Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

sábado, fevereiro 21, 2015

Já estamos abertos aos privados

1983. Novembro. O pisar uvas da vida instrói: “Uma coisa aprendi: anedotas verdadeiramente originais, há poucas. O Santos Fernando até dizia que são apenas vinte - e estão todas na Bíblia…”, António Gomes de Almeida, chefe-de-redação da revista Bomba H (1963-1978) uma “explosão” mensal de humorismo internacional. Este calejar da vida, a montante, tem que ser fortalecido por umas mamadas e uns tabefes para que o cidadão-feito tenha mais xis oportunidades de crescimento social adicionando valor na sua comunidade. Um ano após nascer a Bomba H, nascia também em Portugal a bomba G, um gestor de topo [1], por fortuna, acondicionado pelo pai no caixote educativo calibrado. “Num verão, com a família a banhos na Figueira da Foz, Pedro descobre na praia um menino a brincar com um avião. Não encontra razão para não ter o mesmo e mói a cabeça de António [Passos Coelho, o pai]. Quando não consegue o que quer, com a habilidade que as crianças têm para descobrir as fragilidades familiares, teatraliza depois de um enorme pranto: ‘O Pedro não respira, o Pedro não respira’. O pai, para pôr termo ao transe, veste-lhe uns calções e partem para a cidade, onde descobre o objeto voador a um preço valente. Regressam à praia e, num instante, Pedro transforma o avião em sucata, operação que é seguida de novo pranto com o mesmo desfecho. O pai perde a cabeça, prega-lhe dois tabefes e leva-o para a casa alugada para a época de veraneio”, em “Um homem invulgar”, Felícia Cabrita.
O outro acelerador de oportunidades vem da mãe, fabricada no Éden para segregar maravilhoso líquido maravilhoso [2] que só na arte estanca, – como seca n’ “A última mamada” de Paula Rego –, na vida, zicha inesgotável na mulher que… beba Santàl Rad. Adelaide de Sousa: “Amamentei-o até aos 4 anos e pouco. Acredito que as hormonas que estão presentes no processo de amamentação são importantes para o bebé conhecer melhor a mãe. Eu e o Kyle temos uma ligação muito próxima. Ele ainda hoje brinca em relação às maminhas, mas é apenas uma fantasia, porque se lhe mostro o peito, ele não quer. (…). Vi a minha mãe a dar de mamar ao meu irmão, tenho memória de estar a ser amamentada, e o meu avô, que era médico, mamou até aos 7 anos” [3], em Diário de Notícias n.º 53 069 de sábado, 2 de agosto 2014.
 “A cooperação com os países africanos é o único horizonte para resolver a questão do desemprego dos jovens médicos”, declarava na manhã do dia 2 de novembro de 1983 o ministro da Saúde, Maldonado Gonelha, na abertura do Simpósio de Cirurgia Vascular, realizado no hospital de Santa Marta [4]. Na época explodia a demografia, existiam 1800 vagas nos quadros do internato complementar para formação na especialidade, e 4100 médicos terminaram o internato geral no ano letivo de 1982-83. “Atualmente, vive-se uma proletarização da classe médica. Qualquer estudante de medicina se considera hoje um funcionário público ou prestes a sê-lo”, continuou o ministro, diagnosticando de “caótica” a situação que encontrou no ministério da Saúde, que “compreende 90 mil funcionários, mais de metade dos quais são administrativos e pessoal auxiliar. (…). Na minha capacidade de gestor, nunca julguei possível que existisse uma estrutura assim. Não havia no ministério nenhum serviço que soubesse dizer quantas pessoas lá trabalhavam, quem eram e onde se encontravam. (…). Sucessivos presidentes da Câmara exigiram ao ministro do Interior que o seu hospital passasse a distrital e isso foi-se fazendo, muitas vezes através de uma simples portaria. (…). O Estado não tem capacidade para dar pleno emprego a todos os jovens médicos [5]. (…). Esse problema resulta de falhas de planeamento e de falta de estruturação do próprio Estado.” Maldonado Gonelha qualificou de “muito grave” a situação financeira na saúde e “em 1984 a situação não será melhor. (…). O atual Orçamento Geral do Estado atribui 66 milhões de contos ao setor e no próximo ano essa verba passará para 80 milhões de contos. No entanto, o novo orçamento não inclui o aumento da função pública que implica despesas da ordem dos 6 milhões e 400 mil contos”, somando a inflação, a situação em 1984 será “mais dolorosa ainda que a deste ano.” [6]
Quinta-feira, 3 “o Conselho de Ministros do Governo PS/PSD aprovou as alterações à lei de delimitação dos setores público e privado que permitem à iniciativa privada o acesso às atividades bancárias, seguradora, cimenteira e adubeira.” O comunicado desse Conselho: “o Governo assumiu frontalmente a opção de permitir o acesso a bancos, seguradoras, cimenteiras e adubeiras privadas, em termos que salvaguardam os interesses da economia nacional e o pressuposto de que novas instituições bancárias e seguradoras irão contribuir para o desenvolvimento económico e a criação de novos postos de trabalho.” [7] Corrigia-se assim a injustiça da privatização da banca em 1975. “Estava um calor infernal naquele mês de agosto de 1975 quando o marquês de Deleitosa mandou abrir os portões da sua finca em Puebla de Montalbán. Iria abrigar os amigos que durante a Guerra Civil de Espanha tinham acolhido a sua família, em Santa Marta, sobre o mar de Cascais. A história repetia-se 40 anos depois. Chegaram primeiro as mulheres e as crianças. Dois dias mais tarde, a salto, alguns homens da família Espírito Santo Silva, com dois ou três colaboradores mais próximos. Para trás ficavam quatro meses na prisão e a história de duas gerações dedicadas à construção do maior banco privado português. Num sopro, o Processo Revolucionário em Curso (PREC) tomara o Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa (BESCL), a Tranquilidade e os passaportes dos seus maiores acionistas. As contas congeladas e uma imprevidência estranha deixara-lhes pouco dinheiro fora do país. (…). Para os Espírito Santo, os calores daquele verão de 1975 passam-se entre as sombras dos pomares de Deleitosa, os mergulhos no Tejo e a sensação única de estarem a salvo. Dão-se conta de que só se têm uns aos outros e mais uma coleção de amigos influentes no estrangeiro. O próprio marquês dirige, nessa altura, o Banco Exterior de Espanha. É sogro da duquesa de Badajoz, irmã do rei. E não faltam telegramas de apoio dos Rockfeller, de Giscard d’Estaing, de D. Juan Carlos, do conde de Paris, de Richard Nixon e Bernardo de Holanda. ‘Tínhamos uma coisa muito importante: um nome capaz de abrir portas no estrangeiro’, explica José Manuel Espírito Santo. Mesmo sem o banco, mantinham-se no inner circle mundial. Numa tarde, à volta da mesa, decidem continuar juntos. Como se de uma jura se tratasse. E reerguer o que o avô José Maria Espírito Santo levantara do nada nos últimos anos de Oitocentos [8]. Dava origem a uma família invulgar. Os Espírito Santo atravessaram a crise da monarquia, o caos republicano, o marasmo salazarista e o saque da revolução com a fleuma de quem tem um caminho só seu. Imperturbável, até nas ruturas que a vida impõe a qualquer clã. Têm morrido cedo, os seus chefes. Mas redescobrem-se entre si. Como se tivessem combinado continuar a saga do homem que um dia nasceu incógnito, no 72 da travessa dos Fiéis de Deus, em Lisboa”, em Dinheiro Vivo, suplemento do Diário de Notícias n.º 52 999 de 24 de maio 2014.
Terça-feira, 8 “a hierarquia da PSP, integrada por 95 oficiais do Exército, declarou esta manhã ‘guerra aberta’ aos elementos da Pró-Associação Sindical da PSP, mandando selar as quatro mesas de voto, onde a classe deveria expressar a sua vontade quanto à criação da Assembleia Constituinte do futuro sindicato. (…). As eleições deveriam decorrer hoje em Lisboa e nas ilhas, de 16 a 29 na zona norte e de 23 a 26 de novembro na zona centro. As urnas que foram desativadas, por ordem do Comando-Geral da PSP de Lisboa, com base num despacho de ontem à tarde do governador civil de Lisboa, Afonso Moura Guedes (PSD), que considerou o ato eleitoral como ilegal, encontravam-se colocadas no Teatro Aberto, no Sindicato dos Funcionários Públicos, na sede da Pró-Associação Sindical da PSP, na calçada do Combro, e na Casa do Alentejo. (…). Enquanto isto, o ministro da Administração Interna, Eduardo Pereira, anunciou ontem à tarde, no intervalo de uma reunião com os governadores civis, que o regime militarizado da PSP será substituído por um regime civil dentro de quatro a seis anos, a partir de 15 de julho de 1984. (…). O ministro da Administração Interna acrescentou que o período de transição passa pela criação da Escola Superior da Polícia e pela formação dos seus quadros. Referiu que dos 31 comissários principais da PSP, um é licenciado em Letras, três têm o terceiro ciclo, treze o segundo ciclo, oito o primeiro ciclo, cinco estudaram até à quarta classe e apenas um tem conhecimentos que lhe possibilitam ler e escrever. Este, disse, é um dos motivos que não permite a transferência imediata da chefia da PSP para os seus próprios quadros. Atualmente, existem na PSP 95 oficiais do Exército.”
Sexta-feira, 18 “o número cada vez maior de trabalhadores sem salário tem, entre outros reflexos, aumentado o número de crianças e jovens que chegam à escola com fome ou abandonam o sistema escolar. O Sindicato dos Professores da Região Centro divulga esta realidade. (…). ‘O número de crianças e jovens que chega à escola com fome é cada dia maior. (…). Flagrante e atual é o que se passa na Marinha Grande. Professores, dos ensinos primário, preparatório e secundário constatam a terrível realidade: filhos de trabalhadores com salários em atraso trazem para as salas de aulas os rostos marcados pela fome que se abate sobre as suas famílias’.” Entretanto, “repetidas vezes membros do Governo declararam publicamente que em Portugal não haverá fome nem bichas.”
