Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

domingo, janeiro 03, 2010

Diferenças

António Vitorino, chichisbéu, engatatão, dom-joanesco pilrete socialista, um
docinho, empandeirava com a maioria absoluta, boquejando para os jornalistas: “habituem-se!”. Quatro anos volvidos, chuchando uma minoria no Parlamento, bradeja “ó tio, ó tio”, presidente da República alforria-nos da oposição da Oposição que entaipou a “governabilidade”. Pedíssequo do Governo nos meios de comunicação, não abre a boca para sandejar, noutra revista à portuguesa, ele diria, como Laura Alves, “aguenta que é serviço”, pois o presidente é de outra “família política”, mas naquela em cartaz, Vitorino está amodernado. Numa democracia bi-partidária civilizada, o poder alterna-se, e nas casas de alterne – instituições, assembleias ou fóruns políticos – as diferenças não são ideológicas, são “gajológicas”. O balde é o mesmo, a substância fecal, a mesma, o que muda são os gajos, são diferentes, o resto é igual.
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Com orgulho, no país do arroz de favas, a
unidimensionalidade marcusiana concretizou-se. A política publicada, que o povo carinhosamente chama de chachada, é a expressão oral da integração dos vários estratos sociais, consequência do crescente nível de vida*, amplificado pela particularidade dos maiores empresários nacionais serem apenas merceeiros, e tratarem do corpinho popular com recheadas prateleiras**. O país da canja com moelas e fígado*** falqueia as dissemelhanças, reduzindo tudo ao Uno de Plotino, alteando-se ao “lugar” um dos Muse, em mais uma (possível) exportação – a cosmovisão. Os entretidos jogos de diferenças serão curiosidade de salão e na sala da vida abscindirão discrepâncias: por exemplo, entre o cinema canadiano série B ou pelo mundo afora; as cenas nuas, nos filmes, entre boas e más; entre as apresentadoras de TV boazudas nos EUA ou estrangeiras; e entre atletas, entre atletas, entre atletas, os juízes não diferenciarão marcas.
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* “… sobre a base material e muito sólida da fugaz produtividade do trabalho e sobre um crescente nível de vida, teve lugar a integração da oposição tradicional – particularmente das classes trabalhadoras industriais – uma integração no sistema estabelecido”, Herbert Marcuse, em “Exigir o Impossível”.
** “O conflito e o contraste entre as necessidades – formas de satisfação socialmente exigidas – e as capacidades – formas de satisfação genuinamente individuais – são obscurecidos, e deste modo a sociedade estabelecida assenta nos próprios pensamentos, nos próprios sentimentos e inclusivamente nos próprios corpos da maioria dos indivíduos”. Herbert Marcuse, idem.
*** A primeira refeição de Eça de Queirós na casa de Tormes: arroz de favas, canja com moelas e fígado e frango.
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O presidente Cavaco Silva,
icástico daguerreótipo, apontou outra diferença esbatida. Inquiriu-lhe uma jornalista: “os casamentos entre homossexuais não são uma prioridade para si?”. Retrucou ele: “eu preocupo-me são com os desempregados, são 500 e muitos mil. Esses sim é que eu me preocupo”. Ora, “500 e muitos mil” é exactamente o número de larilas, e o esguelhão feminino, na estatística não-paramétrica do país do frango, aguardando amor de perdição. Cavaco, no entre dentes, afinal notifica que ama todos. A tradição de espalhadores de amor vem de longe nos presidentes da República Portuguesa. Na festa de Natal de 1959, o colega antecessor Américo Thomaz, mais esposa, filhas e outras figuras do Estado, entretiveram na Sala das Bicas, no Palácio de Belém, a pequenada com as peripécias dos palhaços Vasquito e Lisboa. Na Sala dos Azulejos, onde estava a enfeitada árvore, esposa e filhas distribuíram os presentes, e noticia o locutor da RTP: “sorridente o Sr. almirante Américo Thomaz acariciou os mais pequeninos”. No fim, serviram uma merenda abundante de guloseimas.
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Jorge Lacão, ministro menor, amotinava-se: “atitudes unilaterais do, ou queres ou morres, não fazem qualquer sentido nesta fase da vida política portuguesa, e certamente os eleitores, e os cidadãos em geral, não seriam capazes de compreender este tipo de radicalidade”. Embirrações numa época de unicidade são “inaceitáveis”. Somos todos irmãos e… irmãs.
Ruth Marlene confessa os seus defeitos de envergonhada e dorminhoca, mas não de fuinha e casmurra em qualquer “tipo de radicalidade”. Nesta maré-alta de nível de vida, quando os portugueses só auferem milhões, ela imergida de responsabilidade política, para não defraudar os "cidadãos em geral", desnuda-se para a Playboy* de Janeiro por 800 euros, com a mana Jéssica.
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* Photochuparam tanto as fotos, que vendem material digital (do bom??), por Marlene e Jéssica.
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Emily Loizeau – nascida 7 de Fevereiro de 1975, pai francês, mãe inglesa, neta de Peggy Ashcroft, (a actriz no papel de Margaret, mulher do caseiro, no filme “The 39 Steps”, versão 1935, de Alfred Hitchcock), vem incluída na legião nacional da chanson française que o presidente Sarkozy-Bruni aspira difundir no mercado internacional da música – “Sister” L “L’Autre Bout du Monde” L “Je Suis Jalouse” L “Sweet Dreams” L “Fais Battre Ton Tambour” L “Jasseron” com Cyril Aveque.
