Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

terça-feira, Janeiro 29, 2013


Papas & sarrabulho

No ano da graça de 1982, congraçavam as contas nacionais: “a dívida externa portuguesa era ligeiramente superior a 770 milhões de contos no final do primeiro trimestre deste ano, (…), o que significa dever neste momento cada português, uns 77 contos ao estrangeiro” [1]. “Prevê-se que no conjunto do ano de 1982 a balança de transações correntes atinja um défice de 2,5 mil milhões de dólares (…). Três ‘modestos’ empréstimos foram entretanto pedidos ou autorizados: 21 milhões de contos junto de um consórcio de 10 bancos liderado pelo Banco Português do Atlântico; 1,3 milhões de contos para Sines, mediante contrato assinado em Paris há poucos dias com o Banco Worms; e 7 milhões de contos pedidos ao Conselho da Europa” [2]. Pedir não é vergonha [3]: a pedido do ministro da Administração Interna português, “Fernández Dopico, chefe da brigada antiterrorista da polícia governativa espanhola, foi o ‘especialista’ que se deslocou a Lisboa, no dia 13 de fevereiro último, na sequência de um telefonema feito às três da manhã por Ângelo Correia, para o seu homólogo espanhol, Juan José Rosón”. “Dopico, um dos mais populares polícias do país vizinho – conduziu as investigações que levaram à descoberta do paradeiro do pai de Julio Iglesias e dos seus sequestradores [4] – é o braço direito do chefe do Comando Unificado de Luta Antiterrorista, Manuel Ballesteros, o polícia mais temido de Espanha”. O insone Ângelo Correia [5], destemido visionário de insurreições invisíveis, ajuntava os melhores espíritos da sua geração: segunda-feira 12 de abril “deverá chegar a Lisboa outro polícia espanhol, este para dar um curso de antiterrorismo a agentes da Polícia Judiciária. Este curso, que reunirá 40 agentes vai funcionar numa quinta perto de Loures e nele estarão incluídos alguns elementos que tiveram ligações com a ex-PIDE/DGS. (…). Depois do curso a brigada será instalada na rua José Malhoa, num edifício novo”.
No outro canto do pasto, a raison d’être dos cursos para polícias, polícias ladinos, protetores da calmaria social para os seus negócios, também se apinhava para o assalto bancário ao país [6]. “Os antigos grupos económicos que dominavam a banca antes do 25 de abril reorganizam-se no estrangeiro e criam as suas próprias redes bancárias. O caso do grupo Espírito Santo parece ser o mais significativo. Não é contudo o único! Os Mellos, por exemplo, são acusados em certos meios bancários de controlarem a gestão do relacionamento externo do Banco Totta & Açores, através de familiares e homens da sua confiança, colocados em Londres e Nova Iorque, e até na própria direção de estrangeiro da sede. No caso do grupo Espírito Santo, a sua atividade desenvolve-se atualmente na Europa e na América através de uma vasta rede bancária de que fazem parte nomeadamente a Société Bancaire de Paris, a Compagnie Financière Espírito Santo, em Lausana (Suiça), o Biscayne Bank em Miami e o Banco Inter-Atlântico de Investimento, no Rio de Janeiro”. O vice-governador do Banco de Portugal, dr. Loureiro Borges, encarregado da coordenação bancária, honestiza-os perante as vigilantes Comissões de Trabalhadores: “andam a sonhar com ladrões”, “se eles querem mandar para cá dinheiro porque é que havemos de os impedir? Só porque o grupo Espírito Santo lá está metido? Isso não são razões objetivas, nem jurídicas! Nós não temos nada que ver com quem são os donos desse banco! Não nos interessa se eles são os Espírito Santos ou os vizinhos do lado. Querem para cá mandar dinheiro e isso basta. O caso não tem a dimensão de uma pulga. O Espírito Santo já foi um papão mas já não é” [7].
Para o povo papar é… “a bica passa a custar 12$50, quando servida à mesa, e 10$00 se servida ao balcão, por determinação de uma portaria do ministério da Agricultura, Comércio e Pescas, rubricada por Basílio Horta e publicada no Diário da República, com data de 6 [de abril]. Esta portaria entra imediatamente em vigor e determina, também, aumentos generalizados nos serviços de cafetaria e restaurantes que vão desde o galão (15$00) ao copo de leite (10$00 e 11$50, consoante a categoria dos estabelecimentos), à torrada (20$00 e 21$50), ao prego (40$00 e 42$50) e ao cachorro (20$50 e 22$50)”. Sexta-feira dia 23, o ministro reforça os aumentos. “O preço do pão vai aumentar entre 26,9 e 29,4% (…). As carcaças sofrem uma redução de peso, passando de 50 para 45 gramas, enquanto os pães de 250 gramas passam a ser produzidos com 240. (…). Basílio Horta anunciou igualmente a criação de um novo regime de preços para alguns bens essenciais que, na sua opinião, se traduzirá num maior controlo dos preços. (…) ficando assim sujeitos a esse regime o pão, o arroz, o açúcar, o leite, os medicamentos, as ervilhas congeladas, a cafetaria, os adubos, as carnes de bovino e a maçã”. Segunda-feira dia 26, “o quilo de carne de lombo sem osso, verde ou congelado, passa a custar cerca de seis notas de cem (590 escudos), e o da vazia (também sem osso) 530$00, seja de bovino adulto ou de novilho, fresco ou congelado. (…). A fralda, o peito, o rabo, a aba delgada, a aba das costelas, o prego do peito e o rabo, tudo carne de 3ª categoria, passa a custar 250 escudos o quilo, sem osso e 180 com osso. O quilo da língua sobe para 290 escudos, o de rim para 280$00”. Quarta-feira, 4 de agosto, “o preço da carne de bovino foi descongelado, por portaria publicada hoje no Diário da República pelo que as tabelas em vigor desde abril vão saltar, já amanhã, correspondendo os aumentos a percentagens variando entre os 10 e os 12%. Isto menos de 24 horas depois de o ministro Basílio Horta garantir que os preços dos bens essenciais não iam subir” [8].
Outros bens essenciais: “cocaína em Portugal de cinco a nove contos por grama. Menos conhecida e menos divulgada do que a heroína, a cocaína tem o seu mercado fixo em Portugal (a Judiciária tinha referenciados 1 413 consumidores). Mas, devido à política seguida pelas redes que a colocam nos países seus principais consumidores, nós somos sobretudo um ‘lugar de passagem’ para este pó branco que conquistou os jovens quadros e executivos americanos e se instalou na RFA, França, Suiça, Itália. (…). Nos EUA, o ano passado, uma onça de cocaína pura (28,35 g) ou vendida como tal, custaria aos jovens executivos ou quadros de empresas que são os seus consumidores preferenciais 2 200 dólares (cerca de 154 000 escudos), quer dizer, cinco vezes mais que uma onça de oiro”. O ciclo vicioso português era outro: “os jovens heroinizados portugueses de hoje começaram por roubar à mãe os comprimidos que ela tomava para dormir – e depois fizeram um vertiginoso caminho até ao ‘cavalo’, queimando etapas e, na mais grave das hipóteses, assaltando a farmácia do seu bairro em momentos de crise dependente. Os jovens heroinizados portugueses começaram por drunfos (medicamentos antidepressivos, neurolépticos, soníferos) ou anfetaminas (para estudarem para os seus exames) e depois, no dia em que falhou o assalto à farmácia, houve um amigo que lhes disse: ‘não, hoje não tenho drunfos para ti, mas tenho um chuto’. E experimentaram”. “Hoje em dia, em Portugal, a ‘heroa limpa’, misturada mas não ‘marada’, custa entre 12 000 e 16 000 escudos o grama” [9].
Em 1982, no centro do discurso económico do FMI estavam arcaísmos como “ajustamento”, “desemprego”, “segundo semestre”, que em 2013 nem linguistas nem economistas sabem o que significa. “O Fundo Monetário Internacional considera no seu relatório anual que a situação económica mundial continua a ser ‘preocupante’, mas que a luta ‘difícil’ contra a inflação que já proporcionou ‘certos progressos’, deve ser mantida firmemente. A inflação é ‘ainda demasiado elevada na maioria dos países’, constata o FMI advertindo os 146 países membros desta instituição internacional contra a tentação do recurso ‘fora de tempo a políticas expansionistas’. Defendendo a ‘paciência’ e a ‘prudência’, o Fundo Monetário reafirma a necessidade de se ‘prosseguir políticas globais de ajustamento’, nos países industrializados e em desenvolvimento, e isto ‘apesar das pressões causadas pelas tensões sociais e políticas decorrentes de um nível elevado de desemprego’. O Fundo mostra-se muito prudente no tocante às perspetivas de recuperação. ‘Poderá começar um modesto reequilíbrio no segundo semestre de 1982’[10].
Na cidade do Porto “era já sábado, 1.º de maio, 0:10, quando se ouviu o primeiro tiro. Depois outro e muitos mais à mistura com cassetetadas sobre quem quer que fosse e onde quer que estivesse nas imediações da sala de visitas desta velha urbe. Os corpos foram tombando, as fugas, desabridas sucederam-se, as pedradas também, e as ambulâncias entraram num louco rodopio. A baixa do Porto, da avenida dos Aliados até à praça da Liberdade, era uma zona sitiada. Foi um pandemónio até às duas da madrugada. A ordem era limpar tudo e todos. Fossem crianças, velhos ou mulheres. Os jornalistas, mais uma vez, se não fugissem também levavam. ‘Esse cartão não vale nada’ – disseram alguns polícias ameaçadoramente”. Morreram duas pessoas baleadas, Pedro Sarmento Vieira, 24 anos, e Mário Emílio Gonçalves, 17 anos. “Resultado do 1.º de maio mais sangrento de que há memória: dois mortos, alguns feridos graves e quase uma centena de feridos ligeiros, com marcas na cabeça, nas pernas, nas costas. Com pedras, foram atingidos alguns polícias: cinco registados no Santo António, um no S. João”. Ao fim da tarde do dia 2, o presidente da República Ramalho Eanes garantia a certeza habitual: “não vai ficar com certeza na gaveta”, o inquérito da Procuradoria-Geral da República; e “visitou os dois feridos que se encontram internados no Hospital de Santo António do Porto: Maria Emília e João Carlos. O presidente inteirou-se do estado deles, quis saber como foram as coisas e prometeu enviar livros para o João Carlos. (…). Maria Emília Silva Soares, 26 anos, por sua vez, contou ao PR que estava em camisa de noite quando foi atingida [no abdómen, por de bala 9 mm da Polícia de Intervenção do ministro Ângelo Correia] junto à sua residência, na travessa de S. Sebastião, 61-2.º, um pouco acima da rua do Corpo da Guarda. Estava preocupada com o atraso do marido, que tinha ido ao futebol, desceu à porta, juntou-se aos vizinhos que ali estavam mirando os acontecimentos que se desenrolavam dezenas de metros abaixo. ‘ A gente nem à beira de casa está bem’ – desabafa ela”. O Comando Distrital do Porto da PSP justificou num comunicado a origem do sarrabulho: “um grupo de indivíduos, empunhando bandeiras da CGTP-IN, tentou invadir o recinto da festa com o intuito evidente de assaltar o palco”.