Sábado, 19 “a região da grande Lisboa encontrava-se ao fim da manhã de hoje praticamente isolada, com centenas de pessoas desalojadas, muitas casas derrubadas pela violência das águas caídas durante a noite, prejuízos materiais ainda incalculáveis. O drama é o resultado da água acumulada durante as duas últimas semanas agravada pelos 62 litros por metro quadrado que caíram entre as 18:00 horas de ontem e as 06:00 de hoje. As estruturas das zonas mais degradadas, incluindo os bairros de lata, começariam a ceder ao princípio da madrugada [9]. (…). Começava então a haver desalojados na zona de Rio Seco, à Ajuda, onde o presidente da junta de freguesia fazia apelos para que lhe fosse fornecido auxílio para as pessoas que estavam sem casa. Os comboios começavam, entretanto, a parar nas linhas que confluem em Lisboa. Um comboio que saiu do Rossio às 02:40 ficou retido em Rio de Mouro e os passageiros tiveram que pernoitar no comboio. (…). No Cacém, por exemplo, havia áreas com água até mais de quatro metros de altura, chegando portanto aos primeiros andares de numerosos prédios. As lojas foram completamente inundadas, uma farmácia ficara de porta aberta e os funcionários começavam a apanhar as embalagens de medicamentos que boiavam ao longo da rua. (…). Toda a baixa de Cascais se encontrava esta manhã submersa com numerosos carros debaixo de água, o mercado local mergulhado no caos, o paredão da praia dos pescadores parcialmente rebentado, Às sete da manhã a água chegava à avenida 25 de abril vinda do lado do mercado, onde já tinha atingido o telhado desse edifício. A própria Câmara Municipal acabaria por ter de mudar as suas atividades para os Serviços Municipalizados. (…). O comércio em Cascais sofreu prejuízos que só nos próximos dias poderão ser calculados. Mas ao desastre há que acrescentar as pilhagens de que já havia notícias, atingindo particularmente estabelecimentos cujas montras e portas tinham sido rebentadas pela fúria das águas.”
“‘Aqui mesmo ao pé de nós temos visto passar muitas mobílias’ – afirmava esta manhã um elemento dos bombeiros de Camarate num relato apressado da difícil situação que se vivia naquele bairro do concelho de Loures. Foi ali que, em 1967, se registaram mais mortes e prejuízos materiais, aquando de idênticas inundações. (…). Os problemas não chegaram a atingir em Almada e Barreiro, as dimensões do drama que se verificou em Lisboa e zonas limítrofes. (…). Foi o caso de uma loja de móveis, em Cacilhas, onde a água chegou a atingir 30 cm, provocando avultados estragos. O largo fronteiro ao cais de embarque para Lisboa entretanto grandemente coberto por lamas arrastadas pela água”. Na várzea de Loures, “às cinco da manhã atingiram-se os índices de maior perigo: as águas ultrapassaram a ponte que dá aceso a Odivelas (na estrada que vai de Lisboa, pela calçada de Carriche) e os acessos à capital foram cortados, quer no sentido de Loures quer no sentido de Odivelas. O Senhor Roubado, onde confluem estas duas estradas já não passava de um lago onde automóveis, madeiras, pneus e materiais diversos que foram sendo arrastados para a várzea de Loures, durante a noite.” “Bucelas deverá ter sido, no concelho de Loures, a freguesia mais afetada pelas inundações, quer pelos prejuízos imediatos quer pelos custos deles para o futuro e para a normalização da vida local. Entre os prejudicados que domingo se queixavam na Câmara, conta-se o proprietário de uma pocilga. Motivo: 700 dos seus porcos de estimação, ainda muito jovens, foram arrastados na corrente que devastou as instalações e jazem hoje espalhados pelas margens do rio Trancão.”
“Próximo da Ponte da Bica, antes de chegar a Caneças, existia em 1967 [na noite do grande temporal de 25 para 26 de novembro] uma vacaria, encostada à ribeira de Odivelas. A água saiu do leito da ribeira e as vacas foram tragadas e arrastadas para a morte. Depois disso, o proprietário da vacaria lembrou-se de aproveitar os assentos das instalações onde criava gado e fazer por cima mais dois andares para vender em propriedade horizontal. A obra esteve muito tempo embargada, pelo ilógico que era sua situação e por sair da zona urbanizada. Mas com o decorrer do tempo o nosso homem lá conseguiu vencer esses obstáculos legais. Agora vive lá gente nos três pisos, um andar térreo e dois primeiro e segundos andares. Começou a chover desalmadamente na noite de sexta para sábado, a ribeira cresceu, saiu do seu leito naturalmente e desatou a bater nos alicerces. Resultado: as paredes começaram a abrir fendas e se o caudal da ribeira não tem diminuído provavelmente a esta hora mais prejuízos haveria a lamentar, se não mesmo a perda de vidas humanas, por incúria e desprezo da lei.”
Na marginal Lisboa-Cascais, sexta-feira, uma da manhã, “quando estava a pouco mais de 100 metros de casa, o carro do repórter avariou-se. As velas, o distribuidor, a bobine estão irremediavelmente encharcados. (…). Duas da manhã… e eis que chega ao pé do repórter, que estava quase desesperado, um homem coberto de oleados amarelos. (…). Pergunta: ´Precisa de mecânico?’… São três trabalhadores da noite. Só da noite de temporal. Procuram carros empanados na Marginal, arranjam-nos como podem, cobram-se bem e partem para outro. Entre Caxias e Oeiras, a estrada ou o rio é para eles uma bem-aventurança. Sobram-lhes os carros empanados que compõem, compondo também o orçamento do mês. Quatro e meia da manhã… Entre a chuva e a máquina, o homem venceu, o repórter deixou mil paus no caminho, naturalmente oscila entre a gratidão e a condenação do oportunismo, mas enfim, pode chegar a casa. Para quem possa estar interessado, o carro é azul elétrico. Traz três mecânicos lá dentro. Talvez não muito bons. No apocalipse que foi a Marginal na noite se sexta de sábado, foram os três cavaleiros da salvação.”
Domingo, 20 “Mário Soares sobrevoou, de helicóptero, as regiões mais atingidas pelas inundações, considerando que a situação era grave, mas que estava controlada. (…). Segundo afirmou Soares durante aquela visita, embora os estragos materiais sejam grandes, os ‘acidentes humanos foram reduzidos’ [morreram só 9 pessoas e apenas mais de dois mil ficaram desalojados na zona da Grande Lisboa]. (…). Mário Soares sobrevoou, de puma, o vale de Santarém, Vila Franca de Xira, Alenquer, Loures, Oeiras e Cascais, acompanhado pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Pereira, pelo presidente do Serviço Nacional de Proteção Civil, general José João Neves Cardoso e pelo governador civil de Lisboa, Afonso de Sousa Moura Guedes.”
Terça-feira, 29 “O general Garcia dos Santos recebeu do presidente da República a grã-cruz da Ordem Militar de Cristo, na presença de altas patentes miliares, designadamente Melo Egídio e toda a hierarquia do Estado-Maior do Exército. Ausentes: os chefes do Estado-Maior da Força Aérea, Lemos Ferreira, e da Marinha, Sousa Leitão, que se fizeram representar. Discursaram Ramalho Eanes e Garcia dos Santos. O presidente para elogiar o homenageado, responsabilizar o executivo pela situação criada e justificar que exonerou para não criar entraves ao Governo. O ex-Chefe do Estado-Maior do Exército, para dizer que ainda está à espera de saber as razões da decisão do Governo e anunciar que não vai passar à reserva” [10]. Eanes discursou: “Apesar do comportamento ético-militar de V. Ex.ª ser inquestionável, e ser indiscutível o reconhecimento das suas qualidades pelos militares, acedi a exonerar V. Ex.ª unicamente para permitir que se encontrasse uma via de resolução a uma situação que o Governo criara, pretendeu assim o presidente da República que o Governo não se diminuísse para enfrentar os grandes problemas que o povo português se confronta, evitando que uma questão que apenas se deveria situar na área que a lei lhe atribui, viesse a interferir nos setores militares onde acabara por se instalar em consequência da posição assumida pelo Conselho Superior de Defesa Nacional e dos factos que a precederam e que se lhe seguiram.” Garcia dos Santos discursou: “A proposta para a minha exoneração surge a poucos meses do final do período de três anos tido como de duração normal do mandato das chefias militares. Quer dentro do Exército, aos oficiais meus colaboradores mais diretos, quer ao general CEMGFA e a V. Ex.ª, eu próprio já tinha afirmado, há muito tempo, pretender deixar definitivamente o exercício das funções de CEME naquela data. Não se percebe, pois, que o Governo apresente antecipadamente aquela proposta sem que tenha razões muito fortes e muito claras para o fazer. Isso porém não acontece, ou pelo menos, nunca é esclarecido, e as razões que são evocadas e que são referidas, quer publicamente quer a mim próprio, baseiam-se apenas no facto de o Conselho de Ministros, por unanimidade, ter considerado que existiam no Exército generais com mais perfil do que eu para o desempenho das funções de CEME.”
Frutas da época [11]: Eurico de Melo, vice-presidente do PSD demissionário. O Dr. Fernando Ribeiro da Silva, responsável do PSD em Guimarães e Braga, perfila-o: “Pessoa séria, independente, experiente e dotada de raro bom senso.” Para Fernando Ribeiro da Silva é errado acusar Eurico de Melo de “desestabilizar”. Segundo ele, o ângulo pelo qual se devem medir as atitudes de Eurico de Melo “terá de ser sempre o da ética que o rege.” “Homem de ética e de moral, Eurico de Melo é um homem de Estado que não cede um milímetro em questão de princípios. Quando vê que estão a ser pisados, ataca. Daí o facto de ser considerado um desestabilizador por pessoas que os violam e não se cansam de negociar a autoridade do Estado.” É “uma figura respeitada mas não carismática” e “não tem efetivamente o peso que lhe dão”, que pesa noutro lado, segundo Fernando Ribeiro da Silva: “No aspeto familiar, profissional e social tem um peso excecional. Não vai a boîtes nem participa em borgas e, talvez por isso, qualquer gesto seu faz tremer a classe política. (…). Para mim, isto é que é ser um líder político.” Apoiantes de Eurico de Melo que se resguardam no anonimato corroboram: “Se não aceitou ser ministro da Administração Interna, foi porque Balsemão recuou numa exigência sua, que só favorecia a AD: Cavaco Silva como vice-primeiro-ministro para os Assuntos Económicos, Freitas do Amaral como vice-primeiro-ministro para os Assuntos Políticos.” “Balsemão pensou que a sua posição ficaria enfraquecida com esta solução e recusou aquilo que fora combinado. Eurico de Melo não gosta que se traia uma palavra dada. O resto não foi mais que a continuação dessa atitude de Balsemão.”
Outra fruta: Pinto Balsemão, ex-primeiro-ministro. A distrital do PSD / Bragança perfila-o: “Foi um bom primeiro-ministro, só que se enganou de país.” No Porto, uma personalidade que não o grama: “Tem contacto com os militantes, tem dinheiro, beneficia em termos de imagem das suas constantes deslocações ao estrangeiro e dos contactos que ali trava com as mais importantes personalidades políticas. (…). Sobretudo tem dinheiro, uma enorme fortuna pessoal que lhe permite distribuir algumas notas de mil por alguns fracos que por aí andam.”
