Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

segunda-feira, novembro 02, 2009

Heroificando

Uma das desvantagens, de viver no Ocidente livre, é as ameaças. Elas são mais que as mães… solteiras. Uma das piores foi, sem dúvida, o
queijo, responsabilizado por todos os males humanos, desde as pragas, as epidemias e a podridão moral. Em todas as épocas, quando o perigo espreita, erguem-se de pronto os heróis. E neste caso, sobretudo heroínas, partiram o queijo, enfrentaram-no e venceram.
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Marguerite Marie Alacoque, na adolescência, como as donzelas de hoje tatuam o nome do namorado, ela no século XVII, cravou no peito, com uma faca, a palavra “Jesus”, para dissipar dúvidas sobre os direitos de propriedade daquele corpinho. Proveniente de uma família de comedores de queijo, aos 9 anos mortificava o corpo para se ribeirar do Divino e adquiriu asco ao lacticínio. No dia 25 de Maio de 1671, o irmão depositou-a no Convento da Visitação, em Paray-le-Monial, com a condição de não lhe servirem queijo, mas as sacanas das freiras, para contrariar, impuseram-no como penitência. Marguerite confessou “nunca senti tanta repugnância por uma coisa”, contudo, venceu aquela punição oral e 8 anos depois, todos os dias, peniscava-o de forma ritual, esteando as suas visões do Sagrado Coração.
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No México, na última metade do século XVII, circulava a superstição que o queijo estupidecia as pessoas.
Sor Juana Inés de la Cruz, em criança, adorava-o e ambicionava ser erudita, então perante o dilema, cortou com o queijo, justificando-se: “o desejo de saber era mais forte do que o desejo de comer”. O seu progresso foi espantoso, para um período pré-computador Magalhães na América Latina*, com 3 anos já lia e escrevia, aos 8 devorava Platão, Aristófanes e Erasmo em latim, como se fossem livros “Twilight” da mórmon Stephenie Meyer, na adolescência dominava a Lógica grega e com 13 anos ensinava Latim às outras crianças.
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* Na Venezuela, rebaptizaram o computador dos cliques de ouro, da SP Sá Couto, “
Canaima” e Hugo Chavéz anuncia-o como sendo… 100% venezuelano.
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Nem sempre aconteceram queijosas desgraças. Há um relato do efeito benfazejo do queijo. No século III, o imperador
Septimius Severus apresentava uma proposta aos cristãos, ou veneravam deuses romanos ou iam verificar pessoalmente a Salvação. Os crentes, para escaparem, refugiaram-se nas catacumbas ou no anonimato, mas a Justiça de Roma caçava-os sem piedade. Vivia Perpétua, filha de um nobre pagão, casada com filhos, em Cartago, convertera-se ao Cristianismo. Com 22 anos prenderam-na juntamente com a sua escrava Felicitas. No julgamento, diante do procurador Hilarianus, recusou-se abdicar da Fé e condenaram-na à morte. Na véspera da execução, nas masmorras, adormecida pelo torpor do cansaço, apareceu-lhe um pastor de barba branca que lhe ofereceu queijo de ovelha. Ao ouvir a palavra “ámen” despertou com um melífluo sabor na boca, que a encorajou para ser flagelada, espezinhada por uma vaca e decapitada, com um sorriso nos lábios.
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O medo do queijo desapareceu, via prevenção da osteoporose, outros ameaços ao Ocidente debruam a Doirada Aurora, e pleonásticos heróis, ainda mais
