalista e amigo de Paul, decide realizar a sua própria investigação. Segredos, mentiras e traições não tardam em surgir. Paralelamente, o clã dos Kovalic, imigrantes jugoslavos liderados por Gregor e Albertas, tenta impor-se na cidade e aspira destronar os Berg, com quem têm um penoso litígio”. C/ Chantal Nobel, Raymond Pellegrin, Luc Merenda, Georges Marchal, Jean Davy, Barbara Cupisti, Denis Savignat, Pierre Hatet, Philippe Rouleau, Claude Olivier Rudolph, Ugo Pagliai, Muriel Montossé… “Highway to Heaven” (1984-1989), em português, o popularíssimo “Um anjo na terra”, transmitida às quintas-feiras, cerca das 13:30 na RTP 1 de 13 de abril de 1989 / 1 de março de 1990. “Jonathan Smith é um anjo em período probatório enviado de volta à Terra para ajudar as pessoas. No primeiro episódio, ele conhece o amargurado ex-polícia Mark Gordon, o irmão de Leslie (Mary McCusker), assistente no lar de terceira idade Heavencrest. Jonathan, na sua primeira missão, ajuda, tanto os velhos a comprarem o terreno do lar, assim como a Leslie a desinibir-se, curtir a vida e a alindar-se para o amor. Mark toma consciência da sua solidão e diz a Jonathan que ‘quer ajudá-lo a ajudar pessoas’. Os dois começam a viajar pelo país como trabalhadores itinerantes, recebendo tarefas do Chefe (uma entidade invisível com a qual apenas Jonathan consegue comunicar mormente olhando para cima), sendo a missão trazer amor, compreensão e humildade às pessoas que encontram. Os episódios típicos ressaltavam a moral, temas cristãos, embora muitos lidassem com fraquezas humanas comuns, como egoísmo, rancor e cobiça, outros abordaram tópicos como o racismo e o cancro. Alguns episódios, contudo, foram gravados principalmente para galhofa (tal como Landon a recriar o seu famoso papel principal no seu filme de 1957 ‘I Was a Teenage Werewolf’”. – O ator Paul Walker, que foi para os anjinhos num acidente de viação a 30 de novembro de 2013, participou em vários episódios: “Birds of a Feather” (1985) e “A Special Love” (1986).

na aparelhagem stereo

Ed, acho que não nos devemos ver mais”, após engolir – responde Cathy (Nicole MacKay), apanhada na cama com Jack (Alejandro Rae), à pergunta do namorado, (na mente, dele), Ed Waxman (Brendan Fehr): “Cathy, diz alguma coisa?”, no filme “The Long Weekend” (2005), em português “Sempre a bombar” [1]. Este quadro, banal, doméstico, quotidiano, enfeita a questão fulcral das sociedades com canais televisivos noticiosos 24 horas / dia: que fazer com a boca quando o cérebro funciona sobre input de informação e tempo para a processar? No segmento televisivo “Single Best Chart” a locutora americana da Bloomberg, Scarlet Fu, expõe um tema: As bandas de heavy metal como um indicador global de riqueza e diz: discutam. Não diz: ide informar-vos, ide para a universidade e aprendei, ide estudar. Não. Ela diz: discutam [2]. E, ato reflexo, as bocas desbragam-se em vazias sandices, trabalho não produtivo de um órgão escravizado pela premência de dizer, algo, seja o que for, não acrescentando valor algum ao produto final, quando, numa sociedade prudente, o ato de sucção executado por Cathy no Jack, otimizar-lhe-ia a rentabilidade.  
Uma História. “O heavy metal nasceu oficialmente uma sexta-feira 13. O 13 de fevereiro de 1970, mais exatamente. Nesse dia, a Vertigo, etiqueta experimental da casa Philips, edita um álbum de um grupo inglês de Birmingham, cujo cantor teve uma estadia na prisão antes de trabalhar num matadouro, e cujo guitarrista amputou duas falanges da mão direita quando tirava um estágio em metalurgia. O seu nome, Black Sabbath, é o título da virtuosíssima canção que encerra os seus concertos, mas igualmente o título de um filme de terror italiano de 1963 onde o diabólico Boris Karloff introduz a angélica Michèle Mercier. (…). Para medir o impacto que teve este primeiro Sabbath no seu tempo, recordemos que a aura satânica do grupo foi suficientemente credível por certas ligas puritanas para conduzir à anulação da sua primeira tournée nos Estados Unidos, o país tentando, na altura, esquecer os assassinatos rituais cometidos pela família Manson. Assim nascerá um género musical diferente dos outros, que alguns entendem fazer hoje uma corrente criada a partir do nada, o fruto letal de uma geração espontânea de músicos vindos de algures. Tal como Ian Christe que, no seu manifesto ‘Sound of the Beast’, escreve: ‘Black Sabbath surgiu no mundo musical como o monólito de ‘2001: odisseia no espaço’. Na verdade, o pavio dos cânones do género foi acendido muito antes que Osbourne & companhia completassem a puberdade. Há algum tempo que músicos ingleses e americanos se desafiavam no decibel… Quando, em setembro de 1966, Jimi Hendrix desembarca em Londres, ele tem na sua bagagem o equivalente a uma arma atómica: a sua guitarra. Sob a sua influência, a sintaxe dos blues, que a maior parte dos guitarristas ingleses reverentemente utiliza, transforma-se numa linguagem, ao mesmo tempo virtuosa e explosiva, refletindo uma ambição mais virada para uma estética sonora mais radical. A fórmula triangular que Hendrix desenvolve com The Experience, geralmente designada como power trio, simultaneamente, um outro guitarrista, herdeiro da tradição dos blues eletrificados, refina-a pelo seu lado: Eric Clapton. Cream, o grupo que acabara de fundar com o baixista Jack Bruce e o baterista Ginger Baker, também assume como missão redefinir o espaço dos blues, permanecendo fiel ao seu espírito”, na revista “InRockKuptibles Heavy Metal” (2012).
A primeira revista. “No final de 1979, quando a revista ‘Sounds’ edita um fascículo de doze páginas a preto e branco chamado ‘Kerrang!’ sobre a renovação do metal na Inglaterra, a edição esgota-se em poucos dias. Embora a ideia inicial fosse não fazer mais que um número, terá um, dois depois três especiais, antes que ‘Kerrang!’ se torne na primeira revista de heavy metal do mundo a 6 de junho de 1981”, ibidem.
Uma divisão: o speed metal. “Aparecido no final dos anos 70 através de grupos como Motörhead e Judas Priest, o speed é um termo presentemente pouco usado, englobado no vocábulo mais genérico que é o trash. Como o heavy empurrado para os seus últimos redutos, mas menos pesado nos seus climas que o trash, e menos centrado no baixo também, o speed permite a eclosão do duplo bombo, como na introdução de ‘Overkill’ dos Motörhead. (…). O título emblemático do speed metal é certamente ‘Fast as a Shark’ dos Accept, saído em 1982. O seu início fez ranger muitos dentes. A falsa pista da sua introdução folclórica, (o polémico ‘Heidi, heide, heida’, também chamado ‘Ein Heller und ein Batzen’, canção cantada frequentemente pelas tropas alemães que ocupavam a Europa na Segunda Guerra Mundial), cede lugar aos gritos de Udo Dirkschneider e ao bombo duplo a 140 bpm de Stefan Kaufmann que leva tudo à sua passagem. A famosa introdução, de 1830, uma canção de copos, do outro lado do Reno, é entendida como um canto nazi em França e na Polónia, porque ela ilustra documentários sobre a Segunda Guerra Mundial”, ibidem.
Outra divisão: o trash metal. O (um) álbum que solta o refugo: “Pleasure To Kill” (1986), dos alemães Kreator. O vocalista e guitarrista Mille Petrozza: “Quando fizemos o nosso primeiro álbum, (‘Endless Pain’, 1985), não pensámos que faríamos um segundo, ou um terceiro ou até um quarto. Era tudo uma grande aventura, naquele tempo. Tivemos uma porrada de estúpidas experiências com drogas. No auge dos anos 80, você tem que imaginar, nós estávamos nesta banda e em 89 tínhamos todos tipo 21 anos, muito novos, e tudo à nossa volta era só álcool e drogas. Lembro-me que fizemos uma tournée pelos Estados Unidos e gastámos tanto dinheiro em cocaína que, quando regressámos a casa, não tínhamos ganhado nada. A única coisa que me fez pensar foi, se você quer fazer dinheiro disto para viver, mas gasta-o todo em drogas, você não vai fazer dinheiro nenhum. (…). Eu estava a usar (drogas) quando era realmente muito novo. Parei quando tinha apenas 25 anos, porque pessoas que eram muito talentosas, não tiveram o poder para subsistir, e então, simplesmente desapareceram, ou começaram a feder ou mesmo morreram”, na revista Terrorizer n.º 224 (2012).
No outro canto do ringue está o guitarrista mais lento do mundo: dos Earth. “É um conjunto musical sedeado em Seattle, Washington, formado em 1989 e liderado pelo guitarrista Dylan Carlson. A música dos Earth é quase toda instrumental, e pode ser dividida em duas etapas diferentes. O seu trabalho inicial é caraterizado pela distorção, droning, minimalismo e morosas e repetitivas estruturas musicais. A produção posterior da banda reduz a distorção, incorporando elementos do country, jazz rock e folk. Os Earth são reconhecidos como pioneiros do drone doom, com o álbum ‘Earth 2: Special Low Frequency Version’ (1993), considerado como um marco no género. Dylan Carlson fundou a banda em 1989, juntamente com Slim Moon e Greg Babior, tirando o nome Earth, da designação original dos Black Sabbath. Carlson manteve-se o núcleo da banda ao longo das suas mudanças. Fora do círculo da música underground, Carlson é talvez mais conhecido por ter sido amigo chegado do ícone do grunge Kurt Cobain, assim como a pessoa que comprou a arma que, mais tarde, Cobain usou para se suicidar” ▬ “Extra-Capsular Extraction” (1996), c/ voz de Cobain em “A Bureaucratic Desire for Revenge, Part 2” ♪ “Hex; Or Printing in the Infernal Method” (2005).
E outra divisão: o doom metal. O álbum que solta a condenação: “Epicus Doomicus Metallicus” (1986), dos suecos Candlemass. O baixista Leif Edling: “‘Estudei economia e, ou você continua para se tornar um banqueiro ou trabalhar para uma companhia de seguros – eu não estava interessado em nada nisso’, ele ri, recordando que a falta de orientação vocacional na altura, significou que ele tropeçou em economia, enquanto fazia figas para que a sua banda Nemesis fosse notada. ‘Nemesis era praticamente tudo o que eu queria fazer, mas era inédito para uma banda de metal obter um contrato discográfico, naquele tempo era impossível. Eu, certamente, não queria trabalhar num banco, então continuamos com a banda. Inconscientemente, era perseguir aquele sonho sem realmente saber que sonho era – éramos uns teimosos do caralho e nada mais era tão importante! Graças a Deus a banda arrancou’. Formando os Candlemass após o fim dos Nemesis, a pretensão de Leif, no princípio, era lançar um álbum. Agora, rebobinando os anos desde a sua primeira obra, ‘Epicus Doomicus Metallicus’ de 1986, ele sente-se afortunado pelas hipóteses que tiveram. ‘A banda estava quase no fim depois desse primeiro álbum’, recorda ele. ‘Epicus… não vendeu tão bem quanto isso e fomos dispensados pela editora. Mas tivemos sorte de conseguir um novo contrato. Nós simplesmente trabalhámos e trabalhámos nos anos 80’. (…). Quando somos novos podemos acordar de manhã um pouco ressacados. Tomamos o pequeno-almoço e desaparece. Agora, quando você acorda depois de uma noitada, não consegue aguentar-se das canetas o dia todo! É como se precisasses de uma ambulância! Nós tocamos os concertos, sentamo-nos, tomamos um copo de vinho e conversamos, e então vamos para a cama, assim, é um pouco diferente’” [5], na revista Terrorizer n.º 224 (2012).
