Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

sábado, outubro 24, 2009

Desbeiçar

O ócio é o pai afectivo da Humanidade. (O papá biológico é o
mercado de crédito americano). De papo pró ar desabrocharam-se as elevadas criações do espírito. Como a Arte, por exemplo. Marcel Duchamp ressulcou a via dolorosa para o Museu, aformoseando-lhe os quatro cantos, com os seus “ready mades”, objectos deslocados do Quotidiano para a Arte, (susceptíveis de reenvio da Arte para o Quotidiano, se acreditarmos, que Brian Eno urinou na “Fountain”). Também se alquimou de gaja. E, em 1963, pausou para uma partida de xadrez, com a modelo Eve Babitz, e confessava uns anos depois: “levo uma vida de rapaz de café”.
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Sornar compensa, e não há momento mais ocioso na vida de uma pessoa, que estudar numa Universidade. Entre 1864/67,
Nietzsche cursava Filologia em Bona, os dias alongavam-se no doce farniente, superabundava tempo para teatro, concertos e para a composição musical. Nessa época amanhou, (contra Wagner. Talvez, por Schumann), as suas liederBeschwörung”, (“Súplica”), tradução livre de Pushkin e “Verwelkt”, (“Murcho”), poema de Sándor Petöfi. Apesar da paixão, – escreveu ele: “a música proporciona agradável entretenimento e salva, cada um interessado nela, do aborrecimento” –, a sua gaia melomania definhou no poente em 1875 com “Hymnus an die Freundschaft (Hymn to Friendship)”.
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Na América, para matar o tempo, podiam entreter-se com a
Brooke Burke ou a Marisa Miller ou cantar “Mahna Mahna”, mas não! tinham que ser originais, então asseiam a sociedade para que os cidadãos cresçam livres.
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A instalação do
presidente Báráque no centro da Terra modifica os clichés sobre a raça negra. Empenhada na reconstrução, a Mattel lança a nova estética, os estereótipos para gerações futuras. As Barbies pretas, Grace, Kara e Trichelle, de lábios mais cheios, q.b., nada de exageros, cabelo encaracolado, mas não encarapinhado, esbranquiçam concepções ancestrais, encolhendo o fosso entre raças. Mas o problema é a avoenga herança. Lamentavelmente os Governos não incluem um Ministério da Verdade, como no “1984” de Orwell, para reescrever o passado, portanto os cidadãos mais íntegros têm de arrogar-se dessa tarefa. A Biblioteca Pública de Brooklyn decidiu rever as aventuras do viajado repórter de Hergé. Não embirraram por ele ser belga, país com uma instrutiva história em África, continente dos antepassados de Báráque, mas pelos desenhos de “Tintin no Congo” ofenderem os pretos e retiraram-no do acesso aos leitores.
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(Na
edição original de 1931, os pretos falavam à preto, respondiam com um respeitoso “yes master” e Tintin, na missão, dá uma aula de substituição, por doença do “Papa Sebastian”, sobre a pátria belga. Remando no fluxo da mudança política, Hergé expurgou o livro das cenas, historicamente datadas, de uma Europa colonial, sobre os colonizados, em 1946 e 1975).
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A solução de
banir livros não é novidade. Na América está mapeada, e eles são proibidos sempre por razões legítimas e válidas: “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury, porque um dos livros incinerados era a Bíblia; “As Aventuras de Huckleberry Finn” de Mark Twain, pela palavra “nigger” e descrição crua dos pretos no sul dos Estados Unidos; “Catcher in the Rye” de J.D. Salinger, pelo abuso dos insultuosos “fuck yous”; “Onde Está o Wally?” de Martin Handford, por se vislumbrar, naquele amontoado de gente, a parte lateral de uma mama e um pouco de mamilo. Limpar as bibliotecas e livrarias é um bom começo, mas a esfregona tem de atacar outros chãos, como os desenhos animados, que retratam pretos de beiçolas, carapinha, comedores de melancia e galinha. Os cidadãos rectos (e rectas cidadãs), das sociedades ricas, livres de exploração de pretos ou mascarrados, e cuja riqueza propicia muito tempo livre, têm a sagrada obrigação de esborcinar esta imagem afrontosa para o imperador do mundo.
