Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

terça-feira, janeiro 03, 2012


De cassetete conoidal e lubrificado 

Parte V

Jactou-se, num pasmo turbo, a indústria jornalística, sobre a sagacidade de seus colegas na redação da revista Time ao sortearem “o manifestante” como “personalidade do ano” [1]. Que perspicácia! Digitaram outra vez na tecla certa dos tempos! Que jornalistas tão atentos! exclamou-se sem um ponto de interrogação. Se se interrogassem, afinal, há uma outra figura coletiva muito mais merecedora de triunfantes trompas: “os líderes mundiais” [2]. Alguns são a riqueza andante [3]. Outros tais, como Paulo Portas ou o presidente Báráque, seu caminhar luz: “You are my sun in the darkness of the night” (Unsun) [4]. E… Durão Barroso, e lida, e foça, e sua, e bola, o faroleiro da Europa, por direito próprio da sua bagageira histórica “once guided sailors in the past” (Tears of Magdalena) [5]. Nesta multidão de estupendos líderes, vota e prospera, na sua preferida postura, o eleitor: “Bück Dich” (= “curva-te”: “Um bípede de quatro / Eu levo-o a passear”, Rammstein). Todos eles, mesmo o povo de quatro, têm um amigo comum: o bófia [6].
A crowded world / Hopeless and greedy” (Factory of Dreams), superlotado de populaça “sem esperança e gananciosa”, que aferrará mal-agradecida os que por seu bem estão nos palácios do Governo. Por isso, as forças de segurança são intocáveis, dão-se-lhe privilégios, não se tira [7]. O presidente do Equador, Rafael Correa, ignorou esta verdade em 2010, e nas ruas de Quito incendiaram-se pneus, “os polícias e também alguns militares do Equador contestavam uma nova lei que reduz incentivos e bonificações profissionais”. Correa dirige-se ao Regimento de Quito para dialogar com os amotinados, fanfarrão: “se querem matar o presidente, aqui está ele! Matem-me, se têm valor”. Atiram-lhe gás lacrimogéneo e ele refugiou-se no hospital. Os seus apoiantes descem as ruas com paus, bandeiras e palavras de ordem: “une-te povo! O povo unido jamais será vencido! Aqui está o povo!”. “A ministra das Obras Públicas, María de los Ángeles Duarte, uma das manifestantes, descreveu: ‘Estamos aqui em luta pela democracia, defendendo o presidente de todos os equatorianos, resgatando-o, viemos de Quito e dos arredores, e estão a lançar-nos gás lacrimogéneo, aos ministros, às senhoras, às crianças’”. Uma algazarra escusável.
Num país europeu, no único cujo povo “torce os quadris / bombeia o punho” [8] e cujo acto eleitoral transcende a melhor escolha, é uma cerimonia litúrgica de consagração dos líderes, segundo as regras de Frank Martin (em “Tranporter 1” (2002): “um acordo é um acordo, primeira regra”; “segunda regra: sem nomes”; “terceira regra nunca abras o pacote”), nesse país de sobreiro e pessegueiro, o eleitor venera o acordo cego que carimbou na urna com o candidato de seus amores, calmo, acardumando: “I'm just a pawn to lose, disposable” (ReVamp). Este sentimento de peão é louvado pelos líderes e, ao resguardo de cenas equatorianas [9], dulcificam as polícias, afofam-lhes uma imagem de gato ioga. Décadas de propaganda amigável e alterações no fardamento, para um toque sexy, com um erótico cinto, fantasiando-se alcaiotismo de sex shop, avassalou a população feminina e masculina, e o polícia é mais amado que um bispo. E some-se o facto de todo o espaço estar policiado, as últimas zonas livres foram os concertos de música [10], nem um ilícito se perpetraria numa festa da véspera de ano novo 2012, sob jurisdição da polícia portuguesa (não nesta, no Havai, no Mala Restaurant, Wailea, Maui, Steven Tyler, Alice Cooper, Weird Al).
O primeiro-ministro desentroixou uma ideia para o país, chamou-lhe democratização da economia: “colocar as pessoas, as pessoas comuns com as suas atividades, com os seus projetos, com os seus sonhos, no centro da transformação do país”. Como se cavalga este salvador Pégaso? quando o Estado esvurma a população da maior fatia dos seus rendimentos e o ministro das Finanças destrambelha umas frases sem sentido, que ao ouvido dos sábios zune como… sabedoria [11]. Só há uma solução para um Estado em vias de minguamento: maior controlo, melhor policiamento, que o ministro Miguel Macedo acorçoa no “enlencanço” de ideias entre os seus homens [12]. Em Braga, “partiram o vidro do lado do ‘pendura’ mas não roubaram rigorosamente nada”, são as primeiras bananas amadurecidas deste cacho do ministro para “modernaçar” o país como o castelo do Pai Natal em “Santa Claus vs. The Devil[13].
