Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

quinta-feira, dezembro 06, 2012


Para trás é que se faz o caminho

Desbocados anos os anos 70. Em 1975, um pacato professor de Finanças Públicas ouvia na TV os despautérios dos setentistas líderes, de partidos políticos, Governo, Conselho da Revolução, e cingia as mãos na sua cabeça, atinado: “esta gente não está boa da cabeça, parece um país de loucos” [1]. E ponderava emigrar: “analisámos friamente a situação e acabámos por concluir que a loucura política era demasiada para que pudesse aguentar-se por muito tempo. O caminho do coletivismo para onde o PCP queria levar o país era tão contrário à cultura e maneira de ser da maioria dos portugueses que o povo acabaria por reagir”. Não emigrou, em 1981, numa entrevista a um jovem repórter de 19 anos, um Nancy Drew do semanário Tempo, militante do PSD, chamado Paulo Portas, estacionava Cavaco Silva no partido: “como lhe disse, sinto-me bem dando a minha colaboração junto das bases. É provável que seja o melhor lugar para mim”. Não será [2]. No ar, o rock português cavaleava, ainda o pó de 1980 dos “Cavalos de corrida”: “Agora é que eles passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço”.
Não será a qualquer preço. Será a um preço bastante modesto: a falência do Estado português em 2011. Em 1980, o povo já sonhava com férias no Algarve [3], e no campo de batalha política – esquerda contra direita –, a esquerda esbatia diferenças ideológicas vivendo na high life, modus vivendi privilegiado de Mário Soares [4], e a direita recuperava o poder económico, modus operandi de Artur Santos Silva [5]. No dia 1 de janeiro de 1981, a Grécia é oficialmente o 10º membro da Comunidade Económica Europeia (CEE), um acontecimento histórico, estrondeiam ambos os contratantes, Constantino Karamanlis, presidente grego: “marcava o regresso da Grécia à família dos povos europeus”, e Roy Jenkins, presidente da Comissão Europeia: “aderindo à nossa comunidade, a Grécia vem enriquecer este somatório de civilização que a ideia europeia simboliza”. (O preço imediato que a Grécia pagou pela entrada na CEE foi a reintegração na NATO e a reconstrução das bases em Creta e no continente). Os líderes assinantes pronunciaram também as palavras de circunstância de tara perdida, Jenkins: “a participação da Grécia na comunidade não será fácil e haverá inevitavelmente problemas de adaptação”, e Karamanlis: “esforço intenso seria necessário em certos setores da economia helénica para que estes possam afrontar as condições de forte concorrência do Mercado Comum”.
Quarta-feira, 5 de agosto, meio ano de balanço, o saldo da adesão é negativo, “desapontamento na Grécia depois de 6 meses de CEE”, previa-se nesse ano de 81 uma medíocre taxa de crescimento industrial de 2 ou 3%, uma taxa anual de inflação de 18,6 %, os bens essenciais aumentaram acima desse valor. Nenhuma das esperanças se cumpriu: “a Grécia esperava que, uma vez na CEE, conseguiria penetrar com os seus produtos agrícolas nos mercados dos restantes países da Comunidade”, e “as esperanças gregas de melhorar a sua economia à custa dos fundos do Mercado Comum também se revelou ilusória”. Em Portugal, como São Tomé, queria-se ver [6]: “Na rádio, na TV / nos jornais, quem não lê / Portugal e a CEE / Quanto mais se fala menos se vê / eu já estou farto e quero ver // Quero ver Portugal na CEE”, – em março de 1981 é editado o primeiro single dos GNR, no lado A “Portugal na CEE”, no lado B “Espelho Meu” ainda nesse ano o Grupo Novo Rock publica um anúncio classificado: “Sê um GNR”: “Tens 18 anos e a 4ª classe / És um jovem ambicioso / vem ser um GNR // Procuras aventura e emoção / Uma farda e um boné / vem ser um GNR”. Emprego nas forças de segurança, o futuro dos jovens, desmandos na insegurança, não-futuro.
As Brigadas Revolucionárias foram fundadas em 1970, Isabel do Carmo: “formam-se as Brigadas justamente para corresponder a esta necessidade da via armada. Tínhamos a noção, o Carlos Antunes e eu, que em Portugal se falava muito e se fazia pouco, distribuíam-se muitos papéis entre os amigos, textos muito ideológicos, palavrosos, mas... fazia-se pouco”. E em 1973 nasce o Partido Revolucionário do Proletariado, que brandia o slogan “A arma é o voto do povo” para a consecução dos seus objetivos programáticos; Carlos Antunes: “a Revolução só será possível quando cada braço válido empunhar a arma que apeará para todo o sempre a burguesia do poder”. Entre 1975-79, explodiram umas bombas e embrulharam-se em ações de “recuperação de fundos”, assaltando bancos e repartições de Finanças. São presos os dirigentes, torturados pela PJ do Porto e condenados, no nomeado “caso PRP” (site com “textos verídicos” intercalados de “falsidades”, segundo queixa na Procuradoria-Geral da República). Na cadeia de Custóias, sexta-feira, 19 de junho de 1981, pelas zero horas, encetam uma luta, uma greve de fome, primeiro Carlos Antunes, dez dias depois Rodarte de Almeida, pela aplicação da Lei da Amnistia. Explica o primeiro: “queremos que a Lei da Amnistia nos seja aplicada. Vera Lagoa beneficiou dela. Os separatistas – os quais mesmo em termos burgueses não são patriotas… – também beneficiaram. Nós, que o somos, porque é que não havemos de beneficiar?”. “Carlos Antunes alimentado há treze dias por 3,5 litros de água diários e por não sabe quantos maços de SG Gigante, com duas úlceras, uma no estômago, outra no duodeno, de pijama e roupão, ar exausto, mas olhos e espírito sempre alerta” é entrevistado no hospital-prisão de Caxias: “nunca pensei que a morte fosse o fim do combate”. “Se cair em coma, não quero assistência”, o ministro da Justiça, que tinha dificuldade em pronunciar-lhe o nome, arrematava-lhe com “deontologia médica e da filosofia em geral do Direito” [7]. “O ministro quer-me alimentar à força. Não tem mentalidade cristã, já que não deixa as pessoas viver em paz, nem as deixa, pelo menos, morrer em paz e de acordo com os seus desejos”. Quinta-feira, 2 de julho, o presidente da República, general Ramalho Eanes, recebe os filhos de Carlos Antunes, Cristina, 22 anos, Paulo, 21, vindos de Paris para “ajudar a salvar a vida do pai”. Segunda-feira, 6 de julho, Augusto Abelaira escreve no Diário de Lisboa: “se reconhecidamente aqueles que têm por função vigiar pelo cumprimento das leis verificarem que elas, numa dada situação, conduzem ao absurdo, e à morte, o dever deles é infringir a lei. Infringi-la em nome da humanidade, em nome duma lei mais alta”. Sexta-feira dia 10, Carlos Antunes, internado no hospital Santa Maria, interrompe a greve de fome “na sequência do compromisso formal de trinta e um deputados da AD (Aliança Democrática) e da FRS (Frente Republicana e Socialista) em apresentarem em outubro na Assembleia da República um projeto de Lei da Amnistia, anunciava Francisco Sousa Tavares, que ‘punha definitivamente uma pedra sobre os crimes com o fim exclusivamente político’”. Terça-feira, 14, “a eventual libertação dos principais detidos do PRP – Isabel do Carmo, Carlos Antunes e Fernanda Fráguas – deverá ser decidida pelo 3º Juízo Criminal de Lisboa e não poderá ocorrer num prazo inferior a oito dias – prazo mínimo para que o acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, que anulou o julgamento, transite em julgado”.
Terça-feira, 4 de agosto, Régis Debray, conselheiro para os assuntos de política externa do presidente François Mitterrand, numa missão oficial a África, faz escala em Lisboa [8]. Quarta-feira, 12, o consumidor português deliciava a boca, “o arroz não vai faltar mas é mais caro”, o Governo autoriza a compra de 25 mil toneladas à firma COTRA, SA (empresa europeia): 12 500 toneladas de arroz carolino de origem brasileira, da colheita de 1981, mais 5 500 toneladas de origem uruguaia e 7 000 toneladas argentinas. “A opção pelo arroz carolino de melhor qualidade, mas também mais caro, insere-se na percentagem de importação anual. (…). As necessidades ao nível do mercado, revelaram fontes da EPAC (Empresa Pública de Abastecimento e Cereais), fazem-se sentir na intensa procura deste tipo de arroz, dada a baixa qualidade da variedade gigante que no entanto é mais acessível à já depauperada bolsa do consumidor português”. Quarta-feira, 19, Freitas do Amaral, metaforiza gastronomicamente. Ele prometera, antes da morte de Sá Carneiro, não participar em nenhum Governo, enquanto Ramalho Eanes fosse presidente da República. Como Eanes foi reeleito, a promessa cozeu à pressão, com a proposta do PSD para vice-primeiro-ministro do VIII Governo Constitucional. Apruma ele a gravata azul-escuro, aperta o casaco cinzento para marinar, se sim ou sopas, se não estão os dois convivas, CDS e PSD, a olhar para o prato um do outro: “tudo tem o seu tempo próprio. Permito-me até lembrar uma velha frase do chanceler Bismarck que dizia que ‘a alcachofra deve ser comida folha a folha’”. Nas férias estivais de “O passeio dos alegres” (15 fevereiro, 1981 – 26 junho, 1982) na TV, os políticos, as suas tricas e papagueados, revezavam o “Baixinho” (Jacob, o famoso papagaio, popular figura no programa). Quarta-feira, 26, o país arde, “cinquenta mil hectares e um prejuízo estimado em 600 milhões de escudos parecem não impressionar sobremaneira o poder político, profundamente empenhado na resolução de uma ‘crise’ política que a opinião pública já praticamente desistiu de compreender”, e o bombeiro de serviço corta-fogo: “o Banco Mundial tem preparado um plano de reflorestação de 150 mil hectares no nosso país, realizável em cinco anos".