Na terça-feira 29 de junho, um elemento da Polícia de Intervenção é entrevistado pelo Diário de Lisboa: “é difícil dizer, é claro que não estou de acordo que haja mortes. Mas para quem se encontra de fora, às vezes, é tudo muito mais simples. A nossa intervenção no Porto foi muito complicada. Quando chegámos ao local, havia uma grande confusão. Gente caída no chão, agressões, correrias, agentes do Porto um bocado desnorteados, civis de pistola na mão”; não seriam bófias à paisana? “Talvez… mas isso não lhe sei dizer”; qual a missão? “Bom. Geralmente aquilo que fazemos é dispersar os focos de perturbação. Por assim dizer, limpamos o terreno. Sei que nem toda a gente compreende que é preciso fazer isso. Mas é necessário”; há exageros nessas limpezas? “Exageros? Imagine-se com uma farda vestida, cumprindo uma ordem superior. Se alguém se recusa a acatar as diretivas de ordem pública, que saída lhe resta senão a do emprego da força?”; “diálogo? Depois de recebermos ordens para varrer o terreno? Deixe-me rir. Vê-se mesmo que nunca andou metido nestas alhadas”; “ora, ora… a Constituição. O que eu sei é que temos instruções para não entrar em paleios com os civis. Recebemos ordens e cumprimo-las. Não pode ser de outra forma”; “mas veja: quem é que matou as duas pessoas no Porto? Vieram logo dizer que foi a Polícia de Intervenção. Eu estou convencido que não fomos nós. Houve dois dos nossos que fizeram fogo, mas confessaram-no numa reunião com o nosso comandante. Disseram: ‘sim senhor. Fizemos fogo, mas só para proteger as carrinhas, fogo para o ar”.
Na segunda-feira 7 de junho, o adido comercial da embaixada da Turquia, Erkut Akbay, 39 anos, é morto pelas 13:00 horas em Linda-a-Velha, com cinco tiros 9 mm na cabeça e pescoço, no interior do Peugeot 504, azul metálico, matrícula CD-15-55. A sua esposa Nadide ferida com quatro balas ficou em coma no hospital S. José. “Na operação, reivindicada telefonicamente para as agências da France Press em Paris e em Lisboa, pelo Comando dos Justiceiros do Genocídio Arménio, teriam participado dois homens, sendo um o autor dos disparos (ainda jovem, trajando calça e casaco de modelo safari, de cor azul e com um panamá branco na cabeça) e outro, colocado à distância, igualmente jovem, moreno, de bigode e de fato de treino castanho. (…). O agressor, que com as mãos envolvidas num saco de plástico, empunhava duas pistolas Browning, uma das quais deixou abandonada no local, foi visto a fugir ‘em jeito de maratonista’ na direção de Linda-a-Velha”. Ângelo Correia, o duro ministro da Administração Interna: “lamenta profundamente o ocorrido” e serenou a pátria: “isto não significa que o terrorismo internacional tenha chegado a Portugal, pois foi o trabalho de um grupo particular contra um alvo específico”. Este atentado justificava os seus planos para a criação de uma polícia antiterrorista.  
Domingo 15 de agosto, pelas 21:30 na avenida da Liberdade explodem duas bombas. Uma, no n.º 192-A, nos escritórios da Lufthansa, a outra no n.º 244, nos da Air France. “O engenho que rebentou na Air France afetou ainda o segundo andar do edifício onde funciona a secção de Emigração da Embaixada da Austrália e a entrada da boîte Cova da Onça. (…). De acordo com a brigada de Minas e Armadilhas, as cargas utilizadas, constituídas, cada uma delas, por 1,5 kg de TNT ou explosivo plástico, foram colocadas nas plataformas entre os pilares e as montras dos escritórios”. Tomou conta da ocorrência uma das pupilas dos duros olhos do ministro Ângelo, a Direção Central Contra o Banditismo.
No ano de 82, entre patuscadas, guardas da PSP e guardas prisionais organizam-se em sindicatos. “Tendo em vista a criação de uma organização sindical-profissional que englobe os 18 000 efetivos da PSP, criou-se no passado sábado [26 de junho] uma comissão de 12 elementos, no decorrer de um almoço que reuniu mais de 200 agentes da PSP, que iniciará uma ação de esclarecimento junto da população, através de panfletos, e a nível interno dos próprios agentes. Entretanto, foi ontem [27 de junho] formado o Sindicato Nacional dos Guardas Prisionais numa assembleia, em Coimbra, que reuniu mais de trezentos participantes”.
Sexta-feira 7 de maio a “indústria de santinhos entrou no sprint papal. Artesãos e pequenos industriais da arte sacra de características mais populares estão a dar tudo por tudo para não perderem o comboio da vinda de João Paulo II a Portugal”. “A diferença entre as criações portuguesas e o que de similar se faz no estrangeiro é flagrante. Entre nós, a fabricação de toda a gama de produtos é deixada maioritariamente à iniciativa dos comerciantes, considerados individualmente. Com a agravante de tudo ou quase tudo ser feito em cima da hora e muito em cima do joelho. O aparecimento tardio dos pratos com decalcomanias, dos bustos em cimento ou plástico, das t-shirts ou dos galhardetes não se deve exclusivamente a esse facto. Cada comerciante ou industrial tratou de si e tenta chegar ao mercado na melhor altura: tempo para vender mas sem dar tempo a que a concorrência lhe copie as ideias. (…). O caso dos porta-chaves: aí se junta a componente importada do Japão, que é a parte de suporte. Junta-se-lhe o esmalte desejado, que no caso será a imagem de João Paulo II e/ou as armas do Vaticano feito numa outra unidade. A fábrica, no caso, incorpora a mão-de-obra. E assim o produto chega ao mercado. (…). A par da produção privada de material, a Comissão Nacional encarregada de organizar a visita do Papa concretizou várias iniciativas, desde uma medalha nacional, com tiragem limitada e distribuição pública reduzida [por 800$00], aos posters e autocolantes”.
Mais empreendedores são os carteiristas. Quarta-feira dia 5 “oito dias antes da chegada de João Paulo II a Fátima, os carteiristas já rondam a vila – referiram responsáveis pela organização da visita ao Santuário das Aparições. ‘Os carteiristas já começaram a sua peregrinação a Fátima. Até em Aljustrel, onde estão as casas dos videntes, foram recentemente detetados’, disse ontem em conferência de imprensa, o secretário do Santuário, Francisco Oliveira. ‘Não venham para cá com muito dinheiro. Tragam algum, mas não tragam muito’”. Os carteiristas sempre foram filhos de Deus. “Em qualquer grande peregrinação – escrevia, em 1977, o reitor do Santuário ao então ministro da Administração Interna, Costa Brás – são às dezenas as carteiras que entregam no posto de acolhimento do Santuário – vazias, claro está”
Quarta-feira 12 de maio “João Paulo II chegou ao aeroporto da Portela às 13:30 dirigindo-se, após os cumprimentos protocolares, [“sinto neste momento a necessidade de exprimir o meu mais alto apreço e render preito às tradições cristãs desta terra abençoada” – diria ele ao presidente da República], em cortejo automóvel até à Sé Patriarcal e igreja de Santo António. A seguir, cerca das 15:30, o Papa ruma para o palácio de Belém, onde será recebido pelo presidente Ramalho Eanes. Duas horas depois, o Santo Padre recebe na embaixada da Santa Sé em Lisboa o primeiro-ministro e outras individualidades oficiais [“ao encontrar-me com tão seleta representação de Portugal quereria assegurar-vos a maior estima pela alta missão de que estão revestidos ao serviço do bem comum de toda a nação” – disse o Santo Padre perante aqueles que subirão a dívida portuguesa para cima dos mil milhões de contos, no final desse ano]. A partida para Fátima está prevista para as 19 horas, mas o helicóptero inicialmente previsto poderá ser substituído por outro meio de transporte devido ao mau tempo que continua a fazer-se sentir”. São Pedro condescendeu. “Fátima, 20 horas e cinco minutos: os helicópteros aterram no campo de futebol, caiadinho de amarelo à espera de receber de mão beijada o nome de Campo João Paulo II. A multidão é imensa (…). Letreiros e estandartes: milhares. ‘Amo-te’, ‘Viva o Papa’, ‘Universidade Católica faz peregrinação a pé’. Também dizem da Polónia, pedem medianeiro para as Malvinas, falam de Pão e Paz no Mundo. A ‘Totus tuus’ corre de fio a pavio o Santuário. E o clamor torna-se impressionante, ensurdecedor, quando o Papa chega junto da Cruz Alta. Vem num jipe branco: há milhares de lenços brancos, flores, frases de entusiasmo. João Paulo percorre o pequeno caminho até ao Seminário, recolhe-se um pouco e só depois enceta a viagem até à Capelinha das Aparições, que perdeu toda a original traça rústica e parece uma montra da galeria Gulbenkian”.
“Só um homem de negro procura cada vez mais aproximar-se de João Paulo – escreve Neves de Sousa. Olho para o relógio: exatamente 22 e 45. Caminha-se para o altar-mor. O agente Ramalhete (da segurança) tenta afastar um padre que à viva força, quer chegar junto do ‘jipão’ que transporta o Papa, ao lado de D. António Ribeiro e do bispo de Leiria, todos semisubmersos por trinta outros homens da segurança, portugueses e italianos. Ramalhete começa a marcar o padre, rapaz ainda, olhos negros, cabelo muito preto, ar asiático. (…). O Papa começa a subir os degraus para o altar-mor. É ao centro que avança. Subitamente, há um vulto negro que se estatela, no penúltimo degrau. Pequeno, muito leve rumor, a multidão sem nada perceber, imaginando apenas que um padre sofrera um colapso, que a emoção era muita. De chofre, porém, o vulto negro dá um salto e começa a gritar: fala do Vaticano II, do Concílio, não se entende bem onde quer chegar. Tudo num ápice: quando aparece no chão, tem em cima o subchefe Moura, que quando ergue do degrau o padre tem a mão direita ensanguentada. O padre continua a gritar, sempre em espanhol. O Papa, que quando viu um sacerdote tombado voltara atrás para o ajudar a erguer, não entende o que se passa a dois metros. Só o agente Azevedo sabe bem: foi ele quem, com o pé direito, rasteirou o padre, provocando a primeira queda. Azevedo empurra imediatamente o Papa, mas ainda tivera tempo para pontapear uma bolsa onde o colega Moura mergulhou a mão: sai de lá com sangue”. Na bolsa estava uma baioneta de 37 cm de uma espingarda Mauser de 1914 e o padre era Juan Hernandez Krohn, espanhol, 32 anos: “utilizei um sabre porque não queria atingir o coração da Igreja com uma arma de fogo”. O padre Feytor Pinto julgou-o: “aquele sujeito é um fanático. Falou da situação da central polaca Solidariedade, da situação dos católicos na Polónia, do comunismo internacional, das excessivas aberturas da Igreja após o Concílio Vaticano II”. Num comunicado a PJ abcendeu-o: “os dados já recolhidos apontam, neste momento, no sentido de se tratar de uma ação isolada com motivação eventualmente religiosa, porventura relacionada com a formação eclesiástica recebida por aquele padre no seminário de Ecône, na Suiça, fundado por monsenhor Lefèbvre. Sabe-se que o detido havia anteriormente concluído a licenciatura em economia e em direito”. Monsenhor Lefèbvre lavou os polegares: “desde que é padre causou-nos muitas dificuldades e aborrecimentos… Já não faz parte da fraternidade há cerca de dois anos” [11].