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[1] A indústria jornalística é um veículo de transmissão de ciência e estudos como o da Deloitte: “portugueses pensam gastar mais que os alemães no Natal”. – O trabalho criativo para as manchetes sobre o Occupy Wall Street nas redações das várias publicações.
[2] Na 14ª cimeira decisiva dos europeus, Nicolas Sarkozy temia o regresso das velhas humilhações francesas no campo de batalha: “a esses 70 anos de guerra seguiram-se 70 anos de paz, em grande parte graças à Europa. A questão para a chanceler Merkel, tal como para mim, é querermos que os próximos 70 anos sejam de paz. Para a paz é preciso que a França e a Alemanha entrem em convergência, que se entendam, trabalhem juntas, assumam compromissos juntas, se adicionem. A primeira economia da Europa e a segunda economia da Europa. Não temos alternativa”. David Cameron, na mesma cimeira, enobrecia-se para os seus amigos na City: “os interesses da Grã-Bretanha na União Europeia, a manutenção da abertura dos mercados, o comércio livre, a venda dos nossos bens e serviços, com regras em que temos algo importante a dizer, todo isso está protegido e não muda. Mas esta nova ronda de integração, poderes especiais e entrega de soberania para os países europeus e outros que se queiram juntar ao euro, serão levados a cabo fora do Tratado da União Europeia”.
[3] No top, com 30 mil milhões de dólares, está Bhumibol Adulyadej, o rei da Tailândia, um semideus para o seu povo, legalmente “inviolável”. Qualquer um, nacional ou estrangeiro, que lhe teça palavras menos elogiosas, apodrece na cadeia. Suspeita-se que Putin lhe ultrapassa com 40 mil milhões.
[4] O Presidente Báráque não desilude: aumentou a deportação dos emigrantes ilegais “para pôr as nossas leis nacionais efetivamente a funcionar”. Quando a UNESCO pregou a partida do Estado palestiniano, cancela os 70 milhões da contribuição dos Estados Unidos para a organização. Portugal, país falido, absteve-se, com uma justificação racional de Paulo Portas, o ministro dos Negócios Estrangeiros que roubou o recorde a Phileas Fogg, deu duas voltas ao mundo e visitou 14 países em 152 dias: “Portugal demarca-se completamente dos países que votaram contra, pela simples razão de que Portugal sempre disse, que a Palestina tem direito ao seu Estado. Ainda não estão reunidas todas as condições para votar a favor, porque também dissemos, em homenagem à verdade, e ao realismo, que esse reconhecimento do Estado da Palestina deve estar ligado a negociações de paz no Médio Oriente para que a Palestina e Israel possam viver lado a lado como dois Estados soberanos em liberdade. Mas ainda não houve um sinal forte em matéria de negociações de paz”. Resposta dos judeus ao novo "Estado" da Palestina: mais colonatos.
[5] Durão Barroso é tão europeu que resvala para o americano: “e queria terminar citando alguém que nos deixou há muito poucos dias, Vaclav Havel. E que fez precisamente uma referência semelhante. Dizia ele precisamente antes da entrada do seu país na Comunidade Europeia, ele que lutou muito para essa entrada, dizia ele: ‘o mundo entra no novo milénio enfrentando ameaças e desafios sem precedentes, a ideia da Europa como uma comunidade de paz, estabilidade e prosperidade, significa, não apenas uma oportunidade histórica para os europeus, mas também uma razão de esperança para muitos por todo o mundo. Precisamos de Europa na Europa, mas o mundo também precisa de uma Europa mais forte’, e estou convencido que consideremos fazê-lo, assim honrando a memória dos nossos grandes pais fundadores”.
[6] Miguel Macedo ministro da Administração Interna: “determinamos o aprofundamento imediato dessa cooperação através da criação de mais equipas mistas no terreno, que já estão no terreno, a monitorizar e cooperar para fazer face às situações de criminalidade que temos verificado. Quero nesta circunstância dar um sinal de tranquilidade e de confiança absoluta nas forças de segurança, na Polícia Judiciária, no trabalho que tem desenvolvido. Estes factos criminosos, os factos criminosos, não ficarão sem resposta, e uma resposta competente de todos aqueles que todos os dias trabalham para assegurar a tranquilidade pública e é essa a mensagem que nós queremos transmitir”; (o jornalista: o governo está alarmado?) “não, não estamos, não estamos alarmados, estamos a rever no fim dum ano o conjunto de mecanismos legais e operacionais que existem de cooperação entre forças de segurança, a Polícia Judiciária, todas as entidades envolvidas, o sr. secretário-geral do Sistema de Segurança Interna  também esteve presente nesta reunião a fazer um ponto da situação e a enlencar um conjunto de medidas que podem resultar em futuras, proximamente, em futuras alterações legislativas”.