Terça-feira, 15 de setembro, “Programa? Governo põe FMI dispõe”, na apresentação do programa do VIII Governo no Parlamento “o primeiro-ministro, em compasso de espera do FMI, falaria, sobre o ‘consenso’ possível em cinco grandes áreas, na revisão constitucional com o PS. Falou muito, demasiado em ‘parasitas’, trabalhadores que não trabalham, numa linguagem habitualmente pouco ‘expressa’ em Pinto Balsemão. E tudo para justificar a próxima revisão da Lei Laboral, com a liberalização dos despedimentos”. E quando os políticos mal navegam, antes como agora, desfraldam o glorioso livro de História, Balsemão finaliza o discurso: “temos uma identidade nacional feita de muitos séculos de História, caldeada no sangue anónimo de todo o povo e nas gestas heróicas de chefes militares e religiosos, de pioneiros de descobertas, de desbravadores de novas latitudes e longitudes, de criadores de novas pátrias. As pátrias são como os rijos troncos de árvore, cujas raízes mergulham na imensidade de um passado coletivo de vitórias e de revezes, e que emprestam vinco renovado às gerações que se sucedem no tempo, confrontadas com novos desafios, com diferentes sagas, com inesperadas odisseias”. Nos anos 80, as gerações fornejavam-se na Brandoa, solo de úbere mulher, sobretudo as frequentadoras da catequese, pelos 16 anos, emprenhavam. Terça-feira, 29, “como vai o Ensino Primário em Portugal. Na Brandoa há 600 alunos para cinco salas de aula. Segundo o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa faltam 15 mil salas em todo o país”. A orientação desenrascanço do ministério da Educação e Universidades “é a de se encaminhar os alunos que não tenham lugar na escola que lhes coube para outros estabelecimentos da mesma área que tenham salas devolutas”, e de dispor 1,1 metros quadrados a cada aluno. “Outra solução do ministério de Vítor Crespo é, nas escolas com carência de instalações, aumentar o número de alunos por turma em salas de aula de dimensão superior a 35 metros quadrados até ao máximo de 36 alunos da segunda fase e de 32 da primeira, ou de ambas as fases, sempre que as condições da sala o permitam”.
Terça-feira, 13 de outubro, “Jorge Jardim refaz fortuna no Gabão. Ator de primeiro plano na agonia do mundo branco em África, pelo qual combateu, Jorge Pereira Jardim, que foi homem forte em Moçambique, refaz fortuna no Gabão. Agora, na casa dos 60 anos, leva uma pacata vida burguesa em Libreville onde dirige uma empresa de grandes negócios, o Interbanque. (…). De camisa de seda e caqui com as suas iniciais bordadas, anel e pulseira de oiro, discretos, rugas aristocráticas, magro, uns sessenta anos jovens, tem gestos largos mas requintados. (…). Com os seus cabelos castanhos, ondulados, brilhantinados, cuidadosamente penteados para trás” foi entrevistado pelo Le Monde, esfumaçando Benson and Benson, bebendo whisky e café forte: “se um dia Moçambique se tornar democrático, regresso imediatamente”. “Depois de ter deixado Moçambique com os seus doze filhos, todos os seus bens lhe foram confiscados, e, tendo de refazer a vida, reduziu algumas das suas atividades financeiras: ‘vendi o meu avião e parti do zero porque todos os meus bens, até os cães, tinham sido postos sob sequestro’”. Jardim “incarnava, sozinho, a alta sociedade da Beira, de que era a locomotiva. Banqueiro, homem de negócios, ocupava-se então muito ativamente de tudo o que dizia respeito ao petróleo. Ligado ao grupo financeiro português Champalimaud, tinha interesses ou participações nos seguros, na corretagem marítima, nas farinhas, nas indústrias agro-alimentares, nos adubos, nas obras públicas, nos transportes aéreos, na importação e exportação… Indiretamente associado ao banco Pinto e Sotto Mayor, controlava praticamente toda a imprensa local quotidiana, semanal e periódica: ‘isso e a minha herdade do norte eram os hobbies que tinha para gastar dinheiro’”. Sexta-feira, 30, “degradação crescente na situação económica”. O Banco de Portugal “fala abertamente de degradação – designadamente na balança de pagamentos, refere-se à ‘recessão’ por parte de países com os quais Lisboa habitualmente contava, e aponta para ‘a perda de dinamismo do afluxo das remessas de emigrantes, ao que haverá de ajuntar a aceleração do processo inflacionista e o abrandamento do ritmo de crescimento do investimento’. (…). E, falando de perspetivas, o estudo diz claramente que se ‘desenhou um contexto adverso à contenção do desequilíbrio externo da economia portuguesa, não havendo sinais de que aquele se esbata rapidamente’”. Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP: “no setor económico, caminha-se para o desastre completo, e a situação social agrava-se de dia para dia”. Mário Soares, para quem a economia é uma batata, apenas fuça brechas para poleiro: “há um certo nervosismo na sociedade portuguesa”.
Quarta-feira, 4 de novembro, “anunciado por João Salgueiro, dívida pública atingiu 600 milhões de contos, só de juros vão ser pagos 95 milhões num ano”. O ministro das Finanças e do Plano “esteve reunido com os deputados da Aliança Democrática, preparando-os para o choque que o Orçamento Geral do Estado vai constituir e numa tentativa de evitar dissidências no seio do Governo com os cortes orçamentais que vão ser impostos a vários ministérios. (…). João Salgueiro terá garantido aos deputados que o Governo não tenciona aumentar a carga fiscal no OGE/82”. Sábado, 7, o FMI está em Lisboa para renegociar a Carta de Intenções. “Encontra-se neste momento em Lisboa, uma delegação do FMI que veio a Portugal renegociar a ‘carta de intenções’ relativa a um empréstimo de 1,3 mil milhões de dólares, pedido pelo primeiro Governo de Pinto Balsemão” [9]. “As grandes opções do plano 1981-84, adotadas durante a vigência do anterior Governo (de Sá Carneiro), apontavam para um crescimento do PIB de 4,8% e para um défice de 1,5 mil milhões de dólares na Balança de Transações Correntes. Por razões relacionadas, segundo Morais Leitão, com as difíceis condições climatéricas, com a revalorização de 20% do dólar americano, e com as elevadas taxas de juro nos mercados internacionais, o primeiro Governo Balsemão viu-se obrigado a corrigir alguns desses números. No fim de outubro, Cavaco Silva, diretor do Gabinete de Estudos do Banco de Portugal, tornou públicas estimativas que indicavam um défice de dois mil milhões de dólares na Balança de Transações Correntes para este ano e uma taxa de inflação de 20%”. No OGE para 1982, menos 11 milhões de contos para os Assuntos Sociais, “em contrapartida, o OGE atribuirá quase 14 milhões para pagamento de indemnizações, dos quais se destacam cerca de 10 milhões a conceder aos grandes acionistas e latifundiários”.
O “Sabadabadu” estreia dia 7 de novembro de 1981. Este país é um colosso, está tudo grosso! está tudo grosso! Terça-feira, 17, “por um lugar atrás do balcão. Têm entre 16 e 19 anos. Aguardavam esta manhã, em longa bicha, uma entrevista na tentativa de arranjar emprego. Respondiam a um anúncio. Não manifestavam grande esperança. Outros empregos? ‘Já fui empregada de balcão e relações públicas mas tive de sair. Terminou o contrato a prazo’. Outras procuram o primeiro emprego. Ordenado? Não sabe. ‘Pagaremos segundo a idade e a categoria abrangidas pelo contrato’, refere o gerente”. Sexta-feira, 27, “mais taxas e mais impostos – entre os quais avultam dois mil escudos por cada saída ao estrangeiro, por via aérea ou marítima, e novo aumento do preço do tabaco. (…). A transformação da taxa de radiodifusão em imposto de 720 escudos”. “A proposta de Orçamento Geral do Estado para o ano de 1982 foi ontem entregue na Assembleia da República prevendo um défice das contas públicas na ordem dos 150,7 milhões de contos, o que eleva a dívida do Estado português para 750 milhões. O défice será coberto por recurso ao crédito interno e externo. Em empréstimos externos o Governo conta recolher 35 milhões de contos e em empréstimos internos 152,7 milhões provenientes de obrigações do Tesouro, certificados de aforo e obrigações a colocar no sistema bancário. (…). Só em juros de amortização da dívida os portugueses vão pagar no próximo ano quase 100 milhões de contos, ou seja, cerca de um quinto de todas as receitas fiscais arrecadadas pelo Estado".
