Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

quinta-feira, Abril 03, 2014

Com paciência e vaselina

1983. Maio. Um mês antes, a 18 de abril, mas de 1692, Leibniz escrevia a Bossuet: “Hoje, é quase todo o norte que se opõe ao sul da Europa; é a maioria dos povos germânicos oposta aos latinos”. Aludia ele ao cerne da divisão norte / sul, ao natal da aliança intelectual, moral e depois económica, que nunca mais será desatada, por mais chernes [1] que lhe atirem. Fénelon: “Mas que terrível palavra de cerceamento fez Deus ouvir sobre a terra no século passado! A Inglaterra rompeu o único sagrado laço de unidade capaz de reter os espíritos, entregou-se a todas as visões do seu coração. Uma parte dos Países Baixos, a Alemanha, a Dinamarca, a Suécia, são outros ramos que o gládio vingador cortou e que já não se agarram ao tronco antigo” (“Sermon pour la fête de l’Épiphanie”, 6 de janeiro de 1685). Do rompimento com a autoridade do papado de Roma nasceram duas Europas, não são velocidades diferentes, são dois mundos apartados. Cita R. H. Tawney, em “Religion and the Rise of Capitalism”, um contemporâneo, que relatava uma inaptidão natural para os negócios na religião papista; enquanto que, um maior despertar para a realidade, entre os reformadores, favorecia a inclinação para o comércio e a indústria, pois consideravam ilegítima a preguiça [2].
Se na Europa há dois, em Portugal há dois em um. Dois partidos, um desígnio. É a “coisa portuguesa” [3]. Sábado, 7 de maio de 1983, Lisboa, também se enviava uma carta, não para participar cisões, mas para dar parte de que há orçamento para comer, tachos para distribuir e as cinco ou seis famílias, donas do país, desapossadas no 25 de abril de 1974, esperavam… clima económico. Isto é, lã política para tricotar uma economia robusta que agasalhará o país no mais rico da Europa em 2014. “Uma carta deve seguir ainda hoje da Comissão Nacional do PS para o Conselho Nacional do PSD, ambos reunidos em Lisboa: ela conterá o convite socialista aos sociais-democratas para um entendimento sobre a constituição do próximo Governo. A aceitarem o convite, os homens do PSD parecem já ter acertado agulhas quanto às suas exigências: querem Vaz Portugal na Agricultura, Mota Pinto vice-primeiro-ministro, acumulando com outra pasta (Reforma Administrativa ou Justiça), além da Defesa e das Obras Públicas” [4]. Segundos, minutos, horas, dias de luta pelos despojos ou, em linguagem política, pelo superior interesse do país [5]. “A banca, os seguros, a comunicação social dependente do Estado e os governadores civis são outros setores que irão ser também apreciados conjuntamente, para além da presidência da Assembleia da República. Se é certo que cada um dos partidos procurará obter o mais que puder para si, há todavia uma regra basilar que estará sempre sobre a mesa das negociações: a proporcionalidade dos resultados eleitorais (36,3 % PS; 27 % PSD)” [6].
Os jovens, fruta dessa década, não girovagavam na colagem de cartazes ou agitação de bandeiras, contribuíam com coisas jovens. “O vice-presidente da JSD afirmou que a sua organização só viabilizará um eventual Governo PS / PSD se forem contempladas algumas das suas exigências. Questões ligadas ao desemprego, ao ensino, à habitação e ao serviço militar fazem parte daquelas exigências. Segundo Rui Rio, estas matérias estão a ser negociadas no seio da organização para serem apresentadas à Comissão Política do PSD” [7].
O eterno clássico, o cargo de ministro das Finanças, também aperreou Mário Soares. “Soube-se que durante a sua curta estada em Paris, 19 de maio, o líder socialista se avistou com o economista Ernâni Lopes, embaixador de Portugal junto da CEE. Admite-se que, perante as recusas sucessivas aos convites de Soares para o preenchimento da pasta das Finanças (Vítor Constâncio, Rui Vilar e Francisco Veloso) este contacto esteja orientado para a formação do novo Governo”. Sexta-feira, 27 Soares é indigitado pelo presidente da República, general Ramalho Eanes, para formar governo, depois do conluio nacional com o PSD. “São os seguintes os pontos acordados: implicação dos dois líderes (Mário Soares e Mota Pinto) no Governo; não revisão da Constituição durante a próxima legislatura; rotatividade do presidente da Assembleia da República, começando pelo PS (Manuel Tito de Morais); cooperação parlamentar; entrega da Provedoria da Justiça à oposição (para permitir ao CDS ter um representante no Conselho de Estado); estabelecimento de um plano económico que inclui a abertura de determinados setores (banca, seguros, adubos e cimentos) à iniciativa privada; assinatura de um pacto de solidariedade social; proporcionalidade de lugares no Governo, ao nível de ministérios e secretarias de Estado; definição das quatro pastas políticas - Negócios Estrangeiros, Justiça, Administração Interna e Defesa - que serão repartidas igualitariamente com a garantia de que nenhum dos partidos poderá ficar com as duas primeiras ou com as duas últimas; defesa e consolidação das autonomias regionais; definição de uma ‘estratégia comum’ para as eleições presidenciais de 85, sem impedimento de que cada um dos partidos apresente o seu candidato; e, por último, a não extensão do acordo às eleições autárquicas”.
Terça-feira, 31 de maio a 1.ª sessão plenária durou cerca de 30 árduos minutos. “Recomeçou esta manhã a Assembleia da República. Nos corredores, os deputados cumprimentam-se, reencontram-se. As caras novas, no hemiciclo, adaptam-se aos próximos meses de nova atividade. São 250 deputados que, a partir de hoje, legislarão e fiscalizarão a atividade do Governo. Se, pela primeira vez desde o 25 de abril, a extrema-esquerda não tem qualquer representante na Assembleia (com o afastamento da UDP), entra um Verde. Integrado nas listas da APU, o PCP pediu a suspensão de José Luís Judas (dirigente da Intersindical) e abriu a porta a António Gonzalez, o Verde”. Com 36 anos, técnico de computadores, filho de um espanhol e uma portuguesa, amadureceu aos jornalistas que a sua “imagem de marca” é a “criatividade e imaginação”. “Vou-me comportar no Parlamento como sempre fui na vida. Já não me lembro, por exemplo, da última vez que usei gravata. Mas, se um dia me apetecer, ponho-a e ninguém tem nada com isso”.
A conta. (O salário mínimo na época era 13 000$00). Então, “os deputados recebem pela letra A da função pública, isto é, 51 600$00. Os deputados por Lisboa e concelhos limítrofes têm 800$00 por cada sessão plenária e 1032$00 por cada senha de presença em comissão e passe gratuito; quanto aos deputados pela província, recebem 2400$00 por cada dia de plenário (isto inclui o pagamento do hotel e refeições, que manifestamente não chega) e 15$00 por quilómetro ou caderneta de comboio, avião ou autocarro. Todos os deputados se podem deslocar, uma vez, por legislatura, à Madeira e aos Açores. Os deputados, pelo círculo da Emigração podem ir três vezes por legislatura ao círculo da Emigração por que foram eleitos. Tal como os deputados em comissão internacional, recebem 7500$00 por dia (incluindo o da partida e o da chegada), para além do pagamento (menos 15 %) do hotel”. – Sábado, 4 de junho no Hotel Altis oficializa-se o conluio nacional. “Mário Soares e Mota Pinto foram os únicos a apor a sua assinatura aos dois textos que consubstanciam as bases da aliança PS / PSD. Mas encontravam-se rodeados pelas direções dos dois partidos - Eduardo Pereira, Jaime Gama, Almeida Santos, Cal Brandão e António Macedo, pelo PS. António Capucho, Vítor Crespo, Eurico de Melo, Nuno Rodrigues dos Santos, Ângelo Correia e Fernando Condesso, pelo PSD. Na sala, as flores retratavam também a aliança. Enquanto na mesa rosas vermelhas, que têm sido emblema do PS, davam a coloração socialista, um enorme ramo de flores cor de laranja e brancas marcava a presença do PDS” [8].
Quinta-feira, 9 de junho tomada de posse do IX Governo Constitucional no palácio da Ajuda pelas 12:00 [9]. “No seu discurso de posse, Soares foca a gravidade da crise económica (agravamento da dívida externa que está a afetar em cerca de 10 % as nossas reservas de ouro) e refere a elaboração de um programa de gestão conjuntural de emergência (18 meses) que dará prioridade à vertente externa da economia. Outros programas previstos: de recuperação financeira e económica (2 a 3 anos) ‘que visa criar condições sadias para o investimento, estimular a produtividade, gerar poupanças e fomentar uma atividade empresarial ativa e dinâmica’; e de modernização da economia (4 anos), tendo em conta a adesão à CEE”. – Quarta-feira, 6 de julho fez-se História, os socialistas meteram o socialismo na gaveta e, coligados com o PSD, lançaram-se as bases de uma economia pujante que tornará o país no mais rico da Europa em 2014. Na Assembleia, discutia-se: “‘Só os burros não mudam de opinião…’ – diziam deputados socialistas, de Roque Lino a Almeida Santos. Só que, responde Carlos Brito (PCP), em tarde de grande inspiração. ‘mudam, mudam, às vezes depende das rações’”. “Cerca das duas da madrugada, o Parlamento votava a proposta do Governo presidido por Mário Soares, de abertura da banca, seguros, adubos e cimentos à iniciativa privada”. “Dois ex-ministros das Finanças defenderam a abertura da banca e seguros ao setor privado: João Salgueiro (PSD) e Morais Leitão (CDS). Este último tribuno exaltava: “Tratava-se, quanto mais rápida tivesse sido tomada, de uma grande e significativa vitória política dos defensores da liberdade e de um modelo económico europeu sobre todos os coletivistas que comandaram o golpe de 11 de março de 1975 e organizaram o assalto comunista mais brutal e completo de que foi vítima desde há muitas décadas qualquer economia do mundo ocidental”. Este Governo, mandado pelo FMI, fará muitos estragos, com paciência e vaselina, o povoléu aguenta aguenta [10].