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Há muitos muitos anos… os franceses seguravam uma quota significativa no mercado dos produtos culturais. Música, cinema, literatura,
lingerie, femme fatale, Laetitia Casta*, até filosofia** vendiam-se bem. Certo dia a sua lucrativa casa de gengibre é manjada pelos americanos, comercializando produtos mais atractivos e interessantes, impuseram uma estética e outro gosto no consumidor. Os franceses negam a evidência, que a sua produção cultural evoluiu numa merde, simplesmente intragável e invendável, então acriminaram o papão download ilegal pela descida nas vendas. “Sarki”, “o presidente que ama óculos Ray Ban, celebridades e a cor do dinheiro dos bilionários”, encavalga o ginete dianteiro da indústria musical. Aprova leis duras contra quem partilha ficheiros, bloqueando burocraticamente, sem ordens judiciais, o acesso à Net aos transgressores, mais penas de multas e cadeia. “Sarkô”, numa visão simplória sobre a circulação da informação, propõe-se restaurar a ida influência cultural do Frère Jacques no mundo, mas consumir francês foi chão que já deu champanhe, e teria melhor sorte se lançasse um SOS aos belgas.
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* Fotos
Bryan Adams.
** O casalinho Gilles Deleuze / Félix Guattari produzindo inconsciente pró rizoma.
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Os belgas safaram inúmeras vezes a cultura vendida por francesa como o… cof! cof! … punk de Bruxelas
Plastic Bertrand. Ele encetou carreira a solo em 1977 com o sucesso internacional “Ça Plane Pour Moi”, afrancesamento de “Jet Boy, Jet Girl”, encantadora melodia, com o cabeceante verso “ele dá-me cabeça” (“he gives me head”), dos Elton Motello, grupo punk inglês e pseudónimo do vocalista Alan Ward. A versão francesa monopolizou o mercado ofuscando o original. Em franciú promoveu Gossip Girl e cantaram-na os caubóis de Berlim BossHoss, os Vampire Weekend, as suíças talentosas Tears ou num estonteante eurodance, a rapper sueca de ascendência marroquina Leila K (o diapasão do ritmo europeu – “Open Sesame” L “Electric” L “C’mon Now). Plastic tanto impulsionou Paris que até representou o Luxemburgo no festival da Eurovisão. E, antes do percurso a solo, em 1974, contribuía para a francofonia, em inglês, na banda punk Hubble Bubble (Born A Woman” L “Faking Bad Trashing). Um belga que empratou os ingredientes, na interligação certa, pra mesa dos “Sarkis” vender farta no mercados dos coisinhos culturais – “Le Hula Hop” L o bailante dilema “pogo, tango ou ballet” de “Slave to the Beat” L “Plasticubration” L “Machine”.
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Na santa guerra da protecção dos direitos de autor, nem o trevo de
Heidi Klum escapou da persecução legal por plágio da Van Cleef & Arpels, a fantástica série de TV “Californication”, por direito da paternidade* do nome, pelos Red Hot Chili Peppers, e na Letónia pretendem cobrar dos bloguistas os vídeos YouTube engastados nos blogues. A “original” liderança de Sarkozy-Bruni contagiou o Parlamento Europeu, que ratificou os cortes de acesso à Net, mas não proibiu o uso de calças aos que vestem marcas contrafeitas, porque mudou o inquilino da Casa Branca. No querido Portugal, numa fase histórica de “internetização” a preços baratíssimos, estas mudanças estratégicas são líquidas. A administração Wbush assestou os GNRs, de cu pró ar, nas feiras, catando falsificações das suas marcas registadas, o presidente Báráque, financiado pelo poderoso lóbi da indústria do entretenimento, transfere a batalha para o campo do digital e do controlo da Internet, e os GNRs assentam o cu na cadeira pra trancar o IP.
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* O autor, Tom Kapinos, defende-se que conhece a expressão do autocolante da década de 70 “Don’t Californicate Oregon”.
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Tózé Brito, um luso-compositor de doce baba de camelo, o Mozart da Abelha Maia, o Strauss do Urso Jackie, o Wagner da Pipi das Meias Altas, em suma um Beethoven com orelha, “sarkónico”, desfechou o conflito pelos direitos de autor: “quando as pessoas ou as empresas compreenderem que o fornecedor de Internet lhes veda o uso, por causa de downloads ilegais, o fenómeno desaparecerá” colmata “a prisão de meia dúzia de pessoas que agem ilegalmente, de forma sistemática, também teria efeitos positivos”. Mais uma guerra resolvida por um português! A pródiga moeda a casa torna, gestores e patrões recebem-na de algibeiras abertas. No mesmo país dos solucionistas, a Sony Music mercadejando as Docemania, único êxito do Rock in Rio 2008, destapa uma anomalia no mercado. Enquanto todos julgavam que no despir é que está o ganho, a Sony comprova o contrário. Para atulhar o cofre vistam-lhes umas calças tigresa, vistam “Chiclete”, vistam “Quente, Quente, Quente”, nem que o pano lhes magoe].
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Apesar de Dmitri Medvedev ter duplicado o preço da vodka, o futuro é esperança. Neste ano, o pingue-pongue (dos lituanos Metal on Metal), pingponguemos!!!