Sábado, 19 de dezembro, "a Assembleia da República fechou as suas portas às cinco horas da madrugada de hoje, com a aprovação, na especialidade, do Orçamento, devendo reabrir, apenas, a 5 de janeiro para a maratona da revisão constitucional. (…). O Parlamento eliminou, da proposta governamental, o imposto de radiodifusão e a taxa sobre saídas ao estrangeiro, nomeadamente sobre os bilhetes de transporte aéreo. Para compensar esta perda de receitas, que João Salgueiro previa vir a recolher, foi agravado o imposto sobre o tabaco (que passou dos 15% da proposta para 20%) e aumentado o imposto de selo sobre os bilhetes de transporte”. Quarta-feira, 23, “para a consoada deste ano há bacalhau mas faltam as batatas”. “’Batata existe’ – diz um retalhista. ‘Só que a gente chega ao mercado e os batateiros querem vendê-la a preço superior ao da tabela e sem passarem as faturas’”. “O preço da batata foi aumentado há cerca de dois meses, tendo então sido estabelecida uma maior margem de comercialização para armazenistas e retalhistas. De acordo com esta tabela, a batata deveria ser paga ao produtor, neste momento, a 12$60 o quilo. A verdade, porém, é que em Trás-os-Montes, a concorrência entre os intermediários já levou a que esse preço subisse aos 14 escudos, inviabilizando, portanto, o preço de 16 escudos que a portaria governamental fixou para a venda ao público”.
No mês de dezembro de 1981, dos Xutos & Pontapés, sai “Sémen”: “Semente dum corpo que sai / Do corpo da gente / Velha disputa do sexo / Nunca é quem se espera / Terá isso nexo / Será menino ou menina / Ao pai pouco importa / É mais um anexo”. De Manoel de Oliveira, dia 3, sai “Francisca” “a história de uma paixão funesta”. Da televisão, na abertura, às 16:00 horas, aos sábados, sai viagens pelo “Cosmos”, estreadas dia 7 de outubro, uma série de Carl Sagan, com música de Vangelis. Neste ano, os adolescentes portugueses entram no furor aeróbico da década de 80 através da dança jazz.
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[1] Para um pacato professor de Finanças, Portugal, “no auge da loucura política e económica”, assemelhava-se à cidade de Sonora. Onde os “gatos go loco en la cabeza”, e esgotam a lotação da El Casa Del Gato rest home for neurotic cats, durante as férias de Speedy Gonzales, o pequeno e carismático roedor – em “Daffy Rents”.
[2] No futuro (2012) será uma tocha condutora de homens. Cavaco Silva na aldeia olímpica portuguesa em Londres: “eu sei que… nos momentos que antecedem a participação nas provas se vivem… alguma ansiedade. Sei isso por experiência própria, quando participava nas minhas provas de atletismo, mas encontro os nossos atletas bem dispostos … eles, pelo contrário, acho que vão atuar por forma a dar ânimo! aos portugueses num tempo que é difícil para todos e, nós gostaríamos que pudesse traduzir nalguns resultados destacados”.
[3] Basílio Horta, ministro do Comércio e Turismo, no VI Governo Constitucional; diálogo com jornalista: “quando é que os portugueses podem voltar a passar férias no Algarve?”, Basílio H: “quais eram os portugueses que passavam férias no Algarve e agora não passam?”, J: “aqueles que não podem pagar 100 escudos por uma bica, sr. ministro”, Basílio H: “ora bem, olhe, eu quero dizer que, aqueles que hoje não podem pagar 100 escudos por uma bica, e não são muitos sítios que é 100 escudos, que a bica custa 100 escudos, eram aqueles que eventualmente, há bem pouco tempo, não é? talvez não pudessem comprar carne, não pudessem comprar peixe, e viviam, e ainda há muitos deles, vivem em condições muito difíceis. O problema que se nos coloca é tentar equilibrar a necessidade de receitas turísticas e divisas estrangeiras para equilibrar a nossa balança de pagamentos, com um direito fundamental dos cidadãos que é o seu direito a férias. Posso no entanto dizer que neste momento, fora da época alta, o Algarve é uma região acessível, fora da época alta se se conseguir um sistema, e para isso temos de contar com a colaboração das instituições hoteleiras, das agências de viagens, de forma a rentabilizar as unidades existentes fora dos meses de verão, suponho que já será possível mais portugueses passarem férias no Algarve”.
[4] Representante da esquerda a jacto, 1ª classe, palácios, hotéis de luxo, lordismo republicano, Mário Soares relata às câmaras da RTP uma comovedora visita à China em 1980: “a minha visita na China foi de facto uma visita muito variada, porque tive a oportunidade de ver bastante o país e de con, e de contactar com as grandes realizações que se estão a fazer de facto naquele grande país. Posso dizer que me surpreendeu o estilo de vida dos chineses e que me surpreendeu favoravelmente a liberdade com que se nos dirigem, com que atuam e estão, e sobretudo o esforço extraordinário de desenvolvimento que está a ser feito. De facto é de toda a evidência para quem atravessa a China, que por toda a parte as pessoas conseguiram aquele mínimo vital que é necessário para viver em condições de decência e dignidade, coisa que não existia naturalmente antes da Revolução, e que é uma grande conquista da Revolução Chinesa. Também depois de ter percorrido várias cidades, como sabe, e ter utilizado vários meios de transporte e ter estado em Xangai e Cantão entrei por terra, portanto numa viagem de automóvel, em Macau, onde tive a ocasião de encontrar as duas comunidades, a comunidade chinesa e a comunidade portuguesa, que vivem de uma maneira harmónica e com uma grande confiança em relação ao futuro, visto que o melhoramento das relações e a cooperação que existe hoje, real, não só no plano político, mas também no plano cultural e das relações diplomáticas e até comercial, entre a China e Portugal naturalmente tem repercussões muito favoráveis relativamente a Macau. É esse, aliás, o pensamento do governador, general Melo Egídio, com quem tive longas conversas e que me pareceu uma pessoa com uma grande visão da situação de Macau e das perspetivas que se põe ao desenvolvimento de Macau”. – Mário Soares regressou no “comboio da liberdade”, em 1974, dos hotéis de luxo em Paris, onde se exilara do Governo de Salazar, para viver em Portugal do erário português. Em Washington, em 18 de outubro de 1974, Henry Kissinger enfurecia-se que Portugal, um país da NATO, galgava para o comunismo. Mário Soares protesta que não. Kissinger profetiza-o como o Kerensky português. Soares geme: “mas eu não quero ser Kerensky” (primeiro-ministro do Governo Provisório russo, após a abdicação do czar Nicolau II, derrubado depois na Revolução de Outubro de 1917). Kissinger corta-lhe o pio: “nem Kerensky haveria de querer”. No final desse mês sai a sorte grande a Mário Soares. Kissinger envia a Lisboa Alan Lukens, diretor da secção dos Assuntos Ibéricos, que no seu relatório defende que é possível travar o comunismo em Portugal apoiando economicamente o Partido Socialista e o confiável Mário Soares. Kissinger substitui o embaixador Stuart Nash Scott, um moderado, por Frank Carlucci, um duro experiente em situações revolucionárias, que canalizará dinheiro americano para a compra de sedes do PS e a sua implantação o país. Soares agradece metendo o socialismo na gaveta nas suas trapalhadas como primeiro-ministro, apesar disso, o povo gostou e bisou-o na Presidência da República (1986-1996). Foi um bom presidente. Fundou a Emaudio. Rui Mateus, em “Contos proibidos”: “no dia 17 de fevereiro encontrar-me-ia, como combinado, em casa de Mário Soares onde Ivanka Corti era convidada para o almoço. Ali, embora ainda sob a emoção da vitória, Soares explicaria que tinha ideia de aproveitar os recursos de algumas fundações partidárias que lhe eram afetas, para participar na tão falada privatização dos meios de comunicação social e abertura da TV ao sector privado. Queria primeiro estudar melhor o assunto, mas desde logo pediria à convidada italiana que transmitisse um convite seu a Silvio Berlusconi para vir a Portugal. Este não perderia tempo e chegaria pouco tempo depois a Lisboa, no seu avião pessoal acompanhado de Ivanka Corti. (…). Entretanto em Lisboa, no dia 18 de março de 1987, tinha sido constituída na avenida António Augusto de Aguiar, na sede da Fundação de Relações Internacionais, a Emaudio, S.A., Sociedade de Empreendimentos Áudio Visuais para ir ao encontro dos acordos que estávamos em vias de concretizar com a News International de Rupert Murdoch”. O presidente Soares viajou 922 809 km, equivalente a 22 voltas ao mundo, visitando 57 países, 24 vezes a Espanha e 21 vezes a França. Contribuindo para a História nacional com um único facto: montar um tartaruga, na sua viagem de 24-28 de novembro de 1995 às ilhas Sheychelles. Finda a comissão presidencial continuou a servir o país com um subsídio de 500 mil contos do Governo de Guterres para a criação de uma biblioteca, auditório e arquivo num prédio cedido pela Câmara Municipal de Lisboa, onde seu filho, João Soares, era presidente.