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[1] Momento europeu da mais terna fofura. Durão Barroso, o nosso peixe no aquário, recebe, em Bruxelas, a comissão de trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo: “Não posso ser eu, para falar com franqueza, a dizer Ó comissário Almunia, de quem sou muito amigo, Ouve lá, resolve lá este assunto porque são amigos meus lá em Portugal. Não! O que eu tenho é que dizer Vamos resolver o assunto de acordo com as regras. E aí estamos num processo em que tem que ser o Governo português, as autoridades portuguesas, a apresentar soluções (…) mas o Governo até agora, português, não me fez chegar nenhuma posição oficial sobre isto, o que eu sei, da parte do Governo, é aquilo que vejo na imprensa, e confesso que na imprensa, vejo tanta coisa diferente, que francamente,,," (28 de janeiro de 2014) a).
a) Tão fofinho como garotas com cócegas. Tão amiguinho como Annabelle para a sua amiga Cassie: “Os meus pés são coceguentos”. Habilíssimas atrizes. Annabelle Lee, 1,57 m, 49 kg, 86-60-86, sapatos 37, olhos castanhos, cabelo ruivo, nascida Anna Pierceson a 9 de setembro de 1982 no Arizona. Cassie Courtland, 1,56 m, 45 kg, 86-60-86, sapatos 36, olhos castanhos, cabelo loiro, nascida a 3 de dezembro de 1982 em Atlanta.
[2] Preguiça manifesta na obediência, oração, contemplação e mendicidade dos papistas. Para os protestantes, o seu progresso pessoal, não colidia com o plano de Deus. “Chamado a exercer a sua profissão, ou, dizendo melhor, a sua função, por um decreto irrevogável do céu; predestinado para a compra e venda, como outros para escrever e pregar; praticando as mesmas virtudes exigidas, a um tempo, pela vontade de Deus e pela prosperidade do negócio: atividade, consciência, prudência, economia – o comerciante, que vai ganhar na sociedade europeia um lugar cada vez mais considerável, passa sem remorsos, sem escrúpulos, sem hesitação, do escritório para o templo, cabeça alta, ciente de obedecer ao seu duplo dever, orgulhoso por assegurar, ao mesmo tempo, o lugar presente na terra e o lugar futuro no céu. Desforra do Calvinismo: assim se carateriza pelo menos em parte, a deslocação do poder que se faz do sul para o norte”, em “A crise da consciência europeia”, Paul Hazard.
[3] Quinta-feira, 31 de março de 1983, a RTP 1 transmite no programa “1.ª Página”, apresentado pela locutora Margarida Marante, um debate televisivo entre Mota Pinto (PSD), Mário Soares (PS), Álvaro Cunhal (PCP) e Lucas Pires (CDS). “Um debate em que, para surpresa, sem dúvida, do seu próprio eleitorado, o prof. Mota Pinto, nervoso, hesitante e pouco à vontade no seu novo papel de líder do PSD, não aguentou o fogo cruzado de Soares e de Cunhal, por um lado, e as ‘mordidelas’ de um Lucas Pires apostado em demonstrar que a ‘social democracia não é senão uma espécie de euro-socialismo’”. Com o FMI em Lisboa era obrigatória uma coligação PS / PSD para assinar os contratos. Por isso, “convencido de que tudo, nestas eleições, joga a seu favor, Mário Soares trata Mota Pinto com bonomia, como um primeiro-ministro trataria um seu ministro da Administração Interna de um partido coligado: eles são um pouco a caricatura do marquês de Pombal e o seu leão domesticado na estátua da rotunda”. No caldo do debate, Mota Pinto defendeu-se com portugalidade das arranhadelas de Lucas Pires: “O PSD está muito no cerne da coisa portuguesa. (…). Nós, no PSD, quando ganharmos as eleições vamos para um Portugal ligado aos valores portugueses. Democrático mas com firmeza e autoridade do Estado”.
A situação do país era simples bancarrota. “Dos cerca de 9 mil milhões de dólares da dívida de médio e longo prazo, Portugal tem de pagar, este ano, 13 % (1,7 mil milhões de dólares), 15 % em 1984 (1,35 mil milhões) e 14 % em 1985 (1,26 mil milhões). A conjugação da dívida de curto prazo (cerca de 3,6 mil milhões) com o serviço da dívida externa (juros e amortizações), que ascende a 2,47 mil milhões, verifica-se que Portugal tem de pagar este ano mais de 6 mil milhões de dólares ao estrangeiro”. O país sem um chavo, o FMI não emprestaria para leviandades, tais como comer ou vestir, mesmo assim, Mota Pinto prometia como um cura: garantiu aos portugueses casa própria e rendas baixas, à juventude asfixiada, primeiros empregos, aos reformados, melhores reformas, “tudo sem demagogia” b).
Nas ações da campanha eleitoral de 83, a luta de classes refletia uma luta de culturas. “Quanto ao CDS, as ações de campanha previstas para sábado, 2 de abril, são um comício, em Coruche, às 18:15, onde usarão da palavra Adriano Moreira, Caldas de Almeida e Soares Cruz, num convívio rock com o agrupamento Da Vinci, na Feira Nacional da Agricultura em Santarém, enquanto Lucas Pires se desloca à Régua, na qualidade de ministro da Cultura”. Na segunda-feira, 4 de abril “no Porto, a APU (Aliança Povo Unido, coligação entre PCP, MDP/CDE e Os Verdes) promove no circo Povo Unido, instalado na avenida Fernão de Magalhães, uma noite de jazz com o quarteto de António Pinho Vargas”. 
b) Em Pombal, um concelho laranja, a 27 de julho de 2013, em frente da estátua de Mota Pinto, no lançamento da primeira pedra do Centro Carlos Alberto da Mota Pinto, o 1.º ministro Passos Coelho torce a História fazendo o milagre da transformação do pechisbeque em ouro: “Apesar das diferenças que existiam entre os partidos, ter sido possível com a liderança dele, colocar muitas das diferenças de lado, e essas diferenças existiam, mas podermos mostrar um! espírito de união para o país, que era necessário para ultrapassar aquelas grandes dificuldades”. O Centro Mota Pinto, orçamentado em 750 mil euros, segundo o presidente da Câmara, Narciso Mota, “permitirá ‘atribuir uma nova dimensão e valorização à casa onde nasceu e viveu’ o ex-primeiro-ministro, ‘como espaço privilegiado e orientado para a promoção, estudo e investigação da vida e da obra’ daquele ‘ilustre pombalense’”.
[4] O suspense adensava-se. “Em termos de gabinetes ministeriais a proporção será de nove para o PS e seis para o PSD. Nesta base, admite-se que o próximo Governo venha a ter a seguinte distribuição de pastas: Assuntos Parlamentares - PS, acumulada com a função de vice-primeiro-ministro; Justiça e Reforma Administrativa - PSD, acumulada pelo vice-primeiro-ministro; Finanças e Plano - PS; Negócios Estrangeiros - PS; Defesa - PS; Mar - PS; Trabalho e Assuntos Sociais - PS; Indústria - PS; Educação - PS; Cultura - PS; Administração Interna - PSD; Saúde - PSD; Agricultura - PSD; Habitação e Obras Públicas - PSD; Transportes e Comunicações - PSD. Não estando ainda totalmente decidida esta estrutura, a Cultura é uma das pastas que poderá ir para o PSD, enquanto que, na troca, o PS ficaria com as Obras Públicas ou os Transportes”. “Tem-se falado na proporção nove / seis, mas tudo indica que o mais correto venha a ser de oito / seis, ou seja: oito ministérios para o PS, além do lugar de primeiro-ministro, e seis para o PSD. Contrariamente às pretensões do PS, deverá haver apenas um vice-primeiro-ministro (Mota Pinto), ficando Almeida Santos como ministro de Estado”.
[5] As lutas políticas para trazer o país ao estado de mais rico da Europa em 2014 foram duais e violentas. Os dois líderes gritaram-se: “you bitch, I'll make you suffer!” – Chun-Li vs. Vega no filme de animação “Street Fighter II” (1994). Chun-Li vs. Tifa (Street Fighter II vs Final Fantasy VII) c/ a atriz, dupla de cinema e especialista de artes marciais canadiana Samantha Jo (Chun-Li) e a dupla de cinema, atriz, especialista em parkour, corrida livre, artes marciais e ginástica, também canadiana, Irma Evangelista. Nos jogos: Chun-Li: “Sou a mulher mais forte do mundo!”. Tifa Lockhart é “esplendorosa e otimista, Tifa anima sempre os outros quando estão em baixo. Mas não se deixe enganar pela sua aparência, ela consegue dizimar praticamente qualquer inimigo com os seus punhos”.
[6] A “repartição de outros cargos fora do Governo, caso das empresas do Estado, banca, seguros, direções regionais, etc. será feita, também, na base da proporcionalidade dos resultados eleitorais de 25 de abril. Recentemente, numa reunião de militantes, Mário Soares garantiu que serão readmitidos nos seus lugares, se o pretenderem, os quadros socialistas que foram afastados pelos Governos da AD (Aliança Democrática). Quanto à estrutura orgânica do novo Governo, ela está totalmente estabelecida: serão quinze pastas, repartidas na proporção oito / seis, mais o ‘independente’ Ernâni Lopes”.