“O mundo do metal, não estando impermeável às mudanças e evoluções sociais, Rob Halford, dos Judas Priest, acabou por sair do armário na MTV em 1998, quando cantava o já muito trashEat Me Alive’, enquanto que Keith Caputo, vocalista dos Life of Agony, tornou-se Mina Caputo, o primeiro metaleiro transexual”, na revista “InRockKuptibles Heavy Metal” (2012).
Lusas vocações pátria máscula:
GNR, “o Grupo Novo Rock constitui-se oficialmente em setembro de 1980. Os elementos do grupo eram Toli César Machado (bateria), Alexandre Soares (guitarra) e Vítor Rua (guitarra). Pouco tempo depois entra para a banda o baixista Mano Zé que já tinha tocado com Rui Veloso. O primeiro single, com os temas ‘Portugal na CEE’ e ‘Espelho meu’, é editado em março de 1981. O single é um grande sucesso vendendo mais de 15 000 exemplares. Mano Zé abandona, Miguel Megre entra para o seu lugar e mais tarde iria também ocupar-se das teclas. Ainda em 1981, o grupo lança o single ‘Sê um GNR’ que acaba por vender mais do que o primeiro. Em setembro entra para a banda o vocalista Rui Reininho. O primeiro LP, ‘Independança’, é editado em 1982. O disco foi um êxito em termos de crítica, mas é um fracasso em termos de vendas. O disco inclui outro grande sucesso, ‘Hardcore (1º Escalão)’” [3] ▬ no Brasil, em 1989, no programa de Fausto Silva, “Perdidos na Noite”: “Dá fundo / Nova gente”. Heróis do Mar, “em março de 1981, os Heróis do Mar nascem das cinzas dos Corpo Diplomático, com Rui Pregal da Cunha (voz), Paulo Pedro Gonçalves (gui­tarra), Pedro Ayres Magalhães (baixo), Carlos Maria Trindade (teclas) e António José de Almeida (bateria). Más-línguas criticam a atitude estética (organizada) do grupo, bradando que haveria cabeças pensantes de extrema-direita por detrás da banda. O tempo provou que não passavam, de facto, de más-línguas... Em agosto dá-se a edição do single de estreia dos Heróis do Mar, ‘Saudade / Brava dança dos heróis’. Em 18 de novembro é editado pela Polygram o álbum homónimo, produzido por António Pinho. É um disco revolucionário que levanta desconforto nalguma crítica pelas referências nacionalistas, expostas gráfica e tematicamente. As fardas e as bandeiras que o grupo afirma ser um modo de sacudir ‘poltronas instituídas pelo poder’, pretendendo encontrar novas formas de contestar, geram amores e ódios. Há quem os rotule como fascistas ou neonazis. A presença de Pedro Ayres Magalhães no movimento de extrema-direita AXO conduz a alguns equívocos” [4] ▬ em 1987, “A noiva” no Voxmania, na av. frei Miguel Contreiras, n.º 52 A, (que depois chamar-se-á cinema King Triplex). Manifesto, “grupo de Ança, Coimbra, que participou no Festival Só Rock. Os Manifesto eram formados por José Tovim, Chico Parreiral, Jotta e Aurélio Malva. Foram uma das apostas da editora Rotação. O primeiro single incluía os temas ‘Aos domingos vou à bola’ e ‘Você é um homem livre’. Lançaram depois o singleNuclear (à beira mar)’. (…). Tovim e Malva fazem parte da Brigada Vítor Jara”. Lucretia Divina, “nascidos em 1990 em Viseu, os Lucretia Divina foram um projeto de Fernando Alagoa, Rini Luyks (posteriormente Boris Ex-Machina) e do já falecido José Valor (ex-Bastardos do Cardeal, ex-Centro de Pesquisas Ruído Branco, ex-Major Alvega). Tiveram bastante exposição mediática no ano de 1991 por força das suas prestações nos Concursos de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa e Aqui d’El Rock da RTP (que venceram). O seu mais emblemático tema foi ‘Maria’, mas ‘Romagem de Traineiras’ e ‘Cartel de Sevilha’ também se foram destacando”. Guarda Branca, “grupo de Santarém que lançou o single ‘Boneca’ (1983). No início foram conotados com a onda futurista. O projeto era formado por quatro amigos de infância, com idades entre 21 e 23 anos, Luís Martins, voz e guitarra, Fernando da Silva, bateria, Rui Mendonça, baixo, e Petit Fernand, teclas. Pedro Vasconcelos foi o produtor do único trabalho discográfico do grupo e a capa do disco, bem bonita por sinal, tinha uma fotografia da autoria de Manuela Paraíso, conhecida jornalista de revistas como a Música & Som e mais tarde directora do jornal LP e que hoje está mais ligada à divulgação da música erudita em Portugal”. Manifesta-se, numa entrevista ao Diário de Lisboa, esta nova banda funky: “‘Boneca’ é uma música atual identificada com os tempos que correm. Com a juventude que encara o mundo de forma otimista, sem pretensões intelectualóides”. “A vida, hoje em dia, é cheia de ritmo e as pessoas não podem ficar paradas. Precisam de se enquadrar nas situações”. “‘Boneca’ funciona como prospeção para que o público sinta a nossa existência. Aliás, neste mesmo disco, do lado B existe a versão instrumental de ‘Boneca’ para que as pessoas possam apreciar devidamente os músicos que somos e o conteúdo técnico”. “Muitas bandas portuguesas têm tendência para universalizar a música. Imitar o que se faz noutros países. Por exemplo, nós pensamos que o nosso folclore é muito rico e, quando fazemos rap, não estamos a imitar os estrangeiros. O rap é uma forma de expressão que ainda se utiliza no folclore algarvio”. “Queremos uma música dançável conjugada, com expressões musicais bastante arrojadas que, já havíamos utilizado em ‘Dança’, [“há um ano resolveram gravar uma maqueta com este tema. Vieram até Lisboa e procuraram uma editora. Gravado um máxi-single, houve dificuldades de lançamento. Entretanto, resolveram abdicar de ‘Dança’ e construir outro tema, a ‘Boneca’”], como percussões esquisitas, que vão desde bater no chão, a adufes ou caminhos. Só que para fazermos este tipo de trabalho precisamos primeiro da aceitação deste single pelo público”. O funky a onda seguinte ao rock português? “O rock português não morreu, foi esquecido. Continuam a haver bandas a tocarem rock. Acontece que houve uma altura em que tudo foi editado. As pessoas cansaram-se. As editoras deixaram de gravar essas músicas”. Existe preocupação no visual? “Não, ele é habitual. Se as pessoas pensarem que temos algo de bizarro, é assim que vamos para a escola. É assim que nos vestimos habitualmente. Não é um esforço promocional”. Bit, “são cinco músicos instrumentistas. Na arte dos sons, dizem estar a sua forte inclinação, entre o funky e o rock. Talvez, música de fusão. Com idades compreendidas entre os 25 e 28 anos, quatro deles pertencem a bandas com nome já conhecido do nosso panorâmico musical. Naná Sousa Dias, nos saxofones e teclas, Paleka na bateria e Manuel Paulo, nas teclas pertencem ao grupo de apoio de Rui Veloso. Francisco Neves, no baixo, integra a formação de Lena D’Água, e Luís Stoffel, o guitarrista, trabalha na TAP. Os Bit nasceram no verão de 83, Naná, Manuel Paulo e Stoffel compõem os temas, os arranjos ‘são limados por todo o pessoal’. Todos eles tocam habitualmente jazz, mas não têm a ‘preocupação de tocar um estilo. O que interessa é o tratamento dos temas originais utilizando os sintetizadores. Preocupamo-nos com um som moderno. Aquele que hoje se usa no baixo, no sintetizador, na guitarra, diferente dos sons de uma banda de jazz’. (…). Têm um projeto instrumental. As vozes femininas de Guta Moura Guedes e Teresa Vilela, que os acompanham ao vivo, ‘são utilizadas mais como um instrumento’. O álbum é composto por nove temas. ‘Fun’, ‘Keep Cool’, ‘Pagliacci’, ‘Bolina’, ‘Golden Lips’, ‘Take Off’, ‘Nimbus’, ‘Rua do Paraíso’ e ‘Morgana’. Os músicos explicam a razão dos temas estarem intitulados em inglês. ‘O disco vai ser editado no estrangeiro. Ainda não sabemos em que países, nem quando. Já se mostra a pessoas da EMI, mas apenas àquelas do capital, ainda tem de ser ouvido pelos editores’. Dizem ser este álbum composto de ‘música para o verão. Dançável. Com balanço. Não sabemos o que nos leva a fazer esta música. Sabemos que a gostamos de fazer. Não podemos dizer qual o conteúdo, pois não tem letra’. (…). Quanto às influências que os orientam, os Bit expressam que ‘todos tocamos jazz. Há sempre uma nota de improviso nos nossos temas. Todos atravessámos a fase do jazz / rock. Dos Weather Report, Chick Corea. Todos somos tesos. Todos gostamos do bom rock. Somos da geração do rock, crescemos com ele’. (…). Sobre a origem do nome do grupo explicam: ‘Às cinco da manhã, algures em Benfica, passou um gajo do Porto que disse: foste, tu, eu bit’. De si próprios dão a imagem de um ‘anúncio da Tuborg, sem o sapato, sem o copo e sem a garrafa. Quanto ao disco funciona como os elevadores do anúncio da Martini’”.
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[1] Em português, outros exemplos de títulos a seus pés. “21 Jump Street” (2012) = “Agentes secundários”. “This Is 40” (2012) = “Aguenta-te aos 40!”. “Just Go with it” (2011) = “Engana-me que eu gosto”. “Bridesmaids” (2011) = “A melhor despedida de solteira”. Attack the Block” (2011) = “Ets in da bairro”. “Get Him to the Greek” (2010) = “É muito rock, meu!”. Up” (2009) = “Altamente”. “Forgetting Sarah Marshall” (2008) = “Um belo par… de patins”. “Knocked Up” (2007) = “Um azar do caraças”. “Superbad” (2007) = “Super baldas”. “Shaun of the Dead” (2004) = “Zombies party – uma noite… de morte”. “White Chicks” (2004) = “Loiras à força”. “La chinoise” (1967) = “O maoísta”. “Breakfast at Tiffany’s” (1961) = “Boneca de luxo”.  
[2] “A escuridão emocional do metal, disseram alguns, refletiu os longas noites frias de inverno do norte da Europa. A fúria da música e a violência de algumas das suas letras ressoavam com o passado pagão da Escandinávia, tanto quanto esses invasores vikings e berserkers. Um comentador sugeriu que a música se relacionava, mundialmente, com altos níveis de alcoolismo. De facto, um artigo de há dez anos de Mark Ames, ‘Nação do metal: o que os javardolas noruegueses e Richard Perle têm em comum?’, sugere que o metal possa ser o id adolescente que ferve sob a fachada externamente complacente da Europa do norte. ‘A Noruega’, escreveu ele, ‘não é apenas uma sociedade absolutamente sem sentido de humor algum… mas… uma sociedade profundamente opressiva, num reconhecível, brando, solidário, piedoso, estilo social-democrata. Os metaleiros sentem o seu tédio, especulava ele, como ‘sofrimento real’. De acordo com esta lógica, o metal pode ser um produto de sociedades ricas, uma reação contracultural para os privilegiados”.