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[1] O primeiro-primeiro-ministro de Portugal, o Messi dos primeiros-ministros, Pedro Passos Coelho: “Portanto, a minha resposta à sua pergunta é: não. Nunca pedi favores na minha vida a ninguém, nem de ordem política nem de ordem profissional. Nunca tive empresas de que fosse proprietário. Fui gestor de várias empresas e nessas empresas, quer do ponto de vista da ética profissional, quer do ponto de vista da própria gestão realizada, ela é conhecida e pública, e portanto não tenho nenhum problema em responder por ela seja onde for. (…). Digo aquilo que disse ao sr. jornalista que escreveu a peça: não houve qualquer favorecimento da empresa [Tecnoforma], nem quando eu estive a trabalhar como consultor nem como gestor. Comecei a trabalhar nessa empresa durante o consulado do eng. Guterres em Portugal, e acabei trabalhando nessa empresa como gestor no consulado do eng. Sócrates à frente do governo. E, portanto, a relação política entre a evolução dos governos em Portugal e o meu trabalho como gestor não tem qualquer causa e efeito entre ambas” (outubro 2012). – A Tecnoforma entre 2002 / 2004, durante o consulado do dr. Durão Barroso ganhou, por mérito, 63 % dos contratos do programa Floral destinado a funcionários das autarquias, financiado pelo Fundo Social Europeu e o Estado português. Por insignificantes 1,2 milhões de euros a empresa deu formação a 1063 formandos para operarem em aeródromos da zona centro, onde só três estavam ativos e empregavam dez trabalhadores. Os números não mentem, Passos Coelho é uma bomba G, uma explosão inter-e-nacional de gestão, como provam os balancetes. A empresa foi avaliada em 14 milhões de euros em 2011, hoje, sem Passos Coelho in office vale 500 mil euros.  
[2] “A composição do leite materno tem tudo o que o bebé precisa. Até aos seis meses não é preciso mais nada. Amamentar é a melhor forma de o bebé crescer saudável. Os estudos demonstram que reduz o risco de obesidade no futuro, alergias, de leucemia na infância, diabetes e infeções gastrointestinais ou respiratórias. O leite materno tem compostos bioativos que colonizam o estomago do bebé e que reforçam o sistema imunitário. E há muitos compostos que ainda não se conhecem e que têm efeito protetor” Helena Canário, nutricionista especialista em nutrição pediátrica, em Diário de Notícias n.º 53 069 de sábado, 2 de agosto 2014.
[3] Construída geneticamente para amamentar: Odalys García, 1,70 m, 91-68-93, sapatos 39, olhos castanhos-escuros, cabelo preto, nascida a 23 de outubro de 1975 em Havana, Cuba. Modelo, cantora, apresentadora e atriz: “Una mujer y un vaso de leche” ou na telenovela “Morelia” (1995-96). Construída para ser amamentada: Ana Celia de Armas, 1,68 m, 45 kg, 85-59-88, sapatos 37 ½, olhos verdes, cabelo castanho-escuro, nascida a 30 de abril de 1988 em Santa Cruz del Norte, Cuba. Atriz radicada em Espanha: “Una rosa de Francia” (2006), real. Manuel Gutiérrez Aragón, “Mentiras y gordas” (2009), real. Alfonso Albacete e David Menkes, nas séries de TV “El internado” (2007-2010) ou “Hispania, la leyenda” (2010-2012), na curta-metragem “Ánima” (2011), real. Bebé Pérez, “El callejón” (2011), real. Antonio Trashorras, “Por un puñado de besos” (2014), real. David Menkes… Ana de Armas “gosta muito de chocolate, guloseimas e presunto, embora sinta muito a falta da comida cubana. Adora perder-se numa praia e daria a volta ao mundo de avião. Sempre se deslocou de transportes públicos, gosta muito, mas, desde que é conhecida, teve que dispensar o metro.” Na revista FHM de abril de 2008 diz Ana de Armas: “A mí me gustan mucho mis tetas.”
[4] Este apelo descarado à emigração nunca mais se repetiu em Portugal. O primeiro-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho: “Por razões que são conhecidas, no último ano, a discussão em torno desta questão nacional foi particularmente intensa, mas temos de preservar a limpidez dos argumentos e respeitar a formulação das propostas, evitando o recurso à distorção e à caricatura. Esta é pois uma boa ocasião para recordar que nunca neste contexto, a emigração foi proposta como uma política nacional nem como uma espécie de solução genérica p’rós nossos males (…). Os objetivos de política geral e sectorial de qualquer governo têm de ser os de dar condições para que todos possam encontrar no nosso país as oportunidades que procuram para realizar os seus projetos de vida” (outubro 2012).
[5]Story of the White Coat: Indecent Acts” (1984). “Durante a década de 70, enquanto os americanos amantes do cinema de culto frequentavam a cena grindhouse e drive-in, no Japão, a Nikkatsu ganhava reputação com a sua linha erótica roman porno (abreviatura de pornografia romântica). Entre 1971 e 1989 o estúdio lançou mais de mil filmes pink cinema (filmes softcore)”. “Realizado por Hidehiro Ito em 1984, Story of the White Coat: Indecent Acts é outro na longa linha de filmes centrados em enfermeiras, orientados para os clientes da cadeia de cinemas da Nikkatsu nos anos 80, onde uma série incontável de filmes roman porno apresentava-se a uma audiência faminta de filmes de pinanço. A história acompanha Shinobu (Mina Asami), uma bela jovem que começara um novo emprego como enfermeira. O filme diz-nos que ela é uma virgem de 27 anos. Pouco depois de ela iniciar o serviço, um jovem chamado Junior aparece, há uma emergência, o seu enorme piçalho está preso dentro de uma jovem que ele comia no banco traseiro do carro do pai, e precisa de ajuda para se libertar. Uma injeção depois e ele está fino, apenas com uma ressaca da bebida que emborcara antes. Por azar, Junior é o filho de um dos maiores financiadores do hospital, e ele acha que isso dá-lhe o direito, em certa medida, de fazer o que quiser. Quando a Shinobu desmaia ao ver a extensão da sua manivela, ele despe-a e chupa-lhe a racha de modo a gozar o seu ‘suculento corpo’.”
[6]I Love It From Behind!” (1981), real. Koyu Ohara. “Uma jovem chamada Mimei (Junko Asahina) trabalha duro para arranjar o maior número de ‘impressões do pénis’ possíveis. Ela coleciona estas obras de arte desde o liceu, e o seu objetivo é conseguir 100 impressões antes do seu casamento arranjado, marcado para o mês seguinte. Procurando ajuda das suas amigas lésbicas, Masumi (Mari Kishida) e Rei (Yumi Hayakawa), ela começa a perseguir vários homens através do Japão”. “Estranhos ou amigos, não importa, desde que deixem que ela pinte o membro deles e faça uma impressão. Uma noite, as raparigas partilham histórias do primeiro amor, pois, embora Rei tenha começado com doces encontros e gentileza, estes degeneraram no terror quando ela recorda um homem que a leva para casa dele, ameaçando-a com uma navalha de barba, rapando a sua zona púbica e enfiando-lhe um dildo no cu. Sem surpresa ela odeia os homens agora.” “Finalmente, Mimei consegue o seu último homem e é confrontada com um desafio. Ele permite que ela faça a cópia do seu pénis apenas se ela conseguir fazê-lo atingir o clímax supremo. Ela aceita, mas descobre que conseguir o que precisa é muito mais difícil do que imaginava.”
[7] Solução milagrosa da economia capitalista: privatizar e rezar para que nenhum salto quântico - Schrödinger's Cat: A Thought Experiment In Quantum Mechanics - interfira na bondade de Deus e dos mercados. “Jesus, the Daughter of God” (2013), real. Bill Zebub, c/ Scarlett Storm (go-go dancer), Bill Zebud (físico), Lauren Steinmeyer (Iscariah)… “Uma dançarina go-go dá um salto quântico para o corpo de Jesus. Ela não acredita que a experiência seja real, então diverte-se alterando os factos bíblicos”; no vídeo, Lauren Steinmeyer, 1,65 m, 48 kg, 84-66-94, sapatos 37 ½, olhos azuis, cabelo preto, atriz, escritora, modelo e totó. Interpretou Skye MacKenna na web seriesSkye of the Damned” (2013): “1.º episódio”. – tumblr ¥ instagram.
[8] A mesa testemunhou o momento mais importante da História de Portugal. A família regressou contribuindo na linha da frente para que Portugal seja o país mais rico da Europa em 2015. Espírito Santo Group: “A partir de 1980 e, mais propriamente, em 1989, com a reprivatização da Companhia de Seguros Tranquilidade, e, em 1991, com a reprivatização do Banco Espírito Santo, o Grupo Espírito Santo recomeçou as suas operações em Portugal, investindo nas áreas de banca, seguros, imobiliária, turismo, comunicação e serviços. O Grupo Espírito Santo é hoje um dos maiores grupos empresariais portugueses, com interesses internacionais, tendo consolidado a sua atividade em três pilares fundamentais: uma sólida base financeira; uma grande capacidade de formação de parcerias de sucesso; uma forte relação de estreito envolvimento com os seus quadros e colaboradores.”
[9] “Inundações, derrocadas, aluimentos, deslocamentos de terras e lama, destruição de pavimentos e pontões, amontoamento de barracas - atingiram não só aqueles que são sempre os primeiros e principais vítimas destas situações em proporções particularmente graves na noite de 18 para 19 - os que vivem nas zonas mais pobres, inóspitas e fragmentadas do tecido urbano - mas também se fizeram sentir com agudeza em áreas consideradas menos degradadas e, pelo menos aparentemente mais defendidas destas ocorrências”, escrevia Rui Godinho vereador da APU da Câmara Municipal de Lisboa.
[10] Terça-feira, 26 de julho de 1983 “uma originalidade do Governo é propor a exoneração do chefe de Estado-Maior com menos tempo de atividade e pretender alterar as chefias militares justamente no momento em que as Forças Armadas revelam uma disciplina, tranquilidade e coesão completas mesmo face à atuação por vezes pouco exemplar de uma parte da classe política portuguesa. Outra originalidade é não fundamentar as razões. Ainda outra originalidade é a estratégia seguida para que a notícia se soubesse através de Belém quando a fuga de informação (se é que houve mesmo fuga) partiu de S. Bento.” “Na opinião de Garcia dos Santos, esta decisão de Soares nasceu de um ‘grande conflito e grande antipatia’ com Ramalho Eanes, motivados pelo facto de o chefe de Estado, em 1978, ter convocado eleições contra a vontade do primeiro, após a rutura entre o PS e o CDS, que formavam então um governo de coligação. Já em declarações aos jornalistas, Garcia dos Santos disse não ter ‘qualquer dúvida’ que a sua exoneração teve por base esse motivo: ‘Não tenho qualquer dúvida e já disse isso ao doutor Mário Soares e ele riu-se, achou graça’."
