Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

quinta-feira, Julho 03, 2014

O mariola

(Assunção Esteves, 2.ª ajudante de cozinha do Estado, presidente da Assembleia da República [1]: “E, portanto, o meu medo, eu formulá-lo-ia de modo abstrato: é o do inconseguimento, em muitos planos. O do inconseguimento, desde logo, de não ter possibilidade de fazer no Parlamento as reformas que quero fazer, de as fazer todas, algumas estão no caminho. O inconseguimento de eu estar no centro de decisão fundamental, a que possa corresponder uma espécie de nível social frustacional derivado da crise, isto é, os momentos difíceis também nos dão oportunidade de sentirmos a nossa missão humana no mundo, mas também tenho medo que a crise não permita até, eu diria, espaço de energia para ser mais criativa. Há sempre esse medo. É também o do não-conseguimento. E tenho medo do não-conseguimento ainda mais perverso: o da Europa se sentir pouco conseguida. E de ela não projetar para o mundo o seu soft power sagrado, a sua, a sua mística dos direitos, a sua religião civil da dignidade humana. Tenho medo do egoísmo, tenho medo do egoísmo que nos deixa, de certo modo, castrados em termos pessoais e que nos deixa castrados em termos coletivos, que não permita aquilo que em francês se chama réussir, o conseguimento, o conseguimento pessoal e coletivo. Tenho medo do não-conseguimento” (janeiro 2014) [2]. A máquina de fatiar líderes sempre cortou a mais fina mortadela para as sandwiches do poder, o ano de 1983 servia-as com um galão…
A 12 de maio, no semanário Tempo, apareceu brilhando, o Marcelo Rebelo de Sousa. Ó-ai-ólarilolai, ó-ai-ólarilolela, ó-ai-ólarilolai Marcelo, ó-ai-ólarilolai, ó-ai-ólarilolela, ó-ai-ólarilolai Marcelo. O Marcelo Rebelo de Sousa, cercado de luz, o nosso líder bendito repenicava contra o acordo PS-PSD, ordenado pelo FMI em voz das alturas: ou consenso ou não há dinheiro [3]. Derrotado o PSD nas eleições de abril, o seu partido no papel submisso de “elemento subalterno e secundário”, nessa coligação, perderia o pio crítico de cor política e “permite que entremos naquilo que eu chamo ‘o pântano’, em que uma maioria tão vasta é fonte de clientelismo, de tráficos de influência, de formas de pressão que se tornam muito difíceis de controlar dentro do próprio sistema partidário” [4]. “E, então, os portugueses viram-se para onde?”. “Viram-se para aquilo que lhes aparecer, como o messianismo de uma pessoa, eventualmente do presidente da República, ou de alguém que surja no futuro, como resposta que o sistema de partidos não é capaz de dar” [5].
Com doces palavras, mandou-nos no seu partido votar, o Marcelo Rebelo de Sousa, para no futuro nos salvar [6]. “E é porque eu tenho esperança no futuro, e porque eu olho para o futuro a prazo de anos e não de meses, que estou moderadamente confiante. Apesar dos riscos todos, que antevi de, na altura em que falhar o Governo PS-PSD os messianistas presidenciais aparecem com alternativas que quisessem formular, penso que há no meu partido virtualidades suficientes, nas bases como nos dirigentes, para vir imprimir uma nova orientação estratégica, para vir imprimir uma nova dinâmica política e para construir uma nova alternativa, em que seja o PSD a liderar e não propriamente a ser forçado, como acabou por ser forçado pelas circunstâncias, a uma posição em lhe é difícil dizer que não ao convite-pressão do Partido Socialista” [7].
Ah! Demos-lhe graças, por acertar nas determinações, o nosso querido Marcelo Rebelo de Sousa: “E a função deste Governo vai ser, pura e simplesmente, levar o dr. Mário Soares a Belém. Não digo que seja a única, pois, naturalmente, o Governo é vocacionado para resolver os problemas nacionais. Mas, em termos estratégicos, na ótica do Partido Socialista, esta ampla maioria que se procura, este Governo PS-PSD visa, no timing que o Partido Socialista vier a fixar, permitir ao dr. Mário Soares capitalizar a sua posição de primeiro-ministro e afastar-se eventualmente na altura e nas condições que entender oportunas, para se candidatar à presidência da República[8] (eleições presidenciais no final de 1985 vencidas por… Mário Soares). Ó-ai-ólarilolai, Marcelo Rebelo de Sousa, estrela que nos guia, assinou por esta altura o livro “Contra o Bloco Central” [9], uma obra escrita também com os dedos de Santana Lopes, José Miguel Júdice e Conceição Monteiro, ex-secretária pessoal de Sá Carneiro, o núcleo do grupo Nova Esperança (1983-1985). “Depois da contestação do grupo da futura ‘Nova Esperança’, com Júdice, Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa, Balsemão vai de vitória em vitória, até à derrota final, sendo substituído por uma troika, constituída por Nascimento Rodrigues, Eurico de Melo e Carlos Alberto da Mota Pinto, o novo homem forte do partido, com Nuno Rodrigues dos Santos elevado para o lugar honorário de presidente do partido. Passa a ser secretário-geral António Capucho. O Conselho Nacional revela que o partido está dividido em três grupos: os mota-pintistas, com a liderança de António Barbosa de Melo; os adeptos de Balsemão, liderados por Mota Amaral; os críticos do grupo de Lisboa, com Marcelo Rebelo de Sousa, José Miguel Júdice e Pedro Santana Lopes, apoiados pela antiga secretária particular de Sá Carneiro, Conceição Monteiro”. A estes últimos associou-se um promissor jovem, convertido à social-democracia por Santana Lopes, estudante em Genebra, chamavam-lhe… José Manuel Durão Barroso [10].
Cerca de 10 anos antes, na faculdade de Direito de Lisboa, Zé Manel, de suporte maoista [11], militava no MRPP, - outrossim, a sua futura esposa, Margarida Sousa Uva, acolhida no partido com o único critério científico para recrutamento de uma maoista, a recomendação de Saldanha Sanches: “É linda como uma virgem de Botticelli” [12]. Defendia então a causa das massas, o Zé Manel: “Esta questão contra o serviço cívico, que já foi vista o ano passado, vemos que, seja quem for que está no ministério da Educação e da Investigação Científica, chamemos-lhe assim, defende essa medida, medida essa que não é mais que o reflexo da crise do sistema do ensino burguês, e medida essa que é inteiramente incorreta, antioperária e antipopular que lança estudantes contra trabalhadores e trabalhadores contra estudantes” [13].
Na terceira semana do mês de maio de 1983 o tabaco português sofria um agravamento fiscal, aumentava 25 %. “O tabaco embalado na fábrica de Albarraque da Tabaqueira, sabe-se que os maços de formato gigante, CT e SG aumentaram de 52$50 para 66$00 e os de formato normal (Ritz, SG Ventil e Filtro, Porto, entre outros) passam de 47$00 para 60$00. O tabaco mais barato, o Definitivos, sobe para 40$00” [14]. Sexta-feira, 6 de maio “o semanário oeste-alemão Stern anuncia que suspenderá a publicação dos 60 cadernos do Diário Íntimo de Hitler. (…). O diretor do semanário de Hamburgo, Henri Nannen, declarou numa entrevista à televisão, que a Stern ‘porá este caso limpo’. ‘Evidentemente, identificaremos a nossa fonte. Não podemos proteger um falsário’. O repórter da Stern, Gerd Heidemann, que havia afirmado ter descoberto as notas íntimas do ditador após três anos de pesquisas, recusou, sempre, revelar o nome da pessoa que lhe entregou os documentos. Contudo, num longo depoimento, publicado em 25 de abril, Heidemann revelou como, após a compra do antigo iate do marechal Hermann Göring, o Carin II, recebeu informações sobre a existência do diário. (…). Para Nannen, trata-se, agora, de tentar reparar o mal que este caso causou ao semanário. Segura da autenticidade dos documentos, a Stern havia, mesmo, aumentado a sua tiragem para 2,3 milhões de exemplares, isto é, mais 400 000 que habitualmente. (…). Entretanto, a revista Paris-Match decidiu não publicar mais excertos do Diário de Hitler. (…). O Sunday Times, por seu turno, anunciou que não vai publicar excertos do Diário. (…). Finalmente, o semanário espanhol Tiempo decidiu suspender, também, a publicação do Diário”. Heidemann foi despedido por aldrabão [15].
Sexta-feira, 13 de maio, a segunda vinda de Joan Baez ao pavilhão do Dramático de Cascais – a primeira fora sábado, 2 de agosto de 1980 pelas 21:30, bilhete 350$00. Baez  cantou a sua negação de velhice: “We Are Children of the 80’s”: “We're the children of the 80's, haven't we grown / We're tender as a lotus and we're tougher than stone / And the age of our innocence is somewhere in the garden”. Ao fundo do pavilhão, no palanque reservado aos VIP, retratava o público de braços erguidos, Helena Roseta: “Parece um daqueles quadros do século XVII, onde se veem as alminhas do purgatório com os braços erguidos”. Braços esbanjadores do carote dólar em concertos. Terça-feira, 17 de maio, mais História fazendo-se. “O dólar ultrapassou esta manhã em Lisboa a barreira dos 100$00 o que significa ter a sua cotação quadruplicado em menos de 10 anos, em relação ao escudo, português, e o que é ainda mais relevante duplicado em menos de dois anos e meio, desde 1980”. Em 1973, um dólar valia 24,15 escudos. Em 1976 sobe para 30,229. Em 1977 sobe para 38,227. Em 1980 sobe para 50,062. Entre 1980 e 1982 sobe para 66,570. Em junho de 82, não sobe o dólar, desvaloriza-se o escudo, e a moeda que nos compra a paparoca vale 79,490 escudos [16]. E a conta não se calava. “Em 1982 Portugal teve um défice recorde na Balança de Transações Correntes de 3,2 mil milhões de dólares, o que atirou a dívida externa total do país no fim do ano para 13,4 mil milhões de dólares segundo cálculos do Banco de Portugal”.