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PS:
Woodstock – certo dia… o milionário herdeiro da Block Drug, John Roberts, e o licenciado em Direito, pela Universidade de Yale, Joel Rosenman, colocaram um anúncio nos jornais mais caretas da década de 60, o Wall Street Journal e o New York Times, expondo sentimentos pouco altruístas: “jovens adultos, com capital ilimitado, procuram interessantes, legitimas, oportunidades de investimento e propostas de negócio”. Responderam Artie Kornfeld, executivo da Capitol Records, e o promotor Michael Lang, sugerindo multiplicar o dinheiro com a construção de um estúdio em Woodstock. O negócio não avançou, mas trocaram-no por uma ideia genial: ganhar uma pipa de massa realizando um festival de três dias de arte e música, com bilhetes pré-comprados a 105 dólares (valor actual, na época eram 18 dólares e, na bilheteira, no próprio dia, 24 dólares). Lang, orçamentado com 180 mil dólares para contratar artistas, calculou que caberia 10 mil a cada um. Para desencadear a engrenagem, precisava de uma cenoura, um nome pesado da indústria musical, que atrairia os outros. Por sorte os Creedence Clearwater Revival assinaram pelos 10 mil dólares. (Jimi Hendrix não aceitou, e deu-lhe a volta por 26 mil, quando os Jefferson Airplane souberam, reclamaram, e Lang meteu-lhes a peta de que Hendrix tocaria duas vezes).
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Pretendiam vender 50 mil bilhetes e iniciaram negociações com Wallkill, Nova Iorque, mas o concelho da cidade aprovou uma lei contra a presença de hippies. Então alugaram a quinta de Max Yasgur, em Bethel, Nova Iorque, por 75 mil dólares, numa previsão de 50 mil pessoas, embora já tivessem vendido 150 000 bilhetes. Meio milhão de hippies convergiu para o local, esfumaram-se os meios logísticos de cobrança de ingressos, virando o concerto free. Os artistas honraram o
contrato. Alguns – Janis Joplin, The Grateful Dead e The Who – desconfiados da desorganização, exigiram pagamento adiantado antes de subir ao palco. As condições para o público também eram péssimas. Três morreram: um de apendicite (ou queda de andaime), outro de overdose, e um tipo de 17 anos, atropelado por um tractor, enquanto dormia num saco cama.
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A posteriori todos os gatos são dourados. E, decorridos 40 anos, a
fantasia aloja-se no imaginário. Gray Morrow e Gary Friedrich desenharam-lhe uma BD. O cinema lucrou com a cena hippie (e o filme “The Big Lebowski” esclarece a certidão de óbito: “a sua revolução terminou, Mr. Lebowski. Condolências. Os maltrapilhos perderam”). Renascem como heróis numa tournée ganhando mais um dólar. No entanto, Barry Melton, o Fish, dos Country Joe and the Fish resume: “quando me dizem que foi fantástico, sei que viram o filme e não estiveram no concerto”. Outros tiveram outra percepção. Jerry Garcia disse: “chovia pra caraças e eu estava a tripar (com um ácido checo), e vi bolas azuis de electricidade saltando, através do palco, e pulando para a minha guitarra”. O republicano Arlo Guthrie não se lembra népia do concerto apenas do percurso. E um heróico português, sempre ele, futuro ministro, nem mais, alvíssaras! alvíssaras! o Braga de Macedo, quuuaaase assistiu ao Woodstock.
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Zina Saunders, com 15 anos, fumava haxe, e recorda-se da festa da contracultura em etéreos desenhos, com essa idade, no século XXI, se houvesse um Woodstock, tuítaria ou blogaria como uma danada. A lista de mortos, dos músicos participantes no festival, já vai longa, todavia uma coisa não mudou. O casal, Nick e Bobbi Ercoline, na capa do disco triplo, ainda vive junto.