A compaixão católica frechou os romeiros. “‘Se fosse eu que mandasse – dizia na noite do dia 12 um peregrino de Viseu – fazia a esse malandro o mesmo que ele queria fazer ao Papa’. Uma mulher de uma aldeia de Aveiro achava pelo contrário que o agressor do Papa não devia ser condenado ‘à morte’ mas sim ‘castigado aos poucos e poucos’: ‘punha-se uma gota de álcool em cada unha dos pés e das mãos e depois pegava-lhe fogo’”.
Sexta-feira, 14, “o helicóptero que transportava o Papa aterrou esta manhã no Terreiro do Paço, em Vila Viçosa (…). A recebê-lo o calor indesmentível de quantos, alentejanos ou espanhóis, acederam ao convite para virem ver o responsável da Igreja, em pleno Alentejo, um local que é considerado um dos maiores centros marianos portugueses. ‘Ide vós também para a minha vinha e tereis o salário que for justo’ – eis o mote para as palavras que o Papa aqui pronunciou esta manhã (…). O Papa aprofundava ainda mais a sua análise das questões relacionadas com o salário justo. ‘Neste ponto é imperativo reconhecer o lugar privilegiado de quem trabalha a terra, quer se trate de agricultores proprietários ou de simples trabalhadores não proprietários’”. Pelas 17:00 horas celebrava missa no parque Eduardo VII. “Foi o maior acto de culto até hoje celebrado em Lisboa: centenas de milhares de pessoas ouviram o Papa falar da ‘gesta do Portugal missionário’, lembrar que ‘para chegar ao bem é preciso passar pela renúncia’, que Deus deu ao Pontífice máximo da sua Igreja ‘a graça de amar muito os jovens’. ‘Gostaria de falar convosco. De olhos nos olhos, de coração a coração. Falar com cada um: mas o reino de Deus está próximo’”. Sábado, 15, “o mau tempo que persiste em toda a faixa do litoral norte de Portugal alterou o timing da visita do Papa ao centro e norte do país. Obrigado pelas más condições climatéricas a andar de comboio, e não de helicóptero como inicialmente previsto, João Paulo II viu o seu programa substancialmente atrasado. O atraso verificado corre o risco de impedir o Santo Padre de estar às 23 horas em Roma, onde, segundo uma fonte eclesiástica, ‘tem impreterivelmente de estar para assunto importante’. João Paulo II, que se dirigiu esta manhã aos estudantes de Coimbra com um ‘Olá Malta!’, antes de proferir na universidade um discurso essencialmente voltado para a cultura, [“entre as várias culturas, ocupa um lugar de honra a Cultura portuguesa. Uma cultura plurissecular, rica, com características bem precisas que a distinguem claramente da dos outros povos. Ela exprime o próprio modo dos portugueses de estar no mundo, a sua própria conceção de vida e o seu sentido religioso da existência”]. Seguiu depois para o Sameiro, na serra do Pilar, onde o aguardavam desde as primeiras horas de hoje milhares de peregrinos, na sua maioria espanhóis. Depois do Sameiro, João Paulo II dirigir-se-á ao Porto onde, na praça Humberto Delgado, deverá proferir um discurso consagrado aos trabalhadores industriais. Da praça Humberto Delgado, o Papa irá diretamente para o aeroporto de Pedras Rubras onde embarcará no avião que o levará de regresso a Roma”: “brota-me do mais íntimo da alma esta súplica: desça sobre todos os portugueses a bênção de Deus que lhes seja portadora de dons abundantes de luz, de alegria e de paz” – despediu-se o Papa, num ano de muito sarrabulho.
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[1] O salário mínimo era de 10 700 escudos. Em 2012, o salário mínimo sendo 485 euros cada cabeça da nação portuguesa deve 20 mil euros.
[2] “Cada português teria de trabalhar cinco meses gratuitamente para liquidar as contas externas do país, atendendo ao montante da dívida do Estado para com a banca e a finança internacionais (que está a ultrapassar, rapidamente, os 770 milhões de contos) e o salário médio nacional (que é da ordem dos 15 mil escudos). Mesmo assim, seria necessário que durante esse tempo todo aquele trabalho fosse voltado para as exportações e no período de quarentena nacional se fechasse a torneira das importações que dia a dia não cessa de alargar as contas públicas e ameaça mergulhar o país numa situação catastrófica, se não mesmo de bancarrota”. A governação foi de excelência e, 30 anos depois, cada português deverá só 18,3 mil euros ao estrangeiro, isto é, apenas 13 meses de trabalho.
[3] Se a mão não estiver estendida. No futuro (2012), o primeiro-ministro Passos Coelho: “uma nação que tem amor-próprio não anda de mão estendida nem a lamentar-se”.
[4] Os bófias são pardos todo o dia e o jornalista confundi-os. O valentaço libertador foi o coordenador e supervisor dos interrogadores do etarra José Arregui, morto após vários dias de tortura: “certos homens de Ballesteros, comigo como supervisor e coordenador, participaram no interrogatório do assassino José Ignacio Arregui”, Joaquín Domingo Martorell: “Julio Iglesias manteve contactos comigo sempre que vinha a Espanha. Agora, depois de muita consideração, decidi pedir a minha licença temporária da polícia e mudar-me para os EUA para trabalhar nos seus negócios”.
[5] Chuva dourada verter-se-á sobre Ângelo Correia no futuro (2012). Maltratado pelo Estado que lhe paga uma esquelética pensão de 2 200 euros por serviços prestados, pela força braçal eleva-se a 32º mais poderoso da economia, pela força vocal carimba sociologia: “é suposto na democracia escolherem-se os melhores, vamos supor que eu sou bom – não é verdade – sou chamado para uma área do Governo onde eu pratico a minha vida profissional, quando eu sair ‘tou impedido durante seis anos de lá voltar, o que é que eu vou fazer?”. (…). “Mas quais conflitos de interesses?! Porque é que a gente à partida há de pensar que um cidadão que vai p’o Governo vai olhar p’o seu interesse, não p’a pátria”. E avisa: “um dia aparece um populista demagogo que ganha eleições que o nosso risco não é, o nosso risco não é o autoritarismo, o nosso risco não é um golpe militar, longe disso, os militares são os primeiros amantes da paz e da democracia, nós hoje estamos numa democracia e temos de defender os nossos militares”, no programa “Olhos nos olhos”, tvi24.
[6] Foi um fartar de folhagem publicitária: “Banco Nacional Ultramarino pessoas experientes para pessoas exigentes”; - “primeira conta BPA o futuro acontece”; - “Banco Português do Atlântico uma questão de estilo”; - “Crédito Predial Português um banco com respostas”; - “Nova Rede grupo BCP por si até onde for preciso”; - “Banco Comercial Português dinheiro que pensa”; - “Banco Fonsecas & Burnay dedicado a si”. No futuro (2012) os clientes retribuirão a simpatia e atenção: o BCP será resgatado com 3 500 milhões de euros; o BPI com 1 500 milhões; o Banif com 1 100 milhões; e a C G D, banco do Estado para sentar colegas dos partidos políticos, com 1 650 milhões. No entanto, outros países ainda serão bancáveis: Millennium Angola
[7] Como todos, o dr. Borges tinha visão de futuro. “Reforçou a sua argumentação com as posições de insuspeitos professores americanos e canadianos, a tendência a nível mundial é para a tomada de controlo de toda a atividade bancária por parte dos Estados. Seja diretamente por via de nacionalizações ou indiretamente pelo reforço do papel das autoridades monetárias nacionais. Deste modo, e em sua opinião, não está longe o dia em que a atividade bancária esteja incluída no setor público em quase todo o mundo”.
[8] No futuro (2013) os portugueses enfardar-se-ão de carne de cavalo: hambúrgueres de cavalo 0,30 € / unid.; guisar ou estufar com osso 1,99 € / kg; carne para estufar 2,99€ / kg; carne picada de cavalo 2,99€ / kg; bife de cavalo 5,98€ / kg. 
[9] Os preços atuais são em conta: cavalo, uma quarta, 15 €; coca, já em base, 10 €. “Quarta” é o calão para um quarto de grama, no final da década de 80 custará 2 500$00, nos tempos de maior concorrência entre empreendedores do pó comprava-se quartas com meio grama.
[10] No futuro debate-se a bondade do FMI. Augusto Santos Silva, ministro da Defesa do Governo de José Sócrates, na campanha eleitoral de Manuel Alegre (2011): “é que o projeto político da direita portuguesa é um projeto de cedência, é um projeto de resignação, é um projecto que saliva com a simples possibilidade de retirar proventos partidários imediatos de uma eventual entrada do FMI em Portugal. Quem os viu ontem (aplausos), quem os ouviu ontem, quem os viu ontem, tão animados com essa possibilidade de retirar proventos partidários imediatos, de acontecer, eventualmente, esse seria um problema sério para Portugal, percebe bem que em cada momento estão disponíveis para pôr interesses partidários acima do interesse nacional”. Passos Coelho, em 2010, ainda candidato a primeiro-ministro: “trabalharei com o FMI, se for essa a forma de ajudar o país. Para isso é que Portugal faz parte do FMI”. “De mim não ouvirão frases como: daqui não saio nem à bomba, nada desse género, não quero cá ficar como semente”. “Estamos como o Churchill, a seguir à guerra, disse que tudo o que tinha para oferecer era sangue, suor e lágrimas”. “Foram precisos quase 15 anos de despreocupação absoluta, vai-nos demorar cinco ou seis a tirar o corpo da pancada”. Santos Silva, o pensador do Governo Sócrates, responde: “houve ali um sinal de alguma imaturidade política, perdoe-me a expressão, até dá a ideia de uma certa necessidade de chegar ao poder a todo o custo e a todo o preço. Mas os tempos não são de ansiedade nem de imaturidade, admitir sequer, como possibilidade, a entrada do FMI em Portugal, é pôr em causa, no dia seguinte à aprovação do Orçamento de Estado, a nossa capacidade de cumprir esse Orçamento”. Paulo Rangel, eurodeputado, homem viajado nas capitais, afinca (2012): “e essa credibilidade externa de Portugal está mais do que afirmada, apesar de em Portugal haver todos estes movimentos, toda esta contestação, eu posso lhe dizer que os Governos europeus, os líderes europeus, têm um profundo, digamos, respeito e acreditam muito! nos esforços que está a fazer o Governo português, não tenho dúvidas nenhumas sobre isso. O prestígio de Portugal hoje, e do primeiro-ministro, do ministro das Finanças, é enorme. Portanto, isso é um capital muito grande, mas justamente a partir do momento em que temos esse capital, acho que o devemos usar agora! com as novas circunstâncias, nova política do BCE, nova visão do FMI, para tentarmos, enfim, pudermos encontrar pressupostos que a praaaazo, não é amanhã, não é depois de amanhã, não é porventura ainda em 2012, possam minimizar algumas…”.
[11] Condenado ao bloguismo: "Periodista Digital".