Segunda-feira, 16 de maio. “Cena de ciúmes no Intendente leva guarda prisional à cadeia”. “A zona do Intendente, primeiro, e a avenida Almirante Reis, depois, estiveram ao fim da tarde (eram cerca das 19:00) em autêntico pé de guerra, tendo sido palco de uma cena de tiros que, além de ter provocado dois feridos graves e uma detenção, ainda levou à suspensão momentânea do trânsito dos elétricos. Tudo começou quando o guarda prisional Benjamin da Silva, de 39 anos, natural de Lamego, disparou dois tiros sobre um indivíduo, Francisco Gomes, de 26 anos, que encontrou a namorar, junto à porta de um bar do Intendente, com a sua ex-mulher, Maria Luísa Pereira, de 21, de quem tem uma filha de seis anos. Perseguido por populares, Benjamin, antes de ser detido, refugiou-se num elétrico, onde acabaria por fazer vários disparos, um dos quais atingiu no rosto António José Camões Borralho, de 31 anos”. Fim de semana, 21-22 de maio.  “Construção civil à beira da falência apresenta pacote ao novo Governo”. “Milhares de casas concluídas e sem comprador, por conhecidas restrições do crédito e altas taxas de juros (só na margem sul do Tejo são 23 mil), empresas asfixiadas ou porque a banca já atingiu os plafonds creditícios fixados pelo ministério das Finanças ou porque é impossível mantê-las em funcionamento ao preço atual do crédito, e o consequente desemprego iminente para milhares e milhares de trabalhadores, tal é o retrato do setor da construção civil traçado pelos industriais”. “Tendo como média o custo de 2500 contos por habitação, só na margem sul do Tejo há uns 60 milhões de contos imobilizados correspondentes a habitações concluídas e que os empreiteiros não conseguem vender. Segundo Carlos Luhmann Neves, dirigente da ACE-SULTEJO, a crise é de tal ordem que hoje já só se concluem 200 fogos por mês, na área de jurisdição da sua associação, quando há poucos meses se concluíam dez vezes mais” [17]
Terça-feira, 31 de maio “ a demolição do Monumental, por enquanto no interior e limitada, terá começado hoje, segundo uma fonte municipal. ‘Não confirmo nem desminto’ – diz o sócio gerente da Sociedade Cinematográfica e Teatral, proprietária do edifício. (…). As duas salas de cinema [Satélite, exibia pela 2.ª semana “Un dramma borghese” (1979) e o Monumental, também pela 2.ª semana, exibia os “Doze indomáveis patifes” (1967)] estão ainda em funcionamento, segundo disse o referido sócio gerente, dr. Mesquita e Carmo. Mas, a sala de teatro está encerrada, “isso acontece muitas vezes”, comentou o mesmo responsável”.
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[1] Nobre figura do Estado com entrada direta na História. Ficam registados pelas palavras iluminantes. Jaime Gama, por estar sempre a repetir: “Sr. deputado, faça favor de terminar”. E Assunção Esteves pelo matraquear de: “Pedia que retirassem as pessoas das galerias, se faz favor” a).
a) Assunção Esteves é a duplicata portuguesa de Pinkie Pie, “folgazona e energética, ela gosta de se divertir com as suas amigas”, das Equestria Girls, da série “My Little Pony Friendship is Magic”. “Magic of Friendship” (2013) – no vídeo, o conseguimento, em morfologia humana, de Twilight Sparkle e as suas amigas Fluttershy, Applejack, Rarity, Rainbow Dashe e Pinkie Pie, na cafetaria do liceu Canterlot. (O imobiliário na zona: o preço de uma casa na árvore).
Entretanto, uma caraterização mais psicológica, Henrique Neto: “Assunção Esteves nunca foi tida como muito são da cabeça”.
[2] “Tá turbinada / Está toda turbinada / Tá turbinada / E não lhe falta nada // Tá turbinada / Está toda turbinada / Tá turbinada / La máquina está kitada”: “Tá turbinada” (2014), Ana Malhoa ft. D-Snow e True Love. – A canção menciona o famoso “Uh, uh”, (inglês: “Ooh-ah, Ooh-ah”), com o qual o divertido João Baião encantava o grande público do “Big Show Sic” (1995-2001), bordão cantável da canção “Let’s All Chant” (1977), da Michael Zager Band.
[3] É ao rebanho, que o Marcelo Rebelo de Sousa fala, desde então, nas cabeças, nova luz brilha. Comentador de televisão, o carinhosamente chamado professor, dilucida para o grande público maiores momentos de História. A 30 de outubro de 2013, o 2.º primeiro-ministro de Portugal, Paulo Portas, apresentou, pontualmente às 19:15 na presidência do Conselho de Ministros, o desejado guião para a reforma do Estado: “Este Governo não é favorável nem à estatização nem ao Estado mínimo. (…). A política é o exercício do possível e o que nós queremos é um Estado melhor. (…). Reformar é diferente de cortar. Cortar é reduzir. Reformar é melhorar. Cortar é cumprir metas. Reformar é mudar modelos”. Remédio para o mal da pátria em 112 páginas, tipo: PDF, peso: 221,49Kb, leu-o Marcelo Rebelo de Sousa: “Paulo Portas saiu talentosamente. Tinha de apresentar um papel, que era um papel impossível. Ele apresenta o que serve de base para programas eleitorais, como quem diz agora o interessante é irmos para eleições. Ou seja assobiou ao cochicho” b). “Serve para o PSD, CDS e PS, se quiser, ir lá buscar ideias”.
b) Assobiadelas (dele). Dia 2 de julho de 2013 às 20:13 horas o 1.º primeiro-ministro de Portugal, Passos Coelho, transmitia ao povo: “O país foi surpreendido pelo pedido de demissão do dr. Paulo Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do CDS/PP, eu próprio tenho de manifestar a minha surpresa. (…). Sacrifícios que todas as famílias conhecem seriam deitados por terra. Seria recusar incompreensivelmente os primeiros sinais de viragem que estão finalmente a chegar de forma ainda tímida, mas consistente, em particular no 2.º semestre deste ano. (…). Não pedi, portanto, ao sr. presidente da República a exoneração do sr. ministro dos Negócios Estrangeiros. Numa democracia madura um governo de coligação, que goza do apoio de uma forte maioria dos representantes do povo não pode ser posto em causa, a não ser por divergências de enorme gravidade. (…). O primeiro-ministro tem que ser o baluarte da confiança e da tranquilidade, tem que ser o referencial da persistência e do empenho democrático no único rumo que nos pode fazer sair de uma crise que se arrasta há mais de 10 anos. O primeiro-ministro tem de assegurar a responsabilidade e a energia necessárias para lutar contra todas as adversidades. Tem de representar a vontade coletiva que não se verga nem desiste. Para tudo isto os portugueses podem contar comigo”.
“Não me demito. Não abandono o meu país. Abraço, como sempre abracei, o serviço ao meu país, com a mesma dedicação e com a mesma esperança”, aponha assim o seu pezinho Passos Coelho, ao momento histórico do “Irrevogável”, a demissão de Paulo Portas: “1. Apresentei hoje de manhã a minha demissão do Governo ao primeiro-ministro. 2. Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer. 3. São conhecidas as diferenças políticas que tive com o ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo político e económico diferente. A escolha feita pelo primeiro-ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual. 4. O primeiro-ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no ministério das Finanças. Respeito mas discordo. 5. Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao primeiro-ministro, que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do ministério das Finanças, ficar no Governo seria um ato de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível. 6. Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efetivamente, dispensável o meu contributo. 7. Agradeço a todos os meus colaboradores no ministério dos Negócios Estrangeiros a sua ajuda inestimável que não esquecerei. Agradeço aos meus colegas de Governo, sem distinção partidária, toda a amizade e cooperação
“Irrevogável” não “irrenunciável” ou outro sino tocaria. Severus Snape (Alan Rickman): “Eu jurei proteger-te. Fiz um juramento irrenunciável”, Draco Malfoy (Tom Felton): “Eu não preciso de proteção, fui escolhido para isto, de todos”. Ron Weasley (Rupert Grint): “Juramento irrenunciável? De certeza que Snape disse isso”, Harry Potter (Daniel Radcliffe): “Absoluta, porquê?”, Ron: “É que não se pode quebrar um juramento irrenunciável”, Harry: “Estranhamente, já tinha chegado a essa conclusão”. Harry: “Então, o que acontece a quem quebra um juramento irrenunciável?”, Ron: “Morre”, em “Harry Potter and the Half-Blood Prince” (2009). Ou se “irrevogável” fosse uma palavra espanhola outra bola pingaria. Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona: “Demito-me de presidente do FC Barcelona e a decisão é irrevogável, a partir de agora, e tal como informei a direção há minutos, e segundo os nossos estatutos, o nosso vice-presidente Josep Maria Bartolomeu vai assumir o cargo de imediato até ao fim do seu mandato, que é 2016, como decidido pela direção” (janeiro 2014). Em português “irrevogável” significa benesses, promoções, cargos para os amigos, molhos de elogios – Paulo Núncio, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais: “O que Portas deu ao país já compensou o episódio da demissão”. Ele é o “melhor líder que o CDS e o centro-direita já tiveram” – e montes de vaidades. Paulo Portas: “2014 será o primeiro ano em que se poderá falar de Portugal depois da troika e depois da recessão. O mesmo é dizer com mais soberania e com mais crescimento. O CDS lutou muito para chegarmos aqui. A nossa gente está de cabeça erguida”.
Na década de 80, em 1989, Paulo Portas passaritava para a política, como alegre cliente da discoteca Trumps, interpretando papéis de onnagata (ator do teatro kabuki), calejava-se para a finesse da esfrega política. Paulo Portas: “Respeito o trabalho dos diplomatas. A diplomacia serve para defender o interesse dos Estados. O trabalho dos diplomatas é por natureza discreto ou, às vezes, secreto. A revelação de telegramas diplomáticos viola esse caráter discreto ou secreto e pode pôr em causa missões, pessoas e instalações. Podia ser muito tentador fazer comentários ou aproveitamentos. Mas, por uma questão de princípio, o CDS não faz, não fez, nem fará.” (2010). Para traquejo político, mais vale um ator kabuki, que duas peças no D. Maria II. “Ayame, um onnagata célebre do século XVII, ensinava que um ator como ele não deveria em nenhum caso representar um papel masculino, sob pena de ‘perder a capacidade de compreender a alma feminina e de perder a possibilidade de a exprimir’”. “Acerca do travesti japonês, Roland Barthes, ele próprio homossexual, viria a dizer que ‘ele não copia a mulher, ele significa-a: não se perde no seu modelo, antes emerge do seu significado. A feminilidade é dada a ler, não a ver’”.