O general acagaçou Cavaco Silva, já primeiro-ministro. “Como de costume, Fernando Silva, o mordomo de S. Bento, chegou à residência oficial do primeiro-ministro antes das 8h. Aníbal Cavaco Silva tomava sempre o pequeno-almoço com a mulher àquela hora: um café com leite e umas torradas, os hábitos variavam pouco. O contínuo servia-os na sala de jantar do segundo andar da ‘mansarda’ de São Bento, como eles diziam, e onde a família vivia desde que se mudara da travessa do Possolo, em 1986. Por norma, Bruno e Patrícia, os filhos do casal, saíam mais cedo para as aulas. Cavaco descia da zona doméstica pelas escadas por volta das 08:30, para a área dos gabinetes onde começava a trabalhar. Mas naquele dia, houve uma surpresa. Foi a situação mais estranha que Fernando Silva viveu durante os 10 anos de convívio permanente com Cavaco Silva. (…). Um general tinha passado pela segurança e ali estava, aparentemente zangado e sem autorização, dentro do palácio e à porta dos aposentos, como conta Fernando Silva: ‘Quando cheguei, subi ao primeiro andar, que tem um hall com dois sofás. Qual não é o meu espanto, quando vejo ali um general sentado. Estranhei, um general fardado. Era o general Garcia dos Santos. Perguntei se tinha entrevista marcada com o sr. primeiro-ministro e ele respondeu-me: ‘Não tenho nem preciso de ter…’. Percebi que havia problema. Telefonei para a portaria: como era um general, deixaram-no entrar. Por minha autocriação, fui ao segundo andar e bati à porta do quarto do professor Cavaco, nunca tinha feito tal coisa. O sr. primeiro-ministro respondeu. ‘Que se passa?’. E eu: ‘Vossa Excelência desculpe, mas tenho aqui um problema. Queria que o sr. primeiro-ministro me disse o que fazer’. Expliquei-lhe tudo e ele: ‘Fez bem, fez bem! Eu não recebo esse homem, eu não recebo esse homem!’. Depois perguntou: ‘Está aí o oficial de segurança?’. E eu disse que não, não estava. Então peguei no telefone e liguei para o tenente-coronel Marinho Falcão, o oficial de segurança, que mais tarde conseguiu tirar de lá o general, não sei muito bem como. Enquanto o oficial veio e não veio, o primeiro-ministro não saiu lá de cima do quarto, e já deviam ser umas 9h e tal quando desceu”, na revista Sábado n.º 512.
Acagaçou também o PS. “Garcia dos Santos recorda, ainda, os tempos em que foi chamado para a Junta Autónoma de Estradas por João Cravinho, de quem foi colega no Instituto Superior Técnico. ‘Quis que eu limpasse a casa’. Chamou-o para a JAE com 10 mandamentos para fazer na JAE. ‘Entretanto, comecei a conhecer a casa, dei a volta ao país todo e um dia disse-lhe: Há aqui uma série de coisas que é preciso fazer e há 11 fulanos que é preciso pôr na rua. Ele retorceu-se, chamou-me daí a dois dias, disse que era muito complicado. O problema é que era através de uma das pessoas que eu queria pôr na rua que passava o dinheiro para o PS’. Em relação às Scut, Garcia dos Santos garante que disse a João Cravinho: ‘isso é um tremendíssimo disparate’. E explica: ‘a Scut é uma invenção inglesa, ao fim de pouco tempo os ingleses puseram aquilo completamente de parte, por causa do buraco que era previsível. Mas disse-me que o assunto estava exaustivamente estudado sob todos os aspetos técnico, financeiro. Está à vista o buraco que são as Scut’.” “Primeiro porque as denúncias de corrupção caíram ‘em saco roto’, como o próprio admitiu, e segundo porque foi condenado a pagar 135 contos (670 euros) por não ter revelado os nomes dos alegados corruptos, um crime de desobediência qualificada. ‘Paguei, claro. Havia de fazer o quê?’, sublinha. Durante 14 meses, Garcia dos Santos presidiu à Junta Autónoma das Estradas, entretanto extinta e substituída por três institutos públicos. Chegou em 1997 a convite de João Cravinho - à data ministro do Equipamento -, que o terá nomeado ‘para arrumar a casa’, envolvida em suspeitas de irregularidades desde longa data. (…). As declarações custaram-lhe uma audição no gabinete do procurador-geral da República, Cunha Rodrigues - e uma comissão parlamentar de inquérito. Como carecia de provas, respondeu ao procurador que ‘não tinha de ser’ ele a investigar. Na comissão utilizou uma carta do ex-ministro das Finanças Sousa Franco, na qual este admitia conhecer os implicados nos casos de corrupção. Mas, ao ser ouvido na Assembleia da República, Sousa Franco alegou ter-se ‘esquecido’ dos nomes e evitou ser julgado.” “João Cravinho, Maranha das Neves e António Lamas ‘são criminosos’ segundo Garcia dos Santos, que caracteriza ainda Cravinho como ‘um traidor’ (uma vez que recorda que nem tinha sido demitido e já António Lamas tinha sido convidado para o seu lugar) e ‘parvo’. Outro antigo membro do primeiro governo de Guterres, o ex-ministro das Finanças Sousa Franco, também é criticado pelo antigo presidente da JAE, que o define como ‘um cobarde’ que ‘manda bocas e que depois não sabe admitir as responsabilidades do que diz’. (…). ‘Havia projetos que se faziam errados propositadamente, para que determinada empresa ganhasse’, revela o general, que acusa Cravinho e Maranha das Neves de serem coniventes com as situações, uma vez que tinham conhecimento das mesmas.”
[11] Também de época. Polly Parsons, 1,63 m, 51 kg, olhos verdes, cabelo castanho-escuro nascida a 15 de fevereiro de 1984 em Bristol, modelo. Coapresentou a série “Fun Song Factory” (2007). Gosta de bikram ioga, pintura, viajar, atletismo, badmington, hóquei em campo, patinagem e natação. Impressionante fiancée (entre 2006-2012) de Sid Owen, em viagem de iate pelo Dubai. É agora girlfriend do futebolista belga Thomas Vermaelen.

na sala de cinema

The Kentucky Fried Movie” (1977), real. John Landis, c/ Marilyn Joi (Cleopatra Schwartz), Saul Kahan (Schwartz), David Zucker, Jim Abrahams, Jerry Zucker, John Landis (técnico de TV atirado pelo gorila no segmento A.M. Today), Uschi Digard (mulher no chuveiro no segmento Catholic High School Girls in Trouble)… “Consiste em grande parte de sketches desconexos que parodiam vários géneros de filmes, incluindo exploitation. O segmento mais longo do filme satiriza os primeiros filmes de kung fu, principalmente Enter the Dragon, o seu título, A Fistful of Yen, refere-se a A Fistful of Dollars. Paródias de filmes catástrofe (That’s Armageddon), blaxploitation (Cleopatra Schwartz), filmes softcore / mulheres na prisão (Catholic High School Girls in Trouble) são apresentados como trailers de futuras estreias. Estes filmes fictícios são creditados como produzidos por Samuel L. Bronkowitz (uma fusão de Samuel Bronston e Joseph L. Mankiewicz). O sketch See You Next Wednesday escarnece dos gadgets das salas de cinema como o Sensurround ao retratar um filme dramático em Feel-a-Round, que envolve um arrumador abordando fisicamente o espetador. Outros sketches parodiam anúncios de TV e programas, noticiários e filmes escolares educativos. A cidade de Detroit e a sua alta taxa de criminalidade são uma piada recorrente, retratando a cidade como o Inferno na Terra, em A Fistful of Yen, o maligno barão da droga ordena que um agente da CIA capturado seja mandado para Detroit, e o agente grita e implora para ser morto em vez disso.” “El jardín secreto” (1984), real. Carlos Suárez, c/ Assumpta Serna, Xabier Elorriaga, Taida Urruzola, Cecilia Roth… “Após 55 filmes como diretor de fotografia, Carlos Suárez estreia-se como realizador com ‘El jardín secreto’. Assim, não são os primeiros passos de um novato, mas a extensão da área de influência de um homem que já se fazia notar nas últimas películas de Berlanga, em ‘Epílogo’ ou em ‘La noche más hermosa’, para citar apenas as mais recentes.” Enredo: “Lucía (Assumpta Serna) recebe todos os dias uma carta sem remetente que a obriga a cumprir determinadas ordens. Supostamente é de um antigo noivo que morreu num acidente aéreo, mas nunca se chegou a identificar o cadáver. Arturo (Xabier Elorriaga), o seu noivo atual, decide investigar que se esconde por trás desta mulher.” [1]Divinas palabras” (1987), real. José Luis Garcia Sánchez, c/ Ana Belén, Francisco Rabal, Imanol Arias, Esperanza Roy, Aurora Bautista… “escrita e publicada em 1920 e só estreada em 1933, Divinas palabras faz parte das comédias bárbaras de Valle-Inclán (…). Galícia, anos 20. Na ausência do padre da aldeia, o sacristão Pedro Gailo (Paco Rabal) assume as funções dele. A sua bela esposa é Mari Gaila (Ana Belén), mal avinda com a sua cunhada Marica del Reino (Aurora Bautista), com a qual disputa a custódia de Laureaniño, um órfão hidrocéfalo, que mostra como atração nas feiras das aldeias na companhia da experiente Rosa la Tatula (Esperanza Roy), rodeadas ambas de peregrinos, pedintes, indigentes, farsantes e mentirosos… Entre eles, Séptimo Miau (Imanol Arias), um rufia sedutor, cujo encontro com Mari Gaila é favorecido por Miguelín el Padrones (Juan Echanove).” [2] Na banda sonora Ana Belén canta: “O Salutaris Hostia” ♫ “Estoy celosa del vuelo” ♫ “Siempre de más, de menos jamás” ♫ “Nube de algodón”. “The Pirate Movie” (1982), real. Ken Annakin, c/ Kristy McNichol, Christopher Atkins… estreia no cinema Londres terça-feira, 30 de novembro de 1982. “Mabel Stanley é uma adolescente introvertida ansiando por popularidade numa comunidade litoral na Austrália. Ela assiste a um festival pirata local com uma demonstração de luta de espadas conduzida por um jovem instrutor de cabelos encaracolados, que então a convida para um passeio no seu barco. Ela é enganada pelas suas conhecidas, Edith, Kate e Isabel para perder a partida, assim, ela aluga um pequeno veleiro para ir no seu encalço. Uma tempestade repentina atira-a borda fora e ela vai dar a uma praia. Posteriormente, ela sonha uma aventura que acontece um século antes.” O filme é uma adaptação da opereta “The Pirates of Penzance” de Gilbert & Sullivan. “Happy Ending”, p/ The Peter Cupples Band ♫ “First Love”, p/ Kristy McNichol e Christopher Atkins ♫ “Stand Up and Sing”, p/ Kool & The Gang ♫ “How Can I Live Without Her”, p/ Christopher Atkins ♫ “Pumpin' Blowin'”, p/ Kristy McNichol ♫ “I Am a Pirate King”, p/ Ted Hamilton e coros ♫ “The Modern Major General”, p/ Bill Kerr e coro ♫ “The Sisters' Song”, p/ coros. “James Bande contre O.S.SEX 69” (1986), real. Myke Strong, c/ Sonya Lendl, Astrid van Love, Flora Lang, Gabriel Pontello, Andre Kay, Marilyn Jess, 1,68 m, 52 kg, 86-60-86, sapatos 37, olhos castanhos, cabelo loiro, nascida a 26 de outubro de 1959 em Paris… estreia segunda-feira, 13 de junho de 1988 no Cinebolso. “Sala situada no nº 27 da rua Actor Taborda, em Lisboa, que apareceu já depois do 25 de abril. Até ao fim da década de 70 teve uma programação interessante (‘La Salamandre’, ‘Joe Hill’, ‘Belle de Jour’, são alguns bons exemplos dos filmes que por lá passavam). Mas a partir de 1980 voltou-se em exclusivo para o cinema pornográfico. Em março de 1982 ainda passou pelas mãos de Pedro Bandeira Freire que lhe mudou o nome para Quinteto, transformando-o numa extensão do então muito bem-sucedido Quarteto. No entanto a nova programação esbarrou no público habitué daquele espaço e a sala regressou às suas origens, voltando a chamar-se Cinebolso e de novo com uma programação exclusivamente feita de filmes pornográficos.” [3] Enredo: “James Bande, agente secreto de grande renome, anteriormente derrotara a doutora Gode e as suas amazonas. Esta aventura começa em julho de 1986, quando James trabalha com o O.S.SEX 69, por conta de Linda Lovelace, ex-estrela porno americana que se tornou agente especial do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. Eles eram como irmãos, unidos como os dedos da mão, ou mais exatamente nos dois buracos das espiãs soviéticas. O.S.SEX 69, agora desertor, sodomiza pelo KGB, que lhe confia como primeira missão frustrar os planos de Amour el Sodo, o emir de sodomia, no Mar Vermelho. [4]