21 Comments:

  • At 9:13 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    A edição de Marcuse que tenho, deve estar gralhada, não faz sentido, tive de alterar, segundo aquilo que me lembro dele, do tempo em que eu tinha a mania que era esperto.

    A subida da vodka é mais uma calamidade que se abate sobre a Humanidade.

     
  • At 8:55 da tarde, Blogger manuel said…

    Nada como ir ao pito ao som das canções do Tozé Brito.

    (depois venho ver melhor)

     
  • At 7:01 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    É mais um smartportuguês. Felizmente temos boa safra deles.

     
  • At 2:18 da tarde, Blogger São said…

    Mas essa alteração de atitude do "docinho"(até o computador se enojou, credo, e me fez voltar à estaca zero, rrs)é típica em Portugal, não é?

    Um bom ano, com rentáveis viagens...

     
  • At 3:43 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Eh pah, o computador deu-se mal? o link docinho é apenas um blog com fotos de doces estranhos.

     
  • At 10:47 da tarde, Blogger manuel said…

    Aproveitei ali a série b do canadá.

     
  • At 10:48 da tarde, Blogger Carol Garcia said…

    aaah vai ser melhor 2010 sim pq meu ano já começou bom !
    diferenças , USHAUSH sempre tem um que enjoa mais até o pc hein !
    bj e obrigada sempre pela sua visita em 2009 em meu blog :)

     
  • At 7:53 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Manuel: vistes a melhor versão de "Ça Plane Pour Moi" das Tears? Embora o Plastic esteja mais no l'air dos tempos.

    Eh pah e aquilo que fizeram às manas Marlenes? No "ousado nu frontal", como lhe chama o Correio da Manhã, a entrada do corpo (uma delas) parece de uma boneca insuflável. Para quando o Hustler versão lusa para mostrar a verdade corporal?

     
  • At 7:56 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Carol Garcia: que o ano corra bem como começou.

     
  • At 10:04 da manhã, Blogger Rafeiro Perfumado said…

    Tu tens consciência que são demasiados temas num texto só, não tens? É um bocado como à meia-noite de dia 1 de Janeiro tentar enfiar as 12 passas na boca e pensar em 12 desejos, lá para a sexta passa já estamos a pedir uma modelo sueca com pintura metalizada!

     
  • At 10:27 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Oh que venham as suecas.

    É verdade, são muitos temas num post só e ainda por cima meti Américo Thomaz. Não me consigo conter e reduzir a dose.

     
  • At 10:28 da manhã, Blogger RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO said…

    Olá, querido*
    Congela nada. Você é o próprio Amor e o Bom Humor em pessoa.
    Marcuse? Deve estar cheio de traças:)))
    Vodka? Não posso, nem bebo*
    Beijos imensos,
    Renata

     
  • At 10:41 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Em tempos gostava de Marcuse mas agora talvez seja melhor deixá-lo às traças.