“Foi uma mulher que criou o kabuki. Ela chama-se Izumo no Okuni. Em 1603, formou em Kioto um grupo de raparigas que dançava e cantava junto do rio Kamo. Elas vestiam-se de homem, de modo fantasista – aliás a palavra ‘kabuku’ significava ‘uma aparência bizarra’. Os temas da dança eram muitas vezes eróticos, mimando as dançarinas os jogos das cortesãs e seus amantes. O kabuki de Okuni foi retomado e pervertido por outros grupos de mulheres: o palco passou a ser um pretexto para que prostitutas atraíssem clientes. Tais desordens amorosas houve, que, em 1629, o xogunato Tokugawa acabou por proibi-lo. Mas o divertimento tinha criado raízes, e foi recriado só com rapazes que se vestiam de mulheres. Muito jovens, esbeltos, graciosos, os atores encantavam, mas, também desta vez, o espetáculo degenerou em prostituição mal disfarçada. Em 1651, o kabuki dos rapazes viria a ser, por seu turno, proibido. Anos depois, cedendo à insistência do público, as autoridades voltaram a autorizá-lo sob certas condições que perduram até hoje: só podem ser atores homens adultos, e o espetáculo não pode limitar-se a canto e dança, tem que incluir ação dramática”.
Em 1983, os homens que se vestiam de mulher, sem porta oportuna na política, competiam “com a prostituição feminina e criando os seus clientes específicos, que, são eles próprios que o dizem, cedo ultrapassam o estupor ou o pânico para se afeiçoarem a essa nova modalidade de troca de afetos”. Declarações ao Diário de Lisboa: Luís (Luísa): “Sabe o que me disse o juiz que me condenou? Que ia dois meses para a cadeia para perder o vício. Ora, eu sou homossexual há mais de 10 anos e logo ia perder o vício na cadeia, em dois meses no meio de tantos homens. Com franqueza o juiz, com os estudos que tem. Eu protestei e ele disse que tinha de acabar com a nossa raça. Então eu respondi-lhe que para isso tinha de reunir os juízes todos, os polícias todos e ir por esses bares fora prender tudo o que fosse doutor, tudo o que é gente fina… e ele mandou-me calar aos berros, dizendo que eu estava a alterar a ordem pública no tribunal”. João (Joana): “Eu, se pudesse, não me prostituía. Gostava de ser uma mulher normal, de ter um trabalho, de ser, por exemplo, professora… Ora, isso não é possível, as operadas que eu conheço continuam a ser artistas de travesti ou a andar na rua, não fazem vida de mulher normal. Não era isso que eu queria. Eu até tenho fugido a fazer espetáculos, porque me aborrecem os olhares das pessoas… é contra o meu tipo ideal de mulher, eu não gosto de ser exibicionista”.
[4] Um partido, uma mãe. Manuel Maria Carrilho: “E quando eu penso quais serão as consequências desta manifestação? eu penso sobretudo, que o que podia acontecer no país. Imagine o José Carlos Castro [locutor da TVI], que amanhã uma pequena, uma ínfima parte desta, 10%, 20%, destas pessoas que estiveram hoje na rua, decidiam aderir aos partidos políticos. Porque este é o grande instrumento das democra… da democracia. É através justamente dos partidos, principalmente, enfim, há outros, como nós sabemos, mas é através desse instrumento que se podia, que se pode mudar” (comentando a manifestação de 12 de março de 2011).
[5] Um presidente, um pai. Cavaco Silva: “Fui eu, e muito me honro disso, que criei o 14.º mês para os reformados em Portugal. Muitos daqueles que hoje falam em injustiça social não fizeram nada, nada, pela justiça mais forte no nosso país”. “Funcionários públicos que tão duramente foram atingidos nesta crise, talvez nalguns casos com alguma injustiça, porque outros com muito maior rendimentos não foram chamados a dar o seu contributo. A eles não lhe foram pedidos sacrifícios como foram pedidos aos funcionários públicos” (em campanha eleitoral para a presidência da República, Arcos de Valdevez, janeiro de 2011).
[6] PSD, a família. Miguel Macedo: “É o poder de compra que baixa, são os impostos que crescem, são as dificuldades que aumentam para a generalidade dos portugueses, sobre isto o primeiro-ministro [José Sócrates] não fala, porque tudo isto viola e mata o seu bacoco triunfalismo político. Não é apenas o primeiro-ministro que vive num mundo à parte, insensível ao drama das pessoas, quase ofensivo para os portugueses que passam por sérias dificuldades. É muito mais do que isso. Dizer-se que este Governo é de esquerda ou que é defensor do estado social, é a maior mentira da nossa democracia. Este Governo é uma coisa bem diferente, é um exemplo da incompetência, um referencial de irresponsabilidade, um símbolo da degradação nacional, e uma mistura nunca vista de propaganda, arrogância e descaramento político. É o governo no seu pior. Fala, mas não faz. Promete, mas não cumpre. Anuncia, mas não concretiza. Para estes socialistas viciados em propaganda, um anúncio é uma reforma” (como líder parlamentar do PSD, na abertura das jornadas parlamentares em Braga, 31 de janeiro de 2011).
Carlos Moedas: “Quando eu vejo hoje (24/3/2011) nas páginas online do Expresso a dizer que o dr. Passos Coelho anunciou um aumento de impostos. Não é sério. Isto não é verdade e as pessoas têm de saber. Aquilo que o PSD se vai concentrar é sobre o corte na despesa. Vai se concentrar sobre aqueles 50 institutos, aqueles institutos que o PS disse que ia fusionar, que é a cortar na despesa. Quantos cortou? Olhe, eu não encontrei nada no Diário da República. Nada” (em abril 2011, ainda conselheiro económico de Passos Coelho).
[7] Virtualidades e vitualhas. Ele. Marcelo Rebelo de Sousa: “Em qualquer caso ele [Passos Coelho] quis dar uma canelada no presidente, de passagem em Bagão Félix, de passagem em em Manuela Ferreira Leite, enfim, de passagem não sei se em Catroga também (…). Aproveitou o congresso da JSD para, o que é sempre popular, junto dos novinhos, bater nos velhinhos. É sempre uma coisa agradável, faz parte da lógica das coisas, não contribui para a unidade nacional ou p’a coesão nacional, mas mas tem aplausos” (dezembro 2012). – “Ah, esse sonho passou. O sonho do Governo era isto: dava a volta em 2012 ou 2013, tinha 2014 para chegar a 2015 e ganhar. Ora, agora a realidade é: 2013 e 2014 vão ser difíceis, eu acho que vai chegar a 2015 (o Governo), só que não tem muito tempo para dar a volta, p’a fazer o flic flac e ganhar as eleições” (fevereiro 2013). – Cenas de serões na aldeia: Judite Sousa, locutora da TVI, na noite eleitoral de 2011: “Eles que são dois monstros do comentário político, ao meu lado, António Vitorino, Marcelo Rebelo de Sousa”. Galhofam os moços. “A bela e os monstros” – diz Marcelo. Vitorino concorda careteando riso. Prossegue Judite: “Eu julgo que é uma palavra, que importantiza a vossa função, que é muito importante numa noite destas, não é verdade?”; 2014, Ângelo Correia: “Podemos ter em Portugal dois grandes candidatos à presidência da República. Marcelo Rebelo de Sousa de um lado e António Guterres do outro. Se isso acontecer, Portugal está muito bem entregue”.
[8] Marcelo Rebelo de Sousa na televisão ensina um povo atrasado a ver. A discussão do Orçamento de Estado para 2011, José Sócrates, primeiro-ministro, Passos Coelho, líder da oposição, Eduardo Catroga, chefe da delegação do PSD. Decifrou Marcelo: Catroga… a “arma poderosíssima para inverter a lógica das negociações”. “Vamos entalar o PSD porque ele [Passos] vai ter, por um lado, que aceitar o corte dos vencimentos dos funcionários e o IVA a 23% e, por outro lado, quando ele vier querer baixar receitas vai ser obrigado a dizer onde é que corta. O PSD respondeu a isso com vários papéis feitos por Catroga dizendo quais as áreas em que se devia cortar, e não os sítios concretos. Deste modo, o PSD não se comprometia com nenhum corte concreto de despesa”. “O PS subavaliou a figura de Catroga, um avozinho simpático. De um lado e do outro estavam duas pessoas com cabelos brancos, mas um de feição simpática, que é Catroga, com boa telegenia, o outro carregado, por ter de dar más notícias aos portugueses há não sei quantos anos, Teixeira dos Santos”. “O PS rompeu porque descobriu que estava a ser levado à certa. Tinha partido para as negociações a pensar: eu entalo o PSD, tiramos a foto de família, os tipos ficam comprometidos, Passos ao lado de Sócrates comprometido com o Orçamento e com o corte na despesa. E, de repente descobriu que não”. “É o cúmulo do requinte de Eduardo Catroga. Quase que fiquei com pena de Teixeira dos Santos entre sexta-feira à noite e sábado de manhã, porque se a ideia era, como os observadores diziam, já que tinha de engolir sem saber onde é que iria fazer os cortes para compensar aqueles milhões, que ao menos houvesse uma fotografia conjunta para comprometer o PSD. A única fotografia que existe é a de Eduardo Catroga”. – Acontecimento maior da História de Portugal batizado como a “Fotografia”. Eduardo Catroga: “E portanto, eu, hoje, quando ‘tava a tomar o pequeno-almoço, tomei aqui umas notas, porque considero esta minha comunicação das mais importantes que eu fiz em toda a minha vida. E a minha vida já são 67 anos de idade, quase 68 e 43 ou 44 anos de vida profissional e apenas 2 anos de vida política. E portanto, não me levem a mal, eu não vou ler, mas… tenho aqui um guião para não me esquecer. Apesar dos meus 67 anos quase 68, dizem-me que eu continuo a ter uma ótima memória. Mas eu não posso… preciso hoje deste guião para não me esquecer das mensagens, das mensagens fundamentais. (…). Quer os elementos do staff que estavam também, portanto, na retaguarda do apoio técnico nas nossas negociações, tiraram uma fotografia que eu vou, que eu vou, que eu vou ficar, ficar, ficar, ficar, digamos, na minha… uma fotografia que diz, que diz, que diz 23 horas e 19 minutos, e nós a assinarmos, 23 horas 19 minutos. Esta fotografia para mim, para mim, vai ficar no álbum, no álbum, no meu álbum para ilustrar a minha vida profissional de… e a vida profissional e a vida de… já vai quase nos 68 anos”. O outro lado da negociação ficou fora da fotografia, Teixeira dos Santos: “Gostaria muito de poder ter tirado uma fotografia com o dr. Catroga aqui, para assinalar este momento. Ficará, obviamente, nos telemóveis, mas é pena que os portugueses não possam ter essa fotografia e poderem atualmente partilhar connosco este momento”.