[7] Jovens maduros, um futuro certo, orgulho de pais e país, exceto nos invisíveis cromossomas, não havia hipsters na multidão em Portugal c). “Lesbian Hipsters”, Cassie Laine e Kiera Winters no filme “We Live Together: Bang Me Fever” (2013): “Cassie Laine estava ocupada a estudar para o seu curso, – talvez na Lusófona e corresse contra o tempo por causa do Conselho Oficial da Praxe Académica –, mas Kiera não estava satisfeita. Kiera estava aborrecida e queria galhofa, por isso pôs-se a distrair Cassie até conseguir o que queria. Realmente não demorou muito para pôr a Cassie toda amável e com tesão”. Atrizes do método, bolseiras de conservatório e escolas superiores de cinema, ambas, ofuscam, na arte de representar, as canastronas de Hollywood oscarizadas. Kiera Winters, 1,57 m, 45 kg, 86-60-91, sapatos 36, olhos azuis, cabelo castanho, nascida a 2 de fevereiro de 1993 em Meridian, Idaho. No site Digital Desire ♣ {blog} ♣ {blog}. No cinema “Early Morning” ♣ c/ Natasha Malkova  ♣ c/ Veronica Rodriguez ♣ a deusa latina Veronica Rodriguez, a gira Kiera Winters e a aboborinhas pequeninas Odette Delacroix em "Circle of Friends". Odette é uma atriz nascida a 15 de outubro de 1989 em Los Angeles, Califórnia, 1,52 m, 40 kg, 81-58-81, sapatos 35, olhos verdes, cabelo loiro {site}. – Magnificat Cassie Laine, 1,55 m, 43 kg, 81-60-86, sapato 35, olhos castanhos, cabelo castanho, nascida a 23 de outubro de 1991. Posição favorita: à canzana. No site TwistysMatrix ModelsBabes.com. No cinema: solo ♣ “O melhor brinquedo alguma vez feito” ♣ “Confortando uma amiga”, c/ Lola Foxx. Atriz americana, 1,52 m, 50 kg, 81-60-91, sapatos 37, olhos castanhos, cabelo castanho, nascida em Los Angeles a 1 de novembro de 1991 ♣ “Burro lambido e mastigando gatinho”, c/ Alyssa Reece. Atriz canadiana nascida a 3 de maio de 1985 em Vancôver, 1,65 m, 52 kg, 86-61-84, sapatos 38 ½, olhos castanhos, cabelos castanhos. Posição favorita: “diria à canzana, provavelmente, e por cima e também a posição do missionário, essas três” {site} ♣ “Cassie gosta de brincar com os pés sensíveis a cócegas e lábios cor-de-rosa da Shyla”. Shyla Jennings, 1,57 m, 44 kg, 81-63-83, sapatos 35, olhos verdes, cabelo castanho. Posição preferida: o 69. “Adorável, bem torneada e compacta, a estonteante morena Shyla Jennings nasceu Brenda Reshell Kibler a 16 de junho de 1985 em Estugarda, Baden-Württemberg, na Alemanha. Ela é de descendência holandesa, alemã e espanhola. Ademais, o seu pai era militar e ela cresceu no Texas. Shyla perdeu a virgindade aos 15 anos”. Entrevista: Shyla tem dois cães, um pássaro e peixe de água salgada. Ouve desde Led Zeppelin, Sneaker Pimps a Radiohead. Filmes de sempre: “Big Fish” (2003), “True Romance” (1993). Lugar favorito no mundo: a sua cama. Parte preferida do seu corpo: “as minhas mamas, pequenas mas atrevidas e divertidas de se brincar”. Lugar mais estranho onde fez sexo: “em cima do meu carro no estacionamento do meu apartamento”. Brinquedo favorito: o coelho. Fodes no primeiro encontro? “Nunca”. Vês porno, qual é o teu nicho favorito? “Rapariga com rapariga trituração de rata”. Tens orgasmos reais quando rodas uma cena? “Absolutamente”. No ATK Uniforms ♣ {site} No cinema: “Masturbação” ♣ “Shyla vê bichano e chapim”.
c) “Investigadores determinaram que o homem do mesolítico tinha olhos azuis e pele escura, após testarem um dente encontrado numa gruta em Espanha. (…). O retrato robot do homem do mesolítico revela que o homem moderno não é assim tão diferente dos seus antepassados das cavernas como se pensava, apresentando o retrato uma semelhança impressionante com a fauna barbada hipster de Brooklyn”.
[8] As flores de Portugal desabrocham graças à Filosofia. Em junho de 2013, aconteceu uma mudança de filosofia na Playboy portuguesa, a revista decide apostar em jovens desconhecidas. “Maria João Domingues foi a primeira ‘não-celebridade’ (apesar de ter já realizado trabalhos de fotografia sensual para diversas revistas) a ser capa da Playboy Portugal. A modelo de 21 anos, protagoniza na praia uma sessão ousada, da autoria de Maria Vasconcelos, a recordar que é já este mês que se inicia o verão”. Aos 19 anos, ela foi a vencedora do mês de março 2012 da Miss Fanática Record. – Maria João, 1,65 m, 57 kg, 93-65-83, nascida a 30 de janeiro de 1992 em Arcos de Valdevez. “Depois de ter ganhado o título Miss Escola, quando andava no Secundário, a jovem decidiu apostar numa carreira na moda. ‘Desde essa altura, tenho feito vários trabalhos como modelo fotográfico, e este verão vou fazer uma formação nessa área’, revela. Paralelamente, estuda Ciências da Comunicação, no Porto. ‘Vou sempre conciliar os estudos com a moda’”. Mais disse: “Estou em muito boa forma e, se há coisa que me dá prazer, é cuidar do meu corpo e valorizar-me”. “Acho que tenho um corpo escultural e bem delineado, mas é graças ao meu esforço. Tenho muitos cuidados”. “A parte de que mais gosto são as pernas, porque estão muito tonificadas. De uma forma geral, estou muito contente como meu corpo”. “Recebo muitos piropos, mas eu não sou só peito e rabo. Sou uma pessoa muito criativa, determinada e sonhadora. Mas gosto de ser elogiada, não nego”. A Playboy Portugal de julho / agosto de 2013 introduz a segunda jovem desconhecida, Patrícia Lage, natural de Portimão, estudou hotelaria em Lagos e tem como ambição ser uma Relações Públicas.
[9] Composição do Governo. Primeiro-ministro Mário Soares; vice-primeiro-ministro Mota Pinto; ministro de Estado e dos Assuntos Parlamentares Almeida Santos (PS); Negócios Estrangeiros Jaime Gama (PS); Administração Interna Eduardo Pereira (PS); Justiça Rui Machete (PSD); Finanças Ernâni Lopes (independente): Indústria e Energia Veiga Simão (PS); Agricultura Manuel Soares da Costa (PSD); Equipamento Social e Transportes Rosado Correia (PS); Cultura Coimbra Martins (PS); Educação e Universidades José Augusto Seabra (independente); Mar Carlos Melancia (PS); Comércio e Turismo Álvaro Barreto (PSD); Trabalho e dos Assuntos Sociais Amândio de Azevedo (PSD); Saúde Maldonado Gonelha (PS); Qualidade de Vida e do Ambiente António Capucho (PSD). E Sottomayor Cardia ganhou o cargo de líder parlamentar do PS.
[10] “Se realmente queres ganhar o amor completo desta mulher, com paciência e vaselina, chega-se longe nesta vida”, sábia sentença no “Caso cerrado”, da juíza Ana María chamada a arbitrar o conflito entre, uma desvalida esposa, que reclamava divórcio assustada pela enormidade do pilão do marido, e o cônjuge que exigia o seu direito de penetração. “Umas queixam-se porque é pouquinho, outras queixam-se porque é muito, aqui ninguém está feliz”, concluía a juíza uma verdade existencial. – “Caso cerrado é um programa de televisão transmitido a partir de 20 de novembro de 1998 pela estação Telemundo desde Miami, Estados Unidos, cujo formato se baseia na resolução de conflitos. A sua apresentadora é a doutora em leis cubano-americana Ana María Polo”.

na sala de cinema

Nana” (1983), real. Dan Wolman, música Ennio Morricone, produção Yoram Globus e Menahem Golan, filme livremente adaptado do romance de Émile Zola c/ Katya Berger, Debra Berger [1], Jean-Pierre Aumont, Annie Belle [2], Mandy Rice-Davies [3]... “Na década de 1880, Paris, uma cândida moçoila chega a um bordel, ela é Nana, autêntica, sincera, mas rapidamente aprende a usar a sua sensual inocência para conseguir o que quer. É atriz para um cineasta de softcore e em breve é a mais popular cortesã em Paris, traduzindo isso numa casa, comprada por um banqueiro abastado. Ela despacha-o e ocupa-se com o seu vizinho, um conde de retidão impecável e com o impressionável filho do conde. Rapidamente, o conde está pela trela como um cãozinho e a hipotecar as suas terras para satisfazer os caprichos dela. Nana leva-o à falência, organiza a corrupção sexual da sua esposa e seduz-lhe o filho no dia do seu casamento”. {poster} {YouTube} [4]. “A gozar, a gozar, que el mundo se va a acabar” (1990), real. Miguel M. Delgado, filme mexicano c/ Roberto ‘Flaco’ Guzmán, Eduardo de la Peña, Joaquín Cordero, Guilherme Rivas, Lina Santos… “Um padre embebeda-se e, durante um tremor de terra, um santo avisa-o que o mundo vai acabar. Comunica a notícia ao povo e todos se confessam, mas quando chega o dia, não acontece nada e discutem todos uns com os outros. Entretanto, uns engenheiros regressam aos trabalhos numa barragem e a aldeia desaparece submergida nas águas” [5].