[5] Hoje reformado com 351 000 euros / ano e ainda útil como cadeira-homem (“chairman”) na Fundação Gulbenkian. Em 1978 tinha o sonho de ser banqueiro. Fora oficial da marinha, professor universitário, diretor bancário, secretário de Estado do Tesouro, vice-governador do Banco de Portugal e, sobretudo, fundador do PPD/PSD. Esta fundação, refundava-lhe favores do poder político, Cavaco Silva, Francisco Balsemão, Sousa Franco, Morais Leitão, para que alterassem a legislação de 1975, do pacto MFA/Partidos, que estabelecia o princípio da irreversibilidade das nacionalizações. 98% da banca fora nacionalizada pelo decreto-lei nº 132-A/75 de 14 de março, só três bancos estrangeiros escaparam, a inexistência de mercado de capitais, só o Estado emitia obrigações, cortava o sonho de Santos Silva de bancar o banqueiro. Cavaco Silva, em 1980, por duas vezes lhe vagiu que abrir a banca à iniciativa privada “era um dossier muito sensível”. Até que a lei da delimitação dos setores público e privado, alterada por Cavaco Silva, abre uma luz para a sua Sociedade Portuguesa de Investimento (SPI). Pinto Balsemão, já primeiro-ministro, dirá sobre privatizar bancos: “dependerá bastante da regulamentação que, quando venha a ser promulgada a lei dos setores, que delimita os setores produtivos, da legislação complementar que regulamentará por parte do Governo a possibilidade de bancos privados, essa regulamentação vai ser uma regulamentação muito cuidada, porque nós, ao contrário do que temos vindo a ser acusados, não pretendemos de maneira nenhuma entregar este país a banqueiros, o Governo é o Governo, isto explica muito”. Em 1981, Morais Leitão, ministro das Finanças do VII Governo Constitucional, do primeiro-ministro Pinto Balsemão, (o ministro das Finanças do VIII Governo, também de Balsemão, será… João Salgueiro) amanteiga o quadro legal permitindo a constituição formal da SPI. No projeto SPI, em 1979, embarcou a fina-flor empresarial do norte, empreendedora de comprar Porsches e ter salários em atraso, num total de 16 empresas: Têxtil Manuel Gonçalves, Riopele, RAR, Quintas & Quintas, Corticeira Amorim, Coelima, Empresa Industrial de Santo Tirso, Somelos, Sogrape, o grupo Rola, Auto-Sueco, o grupo Pinto de Azevedo… No projeto SPI, os acionistas seriam empresas portuguesas assessoradas por know-how estrangeiro. Para tal, meteu-se Santos Silva num avião e foi apresentar o projeto à Internacional Finance Corporation (IFC), ligada ao Banco Mundial: “o empenhamento da IFC era vital, já que a instituição dispunha de uma enorme experiência em situações similares em países num estádio de desenvolvimento idêntico ao nosso, sem mercado de capitais e um nível elevado de estatização da economia”. A IFC aplaudiu-o e apresentou-o ao suíço UBS, o maior banco mundial de investimentos e aos especialistas ingleses de capital de risco da 3i. O amigo Ernâni Lopes, colega do curso de cadetes no Alfeite, embaixador em Bona, apresentou-lhe os alemães da DEG. E um amigo do Crédit Lyonnais apresentou-lhe o diretor-geral da instituição. Em 1985 a SPI, como estava subentendido desde a sua legalização, transforma-se no Banco Português de Investimento (BPI), o primeiro banco privado depois do 25 de abril. – No início da década de 80, a banquização de Portugal enrubesce, entrouxando elite empresarial e poder político num gang que afogará a economia, falindo o Estado em 2011. O Chase Manhattan Bank abre um escritório de representação em Portugal em 1980, diz o seu encarregado português: “o Governo quando precisar de alguma coisa, nós, eu estou cá em Lisboa precisamente para contactar com o Governo e com todas as entidades, empresas públicas e privadas, e com os bancos correspondentes”. O acionista do Chase, o 3º maior banco do mundo, David Rockfeller, de 75 anos, da fortuna Standard Oil, presidente do ramo americano da Comissão Trilateral, que quer controlar o mundo através das multinacionais, na ocasião, visitou Lisboa. A portaria nº 675/84 de 5 de setembro de 1984, assinada pelo primeiro-ministro Mário Soares e pelo ministro das Finanças e do Plano Ernâni Lopes autoriza a abertura da primeira sucursal do Chase Manhattan Bank.
[6] João Cravinho em 1980 concluía num conclusivo colóquio sobre a adesão de Portugal à CEE: “a ideia é fundamentalmente perceber que políticas industriais, que objetivos que, enfim, finalidades, se podem dar a um esforço coletivo, no sentido de prosseguir uma via de industrialização, que permita uma dupla tarefa: a inserção no mercado mundial, portanto o aumento do comércio mundial, mas também com o objetivo de melhorar o nível de vida das populações. Aliás, este último aspeto é que é o fundamental. (…). O alargamento da Comunidade de modo a incluir Portugal, a Espanha e a Grécia vem introduzir profundas alterações no padrão de comportamento da CEE, não só dentro da própria Comunidade, como nas suas relações com outros países. Portugal, a Espanha e a Grécia são países semi-industrializados e, naturalmente, há quem receie que a integração destes países na Comunidade Europeia possa alterar, possa dificultar, o acesso ao mercado da Comunidade de produtos industriais que são produzidos fora desta área, não é? portanto, esse foi um ponto que foi muito discutido e, enfim, não se chegou a uma conclusão definitiva. Apontaram-se razões que levam a considerar este receio não fundado, como se apontaram razões que levam a pensar que em alguns casos assim sucederá”.
[7] Menezes Pimentel, ministro da Justiça: “se o Carlos Antunes, refiro agora o nome dele, se recusar, como se recusou ao tratamento, é evidente que nós não temos, nós, administração penitenciária ou prisional, não tem qualquer possibilidade de o obrigar. Se o Carlos Antunes, contra a minha expetativa, e entrar em fase de inconsciência, será um problema que se terá então de resolver dentro da deontologia médica e da filosofia em geral do Direito”.
[8] Régis Debray é um caso de sucesso do sistema prisional. Em abril de 1967, desloca-se à Bolívia, como correspondente do semanário mexicano Sucessos e da editora Maspero, para transmitir informações sobre as frentes de guerrilha. É preso, acusado de colaboração com os guerrilheiros e condenado a 30 anos. É libertado em 1970. Debray apancado de marxista, será um homem recuperado, útil à sociedade, um leitor do tempo, um homem realista, de ir à costureira avessar a casaca. No seu livro “Depoimento dum preso político”: “o tempo político move-se mais depressa nos períodos de crise e estagna nos de regressão: aprendemos mais numa semana de revolução do que em dez anos de status quo, e assim sucessivamente. Mas se encararmos o tempo em termos do que é ou não do momento, como a adaptação de uma linha política à situação, veremos essa adaptação como consistindo na escolha do objetivo apropriado. A ciência dos objetivos é a ciência do que é relevante para o momento; o que ainda ontem era acertado tornou-se absolutamente errado hoje: reconhecer o que há de diferente no dia de hoje, em que aspeto hoje é igual a ontem, equivale a descobrir o que existe de especial no momento atual, identificar as caraterísticas únicas e distintas desse momento”.
[9] Uma regra de ouro está em falta na Constituição Portuguesa: a obrigatoriedade da vinda dos técnicos do FMI de 5 em 5 anos verificar as contas do Estado. Foi esta falha que permitiu a fuga de António Guterres, em vez de chamar o FMI, e a falência do Estado em 2011. Em 1981, Pinto Balsemão explica que o FMI é uma necessidade intrínseca da governação nacional: “a Carta de Intenções não é uma imposição do exterior aos portugueses. É antes uma opção feita por nós, por razões internas para beneficiar de créditos em boas condições”. Confirmada na televisão em 2012 pelo mais alto político da nação, Marques Mendes: “quem vai assessorar o Governo na elaboração do estudo para a reforma do Estado vão ser técnicos do FMI”. “Já chegaram esta semana a Portugal, já cá estão, já reuniram com os ministérios da Administração Interna e da Defesa e vão ser a assessoria técnica especializada no estudo e na definição do esqueleto e das medidas desta reforma”. Um corte de 4 mil milhões de euros na despesa do Estado, engordado por quatro décadas de má governação, repartidos: 500 milhões na Justiça, Defesa e Segurança; 3 500 milhões na Segurança Social, Saúde e Educação. “Isto significa uma redução de funcionários públicos da grandeza de dezenas de milhar”.