A recusa irlandesa do programa cautelar com entrada direta na História de Portugal como a “Saída à irlandesa”, interpreta Marcelo Rebelo de Sousa. “Eu tenho uma opinião oposta a toda a gente. Todos  acham que foi péssimo, mas eu acho que foi bom para Portugal”. “Isto foi bom, primeiro, sabemos as condições que nos esperam. Ao contrário do que disse o ministro da Presidência temos uma referência sobre o que nos aguarda. Em segundo lugar, quando eles optaram por não ao programa cautelar abriram caminho para aquilo a que eu chamo programa cautelar minimalista”. “Quando eles não têm programa cautelar nós podemos construir um programa cautelar mais brando, mais benigno, porque sabemos que a Alemanha se puder poupar dinheiro, poupa”.
[9] O acordo para o Bloco Central – nome nacional da coligação PS-PSD – será assinado a 4 de junho de 1983.
[10] O abre-latas português. “Nos anos 90, José Luís Arnaut era um advogado especializado em patentes quando aceitou um convite de Santana Lopes para administrador da Lisboa, Capital Europeia da Cultura. Dois anos depois, quando Santana ensaiou ir contra Marcelo Rebelo de Sousa para líder do PSD, Arnaut apoiou Marcelo. Mas mal viu Durão Barroso mexer-se nos bastidores, começou a aproximar-se. Num célebre congresso em Tavira, Arnaut fez o pleno: entrou como apoiante de Marcelo e saiu a apoiar Durão. Nunca mais se largaram”, em Expresso, n.º 2150.
[11] Durão Barroso recorda-se: “Lembro-me claramente, em 1974, de estar entre as pessoas que defendiam as ruas, na minha cidade natal de Lisboa, em Portugal, a celebrar a revolução democrática e a liberdade… este sentimento de alegria foi sentido pela mesma geração em Espanha e na Grécia. Foi sentido mais tarde na Europa central e de leste, e nos países bálticos, quando reconquistaram a independência” (cerimónia de entrega do prémio Nobel da Paz à EU, dezembro 2012).
[12] Na China ainda há virgens, virgens de Richard Hamilton. “A primeira modelo de nu da China”. Zhang Xiaoyu (Zhāng Xiǎoyǔ), 1,63 m, 49 kg, 84-58-86, nascida a 6 de junho de 1985 em Heilongjiang, nordeste da China, diplomada em ciências biológicas pela Universidade de Beihua. Beleza chinesa: acuidade visual: 4.9. Especialidade: pintura, dança, computadores, software didático, tirar fotos, etc. Cor preferida: branco. Estação do ano: outono. Fruta: ananás. “A 15 de maio de 2013, a modelo de nu chinesa Zhang Xiaoyu anunciou aos seus 450 000 seguidores no Weibo o lançamento do seu brinquedo sexual de marca registada, mais ou menos obliquamente traduzido por ‘dispositivo molde traseiro de Zhang Xiaoyu’. O dispositivo é um modelo em escala reduzida das costas de Zhang, nádegas e coxas com uma proeminente vagina vibrante, que vem num pacote completo com lubrificante e fotos nuas de Zhang. A página do produto no site oficial de Zhang Xiaoyu afirma que o dispositivo é o ‘único no mundo’ a oferecer uma ‘experiência nova de orgasmo 4D’ que literalmente ‘ultrapassa a realidade’. O dispositivo é capaz de simular contrações dos músculos vaginais, gaba-se da sua textura realista, e vem com uma banda sonora pré-gravada de gemidos e gritos de prazer de Zhang, que irá ‘incitá-lo a uma penetração deleitante’. Proclama-se como ‘a experiência sexual mais realista do mundo’ e permite-lhe ‘fazer sexo com Zhang Xiaoyu a seu belo prazer’”. Para além da Red Light Revolution, na China está em marcha a revolução das marcas de luxo:
“A China é o país com o maior número de compradores de luxo do mundo, representando cerca de 29 % do mercado global. Um milhão de milionários e mais de 120 bilionários fazem parte de uma fremente cultura de oferecer presentes espalhafatosos e esbanjamento visível, onde fatos de tweed escocês, malas caras, vinhos tintos finos franceses, perfumes Chanel e relógios suíços trocam de mãos como pedras de mahjong”. A ascensão do secretário-geral do Partido Comunista, Xi Jinping, a presidente da China arrefeceu o mercado, pelo menos, entre os funcionários do Estado. Xi Jinping prometeu medidas duras contra a corrupção como via certa para preservar a integridade e futuro do Partido Comunista. Xi Jinping: “Prevenindo o partido de ser corrupto na sua governação a longo termo do país, é uma política principal. E devemos fazê-lo direito”. “Não deixem que regras se tornem ‘tigres de papel’ ou ‘espantalhos’”. “Cada funcionário do Partido Comunista Chinês deve ter em mente que todas as mãos sujas serão apanhadas. Os altos funcionários devem respeitar a disciplina do partido quanto ao respeito e parar de arriscar”. “O bureau político do comité central do PCC dá o exemplo aos funcionários menores”. “Perante tendências pouco saudáveis, (os poderes) político e judicial têm que ousar mostrar a espada e mostrar decisão para eliminar a corrupção no nosso sistema político e legal, limpando as ovelhas negras da família”. E assegurava Xi Jinping “iremos às moscas e aos tigres” na limpeza da corrupção, que se exterioriza nos presentes aos funcionários. “A diretiva governamental sobre presentes data do final de 2013 e proíbe-os – o decreto dos Oito Pontos, de dezembro de 2012, que era mais abrangente já dizia que todos os funcionários deviam eliminar as ‘más práticas’ como o hedonismo e a extravagância. Os produtos escolhidos pelos funcionários do partido para oferecerem a outros funcionários do partido, a visitantes ou a pessoas consideradas importantes também tinham ultrapassado o ‘nível aceitável’”. Entre esses presentes estavam Bolos da Lua feitos de pasta de barbatana de tubarão ou ninho de andorinha e revestidos a ouro, “licor chinês Maotai (276 € / garrafa), relógios Vacheron Constantin e Rolex (um funcionário do departamento de habitação de Nanjing tinha um Vacheron de 11 mil € com um salário de 6 mil €), material das marcas Hermès, Louis Vuitton, Gucci, Chanel e Apple, casas e terrenos, cartões de crédito, dinheiro vivo e equipamentos eletrónicos – as prendas perfaziam 60 % das vendas anuais da Hanvon”. Um dos tigres, Liang Wenyong, chefe do partido em Gushanzi, num banquete de lagosta, dissertava sobre o povo como se fosse um líder ocidental: “Têm as taças cheias de arroz, a boca cheia de porco, mas dizem mal do Governo. As massas chinesas são uma vergonha e não merecem o nosso respeito”. Em 2013, o primeiro ano da governação de Xi Jinping as compras de luxo desceram 15 %, e a sua campanha contra a corrupção já pôs diante da justiça mais de 20 mil dirigentes.
[13] Ninguém vive fora da sua época, nem nas roupas nem nos penteados nem nas ideologias nem no vocabulário, apesar da ilusão de que envelhecer é caminhar para o melhor, e de que velhos não são ridículos e absurdos. Uma sensação da esposa de Saldanha Sanches e também militante do MRPP Maria José Morgado: “Éramos um grupelho de universitários. Eu era uma marrona maoista, uma criatura absurda. (…). Arquétipos estúpidos e lunáticos. Queríamos tomar o poder e globalizá-lo. Ainda bem que não o tomámos”. Dentro de 40 anos, as declarações atuais de Durão Barroso, provocarão a mesma risota que o seu registo maoista: “Respeito muito a democracia grega e, claro, o Parlamento grego, mas tenho também de respeitar os restantes 16 parlamentos que aprovaram o programa. Por isso, claro, os acordos têm de ser respeitados por todos. E se os acordos não são respeitados, significa que não estaremos em condições de continuar com um país que não respeita os acordos” (maio 2012). “Esta crise não teve origem na Europa, já que refere a América do Norte, foi na América do Norte que esta crise teve origem, e grande parte do nosso setor financeiro foi contaminado por… como posso dizer? (how can I put it) … práticas pouco ortodoxas por parte de alguns setores do mercado financeiro” (em inglês, cimeira do G 20, junho 2012). “Aqueles jovens, nas ruas da Ucrânia, estão a escrever, com temperaturas geladas, a nova narrativa para a Europa (…). Também porque a Europa é a promessa de esperança e liberdade e penso que a União Europeia tem o direito e o dever de apoiar o povo ucraniano neste momento deveras difícil (…). Pedi-lhe [a Viktor Ianukovitch] que mostrasse contenção face a estes últimos desenvolvimentos, não usando a força contra as pessoas que pacificamente se manifestam” (em inglês, dezembro 2013). “Esta crise não foi causada pela União Europeia, foi causada, principalmente, por um comportamento irresponsável dos mercados financeiros, e também, nalguns casos, por erros a nível nacional, quer sejam através de gastos nacionais excessivos, ou através de erros de supervisão” (em espanhol, janeiro 2014).