    Bebo muito pouco e raramente vodka. Tem piada que na Rússia bebem de tudo, e aumentar o preço da vodka para reduzir o alcoolismo, não sei se dará resultado. Gorbachov proibiu a venda de perfumes de manhã porque bebiam-nos por causa do álcool.

     
  • At 1:37 da manhã, Blogger xistosa - (josé torres) said…

    Estou a chegar e vim assinar o ponto.
    Não peguei um docinho ... há outras comidas melhores.
    Nunca o termo comidas foi tão bem empregue.
    Por vezes escapam-se estas coisas.
    Vou pôr a roupa a corar ao sol e tentar voltar ... aos docinhos.
    Sei que estou em falta.
    (Falta de falha e não de penúria. Por aqui há males para vender, já que dados só os subsídios que ainda não foram gamados por nenhuma vara ... - de porcos!

     
  • At 4:29 da manhã, Blogger Inês Brito said…

    O Goucha deve ter complexo de Édipo. Foi criado pela RTP, a TVI adoptou-o e agora anda a rejeitar o pai. Sim, ele processou o 5 Para a Meia-Noite, e quem fica mal visto aqui no meio é a Filomena Cautela, que teve a infelicidade de proferir a dita piada.

    Bem, a Uno dos Muse saltou-me ali à vista, confesso. É do primeiro álbum deles, mas como atingiram o auge com o segundo e aquela música é a faixa derradeira do cd, compreende-se que tenha qualidade.
    Quem parece que é capaz de concordar bastante bem com o casamento homossexual é o Malato... http://www.youtube.com/watch?v=Tqdjg52wwM8 (1.28min).

    A novela "Californication" vai arrantar-se mais um bocado. A série é porreirinha, bem como a música dos Red Hot, a meu ver, claro.

    Cá pra mim, a Ruth aceitou os 800 euros porque alguém prometeu pô-la igual às fotos por aquele preço. Deve ser é sem anestesia.

    "Bonito, bonito, era ver as Docemania a apedrejar o Tozé Brito".

    Maldito apelido que se lembraram de me pôr!

    Bj,
    (i)

     
  • At 9:08 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    José Torres: docinho é o Vitorino (pelo menos tem fama entre a parte feminina da população) mas generalizando, os políticos portugueses são todos uns docinhos, os passados e os presentes.

    Aquela ideia de que os portugueses ficam bem na História, não enfio esse gorro. O passado tem costas largas, pode-se dizer tudo dele, que ele não responde. Fica à espera que lhe dêem sentido e digam o que quiserem sobre ele.

     
  • At 9:25 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Inês Brito: neste post que estou a escrever vou citar esse arrebate de justiça do "has been" apresentador. Não vi o programa, vou procurar no Tubo, pode sr que alguém tenha uploadado.

    Holy cow!!!! o Malato, já tinha ouvido falar das suas preferências clubísticas, mas ser apanhado envergando (ou não) a camisola nunca tinha visto. Nunca percebi por que raio ele casou com a Lamy.

    Ele deve ser a favor, curiosamente o Goucha que vive irmanado, é contra o casamento entre de sexo mais ou menos semelhante, creio que tem algo a ver com a reacção materna.

    Gosto bastante da série Californication é o meu ideal de vida nas Letras. Mas o clima português não se presta para isso, além de ter que ser inspector da PJ para as editoras publicarem os livros.

    A Ruth e a mana ficaram mesmo estranhas. Não fosse a legenda e eu não as identificaria. Estes fotógrafos digitais são uns patuscos, para as pessoas é bom, ficam sem imperfeições, ficam perfeitas.

    Esse Tózé é mais um vulto da cultura nacional.

     
  • At 2:35 da tarde, Blogger rouxinol de Bernardim said…

    E os desempregado homossexuais também não são dignos de atenção por Cavaco?!

     
  • At 2:36 da tarde, Blogger manuel said…

    omg! as tears rulam!

     
  • At 8:31 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Rouxinol de Bernardim: não acredito nas insónias do Cavaco, nem pelos empregados mal pagos, ou desempregados seja quem sejam.

    Mais engraçado foi ver como decretaram a morte (política) de Cavaco com o "caso" das escutas. Não sei donde pescam essas ideias os nossos comentadores. Ele vai recandidatar-se e ganhar.

     
  • At 8:32 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Manuel: uh uh.

     

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