[7] O maior génio português em todos os assuntos, e policiais também, Ângelo Correia: “há uma polícia que é de ordem pública. Há uma polícia que é de investigação. Há outra que se ocupa do território. Há outra que se ocupa de estrangeiros. Isso é inquestionável e mantém-se. Mas tem que ter maior osmose, aquilo que uma sabe transmite à outra, de modo que, num organismo central, e o organismo central é o CIC, eu defendo é o CIC, ou seja, o Centro de Investigação da Judiciária, onde deve ir tudo parar de informação de todas as polícias. A informação é trabalhada, é burilada, a análise é feita, há um outcome que depois é transmitido, de acordo com princípios de proporcionalidade de hierarquia e de interesse, a todas as polícias”.
[8] Na série “Shake it Up”: “I twist my hips (watch me) / I pump my fist (watch me) / I move like this (watch me) / Whirl (watch me) / I pout my lips (watch me) / I swerve and dip (watch me) / I slide and switch (watch me)”. Cecilia “Cece” Jones (Bella Thorne) e Raquel “Rocky” Blue (Zendaya) são duas pré-adolescentes de Chicago que querem ser bailarinas profissionais, após uma audição são selecionadas para o elenco de um concurso de dança chamado Shake it Up Chicago. Cece: “Rocky não é assim tão mau. É por isso que a nossa amizade resulta. Eu sou o oceano, selvagem, livre, imprevisível. E tu és a areia, parada, sempre lá”, Rocky: “uau, sou uma coisa que entra para os ténis e que tens de sacudir”; Cece: "10 mil dólares?! Bate-me com um frasco de picles”; Cece: “vá lá Rocky, não estás sempre a insistir para trabalhar com crianças carenciadas?”, Rocky: “achas que as minibonecas são carenciadas?”, Cece: “aposto que algumas nem sequer têm dinheiro para unhas falsas. Isso parte-me o coração”; Cece: “adoro o cheiro a purpurinas. O som do tafetá. O ar empestado de pó de talco e o chão inundado com as lágrimas das perdedoras”. No vídeo “Watch Me”. Bella Thorne: anúncio Target. Zendaya: “Dig Down Deeper”.
[9] Passos Coelho: “que fique claro, em Portugal há direito de manifestação. Há direito à greve. São direitos que estão consagrados na Constituição e que têm merecido o consenso alargado em Portugal. Nós não confundiremos o exercício dessas liberdades com aqueles que pensam que podem incendiar as ruas e ajudar a queimar Portugal”.
[10] Após o 25 de Abril deparou-se um novo problema à bófia portuguesa, uma nova realidade para a qual ela não estava preparada: a juventude. A corporação saída do fascismo era velha e barriguda, não passaria despercebida entre os jovens, e pior ainda, não falava a mesma linguagem. Durante uns anos os concertos de música eram lugares livres de bófias, até que contrataram guardas jovens para se infiltrarem, e os primeiros lugares policiados foram as casas de banho, prendendo o pessoal do chuto. Exemplo de um festival: Ultra Music Festival 2011, em Miami; um gajo a ser preso; uma gaja a ser presa.
[11] Vítor Gaspar, no português técnico, que embasbaca os sábios da praça: “a eficácia do sistema fiscal, a estabilidade do sistema fiscal, são de facto princípios fundamentais na condução da política tributária do Governo e constituem efetivamente condições estruturais que facilitam o crescimento económico”.
[12] Miguel Macedo: “nós tivemos um conjunto de mecanismos excecionais que passaram também pela possibilidade de colocação, em espaços públicos, de câmaras de videovigilância, o país e a democracia não caíram por causa disso”, refere-se ao Euro 2004, os direitos não foram atropelados e os estranjas muito louvaram a organização.
[13] A maioria das imagens é do filme “Santa Claus vs. The Devil” (1959): “o Pai Natal, bem acima do pólo norte, no seu castelo suportado pelas nuvens, equipado com mais dispositivos de vigilância que a Força Missão Impossível, prepara-se para entregar os presentes na noite de Natal. Ele está especialmente interessado em ajudar Lupita, a filha de uma família pobre, que apenas quer uma boneca; e um rapaz cujos pais são tão ricos que nunca passam tempo com ele (corrige isso alimentando-os com Pan-Galactic Gargle Blasters). Contudo, o Diabo não quer nada disto e manda o seu escravo Pitch para frustrar os planos do Pai Natal”.