heróicos, precisam-se. O Japão, país das mulheres de peito cheio, destemidas, audazes, introduz uma heroína, a Princess Robot Bubblegum, competente para “debelar” as “redes tentaculares” do terrorismo e da bad economia. Na Espanha, país de… espanholas, na paisagem faroeste de Almería cavalgaram os mocinhos que nunca falhavam na “debelação” dos bandidos nos Western Spaghetti, parábolas dos punhados de dólares, distribuídos pelo bom, o mau e o vilão das “redes tentaculares”, musicadas pelo Ennio Morricone e enterradas pelo Django. Os Estados Unidos, país de Michael Bay, “debeladores” dos males do mundo livre, nenhuma “rede tentacular” lhes faz ferro-velho atrás do Nordeste do Paquistão, no Waziristão ou em Swat. Os seus heróis são cheios de estilo e com agenda moderna como “Our Man Flint” (1966). Derek Flint, agente da Z.O.W.I.E. (Zonal Organization for World Intelligence and Espionage), peixe na piscina entre os biquinis, regressa ao activo, para neutralizar uns cientistas loucos, que chantageiam as democracias com uma máquina de controlo do clima. E, em “In Like Flint” (1967) frustra uma conspiração das mulheres, descontentes por não lhes calhar, nem um cargo de Secretárias de Estado. Outro herói, misto de semideus e santo, super-cheio de super-estilo, com agenda super-modernaça, fogueará os terroristas, aguará a economia, terreará as armas nucleares, e ventará as alterações climáticas, chamam-lhe… o nosso homem Báráque.
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Enquanto santos e heróis rogam por nós, no recato do computador, assistimos a
cinema on-line ou ouvimos pós-punk, bem guarnecidos de sandes de queijo.
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Kim Wilde – o ídolo pop dos anos 80, alegria dos quiosques, fatal decoração nas paredes dos quartos de dormir europeus onde, a mão, só descansava nas noites sem Kim Wilde e mesmo assim… Ela nasceu Kim Smith no dia 18 de Novembro de 1960, filha de Marty Wilde (nome verdadeiro Reginald Smith), pioneiro do rock ‘n’ roll inglês (Teenager in Love” K “Bad Boy” K com Cliff Richards e Dickie Pride). Marty era músico habitual nos programas produzidos por Jack Good, “6.5 Special”, a primeira expedição da BBC nos ritmos jovens, e para a ITV, “Oh Boy!” e “Boy Meets Girls”. E aí, de facto, conheceu uma girl, a mãe de Kim, Joyce Baker, cantora nas Vernons Girls (Lover Please” K “You Know What I Mean” K coros de PJ Proby K “Don’t Look Now). Depois do casamento a sua carreira, como ídolo adolescente, declina mas reforça-se como compositor. E na década de 80, em conjunto com o filho Ricky, engenha o sucesso de Kim. Cantam juntos em 1987. Kim Wilde, na montanha russa do sucesso, não perdeu de vista a noção de envelhecimento, “sempre tive a ideia de que não queria ser uma pop star depois dos 40”, e desde 1998 prossegue uma premiada carreira de jardineira, alternada com uns pezinhos de música.
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Kids in America” K “Cambodia” K “Chequered Love” K “You Keep Me Hangin’ On” K “You Came” K “Water on Glass” K “View from a Bridge” K “Four Letter Word” K “Schoolgirl” K “Love Blond” k “It’s Here” K “Suburbs of Moscow” K “Anyplace, Anywhere, Anytime” para comemorar os 20 anos de carreira da Nena dos 99 balões K “Say You Really Want Me” K “Real Wild Child” K “A Big Hunk o' Love” K com Steve Coogan, actor inglês, que vestido na personagem Tony Ferrino, melhor caiou a brilhante vitória dos portugueses no festival da Eurovisão K “Who Do You Thing You Are” K “Perfect Girl” K com Ali Campbell dos UB40 K “Born To Be Wild” do melhor grupo de sempre Steppenwolf (diz Iggy Pop dos lobos da estepe: “uma canção bem esgalhada. A guitarra é, sabes, imoral”) K e, obviamente, foi recebida no nosso querido Portugal, com a única coisa que o hospitaleiro povo sabe fazer: cânticos da bola.
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Documentário Wilde Life:
198119821983198419851986198719881989199019911992199319941995199619971998 / 1999200020012002200320042005200620072008.
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Roxanne Wilde – irmã mais nova de Kim, nascida em 79, subestimada pelo “público em geral”, os seus posters não potenciam o ambiente erótico dos quartos, os rapazes actuais preferem Cristiano Ronaldo, move-se no som deste século. Forma em 1999 os, infelizmente esquecidos, Dimestars (“Play” K “Solo So Long” K “My Superstar). Terminados em 2001, Roxanne continua numa carreira a solo ou colaborando com DT8 Project e/ou Darren Tate, o duo alemão Milk & Sugar e Kim Wilde].