na sala de cinema

Desperately Seeking Susan” (1985), o melhor filme da década de 80; na banda sonora: “Into The Groove”: “Only when I'm dancing can I feel this free / At night I lock the doors where no one else can see / I'm tired of dancing here all by myself / Tonight I wanna dance with someone else // Get into the groove / Boy, you've got to prove / Your love to me, yeah / Get up on your feet / Yeah, step to the beat / Boy, what will it be?”. No elenco vários músicos: John Lurie dos Lounge Lizards, Richard Hell, Arto Lindsay dos DNA, Richard Edson baterista dos Sonic Youth, Ann Magnuson dos Bongwater, Annie Golden dos Shirts. Uma história citadina plausível: “uma entediada dona de casa suburbana, à procura de aventura na sua vida, é atingida acidentalmente na cabeça, desperta com amnésia e confundida com uma boémia de espírito livre nova-iorquina chamada Susan (Madonna)” [1]. Diálogos corriqueiros quotidianos: Roberta (Rosana Arquette): “Gary, lembras-te dos teus sonhos?”, Gary (Mark Blum): “não sei, nunca pensei nisso”. A moça dos cigarros no Magic Club (Ann Magnuson), no tabuleiro tem maços de Lucky Strike: “meu Deus, pensámos que morreste!”, Susan: “não. Estive em New Jersey”. Gary: “que trazes vestido?”, Roberta: “um casaco, era do Jimi Hendrix”, Gary: “compraste um casaco usado? Agora somos pobres? Que se passa?”. O taxista (Rockets Redglare): “toda a vida vivi em Nova Iorque. Tínhamos restaurantes chineses, italianos… agora, temos estes restaurantes de sushi. Todos querem sushi. Sushi… detesto. Se bem que experimentei há dias. Levei para casa, cozinhei… nem era mau. Sabia a peixe”. Leslie (Laurie Metcalf): “deves orgulhar-te de andares enrolado com a Becky Shuman”, Gary: “não sabia que sabias. E não andamos enrolados. Temos um caso perfeitamente respeitável!”. Roberta: “Dez, não sou a Susan. Sou uma dona de casa e vivo em Fort Lee, New Jersey. Sou casada há quatro anos. O meu marido, o Gary… vende banheiros e saunas”. Gary: “a Leslie disse-me que muitas prostitutas são lésbicas”, Roberta: “Gary, não estás a ouvir-me. Não sou prostituta nem lésbica!”, Gary: “vamos arranjar um terapeuta. O preço não importa”. Filme de baixo orçamento: “a Camel retirou o patrocínio de 5 000 dólares por causa da cena onde Dez diz a Roberta que ela 'deveria deixar de fumar'”, e altas roupas. Comédias de sexploitation dos anos 80: “Private Lessons” (1981), “Philip ‘Philly’ Fillmore (Eric Brown) é o filho de 15 anos de um homem de negócios rico de Albuquerque, que partiu da cidade numa prolongada viagem de verão, deixando o jovem ao cuidado de Nicole Mallow (Sylvia Kristel), uma voluptuosa governanta francesa, e Lester Lewis (Howard Hesseman), o motorista da família. Philly enrabicha-se por Nicole. Quando ela o apanha a espreitar para o seu quarto, diz-lhe para ele fechar a porta. Para choque total de Philly, ela quer dizer para fechar a porta do lado de dentro e vê-la a despir-se. Contudo, é demais para ele quando uma Nicole sem soutien lhe pede que a toque nos seios. Quando ele protesta, ela recua e contrariando tira a roupa interior. Philly entra em pânico e foge”. Filmagem driblada por questões legais: “enquanto a maior parte do filme foi rodado em Phoenix, Arizona, a produção teve de atravessar a fronteira para o Novo México, para filmar as cenas de amor, porque a idade de consentimento no Arizona é de 18 anos e no Novo México é 16”. “Fraternity Vacation” (1985), “um totó ganha a amizade de dois dos seus colegas de fraternidade quando o seu pai lhes oferece o apartamento, por uma semana, em Palm Springs, e também oferece à fraternidade uma banheira de hidromassagem e jacuzi, se eles ajudarem o filho a enganchar uma moça”. “Private Resort” (1985), “Jack (Johnny Depp) e Ben (Rob Morrow), amigos adolescentes, que estão na caça sexual de raparigas bonitas e ricas num resort chique de Miami, onde são hospedes de fim-de-semana”. “Hot Times at Montclair High” (1989), “Sean (Ross Hamilton) é um atleta popular que luta para manter as notas altas para ficar na equipa da escola. A namorada de Sean, Jenny (Kim Valentine), luta com a sua extrovertida amiga Susan (Leslie Owen) que a misturou na vida de drogas e devassidão da banda rock local. Ziggy (Johnathan Gorman) é um marrão finalista que tenta encontrar a mulher certa para estar apesar da sua falta de aptidões sociais. Jason (Brent Jasmer) é um punk duro e mau rapaz residente que luta para sobreviver e descarrega a sua agressividade nos outros para fugir da sua abusiva vida em casa”.
__________________________________
[1] No início da década de 80, uma desconhecida Madonna fez um teste vocal para a faixa dos Was (Not Was), “Shake Your Head (Let's Go To Bed)”, do álbum de 1983 “Born To Laugh At Tornadoes”, com a voz principal de Ozzy Osbourne. A etiqueta de Madonna, Sire Records, não autorizou e ela foi excluída na versão final. Em 1992, o produtor de house music Steve “Silk” Hurley regrava e remistura a faixa, com a ideia de usar as gravações de Madonna e regravar a voz de Ozzy Osbourne. Madonna desta vez recusou a autorização e foi substituída por Kim Basinger. No entanto, a faixa com Madonna emergiu em várias compilações. No século XXI, uma protetora da Cabala e das criancinhas do Malawi. “I Am Because We Are” (2012), filme escrito, produzido, narrado por Madonna e realizado pelo seu antigo jardineiro Nathan Rissman: “o filme usa a sicofanta celebridade de Harvard, Jeffrey Sachs, e um número de funcionários do governo do Malawi e mistura-os com pessoal e filosofia da Cabala. Até Bill Clinton é atirado lá para dentro. O resultado é que todas essas pessoas parecem implicitamente patrocinar a Cabala. O que Madonna e Rissman convenientemente deixam de fora de ‘I Am’ é que SFK, uma filosofia adotada pelos malawianos no filme, significa Spiruality For Kids, que é o currículo ensinado pelo Centro de Cabala Philip Berg em Los Angeles. O Centro de Cabala não tem nada a ver com o judaísmo. É um processo totalmente original concebido por Berg e a esposa, Karen. Alguns podem dizer que é um esquema de pirâmide. No mínimo, é um culto. (…). É um pouco chocante, depois de ver toda a pobreza e doenças que lhes tem sido impostas, ouvir as crianças do Malawi, em seguida, recitar a máxima da Cabala/SFK que eles próprios ‘são responsáveis pelas suas escolhas’ e que ‘as suas ações podem influenciar positivamente a qualidade das suas vidas’. É a moral do filme de Madonna: subam pelas vossas próprias iniciativas?”. E tem uma filha que fuma.