[14] Da Colômbia, um estimulante substituto da nicotina. Sofia Vergara, 1,70 m, 64 kg, 81-71-99, sapatos 39, olhos cor de avelã, cabelo loiro, nascida a 10 de julho de 1972 em Barranquilla, rotulada de “Viagra natural”, prima / irmã adotiva de Sandra Vergara. Gostos: batom preferido: L’absolu Rouge in Exotic Orchid da Lancôme. Livro favorito: “Cem dias de solidão”, Gabriel García Márquez. Cor favorita: azul. Flor favorita: orquídeas. Água de colónia favorita: Terre d’Hermès - Eau de toilette natural spray. Sapatos favoritos: sapatos de camurça Sergio Rossi. Quando jovem aos 13 anos “Eu queria cirurgia. Disse à minha mãe: ‘Assim que for mais velha, por favor, tira-me estas tetas’. Ela disse: ‘Sofia, cala-te. Quando tiveres 18 anos, será diferente’. Eu era tipo, ‘para que quero estes melões?’. Sou uma 34 DD. É difícil de vestir. Não importa o que vista, pareço uma stripper”. A mãe não se enganou. “Estou grata por tê-las e, honestamente, elas ajudaram-me muito na minha carreira. E sempre me senti sexy”. “Sou uma loira natural, mas quando comecei a representar, ia às audições e eles não sabiam onde me enfiar, porque eu era voluptuosa e tinha o sotaque mas… tinha cabelo loiro. No momento em que pintei o meu cabelo de preto, foi ‘Ó, ela é uma rapariga latina escaldante’. Adorei… Sendo morena diluiu-me um pouco”. “Para cada 100 papéis que saem para outra atriz, há dois que encaixam em alguém como eu. Quero dizer, não posso interpretar uma cientista. Sei quem sou. Sei como pareço. Sei como soo-o. Não vou dizer ao meu agente, ‘Inscreva-me para a Schindler’s List 2’”. Sofia recusou o papel de Charlotte Bless em “The Paperboy” (2012): “Era um papel divertido. Todavia, fiquei muito feliz porque não tive que fazer xixi na cara de alguém. Fiquei feliz por não ter sido eu. Para (Nicole Kidman), isso não é nada. Para mim, teria sido três semanas de stress. Como é que eu vou fazer xixi lá?” – o início da carreira no histórico anúncio Pepsi ☻ na hermosa isla de San Andrés, Colômbia, “Oh hi, I'm a video of young Sofia Vergara on the beach” ☻ “tetas balançantes” ☻ aos 41 anos num fato de banho Agent Provocateur.
[15] “Na década de 70, Heidemann comprou o iate Carin II, que pertencera a Hermann Göring, conheceu a sua filha Edda Göring e começou um caso amoroso com ela que durou 5 anos. Eles recebiam no iate, e os seus convidados incluíam dois generais da Segunda Guerra Mundial, Karl Wolff e Wilhelm Mohnke. Heidemann apareceu com a sua história dos diários perdidos escritos por Hitler numa conferência de imprensa em 25 de abril de 1983. Vendeu os direitos à revista alemã ocidental Stern por 10 milhões de marcos (5 milhões de euros), juntamente com a conversa de como eles tinham estado escondidos num celeiro na Alemanha de Leste durante muitos anos. (…). Contudo, acabaram por descobrir serem falsificações, e Heidemann foi preso, julgado e condenado em julho de 1985 a quatro anos e oito meses de cadeia por fraude, assim como Konrad Kujau que tinha realmente feito a falsificação dos livros na caligrafia de Hitler, tal como tinha feito, anteriormente, outros documentos fraudulentos de Hitler. Numa reviravolta dramática, em 2002, foi revelado que Heidemann tinha trabalhado para a Stasi, embora ele alegasse que fora agente duplo. (…). Em 2008, Heidemann vivia na pobreza: ‘Sou saudável. Sou pensionista e recebo 350 € por mês da segurança social. Também me pagam a renda, o meu seguro de saúde e o seguro de cuidados na velhice”. “As suas dívidas, superiores a 700 000 €, incluem 150 000 € em contas do estaleiro naval, que datam de quando ele era dono do Carin II. A sua mulher abandonou-o em 1986, o filho, Ronald, morreu de SIDA, a filha, Susanne, emigrou para a Austrália, para construir uma nova vida longe do pai atormentado por escândalos”. – Esta burla, possível na Alemanha, seria impossível em Portugal, país de só bom jornalismo, todo ele começado pela expressão “É português…”. A explicação é matemática, cientifica, algorítmica. O cérebro, comanda: “Pedra portuguesa teve melhor ano de sempre e já superou a crise pós-2008 (…). As vendas de pedra para o exterior valeram quase 340 milhões de euros em 2013, mais 6% do que no ano anterior”. O local, ajuda: Octávio Mateus, cientista: “Portugal tem uma riqueza impressionante em termos de dinossauros”. “Somos um dos países com mais espécies de dinossauros por quilómetro quadrado”. E as intrujices jornalísticas fogem a sete pés: “Jeans Doll Gives Side View of Nice Soles”, modelo Léa, 1,64 m, sapatos 37, olhos e cabelo castanhos.
[16] Dinheiro não dá felicidade mas o dólar compra-a. Lorenzo Carvalho c/ a girl band brasileira Girls, (entretanto a Sony Music perdeu o interesse nas moças), “Understand” (2013): “De Ferrari, Lamborghini ou Maserati / Tiro onda todo dia de Bugatti / De Ferrari, Lamborghini ou Maserati / Tiro onda todo dia de Bugatti”.
[17] Em 2014 “Nos últimos cinco anos tivemos uma quebra de 44,4 % na produção e o consumo de cimento contraiu-se 62,5 %. Para se ter uma ideia, em 2013 foram licenciados apenas 7537 fogos. Já em 2000 foram construídas 118 mil casas’, enumera Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, acrescentando que apesar do stock das atuais 100 mil casas ainda por vender, já pouco resta nas zonas centrais de Lisboa e do Porto”, em Expresso n.º 2164, revista Economia.

na sala de cinema

Quella villa accanto al cimitero” (1981), real. Lucio Fulci [1], c/ Catriona MacColl (como Katherine MacColl), Paolo Malco, Ania Pieroni… Estreia sexta-feira, 8 de abril de 1983 no cinema Odeon. “Uma mulher (Daniela Doria) procura o namorado numa casa abandonada. Depois de encontrar o seu cadáver ela é esfaqueada na cabeça e o seu corpo arrastado através de uma porta da adega”. C/ banda sonora de Romano “Walter” Rizzati. “Una vacanza del cactus” (1981), real. Mariano Laurenti. “Giuseppe Zerboni (Enzo Cannavale), a sua mulher Fedora (Graziella Polesinanti), Angela (Anna Maria Rizzoli [2]), Augusto Squarciarelli (Bombolo) e Ragionier Pistilli (Vincenzo Crocitti), toda a equipa da Zerboni & Basta, partem para umas férias prémio na Grécia, em Rodes. Zerboni está convencido que finalmente conseguirá conquistar a Angela que corteja há algum tempo. Para facilitar as coisas encarrega o seu armazenista, Augusto, de manter ocupada a mulher, Fedora, que sofre de uma forte, mesmo embaraçante, miopia. Augusto, por sua vez, encasquetou-se de encontrar o túmulo de um tio que morreu em Rodes, e de plantar um cato confiado pela sua velha tia viúva em Roma. Tudo predisposto para umas férias excitantes e cheias de divertimento, como muitas vezes acontece, encontram-se a passar uma semana plena de equívocos, situações cómicas e escapadelas amorosas”. "Varliivo leto 68" (1984), (“O ilusivo verão de 68”), filme jugoslavo, real. Goran Paskaljević. “Divertida comédia iniciático-sexual que é um dos trabalhos mais amplamente populares do seu autor. Sátira, costumes e uma pincelada apressada num conjunto assumidamente eufórico e vitalista, se bem que admite influência de certos aspetos do cinema de Truffaut, pertence plenamente à escola humorística balcânica dos anos 80. Apesar da sua pobreza estética e certa obviedade crítica, desperta simpatias e conta com momentos memoráveis, além de um elenco esplêndido, encabeçado pelo grande Danilo ‘Bata’ Stojković como o atribulado juiz de província obcecado para que o seu filho aprove em marxismo, enquanto este, o melancólico Slavko Štimac (o primeiro ator infantil e, em seguida, habitual de Kusturica), apenas consegue pensar no que é verdadeiramente importante[3]. “Situada no plano de fundo da liberalização da Jugoslávia do marechal Tito em 1968, esta comédia é sobre a saída da adolescência de Petar, como ele procura o amor em qualquer lado, agora que descobriu que existe. O seu pai é um tipo distante que o quer focado nas suas notas para que ele tenha hipótese de um bom futuro (e ser um bom marxista), mas o calejado avô de Petar compreende-o e dá-lhe o conselho de que ele necessita. Entretanto, Petar está embeiçado pela sua bela professora e causa estragos na sua situação académica ao tentar vingar-se dela por ter ido tomar banho ao rio com um companheiro masculino. Esta afronta aos seus sentimentos é prontamente esquecida, quando ele conhece uma encantadora moça, que visita a cidade com a orquestra jovem – e o amor voa a partir d”. “Educating Julie” (1984), filme inglês, real. Gail Hardman. “Julie Potter (Gail Ward) é uma jovem estudante a tirar a licenciatura em Sociologia na universidade. O filme começa com o seu tutor (Anthony Schaeffer), a informar a turma que, durante as férias, a cada um deles será atribuída uma tese preliminar para fazer, que será avaliada como 10 % da nota final. Ele distribui os temas escritos em pedaços de papel num copo para tirarem à sorte. Um dos alunos (Gary Willock) vê que um dos temas é ‘Nudismo nos anos 80’ [4] e, como partida, segura-o firmemente na borda do copo e deixa os outros escolherem os outros tópicos, finalmente passando o copo a Julie, que fica horrorizada quando lê qual é a sua tese. Cada aluno comunica ao tutor qual é o seu tema, e então Julie é incitada a ler o seu, o que ela faz, causando uma explosão de riso na sala, e Michael reivindicando que o queria fazer. O tutor severamente diz-lhe que não há troca de temas e termina a aula. (…). Mais tarde no pub, ela está com o namorado Steve (Miles Taylor), que lhe fala sobre planos para as férias de verão deles, dizendo que um amigo dele lhes emprestou uma roulote nas ilhas Norfork e que podem usá-la. Julie está atrapalhada e Steve pergunta-lhe qual é o problema. Quando ela lhe fala sobre a sua tese, ele desata a rir e oferece-se para ajudar Julie com o assunto”. “Ela e o namorado visitarão vários clubes de nudistas na Inglaterra, sul de França e na Florida para saber porque razão as pessoas gostam de nudismo[5]. "La fille de 15 ans" (1989), real. Jacques Doillon. “Willy (Jacques Doillon), um divorciado de meia-idade, decide levar o seu filho, Thomas (Melvil Poupaud), numas férias a Ibiza, instalando-se numa vivenda isolada numa parte da costa preservada da destruição humana. Thomas insiste em levar a sua amiga Juliette (Judith Godrèche [6]), uma rapariga da sua idade, com quem desfruta uma íntima relação platónica. Quando se trata de amor físico, Juliette é mais sabichona para a sua idade. Ela só dorme com homens mais velhos e não tem intenção de se comprometer numa relação a longo termo. Enquanto as férias progridem, Juliette percebe que Willy se sente atraído por ela. Ela confidencia a Thomas que vai seduzir-lhe o pai e depois rejeitá-lo, na esperança de poder livrar-se de atenções indesejadas. Desconhecendo o subterfúgio, Willy está dividido entre a sua atração física pela adolescente e o amor pelo filho[7].