cinema:

Pulgasari”, (1985) [parte2] [parte3] [parte4] [parte5] [parte6] [parte7] [parte8] [parte9], produtor executivo Kim Jong-il, realização Shin Sang-ok: “ele e a sua esposa, a bem conhecida atriz Choi Eun-hee, estavam entre as celebridades do jet-set de Seul. Mas, em 1978, caiu em desgraça do frequentemente repressivo Governo do general Park Chung Hee, que lhe fechou o seu estúdio Shin Films. Depois de realizar, pelo menos, 60 filmes em 20 anos, a carreira de Shin parecia ter findado. O que se seguiu, de acordo com o ‘Reino de Kim’, o livro de memórias de Shin, foi uma experiência que reavivou a sua carreira de uma forma inacreditável. Shin e a sua mulher foram raptados pelo déspota em formação norte-coreano Kim Jong-il, que procurou criar uma indústria cinematográfica, que lhe permitisse balançar uma audiência mundial para a retidão do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte. Shin seria o seu propagandista, Choi a sua estrela”.
Nos anos 70, Kim Jong-il labutava no ministério da Arte e Cultura, apesar da sua genial irradiação, o cinema norte-coreano não resplandecia. Publica em 1973 uma obra-prima, o livro “Sobre a arte do cinema”, com claras ideias sobre fitas e representação: “a tarefa colocada ao cinema hoje é a de contribuir para o crescimento do povo em verdadeiros comunistas… Esta tarefa histórica requer, acima de tudo, uma transformação revolucionária da prática de realizar”. “Os atores devem ser ideologicamente preparados antes de adquirirem competências de alto nível … Nenhum ator revolucionário jamais foi realmente um polícia japonês ou um capitalista … Para efetivamente incorporar o odioso inimigo, o ator requer um ardente amor pela sua classe e uma hostilidade abrasadora contra o inimigo”. Na década de 60, o Grande Líder Kim Il-sung, seu pai, raiara o firmamento da Coreia com dois filmes encenados de óperas revolucionárias: “The Flower Girl” e “Sea of Blood”: que exagerava o papel do Presidente Eterno nas vitórias sobre o Japão nos anos 30, e gerara uma canção de grande sucesso: “My Heart Will Remain Faithful”. Kim Jong-il louva-a como exemplo: “os filmes devem conter obras-primas musicais como estas … a fusão de ideias nobres e paixão ardente”. “As canções dos filmes devem ser suficientemente boas para chumbar nas fibras do coração do povo, para que possam ser cantadas por muitas pessoas e servir para ligar estreitamente o filme com as massas”.
Desiludido com a produção do seu estúdio, Mount Paektu Creative Group, Kim Jong-il força a perícia de 11 “consultores culturais” japoneses, raptando-os, no final dos anos 70. Vários inconvenientemente morreram de exaustão ou suicídio e os filmes não saíam da cabeça de Kim Jong-il para as massas. Em 1978, o “Orson Welles sul-coreano”, o respeitado realizador Shin Sang-ok, está desempregado e revoltado contra a ditadura militar do seu país que lhe censurava os filmes. No norte esta é a oportunidade para cinema revolucionário de qualidade. Kim Jong-il aliciou Choi Eun-hee, recém-divorciada de Shin, para “discutir um potencial papel”, em Repulse Bay, Hong Kong, onde ela desaparece. Na busca da sua ex e melhor amiga Shin tropeça num pano com clorofórmio e acorda na Coreia do Norte. Ela vive num dos palácios de Kim Jong-il. Ele, capturado a tentar escapar, pouco depois da chegada a Pyongyang, habitará durante 4 anos um campo prisional masculino, a Prisão nº 6, comendo uma dieta de erva, sal, arroz e doutrinação partidária. Em 1983 trazem-no, juntamente com Choi Eun-hee, à presença de Kim Jong-il, que “culpou malentendidos de funcionários irrefletidos pelos seus quatro anos de hostis boas-vindas norte-coreanas. Também pediu desculpa por ter demorado tanto tempo em recebê-los pessoalmente, dizendo que estava muito ocupado nas suas obrigações públicas”. Sugere a Shin que casasse novamente com Choi e aceitasse a missão de renovar o cinema norte-coreano. Assim se fez. Shin realizou 7 filmes antes de escapar com a mulher em 1986, em Viena. As autoridades norte-coreanas negaram toda a aventurosa descrição das memórias de Shin com a explicação mais simples e mais plausível de que ele foi atraído para o norte apenas por um salário de milhões, e o seu estilo de vida luxuoso na Coreia do Norte confirma-o.
O filme: “é a história de um boneco feito de arroz por um prisioneiro que ganha vida após contacto com sangue humano, e se banqueteia de metal em bruto”. “Por um lado, Pulgasari é um conto de advertência sobre o que acontece quando o povo deixa o seu destino nas mãos de um monstro, um capitalista, por força do seu insaciável consumo de ferro. Mas também é tentador ver o filme como uma metáfora para Kim Il-sung, sequestrando a ‘revolução do povo’ para servir, em última instância, os seus propósitos”.
Coreia do Norte, o país mais louco do mundo, Kim Jong-il não defecava nem urinava como as outras pessoas, planeava resolver o problema da fome criando coelhos gigantes, cada grão de arroz nas suas refeições era inspecionado por funcionários para ter a cor e tamanho certos, injetava-se com sangue de virgens para ficar jovem, mas também o mais lúcido na apreciação da Secretária de Estado americana: o ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano descrevia Hillary Clinton como uma “senhora engraçada”, algumas vezes “parece-se com uma aluna da primária e outras como uma aposentada indo às compras”, e deduz: “ela não é de forma alguma inteligente”.