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Dois meses antes, dia 29 de Junho de 1969, acontecia no
parque Marcus Garvey, no Harlem, o Woodstock dos pretos. Uma série de concertos, misturando música e política, onde não faltou o inevitável reverendo Jesse jackson, realizada após dois assistentes de Malcolm X terem sido baleados (um morreu) e quando o Harlem era associado ao faroeste. Durante seis tardes de Domingo trezentos mil espectadores viram: Sly & the Family Stone (o único a repetir também Woodstock), Stevie Wonder, B. B. King, Mahalia Jackson, The 5th Dimension, Abbey Lincoln & Max Roach, Gladys Knight and the Pips, “Moms” Mabley, Pigmeat Markham etc. Hal Tulchin, produtor de televisão, filmou mais de 50 horas, que nunca saíram da caixa, pois só recentemente as coisas de pretos são comerciais (por enquanto existe a parte de Nina Simone). Os Panteras Negras, grupo de bons rapazes, – 21 membros foram acusados de querer comemorar o assassinato de Martin Luther King com bombas no Macy's, Bloomingdale's, Abercrombie & Fitch e outros grandes armazéns de Manhattan – encarregaram-se da segurança, porque a polícia de Nova Iorque recusou o encargo.
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Na sua actuação
Roebuck "Pops" Staples, das Staple Singers, disse: “assim, vão para a escola, crianças, e aprendam tudo o que puderem. Há uma oportunidade de um dia serem presidente dos Estados Unidos”.
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Os cristãos também têm o seu Woodstock. O
Creation Festival, com uma periodicidade anual, há 30 anos, dá música aos crentes, num ambiente saudável: recolher obrigatório, sem drogas, sem álcool e sexo, só depois de papel passado, e paga a côngrua do matrimónio. Na edição de 2008, Timothy Adams procurava esposa e lamentava-se de escassez neste mercado: “há muitos gajos à procura de mulher. É difícil encontrar uma mulher cristã, há tão poucas”. O último dia do festival dedica-se aos baptismos em massa no rio. Lily Ellerson, 12 anos, explica a sua consciente opção deste banho purificador: “senti que Deus estava aqui. Podia vê-lo, podia senti-lo à minha volta e pensei que queria dar-lhe todo o meu coração”. A sua prima, Emily White, sintetiza a ambiência: “sentimos, uau, que estamos no Reino de Deus, aqui e agora. Vivemos numa comunidade de 70 000 pessoas, sem as comodidades da electricidade ou água, e no entanto, toda a gente ama toda a gente, não ouvimos falar de roubos ou porradas. Vivemos realmente como Deus nos fez para viver”.
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No ano passado, os cristãos, brancos na sua grande maioria, lançaram-se aos leões de todos os géneros de piedosa música. Ajoelharam, rezaram, saltaram, dançaram, abraçaram-se perante os
Kutless cujo guitarrista, James Meade, 25 anos, foi salvo por Jesus, após anos de abuso em criança, cadeia por tráfico de droga, e quase morrer de intoxicação alcoólica, na festa de aniversário dos seus 17 anos; Barlow Girl; Sanctus Real; Group 1 Crew; Ayiesha Woods; Flyleaf; Inhale Exhale; Switchfoot; Thousand Foot Krutch; Future of Forestry; Superchick; Run Kid Run; Children 18:3; Family Force 5; Skillet; Worth Dying For; e outros batedores na porta do céu.
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A geração Woodstock é uma geração de falhados, como todas as posteriores e anteriores, engraxada com o brilho do marketing, engole-se, mas caído o pano, resta a voz de Cebe (
Linda Manz), no rádio do camião: “Destroy! Kill all hippies! Subvert normality!”, do genérico de “Out of the Blue” (1980), filme de Dennis Hopper. Exortação repetida pelos Primal Scream em “Kill All Hippies”.