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[1] 3.º filme da “Trilogia da morte” de Lucio Fulci com Catriona MacColl. “A trilogia da morte é caraterizada por tramas surreais e oníricas, bem como uma encenação extremamente violenta e splatter [subgénero do cinema de terror saturado de hemoglobina]. Uma das características principais da trilogia é a referência a alguns clássicos da literatura do horror gótico. Muitas são, de facto, as referências às obras de escritores como Howard Phillips Lovecraft e Edgar Allan Poe. ‘Paura nella città dei morti viventi’ (1980) é o primeiro filme de terror em que Fulci experimentou um argumento livre da nomenclatura convencional onde nada é explicado ou explicável. “...E tu vivrai nel terrore! L'aldilà” (1981), considerado a obra-prima do realizador romano, leva ao extremo a experimentação narrativa e acrescenta-lhe um toque de poesia em cima. ‘Quella villa accanto al cimitero’ é o último filme da trilogia, e apresenta um roteiro mais convencional e com menos efeitos splatter. O filme, pelo seu conjunto de horror, splatter e suspense, é considerado o mais assustador da trilogia”.
[2] Anna Maria Rizzoli, modelo e atriz nascida em Roma a 26 de agosto de 1953. Diplomada em línguas no liceu foi modelo até aos 22 anos e ganhou na commedia sexy all’italiana, nos finais de 70 início de 80, o cognome de “os mais belos seios de Itália”. Ela “não tinha uns seios muito abundantes, o que demonstra que o gosto dos italianos mudou várias vezes ao longo do tempo. Poucos anos depois eles teriam, de facto, uma ampliação. A Rizzoli era toda natural, alta, loira, frequentemente nua. Começou em programas fora de horas da televisão, muitas vezes eróticos, como ‘Playboy di Mezzanotte’”. Foi namorada de Walter Chiari e a revista Playboy teve o prazer de apresentar o seu primeiro nu em março de 1977.
[3] Miúdas. Miúdas. Miúdas, opostamente ao vermelho (cor-de-rosa, cor alternativa) pavor do Pequeno Panurgo Pedro: deparar-se enclausurado num quarto de hotel sitiado por um bando de japonesas com F Vodka: Elixir of Fashion num “Sexy Soul Japan Photoshoot”. C/ Sayuki Matsumoto, 1,72 m, 91-60-88, sapatos 38, olhos castanhos, cabelo ruivo, nascida a 9 de dezembro de 1985 na cidade de Yokkaichi, Mie, Japão. Hobbies: jogar futebol e cantarolar. Ayaka Sayama, 1,57 m, 85-60-87, sapatos 38 ½, olhos e cabelo castanhos, nascida a 17 de maio de 1993 em Kanagawa. Hobby: música. Talento: torcer a língua. Natsuko Tatsumi, 1,58 m, 82-56-82, sapatos 38, olhos e cabelos castanhos, nascida a 21 de janeiro de 1988 em Tóquio. Hobbies: karaoke, compras e trombone. Talento: afinação do Eclectone. Akina Aoshima, 1,60 m, 87-58-86, sapatos 37 ½, olhos e cabelos castanhos, nascida a 4 de março de 1987 em Miyakonojo, Miyazaki. Hobbies: basquetebol e cantar. Talento: dança japonesa. Megumi Haruna, 1,61 m, 46 kg, 83-60-85, sapatos 39, olhos e cabelos castanhos, nascida a 8 de outubro de 1990 em Tóquio. E… somando japonesas sobre japonesas voa a águia mia o leão. Scandal, banda feminina “formada em agosto de 2006 por quatro alunas do liceu, começaram a tocar nas ruas ao vivo até serem notadas e assinarem pela etiqueta indie Kitty Records”. São elas Haruna Ono, voz e guitarra, Mami Sasazaki, guitarra e voz, Tomomi Ogawa, baixo e voz e Rina Suzuk, bateria e voz, auto-proclamando-se “O mais poderoso pop rock japonês feminino”: “Shunkan Sentimental” (2010) (“Momento sentimental”) ♪ “Awanai Tsumori no, Genki de ne” (2013) (“Eu estou indo você não ir, e cuidar”) ♪ “Runners High” (2014), do split single com T.M. Revolution, (“Takanori Makes Revolution”, nome artístico de Takanori Nishikawa), no videojogo “Sengoku BASARA 4”.
[4]Diary of a Nudist” (1961), real. Doris Wishman. “Arthur Sherwood (Norman Casserly), editor-chefe do The Evening Times (‘As notícias do dia são as suas notícias… hoje’), depara-se com uma colónia de nudistas durante uma caçada e cheira-lhe a uma boa história. Ele inscreve Stacy Taylor (Davee Decker), a sua melhor jornalista, na comunidade nudista para que ela possa expor a imoralidade do campo a partir do interior”. O tópos (“τόπος”) do corpo é vestido, nu, só para ganhar dinheiro ou Arte. Das coreografas e realizadoras brasileiras Rosane Chamecki e Andrea Lerner, i.e. chameckilerner, na peça “Costumes by God”: “Os corpos masculinos e femininos são revelados, não como neutros, mas como desejáveis, eróticos e, algumas vezes, corpos pornográficos. A política da nudez, a troca de poder entre aquele que olha e aquele que é olhado, a beleza, as fantasias e, algumas vezes, apenas a sugestão de nudez jogarão com a perspetiva do público”. C/ a coreógrafa uruguaia Luciana Achugar (noutra performance: “FEEL … FORM” (2012), c/ Rebecca Brooks, Jennifer Kjos e Melinda Lee) e a diretora, coreógrafa e artista performativa cipriota Maria Hassabi.
[5] A razão líquida é o “Body Art Festival Spectacular Nudism”.
[6] Judith Godrèche, nascida a 23 de março de 1972 em Paris: “Na sombra, continuei a escrever argumentos. Colaborei no de ‘La fille de 15 ans’, de Jacques Doillon, sem co-assinar… Aos 21 anos, escrevi outro contando a história de uma rapariga que rouba uma criança. Finalmente, tornou-se um romance, ‘Point de côté’, publicado por Françoise Verny na Gallimard”. “A separação dos seus pais quando ela tinha oito anos, foi um choque, e contribuiu para interromper os estudos aos 15 anos e a sua entrada na via adulta muito nova, após os seus próprios esforços para fazer audições para o cinema e, em seguida, o seu encontro com Benoît Jacquot com quem viveu no final dos anos 80”. No seu primeiro papel interpretou a filha de Claudia Cardinale em “L'été prochain” (1985), de Nadine Trintignant; foi Ophélie na comédia de Jean-Pierre Mocky “Les saisons du plaisir” (1988); e canta no primeiro filme que realizou, escreveu o argumento e interpretou, “Toutes les filles pleurent” (2010).
[7] Elas já estão para além do organdi e do perfume Patchouly. “100 escovadelas antes de dormir” (2005), real.  Luca Guadagnino, c/ María Valverde a), Geraldine Chaplin… “Melissa P. (María Valverde) é uma tímida virgem de 15 anos que se sente cada vez mais distante da sua família. O pai trabalha numa plataforma de petróleo no estrangeiro e a mãe, Daria (Fabrizia Sacchi), está demasiado ocupada com o seu papel de dona de casa para se aperceber de que há algo errado com a filha. A única pessoa que nota o desconforto de Melissa é a sua avó Elvira (Geraldine Chaplin). Contudo, Melissa sente-se completamente isolada quando Elvira é descartada num lar de idosos. A educação sexual de Melissa avança da masturbação para um humilhante broche, atrás da piscina, ao Daniele (Primo Reggiani), o rapaz mais atraente e rico do sítio. Apesar do encontro tudo menos romântico, a pancada de Melissa por Daniele só aumenta. Ela fantasia acerca de Daniele e vem-se na aula de ginástica. Mais tarde, perde a virgindade, o que novamente não é um encontro idílico”.
O filme tem o título original “Melissa P.”, de Melissa Panarello, nascida na Catânia a 3 de dezembro de 1985, co-autora do argumento e autora do romance base “100 colpi di spazzola prima di andare a dormire”. “No inverno europeu de 2002, longe dos olhos da mãe e do pai, a jovem italiana Melissa Panarello começou a escrever um diário em que relatava, sem pudores e meias palavras, as precoces e variadas experiências sexuais vividas por uma colegial entre os 15 e os 16 anos. A história de Melissa começa quando ela perde a virgindade aos 15 anos de idade. A descoberta de um mundo novo e diferente, o desejo de amar e se sentir amada e a ilusão de encontrar este sentimento através do sexo. É esse o ponto de partida para um relato que mistura de forma provocadora ficção e realidade, num vasto e surpreendente rito de iniciação sexual”. Livro (pdf): “Então, de repente, houve outra surpresa: a minha boca cheia de um líquido quente, azedo, espesso e abundante. O meu súbito início a esta nova descoberta deu-lhe uma ligeira pontada, ele agarrou a minha cabeça e empurrou-a na sua direção ainda com mais força. Ouvi-o ofegar e houve um momento em que pensei que o calor da sua respiração descia até mim. Bebi o líquido porque não sabia que mais fazer com ele. A minha garganta emitiu um suave gluglu que me embaraçou”. Entrevista: “Prefiro a pornografia ao erotismo, porque é mais explícita, é mais verdadeira, tem menos véus, tem menos inibições. A minha literatura tem mais a ver com a pornografia do que erotismo. Conto a realidade das coisas, em vez de escondê-la”
a) “As cenas de sexo só se filmaram após ela completar os 18 anos, entretanto rodaram outras partes do filme”. María Valverde, 1,64 m, 76-58-86, sapatos 38, olhos cor de café, cabelos castanhos-claros, nascida a 24 de março de 1987 em Madrid. Canção favorita: “I’m Like a Bird”, de Nelly Furtado. Pijama favorito: masculino. Música preferida: hip-hop, rap, ragga, R&B, rock (Dido, Red Hot Chili Peppers, Nelly Furtado, El Chojin…). Comida favorita: ervilhas preparadas de qualquer maneira. Estreou-se no cinema aos 16 anos com um papel principal em “La flaqueza del bolchevique” (2003), pelo qual venceu o prémio Goya para melhor atriz revelação.