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[1] A mulher é um inestimável ovo de Fabergé que felizmente a transição do parceiro sexual, adeus macho olá fêmea, está a abrir, disseminando-as para lugares de poder como, por exemplo, no FMI, na ONU, nos governos a). “Fire in Her Bed” (2009), real. Brion Rockwell, c/ Maria Palentini, Angelina Dekker… “muito vagamente inspirado pelo filme, com o mesmo nome, de 1972, de Nick Philips (não tem praticamente nada em comum com esta fita), Fire in Her Bed é a história de duas jovens e a sua depravada relação lésbica de dominação e submissão, senhora e escrava. Palentini interpreta Ivy, uma animada jovem estudante de arte com um namorado fixo (Peter Pistol), que ela namora desde o liceu. A sua vida muda radicalmente quando conhece a assertiva e agressivamente autoconfiante Vera (Angelina Dekker). Uma sensualista, Vera vive de acordo com a filosofia de Sade. Para ela, o amor romântico é ilusório e inevitavelmente dececionante, apenas a busca sem remorso do prazer físico, quanto mais perverso melhor, revela a verdadeira beleza interior das pessoas. Ela vê Ivy como barro em bruto para ser esculpido numa tal beleza decadente, mas só se a rapariga se render totalmente de corpo e vontade. (…). De acordo com as notas no folheto, Palentini e Dekker foram a uma audição quando responderam a um anúncio na Craig’s List. Nenhuma delas tinha qualquer experiência na representação, certamente nunca apareceram antes num filme de sexo e são supostamente hétero” / “Fire in Her Bed” (1972), “realizado por Nick Philips ou Nick Millard, para a ocasião, num ulterior jogo de caixas chinesas, se fará chamar Alan Lindus. Philips é conhecido como sexploiter e pornógrafo, mas este Fire… ainda faz parte da sua filmografia pré-hard. Em essência, é a história de uma bela morena, filha do flower power, que gostaria de impor-se como cantora e que, simultaneamente, vive as suas experiências existenciais e eróticas com parceiros de ambos os sexos.”
a) Uma mulher velha, em cujo couro cabeludo não nasça um único pelo branco, é acarinhada como totem das sociedades modernas, seu colo adornado, seus pés beijados, suas mãos rentabilizadas, sua boca catada por ouro 9999 científico. Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça: “O stress causado a uma criança que é abusada, é superior ao stress causado numa situação de guerra extrema (…) os distúrbios preo prolongam-se por toda a vida, desde distúrbios de saúde, como por exemplo, uma maior incidência de diabetes, até distúrbios afetivos e emocionais, até tendências p’a depressão” (outubro 2014).  
[2] A salsicha laboral corta-se cada vez mais no feminino. Em maio de 1972, Anita Chuan, 19 anos, secretária, concorreu ao emprego de carrasca em regime de part-time em Kuala Lumpur; explicou ela a opção: “Por que não? Acho que só tenho de puxar uma alavanca”. Na Malásia a pena de morte é executada por enforcamento.
[3] Espetadores em risco. “De acordo com investigadores do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano, em Berlim, homens que assistem a pornografia tendem a ter um menor corpo estriado (striatum), uma área do cérebro ligada a ‘recompensas e motivação’. O estudo também descobriu que a ligação entre o corpo estriado e o córtex pré-frontal (parte do cérebro associada ao comportamento e à tomada de decisão) se degrada à medida que a pessoa aumenta o tempo que assiste a cenas pornográficas.” A degradação é muito anterior segundo “a tese do bioquímico americano Gerald Crabtree, da Escola de Medicina da Universidade de Stanford. Crabtree sugeriu, num célebre artigo científico publicado em 2012 com o sugestivo título ‘O nosso frágil intelecto’, que a inteligência humana atingiu o seu pico algures há 2000 a 6000 anos e tem estado em constante declínio desde então, com a invenção da agricultura e o crescimento da urbanização. Tudo porque estamos a perder as capacidades intelectuais e emocionais que usávamos para sobreviver quando éramos caçadores-recoletores, devido à acumulação, ao longo de gerações, de mutações genéticas nocivas”, em Expresso n.º 2187 de 27 de setembro de 2014.
[4] James Bande, o agente 00SEX, “o homem que pina mais rápido que a sua sombra, o inventor do coito automático com controlo remoto”, foi o principal responsável pela paz e crescimento económico que se viveu no ocidente livre durante a Guerra Fria, como ficou trovado nas suas aventuras: “James Bande 00SEX” (1981), real. Michel Caputo, c/ Guy Royer, Cathy Stewart, Dominique Aveline, Carole Piérac, Nicole Segaud, Lise Pinson, Florence Bluel, Linda Dull, Olivia Flores, Patricia Santos…

no aparelho de televisão

Paris Saint-Lazare” (1982), transmitida na RTP 2, pelas 22:00, às sextas-feiras, de 16 de dezembro de 1983 até 27 de janeiro de 1984. “Série francesa de seis episódios, com o título dos dias da semana, Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta e Sábado, que apresenta personagens que se cruzam diariamente no comboio que liga Val d'Argenteuil e a estação Paris Saint-Lazare” [1]. “Queenie” (1987), transmitida às quintas-feiras na RTP 1, cerca das 21:00, de 24 de novembro até 15 de dezembro de 1988. Apresentação nacional: “o famoso ator Kirk Douglas é a principal vedeta desta minissérie de cinco episódios adaptada do bestseller com o mesmo título, de Michael Korda. Filmada na Inglaterra e na Índia, Queenie dá-nos o fascínio, a intriga e a lenda do que era a produção cinematográfica dos anos 30. Mia Sara é a intérprete de Queenie… uma jovem que foi dos bairros degradados de Calcutá para Hollywood, atormentada por segredos escuros do seu passado que ameaçava destruir os seus sonhos. No fundo, Queenie não é mais do que a história, algo romanceada, de Merle Oberon, famosa atriz do cinema americano.” [2] Apresentação internacional: “em abril de 1985, Michael Korda publicou ‘Queenie’, um romance baseado em factos reais sobre a sua tia por afinidade, a atriz Merle Oberon, que casara com o seu tio Alexander Korda. Queenie Kelly (Oberon tinha sido conhecida em jovem como ‘Queenie O’Brien’ e ‘Queenie Thompson’) é uma rapariga de ascendência indiana e irlandesa extremamente bonita, de pele clara o suficiente para passar por branca. Crescendo em Calcutá, no entanto, Queenie é recordada da sua herança mestiça pelos seus inimigos, incluindo a rica e aborrecida socialite Penelope Daventry. Um dos amantes de Daventry, Morgan Jones, é tio de Queenie. Jones e Queenie roubam a dispendiosa pulseira de diamantes de Daventry, penhorando-a para seguirem para Londres. Perdida em Londres, Queenie descobre uma carreira como a stripper Rani. Mais tarde, ela vai para Hollywood, onde é rebatizada Dawn Avalon. Avalon torna-se uma das maiores estrelas de Hollywood.” “Troubles” (1988), transmitida às sextas-feiras na RTP 2, pelas 21:30, de 14 de abril até 5 de maio de 1989. Apresentação nacional: “é uma história de amor e política, passada na Irlanda após a I Guerra Mundial, que põe a nu os conflitos ancestrais da Irlanda através da vivência de um major inglês, protestante, apaixonado por uma jovem irlandesa, católica. O humor surrealista de Farrel alivia a tonalidade escura do enredo que Ian Charleson, Susannah Harker, Fabia Drake e James Ellis interpretam lucidamente.” Apresentação internacional: “um grande hotel caído em decadência, duas mulheres com segredos e uma situação política perigosa prestes a transbordar – estes são alguns dos intrigantes elementos que combinam para produzir esta emocionante adaptação da muito aclamada novela de J. G. Farrell. Em 1919, o major Brendan Archer (Ian Charleson), uma vítima inglesa da I Guerra Mundial, chega à Irlanda para se juntar à sua noiva, Angela Spencer e a sua excêntrica família. Infelizmente, a casa da família, o Hotel Majestic, é uma sombra decadente do seu passado, assim como Angela (Susannah Harker). Perplexo com as mudanças, a atenção de Archer é logo dirigida para a sua jovial amiga, Sarah Devlin (Emer Gillespie), uma apaixonada nacionalista irlandesa, dedicada ao movimento político crescente na época. De regresso a Londres, eles apaixonam-se.” “Throb” (1986-1988), c/ Diana Canova (Sandy Beatty), Jonathan Prince (Zachary Armstrong), Jane Leeves (Prudence Anne ‘Blue’ Bartlett), Maryedith Burrell (Meredith), Richard Cummings Jr. (Phil Gaines) e Paul Walker [3] na 1.ª temporada, e Sean De Veritch na 2.ª, (Jeremy Beatty). “Sandy Beatty é uma jovem mãe divorciada de 33 anos de Buffalo. Instalada em Nova Iorque com o filho de 12 anos, Jeremy, encontra um trabalho na Throb, uma pequena editora de discos, que navega nas modas do momento. Entre o seu patrão, Zach, os seus colegas, a Blue e o Phil, assim como a sua vizinha e melhor amiga Meredith, ao quotidiano de Sandy, a dinâmica, não lhe falta sal.” Com uma participação especial de Donny Osmond no 11.º episódio, “Wedding Bell Blue”. “Damon and Debbie” (1987), transmitida às segundas-feiras na RTP 2, pelas 18:10, de 24 de outubro até 7 de novembro de 1988 Apresentação nacional: “localizada em Liverpool, conta a história da relação entre Damon Grant e a sua namorada Debbie e os problemas com que deparam ao enfrentar a realidade do dia-a-dia, a doença, a forte oposição do pai de Debbie (Nick Maloney) e o descontentamento de Damon por viver do subsídio de desemprego. A única solução que o jovem casal encontra é fugir de casa…” Apresentação internacional: “a série acompanha os adolescentes enamorados Damon Grant (Simon O’Brien) e Debbie McGrath (Gillian Kearney) quando fugiram para York para escapar aos seus reprovadores pais, em Liverpool, que se opuserem à sua relação por causa da divisão de classes. Termina com a morte de Damon, que tinha sido personagem regular na série ‘Brookside’, desde o seu lançamento em 1982.”
