Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Avelhentar

A passagem dos dias espumeja a submissa lira dos poetas, ameigando, no dulçor das palavras, o curto carreiro trilhado, pelos agigantados passos humanos, para o zóster da pedra tumular, como versava
Camilo Pessanha: “Tudo acabou... Anémonas, hidrângeas, / Silindras, – flores tão nossas amigas! / No claustro agora viçam as urtigas, / Rojam-se cobras pelas velhas lájeas”. A mesma espuma dos dias embrulhou astutos filósofos no engano. Martin Heidegger pensou Hitler como a salvação da Alemanha, repetindo a quimera humana, demasiado humana, que advém em todas as épocas de crise. Sartre e Nietzsche lançaram o dado da Liberdade insuportável no meio de seres que unicamente ambicionam o ergástulo. Nu de atavios e berloques, o comum dos mortais, perante o decorrer obrigatório dos dias, tenta… fintar o tempo.

[
Hawkwind – formados em 1969, por Dave Brock e Mick Slattery, com o baterista Terry Ollis. Os amigos de Brock, Nik Turner e Michael ‘Dik Mik’ Davies, que ajudavam a carregar e a montar o material, completaram a banda, no saxofone e nos sintetizadores, respectivamente. O seu nome deriva da alcunha de Nik Turner, que tinha uma chata mania de aclarar a garganta (hawking) e problemas de flatulência (wind). Os Hawkwind situam-se no campo do prog rock, pela experimentação nos sintetizadores, e o rock psicadélico, pelo LSD, os textos do escritor de ficção científica Michael Moorcock e as danças de Stacia, quase sempre nua com o corpo pintado de tinta fosforescente – “Assassins of Allah” D “Silver Machine” D “Master of the Universe” D “The Right Stuff”/ “Angels of Death” D no místico concerto em Stonehenge: parte1 D parte2 D parte3 D parte4 D parte5 D parte6 D “Utopia” D estranhamente new wave, excepto no título da canção, “Quark, Strangeness and Charm”, no programa TV de Marc Bolan.

Lemmy pertenceu ao grupo entre 71-75 onde aprendeu realidades da vida: como desenrascar-se a tocar guitarra baixo, experimentar speed e ácido, para escolher o primeiro, como droga de preferência, pelas suas vivaces propriedades e a satisfazer 100% as fãs. Em 1975, Lemmy foi apanhado na fronteira dos E.U.A. para o Canadá com anfetamina na bagagem, que a bófia confundiu com cocaína. Ele foi preso cinco dias e alguns concertos cancelados. Enfadados com o seu comportamento, os outros membros da banda, despendem-no. Junta-se ao guitarrista Larry Wallis, dos Pink Fairies para formar uma locomotiva de metal com o nome da última canção que escrevera para os Hawkwind, os Motörhead – “Iron Fist” D “R.A.M.O.N.E.S” D “Born to Raise Hell” D “Going To Brazil” D “Built for Speed” D “God Save the Queen” D com as Girlschool].
Mentir sobre a idade é um expediente demais vulgarizado. A lista estende-se infindável. Fidel Castro aumentou um ano para entrar na escola. Nancy Reagan, ainda chamada Davis, na sua carreira de genial artista, nas obras-primas como “Hellcats of the Navy” ou “Shadow on the Wall”, rejuvenesceu-se três anos, que actriz velha não tem cotação no mercado e só arranja emprego na Casa Branca. Al Capone acrescentou um ano de vida e a esposa, Mae Goughlin, retirou um. Até Scarlett Johansson atrasa a entrada na trintona gaveta.

Juventude tem vantagens. Dexteridade na
moderna tecnologia, colectânea de anedotas se for loira, sagacidade nos conhecimentos, ou exposição desinibida de talentos na Internet. Mas a mocidade feminina enferma de um mal que os especialistas denominam “bitching” (em português traduz-se por “cabrismo”, “cadelismo” ou, no vernáculo sentido literal, “filhadoputismo”). Ou seja, as jovens esgadanham-se mutuamente, sem razão aparente, embora alguns cientistas afirmem tratar-se de um aspecto mais feroz da competição pelo macho alfa. Portugal teve a honra de assistir a um exemplo desta “filhadaputice”, no reality show Masterplan, em 2003. No carro com o marido da altura, o másculo Luís, Gisela Serrano e a outra concorrente, Sandra Leão, são “cabras” uma para a outra.