no aparelho de televisão

General Hospital” (1963-presente), transmitida pelas 16:40 na RTP 1, de segunda a sexta, de 18 de setembro 1989 até ao episódio 140.º, quarta-feira, 4 de abril 1990, é uma telenovela médica creditada no Guinness como a soap opera americana em exibição há mais tempo. Nos anos 80, as aventuras e os cabelos das mulheres avolumaram-se no General Hospital. “Um dos maiores tramas de GH nesse tempo foi a história de Luke e Laura, imortalizada na canção de Christopher Cross ‘Think of Laura’. Após um começo improvável (Luke viola Laura), eles acabam apaixonando-se e casam-se a 16 de novembro de 1981 em frente de 30 milhões de espetadores, representando a hora mais bem cotada na história das soap operas. (…). Alguns membros do elenco de General Hospital tornaram-se grandes estrelas, regressando depois para pequenos papéis convidados. Algumas grandes estrelas que tiveram o seu lançamento no Hospital incluem Ricky Martin, Nikki Cox, Mark Hamil, Demi Moore, John Stamos e Janine Turner”. No dobrar do milénio Kelly Marie Monaco 1,60 m, 45 kg, 91-55-81, sapatos 36, olhos e cabelos castanho-escuro. “Nascida numa família numerosa italiana católica a 23 de maio de 1976, em Filadélfia, Kelly Monaco lançou a sua carreira aparecendo como playmate do mês da Playboy em abril de 1997. Depois de pequenos papéis, como modelo e como a nadadora salvadora novata Susan, na série ‘Baywatch’ (1989-2001), Monaco conseguiu dois papéis na soap operaPort Charles’ (1997-2003), como Olivia ‘Livvie’ Locke Morley entre 7 de julho 2000 / 3 de outubro 2003 e Tess Ramsey (2002-03). Quando esta foi cancelada, ela transferiu-se para o papel da detetive privada Samantha ‘Sam’ McCall em ‘General Hospital’”. (Kelly no vídeo “Rockstar”, p/ Mams Taylor). “Maude” (1972-1978), série flutuante pelas 21:30 ao longo dos anos na RTP 2. Duração 30 min. Estreia segunda-feira, 10 de outubro de 1988, e será transmitida de segunda a quinta, sendo substituída na sexta, no mesmo horário, por “O sétimo direito”, c/ Henrique Santana e Lia Gama. Na semana de 21 de novembro trocam, “O sétimo direito” desloca para as segundas e “Maude” é transmitida de terças a sextas. Na segunda-feira, 13 de fevereiro de 1989 termina “O sétimo direito” e Maude” será transmitida de segunda a sexta. Na sexta-feira, 14 de abril de 1989 estreia a série inglesa “Troubles” e “Maude”, na semana seguinte fixa-se nas quintas-feiras, de 27 de abril de 1989 a 18 de janeiro de 1990. “Maude é protagonizada por Beatrice Arthur como Maude Findlay, uma mulher de meia-idade, sem papas na língua, politicamente liberal, a viver no subúrbio Tuckahoe, no condado de Westchester, Nova Iorque, com o seu quarto marido, Walter Findlay (Bill Macy), dono de uma loja de eletrodomésticos [1]. Maude adotou os princípios da libertação da mulher, sempre votou nos candidatos do Partido Democrático, apoiava firmemente o aborto legal, e defendia os direitos civis e a igualdade racial e de género. Contudo, a sua autoritária e, algumas vezes, dominadora personalidade, frequentemente metem-na em problemas quando fala destas questões. A série é um derivado de ‘All in the Family’, no qual Beatrice Arthur interpretou a personagem de Maude, a prima de Edith Bunker. Tal como ‘All in the Family, ‘Maude’ era uma ‘comédia de situação’ com enredos atuais criada pelo produtor Norman Lear”, que se inspirou para este personagem na sua mulher Frances Lear”. “M*A*S*H” (1972-1983), transmitida na RPT 1 cerca das 21:15, às sextas-feiras, 21 de outubro de 1983, duas semanas depois muda-se para os sábados pelas 19:50, de 5 de novembro / até 3 de março de 1984. Duração: 25 min. Produção televisiva do filme “MASH” (1970) de Robert Altman, estreado na terça-feira, 17 de setembro de 1974, no cinema Londres. Altman não gostava da série. MASH é um acrónimo de “Mobile Army Surgical Hospital”. A série gira em torno de uma unidade cirúrgica na guerra da Coreia a MASH 4077. A major Margaret “Hot Lips” Houlihan (Loretta Swit), membro do Corpo de Enfermeiras do Exército, é responsável por todas as enfermeiras da unidade. “O personagem Hot Lips Houlihan foi inspirado na enfermeira-chefe Elizabeth J Thurness (Jane, Janie, Hotlips Hammerly)”. “A 4077th consistia de dois cenários separados. Um set ao ar livre nas montanhas perto de Malibu, Califórnia (Calabasas, condado de Los Angeles) foi usado para a maior parte dos exteriores e as cenas da tenda em cada temporada. Este é o mesmo set onde foi rodado o filme. O set interior, no palco de som da Fox Studios em Century City, foi usado para as cenas interiores em toda a série”.
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[1] Decorações para os subúrbios “The Outsider”, da banda americana A Perfect Circle, formada em 1999 pelo guitarrista Billy Howerdel e Maynard James Keenan, vocalista dos Tool c/ Paz Lenchantin no baixo, Troy Van Leeuwen na guitarra e Tim Alexander na bateria ♪ “Thinking of You” ♪ “Judith”, real. David Fincher.

na aparelhagem stereo [1]

Austin (Ross Lynch): “Aquilo que ouvimos nem sequer era música. Eram só sons”, Ally (Laura Marano): “Então? é o que a música deve ser: sons aleatórios que preenchem o silêncio”, no episódio 20, “Future Sounds & Festival Songs”, da 2.ª temporada da série da Disney “Austin & Ally” (2011-presente). O copo do silêncio, no país das laranjeiras [2], enchia-se de “som pesado, vozes gritantes ou acordes rápidos. O heavy metal remonta ao final dos anos 60 e chegou a Portugal na década de 80”, na “Reportagem sobre o Metal em Portugal” (8 outubro de 2005) no “Pop Up”, um programa de cultura urbana, com Raquel Dias, transmitido na RTP 2 (2004-06). “O Pop Up mostrou tendências, conceitos, espaços, objetos, pessoas. Deu a conhecer o que de inovador se faz nos vários domínios de expressão artística e urbana” [3]. Entretanto, duas décadas antes:
Na “Breve História do Metal Português”. “Os The Playboys, formados pelo então guitarrista Júlio Pereira – mais tarde famoso a solo na área da Música Popular Portuguesa – terão sido pioneiros nacionais do rock psicadélico de orientação tendencialmente mais pesada. Constituídos em 1966 atravessam diversas formações. Além de Pereira, o núcleo duro inclui ainda Jorge Sebastião (baixo), Sérgio Spínola Gonçalves (teclados) e João Seixas (bateria, voz), principal compositor do grupo. O quarteto ainda grava um single com os temas ‘Because I Hate You’ e ‘Little Rosy’, que alegadamente nunca chegou ao mercado. Hoje, os The Playboys são considerados por alguns especialistas um ‘bastião do hard rock’ luso. No final de 1967, formam-se os Pop Five Music Incorporated constituídos por Paulo Godinho (voz principal, guitarra e teclados, irmão de Sérgio Godinho), António José Brito (baixo e voz, mais tarde conhecido como Tozé Brito, senhor de longa carreira musical e posteriormente executivo da Universal Music e Polygram), Luís ‘Pi’ Vareta (guitarra e voz), David Ferreira (órgão Hammond, piano e voz), e Álvaro Azevedo (bateria, futuro Arte & Ofício e Trabalhadores do Comércio). Um dos primeiros grupos nacionais a gravar em estereofonia, os Pop Five Music Incorporated atuam ‘principalmente no Porto, em bailes de estudantes e arraiais de verão, e mais tarde em Lisboa e Coimbra, apresentando um repertório que incluía versões dos êxitos pop-rock anglo-americano’. (…). Em 1969, Miguel Graça Moura (instrumentos de teclas, atualmente conhecido maestro) ocupa o lugar de David ferreira, encarregando-se da direção musical do grupo. A integração no repertório de temas de Jeff Beck, Chicago ou Blood, Sweat & Tears contribui para a aproximação estilística ao género musical que viria a ser conhecido por hard rock, não sem que algumas influências progressivas se distingam. A crescente popularidade da banda torna-a a principal atração das festas estudantis e dos arraiais populares”. “Também os Objectivo surgiram no final dos anos 60, incluindo na formação original Tó Gândara (guitarra), Luís Filipe (guitarra e teclados), Zé Nabo (baixo) e Mário Guia (bateria). Pouco depois, o escocês Mike Sergeant e o norte-americano Kevin Hoidale substituem Gândara e Filipe. Em 1969, a banda lança pela Sonoplay um EP com os temas ‘At Death's Door’, ‘A Place in the Sun’, ‘Gin Blues’ e ‘I Know That’, após cuja edição Mário Guia cede o lugar ao já então mítico baterista Zé da Cadela. Com a nova formação os Objectivo editam o primeiro disco estéreo em Portugal, o single com os temas ‘The Dance of Death’ e ‘This Is How We Say (Goodbye)’. A 8 de agosto de 1971 a banda atua na primeira edição do Festival de Vilar de Mouros com grande êxito”.
Duas décadas depois, o metal português atemoriza menos. “O heavy metal já não é o papão de outros tempos, mas continua a fazer delirar muita gente e a chocar muito mais. De preferência para se ouvir alto e a bom som. (…). A legião de metaleiros é imensa, uma forma de estar que continua a ser altamente chocante, quando quem não sabe bem o que é, vê indivíduos a saltarem constantemente uns para cima dos outros, é isso mesmo o mosh”, na “Reportagem Heavy Metal em Portugal”, no programa da RTP 1 “Alta Voltagem” (1996), autoria e apresentação Rui Unas. Aquilo que as imagens ilustram não é bem mosh, o ato de dançar aos encontrões, mas stage diving, mergulhar o corpo do “desejo” (Lady Gaga) para dentro do mar de público. Corpo que vê ao sol nu: The Flaming Lips “Watching the Planets” (2009): “Oh, oh, oh, oh, oh / Oh, oh, oh, oh, oh / Oh, oh, oh, oh, oh / Oh, oh, oh, the sun's gonna rise / Oh”. Vestido licenciosa ou retamente: John T. (John Wayne): “Onde é que arranjaste essas coisas?”, Feathers (Angie Dickinson): “Usava-as no último sítio onde trabalhei”, no filme “Rio Bravo” (1959), real. Howard Hawks, (estreia terça-feira, 22 dezembro de 1959 no Politeama). Em Portugal, inflado de coragem: Álvaro Santos Pereira: “Eu acho que o importante quando se vai p’a funções públicas, o importante, é defendermos acima de tudo o interesse do país, foi isso que eu fiz, ao longo de dois anos, tive muito orgulho, muita honra de servir a minha pátria, e por isso mesmo é tudo o que eu tenho a dizer” (janeiro 2014, o ex-ministro da Economia racionalizava o chuto no traseiro para fora do Governo) [4].