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[1] Katya Berger “nascida em Munique, Alemanha Ocidental, 1964. É filha de Hugh Russell Bebb e da cantora, compositora e atriz croata Hanja Kochansky, e enteada do ator austríaco, veterano dos western spaghetti, William Berger. O seu meio-irmão é Kasimir Berger (nascido em Londres a 3 de outubro, 1974), que atuou com o seu pai na minissérie ‘Christopher Columbus’ (1985), como Diego em criança; em ‘Taureg: il guerriero del deserto’ (1984), [estreia no Odeon, sexta-feira, 26 outubro de 1990], como o filho de Gacel; e com a sua mãe e irmã em ‘Rosso sangue’ (1981), como Willy Bennett. E ela é meia-irmã da atriz Debra Berger. Katya apareceu apenas num punhado de filmes entre 1978 e 1983, muitas vezes em cenas e papéis sexualmente muito explícitos mas, depois de um hiato na representação de mais de 20 anos, reapareceu recentemente na curta-metragem ‘13/14’ de Ingrid Gogny”. – Decantados filmes com Katya Berger: “Piccole Labbra” (1978), o regresso do soldado a casa com os genitais estraçalhados na guerra que se enrabicha pela filha de 12 anos do estalajadeiro. Ou “Storie di ordinaria follia” (1981), estreia quinta-feira, 3 de fevereiro de 1983 no cinema Castil. Katya é a miúda na praia que pergunta: “De onde te vem a poesia?”, Charles Serking (Ben Gazzara): “Mostra-me as tetas e faço-te um poema só para ti”, ela: “Vem para a minha ilha, vem. Podes saber tudo sobre poesia, mas não conheces o caminho”, Charles Serking: “E o sol brande misericórdia / mas como uma tocha lá no alto, / e os jatos cruzam ao seu lado / e os foguetões saltam como sapos, / a paz já não é, por alguma razão, preciosa / a loucura flutua como almofadas de lírios / numa lagoa circulando insanamente / os pintores pintam molhando / os vermelhos e os verdes e os amarelos, / os poetas rimam a sua solidão, / os músicos morrem de fome como sempre / e os escritores erram o alvo, / mas não os pelicanos, as gaivotas / os pelicanos mergulham, sobem, / arrepiados quase mortos / com peixes radioativos nos bicos; / o céu acende-se de vermelho e laranja, / as flores desabrocham como sempre / desabrocharam mas cobertas de uma fina poeira / de combustível e cogumelos / cogumelos envenenados; / e em milhões de alcovas / os amantes se entrelaçam e perdidos / e doentes como a paz; / Não podemos acordar? devemos para sempre / queridos amigos, morrer enquanto dormimos?”, extratos do poema The Sun Wields Mercy, de Charles Bukowski. {YouTube} a).
a) Que se lixe o espetáculo, a arte deve continuar. “Primeiras cenas de nudez das estrelas”. Mischa Barton: “Não me importo com a nudez, desde que seja necessária para a história, quero dizer, é um pouco estranho, porque estamos, tipo, nuas num quarto cheio de estranhos”. Há um momento de reserva do corpo feminino que lhe aumenta o valor, escreve Georges Bataille: “Na maior parte dos casos, o objeto oferecido à procura masculina esquiva-se. Esquivar-se não significa que a oferta não se dê, mas que as condições requeridas não tiveram lugar. De resto, mesmo que o tenham tido, a fuga inicial, aparente negação de oferta, sublinha o seu valor”, em “O erotismo”. Valorizada, Mischa, desnuou-se em frente de eventuais estranhos em “The Oh in Ohio” (2006), “Closing the Ring” (2007), "Assassination of a High School President" (2008)…
[2] Annie Belle, nascida em Paris, 10 de dezembro de 1956. “Belle teve o seu primeiro papel, antes dos 18 anos, no filme de 1974 de Jean Rollin ‘Tout le monde il en a deux (ou Bacchanales sexuelles)’ b), no qual tem apenas um pequeno mas memorável papel. Rollin adorou trabalhar com Belle, então decidiu recrutá-la para o seu filme de 1975 ‘Lèvres de sang’, e essas foram as únicas vezes que ela trabalhou com o realizador. Pouco depois de rodar ‘Lèvres de sang’, Belle mudou-se para Itália e depressa se tornou uma das mais requisitadas atrizes do cinema exploitation italiano, protagonizando, apenas em 1976, três filmes maiores: ‘Laure (ou Forever Emmanuelle)’, real. Emmanuelle Arsan, ‘Blue Belle (ou La fine dellinnocenza)’ e ‘Veluto nero’ c/ Laura Gemser [estreia quinta-feira, 10 de maio de 1979 no cinema Pathé]. ‘Blue Belle’ foi um dos pontos-chave na carreira de Belle, um filme onde é mencionada como co-argumentista, e chamou ao realizador Massimo Dallamano ‘um grande profissional e um homem talentoso’. Um dos filmes de Belle mais controversos foi ‘Veluto nero’. Belle recorda-se de ‘Forever Emmanuelle’ como um filme ‘não muito bom’. No início de 1980, Belle trabalhou em filmes italianos, ‘La casa sperduta nel parco’ (1980), o qual recorda como sendo muito ‘cruel’ e também muito ‘interessante’ e, em dois filmes de Joe D’Amato, ‘Absurd (ou Rosso sangue)’ e ‘L’alcova’ (1985). Belle adorava D’Amato, chamando-o um grande diretor de atores e também disse que ele poderia ter sido, de facto, ‘um dos maiores cineastas de sempre’. Problemas pessoais abrandaram a sua carreira nos anos 80 e em 1989 entrou no seu último filme ‘Luna di sangue’, depois retirou-se”. 
b)As amizades descolam com um bom começo, quando a insaciável Joëlle Coeur e a sua amiga Michelle (Marie-France Morel) chegam a um apartamento parisiense bacano, onde vão passar algum tempo a cuidar da casa do primo de Joëlle, um jornalista que está fora cobrindo uma grande reportagem. Com desenhos de Phillipe Druillet emoldurados na parede, bugigangas góticas sobre a cornija da lareira e prateleiras cheias de estranha e rara literatura francesa, de certeza parece-se com o apartamento de Jean Rollin. (…). ‘Tens algo que se beba?’, pergunta Michelle. Embicando de imediato Joëlle para a cozinha, volta com vodka e vermute, que elas emborcam diretamente das garrafas. Para completar o ambiente, Michelle dirige-se para o gira-discos e coloca a agulha no LP ‘Go Home’, do grupo de jazz avant-garde Art Ensemble of Chicago”.
[3] Mandy Rice-Davies foi uma das prostitutas, ditas call girls, que na alvorada da década de 60 animaram o Governo conservador inglês. A outra foi Christine Keeler. A imprensa chamou-lhes “vice girls”. O ministro da Guerra John Profumo comeu. Christine Keeler “a call girl e modelo, cujo caso com o ministro John Profumo perseguiu o Governo de Harold Macmillian, foi presa durante nove meses em dezembro de 1963 por perjúrio. Contando isso aos seus pais atrás das grades na prisão de Holloway, ela tenta tranquilizá-los dizendo que está a aguentar-se. Então com 21 anos, escreveu: ‘Não se preocupem, estou bem, na verdade, é como regressar à escola, e há aqui uma rapariga com quem andei na escola’. Keeler tinha apenas 19 anos, quando começou o seu caso com Profumo em 1961, após ele tê-la visto a sair nua da piscina na Cliveden House, perto de Marlow, durante um passeio ao fim da tarde com a esposa. A subsequente mentira de Profumo, na Câmara dos Comuns, sobre o caso, precipitou a sua renúncia, e, possivelmente, a derrota dos conservadores em 1964”. Working girl de Stephen Ward, “um osteopata com um biscate na prostituição para a classe alta, Keeler ascendeu à fama durante o julgamento de Ward, em 1963, acusado viver de ‘rendimentos imorais’ c). A sua reputação foi lacrada por uma foto, dela, escarranchada numa cadeira, sem nada vestido, tirada nesse verão”.
O fotógrafo Lewis Morley recorda: “Esta foto era uma de uma série de fotografias publicitárias para um presumível filme que nunca viu a luz do dia. Só em 1989 é que um filme dos acontecimentos de 1963 foi lançado, com o título ‘Scandal’. A sessão fotográfica aconteceu no meu estúdio que, na altura, estava situado no primeiro andar do Establishment, um clube noturno satírico, em parte propriedade de Peter Cook, famoso pela comédia teatral ‘Beyond The Fringe’. Os números satíricos ocorriam num pequeno palco no rés-do-chão do clube. O Dudley Moore Trio tocava jazz na cave. (…). Os produtores do filme estavam presentes e exigiram que ela se despisse para algumas fotos nuas. Christine estava relutante em fazê-lo, mas os produtores insistiram, dizendo que estava escrito no seu contrato. A situação ficou bastante tensa e chegou a um impasse. Sugeri que todos, incluindo o meu assistente, saíssem do estúdio. Virei-me de costas para a Christine dizendo-lhe para se despir, e se sentasse com cadeira ao contrário. Ela estava agora nua, cumprindo as condições do contrato, mas ao mesmo tempo estava tapada”.
“A cadeira, inspirada num do mais bem sucedidos designs de mobília do século XX, está no centro da história de uma das mais inesperadas aquisições do Museu Victoria and Albert. A cadeira em que se sentou Christine Keeler na célebre sessão fotográfica, foi corretamente identificada como uma falsificação, ou imitação, da cadeira clássica, modelo 3107, de Arne Jacobsen. O fotógrafo Lewis Morley tinha comprado meia dúzia delas nuns saldos no Heal’s por 5 xelins cada em 1960. A cadeira está inscrita, por baixo, por Lewis, com os nomes dos muito famosos que a obsequiaram com o seu traseiro, incluindo Sir Robert Frost, Joe Orton e Dame Edna Everage”.