Em Portugal, país de um povo superlativo, que melhora a qualidade de vida segundo após segundo, o “filhadoputismo” não é um comportamento negativo. Este caso proporcionou um momento único de TV e revelou mais dois talentos nacionais, a própria Gisela, e a mãe, Dilar Relvas, que, por arrasto da fama da filha, foi comentar as figuras do jet-set no programa do Goucha, na TVI.
[Refugee – fugaz grupo de prog rock fundado por dois ex-membros dos Nice, Brian Davison e Lee Jackson, com o futuro teclista dos Yes, Patrick Moraz – “Papillon” D “Gatecrasher” / “Ritt Mickley].
Nos outros países esta nefasta maleita inferniza as relações sociais e só se esbate com o encanecer. Um estudo publicado na revista Biology Letters demonstra que as mulheres pós-menopausa reagem de forma positiva a fotos de caras femininas. A comentadora do Telegraph logo deduziu que a fase “bitchy” – folhear a Vogue e murmurar “puta” quando aparece a foto da Charlize Theron ou da Nicole Kidman – estaria ultrapassada. O Daily Mail corroborou a opinião, descrevendo as jovens como sendo tão competitivas quanto os machos, apenas se produzem melhor: “pegam no pitbull interior e aplicam-lhe bâton”. No entanto, Petra Boynton contesta o rigor científico do estudo, afirmando que para lhe conferir “fiabilidade seria necessário seguir as mulheres durante um certo período de tempo, para confirmar se não mudaram de opinião, ou comparar o grupo com outras mais jovens, ou homens desempenhando a mesma tarefa”. E conclui com a suspeita de que os resultados destes três grupos seriam iguais.

Gilberto Madaíl desabafava face aos maus resultados futebolísticos lusos: “já me fartei de beber Água das Pedras”. Semelhante grupo etário, mas feminino, descobriu outro meio de curar contrariedades. Embarcam num avião e vão para o Quénia, Tailândia, ilha de Granada em excursões de turismo sexual. Gozam a fruta local ao sol e… na Jamaica o serviço de “
rent a dread” bate a Avis.

[
Can – grupo de prog rock alemão formado na cidade de Colónia em 1968. Constituído por dois alunos de Karlheinz Stockhausen, o baixista Holger Czukay e o teclista Irmin Schmidt, o aluno de Czukay, Michael Karoli, na guitarra e o baterista Jaki Liebezeit. O nome foi proposto por Liebezeit como um acrónimo de “comunismo, anarquismo, niilismo” – “Paperhouse” D “Sing Swan Song” D “Deadlock” D “Mother Sky” D “Spoon” D “I’m Too Liese” D “Don’t Say No”.

Holger Czukay – após saída dos Can envolveu-se na experimentação de sons e colaborações com outros músicos – com Jah Wobble D com David Sylvian D com os Eurythmics D com os Trio D “Cool In the Pool” D “Ode to Perfume” D “The East Is Red”.

Damo Suzuki – cantado pelos The Fall, vocalista dos Can entre 1970-73, retirou-se da música em 1974, quando se casou com a namorada alemã, convertendo-se em testemunha de Jeová. Regressou em 83 e actualmente ainda toca com os Damo Suzuki’s Network].

29 Comments:

  • At 12:59 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    O espectáculo da ministra da Educação, ontem no Parlamento, faz-me crer que ela necessita de férias na Jamaica, mas não quis alongar mais o post.

     
  • At 7:15 da tarde, Blogger manuel said…

    iiiiiiiiiihhhhhhhhhhhhh os motorhead!!! depois vejo melhor, tou um bocado embriagado.

     
  • At 3:00 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    E Hawkwind.