[3] “Os GNR sentiram a influência da cidade onde se movimentavam de formas díspares: uns pela vida que faziam (Alexandre Soares achava a cidade ‘vivíssima’), outros pela ausência de uma vida de entusiasmo e algum tédio: ‘Costumo dizer que ensaiávamos imenso porque não se passava nada no Porto’, afirma Toli César Machado. ‘O Porto pouca coisa tinha em termos de discotecas’, continua. ‘Tinha a que nós íamos mais, o Griffon’s. Era a discoteca da altura, a que passava música mais moderna. Encontrávamo-nos todos nos concertos, a maior parte no Pavilhão Infante Sagres e no Pavilhão Académico. Pouca coisa mais havia’. ‘Havia três ou quatro espaços para nos encontrarmos à noite para dançar’, relembra Vítor Rua. ‘Lembro-me que o Batô passava boa música: punk, new-wave. De resto trabalhávamos muito: muitos ensaios (quase diários). Não era uma cidade alegre e aberta. Eu não entrava nas discotecas porque usava o cabelo azul e vermelho’, conclui. (…). A forma como surge a hipótese de gravar e editar o primeiro single também não terá sido menos peculiar. Vítor Rua: ‘Tinha saído uma notícia no Tal & Qual, do jornalista Luís Vitta, a dizer ‘vejam bem: existe um grupo no Porto chamado de GNR’. Dias depois, vou a um concerto dos Gang of Four, vestido com uma t-shirt que dizia GNR escrito com sangue. Fui abordado por uma pessoa que me perguntou se eu era dos GNR. Disse – estranhado por alguém nos conhecer – que sim. Foi então que o Chico Vasconcelos [Francisco Vasconcelos, A&R da Valentim de Carvalho] se apresentou, dizendo que era da Valentim e queria que fôssemos a Lisboa para gravar. Foi fácil’”, na revista Blitz.
[4] Não havia equívocos. Paulo Borges, Pedro Ayres Magalhães e António Albuquerque Emiliano rebocavam proselitismo do AXO, na Faculdade de Letras, em 1981, para barbear a decadência democrática com lâminas imperiais. O primeiro comunicado dos Arautos do Quinto Império chamado, “O Mito Renasce – A raça está Viva!”, terça por nós: “1. O sistema democrático-populista e o preconceito do valor das multidões esgotam as possibilidades de aproveitamento total das capacidades superiores da Raça Humana. A luta Axista devastará o reino das trevas! 2. O predomínio ditatorial dos valores decadentes e niveladores duma moral de rebanhos arrasta o indivíduo para o infindável abismo da doença. 3. A asfixia dos impulsos apaixonados, a calúnia do vigor e da energia, o culto do meio-termo e da inércia, a falta de ousadia, são as infames amarras que estrangulam as formas mais elevadas da Criação. A nossa juventude não pode tolerar semelhante podridão e atrofia cultural. - O SANGUE JOVEM É CHAMADO ÀS LINHAS DA FRENTE. - Os nossos avós conciliaram, os nossos pais demitiram-se, - NÓS ATUAMOS”. Outros axistas além dos citados: António José Maia, Edgar Pêra, José Alexandre Conefrey, Pedro Bidarra e Vasco Soares. Sede do grupo: rua Ernesto da Silva, 30, em Benfica.
[5] Os velhos, essas algálias, negativa spillover, são trapaceados pelos políticos, pelos ladrões e pela miúda gira na discoteca, porque sucumbem à fisiologia. “Dois estudos recentes publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences – desenvolvidos pela psicóloga Shelley E. Taylor e pela sua equipa da Universidade da Califórnia – descobriram a causa que faz com que as pessoas mais idosas sejam mais propensas a ser alvo de burlas e fraudes do que as outras. Os resultados demonstram que o cérebro dos adultos mais velhos não percebe tão bem os sinais suspeitos de desonestidade como o dos mais novos. Um primeiro estudo mostrou que o cérebro dos idosos não identifica sinais de falsidade no rosto das pessoas e o segundo estudo – que recorreu à ressonância magnética funcional – descobriu que uma região cerebral chamada ínsula anterior (associada às reações de repulsa, mais concretamente à capacidade de distinguir as pessoas sinceras daquelas que são desonestas) não se ativava nas pessoas mais velhas”, em Domingo, revista do Correio da Manhã 11 / 05 / 2014. 

sábado, Setembro 06, 2014

O FMI desce na Portela

1983. Lisboa, cidade malparecida, mal borrada nuns montes de terra, nos seus arcos enfeitados pouco poisaram as estrelas de escritores, artistas, poetas. William Beckford: “Nunca vi tão detestáveis subidas e descidas, tão escarpadas vertentes e íngremes ladeiras como aqui em Lisboa”. Amadeo de Souza-Cardoso: “Cidade anémica, onanista”. Roger Vailland: “Em Lisboa e pela primeira vez travara encontro com um povo que se tinha desinteressado”. Stefan Zweig: “Agradável deceção… o esplendor dentro da miséria e a miséria dentro do esplendor”. E, o sortudo, que nunca a visitou, Charles Baudelaire: “A cidade é à beira mar; diz-se que é construída em mármore e o povo odeia os vegetais a um ponto tal que arranca as árvores” [1]. Todavia, há anjos debruçados nos telhados das vielas, em Lisboa, são aqueles obrigados a visitá-la, os economistas e técnicos do FMI. Julho, segunda-feira, dia 18, “uma delegação do Fundo Monetário Internacional inicia hoje, em Lisboa, contactos com as autoridades portuguesas tendentes à assinatura de um acordo stand by para a obtenção de um empréstimo de 300 milhões de dólares (cerca de 36 milhões de contos)” [2].
Julho abrira-se promissor, sábado, dia 2, na RTP 1, Veiga Simão, ministro da Indústria e Energia, alteava o custo de vida. “O ministro justificou que os aumentos agora anunciados ‘são maiores porque os combustíveis contribuem substancialmente para o Fundo de Abastecimento (que foi criado em 1974 e se destina a suportar o custo de bens essenciais ao consumo público) e o seu passivo, em fins de 1982, ascendia a 126 milhões de contos’. Acrescentou que a energia consumida em Portugal deriva em 80 % do petróleo e que a seca prolongada encarece o custo de produção de eletricidade. Em petróleo, produtos petrolíferos e energia elétrica, Portugal importou em 1982 240 milhões de contos. Veiga Simão, depois de referir que ‘a dimensão global da crise tem que ser conhecida pelo povo português’ revelou que o Governo ‘vai providenciar para que seja publicado um livro branco sobre a situação económica e financeira do país’” [3].
Terça-feira, 12 de julho, Itália. “Termina hoje o prazo concedido pelos raptores da jovem Emanuela Orlandi para a sua libertação em troca de Ali Agca, o jovem turco que, em maio de 1981, tentou assassinar o Papa João Paulo II. Emanuela, de 15 anos, filha de um funcionário da Santa Sé, foi raptada quando, em 22 de junho, esperava o autocarro que normalmente a conduzia à escola. Após quatro chamadas telefónicas para os pais da jovem Orlandi, os raptores, em contacto com a ANSA, agência de imprensa italiana, expuseram publicamente as condições para a libertação da jovem. Ali Agca, em declarações à imprensa, após ter sido ouvido pelas autoridades policiais, desmentiu categoricamente o seu envolvimento no rapto de Emanuela Orlandi, manifestando, ao mesmo tempo, a sua solidariedade para com os pais da jovem”. Emanuela Orlandi está desaparecida há 31 anos. Em maio de 2002, “o padre Gabriele Amorth, que foi nomeado por João Paulo II como chefe exorcista do Vaticano, e que afirma ter realizado milhares de exorcismos, disse que Emanuela Orlandi foi assassinada e o seu corpo descartado. ‘Este foi um crime com motivação sexual. Eram organizadas festas com um gendarme do Vaticano como ‘recrutador’ de raparigas. A rede envolvia pessoal diplomático de uma embaixada estrangeira na Santa Sé. Acredito que Emanuela acabou vítima deste círculo’, contou o padre Amorth, presidente honorário da Associação Internacional de Exorcistas, ao jornal La Stampa”.
Sexta-feira, 29, FMI exige despedimentos nas empresas públicas. “O atraso das negociações deve-se a desencontros na área das empresas públicas e nomeadamente, à exigência de cortes radicais nos créditos no setor público o que, a concretizar-se implicaria o despedimento de trabalhadores e o adiamento de muitos projetos já em curso. As negociações principiaram no dia 18, sendo a delegação do Fundo chefiada pela economista italiana Teresa Ter-Minasean, que por outras vezes já viera a Portugal para se inteirar dos dados estatísticos e informações de ordem económico-financeira fundamentais para o FMI”. (…). “Paralelamente às negociações do acordo stand by, a delegação portuguesa pretende que o Fundo desbloqueie um crédito de 100 milhões de dólares, solicitado em 1982, ao abrigo da compensatory facility, modalidade de crédito mediante a qual os países membros do FMI podem obter apoios financeiros para compensar uma queda brusca das receitas da exportação, por motivos exteriores à sua economia. Durante o ano passado, o FMI solicitou ao Governo elementos para fundamentar a queda das exportações em 1981, sempre os considerando insuficientes, pelo que não desbloqueou o empréstimo".
Quarta-feira, 10 de agosto, “FMI: a pior receita de sempre. Maior quebra dos salários reais, aceleração do desemprego, travagem no desenvolvimento nacional durante vários anos” [4]. “O ministro das Finanças Ernâni Lopes e o governador do Banco de Portugal, Jacinto Nunes, assinaram na terça-feira a Carta de Intenções, que estava a ser negociada em Lisboa desde o dia 18 de julho, e vai ser enviada ao FMI para que este organismo a aprecie de modo a assiná-la em meados de outubro”. O comunicado do ministério das Finanças justifica que os ajustamentos “deveriam ter sido progressivamente concebidos e executados desde o segundo choque petrolífero de 1979/ 80. [Governo de Sá Carneiro / ministro das Finanças Cavaco Silva; e Governo de Pinto Balsemão / ministros das Finanças Morais Leitão / e depois João Salgueiro]. Nenhum governo responsável poderia evitar a aplicação de uma política conjuntural restritiva apesar das suas consequências negativas no plano do emprego e no nível de vida dos portugueses. (…). O Governo possa realizar o objetivo principal da sua ação: reestruturar e modernizar o aparelho produtivo, isto é, descer à raiz das dificuldades, para criar as condições do progresso a que o povo português justamente aspira. Sem a estabilidade financeira que agora se procura repor, o desenvolvimento económico não passaria de uma miragem permanentemente adiada. É só em nome desse desenvolvimento que se justificam os verdadeiros sacrifícios que a situação efetivamente exige. Cabe a todos os portugueses a responsabilidade de lhes dar conteúdo útil e construtivo”.