O Querido Líder Kim Jong-il a olhar para coisas. “Coisas que o mundo mais odeia sobre Kim Jong-il”, “mundo” é uma hipérbole de “Estados Unidos”: a) a sua inquestionável, absoluta, autoridade; b) o seu hábito de ruidosamente antagonizar a Coreia do Sul; c) a sua complacência para ignorar a fome e pobreza; d) a sua obsessão nuclear; e) a sua personalidade narcisista. Kim era um cinéfilo ferino dono de 20 000 cassetes vídeo, fã de “Rambo” e “Friday the 13th” e de tudo com Elizabeth Taylor e Sean Connery. E bebia 700 000 dólares/ano de fino Cognac. Falecido, velado, chorado, a TV norte-coreana conforta as massas que o país está agora ao “cuidado quente” de Kim Jong-un, seu filho mais novo, “declarado como ‘o Grande Sucessor’ enfrenta uma ameaça dentro da família, possivelmente de os seus poderosos – e acreditam alguns, homicidas – tia e tio?”. A titia Kim Kyong Hui e o titio Jang Song-taek, ambos 65 anos, são altas patentes no exército, “e diplomatas dizem que eles parecem ter mostrado pouca hesitação, no passado, na purgação, e mesmo assassinato, de rivais internos. No ano passado, a sra. Kim recebeu a patente de general de quatro estrelas no exército, apesar de notícias persistentes de que ela é uma bêbeda furiosa, que foi hospitalizada por intoxicação alcoólica mais de uma vez”.
Cortejo musical: segundo a tradição Kim Jong-il fundou os Wangjaesan Light Music Band e os Pochonbo Electronic Ensemble ► “Socialism is Good” ♣ a ideologia juche, ou kimilsonguismo [1], surdiu em 1955 de Kim Il-sung sobre duas rochas proferidas no discurso “Sobre a eliminação do dogmatismo e formalismo e estabelecendo juche no trabalho ideológico”: “a revolução proletária pertence às massas e o homem é o guia da revolução”; o sucessor Kim Jong-il em 1996 esculpiu no juche a política Songun = “o exército primeiro” ► coro do exército ♣ Li Kyung-suk ► “Don’t Ask My Name” ♣ Dallae, extraíram o nome de uma planta de baga doce que os coreanos do norte e do sul colhem na primavera, são desertoras do norte e tocam pop moderna com Trot, a música pop coreana mais antiga ► “Mot Jaengi” (= “dândi”) ♪ ao vivo.
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[1] Ou marxismo-leninismo-kimilsonguismo, cinzelado por Kim Il-sung, no seu discurso “Sobre a construção do socialismo e a revolução sul-coreana na República Democrática Popular da Coreia”, de 14 de Abril de 1965, com três doces talhas: independência política (“chaju”), sustentabilidade económica (“charip”) e auto-suficiência em defesa (“chawi”); enquanto o Oeste declinava: “The Decline of Western Civilization” (1981): documentário sobre a cena punk de Los Angeles, no filme os X ► “Nausea”: “today you're gonna be so sick so sick / you'll prop your forehead on the sink / say oh christ oh jesus christ / my head's gonna crack like a bank”.
Intervalo para publicidade:Niilismo pop: a publicidade come-se a si mesma”: “George Orwell disse uma vez, ‘a publicidade é o chocalho de um pau dentro de um balde de lavagem’. Mas devido ao trabalho de agências como a Wieden + Kennedy ou a Crispin Porter + Bogusky (CP+B), tais declarações simplesmente não apelam aos criativos jovens adultos de hoje, que vêem a publicidade como um lugar puro para a sua competência. Mas a criatividade não é uma força que se pode usar para impingir objetos supérfluos a consumidores desinteressados – que requer repetição, persuasão e o poder dos média. A criatividade autêntica é inerentemente destrutiva, e os indivíduos verdadeiramente criativos, sempre, sem exceção, procuram destruir os meios (“mediums”) no interior dos quais trabalham. Com o afluxo de criativos na indústria, as agências abriram as suas portas a uma insurreição intelectual, cada inovação empurrando o meio (“medium”) para o limite. Esta é a essência da ‘destruição criativa’ de Joseph Schumpeter, exceto numa diferença fundamental: em vez de suplantar empresas ultrapassadas, os criativos ‘destrucionistas’ da publicidade irão forçar o seu meio no esquecimento. Este é o nascimento da era Dada da publicidade. (…). Eles são niilistas não apenas porque procuram destruir o significado da publicidade, mas também porque acreditam que a boa publicidade não precisa de ser uma força de repetição, que ela pode alcançar popularidade através da qualidade de conteúdo unicamente. Estes ‘niilistas-pop’ não querem vender merda aborrecida a uma classe emaciada de plebeus mortos cerebrais – querem criar um conteúdo envolvente que inspire diálogo entre as pessoas e as marcas com que elas se relacionam…”. ♦ iPhone, paródia aos apps para tudo de Adam Sacks: “escrevo coisas e faço vídeos que são (espero) engraçados” ♦ na batalha dos sexos, o cantor de Nashville Tracy Bird, pleiteia por um dos lados “The Truth About Men”: “Manslator” – o tradutor da linguagem das mulheres ♦ Sarah Haskins target mulheres: maridos aselhasAndrea Rosen anúncio Yoplait ♦ “That Mitchell and Webb Look” (série de TV inglesa) mulheres componham-se ♦  Cheerios, mulher: “que mais diz a caixa?”, homem: “cala-te Steve” ♦ Dodge Charger ♦ “Healthy Choice”, a atriz de “Seinfeld”, Julia Louis-Dreyfus, come como uma javarda ♦ Puro efeito Wonderbra Adão e Eva Barco NITRO Z-8 versus namorada. Danone Light & Fit Evian, a água que hidrata; bebés Evian de patins, o making ofVolvic filtrada por seis camadas de rocha vulcânica ♦ K-tel mood ringK-tel mood shirtBaby Laugh A-lot ♦ SpecsaversSegurança no trabalhoTema cereais ♦ “Anúncios sensacionais da imprensa” ♦ “Anúncios insanos” ♦ “Top 10 dos anúncios irónicos da história” ♦ “Anúncios racistas vintage” ♦ “Anúncios de álcool antigos ridiculamente sexy” ♦  “Os mais estranhos objetos vintage de sexo de sempre” ♦ “Anúncios vintage mais assustadores” ♦ “Anúncios que são exercício em WTF” ♦ “Anúncios perturbadores vintage” ♦ “Top 10 dos mais sexy de todos os tempos” ♦ “10 melhores anúncios de 2011”.