na sala de cinema

 “Emanuelle fuga dall’inferno” (1983): “Emanuelle, uma repórter, está demasiado perto de denunciar um funcionário corrupto e é presa sob falsas acusações. Na cadeia, as presidiárias são constantemente humilhadas e torturadas pelas guardas. Prisioneiras excessivamente boazinhas enfiam-lhes a cabeça debaixo de água enquanto as outras são obrigadas a ver. Emanuelle encontra uma inimiga na demente Albina que ‘controla a prisão’. Para deleite da diretora, Emanuelle e Albina são forçadas a lutar uma com a outra com facas. O mau torna-se pior quando quatro homens, aguardando execução, escapam e dominam a prisão”. Para rentabilização de meios, investimento e corpos nus, em simultâneo, com o mesmo casting, foi rodado “Violenza in un carcere femminile”: “Emanuelle entra na prisão sob disfarce para expor funcionários corruptos que brutalizam as presas. Emanuelle está chocada com os horrores e humilhações a que as prisioneiras são submetidas, mas quando a sua verdadeira identidade é descoberta, ela recebe o mesmo tratamento”. A atriz Laura Gemser, nascida em Java, Indonésia, de descendência hindu, satisfazia uma necessidade de mercado: o gosto cinéfilo europeu por carne preta, mormente despoletado pelo erótico sucesso da ítalo-eritreia Zeudi Araya, miss Etiópia 1969, filha de um político da Eritreia e sobrinha de um diplomata em Roma, o esplendor sobre o corpo de “La ragazza dalla pelle di luna” (1972), com a atriz ítalo-sérvia Beba Lončar e filmado nas Seychelles ou “La ragazza fuoristrada” (1973), onde também canta para a banda sonora [1]. Laura Gemser despira-se pela boa causa dos mercados em “Black Emanuelle” (1975): filme que “segue uma aventura erótica de Mae Jordan, uma hedonista jornalista de investigação e fotógrafa, viajante do mundo, conhecida pelos seus leitores como Emanuelle”, um dos “emes” é suprimido por questões de copyright [2]. Gemser fora massagista na Emmanuelle com dois “emes”, “Emmanuelle 2” (1975), com Silvia Krystel. Os mercados não dormem, produzem riqueza todos os segundos, e a atriz israelita Shulamith Lasri deu o corpo ao celulóide para “Black Emanuelle 2” (1976). Ulteriormente a repórter e fotojornalista globe-trotter Emanuelle vasculhará o mundo pela câmara depravada de Joe D’Amato; primeiro, com classe: “Emanuelle in Bangkok / Emanuelle nera - Orient Reportage” (1976) para uma reportagem sobre os ritos sexuais orientais com banda sonora de Nico Fidenco; depois, com badalhoquice: “Emanuelle in America” (1977): “de câmara a tiracolo, expondo o ventre perverso da sociedade, uma orgia de cada vez. Segue-as de um harém da classe alta, para se misturar com a aristocracia veneziana, uma espécie de spa para senhoras ricas, e finalmente depara-se com uma rede de filmes snuff”; nos estábulos do ricaço Eric van Darren (Lars Bloch), Emanuelle e outras convivas de uma festa ecfráctica espreitam uma mulher (Maria Renata Franco) a masturbar Pedro, – tudo normal na arquitetura de Deus da mão feminina para os cabos: da vassoura, da faca e do falo, não fosse Pedro… um cavalo; com banda sonora de Nico Fidenco; “Emanuelle Around the World / Emanuelle - Perché violenza alle donne?” (1977): “é convidada para a Índia, para escrever um artigo sobre o guru Shanti, o homem que reivindica ter conseguido o orgasmo perfeito. Uma vez lá, envolve-se numa variedade de actos sexuais, incluindo um com o guru, ela desmente a sua teoria. Então, vai para Hong Kong para investigar o tráfico de mulheres. Quando regressa à America, junta-se com a colega repórter Cora Norman (Karin Schubert) e ambas bisbilhotam uma pista de homens a contrabandear mulheres para o Médio Oriente”; num ginásio, Chang disciplina as novas escravas sexuais, uma é montada por um pastor alemão, outra pela introdução de uma cobra na vagina; com banda sonora de Nico Fidenco; “Emanuelle and the Last Cannibals / Emanuelle e gli ultimi cannibali” (1977) “ao trabalhar infiltrada num hospital psiquiátrico, Emanuelle depara-se com uma rapariga que parece ter sido criada por uma tribo de canibais amazónicos. Intrigada, Emanuelle e amigos viajam ao interior profundo da selva amazónica, onde descobrem que a extinta tribo de canibais está ainda muito viva e Emanuelle e a sua comitiva não são visitantes bem-vindos”; sangue, castração, violação, canibalismo, desmembramento, com banda sonora de Nico Fidenco; “Suor Emanuelle” (1977) “renunciando ao seu passado pecaminoso, Emanuelle entrou para um convento e tem-se dedicado a uma vida de obrigações. Entra a Monika Catsabriaga (Mónica Zanchi), filha de um abastado barão, inconformista e adepta do amor livre. Emanuelle é encarregada de manter a Monika na linha, mas quando o espírito selvagem da jovem traz de volta memórias do seu passado sensual, Emanuelle começa a questionar a sua própria identidade religiosa e sexual”; “Emanuelle and the White Slave Trade / La vida della prostituzione” (1978) “ao tentar entrevistar um evasivo gangster, a fotojornalista Emanuelle repara num homem a empurrar uma rapariga numa cadeira de rodas através do aeroporto. Mais tarde, noutro país, vê o mesmo homem e a rapariga em pé e a andar. Intrigada, faz um pouco de investigação e descobre uma organização lidando com a compra e venda de mulheres jovens. Ela infiltra-se na organização mas descobre que sair novamente pode custar-lhe a carreira e a sua vida”; com banda sonora de Nico Fidenco; “Emanuelle’s Daughter: Queen of Sados / I mavri Emmanouella” (1980), com Livia Russo: “depois de anos de abuso nas mãos do marido, Emanuelle está num ponto de rotura. Contrata um assassino para matá-lo, mas quando ela pensa que os seus problemas terminaram, o assassino chantageia-a. Enquanto o sócio do seu marido tenta provar a sua culpa e o assassino continua a ameaçá-la, Emanuelle luta para manter limpo o seu nome, e impedir a ingénua enteada de 14 anos de se enredar na teia de perigo que ela criou”; “Divine Emanuelle: Love Camp / Die Todesgöttin des Liebescamps” (1981), com Simone Brahmann: “a filha de um senador americano é arrastada, para um culto de amor livre hippie chamado Filhos da Luz, pelo namorado loiro da líder do culto, uma misteriosa e bela asiática. O culto revela-se não ser bem uma comunidade de amor livre como pretende”. “Emanuelle: Queen of the Desert / La belva dalle calda pelle” (1982) “no início, vemos Sheila (Emanuelle para fins comerciais), atraindo um soldado para uma armadilha e matá-lo. Então ela conhece quatro dos seus camaradas e melosamente oferece-se para os guiar até à fronteira. Não sabemos que país é (aparentemente africano mas, na verdade, filmado na ilha de Chipre), nem por quem lutam os soldados ou por que estão perdidos”. Laura Gemser comprazeu os mercados com outros filmes como: “Eva Nera” (1976); “El periscopio / Malizia erotica” (1979), com Bárbara Rey; “Erotic Nights of the Living Dead / Le notti erotiche dei morti viventi” (1980), com Dirce Funari; “Amore sporco” (1988), com Valentine Demy…
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[1] No mercado de carnes, uma outra cor variega a paleta da liberdade de escolha, uma Emanuelle amarela: “Il mondo dei sensi di Emy Wong” (1977), estreado dia 22 de outubro de 1980 no Odeon, com Chai Lee e a inocente ítalo-húngara Ilona Staller. Casta deputada do parlamento italiano (eleita em 1987 com 20 000 votos) e cândida atriz de “L’ingenua” (1975) ou de “La liceale” (1975) com a espantosa Gloria Guida, cujo 1,70 m, 56 kg, 86-60-86, foi o corpo quente das comédias italianas dos anos 70: – “La minorenne” (1974); “La ragazzina” (1974); “Quella età maliziosa” (1975); “La novizia” (1975); “Scandalo in famiglia” (1976); “L’affittacamere” (1976); “Avere vent'anni” (1978); “La liceale, il diavolo e l'acquasanta” (1979); “L'infermiera di notte” (1979); e cantora. – Entretanto, Ilona Staller prosseguiu mais grossa carreira na arte cinematográfica, chamavam-lhe… Cicciolina. (“Em setembro de 2011, foi revelado que Staller era beneficiária e receberia uma pensão anual de 39 000 euros do Estado italiano, como resultado dos seus cinco anos no parlamento do país. Reagindo à controvérsia suscitada pela notícia, a ex-estrela porno, que começou a receber a pensão em novembro de 2011, quando completou 60 anos, afirmou: ‘eu ganhei-a e estou muito orgulhosa disso’”).
[2] Outras despirão a camisola pelos dois “emes” como Monique Gabrielle, americana, 1,68 m, 59 kg, 86-60-86, Pet do Mês da Penthouse de dezembro 1982, em “Emmanuelle 5” (1987); Natalie Uher, austríaca, 1,78 m, 89-73-92, playmate do Playboy alemão de setembro 1984, em “Emmanuelle 6” (1988), filmado na Venezuela; ou na série “Emmanuelle The Private Collection” (2004-06), a compositora, cantora e modelo holandesa, olhos azuis, cabelo loiro claro, 1,78 m, 90-63-89, Natasja Vermeer.  

no aparelho de televisão

Homens da segurança” (1988) série televisiva de nacional estrepitante ação vivida por dois seguranças de um hotel na península de Tróia. Um gorducho, durão, Carlos Jorge, o Cajó, (Nicolau Breyner), escarninho da autoridade, obediente ao dever, o outro, Filipe Sarmento (Tozé Martinho), apessoado, playboy, um James Bond, como lhe alcunha o bófia local, o subinspetor Humberto Fernandes (Morais e Castro). Com a melhor atriz portuguesa, Manuela Marle, argumento de Manuel Arouca, o melhor autor português, os seus diálogos são rubenfonsequianos [1], brutalistas. Filipe: “mas afinal quem é que paga a conta?”, Luísa (Manuela Marle): “quem é que paga? então, pagamos a meias”, Filipe: “a meias? Mas foi você que me convidou para jantar, afinal, é ou não é uma mulher independente?”, Luísa: “sou independente mas não sou parva”, Filipe: “então se não é parva, dê-me um beijinho que eu pago o jantar” / Filipe: “para dizer a verdade, nunca gostei muito de estudar, sabe?”, Luísa: “não? Então gosta de quê?” (os dois na praia, acontece marmelada, ele por cima, ela, de bela nádega, com os pés enterrados na areia) / Luísa: “que é que você está à procura?”, Filipe: “não, nada, é que, vi-a a falar com aqueles e pensei…”, Luísa: “aaaai, o menino é ciumento, não lhe conhecia essa faceta” / Luísa: “você quer sais de fruto?”, Cajó: “isso não, faz muito barulho” / Vítor Mesquita (Henrique Santana): “antigamente, as senhoras perfumavam-se com requinte, com gosto, educação. Olha, tocavam piano, falavam francês, ah ah não! Olha, mon dieu, tinham chique, como dizia o Eça, chique, e depois sabiam escolher os seus confidentes a dedo. Hoje qualquer rapariga confessa os seus problemas existenciais a qualquer garotilho no metropolitano e até mais baixo que o metropolitano … agora, assim, é que não servem. Uma mulher que numa casa de jantar começa ali catadupas de lágrimas para a sopa, lágrimas na sopa, oh oh são umas histéricas, umas histéricas” / Luísa: “claro que passei! Foi a nota melhor de todas. 15, Filipe, 15 a sucessões”, Filipe: “que bom, hã? ‘tá a ver, isso é que foi estudar, valeu a pena”, Luísa: “ah! até não estudei assim muito”, Filipe: “não? então?”, Luísa: “usei minissaia” / Sofia Moreira (Teresa Clode): “mas você ‘tá em Direito ou ‘tá em Psicologia?”, Luísa: não. Como eu disse há pouco, eu estou a tirar o curso de Direito, só que você não se pode esquecer de uma coisa muito importante, é que eu já estou neste hotel há mais de três anos, é a experiência”, Sofia: “oh, então deve conhecer muito bem o comportamento de uma mulher em férias”, Luísa: “se conheço” / Filipe: “não bebo whisky, nunca … só bebo vinho do Porto” / Sara (Carla Matta): “mas tu já viste o caso de jogadores que se deram mal lá fora? Sei lá, o Chalana, o Gomes, o Oliveira”, Chico (Gonçalo Garnel): “eu sou profissional, se me pagarem” / Filipe: “sabe que no caso do Eusébio registaram-no com o nome de Rute?”, Tomás Mendonça, diretor do hotel (Baptista Fernandes): “o Eusébio, Rute? ah ah ah essa é boa, eu não percebo nada de futebol e eu não sabia” / Vítor Mesquita, subdiretor do hotel, a quem apelidaram Mon Dieu por ter sido emigrante na Suiça: “você seu gordalhufo do charuto, charutos baratos e repelentes e mal cheirosos, fique sabendo, quando não está cá o diretor sou eu que tenho de tomar conta do hotel” / Cajó: “o Mon Dieu apareceu aí há bocado, apontei-lhe a pistola, até começou a falar português”. “Festa é Festa” (sábado, 16 de outubro, 1982 – sábado, 25 de junho, 1983), estreou espetacular, com Baby Consuelo / Pepeu Gomes e o pitedo na plateia numa histeria extrema com os Duran Duran [2]. O programa intercalava música e humor. Uma das rábulas, de Maria Vieira como o chinesinho Faz Chi Chi, aborrecia a embaixada chinesa em Lisboa. A populaça, numa época ainda de reduzida comunidade chinesa em Portugal, gritava-lhes “Faz Chi Chi!” quando se cruzava com um, e nem o embaixador escapava. Após reclamação oficial, a personagem foi cancelada.
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[1] Rubem Fonseca, no livro “Feliz Ano Novo”: “O quarto da gordinha tinha as paredes forradas de couro. A banheira era um buraco quadrado grande de mármore branco, enfiado no chão. A parede toda de espelhos. Tudo perfumado. Voltei para o quarto, empurrei a gordinha para o chão, arrumei a colcha de cetim da cama com cuidado, ela ficou lisinha, brilhando. Tirei as calças e caguei em cima da colcha. Foi um alívio, muito legal. Depois limpei o cu na colcha, botei as calças e desci”.
[2] Na véspera dos seus primeiros concertos em Portugal, Porto 17 de outubro, pavilhão Infante de Sagres, Lisboa dias 18 e 19, pavilhão Dramático de Cascais, bilhete 450$00. Na época, os seus fãs pátrios eram fortemente conotados com larilas, de rímel, camisas de folhos ou blusões com fechos éclair, no trajeto para Cascais, sofriam insultos da malta mais camionista.