O alegre caminho da bancarrota. “Em 1979, a balança de transações correntes estava praticamente equilibrada: o défice atingia, então, 57 milhões de dólares, equivalentes a 0,3 % do PIB. No final de 1982, o desequilíbrio cifrava-se já em 3,2 mil milhões de dólares, que representam 13,5 % do PIB. Para financiar estes défices sucessivos e crescentes, o país foi-se endividando a um ritmo insustentável. Do final de 1979 até abril de 1983, a dívida externa total quase duplicou, passando de 7,3 para 14,2 mil milhões de dólares. Deste modo, a relação entre a dívida externa e o PIB situou-se, em 1982, num nível próximo de 58%. Em 1983, os juros a pagar ao exterior atingem 1,3 mil milhões de dólares e em 1984, mesmo com a introdução de medidas corretoras, subirão, inevitavelmente, para 1,5 mil milhões de dólares” [5].
Objetivos do programa do FMI. “1. – A redução do défice da balança de transações correntes para 2 mil milhões de dólares em 1983 e cerca de 1,25 mil milhões em 1984. No final de 1982, o saldo negativo desta balança atingiu 3,2 mil milhões de dólares. 2. – A limitação do endividamento externo total a 14,6 mil milhões de dólares em 1983 e 16 mil milhões em 1984. No final de 1982, a dívida externa total atingia 13,6 mil milhões de dólares”.
Meios financeiros de apoio “1. Acesso ao mercado financeiro internacional, particularmente importante numa conjuntura como a atual, perturbada pelas repercussões da acumulação da dívida dos países em desenvolvimento. 2. Ao longo do período de vigência do acordo, o acesso a um crédito de estabilização (stand by) no total de 445 milhões de direitos de saque especiais (equivalentes a cerca de 480 milhões de dólares). A utilização deste crédito é repartida em três fatias e condicionada ao progressivo cumprimento dos objetivos contidos na Carta de Intenções. 3. A possibilidade de acesso a um financiamento suplementar, ao abrigo de um outro mecanismo de crédito do FMI, designado por Compensatory Financing Facility. Segundo estimativas preliminares, tal financiamento – disponível ainda em 1983 – deverá cifrar-se em cerca de 200 a 250 milhões de dólares”.
Medidas de política económica “1. Subidas de dois pontos nas taxas de juro das operações passivas e de dois pontos e meio nas taxas das operações ativas. 2. Revisão global dos atuais sistemas de bonificação de juros. 3. Manutenção da atual política cambial, recusando o recurso a novas desvalorizações discretas e mantendo a taxa mensal de 1 % para a desvalorização deslizante, utilizada como instrumento de salvaguarda da competitividade externa das exportações. 4. Controlo dos aumentos salariais das empresas públicas e na função pública – disposição que deverá ter efeitos de arrastamento em relação ao setor privado. 5. Compensação de despesas e recurso a novos instrumentos de fiscalidade direta e indireta ainda nos terceiro e quatro trimestres de 1983, com o objetivo de contrair o défice do orçamento do setor público administrativo, que deverá ser reduzido para cerca de 8 % do PIB em 1983 e cerca de 6,5 % em 1984. 6. Contenção das necessidades de financiamento e aumento do autofinanciamento das empresas públicas. 7. Controlo e redução dos programas de investimento das empresas públicas. 8. Execução de uma política realista nas empresas públicas. 9. Adoção de medidas de acompanhamento e de saneamento económico e financeiro nas empresas públicas que venham a ser abrangidas pela declaração formal de ‘empresa em situação económica difícil’. 10. Como orientação da política económica, a introdução progressiva de elementos de flexibilidade nos processos de formação de preços (sobretudo os preço fixados administrativamente), de modo a criar uma maior transparência e racionalidade no funcionamento da economia”
Sexta-feira, 23 de setembro. FMI à rasca de massa [6]. “O ministro das Finanças Ernâni Lopes, o secretário de Estado do Tesouro António de Almeida, o governador do Banco de Portugal Jacinto Nunes e dois vice-governadores Rui Vilar e Vítor Constâncio, afadigam-se em Washington na tentativa de romper o estrangulamento das disponibilidades portuguesas em divisas para cumprir os compromissos externos. O empréstimo de 300 milhões de dólares (mais de 35 milhões de contos) acordado com o FMI no quadro das negociações da Carta de Intenções com o Governo português era a salvação momentânea: mas está comprometido com o anúncio da suspensão de empréstimos pelo Fundo até meados de outubro. O FMI está sem fundos disponíveis dado o crescimento em flecha de pedidos de auxílio por países como o Brasil, a Índia, o México e a Argentina, com dívidas externas monstruosas. Na base desta crise de tesouraria no FMI está a recusa do Congresso americano em aumentar a quota dos Estados Unidos. Os países industrializados da Europa fizeram saber que enquanto os americanos não aumentarem a contribuição para o Fundo, então não contem com o dinheiro europeu”.
Quarta-feira, 19 de outubro, o ministério das Finanças divulga o texto da Carta de Intenções. “Caro sr. de Larosière [Jacques de Larosière, diretor do FMI, 1978 / 1987]. 1. Nos dois últimos anos, o défice das operações correntes da balança de pagamentos de Portugal deteriorou-se para um nível claramente insustentável a médio prazo. Esta deterioração constitui, em parte, o reflexo de fatores fora do controlo das autoridades portuguesas, incluindo a recessão internacional e as altas taxas de juro no estrangeiro. Outros fatores importantes foram também a manutenção de uma taxa de crescimento da procura interna substancialmente mais elevada que nos outros países e a ausência de adequada flexibilidade nas políticas de taxas de juros e cambial. Por último, a balança de pagamentos continuou a ser afetada por sérios problemas estruturais, incluindo a elevada dependência em importações de energia e produtos agrícolas e uma base de exportações relativamente estreita. A escalada do défice da balança de operações correntes, que cresceu de um nível equivalente a cerca de 5 por cento do PIB em 1980 para 11 ½ por cento em 1981 e 13 ½ por cento em 1982, resultou num acentuado aumento da dívida externa e do peso do seu serviço, que atingiu 27 por cento das receitas de divisas em 1982. (…). Por conseguinte, considera altamente prioritária a redução do défice das operações correntes para US$ mil milhões (9 ¼ por cento do PIB) em 1983 e para cerca de US$ 1 ¼ mil milhões (6 por cento do PIB) em 1984. 2. A melhoria visada para as contas externas será obtida através de um programa global de contenção monetária e orçamental, acompanhado por políticas realistas e flexíveis ao nível das taxas de juros, taxa de câmbio e preços administrativos, e por esforços destinados a moderar o crescimento dos rendimentos nominais. Ao promoverem o crescimento continuado das exportações e a redução das importações, espera-se que estas políticas moderem o impacto da necessária redução da procura interna sobre a produção e o emprego. (…). 5. (…). Do lado da despesa, o Governo limitará as taxas de aumento dos vencimentos dos funcionários públicos em 1984 e alargará o congelamento de admissões em vigor a novas categorias de funcionários públicos até agora isentas, ao mesmo tempo que intensificará esforços para promover a mobilidade de pessoal dentro da administração pública. Procederá igualmente à revisão do sistema de prestações sociais, com vista à eliminação de abusos e à limitação do seu crescimento, de acordo com a capacidade económica do país. (…). 7. O Governo propõe-se iniciar imediatamente a preparação de uma reforma global do sistema fiscal, o qual se carateriza por excessiva complexidade e inelasticidade em relação ao rendimento. O imposto de transações e outras formas de imposição indireta serão substituídos por um imposto sobre o valor acrescentado, que representará a maior fonte de receita indireta do Orçamento do Estado. (…). 9. O Governo atribui elevada prioridade à melhoria substancial e duradoura da situação financeira das empresas públicas. Para tal, será feito um esforço global destinado a conter as necessidades de financiamento dessas empresas e aumentar o seu autofinanciamento. (…). 10. A política monetária será conduzida por forma a assegurar a melhoria programada para a balança de pagamentos e a desaceleração da inflação, que deverá passar de um nível próximo de cerca de 29 por cento no final de 1983 para cerca de 20 por cento no final de 1984. (…). 12. (…). O total do crédito interno concedido pelo sistema bancário (que se situava em Esc. 2,148,9 mil milhões em 31 de dezembro de 1982) não deverá exceder Esc. 2,786.5 mil milhões em 31 de dezembro de 1983, e Esc. 3,416.5 mil milhões em 31 de dezembro de 1984. (…). 13. As políticas financeiras terão que ser coadjuvadas por políticas destinadas a moderar os custos do trabalho, para que a desejada desaceleração da inflação possa realizar-se sem sacrificar indevidamente o crescimento da produção e do emprego. (…). O esforço para moderar o aumento de salários será acompanhado de medidas estruturais, para melhorar a produtividade do trabalho, através do aumento da mobilidade da mão de obra, de programas de formação profissional e outras medidas destinadas a dar maior flexibilidade à utilização da mão de obra (…) [7]. 18. (…). O Governo consultará o Fundo por iniciativa do Governo ou a pedido do administrador-geral, sobre as políticas de balança de pagamentos de Portugal”. Com os melhores cumprimentos, Ernâni Rodrigues Lopes ministro das Finanças e do Plano. Manuel Jacinto Nunes, governador do Banco de Portugal.
Segunda-feira, 26 de setembro, como sempre, nos processos de ajustamento, a Madeira estava falida. “A situação económica da Madeira foi o principal motivo das preocupações de Mário Soares que esteve naquela região autónoma durante três dias, acompanhado por uma delegação governamental em que se integravam o ministro do Trabalho e três secretários de Estado. De acordo com fontes madeirenses, o Governo central teria feito sentir a Alberto João Jardim a necessidade de um programa de emergência estilo FMI para sanear as finanças da Madeira, que está ‘mais que falida’ conforme afirmou um membro da delegação governamental”. “O défice acumulado vai já em 16 milhões de contos e as dívidas das autarquias locais da região, que são apenas onze, ultrapassam os 4 milhões de contos (as autarquias do continente, mais de 160, têm dívidas no valor de pouco mais de 8 milhões de contos). (…). No Funchal correm rumores apesar de desmentidos por Alberto João sobre a grave situação da Caixa Económica do Funchal, que teria já provocado a intervenção, por duas vezes, do Banco de Portugal. Esta situação derivaria, tanto da expansão daquele banco privado sem para tanto ter as infra-estruturas necessárias, em termos técnicos e de capital, como, por outro lado, do crédito malparado, em grande parte concedido às autarquias locais madeirenses. Perante esta situação, que quase se pode considerar desesperada, Soares terá regressado do Funchal no domingo com a garantia do apoio de Alberto João Jardim a um programa de emergência para a região que se traduziria na manutenção da cobertura dos défices, desde que o Governo regional garanta a compressão das despesas públicas[8].