35 Comments:

  • At 6:18 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Tinha de postar o Woodstock, se não estão a comemorar os 50 anos, e não disse nada sobre os 40.

    No fundo são três Woodstocks, o propriamente dito, o dos pretos e o dos cristãos (como custa ouvir, um dos espectadores, lamentar-se da falta de mulheres cristãs. Se não aprovam rapidamente a clonagem, não só para a comida mas também para as cristãs, não sei onde isto vai parar).

     
  • At 9:26 da tarde, Blogger João António said…

    Também me parece !

     
  • At 9:35 da tarde, Blogger manuel said…

    ahahaha o Braga de Macedo!!

     
  • At 10:21 da manhã, Blogger Mariazita said…

    Olá!
    Voltei!
    Só para que conste...
    Após 3 meses de ausência reinicio hoje as minhas actividades “bloguísticas” com a publicação de um capítulo de Anita, na “Casa”. Seguir-se-á o “Histórias” e depois o “Lírios”, tão breve quanto possível.
    Conto com a sua habitual e simpática visita.
    Abraço
    Mariazita

     
  • At 7:28 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    João António: só o ócio salvara a Humanidade, pelo menos ficará com menos calos.

    Manuel: há sempre grande um português por detrás de um grande acontecimento.

    Mariazita: bom regresso. Lá irei ler o resto da aventura.

     
  • At 7:42 da manhã, Blogger Joice Worm said…

    Não preciso dizer que você tem um lugar especial no meu coração...
    Aliás, é preciso dizer:
    VOCÊ TEM UM LUGAR ESPECIAL NO MEU CORAÇÃO!!!
    Believe me...

     
  • At 8:29 da manhã, Blogger rouxinol de Bernardim said…

    Pensamentos muito elevado!...

     
  • At 8:50 da manhã, Blogger São said…

    Ócio numa Universidade? No meu caso, nenhum...

    Barbies negras? Vivó a sociedade de consumo e o oportunismo !

    Fique bem.

     
  • At 10:38 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Joyce Worm: igualmente. Espero que a Espanha esteja menos espanhola, menos touradas e mais riqueza.

    Praticamente já não se ouve falar de Espanha em Portugal, exceptuando as aventuras do Cristiano Ronaldo.

     
  • At 10:40 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Rouxinol de Bernardim: espero que não, ou ainda sou convidado para o Governo.

     
  • At 10:45 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    São: talvez em Agronomia eles trabalhem :-)))

    O trabalho nas Universidades é mínimo. Vê-se pela produção académica. Um horror. Os professores são professores para não serem mecânicos. E naquelas faculdades que têm mania que formam as elites ainda é pior.

     
  • At 11:38 da manhã, Blogger Rafeiro Perfumado said…

    Não posso concordar. O pai afectivo da Humanidade é a inveja, pois é à conta dela que as pessoas se movem, engendram e conspiram. Não fosse o monstro verde e aí sim, poderíamos entregar-nos ao ócio...

     
  • At 2:05 da tarde, Blogger Fernanda said…

    Amigo T.P., olá!

    Sei que tem um humor sarcástico, muito peculiar que muito sinceramente aprecio.

    By the way...walk the line, means to maintain a fragile balance between one extreme and another. i.e.: good and evil, sanity and insanity, decency and decadence, etc. Portanto ele andou Na linha (pelo menos fez por isso).

    Vim cá...porque já não o fazia há muito, my apologies...
    e porque achei o seu comentário no Sempre Jovens demasiado "heavy" considerando que se trata de um assunto muitíssimo sério.
    Não leve a mal, ou se quiser leve, pode sempre dar-me uma descompostura e dizer-me que não o entendi bem....creia que farei um esforço para o entender, o mesmo que espero fará neste caso.

    Abraço,
    Fernanda Ferreira

     
  • At 9:26 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Rafeiro Perfumado: também concordo e Portugal é um mar disso. É curioso que estou a tentar escrever um post sobre a inveja como a qualidade mais portuguesa de todas. É mais importante que a "saudade", que não passa de doença psicológica.

    Os portugueses indignam-se com o Dias Loureiro, a Felgueiras, o Isaltino, não é pelo elevado valor da Justiça, mas porque têm inveja deles. Querem vê-los rebolando na lama e desgraça e isso dá muito prazer.