música:

S. E. Rogie – Sooliman Ernest “Rogie” Rogers (1926-1994) “era um guitarrista de palm wine (género musical inicialmente popularizado por Ebenezer Calendar & His Maringar Band, que se desenvolveu entre o povo Kru da Serra Leoa e da Libéria, que usava guitarras trazidas pelos marinheiros portugueses, combinando melodias e ritmos locais com calipso da Trinidad e música soca) e de highlife (género musical originado no Gana, no início do século XX, caraterizado por instrumentos de sopro jazísticos e múltiplas guitarras que lideram a banda) e cantor da Serra Leoa. Nasceu em 1926 e começou a atuar cedo, sustentando-se como alfaiate. Na década de 60, tornou-se músico profissional, cantando em quatro idiomas. Formou uma banda chamada The Morningstars em 1965”. “Entreteve milhões de pessoas nos continentes asiático, africano, norteamericano e europeu, com a sua bela e sedosa ‘dourada’ voz barítono e excelente toque de guitarra highlife antes do seu falecimento em 4 de Julho de 1994”, na Inglaterra, com 68 anos, pouco depois de o seu último álbum, “Dead Men Don’t Smoke Marijuana”, ser editado ► “Nor weigh me lek dat (woman to woman)” ♪ “I Wish I Was a Cowboy” ♪ “President Tubman’s Birthday Melody” ♪ “Easy Baby” ♪ “My Lovely Elizabeth” ♪ “Muyei Sierra Leone” ♪ “Do Me Justice”.
Salia Koroma “nasceu em Segbwema embora os seus pais tivessem vindo da região Kpa-Mende. Em jovem, o pai deixou-o ao cuidado da mãe, enquanto foi procurar fortuna noutros lugares. Salia estava ansioso para ir para a escola mas os seus tios, que eram responsáveis por ele, na ausência de seu pai, não estavam dispostos a mandá-lo para a escola. Em vez disso, mandaram os seus próprios filhos. O jovem Salia, portanto, partiu em busca do seu pai, que finalmente encontrou em Boajibu, na Chefia Sembaru. Ele expressou o seu desejo de educação e o seu pai prometeu que ele, de facto, ‘enviá-lo-ia para a escola’. Então, prosseguiu, dando-lhe um acordeão e disse, ‘esta é a tua escola’. No início, Salia ficou amargamente dececionado, mas perante a insistência do pai ele acalmou, para tocar o acordeão ‘para os guerreiros e não para os europeus’. A partir de então, Salia levou a sua ‘educação’ a sério. Através de trabalho duro, determinação e um talento poético inato, ele aprendeu sozinho a tocar acordeão. (…). Sempre em busca de conhecimento e fiel ao espírito dos menestréis, Salia estava constantemente em movimento. Terminou em Freetown onde ingressou na polícia da Serra Leoa até à eclosão da Segunda Guerra Mundial. Até hoje, Salia lembra-se claramente que o seu número na polícia, era o 377. Os seus deveres de polícia não o impediram de tocar o acordeão” ► “Bondo Gbakpa” ♪ “Salia Bondesia” ♪ “Fishing for Our Father V” ♪ “Yohmie”.
Heyden Adama Bangura “faz música pop da Serra Leoa, que ela descreve como música de salão com alguma anca. Ela canta em krio e inglês. Numa palavra, ela chama à sua música de festa”. Heyden resume-se: “nascida e criada no distrito de Kono, Serra Leoa. Primeira criança de três, vim para os Estados Unidos quando tinha 13 anos, através da adoção. Tenho estado a fazer música durante todo o secundário. Quando me formei comecei a escrever letras e escrevi a minha primeira canção ‘Apart from You’. Regressei a África pela primeira vez e gravei-a, e na segunda vez saí no início de 2010, gravei ‘Fit in Gebt’”. “Adoro moda. Passo modelos também, e as roupas e os sapatos são os meus melhores amigos! Gosto de vestidos maxi também mas o clima de Seattle não me permite vesti-los. Visto muito roupas desportivas. Eu nunca exagero, um par de jeans, sapatos sexy, uma blusa bonita, é suficiente. Adoro lenços também. Saias de cintura alta são tão bonitas”. {Modelo: 1,60 m, 50 kg, 86-71-81, sapato 39}. Intensificou o seu interesse pela música após a morte do irmão no ano passado: “quando o seu irmão morreu, ela converteu o que era apenas um hobby para ela, mas uma paixão real para o seu irmão, numa forma de o manter vivo”. {As suas canções favoritas}. {Site}. {Blog}. {Facebook}. {Vimeo} ► “Love Is Blind” ♪ “Nobody” ♪ sobre a modéstia há um provérbio krio: “se os teus inhames são brancos (isto é, de alta qualidade), deves cobri-los”, não aplicável aos inhames de Heyden, “Fit in Gbet”.