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[1] A era do comércio global – freneticamente, todos vendem a todos – extinguiu as declarações honestas sobre povos, países ou cidades. Os produtores responsáveis, desembarcando num país estranho, instruem-se nas últimas palavras-chave descobertas pelas Relações Públicas para se misturar, massajando a alma coletiva e predispondo ao consumo. A cortesia reina. Durante a tournée de promoção do seu primeiro romance, “The Juliette Society”, declarava, de circunstância, Sasha Grey: “Já cá estive em 2009. (…). Mas passei todo o meu tempo em Lisboa, durante a noite e no Estoril durante o dia. Como tal, desta vez, é uma experiência completamente diferente, ver a cidade durante o dia. É diferente”, no programa Herman 2013. – Sasha Grey, 1,70 m, 49 kg, 83-66-78, sapatos 40, olhos cor de avelã, cabelo castanho escuro, nascida a 14 de março de 1988 em Sacramento, Califórnia, com o toque de Midas: tudo o que ela toca transforma-se em Cultura: na Penthouse julho 2007, fotos de Terry Richardson Em dezembro de 2008, as suas áreas matriciais são moldadas para o Sasha Grey's Deep Penetration Vibrating Pussy and Ass ®, “e agora a Doc Johnson vende a sua réplica da rata e olho do cu de Sasha Grey, completada com pelos púbicos (e também vibração)” Para completude das capelinhas, a mesma empresa também copiou a boca num Deep Throat Pocket Pal No Twistys agosto 2009 Nesse ano interpretou Molly no trabalho de Brody Condon de adaptação contemporânea de “Neuromancer”, uma novela de William Gibson, no New Museum de Nova Iorque Sasha Grey (2011), curta-metragem de Richard Phillips, rodada na Chemosphere House, à saída de Mulholland Drive Em novembro de 2011, no programa Read Across America, leu livros infantis para alunos da 1.ª classe da Emerson Elementary School, em Compton. “Sasha twittou sobre a experiência – chamando aos alunos os mais ‘queridos’ de sempre. (…). Um representante do distrito escolar nega categoricamente que Sasha tenha estado dentro de uma das suas salas de aula” No videojogo Saints Row: The Third (2011) Equal Pay Day” (2012) No BlackBook Mag, fotografada no Sunset Marquis Hotel, em Los Angeles (2012) La comicità di Sasha Grey” (2013). O top 5 dos seus filmes favoritos de todos os tempos: “Escape from New York” (1981), “A Woman under the Influence” (1974), “Pierrot le fou” (1964), “Fat Girl” (2001) e “Stroszek (1977).
No cinema Sasha estreou-se no cinema em “Fashionistas Safado: The Challenge” (2006), e soma mais de 200 filmes no seu palmarés: foi bónus em “So You Think You Can Squirt” (2006) ● “Tight Teen Twarts 2” (2006) ● “GrandTheft Anal 11” (2007) ● “Throat: A Cautionary Tale” (2009)… “Ela não gostava de atores masculinos que pedem: ‘Podemos preparar-nos para a cena fodendo agora durante uns minutos?’. ‘Não sou paga para ser uma fluffer’, diria ela. Ela não gostava de homens que tentavam beijá-la diante das câmaras. ‘Não estou aqui para fazer amor, não estou aqui para ser cortejada’, dizia. ‘Estou aqui para foder’. Ela não gostava de parceiros, masculinos ou femininos, que apareciam pedrados com Vicodin, Valium, cocaína ou metanfetamina. ‘Se você tem que andar metido nas drogas não deveria fazer porno’. (…). Finalmente, ela não gostava de realizadores que a queriam vestir como uma adolescente. ‘Eles pedem-lhe para você trazer roupas de uma miúda de 12 anos’, diz Sasha. ‘Ou vão vesti-la em minúsculas cuecas brancas com uma faixa cor de rosa. É horrível. Vão esticar-lhe o cabelo como uma jovem, ou vão pôr uma maquilhagem ligeira para produzir uma cara fresca de adolescente. Eu tenho 18 anos, é a idade que cada realizador quer. E o porno existe apenas para a masturbação. Mas ninguém deve bater uma punheta sobre uma miúda de 14 anos’”. Sasha, a 8 de abril de 2011, retirou-se do porno aos 23 anos: “Tornou-se evidente que o meu tempo como atriz do cinema adulto expirou. Não se preocupem. Não encontrei Jesus. Uma coisa é certa. Estou orgulhosa em dizer que não tenho arrependimentos. Sinto genuinamente que realizei tudo o que podia como artistaa).
A sua produtividade também enlaçou a música na banda de noise aTelecine. “Telecine é a transferência do filme para vídeo. Faz parte do processamento do filme. Decidimos colocar um ‘a’ antes porque havia uma banda cristã chamada Telecine, e não queríamos lutar por causa de nomes”. Sasha descreveu a sua música como experimental psychedelic death dub. Editaram o álbum “The Falcon and the Pod” (2011): 1. A Secret Ratio” ♪ 2. “Whisper” ♪ 3. “Sodium Vapor” ♪ 4. “A Moist Duck” ♪ 5. “None” ♪ 6. “New Future! ” ♪ 7. “Light Through the Leaves” ♪ 8. “No Other Way” ♪ 9. “4AM” ♪ 10. “Lost” ♪ 11. “Magazine” ♪ 12. “Pathless” ♪ 13. “The Falcon and the Pod”.
a) As diferenças explicadas, através da comida, entre sexo nos filmes e sexo na vida real: “Porn Sex vs Real Sex”.
[2] “Este empréstimo será concedido mediante a assinatura de uma Carta de Intenções, na qual o Governo português de compromete a aplicar determinadas medidas concretas de política económica, que deverão situar-se particularmente nas áreas do crédito e das despesas públicas. (…). Em 1978 o acordo [o primeiro com o FMI] entrou em vigor em março e prolongou-se até março de 1979 altura em que já era uma realidade o reequilíbrio da Balança de Transações Correntes, que havia atingido um nível recorde de 1500 milhões de dólares em 1977 e foi reduzido para cerca de 800 milhões em 1978 e para 50 milhões em 1979”. “A partir de 1980 verificou-se uma rápida deterioração das contas externas da economia portuguesa, tendo o défice das transações correntes passado sucessivamente para 1,3 mil milhões de dólares, 2,8 mil milhões de dólares (1982) e 3,2 mil milhões de dólares (1983). Em virtude desta rápida deterioração das contas externas, a dívida externa do país praticamente duplicou em dois anos, atingindo 13,4 mil milhões de dólares em dezembro de 1983, se se verificar o défice perspetivado para as contas correntes (cerca de 2 mil milhões de dólares). (…). Durante a aplicação do primeiro acordo de Portugal com o FMI (em 1978) foi possível equilibrar as contas externas em virtude de um forte crescimento nas remessas dos emigrantes, nas receitas do turismo e nas exportações. (…). Agora – disseram à ANOP vários economistas – a situação é substancialmente diferente, porque não existem cotas de mercado para recuperar, as receitas do turismo têm decrescido ou estagnado quando expressas em dólares (95 milhões no primeiro trimestre deste ano, igual montante nos primeiros três meses de 1982 e 150 milhões em igual período de 1979), e as remessas dos emigrantes apresentam uma tendência para decrescer quando expressas em divisas. Estes factos vão implicar a utilização de instrumentos de política económica diferentes dos de 1979, mais virados para a redução das importações e do consumo, os quais se situam na área do crédito e da contenção das despesas públicas. Estas medidas terão repercussões ao nível do investimento e consequentemente do emprego. (…). Diferentes economistas disseram que se verificará um significativo agravamento do desemprego, que, segundo o novo inquérito permanente lançado pelo Instituto Nacional de Estatística, era de 11 % da população ativa no primeiro trimestre deste ano. O Governo já adoptou uma série de medidas habitualmente exigidas pelo FMI como foi o caso da desvalorização do escudo em 12 % em termos efetivos e a subida dos preços de um conjunto de bens essenciais, particularmente os combustíveis b). (…). A dureza da política económica a implementar na sequência do acordo com o FMI fica bem expressa no facto de, dos 2 mil milhões de dólares perspetivados pelo Governo para o défice das transações correntes, cerca de 1,2 mil milhões correspondem a juros da dívida externa, valor que em 1978 era de 200 milhões”.
b) “Este tratamento de choque foi, aliás, comunicado ao FMI por uma delegação ad hoc que recentemente esteve em Washington, chefiada por Cavaco Silva, diretor do gabinete de estudos do Banco de Portugal, e de que fazia parte, nomeadamente Maria José Constâncio, subdiretora dos Serviços Centrais de Planeamento, figura chave em anteriores negociações com o FMI. (…). O Governo pretende reduzir o défice das transações correntes de 3,2 mil milhões de dólares (uns 380 milhões de contos) em 1982 para 1,5 mil milhões em 1984, ou seja menos 200 milhões de contos”.
[3] Gasolina super 84$00 (custava 74$00), normal 81$00 (70$00), petróleo carburante 46$00 (40$00), gasóleo 46$00 (40$00), gás em garrafa 51$00 (41$50), gás de cidade 16$50 (12$50). “Um adicional de 65 centavos por quilovátio, no consumidor doméstico, foi aplicado sobre as tarifas de energia elétrica, nos termos de uma portaria publicada no Diário da República, com data do dia 9. A nova taxa é de 55 e 50 centavos para os consumidores em média e alta tensão, respetivamente. (…). O adicional agora introduzido deverá ter caráter temporário, de acordo com a portaria subscrita por Veiga Simão. A sua criação é justificada com a situação de seca que assola o nosso país desde 1980 e o valor cobrado pela EDP deverá ser afeto ao Fundo de Apoio Térmico, que apresentava, em fins de 1982, um défice de 43 milhões de contos. A portaria indica que em 1979 a produção de energia elétrica foi assegurada em 75 % pelas centrais hidroelétricas, enquanto em 1980 esse valor já decrescia para os 50 %. Em 1981, a energia com essa origem cifrava-se nos 31 % e em 1982 crescia para 40 %. Os cálculos para este ano são de 45 %”.
[4] Portugueses suarão as estopinhas e além: “Young Nudist – Boobs Palace”.
[5] Lição aprendida e decorada. Nunca mais as elites portuguesas falirão o país. O povo, reconhecido, vota e dança: “Já não quero olhar, eu quero sentir teu balançar / Eu quero tocar no teu corpo e poder bailar / Eu quero dançar, bem juntinho colado a ti, / ao ritmo do som”: “Já não quero olhar”, p/ músico angolano Adi Cudz. Vídeo c/ Aryane Steinkopf [blindada por Deus], DJ e modelo brasileira, 1,64 m, 59 kg, 94-67-103, cabelo loiro, nascida a 14 de dezembro de 1986 em Vila Velha, Espírito Santo, Brasil. Começou a sua carreira como assistente de palco no programa “Pânico na TV”. Perfil: comida preferida: italiana e japonesa. Defeito: impaciência. Qualidade: determinação. Viagem de sonho: Dubai. {Playboy abril 2012} {Instagram} {site}.
[6] Lei de Murphy: tudo o que pode correr mal vai correr mal. Portugal teso. FMI teso. Bunda no chão. “Bunda”, p/ Putzgrilla Music Gang Bang, banda formada por Hugo Rizo, Rui Martins, Miguel Lamelas e Joana Pitty. Joana Janeiro “Pitty” foi concorrente da “Casa dos Segredos 1”, da TVI e pormenorizou: “A parte do corpo de que mais gosto são as costas”. Os Putzgrilla atuaram na Semana Académica de Lisboa 2014. Felizmente, o dinheiro também aterrou em Lisboa ou não haveria nem para as bananas: “Хочу банан!” (traduz Deus Google “Eu quero uma banana”), p/ Группа Маша Пирожкова ♪ “Я промокла мама” (traduz Deus Google “Tenho mãe molhado”).
[7] No século XXI, os Economistas Portugueses manusearão uma nova medida estrutural: o velho. “O Governo quer incentivar o trabalho a tempo parcial de trabalhadores mais velhos, apoiando, simultaneamente, a contratação de desempregados jovens ou de longa duração. Neste processo, o trabalhador mais velho deverá acompanhar o mais novo, transmitindo ‘conhecimentos e experiência’. O objetivo é ‘promover o envelhecimento ativo e incentivar os trabalhadores seniores a preparar a sua reforma, através da redução do seu horário de trabalho, bem como permitir a entrada no mercado de trabalho de desempregados, designadamente jovens, a quem é igualmente dada tutoria pelo trabalhador sénior’”, em Diário Económico, fevereiro 2014.