13 Comments:

  • At 7:07 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Manuel tens que ver os links dos dois últimos parágrafos antes da Kim Wilde. Tem bloopers das cauboiadas made in Europe. Um site de cinema online fantástico, lá vou perder uns dias, embora já tenha visto muitos deles. E outro de pós punk muito bom.

     
  • At 10:16 da manhã, Blogger Armando Rocheteau said…

    O que eu tenho perdido! Mas agora prometo voltar regularmente.

     
  • At 4:24 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Epá Armando que é feito de ti? Hoje falei das santas senhoras, vou tentar no próximo, escrever sobre as meretrizes. Veremos, tenho outra coisa pensada, pode ser que dê para adaptar.

     
  • At 7:29 da tarde, Blogger xistosa - (josé torres) said…

    Tem piada que o queijo dos Açores foi proibido de ser comercializado, não sei se em todos os estados americanos.
    Tinha não sei quê e nem me interessa porque sempre o comi e hoje vai acompanhar um tintól das minhas dehserdades alentejanas.
    Mas então que mistura de miudagem (coração), com queijo
    Vou substituir miudagem por miúdos, não vá aparecer alguém que deturpe ou detorpe o que quero transmitir.
    Assim uma espécie de Casa Pia, mas muito mais pequenina.
    Aqui são os miúdos que baixam as calças e se colocam à frente de políticos, jogadores de futebol e quejandos que a outra viu ou soube, mas esqueceu-se.
    O que o queijo faz.
    Pelo menos poder-se-á demonstrar que não provoca amnésia e que expande negócios como o Magalhães, ainda que tenha sido um Corte-Real, (pai e filho) que chegaram antes do dito.
    Gostei da música e transparências transparentes.
    Não sabia que no Paquistão havia tanta gente a jogar golfe, mas andamos sempre a ver e aprender coisas novas ou que não sabíamos (daí o aprender!!!).
    Ah! A cena da piscina é do outro mundo. Não consegui ver quem fez o churrasco.
    E também se se situa no “Mundo da Mulher”, essa ilha onde os homens aportam. Entrando ou batendo com o nariz na porta.
    E estamos conversados com as meninas do Saramago e dos incréus que agora falam em democracia e com liberdade, mas antigamente …
    Uma boa semana.

     
  • At 4:15 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Não sabia que os americanos não partiam o nosso queijo, seria de esperar, eles como defendem que os subdesenvolvidos têm de comprar os seus produtos, o comércio livre, inventaram formas de proibir entrada de produtos estrangeiros, sejam queijos ou vacinas...

    Já não se pode dizer trocar por miúdos, embora o crime do momento seja a "corrupção", não vale a pena arriscar, e dizer trocar por graúdos.

    A zona de Swat, no Paquistão era um local turístico importante, antes da chegada da vingança americana, os turistas mudaram-se para Portugal, os estrangeiros e os locais.

     
  • At 9:52 da manhã, Blogger Rafeiro Perfumado said…

    Finalmente descobri a razão de não gostar de queijo. Tem tudo a ver com a minha aversão religiosa!

    Obrigado, pá, por lançares luz na munha até agora obscura vida!

     
  • At 10:48 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    O queijo tem ajudado o caminho místico, mas neste tempo de ateus, todos o querem partir.

     
  • At 7:09 da tarde, Blogger Fernanda said…

    Amigo T.P.
    Tenho que voltar com mais tempo para abrir todos os links e ler isso tudo...espero rir-me ^_^ bastante.

    Abração

     
  • At 4:43 da tarde, Blogger São said…

    O que aqui aprendo!

    Obrigada.

    Um bom fim de semana.

     
  • At 9:43 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Fernanda: ando um pouco ocupado na escrita do próximo post, quero terminar a série sobre filhos de vedetas, que também ainda tive tempo de confirmar, se todos os links estão correctos, e acabar a leitura de alguns artigos.

    Quando penso ter a lista da descendência das celebridades, que aquecem o nosso lar, terminada, lá aparece mais um que vale a pena falar, pelas boas ou más razões, estas as minhas preferidas, of course.

     
  • At 9:47 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: isto era sobre as terríveis ameaças da Humanidade, mas acho que resumi demais, para não ficar muito logo.

    Antigamente eram as bruxas depois os comunistas. Cai o muro, os serviços secretos de mãos nos bolsos, sem nada pra fazer, e descobrem outra ameaça: os traficantes de droga. Depois vem a pedofilia, agora estamos na corrupção, mas verá outra a seguir, de certeza.

     
  • At 11:28 da manhã, Blogger rouxinol de Bernardim said…

    Muito me contam por aqui!... Sou mesmo ignorante...

     
  • At 6:25 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Eu também jogo nessa equipa, e estou cada vez mais ignorante, nunca pensei ver a Igreja a defender o casamento civil, para que não seja contaminado com casamentos larilas.

     

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