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[1] Nesta série estreou-se Cécile Auclert, nascida a 30 de maio de 1965, a “loira com seios grandes”, a Fanny, em “Les filles d’à côté” (1993-95): “as aventuras de cinco trintonas e trintões, e vizinhos de prédio. Três mulheres: Claire, Fanny e Magalie e dois homens: Daniel e Marc. Dois colegas de quarto vivem tranquilamente quando três belas garotas se instalam no apartamento ao lado, Marc apaixona-se perdidamente por elas e decide conquistá-las a todas. Daniel, esse, não está particularmente interessado, mas as suas três vizinhas, essas, caem de quatro por ele.” No 22.º episódio, “Un plan genial”, Magalie (Hélène le Moignic) lê um artigo: “Imagina que para 43 % dos homens o pé é um elemento erótico importante”, e as três amigas partem à conquista de um desses 43 % com os pés.
[2] Diz mestre Manuel S. Fonseca que, de Merle Oberon, disse a escritora Dorothy Parker: “Fala dezoito línguas e em nenhuma sabe dizer não.”
[3] Paul Walker morreu no dia 30 de novembro de 2013. Walker seguia no Porsche Carrera GT de Roger Rodas quando este chocou com um poste de iluminação e duas árvores na Hercules Street, em Valencia, Califórnia.   

na aparelhagem stereo

“Os Jogos Olímpicos de 1936 foram adjudicados a Berlim antes de Hitler se tornar chanceler, e ele tinha sido um feroz oponente dos Jogos. Uma vez no poder, contudo, ele mudou de tom: cerimónias espetaculares foram exigidas e a Richard Strauss, não menos, foi-lhe pedido que compusesse o hino olímpico. ‘Matei o tédio das horas do advento escrevendo um hino olímpico para as proles’, rabiscou ele para o seu amigo novelista, Stefan Zweig. ‘Eu, entre todas as pessoas, que odeio e desprezo desportos’. As suas palavras chegaram a Theodor Lewald, presidente do comité olímpico organizador. ‘A sua carta chocou-me’, Lewald retorquiu. ‘Você compara o estádio olímpico a uma feira de diversões e refere-se ao nosso festival como uma orgia amadora’. Strauss não assistiu aos Jogos Olímpicos de inverno de 1936, embora se realizassem em Garmisch-Partenkirchen onde ele vivia. No entanto, foi a Berlim dirigir o seu trabalho na cerimónia de abertura das olimpíadas, e dizia-se que a única vez que ele foi ao cinema foi para ver ‘Olympia’, o documentário de 1938, de Leni Riefenstahl, que incluía a sua música. (…). Quando, depois da guerra, os Jogos reataram em Londres em 1948, a Alemanha e o Japão não foram convidados. Nem estavam os organizadores interessados em usar a música de Strauss, embora a sua tenha sido designada como o ‘hino olímpico para todos os tempos’. Em vez disso, o maestro Sir Malcolm Sargent, que tinha sido designado diretor olímpico da música, lembrou-se do Pageant of Parliament de 1934, onde ele tinha executado o hino de Roger Quilter, ‘Non Nobis Domine’, com letra de Rudyard Kipling. Ele sentiu que era tão mexido como o ‘Jerusalem’ de Parry. O comité concordou”, na revista BBC Music vol. 20 n.º 11.   
Felizmente, os mercados circunscreveram a música à sua verdadeira dimensão de apenas uma indústria não diferente dos derivados ou das pipas, finando estes embaraços, só existentes ainda nos maus países fora dos mercados. No Irão, ao contribuírem no marketing para a venda da canção “Happy”, de Pharell Williams, com o vídeo da comichosa encenação de dança, nos telhados, nas ruas, no quarto, “os membros do grupo por detrás do vídeo foram posteriormente presos pela polícia iraniana por violarem as leis islâmicas do país, que proíbem dançar com membros do sexo oposto e as mulheres de aparecerem sem o lenço na cabeça. Mais tarde, na televisão estatal, eles disseram que eram atores e que tinham sido enganados para fazer o vídeo de ‘Happy’ para uma audição.” Foram condenados a seis meses de prisão e 91 açoites e o realizador, Sassan Solemani, a um ano e os mesmos 91 açoites. As penas foram suspensas por três anos, “isso significa que, se nos próximos três anos não forem presos outra vez, os castigos são retirados.” - “Dancing In the Street - R.E.S.P.E.C.T. (BBC Documentary)”. “Gordy mudou a Motown Records para Los Angeles em 1972 e por lá permaneceu como empresa independente até 28 de junho de 1988, quando Gordy a vendeu por 61 milhões de dólares à MCA Inc. and Boston Ventures Limited Partnership (que assumiu propriedade total da  Motown em 1991), depois foi comprada pela PolyGram em 1994, e em 1998 a PolyGram foi adquirida pela Seagram, que tinha comprado antes a MCA Records e agora incluiu a Motown no recém-criado grupo Universal Music.” A Motown “foi uma história na qual um empreendedor preto, numa altura em que o capital era ainda mais restringido aos pretos, foi capaz de construir um império multimilionário. Berry Gordy Jr. forneceu inspiração aos outros empreendedores pretos, dentro e fora do campo do entretenimento, para seguir em frente e fundarem as suas próprias empresas”, disse Derek T. Dingle, editor chefe adjunto da Black Entreprise. [1]
Nos povos mais adentro dos mercados, são música as palavras, porque não há vento, e todas são pesadas e densas de importância. Quando venceu a canção “Quero ser tua”, como representante portuguesa ao Festival da Eurovisão 2014, justos coros afinados pelo saber, pela iluminação, pelo lado certo do fosso da orquestra, teclaram-se, isto é, em bitlife, “gerou muitos comentários negativos nas redes sociais e até uma petição.” O grande público deteta num repente o wrongdoing. “O povo votou mal outra vez… pimba.” O especialista puxa a teta da national alma. “José Cid, que participou em vários destes festivais, afirma que o evento está hoje ‘mal organizado’ e que isso se reflete numa má representação internacional da ‘alma portuguesa’. ‘A votação que o público faz é muito mal pensada. A televisão devia escolher o músico que nos vai representar. Portugal está cheio de bons poetas e bons músicos e de bons intérpretes’, diz.” Com o único horizonte cultural, a tourada [2], e um único divertimento, o futebol, a gestação desses “bons” sofreu um duro golpe pouco antes do golpe militar de 1974. O muito querido hábito do transístor encostado ao ouvido para ouvir a bola desapareceu dos transportes públicos com o decreto do ministério das Comunicações, publicado no Diário do Governo de 17 de abril de 1974, que alargava a proibição a elétricos e troleicarros, já em vigor nos transportes coletivos automóveis, de telefonias ligadas. Por volta dessa época, “a propósito da diferença de 70 % nos vencimentos dos músicos das orquestras sinfónicas de Lisboa e do Porto, o deputado da União Nacional, José Alberto Carvalho, faz um discurso na Assembleia para dizer que ‘neste país vai-se estando cansado de ver implantadas as boas coisas apenas num lugar’. (…). Uns dias depois, o aumento de 400 % no custo da instalação de um telefone é comparado pelo almirante Armando Reboredo à ‘extorsão praticada pelos produtores de petróleo’”, na revista “25de abril – 40 anos” do Expresso n.º 2164.  
Na década de 80, enterradas as telefonias, há hard rock ao vivo, um negócio de lotação esgotada e lucrativo em Portugal. Dois concertos dos UFO, no domingo, 13 de fevereiro de 1983 no pavilhão de Alvalade em Lisboa e no dia 14 no pavilhão do Infante de Sagres no Porto – “Rock Bottom” (1974) ♪ “Doctor Doctor” (1977). Na primeira parte, os nova-iorquinos Spider, compostos pela sul-africana Amanda “Blue” Leigh (voz), Keith Lentin (guitarra), Jimmy Lowell (baixo), Holly Knight (teclas) e Anton Fig (bateria). Os Spider “alternam as tournées e gravações de discos com trabalhos individuais de alguns dos seus membros. Anton pode ser ouvido em discos de Garland Jeffreys e Link Wray, vindo a trabalhar mais tarde no primeiro projeto a solo do guitarrista dos Kiss, Ace Frehley. Quando foi lançado o álbum (1978) de Ace, o trabalho de Anton foi notado por Nicky Chinn e Mike Chapman [3] que, assim, acabaram por convidar os Spider para gravar para a Dreamland Records. Começou então uma frutuosa colaboração dos Spider com o produtor Peter Coleman, responsável também pela produção de Pat Benatar” – “New Romance (It's a Mystery)” (1980) ♪ “Better Be Good To Me” (1981).
Na época, o músico de hard rock descobria uma indústria dentro de uma indústria, um êxito na conta bancária e no coração do grande público, a power ballad. Cada banda tocava a sua. “The Price” (1984), p/ Twisted Sister ♪ “Alone Again” (1984), p/ Dokken ♪ “Wait” (1987), p/ White Lion ♪ “Every Rose Has Its Thorn” (1988), p/ Poison ♪ “Don't Know What You Got (Till It's Gone)” (1988), p/ Cinderella ♪ “Forever Free” (1989), p/ W.A.S.P. ♪ “18 And Life” (1989), p/ Skid Row ♪ “Don't Close Your Eyes” (1989), p/ Kix ♪ “Heaven” (1989), p/ Warrant ♪ “House of Pain” (1990), p/ Faster Pussycat ♪ “High Enough” (1990), p/ Damn Yankees ♪ “Love Is on the Way” (1992), p/ Saigon Kick ♪ “Two Steps Behind” (1993), p/ Def Leppard. Os reis da power ballad em Portugal são os Scorpions – “In Your Park”, do álbum “Virgin Killer” (1976), cuja foto da capa só era possível antes de os cristãos, depois de terem entregado os filhos aos padres, lavarem as mãos da sua culpa, apedrejando o destino (os padres), amnésicos do caminho (o pai e a mãe que levaram pela mão as crianças para a religião).