na aparelhagem stereo

António Manuel Ribeiro [1], um gatilho da síndrome de Clérambault – ou erotomania em Portugal, seu adónico espelho despoletou um delírio erótico fantasioso numa admiradora [2], – guitarrista e vocalista dos UHF, invoca ruas sem regresso: “esta rua do Carmo é manancial de coisas bonitas, não é? por que a ‘Rua do Carmo’ começa por ser escrita quando eu andava a estudar no liceu D. João de Castro e eu tinha de vir aqui todos os dias, ou fosse na ida para as aulas ou no regresso, eu tinha de passar pela velha Custódio Cardoso Pereira, loja de música que hoje já não existe, a discoteca Melodia também não existe e a Valentim de Carvalho também não existe, e que desapareceram com o fogo”. – Em 1988 o incêndio do Chiado coordenou duas portugalidades. Uma, um exemplo, a outra, uma causa. É um exemplo da inteligência paralela nacional, urbanistas da Câmara de Lisboa embelezaram a rua do Carmo com candeeiros, canteiros, muros e bancos para aprazimento turístico, esqueceram-se dos carros dos bombeiros, quando o Grandella inflamou-se, não havia espaço para eles. E causou o efeito bicicleta, isto é, pedalou para a frente o centro da cultura musical ardendo os arquivos da Valentim de Carvalho e encerrando a discoteca do Carmo. Hoje, a rua, poluída pelo fado regurgitado pelo ex-carro dos chocolates, lambe-se gelados Santini.
Lausperene! O futuro cultural nacional está assegurado com o concorrente do primeiro Big Brother (2000) Marco Borges; futuro musical: “Encontrei”: “olha… er er er… liderou. E esse foi, de facto, o único motivo pelo qual eu deixei de cantar, porque eu como fã assumido dos U2, quando vi que estava à frente de Bono Vox, liguei-lhe inclusive, e disse-lhe: Bono, eu vou-te ser sincero, nunca pensei que isto acabasse desta forma. Garanto que eu nunca mais vou cantar e retirei-me e cumpri a minha promessa”; e futuro livreiro: “já passaram 10 anos, não é? e agora vai sair um livro que a Marta está a escrever, um livro, e acho que passados 10 anos, nós todos recordamos e já passou o tempo suficiente pra nós abordarmos tudo o que vivemos lá dentro, tudo o que se passou lá dentro. Eu acho sinceramente foi, reforço, pá, foi uma aventura fantástica” (programa 5 para a meia noite c/ Luís Filipe Borges).
O estado no sítio, no:
Ku de Judas, 1983, Alvalade, escola secundária padre António Vieira, vocalista João Pedro Almendra: “no princípio dos Ku de Judas, por volta de 1983... o Serpa tocava guitarra, eu tocava baixo e o Bago D’Uva estava na bateria. Mas isso mudou com a entrada dos outros elementos: João Ribas (guitarra) e o Carlos Aguilar (bateria)”; o nome deriva de o Bago D’Uva ter de ir a casa de uma tia na Marteleira, Lourinhã, que ficava no… cu de Judas Anarkia em Portugal” ◙ “Violemos o Presidente”. Continuidade: João Ribas funda os Censurados e está n’ “a génese dos Tara Perdida remonta ao ano de 1995 - mais precisamente ao dia 10 de junho de 1995. Foi exatamente no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, que os músicos se juntaram pela primeira vez no bairro de Alvalade” (site). João Pedro Almendra em 1987 sai para os Peste & Sida: - “a Paulinha é uma miúda que existe. É uma amiga pessoal, que conheci através de umas bandas e que parou muito em Alvalade. Era muito gira: tinha o cabelo preto, olhos verdes e era simpática. Foi uma brincadeira que acabou por tornar-se num mitozinho. Foi a Paulinha como podia ter sido outro nome. Representa um bocado aqueles amores perdidos. Calhou naquele caso haver ali uma espécie de paixão platónica por ela”; em 2003 Almendra funda os Punk Sinatra. Fernando Serpa morreu em agosto de 2010. ♪ Crise Total, 1983, Algueirão, Manolo (voz), Rui Ramos (guitarra), Paulo Ampola (baixo) e João Filipe (bateria), em 1984 são banda revelação no 1º Concurso do Rock Rendez Vous Assassinos no poder” (1984) ◙ “Queremos anarquia” (1996) ◙ “A crise continua” (1996). Continuidade: Rui Ramos está nos Rolls Rockers, esteve nos Profilaxia e nos Feijão Freud. Paulo Pereira (“Ampola”), um dos fundadores dos Censurados é sargento na Marinha. João Felipe emigrou para o Canadá, regressou à banda em 1995, vive nos Açores. Xico, (voz) ex-Subcaos, na banda entre 95-97, funda os The No-Counts Doctrine Of Mayhem. ♪ Subcaos, Lisboa, verão, 1991, “Francisco Dias (aka Xico), João Abrantes, Rui Abrantes e Hugo Begucho, tendo-se esta formação mantido até à Primavera de 1993, altura em que, saindo Rui e Hugo, entrarão novos elementos, Diogo, Topê, Libelinha (ex-C.O.R.) e David. Em abril de 1992, o grupo grava e edita a sua primeira cassete intitulada ‘Genocídio’ e no ano seguinte aventuram-se numa tournée europeia e editam um split EP com os Hiatus, grupo crust belga que os acompanharaSugadores” ◙ “Metal Punk Death Squad” (2009) ♪  Corrosão Caótica, 1988, Benfica, Lisboa, Rui Lucena (bateria), Miguel “Zé Gato” (baixo), Penas (voz) e Cruche (guitarra), em 1989 com João Morais (guitarra) e Paulo “Piranha” (voz) ensaiavam na cave do Penas demoMais uma história de amor” (1990) ◙ apresentação no Johnny Guitar do EP “União e Okupação” (1992), refrão: “Ajude a polícia, bata-se você mesmo”. ♪ Grupo Parlamentar, banda do irmão de Kalú dos Xutos Na minha terra”. ♪ TiLT, Porto, chamaram-se Autocolantes, Aníbal Ferreira (voz), João Antero (guitarra solo), Paulo Fuentefria / Paulo Melo (teclas), Mário Luís (guitarra ritmo), Luís Filipe (baixo) e Rui Ferraz (bateria) Aqui neste país” ◙ “Bolinhas de sabão”. ♪ Speeds, Lisboa, finais de 70, João Braz (voz), Ricardo (guitarra solo), Pedro Oliveira (guitarra ritmo, harmónica), João Ejarque (baixo) e João José (bateria) Today Is Not A Good Day” (1980), 1º lugar no top do programa Rock em Stock: “nós lisboetas, temos uma dicção que não é fácil enquadrar-se no rock. Por enquanto vamos seguir os objetivos inicialmente propostos de cantar em inglês, embora já tenhamos na gaveta, qualquer coisa em português, mas a gaveta está bem fechada. Cantar em português seria uma experiência bastante aliciante. Gostávamos muito de cantar em português até porque gostaríamos de transmitir qualquer mensagem com as letras das nossas músicas, mas neste momento ainda não temos condições criadas para isso” (fotos). Continuidade: alguns membros formaram os Meninos do Coro Há revolta no zoo”. ♪ Vómito, 1986, Queluz, Zé Vilão (voz), Nuno Rafael (guitarra), João Miguel (baixo) João Leitão (bateria), gravaram duas demos: “30 minutos com…” (1988) e “Jequepote” (1989) Os putos da rua” (1988) ◙ “A pita da velha” (1989). Continuidade: Zé Vilão nos Peste & Sida.  Nuno Rafael nos Peste & Sida, Despe & Siga, diretor musical de Sérgio Godinho, dos Humanos, etc. ♪ Bastardos do Cardeal, 1982, Viseu, “Victor Vicente (bateria), Luís Vaz Patto (baixo e voz) e José Pedro Athayde (guitarra). Pouco tempo depois, ainda em Viseu, José Valor (guitarra) é admitido na banda, substituindo José Pedro Athayde que saíra para formar os Dead Dream Factory. Valor tinha uma velha guitarra portuguesa que não sabia tocar e com a qual se apresentou - devidamente eletrificada à sua maneira -, sendo talvez a melhor coisa que aconteceu, na altura, ao projeto, pois operou nela a transformação sonora que, nessa altura, se mostrava necessária, fazendo-a emergir duma adolescência que tardava em acabar”, em 1985 entra Luís Morgadinho (voz) Aranha”: “A aranha quer caçar / Preso na teia / Pensas escapar / Na teia que a ajudaste a montar / Sorris pra nova visão / Do presidente que impera / E que te diz que não” ◙ “O verme”. Continuidade: Zé Valor no Centro de Pesquisas Ruído Branco Ó Maria, vem cá”, nos Lucretia Divina Maria”; com Vaz Patto, mais Ângelo Almeida formam em 1990 os Major Alvega Transpirar”. ♪ Renegados de Boliqueime, 1993, Porto, Frágil (voz), Guerra (guitarra), Rui (baixo) e Giró (bateria): “o seu estilo é reminiscente do street punk / oi! britânico, com música agressiva e crítica, cultivando uma filosofia niilista e de apologia do álcool e das drogas” Troco Deus por uma cerveja”. Continuidade: Frágil, nos Motornoise Não” e nos Frágil and the Alcoholic Friends. Giro, nos Freedoom A morte não espera” e nos Dokuga Cicatriz”. Guerra, nos Motornoise e nos Ghosts of Port Royal Je suis un grand zombie”. ♪ Reposta Simples, 2003, ilha Terceira, Açores, Paulo Lemos (voz, baixo), João Pedro (guitarra) e João Tiago (bateria); Paulo: “nós temos a ideia de querer fazer algo, como ‘tava a dizer, do punk de intervenção social e queremos fazer algo, sobre a próxima revolução, que será deveras importante, seja uma revolução verde, ambiental. Tal como o nome próprio, o nome do EP, chamado Gaia, estamos a falar da mãe Terra e do ambiente e tudo o mais. Nós queremos demonstrar o efeito que o ser humano tem no planeta Terra e a destruição…” Revolução pessoal” (2005) ◙ “Sem cura” (2010). Menções punkhonrosas: Minas & Armadilhas S.A.R.L.: ”Minas e armadilhas / É só que quero / Minas e armadilhas / P'ra tudo rebentar / Minas e armadilhas / A minha luta / Minas e armadilhas / O meu conspirar”; vocalista Paulo Borges, um aluno de filosofia tergiversado em budista, Paulo Ramos (guitarra), Zé Eduardo (baixo) e Peter (bateria), sobram apenas fotos & relatos: 2 de maio de 1979, concerto no liceu D. Pedro V: “e entrou o segundo grupo, autêntico conjunto de minas e armadilhas para a sensibilidade musical, mas que conseguiu ser melhor que o anterior. Tocou foi um pouco demais, dado que as pessoas começaram a sentir a necessidade de ir arejar um pouco a meio da atuação”; em outubro de 79, na Sociedade Alunos de Apolo, João Cabeleira substituiu Paulo Ramos. ♪ Inkizição, 1988, Aveiro, The Fascist Inside Me” ◙ “Até que alguém se foda”. ♪ Skamioneta do Lixo, Lisboa, Aveztruz” (1996).
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[1] Áuspice: “o meu avô paterno tocava concertina e fazia bailes sozinho. Eu comecei a cantar na igreja, ao lado do meu pai, tenor de orfeão. Ia ver os saraus e cantava ao domingo na missa. Já tinha uma voz forte, chamavam-me o ‘homem grave’. Tinha 12 anos” (no jornal i).
[2] “Ela ficava à porta, ligava o alarme do carro. Sabia coisas da minha vida que remontam a 1989. Mandou-me 1900 mensagens, dizia que a minha vida ia ser um inferno, com ameaças de morte e castração com ácido sulfúrico”. Ana Cristina Fernandes, a perseguidora, foi condenada em 2010 a dois anos de pena suspensa e ao pagamento de indemnizações por danos não patrimoniais, 15 mil euros ao popstar e 7,5 mil euros a Ana Seabra, sua namorada na data dos factos.