[8] O susto acagaçou Alberto João Jardim que nunca mais queimará dinheiro público: “You can tell your ma' / I moved to Arkansa' / Or you can tell your dog to bite my leg / Or tell your brother Cliff / who's fist can tell my lips / He never really liked me anyway”: “Achy Breaky 2”, p/ Buck 22 ft. Billy Ray Cyrus.

na sala de cinema

Night of the Zombies” (1981), real. Joel M. Reed. “Investigadores procuram cadáveres desaparecidos de soldados e ouvem inacreditáveis rumores sobre zombies. Rejeitando esses rumores começam a investigar. Após dois homens serem encontrados mortos, o agente especial da CIA, Nick Monroe, é enviado para eliminar o que se suspeita serem desertores da antiga unidade dos Army Chemical Corps dos EUA. A investigação implacável de Nick descobre um plano macabro de dominação do mundo[1]. Night of the Creeps” (1986), real. Fred Dekker, c/ Jason Lively, Steve Marshall, Jill Whitlow… estreia sexta-feira, 27 de fevereiro de 1987 no cinema Xenon. “Em 1959, a bordo de uma nave espacial, dois alienígenas esforçam-se para evitar que uma experiência seja libertada por um terceiro membro da tripulação. O aparentemente possuído terceiro alienígena atira o contentor no espaço que cai na Terra. Nas proximidades, um universitário leva o seu par a um parque de estacionamento quando veem uma estrela cadente e vão investigar. Aterra no caminho de um paciente mental criminalmente insano em fuga. Enquanto o seu par é atacado pelo maníaco empunhando um machado, o rapaz encontra o contentor, do qual uma pequena coisa semelhante a uma lesma salta para a sua boca. Vinte e sete anos depois, Chris Romero lamuria sobre um amor perdido, apoiado pelo seu amigo deficiente J.C. Durante a semana da praxe na Corman University, Chris vê uma rapariga, Cynthia Cronenberg, e apaixona-se instantaneamente”. “Twice Dead” (1988), c/ Tom Bresnahan, Jill Whitlow… “A família Cates está excitada ao saber que herdou uma velha mansão do endoidecido ator de teatro Tyler Walker. Chegam para descobrir que a mansão se transformara num campo de jogos para um gang de rua local. Mas o gang não é a única preocupação dos filhos dos Cates, visto que o fantasma de Tyler faz saber que não está satisfeito com a sua intrusão[2]. “Nos tempos da vaselina” (1979), real. José Miziara, c/ João Carlos Barroso, Kate Lyra, Aldine Müller, Nídia de Paula … “Em Macacu, cidade do interior, o caipira Onofre recebe uma carta do seu primo Paulinho convidando-o para uma viagem ao Rio de Janeiro para desfrutar a Cidade Maravilhosa. Quando o ingénuo Onofre chega, é roubado na estação de autocarros e enganado pelo taxista. Ele tem que dormir na rua e pedir para comer sem a morada do Paulinho que estava na sua mala. Quando ele conhece o músico Carlinhos Lyra, usa o programa de televisão para encontrar o Paulinho. Onofre é recebido por Paulinho e os seus amigos na praia de Ipanema, mas o recém-chegado é desajeitado e é troçado pelo pessoal todo da praia. Contudo, Onofre sai com a Dadá e a namorada de Paulinho, Patrícia (Almavar Taddei), e outras moçoilas acreditam que ele é ‘bom na cama’” [3]. “O título é uma oportunista brincadeira com ‘Grease – Nos tempos da brilhantina’, (título no Brasil), de 1978”.
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[1] “Muitas cenas foram filmadas na casa e na propriedade do realizador porno Shaun Costello”, que tem no seu palmarés “Heaven’s Touch” (1983), título português “Cama quente, amor ardente”, estreado no fabuloso cinema Olímpia, segunda-feira, 6 de fevereiro de 1989, em sessões contínuas a partir das 14 horas. “Henry Ottinger (Michael Knight) trabalha num escritório nas Torres Gémeas, onde apenas tenta meter-se na sua vida. De alguma forma, ele exerce uma atração sobre as suas colegas de trabalho. Não demora muito tempo até que três dessas colegas persuadam o sr. Ottinger a serviços extra para dentro dos seus orifícios”. C/ Gayle Sterling (Wendy), cabelo loiro; Jade East (Louise), 1,63 m, 86-61-86, olhos castanhos, cabelo preto, nascida a 6 de fevereiro de 1954 em Los Angeles; Veronica Hart (miss Penny), 1,68 m, 56 kg, 91-68-96, olhos azuis, cabelo castanho, nascida a 27 de outubro de 1956 em Las Vegas; Sharon Kane (Linda Armstrong), 1,67 m, 58 kg, 86-63-91, sapatos 37 ½, olhos azuis, cabelo loiro, nascida a 25 de fevereiro de 1956 em Canton, Ohio; Kelly Nichols (Carlotta Munro), 1,66 m, 91-71-99, sapato 42, olhos e cabelos castanhos, nascida a 8 de junho de 1956 em West Covina, Califórnia; Joanna Storm (Ultrasleaze), 1,52 m, 55 kg, 96-71-96, olhos cor de avelã, cabelo loiro, nascida a 23 de agosto de 1958 em San Diego
[2] A família moderna tomou profundeza. La mosquitera” (2010), real. Agustí Vila, c/ Emma Suárez, Eduard Fernández, Martina García, Anna Yacobalzeta, Geraldine Chaplin… “Uma família abastada, inequivocamente urbana, vive presa no pequeno mundo que construiu à sua medida. Cada um dos membros luta por si próprio para salvar aquilo que o justificaria. Luís atravessa a adolescência descobrindo à sua volta mulheres e homens ora culpados ora inocentes”. De Bogotá, Colômbia, para este filme, a classe de saber estar nua de Martina García, nascida a 27 de junho de 1981. “Em Paris fez os seus estudos de licenciatura em Filosofia, na Sorbone”. Diz ela: “Em 2011 foi a mesma história, viajando por diferentes lugares para filmar, tem sido complicado a tema da universidade. Procuro não gerar frustrações onde não as há, e se não posso ir à universidade, não importa, para mim a filosofia está no quotidiano, está presente em mim”. Entrevista: “Soy de repeticiones, de releer libros, de oír la misma canción durante horas, de volver a ver las películas. En la literatura suelo remitirme a autores como Camus y Cioran, y recientemente a Paul Auster, sobre todo ‘La invención de la soledad’, que me fascinó. De Camus me encanta ‘La caída’, soy fetichista de ese libro; también ‘El extranjero’ y ‘Una muerte feliz’. De Cioran, soy fanática de ‘Los silogismos de la amargura’ y de ‘Ese maldito yo’. ¿Y las películas? ‘Mrs. 45’, de Abel Ferrara; ‘La dolce vita’, de Fellini; ‘Amores perros’, de González Iñárritu; ‘Los 400 golpes’, de Truffaut; y ‘Dogville’ y ‘Antichrist’, de Lars Von Trier”.
[3] Desde os anos 60 do século XX, antecipando o século XXI, a vagina substitui o coração como órgão mais importante para a carreira pessoal, social e profissional da mulher plenificada a). As Kardashian, por exemplo, uma típica família americana, como em todas, a vagina é o ganha-pão, dedicam-lhe extremoso cuidado, inspecionando-a, antes de saírem à rua. “‘Eu disse, nós temos de fazer verificações da vagina’ disse Khloe, explicando que é apenas o que se faz quando se veste uma saia com uma fenda. (…). ‘Eu disse, não, Kim, a tua vag está perfeitamente aconchegada’”. Metáfora do feminino moderno, a vagina é também um órgão anatómico. “A ciência não sabe onde é o clítoris. A nova ciência descobriu que o clítoris é muito maior do que qualquer pessoa jamais imaginou e que fica mais para dentro, perto da pélvis”, disse a escritora americana Naomi Wolf, autora do livro “Vagina: A New Biography”. “Por fim, em se tratando de uma autora que se orgulha tão ostensivamente de sua realização sexual, “Vagina – Uma biografia” parece estranhamente esvaziado de qualquer elemento erótico ou, por assim dizer, espiritual: a vagina é reduzida a uma parte da anatomia feminina que, em condições normais, responderá de tal ou qual maneira quando devidamente estimulada”. Fiduciárias, as mulheres de hoje mijam de . Modelo: Nettie Harris, 1,68 m, 52 kg, 81-66-91, sapatos 39, olhos azuis, cabelos ruivos. Entrevista: “O meu sonho é criar arte… em muitas formas de expressão”. Entrevista Vimeo ∆ fotos p/ Stephane Bienfaittumblr Creative Rehab ∆ no vídeo musical “The Beautiful Ones” do produtor, realizador, diretor de fotografia, editor e músico Dutch Rall (canção: Prince).
a) O pleno evidencia-se na autonomia. “Leva Boy” (2012), p/ Lizha James ft. Pérola: “Leva, boy, o que quiseres, baby! / Leva, boy, o que quiseres, baby! / Leva o carro, leva a casa / Que eu vou construir / Leva, boy!”. “All the Little Things” (2011), p/ The Icarus Line, banda de Los Angeles, formada em 1998, por Joe Cardamone, voz, Lance Arnao, baixo, Aaron North, guitarra e Aaron Austin, bateria. “Steps” (2013), p/ DJs Pareja, duo de produtores e remixers argentinos de Buenos Aires, Mariano Caloso e Diego Irasusta. “I Was Where Were You” (2013), p/ DTCV (pronuncia-se “detective”), trio franco-americano formado em 2012 em Los Angeles por The Lola Freakout, James Riot e Ringo.

no aparelho de televisão

O foguete” (1983), programa da autoria de António Sala, Carlos Paião e Luís Arriaga, transmitido cerca das 21:00 horas, aos sábados na RTP 1, de 30 de julho até 1 de outubro de 1983. “Olhó foguete ó ó ó / Olhó foguete ó ó ó / Não vai à lua nem quer lá chegar! / Olhó foguete ó ó ó / Olhó foguete ó ó ó / Toma o bilhete para ir e voltar!”. “Um divertido programa de música e cultura portuguesa, apresentado por António Sala (c/ a sua engraçada expressão: ‘Chiu! Calou! Deitou!’), Carlos Paião e Luís Arriaga, gravado em 1983, no interior de um comboio. [Neste episódio] Luís Mascarenhas e Raquel Almeida interpretam os sketches cómicos. Os convidados são: João Maguy (mágico), o grupo Heróis do Mar, Peter Petersen (elemento do coro da canção ‘Playback’), João Maurílio (pianista), Artur Lucena (poeta), e Vítor de Sousa (ator), Suzy Paula (cantora), Vasco Rafael (fadista), e Belle Dominique (travesti)”. (Outro Foguete desembarcara Américo Thomaz em Viana do Castelo). “Adventurer” (1987), série australiana filmada na Nova Zelândia, transmitida cerca das 17:20, aos sábados na RTP 1, de 29 de agosto até 3 de outubro de 1987. Conceito do primeiro episódio em Portugal: “o último e (invulgar) condenado levava para a cela do navio Success, Jack Vincent (Oliver Tobias), um oficial naval demitido por ter desobedecido às ordens recebidas. Na cela, encontravam-se já Pat Cassidy (Peter Hambleton) e dois jovens detidos. Vincent descobre que o navio é comandado por um parente, Harry Anderson (Paul Gittins), com o qual tem uma relação de ódio por razões familiares e profissionais. Anderson resolve destruir psiquicamente Vincent, mas este consegue organizar um motim com os outros detidos e conquistam o navio”. Sinopse: “Jack Vincent, um aristocrata ex-capitão da marinha britânica, forçado pelas circunstâncias a tornar-se contrabandista, é capturado e transportado no HMS Success para a colónia penal na Norfolk Island, ao largo da costa da Nova Zelândia. Infelizmente para Vincent, o comandante do navio não é mais nem menos que o seu cunhado, o tenente Harry Anderson. Os dois discutiram violentamente no passado sobre a forma como Anderson tratava a irmã de Vincent, e agora Anderson submete-o a um particularmente duro e humilhante tratamento[1]. “Stingray” (1985-1987), produzida por Stephen J. Cannell, c/ Nick Mancuso “Ray, que vive no sul da Califórnia, dedica o seu tempo a ajudar aqueles em aflição. O seu passado é sombrio, tudo o que é dito sobre ele é que ele anuncia sub-repticiamente nos jornais, ostensivamente oferecendo um ‘Stingray preto de 65, para troca apenas para o parceiro certo’, e incluindo um número de telefone (555-7687). Aqueles que desejam recorrer aos seus serviços, presumivelmente, sabem o verdadeiro significado do anúncio por passa palavra, e telefonam-lhe a pedir ajuda. Não é claro se ‘Ray’ é mesmo o seu nome verdadeiro, ou simplesmente uma alcunha que ele retirou do carro que conduz, aquele descrito no anúncio. No episódio piloto, ele diz que é um diminutivo de ‘Raymond’, mas não se torna claro se ele está a ser honesto ou a usar um disfarce”.  