Panorama da indústria local nos anos 80:
Sétima Legião, grupo sem um sétimo de originalidade, encaixa-se no ciclo dos jovens portugueses que imitam retardadas correntes estrangeiras. Ian Curtis morrera, e com a morte nasceu a revelação da existência de um novo som entre a zona mais evoluída da sociedade portuguesa, um grupo cujo horizonte cultural é o fado, a tourada, a boîte a la mode e estar informado “do que se passa lá fora”. Obviamente, admitem-se estes grupos musicais como marcos, cantos de alma, qualidade, inovação, do melhorio. “Em 1982, três amigos resolvem formar uma banda. Eram eles: Rodrigo Leão (baixo), Pedro Oliveira (voz e guitarra) e Nuno Cruz (bateria). Começam a ensaiar e decidem chamar-se Sétima Legião (que era o nome da legião romana que veio à Lusitânia no século I). Nesta altura a música da banda era muito influenciada pelos sons que vinham de Manchester, nomeadamente Echo & The Bunnymen e Joy Division. Concorrem à Grande Noite do Rock onde ficam em segundo lugar. Susana Lopes (violoncelo) e Paulo Marinho (gaita de foles) juntam-se ao coletivo, ao mesmo tempo que Francisco Menezes começa a escrever letras para as canções. A banda chega a atuar com todos os elementos envergando gabardinas, como era usual nas bandas de rock inglês, praticantes do som de Manchester.” “Miguel Esteves Cardoso, Pedro Ayres de Magalhães e Ricardo Camacho tinham acabado de criar a Fundação Atlântica quando abordaram os Sétima Legião para assinarem um dos primeiros registos da editora: o singleGlória’, que saiu em 1983, com letra precisamente de Miguel Esteves Cardoso. Presenças frequentes nas noites do Frágil, onde fervilhava um ambiente vanguardista que parecia prestes a conquistar o país, editores e músicos procuravam encontrar uma identidade própria e uma nova maneira pop de ser português. Influenciados pelos sons que chegavam do exterior, como os britânicos Joy Division, os Sétima Legião eram uma das formações que encabeçava essa vontade de renovar e ampliar a música nacional e de afirmar, em formato pop, uma alma portuguesa, com a melancolia a ser o prato principal. ‘A um Deus desconhecido’, o primeiro longa duração, chegou em 1984 e apresentou logo temas determinantes como ‘O canto e o gelo’ e ‘Com o vento’. O álbum ‘Mar de outubro’ (1987) e ‘De um tempo ausente’ (1989) foram as aventuras seguintes de Rodrigo Leão, Pedro Oliveira e Nuno Cruz, com canções intemporais como ‘Sete mares’ e ‘Por quem não esqueci’ a marcarem uma geração inteira”, na revista Tabu do jornal Sol n.º 410 de 11 de julho de 2014.
O letrista do grupo navega sete e mais mares. “Francisco Ribeiro de Menezes, chefe de gabinete do primeiro-ministro, deixa São Bento até ao fim do ano para ocupar o lugar de embaixador de Portugal em Madrid. (…). Diplomata de carreira desde 1990, aceitou o convite de Passos em 2011 e deixou o lugar de embaixador em Estocolmo. Antes, tinha chefiado o gabinete de Luís Amado, ex-ministro dos Estrangeiros de Sócrates, e durante o guterrismo assessorou Jaime Gama também no MNE. Entre 2001 e 2005 foi conselheiro da embaixada de Portugal em Madrid. E é conhecido por ter sido letrista dos Sétima Legião”, no Expresso n.º 2171 de 7 de junho 2014. O letrista “foi chefe de gabinete de Jaime Gama e depois de Luís Amado, passando a receber a admiração de todos os socialistas (como excecional diplomata e bom funcionário público), acabou a ocupar o mesmo cargo com o primeiro-ministro Passos Coelho. Casado com a polémica Teresa Leal Coelho [4], vai agora para embaixador de Portugal em Madrid – substituindo Tadeu Soares”, no jornal Sol n.º 410 de 11 de julho de 2014.
Ban, “em 1981 se concretizariam numa banda, levando à formação de um obscuro agrupamento portuense, estranhamente intitulado de Bananas! Tendo o punk rock e a new wave como horizonte, e almejando explorar os territórios do ska, não longe das sonoridades de uns Madness ou da Two Tone, dão, assim, os primeiros passos incertos, mas instintivos, no mundo da música. (…). Constituídos, então, por João Loureiro na voz e teclados, João Ferraz na guitarra, Jorge Romão no baixo e Paulo Faro na bateria, concorrem, ainda durante esse ano, ao festival Só-Rock / 7-Up, do qual são os vencedores, recebendo, como prémio, o direito à gravação de um single. Contudo, o facto de não acharem que a organização do mesmo disponibilizava as condições que eles pretendiam, fará com que, apesar de aliciante, os Bananas prescindam desse prémio, atitude pouco habitual numa época em que tudo o que era grupo com sonoridade mais ou menos próxima do rock gravava um disco, mormente se tivermos em conta que as idades dos músicos rondavam os 18 ou 19 anos! Entretanto, Romão troca os Ban pelos GNR, entrando, em sua substituição, Francisco Monteiro, constituindo-se, assim, o núcleo duro que permaneceria intocado até ao desmembramento do projeto. A recusa do prémio vai, contudo, ter as suas compensações, conseguindo, em 1983, assinar um contrato com a EMI-VC. O primeiro fruto sairá na forma de um single de dois temas, ‘Identidade’ e ‘Virgens impulsos’. Neste registo, estão já perfilhadas as matrizes sonoras que os definirão durante boa parte da década de 80 [5]. Bebendo as suas influências em grupos como os U2 (especialmente do álbum ‘Boy’), Joy Division ou Echo & The Bunnymen. (…). 1984 vai revelar-se um ano de extrema importância, ocorrendo dois factos capitais na sua carreira. Primeiro, verifica-se uma mudança no nome, encurtando-o para Ban, manobra consciente no sentido de os não associar e limitar a uma qualquer corrente ou estética musical. Segundo, o lançamento do EP ‘Alma Dorida’, registo seminal no panorama musical da altura e que os distingue, sem margens para dúvidas, dos outros projetos por cá editados. (…). O ano de 1986 ia já avançado quando sai, finalmente, o sucessor de Alma Dorida, o EP ‘Santa’. Apresentando algumas nuances pop e um suavizar da crueza que caraterizava o seu antecessor, o disco contém já algumas pistas do que seria o futuro da sua carreira. (…). Merecidamente, é-lhe atribuído o título de melhor 12” nacional do ano pelo programa Som da Frente, de António Sérgio. A banda decide então, durante esse período, tirar uma licença sabática e construir os alicerces de uma nova sonoridade. Para isto em muito contribuirá a entrada de Ana Deus para a formação, em 1987.” Em 1989, ainda tocarão vagos sons dos Haircut 100 em “Dias Atlânticos”.
Peste & Sida “formou-se no verão de 1986, em Lisboa. A sua formação era constituída por João San Payo (baixo), Luís Varatojo (guitarra) e Raposo (bateria). João Pedro Almendra junta-se ao grupo para se encarregar das vocalizações, em setembro do mesmo ano. Participam no 4º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-vous, mas entretanto conseguem contrato de gravação com a independente Transmédia e editam o LP ‘Veneno’. Este disco revela uns Peste & Sida próximos da estética punk em temas como ‘Veneno’, ‘Furo na Cabeça’, ‘Gingão’ ou ‘Carraspana’. A capa do disco foi subtraída de ‘London Calling’ dos Clash”, que por sua vez era um tributo à capa do disco de estreia de Elvis Presley. “Desde 1991, o grupo começara a ter uma atividade paralela sob o nome de Despe & Siga, interpretando versões em português de clássicos do rock. Durante algum tempo existiriam os Peste e os Despe, até que João San Payo entra em rutura com os restantes membros do grupo, por ser o único a querer manter os Peste & Sida.” “O início oficial dos Despe & Siga é em 1994 mas os espetáculos de versões começaram no verão de 1992. Em 1994 os Peste & Sida tocaram no Estádio de Alvalade por ocasião do espetáculo ‘Filhos da Madrugada’ mas depois os concertos começaram a rarear. O grupo só acabaria (nesta primeira fase) em 1996.”
Luís Varatojo veste em 2013 o prémio da SPA de melhor disco do ano, “Não se deitam comigo corações obedientes”, com os Naifa. “Sociedade Portuguesa de Autores, porque se não fosse aquela sociedade, ou aquela cooperativa, não havia estes prémios, nem havia outras coisas mais importantes até que os prémios, que é a defesa dos autores perante o governo, perante o Estado, a proteção dos seus direitos mesmo dentro da sociedade em geral, e eles fazem esse trabalho”, fevereiro 2013 no programa “Inferno”, Canal Q, c/ Inês Lopes Gonçalves [6].
Requiem pelos Vivos “nasce em 1985 para concorrer ao Terceiro Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-vous. O grupo é constituído por três músicos de Vila Nova de Foz Côa: Carlos Carvalho (baixo, voz), João Daniel (guitarra) e Pedro Lameirinhas (guitarra). Estudando em cidades como o Porto, Coimbra ou Viseu, a música acontecia em férias e ao fim de semana. O grupo forma-se em dezembro e compõe três músicas. O quarto tema exigido pelo regulamento do concurso obriga a uma viagem extra a Vila Nova de Foz Côa e começa a ser esboçado no comboio. Em 1986 conseguiram chegar ao festival, acompanhados de um quarto elemento, Vítor Trabulo, o que permitia ao estudante de arquitetura em Viseu, Carlos Carvalho, ocupar-se da voz e da guitarra. Não atingiram as meias-finais mas dão alguns espetáculos ao vivo e preparam a participação no concurso do ano seguinte. Em 1987, dá-se a desforra para os Requiem Pelos Vivos, chegando à vitória no concurso, em competição com os Morituri (Lisboa) e os Tranz It (Seixal). No ano seguinte, é publicado na Dansa do Som o maxi correspondente à vitória no concurso, produzido por Flak, dos Rádio Macau. Um disco difícil de realizar, dadas as dificuldades em reunir Carlos Carvalho, João Daniel, que cursava eletrónica em Coimbra, e Pedro Lameirinhas, estudante de marketing em Viseu. O disco reúne os temas ‘Canção do Marinheiro’, ‘Romaria’ (dedicado à presidência aberta de Mário Soares no Douro), ‘Lago da Avenida’ e ‘Casa da Desfolhada’ e foi gravado nos estúdios Tcha-Tcha-Tcha. [7]
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[1] As mulheres também participam neste esforço de lucro. “Girl Groups - The Story of a Sound”. “Os grupos femininos surgiram no final dos anos 60 como grupos de jovens cantoras que se juntaram a compositores e produtores nos bastidores para criar singles de sucesso, muitas vezes com produções polidas e apoiadas pelos melhores músicos de estúdio. Mais tarde o modelo grupo feminino será aplicado ao disco, R&B contemporâneo e formatos baseados no country assim como no pop. (…). A etiqueta Motown também idealizou vários dos maiores grupos femininos, a começar pelas Marvelettes e mais tarde com Martha and the Vandellas, The Supremes e The Velvelettes.”