60 Comments:

  • At 4:42 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    1982, que dizer de tão belo ano? Tão radiante como 2013 e seguintes e anteriores. Portugal estava na falência, no Governo de Balsemão, as dívidas ultrapassaram a fasquia de mil milhões de contos, mas isso é para posts seguintes. Ângelo Correia era ministro, o que nos lembra que não foram feitas as reformas estruturais, o lixo que faliu o país não foi varrido e estão todos alegres no mesmo lugar, agora muito felizes no regresso aos mercados. O sonho de Ângelo foi uma polícia forte, ele sabia muito bem que para o proteger, guardas da PSP não bastavam. Tal como hoje, não se percebe muito bem como é que o Governo quer receber receita se não abrir exceções nos cortes da função pública, para que os funcionários dos impostos não sejam prejudicados, a não ser que lhes devolvam os cortes sob forma de prémios de produção.

    Ainda ninguém fez, ou se fez não conheço, a história da recuperação de Portugal pelos grupos e famílias financeiros expulsos no 25 de abril. Explicaria o que significa isso de viver acima das possibilidades, que no fundo não é outra coisa senão, num país pobre, um excesso de financeiros viveu à conta do Estado. Ver os velhos banqueiros, radiantes, no dia do sucesso da colocação de dívida (como se alguém comprasse dívida cotada de lixo sem ser especuladores atrás de um ótimo juro), deve fazer-nos estar confiantes no futuro.

    A vida decorria como sempre. Aumentos atrás de aumentos e a inflação nos dois dígitos. Com uma coisa curiosa para mitigar (palavra moderna), aumentava o preço do pão e baixava-se no peso. O pão de 250 g passar a pesar 240 é genial, tão genial como distribuir duodécimos pelos meses do ano para ajudar as famílias.

    Por outro lado Portugal não tinha mercado para a cocaína. Era cara, não havia jovens CEO, mas no final da década, não só o cavalo baixara de preço por pressão da concorrência, como já todos tinham acesso democrático à coca.

    Há uns conceitos económicos, na linguagem do FMI daquela altura, que não sei o significado: “ajustamento”, “contração”, “desemprego”, felicidade e muita riqueza no “segundo trimestre”; estas palavras caíram em desuso e nem no dicionário encontrei o seu significado.

    Foi um ano de muita sarrafada, morreram duas pessoas no 1.º de maio no Porto, explodiram bombas, na avenida da Liberdade, o objetivo eram os balcões de companhias aéreas mas, muito pior, danificaram a Cova da Onça. Foi baleado um turco em Linda-a-Velha, talvez a única coisa interessante que aconteceu em Linda-a-Velha.

    E veio o Papa. Os industriais dos santinhos não tiveram mãos a medir e os carteiristas também. E o padre Krohn que foi travado pelos nossos heróis guardas da PSP.

    Nos linques: Manuel foge da Emanuelle preta, alguns filmes foram realizados pelo Joe D’Amato e ele não é pessoa de confiança, não pude deixar de referir uma grande atriz italiana, sonhos de muitos boys, Gloria Guida, apesar de ela ser mais dos anos 70, em 80 casou-se e aquilo passou a ser propriedade privada.

    A Cicciolina recebe uma pensão de 39 mil ao ano por 5 anos de parlamentar, então Mira Amaral, Ângelo Correia, Alberto João Jardim, e mais uns milhares, não merecem? Merecem até serem aumentados.

    E, apesar de não ser dos anos 80, o futuro da música portuguesa estava no Marco do Big Brother, que segundo li, é uma grande sensação na China, nessas coisas da porrada para defesa. E que Portugal não soube aproveitar os dotes musicais e outros.

     
  • At 9:47 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: as baladas do século XXI, os temas são diferentes, já são se fala de pobreza e justiça, mas de bits e medicina de ponta:

    http://www.youtube.com/watch?v=y-bYSC6OT6s

    E, para leres as notícias de um mundo em mudança, um mundo nas redes sociais:

    http://www.uproxx.com/webculture/2013/01/the-girl-who-sucked-a-bloody-tampon-on-youtube-is-facebook-married-to-the-guy-who-ate-his-own-poop/

     
  • At 11:35 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Hoje tou sem tempo para comentar, deixo-te bolachas:


    http://data.whicdn.com/images/2252253/tumblr_l2eqsqe3AV1qbb5axo1_500_large.jpg


    e louça das caldas pós-moderna:


    http://kiggor.tumblr.com/post/41803880030

    Don Medina

     
  • At 8:29 da manhã, Blogger Panurgo said…

    Táxi, falar destes compadrios todos... very big mistake

    http://www.youtube.com/watch?v=Mwi-Vh0JL2A

     
  • At 9:17 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: a arte! sempre a causar polémica, e se há polemista, povo informado para polemicar, é o luso. Até este ano, aspiradas as doze badaladas, nasceu logo uma polémica em Portugal: qual de dois era o bebé do ano.

    Esta série, Community, era uma coisa maluca. Já nem sei se a fábrica das Caldas ainda manufactura ou já é tudo maquinizado.

    Como é um rapaz clássico, que gosta de cultura, aqui tens ópera:

    http://www.youtube.com/watch?v=P2jn_lxrrPg&feature=youtu.be

     
  • At 9:23 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Panurgo: um grande valor lusitano que emigrou, um homem da antiguidade clássica, mente sã em corpo são, ele também é intelectual, cronista do rico quotidiano português na TV Mais, ou noutra igual, um país que deixa sair a sua geração mais bem preparada, é um país que empobrece.

     
  • At 10:41 da manhã, Blogger São said…

    Ainda me lembro dessa de dever cada português 77 contos...agora devem ser 7oo

    Fica bem

     
  • At 11:04 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: são 20 mil euros que cada português deve, nem vale a pena fazer a conversão porque são tempos não comparáveis.

    Ontem li que vão dar mais tempo para pagar as contas, luz, água, etc. É novidade para mim que se pagasse contas em tempo, sempre pensei que fosse em dinheiro. Mas compreendo que dar tempo sai mais barato do que dar dinheiro (que está pelo preço da morte). good week

     
  • At 11:15 da tarde, Blogger Campista Selvagem said…

    "Bom eu só quero o regresso do café a doze paus, mesmo admitindo aumentos de 26 a 29%...
    Já agora pergunto, onde é que a malta tinha a cabeça, dar nove mil reis por uma grama de coca, era muita fruta.

     
  • At 2:12 da manhã, Blogger Vanessa Monique said…

    Oi,
    obrigada pelos seus comentários.
    Volte sempre no meu blog.
    És muito bem vndo, sabe disso não é mesmo?

    Beijos!

     
  • At 3:53 da manhã, Blogger Tétisq said…

    Duran Duran por 450 paus ?!? Uma vez qu nos querem empobrecer até mais ou menos essa epoca podiam recuperar esse preço, para os festivais
    Não me digas que também foste a esse...tinhas camisas de folhos?

     
  • At 6:43 da tarde, Blogger São said…

    Sabes que mais? Para mim, Portugal deixou de ser país há muito tempo...e cada vez o é menos.



    Beijinho

     
  • At 1:15 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Táxi, os filmes do Joe D’Amato passavam nas noites de sexta de um canal espanhol, acho que a tv galiza. Tenho o Antropophagus para ver.

    Uns filmes que guardei para ti:


    Le foto proibite di una signora per bene

    http://www.youtube.com/watch?v=M4YX4sUfwk0


    Le Tueur

    http://www.youtube.com/watch?v=sYXiBiC6v1Q


    Le pont du nord

    http://www.youtube.com/watch?v=GP-gaE1yBfk


    Don Medina


     
  • At 11:35 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Campista Selvagem: a heroína era mais cara e vendia-se bem, devido ao empreendedorismo, os preços vão estabilizar e manterem-se estáveis, ainda hoje está pelo mesmo preço, no caso do café, se não fosse o Nabeiro, já estaria pelos 5 euros.

     
  • At 11:35 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Vanessa Monique: oi, Monique, sempre na moda sempre elegante :)

     
  • At 11:35 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Tétisq: parece que os nossos parlamentares querem pintar um clima de empobrecimento, ressuscitando a TV rural, mas o que eles deviam pedir era TV a preto e branco para entrarmos no espírito da época. Esqueceram-se foi que, nos anos 80, havia na TV, um boletim do ministério da Agricultura, podiam ter ido por aí, mas não, queriam renascer os tempos em que viam os desenhos animados do Vasco Granja.