“Em março de 1964, Keeler escreveu que esperava capitalizar com a sua celebridade quando fosse libertada. ‘Sou apenas jovem e devo começar uma carreira de algum tipo, visto o meu nome ser bem conhecido. Poderia muito bem continuar com isso e fazer-nos muito dinheiro ha! ha!’, escreveu ela aos pais. Contudo, a sua carreira como uma pin-up foi relativamente curta e ela acabou a viver numa série de casas da Câmara”. “Naquela época, lembra um contemporâneo, ‘cada homem na sala queria fazer sexo com ela’. Atualmente, a avó de 71 anos vive sozinha numa habitação social (sheltered house) em Beckenham, sul de Londres, com os seus gatos”. A outra, “Mandy Rice-Davies capitalizou a notoriedade que o julgamento lhe trouxe, comparando-se a Lady Hamilton, a amante de lorde Nelson. Converteu-se ao judaísmo e casou com o empresário israelita Rafi Shauli, abrindo vários clubes noturnos e restaurantes em Telavive. Foram chamados Mandy’s, Mandy’s Candies e Mandy’s Singing Bamboo. Em meados dos anos 60, Rice-Davies gravou uma série de singles pop fracassados para a etiqueta Ember, incluindo ‘Close Your Eyes’ e ‘You Got What it Takes’. (…). No auge do escândalo Profumo, o primeiro primeiro-ministro da Malásia independente, Tunku Abdul Rahman, veio a Londres para uma visita. Numa receção, no aeroporto de Heathrow, quando lhe perguntaram o que queria fazer primeiro, ele retorquiu ‘Eu quero Mandi’, o que chocou a festa de receção, porque eles não sabiam que ‘Mandi’ significa ‘tomar um banho’ em malaio”.
“Talvez o mais fascinante de tudo, é que, apesar de antigamente serem tão unidas que alinhavam em comboios de sexo a três, incluindo com Douglas Fairbanks jr., as duas mulheres não se falam há 30 anos. Rice-Davies, que também é avó, afirmou que não sabe por que a ex-amiga nunca mais lhe falou. ‘Por alguma razão ela não gosta de mim, talvez por que vivi no estrangeiro e escapei a muito do óbvio preconceito que ela sofreu’. Mas segundo um antigo conhecido de Keeler, a visão de Rice-Davies envolvendo-se na ribalta outra vez, seria demasiado para Keeler suportar. ‘Ela sempre considerou Mandy como uma arrivista, que viu o que Christine tinha, no início, e queria-o. É muito irritante para ela ver quão bem Mandy se safou. Christine não chega perto da obstinação ou espírito empresarial de Mandy. Teve sempre uma certa ingenuidade. Sente-se usada por tantas pessoas e ela acabou com nada’. (…). O veredito de Keeler sobre a sua ex-amiga é mais amaldiçoador. ‘Uma verdadeira pega’, é como ela descreve Rice-Davies na sua mais recente autobiografia, ‘Secrets and Lies’, acrescentando: ‘Havia sempre uma surpresa na sua cara sempre que ela pensava que devia fazer mais do que deitar-se na horizontal para ganhar a vida. Ou balançar-se de lustres. Nos anos desde que nos conhecemos, sinto que ela tem deturpado os eventos e me deitado abaixo. Ela deve ter gostado do meu estilo, no entanto, pois imita-o nas suas fantasias, tomando conta da minha vida’. (…). Elas conheceram-se no Murray’s Cabaret Club, no Soho, onde os escalões altos da sociedade londrina bebericam champanhe, enquanto assistem a espetáculos de raparigas de seios nus – incluindo Keeler e Rice-Davies – a dançar nas suas mesas em trajes de lantejoulas e meias de rede. Keeler, que cresceu na pobreza em dois vagões adjacentes em Wraysbury, Berkshire, tinha 17 anos quando começou a trabalhar lá, na primavera de 1959. Filha de um polícia, Rice-Davies tinha acabado de fazer 16 anos quando apareceu no ano seguinte vinda de Solihull, nas West Midlands. Forçada a dividir o seu camarim pela primeira vez, Keeler logo antipatizou com ela. ‘Tudo nela dizia Quero casar com um milionário, ela poderia muito bem ter carregado um letreiro’, escreveu ela na sua autobiografia, acrescentando: ‘Ela tinha impregnado o cheiro da ambição. Parecia-me sem tato’. Mas atiradas no mesmo fosso de ursos social, muitas vezes incapazes de ganhar o suficiente para se alimentarem, as duas adolescentes tornaram-se companheiras, vagueando por Chelsea e Belgravia, à procura de cafés baratos ou amigos endinheirados para as alimentarem. ‘Descobrimos que dando-nos bem era mais fácil do que sermos más uma para a outra’, lembra Keeler. Foi no Murray’s Cabaret que Keeler conheceu o osteopata Stephen Ward, que contava entre os seus clientes Winston Churchill, Frank Sinatra e Elizabeth Taylor, e tinha a reputação de fornecer jovens atrativas acompanhantes aos seus amigos ricos”.
c) Stephen Ward introduzira Christine Keeler na cama de Profumo e na do adido naval russo e espião Yevgeny Ivanov e Mandy Rice-Davies na do visconde de Astor, entre outros, no mundo de orgias frequentadas por aristocratas, políticos e estrelas de cinema. “Quando o ministério público notou que lorde Astor negou o caso e mesmo de alguma vez a ter conhecido, Mandy respondeu: ‘Ele o negaria, não negaria?’”.
[4] A alegria da liberdade. “Fashion Monster” (2013): “Não quero ser uma boa rapariga como as outras, não sentes o mesmo / Não quero ser amarrada pelas regras dos outros / Ser egoísta, coração a bater, quero continuar assim”. “Kiriko Takemura nasceu a 29 de janeiro de 1993, conhecida pelo seu nome artístico Kyary Pamyu Pamyu, é uma modelo, bloquista e cantora japonesa. A sua imagem pública está associada à cultura kawaisa [significa ‘adorável’, é a qualidade de fofura no contexto da cultura japonesa] e decora [subcultura de moda jovem caraterizada por roupas coloridas com excesso de acessórios e brinquedos], concentrada no bairro Harajuku de Tóquio. (…). Kyary explicou o seu nome artístico numa entrevista para a MTV japonesa. Ao usar perucas loiras como uma afetação de moda no liceu, uma amiga começou a chamar-lhe Kyari, porque ela adotou a cultura ocidental e parecia-se ‘como uma rapariga estrangeira’. O nome pegou. Ela pensou que o nome Kyari – a soletração fonética japonesa do nome ocidental Carrie – era muito curto e ‘faltava-lhe algo’. Juntou-lhe Pamyu Pamyu porque soava fofo. Ela refere o seu nome artístico completo como Caroline Charonplop Kyary Pamyu Pamyu” ▬ “PonPonPon” (2011) ♫ “Tsukematsukeru / pestanas postiças” (2011), “Kyary declarou que a música foi criada após trocar mensagens com o seu produtor, Nakata Yasutaka. Kyary disse que se tornara viciada em colocar pestanas postiças e Nakata respondeu-lhe que ‘Tsukematsukeru soava bem’”.
[5] Ou acaba o mundo ou acaba o corpo. (Futuros não existem na vida real, só na Economia e apenas por inépcia da atual classe política). “Un amour de jeunesse” (2011), real. Mia Hansen-Løve, c/ Lola Créton, Sebastian Urzendowsky… “Paris, 1999. Camille tem 15 anos e está apaixonada no amor e no sexo por Sullivan, que tem 19 anos. Sullivan planeia uma viagem de dez meses à América do Sul com os seus amigos. Não leva Camille com ele, o que a faz sentir-se bastante insegura e ressentida. Antes de Sullivan partir, eles passam algum tempo na casa de montanha de Camille em Ardeche, a cavalgar pelos campos, a colher amoras, a desfrutar do sol e a nadar no Loire. Quando regressam, no outono, Sullivam parte, escrevendo cartas a Camille, enquanto ela traça a rota dele num mapa na parede do quarto de dormir. O tempo passa, e Sullivan deixa de escrever. Camille entra em depressão e acaba num hospital depois de uma tentativa de suicídio. Mas ela segue a sua vida em frente. Em 2003, quatro anos decorreram, e Camille é uma estudante de arquitetura. Seguiu com a vida, cortou o cabelo, tem um emprego, e lentamente começa a apaixonar-se pelo seu professor Lorenz”.
Banda sonora deste amor adolescente: Violeta Parra “Volver a los 17” ♫ Violeta Parra “Gracias a la vida” ♫ Matt McGinn “Little Ticks of Time” ♫ Patrick Street “Music for a Found Harmonium” ♫ Andrew Cronshaw “Wasps in the Woodpile” ♫ Miss Kittin & The Hacker “Frank Sinatra” ♫ We in Music “Now That Love Has Gone” ♫ Johnny Flynn e Laura Marling “The Water”.