[2] A praça de toiros é o centro económico, social, cultural, recreativo, político, sexual, da comunidade portuguesa. Quinta-feira, 26 de setembro de 1974, “corrida de toiros no Campo Pequeno em benefício da Liga dos Combatentes. A reação agrária e citadina adquiriu grande parte da lotação da praça. Saúda o general Spínola: Viva Spínola, Viva o ultramar, Viva a GNR, Abaixo o MFA. O primeiro-ministro Vasco Gonçalves foi insultado e vaiado quando deu entrada no recinto. Objetivo: dividir os corpos militares, desmembrar a paz pública. O cavaleiro José João Zoio, filho de um conde de Pavulo, que negociou o título no Vaticano e é sobretudo negociante de armas enriquecido na guerra do Biafra, faz a bandarilha arrogante de exibir, com pompa estudada, o já referido cartaz [da autoria de “Quito” Hipólito, convocando uma manifestação da, “Maioria silenciosa”, de apoio ao general Spínola. A expressão “Maioria silenciosa” foi inventada por Richard Nixon ao referir-se aos que, na sua mente, apoiavam-no na guerra do Vietname]. ‘Quito’ Hipólito, autor da obra, lidera a manifestação. Com várias dezenas de direitistas ocupara a frente reacionária que, à saída da corrida avançaria sobre a multidão reunida lá fora. Encontros de rua são o desfecho lógico. A GNR desfá-los parcelarmente, sem violência e com hábeis e cuidadosos movimentos de cavalaria. Seguem-se tentativas de assalto à sede do PCP e à Rádio Universidade, que acabam por não se concretizar perante a reação dos jovens agrupados no Campo Pequeno.” Entretanto, os manifestantes perdiam na RTP 1 a “Noite de teatro”, com a peça da autoria de Eça de Queirós, “Alves & Cia”, encenada por Artur Semedo e realizada por Bento Pinto de França, com Artur Semedo, Lia Gama, Rui de Carvalho, Vítor de Sousa, Adelaide João, Canto e Castro, Irene Cruz, Victor Mendes e Óscar Acúrcio.
[3] Autores de infinitos êxitos do mundo da canção. “Funny Funny” (1971) ♪ “Little Willy” (1972) ♪ “Wig-Wam Bam” (1972) ♪ “Hellraiser” (1973) ♪ “Block Buster!” (1973) ♪ “Ballroom Blitz” (1973) ♪ “Teenage Rampage” (1974) para os Sweet ▬ⱷ “Can The Can” (1973) ♪ “48 Crash” (1973) ♪ “Devil Gate Drive” ♪ (1974) ♪ “The Wild One” (1974) para a Suzi Quatro ▬ⱷ “Living Next Door To Alice” (1972) ♪ “Dyna-Mite” (1973) ♪ “Tiger Feet” (1974) ♪ “The Cat Crept In” (1974) ♪ “Rocket” (1974) ♪ “Lonely This Christmas” (1974) ♪ “The Secrets That You Keep” (1975) para os Mud ▬ⱷ “If You Think You Know How to Love Me” (1975) ♪ “Don't Play Your Rock and Roll to Me” (1975) ♪ “It's Your Life” (1977) para os Smokie. O seu primeiro n.º 1 no top americano foi “Kiss You All Over” (1978), p/ Exile.
[4] Polémica é uma brand tipicamente portuguesa, pelam-se nas terras de Fradique Mendes por trendy hot dog, coleslaw (salada de couve crua), batatas fritas com paprika, aros fritos de cebola, croquetes de mozarela, feijões com molho de tomate e uma polémica, “à maneira do sábio antigo, em conversas com que se deleitava, à tarde, sob os plátanos do seu jardim”. As semelhanças entre comer e falar são óbvias, numa e noutra basta abrir a boca, Teresa Leal Coelho, vice-presidente da bancada PSD: “Eeee o o Orçamento que nós vamos discutir e aprovar no parlamento, é um Orçamento que resulta da irresponsabilidade dum governo socialista, da indis da constante indisciplina orçamental, por um lado, e da irresponsabilidade dos investimento que foram levados a cado, a cabo, durante a governação socialista, deixaram a país no estado em que está. Por isso mesmo o Partido Socialista tem que tem demonstrado algum algum nervosismo nesta fase, precisamente porque não se sente com capacidade e com competência para assumir o governo de Portugal num momento tão difícil, e é essa onda de ruído que nós temos ouvido em Portugal emmm vinda sobretudo de dirigentes do Partido Socialista. Esta declaração de do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros põe termo a essa ansiedade ou pode ter, pode pôr terno a essa ansiedade que tem sido demonstrado no seio do Partido Socialista” (outubro 2012). “Não é por que é membro duma loja maçónica ou por que ‘tá ligado a uma qualquer corporação que há outros interesses envolvidos. Todas as pessoas têm outros interesses envolvidos na sua vida e portanto esta questão não deve ser ponderada exclusivamente para alguns. Em minha perspetiva e foi a nossa matriz de democracia, deve sustentar-se no princípio da liberdade, de responsabilidade, ou seja, todos aqueles que desempenham cargos políticos devem exercê-los com liberdade e com responsabilidade e sempre que estão no processo decisório em matéria pública política, devem ponderar desde logo o interesse público e afastar todos os interesses privados que tenham” (2011).
[5]Rock pop anos 80 internacional”, p/ DJ Eddy. Classic Euro Trance & Electro / 1996-2000”, p/ T-Maya alias Marcus Meyer.
[6] Formosa emérita, Inês Lopes Gonçalves, Afrodite da informação, grafada e televisual, lollipop pop, fresca fonte do Parnaso, peitos de Hebe tentações de sábado, de todas de seu nome, rainha, glosou Camões letrado: “Estavas, linda Inês, posta em sossego, / De teus anos colhendo doce fruto, / Naquele engano da alma, ledo e cego, / Que a fortuna não deixa durar muito, / Nos saudosos campos do Mondego, / De teus fermosos olhos nunca enxuto, / Aos montes ensinando e às ervinhas / O nome que no peito escrito tinhas”. “Tais contra Inês os brutos matadores / No colo de alabastro, que sustinha / As obras com que Amor matou de amores / Aquele que depois a fez Rainha”, “Os Lusíadas”, canto III – (rainha e esposa. O bispo da Guarda D. Gil Cabral, ascendente de Pedro Álvares Cabral, jurou ter casado Pedro e Inês numa manhã de dezembro em Bragança). A Inês renascida é uma intrépida repórter como “Brenda Starr” (1989). Brenda (Brooke Shields): “Porque não se rende? Eu levo-o à polícia. Eles não dispararão contra uma repórter”, Donovan O’Shea (Mark von Holstein): “Tem razão” / Capitão Borg (Matthew Cowles): “Piranhas. São atraídas pelo sangue. Devoram uma vaca até ao osso em dois minutos e vinte segundos”, Mike Randall (Tony Peck): “Brenda, fala!”, Brenda: “Nunca! A sobrevivência do mundo livre depende disso.” E, perolada Inês “toda em trova” faz coros nos vencedores do TMN Garage Sessions 2007. Os “Soulbizness no seu estilo soul, foi a banda vencedora. Os sete elementos, quatro rapazes e duas raparigas, preparam-se agora para atuar no Festival Sudoeste TMN 2007. Na agenda está também a gravação e distribuição de um CD assinado pela EMI Music Portugal e a participação numa campanha publicitária da TMN. Os vencedores receberam ainda um amplificador Marshall AVT100X, uma guitarra da Itália Guitars (Itália Modulo III) e de um piano digital da M-Audio (Prokys 88 Pro)” – “Oh Sugar” (2008) ♪ “Turn to Rainbows” (2010) ♪ no Rock in Rio 2010.
[7] O maior artista português de todos os tempos e eras é o Fabuloso Alex. “Artista multifacetado que divide o seu tempo entre o Fogueteiro e o Algarve, nasceu em Moçambique e em finais dos anos 60 inícios dos anos 70, andou pelo twist, yé yé, soul e música foleira ligeira.” Tem no seu palmarés 840 canções e 89 discos gravados, como “Sinfonia dos cabelos compridos” (António Sala / José Manuel), ou “Il faut”. Alex começou a cantar na Cave do Zé Alves em Lourenço Marques. Em 1966 atuava em Angola como Alex, “o Fabuloso”, atração num circo. Em 1967, gravou pela Alvorada o seu primeiro EP “Twist Saloio”: “O twist é bom, / Assim é que é… / Perninha pra frente, / Perninha pra trás, / Bate bem o pé…” Em 2004 sofreu um percalço. “‘Foi horrível. Não nos cheirava a nada e até pensámos que a má disposição se devia a uns cogumelos que tínhamos comido’, frisou ao CM Alex, contando que estava a jantar em casa, no Seixal, quando a empregada começou a sentir-se mal. ‘Ela desmaiou e o meu companheiro ainda a levou para a cama, onde a deitou. Depois fui eu que também perdi os sentidos na casa de banho’, refere Alex, sublinhando que Campos, o companheiro, resolveu telefonar para o 112 e abrir a porta antes de também ele desmaiar.” Foi o sagrado laço do matrimónio que salvou Alex desta intoxicação por monóxido de carbono, casara-se ele em 2003, com a participação de poucos familiares e muitos amigos, como Ruth Marlene, a fadista Maria Mendes, o fadista e guitarrista Carlos Macedo e a cantora Tina, (quase) abençoado por D. Armando Monteiro, arcebispo primaz da Igreja Apostólica Católica Ortodoxa. “A referida união homossexual, entre o cantor de música popular Alex, de 62 anos, e um jovem brasileiro, de 26, vai acontecer na sexta-feira, mas os noivos decidiram não aceitar a bênção de Armando Monteiro depois de saberem que foi condenado por abuso sexual de menores e é apontado como falso padre” (defende-se D. Armando Monteiro que foi Sua Beatitude Dom Paulo Jorge de Laureano, convidado a título particular, quem fez a bênção. Durante a cerimónia foi lida uma passagem da Bíblia - 2.º livro de Samuel, capítulo I - 19 a 27 - que fala na amizade entre David e Jónatas) – “Férias na Jamaica”.