17 Comments:

  • At 3:50 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Este post já ficou mais pequeno, ainda não o suficiente. A tendência será para seguir o Governo, tirar, até ao limite dos sacrifícios. Ou quase. Pois o limite dos sacrifícios é inalcançável, é possível sempre mais um, enquanto que o texto é limitado ao número de palavras. Isto ficou longo pois tinha de homenagear Kim Jong-il, é pena ele não estar vivo para ver o seu parceiro comprar Portugal. Já tinha feito um post com música norte-coreana, e os links foram quase todos bloqueados, o povo já não é o que era. Assim desta vez foi ao cinema desse grande produtor executivo que foi Kim Jong-il.

    E Manuel se por aí apareceres: o “Bück dich”, se nunca viste um concerto dos Rammstein; isto que dizer “bend over” que suponho já está no vocabulário português, junto de todas as outras expressões, como growth, trader, banking... É a posição do cidadão nesta fase do capitalismo, e como dizem que não há alternativa ao capitalismo, e como o crescimento absoluto não existe, é possível que as pessoas se bend over ainda mais. “The Decline of the Western Civilization”, se ainda não conheces, um documentário sobre os punks de LA. E, na música da Serra Leoa, obviamente que a Heyden foi para dar mais vida à pesada cultura.

     
  • At 9:57 da manhã, Blogger Rafeiro Perfumado said…

    Tu chamas a este poste "mais pequeno"? Eu diria "menos enorme", mas pronto.

    Quanto à esoclha da Time, até compreendo. Se o Arafat foi escolhido para receber o Nobel da Paz, porque não escolher o manifestante para personagem do ano? especialmente aquele que vai às manifestações para pilhar e destruir.

    Abraço e bom ano!

     
  • At 1:37 da tarde, Blogger São said…

    Eu adoraria saber se aqueles choros convulsivos que vi na morte dos dois ditadores coreanos são mesmo sinceros ou se são fita!!

    Um bom ano.