no aparelho de televisão

LHeure Simenon” (1987-88), duração 52 min., coprodução franco-germano-hélvetico-austro-holandesa baseada nos romances de Georges Simenon. Transmitida às terças-feiras cerca das 22:30 na RTP 1. De 12 de julho / 23 de agosto de 1988. Episódio 3 “Strip-tease”: “durante os anos 50, no universo glauco de uma boîte de província, a vida sem alegria de uma bailarina a envelhecer”. Episódio 4 “Les demoiselles de Concarneau”: “levando uma existência sufocante entre as suas duas irmãs, um homem vê a sua vida irremediavelmente desperdiçada por um acidente, pelo qual ele não é totalmente responsável”. Episódio 5 “Le fils Cardinaud”: “saído de uma família proletária, um homem, tornado burguês de moral muito estrita, não pode aceitar a partida da sua mulher e faz tudo para a reencontrar”. “Fantasy Island” (1977-1984), duração 45 min., transmitida às quintas-feiras pelas 13:30 na RTP 1. De 30 de junho de 1988 / 6 de abril de 1989. “Antes de ser uma série de televisão, A ilha da fantasia, foi apresentada ao público em 1977 através de dois telefilmes. Transmitida entre 1978 e 1984, a série era interpretada por Ricardo Montalbán, como Mr. Roarke, o enigmático supervisor de uma ilha misteriosa no oceano Pacífico, onde as pessoas de todas as classes sociais podiam vir e viver todas as suas fantasias, ainda que por um preço”, 50 mil dólares. “A série foi filmada principalmente em Burbank, Califórnia, sendo as cenas do litoral da ilha mágica, no genérico, filmadas em Moorea, Polinésia francesa. A casa com a torre do sino, onde Tattoo toca, é o Queen Anne Cottage, localizado no arboreto e jardim botânico de Los Angeles, em Arcadia. O avião [1], ‘a chegar’ com os convidados, era filmado na lagoa atrás do Queen Anne Cottage. Às vezes, as cenas exteriores eram filmadas no arboreto”. Muitos(as) convidados(as) famosos(as) aterram na ilha como Linda Cristal, Lola Falana, Sue Lyon, Tracey Gold, Samantha Eggar, Jo Ann Pflug ou Dorothy Stratten. Em 1998, a ABC ressuscitou a série com Malcolm McDowell no papel de Mr. Roarke. “Enquanto esta versão teve alguns elementos interessantes, não teve o mesmo charme da série original. Produzida entre 1998 e 1999 rodaram-se 13 episódios. Mr. Roarke é o anfitrião da nova Ilha da fantasia [2]. Trocou o antigo fato branco por modelos de Giorgio Armani para melhor receber os seus novos hóspedes. Mr. Roarke está mais irónico, mais misterioso e já não conta com a assistência de Tattoo[3]. “Vivá Música” “programa da autoria de Jorge Pêgo, João Igreja e Manuel Medeiros. Produção de Manuel Medeiros e apresentação de Jorge Pêgo. Nasceu para fazer o aproveitamento dos telediscos que iam chegando todos os dias à RTP. O autor e apresentador era Jorge Pêgo que na mesma altura apresentava o programa ‘TNT - Todos No Top’ na Comercial. Trabalhava em rádio desde o início da década de 70 tendo colaborado em televisão no programa ‘Ligeiríssimo’ (1977) [4] e na segunda fase de ‘Semi-Breves’ (1979). Depois de ser convidado para fazer o programa sugere que ele passe a apoiar a música portuguesa que vivia o emergente ‘boom’ do rock português. O programa começa por ser transmitido, quinzenalmente, na RTP 2. Graças à popularidade obtida passa a ser transmitido, todas as semanas, pela RTP 1. [Domingos, cerca das 17:20, de 1 de agosto a 27 de setembro de 1981, no período de férias do ‘Passeio dos alegres’, de Júlio Isidro]. Os três primeiros programas foram apresentados na RTP 2. O primeiro foi dedicado ao rock, [quarta-feira, 27 de maio, 1981, 21:00H], o segundo à Banda do Casaco [10 de junho, 22:00 H] e o terceiro ao último álbum de Sérgio Godinho (‘Canto da Boca’) [24 de junho, 21:00 H]. No programa de 10 de junho foram divulgados Banda do Casaco (‘No Jardim da Celeste’), Dina, Sérgio Godinho e Fisher Z”. Reaparece aos domingos, 17 de outubro de 1982, cerca das 18:00, para a 2 de julho de 1983 trocar para o sábado, (com Dina e Heróis do Mar), cerca das 16:00, substituindo o ‘Festa é festa’, do Júlio Isidro / termina a 10 de setembro de 1983, com um especial Kajagoogoo, Clube Naval, novo duo português, Grupo Novo Rock (GNR). Regressa  pelas 18:15 aos sábados, 2 de janeiro / 10 de setembro de 1988. “Philip Marlowe, Private Eye” (1983-1986), duração 60 min., transmitida às quintas-feiras cerca das 21:30 na RTP 1. De 2 a 30 de agosto de 1984. “Durante a década de 30, o detetive de Los Angeles, Philip Marlowe, confia na sua esperteza, instinto, arma e whisky para resolver muitos dos piores crimes da cidade”. Dos livros de Raymond Chandler: “Ela cheirava da mesma forma que o Taj Mahal parece ao luar”, em “The Little Sister” (1949). “Cagney & Lacey” (1981-1988), duração 60 min., transmitida aos domingos pelas 19:00 na RTP 1. De 16 de dezembro de 1984 / 6 de janeiro de 1985. “O produtor Barney Rosenzweig foi influenciado pelo feminismo através da sua então namorada Barbara Corday, que lhe recomendou o livro ‘From Revenge to Rape’ de Molly Haskell. Depois de saber por Haskell que nunca tinha havido um filme de compinchas feminino, Rosenzweig procurou fazer um, uma comédia inicialmente chamada ‘Newman & Redford’ (antes de alterar o título por razões legais). Barbara Avedon & Corday escreveram o guião. Nenhum estúdio queria fazer o filme [5], então Corday ponderou levá-lo para a televisão. Rosenzweig pegou no guião, removeu a trama principal (deixando apenas os traços dos personagens), e levou-o a todas as estações de televisão, mas só a CBS lhe pegou”. “A maioria dos episódios de Cagney & Lacey lidavam com as dificuldades quotidianas encontradas por duas mulheres numa profissão predominantemente masculina. Isso implicou muito mais do que simplesmente apresentar conflitos de género no local de trabalho, embora certamente havia muitos deles. Em vez disso, esta estrutura dramática requeria uma reconsideração de toda a estrutura genérica da ‘série policial’. Enquanto as duas mulheres tratavam com questões como ‘violência’, ‘armas’, ‘criminosos masculinos’ ou ‘as ruas’ – todos os elementos da ficção policial – os argumentistas e produtores, bem como as audiências eram obrigados a refletir sobre as novas ressonâncias dentro do género”. Trivia: “no início das suas carreiras, Miguel Ferrer e o seu irmão Rafael estiveram ambos em papéis convidados na série. Na filmagem do seu episódio estavam tão juntos que os irmãos foram de férias para o local de filmagem, acompanhados pelo seu pai José Ferrer. Convidado para ir ter com eles, estava o seu primo George Clooney, que falhara encontrar trabalho como atleta profissional e estava sem rumo quanto à sua escolha de uma carreira. Foi durante estas férias que Miguel o encorajou a enveredar pela representação”. “O produtor executivo Barney Rosenzweig estava casado com a cocriadora Barbara Corday quando a série estreou. Eventualmente, divorciaram-se e Rosenzweig, mais tarde, casou com a protagonista Sharon Gless”.
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[1]Da plane! Da plane!”, esta pacata vida feliz, que lhe trazia sorrisos nas suas hélices, liberdade nas suas asas, decairá no mais negro sofrimento de um motor engripado na oficina de um mecânico malévolo. Após o cancelamento da série o avião foi vendido e, segundo o Oklahoma Bureau of Narcotics, usado para traficar cocaína para o sudeste de Oklahoma.
[2] Fantasy Island é… Eau de Toilette para mulheres lançada em 2013 por Britney Spears. “A fragrância pertence à popular linha de perfumes doces. A linha inclui a Fantasy original de 2005, Midnight Fantasy de 2006, Hidden Fantasy de 2008 e Circus Fantasy de 2009. O perfume é anunciado como uma escapadela a uma ilha tropical feita de aromas florais e frutados. Ele abre com um cocktail de citrinos, tangerina, clementina, arando vermelho e melancia. Flores de jasmim, violetas e frésias excedem o baixo apontamento de almíscar e cana-de-açúcar”. – Também é uma compilação de desenhos animados com Duffy Duck e Speedy Gonzales parodiando Mr. Roarke e Tattoo: “Duffy Duck’s Movie: Fantastic Island” (1983). – E… cereja, bolo e refrescos com bolhas, um programa de TV australiano: “Fantasy Island Reality TV”: “200 belas mulheres, 100 homens ricos e bonitos deixados à solta numa ilha paradisíaca tropical”.
[3] Hervé Villechaize canta. “Embora popular para o público, Villechaize provou-se um ator difícil na Ilha da fantasia, onde continuamente importunava as mulheres e discutia com os produtores. Eventualmente, foi despedido depois de exigir um salário equivalente a Ricardo Montalbán”. Nos anos 80, tornou-se muito famoso em Espanha com as suas imitações de Felipe González no programa “Viaje con nosotros” de Javier Gurruchaga. Villechaize suicidou-se na sua casa em Los Angeles em 1993. Na carta datada, 3 de setembro, escreveu: “03:00 não posso falhar com uma bala idiota – Ah! Ah! Nunca ninguém soube da minha dor – por 40 anos – ou mais. Tenho que fazer isto lá fora menos sujeira”.
[4] Programa que estreou o vídeo promocional de “Aquele fim de verão” (1978), uma balada estival pop de Tozé Brito para o primeiro LP das Cocktail – a primeira girl band portuguesa, c/ Fernanda de Sousa (i.e. Ágata), Rita Ribeiro (filha de Curado Ribeiro, atualmente bisavó) e Maria Viana (filha de José Viana).
[5] Um estúdio apoiava o filme desde que o produtor contratasse Raquel Welch e Ann-Margret para os papéis principais. “‘Danny Melnick ia fazer o filme, se conseguíssemos Raquel Welch e Ann-Margret, e orçamentá-lo abaixo de um milhão e seiscentos mil dólares, mas, infelizmente, o preço e o elenco excluíam-se um ao outro. Francamente, por um milhão e seiscentos mil dólares não poderia fazer aquele filme com a minha tia e tio, muito menos com Welch e Ann-Margret’, observou Barney Rosenzweig”.