no aparelho de televisão

Publicidade. “Conan, um rapaz do futuro” (1978), estreou na RTP 2 em 1982. Série de anime produzida pela Nippon Animation, adaptada do livro de ficção científica “The Incredible Tide” de Alexander Key. “A história começa em julho de 2008, durante uma era em que a humanidade enfrenta a ameaça de extinção. Uma guerra devastadora travada entre duas grandes nações com armas ultra-magnéticas, muito mais poderosas do que qualquer coisa vista antes, traz o caos total e destruição por todo o lado, resultando em vários terramotos e maremotos, a Terra deslocada do seu eixo, a sua crosta abalada por enormes movimentos, e os cinco continentes sendo completamente rasgados e afundando-se nas profundezas do oceano. “Os Estrumpfes” (1981-89), vivem na floresta em casas com forma de cogumelo e a sua rotina diária é acautelar-se de Gargamel. “Nos arredores da aldeia dos Estrumpfes, vive o feiticeiro e alquimista Gargamel e seu gato Cruel. O feiticeiro persegue os Estrumpfes. Inicialmente, Gargamel queria apenas comer os Estrumpfes, mais tarde descobriu uma fórmula para obter ouro que precisava de Estrumpfes como ingrediente (no mínimo seis), mas depois de repetidos falhanços, a simples possibilidade de vingança é motivação suficiente”. Em 2011, a Columbia TriStar Warner impôs aos povos subdesenvolvidos europeus, consumidores de cultura americana, a renomeação dos engraçados bonecos para Smurfs, numa americanização estandardizada do produto (original do belga Peyo). Excluíram da ordem: a França e a Bélgica, Les Schtroumpfs; a Espanha, Los Pitufos; a Itália, I Puffi. “Heathcliff e Marmaduke” (1981), estreou na RTP em 1985. Personagens de BD criados, Heathcliff, por George Gateley e Marmaduke por Brad Anderson: Heathcliff era um gato com atitude, vivia com Iggy e os seus avós e infernizava a vida aos cães locais, especialmente Spike; Marmaduke era um cão com sentimentos, viva com a família Winslow, desastrado, só atraía problemas. “Lucky Luke” (1983), estreou na RTP em 1987. O cowboy solitário, o cavalo Jolly Jumper, o cão Rantanplan, percorrem o oeste salvando órfãos, viúvas, bancos, criadores de carneiros.... Lucky Luke fumava de enrola e Morris, para entrar no mercado americano, foi forçado a substituir o cigarro por uma palha, desistindo da sua resposta de sempre: “o cigarro faz parte do perfil do personagem, como o cachimbo de Popeye ou Maigret”. Terence Hill dirigiu e interpretou o filme “Lucky Luke” (1991). “Defensores da Terra” (1986-87), estreou na RTP em 1988. Flash Gordon, o Fantasma, Mandrake e Lothar e os seus filhos, Richard “Rick” Gordon (Flash Gordon), Jedda Walker (Fantasma), Kshin (filho adoptivo de Mandrake) e Lothar “LJ” Junior (Lothar) defendem a Terra dos planos do imperador Ming do planeta Mongo. “Denver, o último dinossauro” (1988-89), estreou na RTP em 1989. Um grupo multicultural de quatros adolescentes, praticantes de BMX, Jeremias, Hugo, Mário e Chico, caem num terreno sobre um ovo de dinossauro, um Corythosaurus, que eclode. Eles escondem-no na casa de Hugo para o proteger da cobiça do promotor de concertos Morton Fizzback.

na aparelhagem stereo

Vidal Sassoon (1928-2012), desde os anos 60 que revolucionava os penteados nas cabeças femininas em muitos estilos: “asymmetrical bob”, “pixie cut”, “inverted bob”, “five-point bob”, “box bob”, “quiff bob”, “long bob”, “acute angle”: “a minha ideia era cortar forma no cabelo, para usá-lo como tecido e tirar tudo o que era supérfluo”, inspirava-se ele na escola Bauhaus: “quando vi a arquitetura, a estrutura dos edifícios que estavam a ser construídos no mundo, vê-se um aspeto totalmente diferente, na forma”. “Vidal Sassoon: The Movie” (2010): “Vidal Sassoon é mais do que apenas um cabeleireiro, ele é uma estrela rock, um artista, um artesão que ‘mudou o mundo com um par de tesouras’. Com os penteados geométricos inspirados na Bauhaus ele foi pioneiro nos anos 60, e a sua filosofia ‘lavar e usar’ que libertou gerações de mulheres da tirania do salão, Sassoon revolucionou a arte do penteado e deixou uma marca indelével na cultura popular”. Laura Kitty, historiadora de moda: “ele realmente conseguiu explorar a ideia de anseio por produtos do mercado de massas para cabelo. Era como se você estivesse a comprar um corte de cabelo no seu salão”, os seus produtos entusiasmam até carecas como Andy Warholanúncio: “obrigado, Vidal!” ▫ 1988anúncio, JapãoCarol Alt. “O seu champô dois em um combinado e amaciador Wash & Go (lançado em 1986) ‘foi o produto de cabelo mais vendido nos anos 80, diz Sali Hughes, colunista do Guardian”. Com o Wash & Go a revolução aterrou nas cabeças masculinas, na zona capilar liberta os cabelos, 1 cm abaixo, no cérebro, desaferrolha o desejo pela linha Vidal Sassoon: os homens também sassooning: champô + hidratante + enxaguante (três frascos separados: Shampoo + Hair Re-Moisturizer + Finishing Rinse). E as emaranhadas, baças, espigadas gadelhas dos anos 60, a trunfa, escoam-se no ralo do chuveiro e do duche reaparece um homem novo nos anos 80, de belas melenas, tamanho, volume, brilho, soltura, muitos, para esguedelharem no hard rock:
Mari Hamada ► “Xanadu” (1984) ► “Come and Go” (1986) ► “Nostalgia” (1990) ♫ Quiet Riot ► “Bang Your Head” (1984) ♫ Mötley Crüe ► “Home Sweet Home” (1985) ♫ Vow Wow ► “Rock Me Now” (1988) ♫ Ratt ► “Lay It Down” (1985) ♫ Cinderella ► “Shake Me” (1986) ♫ TNT ► “Everyone’s a Star” (1987) ♫ White Lion ► “Wait” ♫ Poison ► “Nothing But A Good Time” (1988) ♫ KixBlow My Fuse” (1988) ♫ Skid Row ► “Youth Gone Wild” (1989) ► "I Remember You" (1989) XYL ► “Inside Out” (1989) Warrant ► “Heaven” (1989) ♫ Vain ► “Shouldn’t Cry” (1989) ♫ Slaughter ► “Fly To The Angels” (1990) ♫ House of Lords ► “Can’t Find My Way Home” (1990) ♫ Steelheart ► “She’s Gone” (1991) ♫  Shadow King ► “Danger In The Dance Of Love” (1991) ♫ Tyketto ► “Wings” (1991) ♫ 21 Guns ► “Knee Deep” (1992) ♫ Firehouse ► “Reach For The Sky” (1992).