     
  • At 9:35 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Fernanda: se calhar excedi-me um pouco, mas não resisti a falar da coisa mais estranha que oiço da boca dos ecológicos: que reciclam.

    O que as pessoas fazem, na sua maioria, é separação de lixo, para ajudar uma empresa a ter lucros e tratar do liso, (de outra forma a empresa não se metia nisso).

    O problema da pobreza é complicado e não lhe vejo solução. Nem deve existir. Para haver ricos têm de haver pobres. E só se enriquece "explorando" nalgum lado. Não se chama "explorar" chama-se "salário" mas é a mesma coisa.

    Há uma solução que é os europeus abdicarem da sua riqueza e passarem a ser eles os pobres.

     
  • At 10:09 da manhã, Blogger Fernanda said…

    Caro amigo T.P.,

    Vim cá ver se estava zangado comigo :)))) é verdade!!!

    Sei que de alguma maneira tem razão. Efectivamente deviam ser as empresas a tratar de reciclar, mas ... se nada se faz e se nós não dermos uma ajuda nesse sentido, o que será deste Planeta que não existe só hoje, só para nós????????

    A pobreza é solucionável sim, no meu ponto de vista, basta repartir, porque havemos de morrer obesos, para não falar dos "porcos" podres de ricos que se marimbam dos outros... enquanto no outro lado do Universo morrem milhões de pessoas por dia...MILHÕES.
    Ficaremos para a história marcados por esta vergonha, por este egoísmo atroz.

    Eu acredito que é possível ajudar, dividir sem que os Ocidentais fiquem pobres, assim haja vontade política e se eliminem os corruptos que negoceiam as ofertas dos bem intencionados.

    Tenha um bom dia.
    Beijos

     
  • At 4:24 da manhã, Blogger Vivian said…

    ...o ócio trás na raiz
    a criatividade..

    pena que poucos percebam.

    fiquei imaginando as barbies negras
    e aqueles cabelões cheios de
    mega hair, e cachos bem formados...

    rsrsrs

    bj

     
  • At 10:12 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Fernanda: Temos é quer cuidar de nós, que o planeta vai-nos sobreviver, de certeza. Têm-se extinguido muitas espécies, e a Terra nunca deu pela sua falta, continuou a girar, como se nada fosse com ela.

    A população mundial cresceu para um número insustentável para este planeta, como ainda não é possível colonizar a lua, ou partir em naves como o comandante Adama, evitar desperdícios é uma solução para ganhar tempo, esticando a nossa permanência como espécie por cá.

    Tenho visto nalguns blogs aquele vídeo de uma Dra. qualquer, associando a vacina da gripe, a um hipotético plano para reduzir a população mundial, patrocinada pelo grupo de Bilderberg. Não sei se é verdade, mas essas ideias já vêm do tempo Nixon/Kissinger e, mais cedo ou mais tarde, terão de ser executadas. Reciclar não chegará para salvar o planeta.

    Não me parece que repartir seja a ideia predominante no mundo. O que eu vejo é as pessoas a querem mais e mais.

    Lembro-me de ver um sindicalista da bófia, quando a Brigada de Trânsito foi integrada na restante polícia (no fundo mudou de nome), reclamar que só dão um subsídio de 25 €, uma miséria na sua maneira de ver, acostumado a lidar com fortunas.

    Os portugueses, por exemplo, só para cima de 93 milhões é que é dinheiro. Receber mais uns euros ou cêntimos, isso é um nojo e insulto.

     
  • At 10:18 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Vivian: a ideia era essa. Pelo menos, dizem que o pensamento filosófico e científico europeu teve origem na Grécia antiga e foi produto do ócio, ou seja, eles tinham escravos para as tarefas mais pesadas, deixando tempo livre para desenvolver o Espírito.

    A mesma coisa se passou com a Revolução Americana de 1776, que depois será modelo para as democracias.

     
  • At 6:14 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    A primeira frase deste post é genial, caro Táxi.
    Lívia

     
  • At 12:58 da manhã, Blogger Lívia said…

    Voto na ignorância e não na inveja como mãe do ócio e mal português. Antes fosse de facto a saudade, gosto disso da saudade e da melancolia.