na aparelhagem stereo

“Rockin” Reece Undercut prevê os êxitos musicais para 2009 [1]. Disponíveis ao grande público estão infindos métodos de adivinhação. Gerais, como: tiromancia (queijo), pelomancia (lama), rapsodomancia (textos), oomancia (ovos), nefelomancia (nuvens), antracomancia (carvão incandescente), aritmomancia (números), bibliomancia (Bíblia), cleromancia (dados), alectoromancia (galo). Ou, outros mais particulares da tradição portuguesa como: oinomancia (vinho), onicomancia (azeite) ou onfalomancia (número de filhos de uma mulher) [2]. A fertilidade da mulher portuguesa, sobretudo, a sua fidelidade, permitem prever acroamático êxito de Canuco Zumby ft. BernardinaMinha xuxa”: “Isso é p’ro meu marido / P’ra mais ninguém”, canta ela com compostura pelo lar e altar. – Nas sociedades livres, a vida das pessoas não o pode ser, e o seu consumo tem que ser controlado, para autonomia nula, orientado, para lucro supremo, sintonizado, na tinta (cola social) da classe dominante [3]. No caso da música esse instrumento produtor chama-se versificador. George Orwell em “1984”: “Havia semanas que a canção estava em voga em Londres. Era uma das inúmeras músicas publicadas para as proles por uma subsecção do Departamento de Música. As letras eram compostas, sem intervenção humana, num instrumento chamado versificador”.
Na criação da sociedade perfeita, aquela com controlo absoluto sobre os cidadãos para que estes, por sua vez, possam ser livres, a ciência desmoça territórios. “O Projeto Genoma da Música foi inicialmente idealizado por Will Glaser e Tim Westergren no final de 1999. Em janeiro de 2000, uniram forças com Jon Kraft para fundar a Savage Beast Technologies para levar a ideia ao mercado. O Projeto Genoma da Música era um esforço para ‘capturar a essência da música ao nível fundamental’ usando quase 400 atributos para descrever as canções e um algoritmo matemático complexo para os organizar. Sob a direção de Nolan Gasser, a estrutura musical e execução do Projeto Genoma da Música, composto de 5 genomas (pop / rock, hip-hop / eletrónica, jazz, world music e clássica), estavam avançados e codificados. Uma determinada canção é representada por um vetor (uma lista de atributos), contendo aproximadamente 400 ‘genes’ (análogos aos genes determinantes de uma caraterística para os organismos no campo da genética). Cada gene corresponde a uma caraterística da música, por exemplo, sexo do vocalista, nível de distorção na guitarra elétrica, tipo de coros, etc. As canções rock e pop têm 150 genes, as canções rap têm 350 e as canções jazz têm aproximadamente 400. Outros géneros de música, como world e música clássica, têm 300-500 genes”.
A sociedade perfeita é biológica, debaixo da pele tocam estações de rádio, basta a estrutura política rodar os botões para o cidadão dançar (trabalhar). “A música do ADN e as proteínas”. “A estrutura do ADN e os genes subentendem uma harmonia que certos artistas e compositores transcreveram na sua música. Para além destas visões de artista, a física quântica mostra, graças a Joël Sternheimer, que a cada aminoácido, compondo uma proteína, está associada uma onda de escala, que pode ser transcrita numa nota de música. Através da música das proteínas ou protéodias, é possível entrar em diálogo íntimo com o organismo, o que abre perspetivas apaixonantes e novas na agricultura e na medicina. (…). Acontece que certas músicas populares contêm protéodias, naturalmente, sem que o seu compositor tenha consciência. É, por exemplo, o caso do tema ‘O Sole Mio’, uma canção popular de Nápoles tornada célebre pelo tenor Enrico Caruso. Corresponde à estimulação de uma proteína que tem um papel de acumulação de energia nas células do girassol. (…). Como é divertido, quando pensamos que o girassol armazena continuamente energia nas suas células, quando lhe cantamos ‘O Sole Mio’ sob um sol brilhante de verão! É também o caso do ‘Canon’ de Pachelbel, cujo tema corresponde a um proteína antistress, e da canção ‘Aimer’, extraída da comédia musical ‘Romeu e Julieta’, cujo tema corresponde a uma proteína que favorece a fertilidade. Efetivamente, houve um aumento da natalidade na época (em 2002)”.
Os músicos também estão no compasso certo da sociedade perfeita. David Cope: “Comecei as Experiências em Inteligência Musical em 1981, como resultado de um bloqueio criativo. A minha ideia inicial envolvia a criação de um programa informático que tivesse a perceção do meu estilo musical geral e a habilidade de seguir as ideias de um trabalho em processo criativo, de tal forma que, num determinado momento, eu pudesse requer a próxima nota, o próximo compasso, os próximos dez compassos, etc. A minha esperança era que esta nova música fosse, não apenas interessante, mas relevante para o meu estilo e trabalho atual. Porém, tendo muito pouca informação sobre o meu estilo, comecei a criar programas informáticos que compunham obras completas nos estilos de vários compositores clássicos, sobre os quais eu sentia que conhecia algo de mais concreto”.
Dave Solder e Nina Mankin, com base num inquérito realizado na primavera de 1996 a 500 pessoas, escreveram a música e letra das músicas Mais Desejadas e das Mais Indesejadas. “Este inquérito confirma a hipótese que, atualmente, a música popular fornece, realmente, uma estimativa precisa dos desejos da vox populi. O conjunto mais apreciado, determinado pela atribuição de uma notação por parte dos participantes à combinação dos seus instrumentos favoritos, compreende um grupo de tamanho moderado (três a dez instrumentos), consistindo em guitarra, piano, saxofone, baixo, bateria, violino, violoncelo, sintetizador, com vocais baixos masculinos e femininos cantando no estilo rock / R&B. As letras favoritas narram uma história de amor e o ambiente favorito para ouvir era em casa. A única caraterística, nos temas das letras, comum a ambas as categorias, mais desejadas e mais indesejadas, é ‘estimulo intelectual’”.
Conselhos. Dos bons. “The Manual (How to Have a Number One the Easy Way)”: “Em primeiro lugar, você deve estar teso e no desemprego. Qualquer pessoa com um emprego decente ou dedicada a tempo inteiro à educação, não terá tempo para despender para conseguir realizá-lo. Além disso, estando no desemprego dá-lhe uma perspetiva clara de como grande parte da sociedade é gerida. Se você já for um músico pare de tocar o seu instrumento. Melhor até, venda droga. Tornar-se-á mais claro à frente, por enquanto, acredite na nossa palavra. (…). Ainda pior do que ser um músico é ser um músico numa banda. Bandas a sério nunca chegam a Número Um, a menos que sejam fantoches. (…). Não ter dinheiro aguça o engenho. Força-o a nunca tomar a decisão errada. Não há rede de segurança para o apanhar quando você cair”. The Manual “é um livro de 1988 dos Timelords, (Bill Drummond e Jimmy Cauty), mais conhecidos como The KLF. É um guia, passo a passo, para alcançar um single n.º 1, sem dinheiro ou competências musicais, e um estudo da sua paródia popDoctorin’ the Tardis’”, n.º 1 no Reino Unido.
A indústria não ficou de ouvidos moucos. “A Polyphonic HMI anunciou (2004) que orientou a produção de uma canção de êxito. A primeira canção a ser lançada, cujo produtor usou o Hit Song Science (HSS), como instrumento de produção, atingiu ‘alta rotação’ no lançamento e estreia no mercado. A canção, ‘Left Outside Alone’, foi lançada para a rádio na Europa no final de fevereiro e já está a queimar os tops. O diretor de programas do Rádio Hamburgo, Marzel Becker diz que a canção ‘porta-se muito bem (pela reação dos ouvintes) e pusemo-la em alta rotação’. A canção foi produzida por Glen Ballard e Dallas Austin, com produção adicional e mistura feitas pelo produtor vencedor de um Grammy, Ric Wake, que usou o serviço da Polyphonic HMI para calibrar o trabalho para padrões matemáticos ideais”. A “uPlaya fornece a músicos independentes ou sem contrato retorno imediato da sua música. O Hit Song Science da uPlaya analisa tecnicamente canções carregadas pelo seu potencial de sucesso através da deconvolução espetral”. “Desde músicos a sonhar na sua garagem a multinacionais, tais como a Sony ou a Universal, toda a gente está a usar clandestinamente uma nova e controversa tecnologia para ganhar vantagem sobre os seus concorrentes. E, tal como nos atletas e as drogas que melhoram o desempenho, há uma relutância notável em falar disso. Mas o segredo está na rua: a indústria de gravação, antigamente um bastião do talento criativo rebelde, está a sucumbir à simples, fora de moda, ciência da análise estatística. (…). Este equivalente computorizado do programador de televisão Juke Box Jury é conhecido como Hit Song Science. Foi desenvolvido por uma empresa espanhola, a Polyphonic HMI, que usou décadas de experiência a desenvolver tecnologia de inteligência artificial para o setor bancário e indústrias de telecomunicações, para criar um programa que analisou os padrões matemáticos subjacentes na música. Isolou e separou 20 aspetos da construção de uma canção, incluindo a melodia, harmonia, progressão de acordes, batida, tempo e altura, e identifica e cartografa padrões recorrentes numa canção, antes de a fazer corresponder a uma base de dados contendo 30 anos de singles de sucesso da Billboard – três milhões e meio melodias no total. O programa então atribui à canção uma pontuação que regista, de facto, a probabilidade e ser um sucesso nos tops”. David Meredith, CEO da Music Intelligence Solutions, sobre o software Hit Song Science: “(É) uma série de algoritmos que usamos para procurar qual é possibilidade de uma canção ficar no ouvido, para ter esses padrões na música, que corresponderão àquilo que as ondas cerebrais humanas achariam agradável”. O negócio de vender ao povo o que o povo quer e precisa é um hit. Mike McCready, cofundador da Polyphonic HMI, no final de 2005, partiu para fundar em 2006 a Music Xray.
Clientes satisfeitos. Os Tyrannosaurus Grace. Diz o seu teclista e engenheiro de som Justin Foss: “Adoramos que uPlaya seja um serviço que se dedica a ajudar artistas, e ajuda a fortalecer-nos ainda mais, para tomarmos a nossa carreira musical nas nossas mãos”.