     
  • At 10:09 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Rafeiro Perfumado: sempre foi menos uma página no Word, mas a ordem é para cortar, cortar, cortar, numa via governamental moderna. Ficou grande porque gastei uns parágrafos com aquela história do realizador sul coreano, que me parece uma grande patranha, mas engraçada.

     
  • At 10:09 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: quanto à Coreia só posso estar calado. Não sei a língua, por isso não consigo perceber como funcionam os cérebros. É sobre a língua materna que se estrutura o pensamento racional, os conceitos, as regras lógicas, e essas coisas todas. Não tenho o dom dos nossos sábios que também sem saberem nada conseguem debitar grandes verdades sobre um lugar tenebroso (e também nunca lá estive, para saber se é tenebroso ou não).

     
  • At 11:00 da manhã, Blogger São said…

    Efctivamente , tens razão.

    Por exemplo, com o Irão, passa-se algo semelhante.

    E não se pode confiar nas notícias que nos são dadas pelo Ocidente, já que Kadhafi passou de besta a bestial e regressou a besta .Entre outros.

    Tem bom dia.

     
  • At 4:00 da tarde, Blogger José said…

    Com tantos cortes, ainda não foi desta que eu li o texto todo de uma vazada. cheguei ali aquela frase, do "primeiro ministro desentroicou a Democratização da economia" Lembrou-me logo do gajo do pingo doce,agora começa a ser mais a margoso raspou-se. O Camilo é que tinha rezão "isto é que vai uma crise"

    Abraço.

     
  • At 10:13 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: e então agora em que a indústria jornalística, na luta por lucros, entrou numa fase esquizofrénica. Ultimamente tenho notado que aparece uma notícia e o seu contrário. TAP teve prejuízos. TAP teve o seu melhor ano de sempre. Aumentou o número de bebés nascidos este ano. Nasceram menos bebés este ano. Creio que as notícias são feitas à medida do consumidor, por isso lhes dão o que ele quer. Assim, uma pessoa escolhe uma ou outra conforme a sua personalidade ou ideal político e a partir elaborar as suas discussões.

     
  • At 10:14 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    José: qualquer pessoa que possa deve pôr o seu dinheiro na Suiça. O Isaltino foi profético neste aspeto, ele já sabia que com o regresso ao escudo, vamos ficar nas lonas, e como dizia o Camilo “ai que lá se vai o caracol”.

     
  • At 2:00 da tarde, Blogger São said…

    E ainda para mais há jornalistas na loja maçónica Mozart à mistura com políticos, Serviços Secretos(de onde ninguém é demitido!!!), ONGs, ...!

    Mas...e da Opus Dei nada existe, nada se sabe, nada se passa?!

    Bom domingo

     
  • At 5:18 da tarde, Blogger scopitone said…

    Sessão da Tarde:

    http://www.youtube.com/watch?v=ymU9f1Zmu3g&feature=related

     
  • At 8:36 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: demitir? Isso não é possível, são eles que sabem os podres de toda a gente. Além disso isto é um país pequeno, as pessoas são sempre as mesmas, não dá para variar.

    Os portugueses pelam-se por vestir saias, não perdem uma oportunidade, o Carnaval, a despedida de solteiro, os copos a mais, e estas sociedades satisfazem esse feminino apelo.

     
  • At 8:37 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    scopitone: quando oiço falar em wild women lembro-me logo da Ferreira Leite, não há mais wild no solo pátrio.

     
  • At 10:22 da manhã, Blogger São said…

    Bom, bom, mão te armes em machista, rrrsss

    Aquilo tudo tem simbolismo.


    O que não é nada simbólico é a semelhança da Mozart com a P2 italiana.

    Mas não se pode nem deve denegrir a Maçonaria , que tem um percurso respeitável...ao contrário da Opus Dei.

    Eu cá acho que José Policarpo está contra esta ideia absurda de que ós maçónicos se devem assumir obrigatoriamente porque lhe não interessa rigorosamente nada que o mesmo aconteça com a opus Dei.

    Fica bem

     
  • At 3:58 da tarde, Blogger xistosa - (josé torres) said…

    Peço desculpa pela visita médica.
    Estou mesmo sem tempo e os pacientes morrerão (ou não).
    Prometo voltar para desintoxicar a alma e desopilar o fígado.
    Até já!

     
  • At 8:24 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: isso, isso, chamem-lhe simbolismo.

    O que eu sei é que nunca pegaram num maço nem numa pedra e dizem que são pedreiros. Mas são divertidos. Têm muitas parecenças com o clube do Fred Flinstone.

     
  • At 8:25 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    xistosa - (josé torres): ai! Que mesmo um visita rápida ao médico paga taxa moderadora. Não se pode abusar de medicina, aliás, medicina a mais faz mal.

     

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