43 Comments:

  • At 11:22 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Isto do HTML tem cada birra, tive que excluir uma linha para que ele me aceitasse o post todo, ou ficava só pelos primeiros parágrafos, são os sábios sinais informáticos que sabem sempre mais do que nós. (Estava a ver que não conseguia publicar esta coisa e não consegui perceber o erro).

    A grande revolução do hard rock nos anos 80 foi feita pelo Vidal Sassoon, os cabelos ficaram extraordinários.

     
  • At 12:48 da tarde, Blogger São said…

    Se deitava as mãos à cabeça e queria emigrar, pois agora estamos bem pior...e como a economia europeia( talvez até a global) está muito mal, nem para fugir daqui dá!

    Um abraço, com muita chuva

     
  • At 2:40 da tarde, Blogger Tétisq said…

    "Disponibilizar 1,1 metro a cada aluno" não era uma má idei recuperar e fazer lei novamente...este ano estive 3 semanas a ter aulas num pequeno auditório da FLUC, abarrotado e com dezenas de alunos sentados no chão...a falta de dinheiro obrigou a juntar turmas e poupar um professr...

     
  • At 9:12 da tarde, Blogger Il castello del sogno said…

    Não sei se já te falei disto, mas a primeira vez que fui ao cinema foi para ver um filme do João Broncas, um amigo meu gostava muito do João Broncas e fomos todos à cidade ver. Não achei piada nenhuma ao filme, deve ser por isso que em toda a minha vida só fui mais 4 ou 5 vezes ao cinema.

     
  • At 11:06 da tarde, Blogger Il castello del sogno said…

    Carais, o comentário anterior dá-me mesmo uma sensação de deja vu, eu já fiz um comentário igual aqui. Não bebo mais sumol de ananâs.

     
  • At 10:00 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: ainda bem que Cavaco não emigrou, a cultura nacional perderia muito, é verdade que outro o substituiria tão bem ou melhor, nisso de dar coisas ao mundo, e de gerar dirigentes detrás da orelha, os portugueses são imbatíveis.

    De facto choveu a potes, que chova tudo este ano, que a partir do ano que vem não há dinheiro para guarda chuvas, e estamos muito bem, Portugal tem que cortar nas prestações sociais 4 mil milhões, a Irlanda tem que corta 10 mil milhões em três anos, a Grécia também deve ser número chorudo.

    Volto sempre à minha campanha eleitoral. Nas eleições autárquicas, devemos verificar quais os autarcas que criaram dívidas enormes nos municípios e votar neles, premiando-os, os prémios não devem ser só para os políticos peixe graúdo. Moita Flores vai concorrer em Oeiras, acho que ele fez boa dívida em Santarém, os eleitores nem deviam pensar, deviam ser unânimes no voto.

     
  • At 10:01 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Tétisq: é o engenho português a funcionar. Naquela altura, atafulhava-se as salas por excesso de crianças, e também por falta de dinheiro, agora as crianças são poucas e o dinheiro ainda menos. Para o ano que vem vão ter que poupar em dois professores, o melhor era dar as aulas numa praça. O campus universitário em Lisboa tem aquele belo relvado que daria para meter as turmas todas até ao Campo Grande.

     
  • At 10:01 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Il castello del sogno: não me parece que seja comentário repetido. Eu nunca o li e já nem me lembrava do João Broncas, é dos anos 80, vou já anotar para escrever sobre ele. Já escrevi sobre o Gelado de limão, num dos posts que tenho para aqui no computas. Quem me dera poder dizer que nunca entrei num cinema, seria uma declaração feita com muito orgulho, como o faço sobre o teatro (apesar de ter ido a 2 peças e ter visto outras dos bastidores, mas aí não é teatro é vida, e até se pode sair com uma atriz). Em tempos passava os dias nas salas de cinema, chegava a sair de uma e entrar noutra.

     
  • At 2:47 da tarde, Blogger São said…

    Ah, sim ? Fez dívida? Então , está eleito! O PSD até diz que Menezes é o candidato ideal!!

    Beijinhos

     
  • At 1:54 da tarde, Blogger José said…

    A crise na Europa já era, Agora com o dinheiro do prémio que a Europa recebeu, dá para pagar as dívidas de todos os países endividados e ainda sobra algum para o Barroso. O grande obreiro desta Europa da desgraça, desde que ele foi aquela cimeira lá nos Açores, com o Bucho, Asnar, e Bler, parece que tomou redebul, ganhou asas e voou daqui para fora logo. E desde aí a Europa tem vindo sempre a dar passos para trás.
    Um abraço,
    José.

     
  • At 4:33 da tarde, Blogger Mariazita said…

    Hoje venho convidar-te a visitar o meu blog
    HISTÓRIAS DE ENCANTAR
    , onde, excepcionalmente, acabo de publicar um post.
    Desde já fico muito grata.
    Beijinhos

    PS - No próximo dia 14 haverá post novo em A CASA DA MARIQUINHAS

     
  • At 8:44 da tarde, Blogger Il castello del sogno said…

    Táxi, olha isto:

    http://santa-nostalgia.blogspot.pt/2009/02/anos-70-programacao-rtp-ii.html

     
  • At 10:37 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: não percebi bem a história do Porto, querem juntar Gaia e Porto? parece que Gaia tem umas contitas para pagar, juntar as duas cidades dividiria a dívida por todos, tenho uma certa curiosidade em saber se os munícipes tripeiros aceitarão (devem aceitar, pois também por lá a grande responsável por isto é a Merkel).

    Temos orçamento, o presidente herbívoro promulga, parece-me, com dúvidas. Isso pouco interessará, pois já todos perceberam no que aí vem. Tal como este ano, que governo e papagaios televisivos, vieram culpar o chumbo dos cortes dos subsídios pelo Tribunal Constitucional, pelo naplam fiscal de 2013 (mesmo sem cortes o naplam teria que ser lançado). No ano que vem veremos coisa semelhante. O orçamento no tribunal, se chumbado, daria muito jeito para culpar aquilo que todos já viram que vai suceder. O Governo fala no célebre corte de 4 mil milhões, toda a gente percebeu que as pensões vão levar um corte colossal – na Roménia, creio, foi de 65%, na Grécia não sei, mas não será pouco – 4 mil milhões é para rir, enganar tolos, não assustar o eleitorado, no fundo há eleições para vencer, por muito que elas se lixem. Pelas minhas contas o corte será de pelo menos 10 mil milhões.

    Ainda não percebi como saímos disto sem moeda própria, nem metendo na cadeia todos os políticos responsáveis pela entrada numa moeda desadequada ao país (e que depois não souberam, nem poderiam saber, governar, pois o drama nacional é a incompetência, apesar da propaganda oficial de portugueses de sucesso no estrangeiro).

     
  • At 10:40 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    José: o Hollande na cerimónia de entrega do prémio veio dizer que a crise estava resolvida, é um grande político, fala e já está. A Europa não vai acabar nada bem. Aliás, Europa nunca existiu, o que existe são povos que não se toleram uns aos outros, e os dirigentes andam cheios de medinho que haja uma guerra, não falam noutra coisa. Ora, para não haver guerras, é fazer como a monarquia, casarem os filhos entre si para cimentarem alianças, não é dar tacho a Durão Barroso.

     
  • At 10:40 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Mariazita: tenho que dar uma saltada, nestes tempos o tempo não atempa tempos. Mas arranjarei um intervalo no tempo para visitar.

     
  • At 10:40 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Il castello del sogno: alguém se deu ao trabalho de postar a programação da RTP? Isso seria um centro de informação muito importante, só comecei a ver TV lá para os finais de 80, fui para um país sem tais caixas, e quando voltei a Lisboa, não era essa a minha prioridade, estava-me perfeitamente nas tintas. Não sabia do potencial cómico da classe política.

     
  • At 10:36 da tarde, Blogger São said…

    Não querem juntar Porto e Gaia .Menezes é candidato ao Poro e a Gaia não sei quem é.