Nota final. “A fórmula científica para prever uma música de sucesso”. “Deve notar-se que nem todas as tentativas para prever êxitos se focam na desconstrução do ADN das caraterísticas da canção. Há outras abordagens que tomam um rumo completamente diferente, tal como a que se baseia na análise linguística de opiniões Online sobre a canção. Todavia, talvez a mais impressionante de todas seja a abordagem do grupo da Universidade Emory, que usa imagens de ressonância magnética do cérebro das pessoas, quando ouvem uma canção, como base para as suas previsões”.
Êxitos retumbantes:
Agricultor Debaixo do Tractor “oriundo de Aveiro, o grupo era liderado por Ivar Corceiro, um dos urbano-depressivos locais que um dia desejou criar uma banda experimental com influências de Nurse With Wound e Negativland, projetos que, à data, estavam na baila. Ivar Corceiro (teclas, voz, recolhas sonoras), Paulo Corceiro (teclas, voz, sampler), Carla, Pôlas e Pedro Serrazina (colaborações diversas) foram os integrantes da banda que, formada em outubro de 1990, gravou duas maquetes utilizando apenas órgãos infantis, colagens sonoras de sons pilhados algures, samplings de discursos e algumas linhas rítmicas para dar um tom modernaço. Os amigos logo anunciaram que se havia descoberto o futuro da arte. Deram por encerrada a sua actividade logo a seguir. Ivar Corceiro foi também mentor dos projetos Criança Carbonizada, Grupo Excursionista e Astrólogo Perneta. Trabalha atualmente na área do cinema, faz ilustração infantil e está a preparar um novo projeto designado Annoying Pop Up. Paulo Corceiro integrou ainda na década de 90 – conjuntamente com o seu irmão Ivar, Zé Tó e Filipe Álvelos – outros projetos como os Paul Aroid, bem mais sério e tecnicamente coerente que os anteriores devaneiosÉ pra todos” (1991) ♫ “Super scope antitártaro” (1991). Friedrich que se lixe “originários de Alcobaça nunca alcançaram grande sucesso comercial mas os seus concertos esgotavam sempre e eram seguidos por uma legião de fãs por todo lado. Considerados por muitos a melhor banda rock de Portugal para a sua época. Eram uma das poucas bandas portuguesas com algumas letras em inglês. Ainda hoje é assumida como uma banda lendária da cena musical portuguesa dos anos 80 & 90” no Bar Ben ♫ “Prece a Deus” ♫ “Last One”. Tu Metes Nojo “nascidos em 94, estes rapazes eram (e continuam a ser) uns verdadeiros parolos-billys. O tipo que berra dava pelo nome de Xano Maxi Lino e andava na escola Quinta das Flores e era guarda-redes de pólo aquático. Tinha umas sapatilhas nojentas e umas calças de ganga que, meu deus... (deus com letra minúscula é mesmo assim).... Bem, o guitarrista de nome To Douglas (o cabelo à Kirk Douglas é uma delícia) era o maior dos putos parolos. Poupa e hard-creepers e era vê-lo a consumir King Kurt, Klingonz e apagar fogos com o Paul Fenic. Quanto ao baixista, esse era o maior (atenção que não é o Brunh quem escreve isto). Brunh era um senhor. Uma pequena poesia: parece que de luto ando, todo de preto vestido, é o preço que se paga, por ser um gótico assumido. Quanto ao tipo da bateria, o Miraldinho, esse puto era um pró. Acho que a palavra pró resume tudo. Assim em 94 estes tipos juntam-se e até 2005 fazem mais concertos que ensaios. Alguns lemas da banda: ‘faz uma banda e tem prejuízo’, ‘música rápida implica violência’, ‘o papa está connosco’, ‘opá metes-me cá um nojo se tu soubesses’, ou ainda, ‘esta banda é uma manta de retalhos’. Alguns ícones da banda: Zé Guru (fundador dos Tu Metes Nojo), Zé Porco, Tony Fortuna, Papa, couves e nabos, o violador... Frase favorita dos técnicos de som: mal empregado P.A. para estes gajos...
Alguns momentos altos: expulsos do palco principal da latada depois de terem dito que o Olavo Bilac era o namorado da Ruth Marlene e que a queriam violar, concerto com os Gothic Sex na via latina em que no jantar ainda tentaram falar com o promotor para receberem 10 contos, ou ainda quando na Fuzeta um pescador mostrou a pila e queria atirar um tijolo aos cornos do vocalista. Alguns momentos menos bons: não há. Bem, esta banda acabou quando o papa João Paulo 2 (este 2 também tem a sua classe) morreu. Tinham prometido que assim seria desde o primeiro dia e cumpriram. Deram o seu último concerto no palco RUC, na queima das fitas no dia 13 de maio de 2005. No presente momento são todos homens de sucesso, menos o vocalista” ► “Lição de moral” ♫ álbum “À papo seco” (2001).
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[1] Desenho animado de David John Firth “nascido em 23 de janeiro de 1983 é um animador, videoartista, cineasta amador e músico inglês. Como cartunista o trabalho de Firth é amplamente distribuído via Internet principalmente no popular site de animação em Adobe Flash, Newgrounds, assim como nos seus próprios sites”.
[2] Falta coniculomancia, s. f. (do Lat. cuniculu + Gr. mancia): adivinhação através das caganitas depositada por um coelho passeando num prado. Esta adivinhação é fulcral quando há milagre económico, novo ciclo, sinais positivos da economia, exportações, crescimento, lato sensu, inversão. Durão Barroso, o turista propositado europeu a), consultou uma coniculomante, concretizou o prognóstico, enaltece: “Permitam-me também agora, na minha língua materna, uma palavra muito especial ao primeiro-ministro de Portugal, dr. Pedro Passos Coelho. Fiquei muito sensibilizado sr. primeiro-ministro, caro amigo, por se ter deslocado para participar nesta cerimónia. Agradeço-lhe também as suas palavras generosas e aproveito para lhe expressar a minha sincera admiração pela determinação e coragem com que tem enfrentado os desafios verdadeiramente históricos que agora se colocam a Portugal. Gostaria também de lhe agradecer a forma empenhada, competente e construtiva com que tem contribuído para um aprofundamento do projeto europeu” (16 de janeiro 2014, em Cáceres, ao receber o merecido prémio Carlos V).
a) Don DeLillo: “Ser turista é fugir da responsabilidade. Os erros e os defeitos não se colam em nós como em casa. Somos capazes de vaguear por continentes e línguas, suspendendo a atividade do pensamento lógico. O turismo é a marcha da imbecilidade. Contam que sejamos imbecis. Todo o mecanismo do país hospedeiro está adaptado aos viajantes que se comportam de um modo imbecil. Andamos às voltas, aturdidos, olhando de esguelha para mapas desdobrados. Não sabemos falar com as pessoas, ir a lado nenhum, quanto vale o dinheiro, que horas são, o que comer ou como o comer. Ser-se imbecil é o padrão, o nível e a norma. Podemos continuar a viver nestas condições durante semanas e meses, sem censuras nem consequências terríveis. Tal como a outros milhares, são-nos concedidas imunidades e amplas liberdades. Somos um exército de loucos, usando roupas de poliéster de cores vivas, montando camelos, tirando fotografias uns aos outros, fatigados, desintéricos, sedentos. Não temos mais nada em que pensar senão no próximo acontecimento informe”, em “Os Nomes”.
Turismo responsável só em Gustávia, capital de St. Bart’s ou de… Bikini micro, c/ Veronika Fasterová, em Magaluf, Maiorca. Veronika Fastero, 1,71 m, 48 kg, 82-60-87, sapatos 40, olhos castanhos, cabelos castanhos, nascida a 8 de outubro de 1987 em Praga. “No mesmo ano os Guns N’ Roses lançaram o ‘Appetite for Destruction’. Depois de ouvir o álbum pela primeira vez, ela disse que lhe mudou a vida, inspirando-a a ter uma rosa tatuada no tornozelo direito”. Fotografou para a Playboy maio 2012 ♣ fotos Massimiliano Uccelletti ♣ no lagola belle Veronika Fasterová porte le plus petit bikini du monde.
[3] A liberdade obriga a controlo de camadas que vão desde a música, o cinema, a literatura, a arquitetura, a política, o trabalho ou… a comida. Guy Debord: “A utilidade essencial da mercadoria moderna, que apenas pôde desenvolver-se à custa de todas as outras, é o facto de ter de ser comprovada: e é por isso que, devido a um milagre cujo segredo só ela conhece e à mediação do capital, é capaz de ‘criar emprego’! Mas o emprego que nós lhe podemos dar e o uso que dela podemos fazer é postulado automaticamente ou evocado falaciosamente e, no caso dos alimentos, conservando-lhes artificialmente algumas caraterísticas da sua antiga origem”, em “Enganar a fome” b).
b) Réplica do situacionismo no século XXI – “The Love Kills Theory” (2007), dos The Love Kills Theory, banda de Nova Iorque, fundada em 2006 pelo escritor, músico, produtor cinematográfico Cevin Soling, para publicar as suas canções após a separação da sua banda The Neanderthal Spongecake. Em 2007, editam o CD “Happy Suicide, Jim!”, referência a Jim Jones, líder do Templo do Povo, um culto que se suicidou na Guiana em 1978. “the love kills theory é uma tentativa artística para trazer a filosofia contemporânea para a narrativa dominante [ou “história dominante”, precisão teórica inventada pelo brilhante ministro Poiares Maduro, como uma app para users de discurso descontaminado de José Sócrates] onde pode ser acessível e relevante. O grupo é liderado por Cevin Soling, que atualmente está a estudar filosofia para o seu mestrado na Universidade de Harvard. Os the love kills theory são baseados numa amálgama das obras de Guy Debord, fundador da Internacional Situacionista, Aldous Huxley e outros, fundidos com estudos biogenéticos atuais sobre a evolução do desespero”.