    Não vi os Duran Duran, havia uma carga muito negativa, ser conotado com essa banda, um homem apanhava logo fama de maricas. Mas usei muitos blusões cheios de fechos, mas ouvia Iron Maiden, logo não corria perigo de má fama.

     
  • At 11:36 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: é um país e é muito bom. Quem o percebe é o Ulrich, ainda a procissão vai no adro, isto vai avançar com muitos sem-abrigo, não sei se veremos banqueiros nas ruas, pois são eles que controlam os políticos, mas veremos de todas as profissões. Abrem três cantinas sociais por dia, D. Amélia é que estaria muito feliz, acho que foi ela quem as inventou em Portugal, já no tempo de D. Carlos havia fome, mas as balas eram baratas.

     
  • At 11:36 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: grandes filmes, tinha lido que o Gabin tinha no contrato uma cláusula em que ele tinha que morrer nos filmes, deve ter sido peta, neste ele não morre, apesar de não novo. O Rivette vai servir para a secção de cinema dos anos 80.

    Então por aí fecharam as salas de cinema? Mas que grande oportunidade para o empreendedorismo. De regressar aos tempos em que o projecionista percorria as cidades e aldeias da nossa terra numa carrinha trazendo sonho e fascínio pelo cinema. Com o projetor, passava os filmes na parede da igreja.

     
  • At 3:25 da tarde, Blogger São said…

    Foi , sim, DªAmélia que abriu as cantinas sociais, mas se calhar nunca pensou como se multiplicariam
    e, ainda por cim, neste século XXi.

    Como eu já escrevi algumas vezes. os nazis assassinavam directa e indirectamente em nome de asuperioridade da raça - começando logo pelos deficientes alemães, que além de serem aberrações da superior raça ariana ainda consumiam dinheiro ao Estado - presentemente os patufes de turno assassinam em nome da Economia e dos mercados!!

    Vi por aí o nome do beato João Paulo II, mas fica para a próxima.

    Boa tarde

     
  • At 4:06 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Em Viana está a fechar tudo. A loja do Papagaio continua, ainda que com o papagaio embalsamado. A mim não me afecta o fecho do cinema, não posso ir ao cinema, sofro de gases e não posso estar mais de 15 minutos numa sala fechada.

    Andei a ver uns filmes do Rivette, só conhecia 2 ou 3 da tv.


    Um do Rohmer dos eighties:

    http://www.youtube.com/watch?v=xTDt7H3Oego


    Invasion of the Star Creatures (tá todo no tube)

    http://www.dailymotion.com/video/xt131_invasion-of-the-star-creatures_shortfilms#.UREqTo5NCBI

    Agora o Paulo Eno trabalha em Viana (como sempre na Câmara - cultura). O Eno é este:

    http://www.youtube.com/watch?v=ydB9pJqN3Kg


    Don Medina

     
  • At 4:49 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Holger Czukay - Saturday Night Movie

    http://www.youtube.com/watch?v=WUOloFQb0LU

    Sacristão cobra 30 euros para tocar sino à distância

    A população da paróquia de Ventosa, em Vouzela, está revoltada com um sacristão que está a cobrar 30 euros aos familiares dos defuntos para acionar, a partir de casa, o comando do sino da igreja, com sistema automatizado...

    http://www.jn.pt/multimedia/video.aspx?content_id=3030102

    Do Medina

     
  • At 5:11 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Tenho de arranjar isto:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Propaganda:_The_Formation_of_Men%27s_Attitudes

    Don Medina

     
  • At 8:10 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Estive a reler umas páginas do Gilles Cagalhoto.

    Há um devir-cagalhoto da sociedade portuguesa. Só através de um brutal processo de descagalhotização será possível atingir/fabricar o Corpo Sem Cagalhotos.

    Ou isso ou ouvir as palavras do Senhor Jesus:

    http://www.youtube.com/watch?v=2Eeo9vNfwB0

    Don Cagalhoto

     
  • At 9:14 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Bem, vou prá cama ler o Bonjour tristesse do Carl Sagan.

    Não te preocupes que não comento tão cedo Táxi!

    Don Medina

     
  • At 9:28 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: João Paulo II esteve por cá em 1982, e os nossos PSP e o seu ministro Ângelo Correia brilharam na captura do padre Krohn. A visita foi muito boa para o comércio vendeu-se bastante merchandising, e sempre foram uns dias de festa. Esqueci-me de comparar com a mais recente visita papal do Benedictus, em que também Sócrates viu milagre, mas tenho que arranjar forma de incluir num dos próximos.

    Não será bem morrer. É mais arranjar um local (um lugar social, não um lugar físico, claro que uns fornos dava jeito, mas as coisas estão mais evoluídas e para matar não é preciso gastar dinheiro em gás), para meter os desempregados que nunca mais terão emprego, os sem qualificações, os reformados, para deixar que os mais bem qualificados, génios saídos de institutos e universidades, tomem as rédeas e façam o país ficar tão rico em ouro e plástico que o centro na Europa muda-se para cá. Ontem, estive a ver o Medina Carreira que levou ao seu programa um jovem, bom, ele era careca mas não tinha um cabelo branco, era muito estranho, que tinha uma ideia mais ou menos assim.

     
  • At 9:33 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: o Rohmer tinha uma falha grave que chutava os seus filmes para fora do conceito mundial de arte: não despia a atriz principal, nem essa nem as secundárias, nem parece um francês. Eu não vou ao cinema, precisamente desde os anos 80, porque sou pela barbárie, pelo disseminar da ignorância, pela invasão dos bárbaros do norte que arrasem a cultura do sul, incluindo a agrícola, mas podiam manter o “TV rural” na mesma.

    Teremos que beijar chinesas para ter energia, ou isto será só com aliens? Eis algo para os nossos deputados se debruçarem no seu afã de mitigar. Paulo Eno, seja dos sais de fruto, ou do moço inglês, vocês têm sorte, a cultura está salva. Embora dançar sobre um banco não é boa ideia, é que cair em certas idade, é um caso clínico muito complicado. Quem sabe se não será possível fazer uma Ibiza em Viana, aproveitando os estaleiros (a propósito vendam isso à máfia russa, é a que defende os interesses com mais empenho).

    Terei que usar o Czukay, já tenho bastantes filmes e música, veremos se serão os suficientes, pois cada ano ficará com mais de cinco posts. Já escrevi sobre os produtores dessa época, Stock, Aitken e Waterman, mas ainda não tive coragem de pegar no outro, o Trevor Horn, por causa dos Art of Noise, e sim, penitenciou-me gostava daquela intelectualidade toda.

    Queriam sino de borla? Onde é que essa gente vive? Nem o Hemingway os teve. Mas o sacristão foi claro: “vão lá tocá-lo”. E é isto que o ministro Álvaro anda a pregar, o do it yourself mas com valor acrescentado. Ele devia cobrar 30 euros por cada orelha, por direitos de autor, e com taxa de cópia privada.

    O Jesus está com azar até o UIrich cita-lhe o salário, para dar matéria publicável aos jornalistas, onde andará o economista da ONU? Esse é que sabia falar aos jornais.

    Intelectuais franceses. Não sei se ler o artigo todo da Wiki substitui a leitura do livro. É possível. Tens visto que nos últimos tempos, cultura francesa (música, livros, filmes) só é consumida nos países africanos francófonos, por isso é que Hollande marchou logo para defender os seus mercados no Mali. E ganhou o cognome de libertador de Timbuctu, sacré blue ou holy fuck!

    Na cama, pelo menos, com a Juliette Greco, para dançar, a Jean Seberg:

    http://www.youtube.com/watch?v=8qQnpNfNAZk

     
  • At 10:16 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: tem muito cuidado com o que desejas se te aparecer um génio:

    http://www.youtube.com/watch?v=9vq63q45qfk

     
  • At 2:56 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Love Will Tear Us Apart:

    http://www.youtube.com/watch?v=Z_8CPhfTxyU

    Don Division

     
  • At 3:24 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Hora do lanche:

    http://www.youtube.com/watch?v=mAvKNsYU6j8

    Don Medina

     
  • At 3:31 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Raul Ruiz - La Colonia Penal (1970)

    http://www.youtube.com/watch?v=QeKKBQxdHBU

    DM

     
  • At 8:10 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    enganei-me, o filme completo tá aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=QeKKBQxdHBU

    Vou ver.

    dm

     
  • At 11:20 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: com o canto tuvan os Division ficam muito melhores, e nem é preciso ir a uma igreja gravar. Tenho que guardar isto para meter na música em vez dos Joy. Apesar de não serem dos anos 80, Curtis pendurou-se em 80, e foi depois disso que os nossos esquerdalhados começaram a notar o grupo que a abraçá-lo como uma coqueluche.

    Mas o Van Gogh lanchava? Sempre pensei que só comesse orelhas, no castiço falar luso, couratos. Agora com as políticas europeias e a PAC já não são possíveis campos assim, para pintar cereais é preciso viajar aos celeiros do mundo (isto é, das multinacionais que controlam a paparoca).

    A colónia penal é a do Kafka? Ou o nascimento da social-democracia?

    Então a vossa exportação de talentos vai de vento em popa ou proa? O vosso deputado, aquele gordochito caixa de óculos, quer ser presidente da Câmara de Gaia? Quem sabe se não o veremos nos mais altos cargos da nação, e lá vocês terão que se cotizar para estatua-lo.

    Ilhas ocupadas, não por homens, mas por animais (distinguem-se por serem mais racionais):

    http://www.thenatureanimals.com/2013/02/7-islands-occupied-by-animals.html

    As vantagens das famílias numerosas de que tanto gostam os CDeSes:

    http://www.youtube.com/watch?v=4327HSXY56k

     
  • At 6:37 da tarde, Blogger José said…

    Taxi, ler os teus posts,é como ler a Bíblia em fascículos, só há uma pequena diferença, o que dizes aqui é tudo verdade.
    Eu os teus textos nem sempre os leio todos de uma vez, mas os os comentários leio os sempre.
    Querem voltar à TV Rural, isso deve ser coisa do Relvas, e da Cristas que qualquer dia tem ir para a Maternidade Alfredo da Costa, se ainda não tiver fechado, mas para quê, a TV Rural se já não há agricultura, e o Sousa Veloso já morreu, não sei se ele hoje diria, despeço-me com amizade, essa palavra com o novo acordo ortográfico, e a entrada do Passos foi erradicada do dicionário português.
    Esse Vampiro do Ulrich. Vou abrir uma conta no Banco dele só para ter o prazer de a levantar no outro dia, não ponho mais que ele pode-me roubar durante a noite. Os culpados dos sem abrigo a falarem assim deste jeito.

     
  • At 9:12 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    O Táxi é obrigado a passar por um detector de mentiras depois de escrever aqui, é por isso que ele fala verdade.

    Musiquita para alegrar a noute:

    http://www.youtube.com/watch?v=aqPGWTpQiYQ

    Don Mariachi

     
  • At 9:29 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Continuando em ritmos latinos...

    http://www.youtube.com/watch?v=F-kjMIJWn5k

    dm

     
  • At 9:40 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    O mundo tá a ficar violento:

    http://www.youtube.com/watch?v=m0VPPJscIL4

    Don Lama

     
  • At 10:03 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    As sempres sábias palavras do Zizek (o filósofo com nome de mosca):

    http://i.qkme.me/36j1ch.jpg

    Don

     
  • At 11:24 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    José: estou sempre a contar que não seja possível ler tudo, ou alguém poderia ficar chocado, mas o que me interessa é louvar os grandes vultos deste relvado à beira mar plantado. O que deveria voltar era a TV a preto e branco para criar o ambiente para vivermos com os rendimentos que restarão à maior para daqueles que não foram ajuizados e não seguiram o conselho de emigrar.