    Quanto à tua análise só tenho a dizer que concordo totalmente.

    mas receio que tudo isto acabe em conflito armadao, dado que o Nobel da Paz foi a título preventivo, naa melhor das hipóteses; ou a título póstumo , na pior.

    Fica bem


     
  • At 3:15 da tarde, Blogger Rafeiro Perfumado said…

    Sabes qual era a alcunha do Cavaco Silva na faculdade? O cão, por causa de se babar quando falava. Isso foi antes das aulas de dicção e de ter trocado o seu mini por um BMW.

     
  • At 4:02 da manhã, Blogger Loy said…

    alo
    que voce ainda tem o pratinhos!
    bom saber

     
  • At 10:06 da tarde, Blogger e o império das moscas desceu sobre nós...olá moscas said…

    por trás é que se faz o camiño?
    sei não isso de fazer caminho à canzana só victorinos d'austriA e salazares com cerejeira on top...
    adepois dizem queram muito machões e era só gajas

    a publicidade sei não e xanadu sem xanax?

    vou nessa não é muito retro...

    claro é por traz agente pecebe...

     
  • At 10:09 da tarde, Blogger e o império das moscas desceu sobre nós...olá moscas said…

    quanto ao vidal sasson sasssoon ou como ele se chama ou chamava é perfeitamente falso

    as cabeleiras são produto das lacas e mousses da plastic age...

    é tudo derivado di pitroil

    e o tal vidal foi feito por uma destilaria por acaso?

     
  • At 7:30 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: há muito tempo que se fala em juntar as duas cidades, claro que isso significa menos tachos para distribuir entre os militantes de partidos, é possível que nunca suceda. Basta ver as freguesias, e nem é tacho por aí além, mas há sempre o prestígio, a ocupação do tempo livre, e o doce aos que estão mais abaixo na pirâmide partidária (nem todos podem chegar a ministro ou sequer deputado).

    Li uma notícia muito gira: um em cada 4 sem-abrigo na Grécia tem título universitário. Tanto lá como cá, as universidades sempre serviram para formar burros, uns com sorte vão para os lugares quentes, os outros tapam-se com cartões.

     
  • At 7:31 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Rafeiro Perfumado: e devia ser um cãozinho bem ensinado, devia ir buscar os ossos todos.

     
  • At 7:31 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Loy: você tem andado desaparecida.

     
  • At 7:31 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    e o império das moscas desceu sobre nós...olá moscas: a posição normal lusa é de quatro patas, e sim, é verdade, mentem muito e dizem que é só gajas.

    A meados da década de 80 os cabelos dos machos mudaram muito não sei se foi só laca ou outro produto natural ou artificial.

     
  • At 11:55 da manhã, Blogger Panurgo said…

    Feliz Natal, Táxi.

    http://www.youtube.com/watch?v=5SQhGQI1b1Y

     
  • At 7:40 da tarde, Blogger José said…

    Feliz dia 25 de Dezembro, e uma boa semana.

    Abraço,

    José.

     
  • At 2:52 da manhã, Blogger Correia said…

    FELIZ NATAL!!!

     
  • At 3:04 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Panurgo: epá! a Nana é o que toda a árvore de Natal precisa.

     
  • At 3:05 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    José: este ano ainda há dia 25, temos que aproveitar.

     
  • At 3:06 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Correia: terá que ser em duodécimos.

     
  • At 10:49 da manhã, Blogger Mariazita said…

    Agradeço e retribuo votos de Feliz Natal.
    Que o 2013 NOS seja mais favorável.

    Beijinhos

     
  • At 11:00 da manhã, Blogger São said…

    Parece que aqui , ontem foi noticiado, "centenas de sem-abrigo foram matar a fome ao Metro".

    Passos e companhoa bem podem orgulhar-se de estarem a conseguir aquilo que quem lhe paga lhe oredenou: a destruição do país em todas as áreas!

    Através do discurso sórdido que Passos - e já completamente despassarado -fez aos jotinhas e da resposta que deu no Parlamento, fiquei a saber que sou rica, privilegiada e não tenho direito à reforma que aufiro!

    O mai grave é que , segundo a lógica da criatura"todos os ajustamentos são dolorosos" , e portanto as crianças também não têm direito a serem alimentadas convenientemente!

    E é assim que Portugal caminha no rasto da Grécia...

    Que o teu Natal tenha paz e que 2013 não seja a trag+edia que se adivinha, meu amigo!

     
  • At 12:40 da tarde, Blogger {anita} said…

    Feliz Natal, Taxi! tudo de bom :)*

     
  • At 7:56 da tarde, Blogger Jose Torres said…

    Caríssimo

    É tarde mas ainda não chegou o pai natal ou lá como se chama, porque a chama do presépio, o aquecimento natural, pelo burro e pela vaca, foi-se. Nunca existiram animais assim. Talvez pelo Vaticano venham a descobrir que afinal, não havia menino nenhum, porque numa manjedoura... só mesmo os nossos políticos.
    Bem, espero que venha o duodécimo, ou será décimo premiado? Se for temos que jogar noutro qualquer país que não neste ou Espanha.
    20% vão para os bolsos do Untuoso (Relvas) e sus muchachos já a partir de 1 de Janeiro. Não sou grande jogador, mas arrisco-me a que me saem, por exemplo "sem" milhões. Como o prémio é metade do arrecadado pela entidade organizadora, não chega..., neste caso ainda delapidam mais 20 milhões.
    Com tantos milhões, vou tentar passar pelo estreito umas lascas, (de bacalhau, bem entendido), com o acompanhamento de circunstância.
    Olhe, depois de tanta conversa, um BOM NATAL e um 2013 como o Passos Coelho anseia (um estado de subserviência para a subsistência.
    Cumprimentos.

     
  • At 3:41 da manhã, Anonymous oquemevierarealgana said…

    ... E fazem no por kk preço. Foram premonitórios, os uhf. Feliz natal p todos

     
  • At 7:24 da tarde, Anonymous petrodólar criador de bolha inflaccionária said…

    um duodécimo só...

    1º Conan o homem do futuro ...ou o rapaz do futuro não apareceu en 1983

    apareceu em Dezembro de 1982 na RTP2 e foi repetida nos meses de setembro ou outubro de 1983

    e perdurou após as cheias de novembro

    houve duas versões inclusive
    uma legendada e outra dobrada

    lembro-me disse porque aprendi ai sim ojita avô plastico e mil outras paroles parolas nessas japo nojices...

    um bilhete natal i cio inteiro pra bossemecê em duodecimus ou em decimus de duos ou trios ode miras

     
  • At 6:36 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Mariazita: ai 2013, 2013, será mais História a ser feita.

     
  • At 6:38 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: há anos que se houve falar em reformas estruturais, mas ninguém tem coragem de dizer abertamente o que isso significa, não significa vender os negócios rentáveis do país e chamar-lhe captação de investimento estrangeiro, nem controlar a balança de pagamentos porque isso seja um paraíso económico. Reformas estruturais significa apenas reduzir as pensões, que são insustentáveis, porque os governantes viram os descontos como um dinheirito que se pode usar para desenrascar noutras zonas que não pensões. A converseta de Passos não era canelada no Cavaco nem naqueles que disse o papagaio Marcelo, é preparação do terreno para o que aí vem, em Fevereiro sabe-se uma parte da missa, porque continuam a mentir com o valor de 4 mil milhões e depois virá outra conversa: que não deu, que os mercados, que a tia, que compreenderam mal, que o governo nunca disse 4 mil milhões, isso foram os jornais que deduziram, e lá se desbroncam que será necessário cortar ainda mais.

    E isto será muito grave porque são as pensões dos avós que estão a aguentar muitas famílias.

     
  • At 6:38 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    {anita}: são também os meus votos.

     
  • At 6:39 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Jose Torres: estamos rodeados. Ou percebi mal, porque não vi a notícia desde o princípio, ou também em Espanha o Estado vai ficam com 20% dos prémios. A Europa avança mais um passo como o faz desde os anos 70, aumentar impostos para adiar problemas.

     
  • At 6:39 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    oquemevierarealgana: e nós passamos de cavalos a burros de corrida.

     
  • At 6:40 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    petrodólar criador de bolha inflaccionária: muito obrigado pela informação do Conan, de facto não fui confirmar, acreditei no que li, tenho que fazer uma atualização para corrigir.

     

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