    Recomendo o Inveja e Gratidão da Melanie Klein como leitura de pesquisa para esse seu post.
    Fico à espera.

    Lívia Babo

     
  • At 12:59 da manhã, Blogger Lívia said…

    Passarei a comentar assim, não vá alguém passar-se por mim.

     
  • At 10:47 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Lívia: a frase tinha o objectivo de meter o link do programa do Frontline sobre o "aperto americano", o "ai que se foi o crédito", o "onde pára a riqueza". (Só hoje é que tive tempo de vê-lo na íntegra).

    Os Bancos e afins descobriram que a escravatura (pôr uma pessoa a trabalhar para eles durante 20, 30, 40 anos) era uma boa forma de fazer dinheiro e entusiasmaram-se, desataram a conceder crédito à parva. Criaram tanto dinheiro fictício que a coisa rebentou.

    No documentário eles parecem mesmo assustados. Que vinha o fim do mundo. Os políticos hesitaram, ao verem os amigos, e contribuintes das suas campanhas, na eminência de empobrecer. Vá lá que o povo elegeu um entertainer para ir passando o tempo com espectáculo até as coisas endireitarem. (De facto, não tinham escolha, McCain era demasiado velho).

    Acho que, o início do fim do mundo, não é a falência do Lehman Brothers, mas de uma notícia que vem da Islândia: o McDonald's nessa gelada ilha vai fechar. S. João enganou-se no seu Evangelho. (Quero ver se incluo este facto, nas tarefas do herdeiro da dinastia Bush, neste post que estou a escrever).

     
  • At 1:26 da tarde, Blogger Demóstenes said…

    Revelação surpreendente, pelo menos para mim, é o facto de Nietzsche ter deixado produção musical.

    Muito abrangente (talvez demasiado) este seu blogue.

     
  • At 1:49 da tarde, Blogger xistosa - (josé torres) said…

    É uma verdade que o ócio não produz nada, mas também não custa nada.
    É um produto espontâneo como os coguMELOS.
    Estes últimos sempre se elevaram do mundo ocioso.
    Durante muitos anos joguei xadrez.Fui federado e entrei numa taça de Portugal.
    Mas aí descobri que a realeza não era o meu forte.
    A rainha chutou-me logo ...
    Talvez derivado desse chuto, e da consequente queda, fiquei mais lento a reagir a estímulos escritos (diga-se!!!).
    Por isso não consigo ler tudo duma só vez.
    Não é só minha a culpa.
    Como sou curioso, só no 1º link perdi, (ou ganhei) uma hora.
    Vou recuperá-la.
    Tanto mais que há carne branca (aquela que os médicos aconselham), em diversas apresentações culinárias.
    Se bem que nem sei se vou cantar "Manha Manha", digo Mahna Mahna.

    Até já, tenho que recolher a roupa que está corar ao sol.

     
  • At 12:00 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Demóstenes: é verdade, mandam as regras do bom bloguismo que, cada post, não exceda as dez linhas.

    Acostumei-me neste bombardear de informação, que torna impossível a leitura, mas tem a vantagem de evitar, porque ninguém lê, uma coisa que os portugueses muito gostam: a polémica, e até processos judiciais, se alguns calos forem pisados.

    Nietzsche sucumbiu a Wagner, essa erva daninha, salvo seja.

     
  • At 12:13 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    José Torres: oh até os movimentos das peças de xadrez me esqueci. Oh vil tempo que roubas memória e vida.

    Os cogumelos têm-se safado bem mas fragas portuguesas. Ou serão os Mellos? Bom... lá rebentou outro mega-processo de corrupção, os anti-vara estão radiantes. Os tribunais e meios de comunicação têm trabalho garantido por mais uns anos.

    Também estive a ver o primeiro link, já tinha passado pelo início várias vezes, mas nunca tive tempo de concluir. Ver o Paulson, Mr. capitalismo, defender a intervenção do Estado é algo digno (ou indigno).