    O Ulrich é um filósofo, foi o único que disse sem papas na língua o que vai acontecer: o número dos sem-abrigo vai aumentar e muito com a reforma de Estado, ou seja, desviar o dinheiro para quem o merece, meia dúzia de famílias, e retirá-lo desses parasitas, os desempregados, os pobres, os pensionistas, etc.

    Um país que mantém em atividade empresas falidas, que não permite que as leis do mercado cumpram a sua função de limpar a sociedade daquilo que é prejudicial, isto é, que não deixem falir os bancos, terá triste futuro. Deveria haver apenas um banco, e público, bem gerido, que a Caixa está carregada de prejuízos, mas não existe em Portugal pessoa com inteligência para tal, talvez tivesse havido, talvez o Alfredo da Silva.

     
  • At 11:25 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: o Parker andava nas drogas mais duras, marijuana era mesmo para a cucaracha, é como eu quando vou ao café e encontro a old school. Epá! pôr um intelectual com banda sonora dá sempre um bom efeito, e esta malta não perdoa, meteram o Yorke com outros sons. Holy crap! mataram o Biebs? Que raio de argumentistas são estes que querem uma cultura americana competitiva, e ainda por cima ele é canadiano, vê lá se fizeram o mesmo ao Leonard Cohen?

    O capitalismo é sempre bom, dá-nos penteados ótimos e roupas fixes, e a possibilidade de despentear e de despir.

    Ando à volta do João Broncas, é uma grande confusão os títulos em português, acho que isto sucedeu o mesmo que à Emanuelle preta, todos os filmes passaram a ser Emanuelle por causa da Laura Gemser, mas quando foram rodados a personagem não tinha esse nome. O Broncas também anda pelo mesmo caminho, e o imdb está com erros, não há forma de confirmar. Depois, falar de filmes italianos é abrir uma caixa de Pondora, chamada atrizes italianas, que era uma malta que tinha o costume de se despir para a Playboy, resumindo, há matéria para mais uns longos parágrafos.

    Elas eram o contrário dos ianques, nuas pela arte, vestidas nas ruas. Olha que bonito telegrama a CBS enviou aos artistas dos Grammys, aquela malta aproveita estes eventos para mostrar o reservado a privilegiados. Até a mosca morta da Anne Hathaway mostrou a sua pipoca mais doce ao mundo:

    http://www.foxnews.com/entertainment/2013/02/07/cbs-cautions-grammy-performers-not-to-expose-themselves-on-tv/

    Música edificante para a alma:

    http://laiika.tumblr.com/post/42528010294/lets-sing-the-honour-of-women-soldiers

    E tu que gostas de ler livros, eis uma cruzada cristã.

    http://arouseyourpassion.blogspot.ch/2013/01/four-mop-headed-anti-christ-beatniks.html

     
  • At 3:43 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Um hipster:

    http://cdn.memegenerator.net/instances/250x250/24891072.jpg

    dm

     
  • At 7:20 da tarde, Blogger Rafeiro Perfumado said…

    Soubesse eu isso e tinha pago os meus 77 contos na altura, agora certamente que me deixariam em paz. Abraço!

     
  • At 12:06 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: grande hipster, faria sensação em Carnaby Street ou em Greenwich Village, e quem sabe se Ginsberg não se apaixonaria, e o ajustamento russo à sociedade industrial não seria mais… cor de rosa.

    A Meytal a toca Tool:

    http://www.youtube.com/watch?v=K84ymNFuu6U

    Insistindo em que a bateria seria um ótimo instrumento de dialogo:

    http://www.youtube.com/watch?v=FQ10ZdiSJe8

    Eis a roupa que faz falta, o tecido que nos mostra se podemos avançar e não levar o estalo da praxe:

    http://helablog.com/2013/02/this-dress-becomes-see-through-when-you-become-sexually-aroused/

    E a razão por que a América é uma democracia, as pessoas têm forma de se defender:

    http://www.vidiload.com/video/110588/13yo_Girl_Handles_Weapons_Like_A_Boss/

     
  • At 12:06 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Rafeiro Perfumado: não sei se seria suficiente, com certeza que descobririam que não foram pagos uns tostões e viriam cobrar com juros e correção monetária, é preciso não esquecer que temos a malta mais bem formada de sempre: António Borges e Carlos Moedas, o Relvas vem depois, é de curso posterior.

     
  • At 1:53 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Táxi, esta resposta do Tim Maia parece tua:

    L.L.G. - Ah, o Ray Charles está vindo aí agora. Convida ele...

    T.M. - Mas ele tá vendendo pouco disco. Prefiro o Leandro e Leonardo, que tão vendendo muito mais (risos).


    http://entrevistasempauta.blogspot.pt/2011/05/tim-maia-inedito.html

    Ton Medina

     
  • At 8:31 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: fónix! também ando como ele, “galo velho empoleira cedo”, ando a acordar à meia-noite, e nem sequer muito inspirado para escrever. "Ou dá
    ou desce!" eis algo que o José Jorge Letria diz quando nos vê a consumir algo de borla, dos autores. Eu não só diria que prefiro música sertaneja ao Ray
    Charles como não riria e até provaria pelo acompanhamento de Cleber e Cauan.

    Embora, o Chuck não goste.

    Entretanto,o Ray deu-se bem no hospício.

    Neste dia em que o mundo ressaca com a resignação do Papa, e eu espero que o próximo seja o Papa preto, para ver se as profecias
    se confirmam, deixo uma miscelânea de links for your pleasure.

    Primeiro, para
    os sentidos, a aisthesis grega, a Ai Shinozaki, ai!

    Para escolheres a bebida, eu
    vou por um copo de absinto com Picasso.

    Para a redenção, uma canção para
    purificares a alma: Jesus Christ is my nigga.

     
  • At 8:13 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Cara lê essa coisa aí:

    http://entrevistasempauta.blogspot.pt/2011/06/gilberto-freyre.html

    Medina Don

     
  • At 10:14 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: ontem, o comment ficou com uma estranha forma de quebra de linha, a ver se hoje consigo melhorar este pain in the ass, como não percebo nada desta traquitana, vou pelo caminho mais longo e ainda por cima tenho que pensar, o que é uma atividade avessa a um português dos cinco costados, como eu, eu e o Toy. Ainda não tive tempo de ler a entrevista, mas sendo Playboy tem logo marca de qualidade, eu também, sendo intelectual, comprava a Playboy pelos bons artigos e preferia a edição brasileira por ter menos photoshop... nos artigos.

    Em primeiro lugar, a melhor cena dos filmes de caubóis, claro, filmados no único oeste que existiu, em Almeria.

    Freyre devia estar-se a referir ao Niemeyer, como Facundo Cabral. Bowie em 360 graus.

    As bitches quando se zangam até os táxis fogem.

    E, uma sugestão de emprego: pintor.

     
  • At 11:11 da manhã, Blogger São said…

    Se queres falar e Bento XVI, despacha-te, que o homem decudiu desandar,rrsss

    Beijos

     
  • At 9:06 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Don e Mulher Filé:

    http://www.youtube.com/watch?v=Ha0eJJ8ddJw

    Di Medini

     
  • At 10:27 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    O Demis Roussos indie:

    http://www.youtube.com/watch?v=3lUstPGC_Kg

     
  • At 10:28 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    O Demis Roussos indie:

    http://www.youtube.com/watch?v=3lUstPGC_Kg

    Do Medonu

     
  • At 10:03 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: mas ele vai andar por aí, quem sabe se ainda não o vemos numa discoteca ou numa festa rave. Até poderá candidatar-se a colega do Franquelim Alves, para a inovação de Portugal, parece terem a mesma idade.

     
  • At 10:32 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: filé mignon é favor, aquilo é alcatra; um Roussos mais pianinho, que cante ao ouvido e aqueça os corações, seria muito bom para os mercados na Europa (e agora para exportar para os EUA, os líderes andam com a parva ideia de um grande mercado entre os dois continentes, talvez situado no Atlântico. Há crise no capitalismo, a solução é sempre a mesma: abrir mais mercados, sempre gostaria de saber o que sucederá quando isso não for possível, como a América tem o pior presidente de sempre, algo de bom acontecerá dentro de 10 ou 20 anos, quando isto der fruto.

    Andei bloqueado com o post que estou a escrever, como entrava esse grande homem da década de 80, Cavaco Silva, não encontrei quem o cantasse, Camões, Shakespeare, Dante, Homero, não, demasiado pequenos para o vulto, ainda tentei François Villon, mas nada, até que me lembrei de um sacana Luís XI, bom, Michelet diz que não foi, mas ele não estava lá, tenho que dar por bom os cronistas, e cai como luva em Cavaco.

    Nesta época de carne de cavalo, e como os nossos técnicos usam testes diferentes, nada de ADN, nem coisas de laboratório: pegam numa embalagem de Findus, comem e se começarem a relinchar, é carne de cavalo; se mugirem é de vaca; Portugal poderia exportar a sua tecnologia e inovação.

    Assim, fica um vídeo de carne para uso na música.

    A namorada que ainda rouba o canto ao Marilyn Manson.

    E Lance Armstrong pedala para a sua dose de doping.

     
  • At 5:06 da tarde, Blogger José said…

    Passei por aqui e dei mais uma vista de olhos, nos comentários e fiquei mais focado, nesse grande vulto da nossa história, que ficará para sempre na memória dos portugueses. O homem que tem um chalé na urbanização da Coelha,e fiquei pensando se não será desta coelha, que nasceu este coelho, que não há meio de lhe dar a moléstia.
    Depois fartei-me de rir com a carne cavalo, e o relinchar de cada animal. E lembrei-me que na assembleia da republica, têm na ementa carne de porco preto alimentado a bolotas, dai não me
    admirar eles passarem a vida a "gornir" como se diz aqui na minha terra.
    Abraço.
    José.

     
  • At 12:58 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Sessão da noite

    http://www.youtube.com/watch?v=XxbAEiKDZhk

    dm

     
  • At 12:21 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    José: se há sítio onde o Estado tem que ter muita atenção na qualidade da comida, não é nas cantinas sociais, que isso é malta vadia, e de boa boca, enfarda tudo, é na Assembleia da República. Se comerem mal, se lhes faltar as proteínas e caírem na fraqueza, corremos risco de as lei feitas no escritório do Sérvulo Correia, ficarem cheias de erros e truques para, quem pode, por alma alta ter, conseguir contorná-las.

     
  • At 12:31 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Don Medina: bom filme, vou guardar para a secção cinema, a ver se consigo enquadrar a Rosa Luxemburgo, nem sei se ainda tenho algo dela ou sobre ela.

    No Japão um ida um concerto é saudável, a malta não anda a fumar coisas estranhas, nem a beber, por cá nem os concertos do Tony Carreira, se safam, por lá fazem aeróbica.

    No tempo dos cowboys.

    O Lemmy do futuro ou o futuro do Lemmy.

    E, os bordéis do futuro vão preservar a virtude das mulheres.

     
  • At 8:50 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Padre Fernández Krohn; bloguero de "Periodista Digital"....

     
  • At 11:40 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Holy fuck!! o padre Krohn é bloguista? é castigo divino, não se pode descer mais baixo, até o inferno fica dois degraus acima.

     
  • At 1:53 da manhã, Blogger Tétisq said…

    Oh! Tenho que ver o blog do krohn...

     

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