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[1] Outros mares do “duo de indie rock formado em Toms River, New Jersey, em março de 2008. O duo é composto pelo líder Brandon Asraf (baixo, voz) e John Tacon (bateria, samples eletrónicos, voz)”: Brick + Mortar Move to the Ocean” (2011), c/ extratos dos vídeos “Christina by Lelyak Production”, “Sasha + Masha (Hot russian girls by ‘baLOVEstvo’ 2012)”, ou “Clams Casino // I'm God”.

na aparelhagem stereo

O baile mandado é a dança dos povos, livres, e para liberdade perliquitete, o estado de ignorância é bênção e um imperativo geográfico. O capitão James Flint (Toby Stephens): “Deve haver, pelo menos, uma hipótese em três de que o horizonte continue despido e nunca mais vejamos o Andromache. É essa a verdade. Mas que bem é que esse conhecimento faria a qualquer homem desta tripulação que esteja a concentrar-se em fazer o seu trabalho? Esta tripulação precisa de certezas e eu preciso do apoio deles, para atingir um objetivo, que vai ao encontro do interesse de todos. Portanto, dançamos ao som da música. (…). Nunca houve um César que não soubesse cantar” [1].
Pia Zadora sabia [2]. Porém, a sua luta pelo lugar ao sol esbarrou com “o ressentimento, que é em sumo grau prejudicial ao doente” (“Ecce Homo”, Friedrich Nietzsche), da crítica musical e pelo goto popular, “avançavam, obscuros, na noite” (“Eneida”, Virgílio), e Pia Zadora passou como uma personagem picaresca dos anos 80. Em 1984 modilhou Pia por Portugal. Sábado, 28 de janeiro no Porto e domingo, 29 em Lisboa. Espostejou-a o Diário de Lisboa: “petulante, atrevida, mais que ousada, foi lançada definitivamente na película ‘The Lonely Lady’ (1983) [3], apoiada pelos muitos milhões do marido, um sujeito chamado Meshulam Riklis [4], que é considerado dono da 6.ª fortuna mundial e 31 anos mais velho que a menina. Ele não tem qualquer dificuldade em dar-lhe prendas como o avião particular em que chegou a Portugal para atuar no Porto (no ‘Sábado Vivo’, 21:50 horas, na RTP 2, que tem como convidado entrevistado Mário Dorminsky, o fadista José Freire, os Heróis do Mar e a artista americana Pia Zadora) e amanhã, pela tardinha, ofuscar a concorrência a Alvalade e às Antas, oferecendo os seus atributos físicos e alguma voz em ‘A festa continua’ (de Júlio Isidro). Apenas com 1 e 55 de altura, 27 anos declarados, criadora de ‘The Clapping Song’ (1983), anda agora apresentando um 45 rpm que inclui ‘Rock It Out’ e ‘Give Me Back My Heart’. Na segunda-feira volta a meter-se no jatozinho e tornará a Las Vegas, certamente para os braços apaixonados de um marido que nada se importa que os atributos da pequena sejam exuberantemente explorados”.
Na década de 80, o gosto das funçanatas das esfolhadas, no campo, ou do cantor romântico, nas cidades, tramitava. “O recorte do dia, é a tabela do top do programa ‘Rock em Stock’, referente a junho de 1980. Interessante constatar que a maioria dos 10 lugares do top foram ocupados por álbuns da turma do punk e da new wave. A começar pelo magistral ‘London Calling’ dos Clash, que destronou os intragáveis Genesis. Outro pormenor engraçado é a inclusão do 3.º álbum dos 999 no top, ‘Biggest Prize in Sport’ (1980), disco que nunca chegou a ser prensando em Portugal, somente saiu em Portugal um single retirado do álbum, ‘Trouble’” [5]. A via punk em Portugal. “Corriam os anos de 1978 e 1979, Paulo Ramos (guitarra) e Paulo Borges (voz) [6] tinham acabado o liceu, haviam passado um ano sem fazer nada no Serviço Cívico e acabavam de entrar para a faculdade: o primeiro em História, e o segundo em Filosofia. Ouviam então The Sex Pistols, The Clash, Damned, Television e Dr. Feelgood. Numa conversa num dos corredores da Faculdade de Letras resolveram criar um grupo punk a que chamaram Minas & Armadilhas”. “Em fevereiro de 1978 realizou-se a ‘primeira tarde’ punk em Lisboa, no Archote Clube no Arco do Cego em Lisboa. Foi uma organização do António Sérgio, do Joaquim Lopes e do José Guerra com passagens comentadas de vários discos de bandas de punk rock inglesas, americanas e francesas. Neste primeiro evento público de punk, houve passagem de discos, mas ainda não houve atuação de bandas. As primeiras reportagens sobre concertos de bandas punk portuguesas remontam a 1978: em maio e junho na Música & Som (concertos dos Faíscas no pavilhão de Os Belenenses e dos Aqui d’El Rock no Clube Atlético de Campo de Ourique); em junho no jornal Pop Clube (fez capa com os Aqui d’El Rock e os Faíscas); e em julho desse ano da revista Rock em Portugal”.
Nesse ano, nasciam os Social Distortion “banda de punk rock americana formada em 1978 em Fullerton, Califórnia. (…) Entraram num hiato temporário a meados da década de 80, devido ao vício em drogas do vocalista Mike Ness e problemas com a lei, que resultaram em períodos longos de internamento em vários centros de reabilitação, que duraram dois anos” Machine Gun Blues” (2010): “Well I'm a gangster 1934 / Junkies, Winos, Pimps & Whores / And all you men, women and kids / best get out the way” [7], – vídeo c/ Hidalgo’s Brunette Girl: Lacy Phillips e Hidalgo’s Blonde Girl: Dora Yoder, 1,68 m, 81-61-88, sapatos 37 ½, modelo de Los Angeles {site}.
Nova geração, Juliet “My First Hardcore Song”.
Punk-Kecas, “formados em 1995, são oriundos de Faro e percursores de uma geração punk hardcore, para a qual se tornou referência de culto. [João Dias (Sonecas), voz, Pedro Laranjeira (Laranja), guitarra, Francisco Aragão (Xico), guitarra, Bruno Augusto, baixo e Armando Brito (Chibo), bateria]. Apostando nas letras em português e de ideal niilista, fizeram assim passar a sua mensagem através dos concertos, sempre energéticos e bem lotados. Em 1996, gravaram para a rádio Super FM uma maquete com 3 faixas, das quais apenas uma (“Braços Cruzados”) seria tocada nas playlists da rádio. Essa maquete manter-se-ia desaparecida até 2007, quando finalmente surgiu uma cópia completa do master de estúdio em mp3. A banda separar-se-ia em meados de 1999, mas regressaria aos palcos, com presenças casuais em 2005, 2007, 2012 e 2013, sendo estas 3 últimas em concertos de beneficênciaSalazar” (Cover de Xunga-Core): “Empurrei-o da cadeira / Foi fácil de empurrar / Eu matei esse cabrão / Que se chamava Salazar // Morre Aníbal” ♫ “Pimba Kore”: “Pimba pimba lavagem cerebral / Musica para otários made in Portugal / E o cabrão do bico que te vai devorar / Fode-te os cornos e não te deixa pensar ♫ “Paxilfaro”: “Às vezes fico tão anormal que pareço um Serenal // Paxilfaro // Rhoypnol, Prozac e Dinintel para andar sempre pedrado quando não há papel // Paxilfaro”. Pé de Cabra, “grupo de Linda-a-Velha que nasceu a partir das cinzas dos Antiporcos, um outro grupo punk com alguma história no movimento. Tiveram existência entre 1988 e 1996. Ensaiavam na localidade de Sassoeiros numa garagem dividida com os metálicos Shrine. O grupo era constituído por Mário (voz), Sarrufa (guitarra), Pudim (bateria), Luís Pedro (baixo) e Alex (guitarra)” Discriminação” ♫ “Prostituição musical” ♫ “Aníbal”. Kaganisso, “nasceram em Alvalade, em Lisboa em 1990 e deram por findas as suas atividades em 1994, logo imediatamente a seguir à edição do seu primeiro e único álbum, ‘Princípio do Fim’ (1994) pela Polygram. Durante a sua existência, venceram, em 1991, a 2. ª Edição do Concurso Força Total à Música Nacional, organizado pela Rádio Super FM e decorrido no Johnny Guitar. Já haviam igualmente vencido, em 1990, o concurso de música moderna do Pavarte, organizado pela Escola Secundária Padre António Vieira. O grupo era formado por Miguel Pernes (guitarra), Bernardo Ribeiro (bateria), Pedro Careca (guitarra), Rui (baixo) e Juja (voz). O som praticado era um rock mainstream que mais não era que uma aproximação medíocre à música dos U2 de então ou aos espanhóis Héroes del Silencio, tão em voga na épocaO que me resta” ♫ “O que é feito?”.