    Carne branca sim, do peito como recomendam os Fernandos Namoras do país, uma bela peitaça recupera forças e aquece os membros.

     
  • At 4:39 da tarde, Blogger Humana said…

    Acho que uma das grandes asneiras da minha vida e repito, uma das, foi não ter tirado o dito curso, apesar do tal do ócio nas universidades e da qualidade dos professores a que te referes.
    Quanto a comentários sobre as Barbies negras, sinceramente ou é da anemia ou não as entendo...
    Passei para te dar um beijo grande e dizer mais uma vez que gosto muito de te ler. ;D

     
  • At 11:26 da manhã, Blogger Fernanda said…

    Amigo T.P.
    Vim essencialmente desejar-lhe im bom dia (^o^)...embora por aqui chova e esteja mesmo tristinho :(

    Li a sua resposta ao meu comentário e sei que de alguma forma tem razão, infelizmente, o Mundo não comporta tanta gente, não há recursos para todos.
    Acredito sim, que a bendita da vacina venha terminar com milhões ...
    Contudo, e se calhar porque prefiro ter uma visão mais "poética" ou mesmo patética, eu prefiro pensar que há soluções, é só o Homem querer, mas querer mesmo.

    Abração,

     
  • At 11:47 da tarde, Blogger philosophystrikesagain said…

    tentaram fazer um Woodstock brasileiro.num lugar bem isolado,péssimas condições também e,além disso,as principais atrações não conseguiam cantar direito de tão bêbadas que estavam.mas houve a tentativa...

     
  • At 7:12 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Humana: não é bem o curso em si que é importante, importante é o papel passado pela secretaria de como temos um curso. E foi o que eu fiz.

    Barbies pretas são o mercado a funcionar, há procura, fornece-se, curioso é a recontrução estética do corpo, aliás, tal como já tinham feito com as Barbies brancas.

     
  • At 7:18 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Fernanda: o tempo para a época até que não está mau. Mas vai piorar, lá se foi os meus planos de andar à Verão até Janeiro :-(

    Só mesmo (talvez) poeticamente é que o mundo melhorará, e mesmo assim, só se alguns poetaços portugueses não publicarem nada :-)

     
  • At 7:20 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Philosophystrikesagain: essa dos músicos estarem bêbedos está muito boa.

     
  • At 6:25 da tarde, Blogger xistosa - (josé torres) said…

    Pobre “Báráque”, ainda não teve tempo de se inteirar das realidades e portanto, proceder como os antecessores e já todos lhe batem.
    O humano é ingrato e cruel
    As racas e cachaporras (são mesmo “racas” sem cedilha, aquele adjectivo mais ou menos popular – agora nem tanto) são o que chega a todos os continentes e alguns até se vêem negros para ouvir.
    Porque comer ou outras coisas básicas são uma utopia para milhões.
    Nunca fui fã de histórias aos quadradinhos.
    É que não sabia se se liam da esquerda para a direita se de cima para baixo, retraso mental talvez.
    Também nunca soube se se liam as palavras primeiro ou se se viam as figuritas.
    Uma espécie de Jornais de Notícias, das nossa TVês, com um qualquer a debitar palavras e a passarem outras na parte superior ou em rodapé.
    Não me sei sintonizar e enquanto estou a pensar se começo a ler de cima para baixo ou o inverso, ou se pelo contrário, ouço a voz que debita catástrofes e quejandos, o Telejornal acabou.
    E neste caso, escolher o Congo para aventuras, não me parece muito curial, mas não li as histórias.
    Agora é que estou a receber música e parece-me que está um pouco baixa, ou estou a ouvir pior. Então fico à espera da clonagem, não sei bem para quê, se as “cristianas” são mais que muitas …
    Pelo menos parece.

     
  • At 10:08 da tarde, Blogger Lívia said…

    Eu também já vi o Zeitgeist. Boa sorte com o vasculhar da Bones and Skulls, não se enterre demasiado. Há coisas que se devem só aceitar, ainda que não se queira fazer parte delas.

     

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