Ó metal pesado quanto do teu peso… é metal de Portugal:
Cruel Hate “eram de Aveiro. Formado em novembro de 1989 por Paulo Pacheco e Rui D’Oliveira, guitarras, Carlos Bento, voz, Mário da Costa, bateria, e Alberto Calé, baixo. Em 1990, os Cruel Hate gravaram uma maquete chamada ‘Imminent Destiny’, mas devido à má qualidade a banda não a lançou. Em julho de 1991, tocaram ao vivo pela primeira vez na sua cidade natal. Em março de 1992, gravaram ‘Dying in Fear’ no estúdio profissional Rec & Roll, com produção de Luís Barros (baterista dos Tarântula). Cinco canções faziam parte dessa maquete: ‘War With No Pain’, ‘Blindness’, ‘Atomic Calamity’, ‘Times of Despair’ e ‘Living in Fear’. A 5 de setembro, pelas 22:00 horas, tocaram com os Inkisição na praia da Barra, Ílhavo. Em outubro de 1992, foram convidados para atuar no primeiro Festival de Heavy Metal de Penafiel, junto com os Inkisição, Genocide e W.C. Noise para 1200 fãs”, na Adega das Lages, 10 de outubro pelas 15:30 horas, bilhete 500$00. Battalion “eram do Feijó, Almada. Formado em 1988 por Paulo Mendes, voz, Vítor e Carlos, guitarras, Hélder, bateria e Rogério, baixo. No final de 1989, Paulo abandona a banda durante a gravação da sua maquete e é substituído por uma cantora chamada Adelaide. Mas logo, Adelaide sai e Paulo regressa aos Battalion” ▬ “Child and the Wizard”, no Rock Rendez Vous em 14 de janeiro de 1990. Phoenix “eram de Odivelas, Lisboa. Composto por Zé Manuel Barata, voz, Armando Barros, guitarra, Ricardo Fonseca Leite, baixo e Tó João Barata, bateria. O grupo lançou apenas um 7 polegadas, com as faixas: ‘Carlinhos - O Maior’ e ‘Summer Love Dream’, por volta de 1984, pela etiqueta Discossete”. Helllegion “vieram do Barreiro, formados em 1988 pelos guitarristas Marcelo Sousa e João Lopes. Depois junta-se-lhes João Augusto, baixo / voz. Experimentaram vários bateristas mas não conseguiram encontrar um. Entretanto, João abandona o posto de vocalista, que é ocupado por Marcelo. Em 1990, o baterista Paulo Silva junta-se ao grupo. Em abril de 1991, gravaram uma maquete de 5 faixas com canções velhas, na sua sala de ensaios, o quarto de dormir do João Lopes. A maquete chamava-se ‘Ready for War... The Legion Arrives’, que incluía as faixas: ‘Kill by War’, ‘Curse of All the Pharaos’, ‘Human Jesus’, ‘Power from Hell’ e ‘Legion Arrives’. A banda tocou no Festival ‘Diz Sim à Vida’, a 14 de julho de 1991 no estádio do barreirense. Os Helllegion gravaram a sua segunda maquete, ‘Mortal Radiation’, cerca de 1993, com duas faixas ‘Mortal Radiation’ e ‘Auschwitz’. A 20 de novembro de 1993, tocaram na Escola Secundária de Santo André, Barreiro”. Lakrau “banda de Loures, a primeira formação data de 1990, e era composta por Carlos Pereira, baixo / voz, João Silva, bateria (ambos ex-Massive Roar). A eles juntou-se mais tarde Ricardo Santos, guitarra. Após seis meses de ensaios, houve a necessidade de outro guitarrista, então João Alves foi integrado. Foi com esta formação que a banda compôs as primeiras canções. No final de 1990, o repertório ainda era escasso, mas pronto para ser apresentado ao público. Assim, a 9 de fevereiro de 1991, os Lakrau tocaram pela primeira vez ao vivo, com os Mantron, na Voz do Operário, Lisboa [venda antecipada: 400$00, venda próprio dia: 500$00]. Em 7 de novembro tocaram no Johnny Guitar, Lisboa, e cerca de um mês depois, tocaram com os Massacre no pavilhão da Associação de Moradores de Santo António dos Cavaleiros, Lisboa. Mais tarde a banda entrou nos estúdios Heaven Sound para gravar a faixa ‘Enemy’, que integraria a compilação ‘The Birth of a Tragedy’ (MTM Records) em 1992”. Raising Fear, banda de trash metal do Porto, fundada em 1991 por Artur, voz, António, baixo e os ex-Genocide, Mário Ribeiro e Alfredo, nas guitarras e Paulo Mosh na bateria. Em 1992 a MTM Records lançou a faixa “Gone Mad” no LP duplo “The Birth of a Tragedy”. Em 1994 lançam a maquete “Raising Fear” com as faixas “Fear of Fear” (instr.), “Hallucination”, “Weak Minds”, “Why” e “War Again”. A faixa “Why” será incluída no CD duplo “Hypermetal” (1996) da editora e distribuidora de metal Música Alternativa.
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[1] Inventado pelo engenheiro da EMI Alan Blumlein. “Um dia em1931, Alan Blumlein levou a sua futura esposa, Doreen, ao cinema e disse-lhe durante o filme: ‘Reparaste que o som vem apenas de uma pessoa?’. Doreen, segundo ela própria pouco entendida em tecnologia, respondeu: ‘Ó, vem?’. E ele disse: ‘Sim, e tenho uma forma de o fazer seguir a pessoa’. Em 14 de dezembro de 1931, Alan Blumlein solicitou a sua famosa patente n.º 394,325, Binaural Sound, na qual descreve em grande detalhe, um método eletrónico de reprodução de som de dois microfones e dois alto-falantes. Ele chamou a este sistema ‘binaural’ por causa do fator humano de termos dois ouvidos pelos quais ouvimos o som. Porque esta patente estava tão à frente no seu tempo, demorará 20 anos antes de ser totalmente apreciada, muito depois da morte trágica de Blumlein em 1942. É claro, hoje, conhecemos binaural como stereo”.
[2] O 1.º primeiro-ministro Passos Coelho: “No domínio da cultura, das artes, tudo passava ali pelas Laranjeiras”. Catavento de opinião abalizada, Passos Coelho propalava sobre a origem da palavra “forrobodó”, do título do conde de Farrobo que teve um palácio nas Laranjeiras, local de trabalho do 2.º primeiro-ministro Paulo Portas.
Farrobo é a face dos portugueses atuais, morreu na mais completa miséria, penhorado. “Segundo as confidências de Herculano a Oliveira Martins, as reuniões conspiratórias fizeram-se na casa que o historiador ocupava junto do palácio da Ajuda, na sua qualidade de bibliotecário pessoal do rei D. Fernando. Não é crível que Herculano se metesse nessa aventura sem permissão, ou mesmo uma indicação, do rei-consorte. ‘Ali se pactuaram as reformas urgentes que o marechal realizaria assim que se tornasse vencedor: as eleições diretas, a abolição da hereditariedade nos pares, a dos vínculos gradualmente convertidos em pequena propriedade enfitêutica. Herculano exigia que tudo se fizesse com gente nova, excluindo os velhos todos’ (Portugal contemporâneo, ii, 290)”, em “História de Portugal”, José Hermano Saraiva. A revolta chamou-se Regeneração e o marechal era o duque de Saldanha. Para financiar a revolução o duque dirigiu-se ao conde de Farrobo, na época um dos homens mais ricos de Portugal, propondo, se vencedor, resolver-lhe “a questão do ouro” em troca da massa. A questão do ouro era um pleito fiscal que se arrastava nos tribunais há quase 20 anos. Farrobo fora recompensado pelos serviços prestados ao liberalismo com o monopólio do tabaco, sem ter ficado claro se o imposto pago ao Estado seria em moeda corrente ou em ouro. Em moeda, era papel inútil, não valia nada, em ouro, era uma fortuna. O previdente Farrobo, pesando vitória ou derrota de Saldanha, em vez de soltar logo a bolsa, contou à rainha D. Maria II as maquinações do duque, pedindo-lhe sentença a seu favor na questão do ouro. Simplesmente, a rainha conhecia os planos e contou ao duque a chibadela, a Regeneração triunfou e Saldanha exigiu celeridade dos tribunais contra Farrobo. A quantia a pagar era astronómica, arrestaram-lhe todos os bens, palácios, carruagens, obras de arte, quadros, (Miró não era nascido), e Farrobo morreu cego e pedinte.
[3] Mike Dowson, fotógrafo: “Muitas raparigas com seios grandes têm personalidades diferentes das raparigas com seios pequenos, a sociedade trata as mulheres de acordo com a forma do corpo, eu acho as raparigas com seios grandes, muitas vezes, mais sociáveis. Elas são normalmente mais extrovertidas que as raparigas com seios pequenos por causa da atenção que recebem. Claro que existem muitas exceções, mas o mundo tende a reparar nas raparigas com seios grandes e elas têm de ajustar-se à atenção que recebem. E, pessoalmente, não tenho preferências, se tivesse, estaria a limitar-me e seria um erro. Para mim toda a gente é bonita”. “Não comparo ou associo fotografia com arte. Muitas pessoas o fazem mas é um meio completamente diferente. A arte é uma mentira em busca da verdade e a fotografia é um mero passatempo fascinante que todos podem desfrutar. Não deve ser levado a sério” {tumblr}.  
[4] Behemoth “Blow Your Trumpets Gabriel” (2013): “Hosanna Hosanna / Let wine ov Sodom fill our mouths / Hosanna Hosanna / May sin ov Gomorrah grace our hearts”.