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[1] Na pirática série de TV, estreada no mês de fevereiro de 2014, quartas-feiras 22:20 horas, no canal AXN, “Black Sails” (2014). “1715. Índias Ocidentais. Os piratas da ilha Nova Providência ameaçam o comércio marítimo na região. As leis de todas as nações civilizadas declaram-nos hostis humani generis (‘inimigos da humanidade’). Em resposta, os piratas aderem a uma doutrina própria… guerra contra o mundo”. Joviais tempos em que após saque proveitoso marinheiros gritavam confiantes no prostíbulo: “Rum e pachacha para todos!”. – Alguns diálogos sem pala nem perna de pau: Sanderson (Paul Snodgrass): “Vai-te foder, pachacha”, Eleanor Guthrie (Hannah New): “Mandaste-me foder? Sr. Scott, quem é este homem?”, sr. Scott (Hakeem Kae-Kazim): “O sr. Sanderson. É da tripulação do capitão Burgess, do Trinity”, Eleanor: “De quanto foi o último saque?”, sr. Scott: “Um lucro de quase mil. Foi o melhor saque em meses”, Eleanor: “Bem, sr. Sanderson, é um prazer ter a sua companhia. Sabe porquê? Porque é um ganhador. Sabe o que acontece quando estou perto de um ganhador? A minha rata fica molhada. Assim sendo, vou mesmo foder-me”. Eleanor mergulha dois dedos na caneca de cerveja induzindo-os como acendalhas desse ato a). | Sra. Mapleton (Fiona Ramsey): “Deste-lhe autorização, querida, temos de cumprir a nossa palavra”, puta stressada (Melissa Haiden): “Eu disse-lhe que ele podia pôr um dedo no meu cu, não três”, sra. Mapleton: “Então, da próxima vez, cobra-lhe ao número”. | Billy Bones (Tom Hopper): “E também o Christian Thoms, o Willy Robbins, o Jean Dubois, aquele português sopinha de massa, como se chamava ele…?”. | Montando na posição cowboy reverse, Anne Bonny (Clara Paget): “Mas que raio, Jack. Está outra vez mole”, Jack Rackham (Toby Schmitz): “A sério? Não reparei”, Bonny: “Então, queres que te enfie algo no cu?”, Rackham: “Não, não obrigado”. Problemas económicos amoleciam-lhe a piça desaplicando-o do sexo. Rackham: “Não temos qualquer plano, exceto este bordel de merda, que, por algum milagre da economia parece incapaz de dar lucro”, Bonny: “Como é que se pode ter aqui um bordel e não fazer dinheiro?”, Rackham: “Não faço ideia!” b). | Max (Jessica Parker Kennedy): “Quem te pagou aquelas moedas? Foi o capitão Hollindale, que eu vi, a sair do teu quarto, não foi? Um homem cujo único desejo é ser enrolado em tela, enquanto mama nuns peitos gordos, sem leite, como um bebé? E o preço que sempre cobrámos por maternalismos foi 20 peças, não 5”, Idelle (Lise Slabber): “Quem pensas que estás a acusar? Uma punheta são 5 peças. O capitão Hollindale hoje só teve tempo para um puxãozinho”.
a) A publicação do privado através da net matou simbologias que, reacionariamente, persistem nos rituais de efusão partidária. Os dois dedos que as mulheres do PSD, protérvias, brandem em alto, em baixo, enceram esses sicofânticos dois dedos. Modelo: Dillan, de Los Angeles, 1,75 m, 81-60-81, olhos cor de avelã, cabelo castanho. Obra pictórica ou cinematográfica: Dillian no LittleMuttDillan no Little Gray Guy ∆ Dillan Lee no Sexy Models ∆ Dillan no Jizz Bomb ∆ Felicity no FTV Girls. Dillion no Karups ∆ no BangbusDilion no First Time Auditions ∆ Dillian Lee no First Time Swallows ∆ Dillian Lee no Porn.com ∆ Dillan no Ron Harris Studio ∆ Dillian Lee no Holly Café.
b) Alguns nomes desta série correspondem a piratas verdadeiros como Anne Bonny, Jack Rackham, Charles Vane e Benjamin Hornigold. “Outra pirata desses mares foi Anne Bonney, que era uma irlandesa espampanante, de seios altos e cabelos fogosos, que mais de uma vez arriscou o corpo na abordagem de navios. Foi companheira de armas de Mary Read, e finalmente de forca. O amante, capitão John Rackam, teve também o seu nó corredio nessa função. Anne, com desprezo, encontrou esta áspera variante da censura de Aixa a Boabdill: ‘Se te tivesses batido como um homem, não te enforcariam como um cão’”, Jorge Luis Borges em “História universal da infâmia”.
[2] Pia Zadora, 1,52 m, 86-53-86, sapatos 38 ½, olhos pretos, cabelo castanho, nascida Pia Alfreda Schipani a 4 de maio de 1954 em Hoboken, New Jersey. Atriz-criança, estreia-se nas peças da Broadway: “Midgie Purvis” (1961) c/ Tallulah Bankhead, “a premissa é: uma mulher pueril de 50 anos abandona a sua desprezível família, disfarça-se de mulher de 80 anos e torna-se babysitter. Ela acaba corrompendo as crianças que cuida. Ensina-as a fumar e fumar. Pia tinha 7 anos na época. Isso extravasou o palco também. Ela era selvagem. Pia ia ao seu camarim e Tallulah dizia-lhe: ‘Toma, querida, dá um bafo nisto. Vai ajudar-te. Vais sentir-te bem’. No palco, fumar consistia numa espécie de dispositivo de soprar pó. Fora do palco, Tallulah tentava mostrar-lhe como era realmente feito para que as pessoas acreditassem nela”. Pia foi também substituta em “The Garden of Sweet” (1961) c/ Katina Paxinou, apareceu em “We Take the Town” (1962) c/ Robert Preston, uma versão musical de “Villa Villa”, e foi Bielke em “Fiddler on the Roof” (1964-66) c/ Zero Mostel. No cinema interpreta a jovem marciana Girmar em “Santa Claus Conquers the Martians” (1964). “Pia casou com o empresário Meshulam Riklis em 1977, quando ela tinha 23 anos e ele 54. Riklis costumava chalacear sobre a diferença de idades. Quando ela engravidou, ele disse: ‘Graças a Deus! Agora, terás alguém da tua idade com quem brincar’”. Um esposo rico dá felicidade c) e a carreira dela desencabrestou com “Butterfly” (1982), uma história de ambição e incesto c/ Pia Zadora, Stacy Keach, Orson Welles… música de Ennio Morricone. “A cena mais notória do filme foi a da banheira, na qual, Jess Tyler (Stacy Keach) ajudava a sua sedutora filha a tomar banho numa bacia de metal para relaxar após um dia de trabalho na mina. Enquanto mergulhava nua na banheira, ela disse: ‘Sabe bem. Vai ser assim todos os dias? Castigar o corpo e nada nos bolsos?’. Ajoelhando-se atrás dela massaja-lhe os ombros (‘Isso sabe tão bem, Jess. Boas, boas mãos’), e então ele segurou e apertou os fartos seios. Rapidamente larga-os. ‘Não está certo’, embora ela o tranquilizasse como uma mulher adulta: ‘Sabe-me bem. Não te sabe?... está certo se é bom’. Quando ele protestou: ‘Mas tu és a minha filha, Kady’, ela acrescentou: ‘E também sou uma mulher’. Ela prende-lhe o braço debaixo de água quando ele lhe acariciava entre as pernas, mas ele resistia ainda mais”. “Acabou sendo um dos filmes mais vilipendiados da década. Porque (alegadamente) o seu marido, Meshulam Riklis, convidou os membros da Imprensa Estrangeira de Hollywood, que dão os Globos de Ouro, para o seu casino, o Riviera Hotel, em Las Vegas. E também os convidou para a sua casa onde comeram do bom e do melhor, enquanto ele lhes mostrava o filme, e Zadora acabou vencendo o Globo de Ouro para Nova Estrela do Ano (sobre Kathleen Turner em ‘Body Heat’ e Elizabeth McGovern em ‘Ragtime’)”. Pia arrasou Cannes em maio de 1982. Na revista Oui de junho 1982. Aos 28 anos, cobriu o seu pudor com um patriótico cachecol para a Penthouse outubro 1983, neste mesmo ano posou para o artista pop Andy Warhol. Outra digna obra desconsiderada: “Voyage of the Rock Aliens” (1984), “o início do filme revela-nos alienígenas a escolher o seu próximo destino a fim de extravasar a sua febre de rock ‘n’ roll. Depois de uma breve incursão num planeta habitado por motards vestidos de branco, à porrada ao ritmo do imparável êxito ‘When the Rain Begins To Fall’ de Pia Zadora e Jermaine Jackson, o alienígena ABCD (pronunciado ‘Absid’) e a sua tripulação decidem visitar a cidade de Speelburg na Terra”.
c)Vai Anna| Go Anna”: “O meu nome é Anna / E estou aqui a chorar / Saí do velório pro meu marido enterrar / Estou muito triste / Mas não vou ficar assim / Quero me mexer / E dar ainda mais de mim / Eu quero começar / Eu quero começar / Quero mais da vida / O que quero é namorar / Quando eu era pequena / Minha mãe me ensinou / Anna cresce linda / E arranja um homem bom / Que tenha dinheiro e que te faça feliz”.
[3] Pia Zadora resume: “Do romance de Harold Robbins. É uma história de uma rapariga e a sua luta com Hollywood. É uma espécie de paródia do que se passa em Hollywood. Ela casou-se e divorciou-se, engravida e tem um aborto, mete-se nas drogas, tem uma relação lésbica e, finalmente, ganha um Oscar”. 
[4] “Meshulam Riklis foi pioneiro na aquisição alavancada (“leveraged buyout”) e títulos de alto risco (“junk bonds”), e desenvolveu um talento notável para ações virtuais (“paper trades”) entre várias companhias de sua propriedade, que os críticos afirmam fez desaparecer as suas dívidas nos momentos oportunos. (…). Segundo um relatório da Forbes de 2002, seis das maiores empresas controladas pela Riklis Family Corp. declararam falência nos anos 90 e início de 2000, deixando dívidas totais superiores a 2 mil milhões de dólares”. “Em 1987, Riklis e Pia doaram 1000 dólares cada um para a campanha presidencial de Joe Biden
[5] No over noticioso blogHoje Há Punk Rock no Liceu”. “Mike Read, conhecido locutor / dj de rádio, que passou muito do seu tempo de radialista na Radio One (BBC). Durante o período do punkismo, Mike Read editou 3 singles, um em nome pessoal, ‘Are you ready?’, powerpop como linha condutora, o single ostenta uma fotografia do próprio à porta do Roxy Club. A segunda pedrada em forma de vinil, foi já sob a chancela de Trainspotters, com o mui aclamado ‘High Rise’, tema que figura em algumas coletâneas punk / powerpop. Uma música que teve como base criativa o jingle do próprio programa de rádio do Mike Read. Resultando num tema punk pegajoso, no bom sentido claro, um clássico da fornada de 79”. Repartição do pão deste blog em som & imagem no Canal YouTube, Rock no Liceu, ou apenas som “Keeping up with the Drones” (1983), dos ingleses D.N.A.
[6] Editor do fanzine Estádio de sítio.
[7] Nada está seguro. “Um grupo satânico encomendou uma estátua do diabo, angariando o dinheiro para pagar ao escultor, que não vai identificar-se, como uma forma de protesto pela colocação de um monumento aos dez mandamentos no relvado da Câmara de Oklahoma City. A estátua, que está a ser esculpida num estúdio em Nova Iorque, está quase pronta, segundo Lucien Greaves, porta-voz do Satanic Temple. (…). A estátua de Baphomet, ou Bode Sabático, uma figura que tem sido usada para representar Satanás ao longo dos séculos, é feita de bronze derramado sobre um molde de barro. Imagens fornecidas à FoxNews, mostram a hedionda figura num trono, com crianças a sorrir, uma de cada lado. A organização de Greaves procura forçar Oklahoma a permitir a colocação da sua estátua ou demonstrar o que ele considera dois pesos e duas medidas inconstitucionais. As autoridades de Oklahoma dizem que, não há nenhuma maneira no inferno, que a estátua de Satanás alguma vez assuma posição no Capitólio”. The Mars Volta Days of the Baphomets”: “Give me a plague / Give me a plague / Make it blank / Nothing you own is safe”.