     
  • At 5:28 da tarde, Blogger Rafeiro Perfumado said…

    No caso do Fidel, não creio que um ano faça grande diferença. Talvez uma década, e mesmo assim... Abraço!

     
  • At 9:45 da tarde, Blogger Humana said…

    Eu também ando a precisar de umas férias dessas fosse para aonde fosse, desde que bem longe daqui!
    Quanto ao Masterplan e coscuvilhices das "tias" na televisão, por favor nem percas tempo com isso!É de uma pobreza a todos os níveis.Que gentalha!

    PS. Por favor vai lá ao blog porque me fizeste escrever e nem jantar dei ao miudo ainda, coitado!Tu espicaças-me sabes?Mas olha que não acabas com o meu romantismo.Lol
    Beijinhos meu céptico!

     
  • At 12:09 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Rafeiro Perfumado: ah pois, se ele tivesse aldrabado uma década na idade, hoje dava-lhe muito jeito. Ele ainda está activo. Bloga como gente grande. Meti o Blog dele, e dos amigos, Cuba Debate, nos links e o homem farta-se de postar.

    Humana: os reality shows e os Telejornais são a imagem deste povo que se esconde nas saias do Cristiano Ronaldo. Não há outros programas de TV melhores no mundo.

     
  • At 3:22 da tarde, Blogger São said…

    Pessanha, estou lendo o seu ensaio sobre o chá...
    Tudo de bom.

     
  • At 3:40 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Pessanha foi ofuscado pelo Pessoa e pelos brilhantes (são todos) de hoje. bfds

     
  • At 4:18 da tarde, Blogger philosophystrikesagain said…

    passei um tempo fora,mas agora voltei e blog já está ativo!
    boa aula sobre prog-rock,mas eu prefiro continuar com o pink floyd e com o renaissance(minhas bandas preferidas do gênero).
    e eu nem sabia dessa história do lemmy.o que eu sabia,era ue ele tinha sido roadie do jimi hendrix,e só.
    abraços

     
  • At 5:21 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Não conhecia o Lemmy como roadie do Hendrix. Com os Hawkwind não podia dar certo. Eles no LSD, ele no speed, não combina.

    Não podia faltar os Renaissance. Também falarei deles. Estava a guardá-los para o rock psicadélico que se seguirá a este rock prog.

     
  • At 7:27 da tarde, Blogger stériuéré said…

    Ena pá ganda Gisela
    " tás-te a repetir!!!"
    " Os palhaços vão ao circo!"
    Epá a gaja não deve ter nenhum detector de palhaços em casa.LOL Senão ela própria já nem saía de casa.
    Realmente esta realidade dos realityshows, dão cabo da nossa " boa integridade" portuguesa.
    E esta de confundir anfetaminas com coca, UI "so differents"

     
  • At 7:28 da tarde, Blogger stériuéré said…

    Gosto de silvermachine

     
  • At 7:41 da tarde, Blogger Inside Me said…

    bom voltar à minha enciclopédia virtual ^^ sabe-se de tudo um pouco aqui! bjs, querido

     
  • At 2:27 da manhã, Blogger Lc said…

    Tá muito bom este post, uma visão real da realidade, da portuguesa fartei-me de rir, mas é um triste facto.Dá que pensar...

     
  • At 4:03 da manhã, Blogger Carlos Rebola said…

    Regressei à praça para tomar o Táxi.
    Nesta corrida, como sempre maravilhosa, afastou-me do avelhentar, detive-me um pouco em Camilo Pessanha e depois continuei no "Caminho" fiz uma paragem na quinta alemã de Heidegger e acompanhei-o agradecido à Grécia, voltei ao Táxi quando vislumbrei o Hitler, mas não deixei de ver as suas bombas na ocupação da França, de Sartre que visceralmente ansiava a liberdade perante esta irracionalidade do humano demasiadamente humano na procura do super homem de Nietzsche na montanha de que falou Zaratustra, onde seria crucificado o anti-cristo, que matou Deus.
    Rejuvenesci e senti-me livre nesta prisão dos Gouchas, Giselas e reality shows de todos os tipos de "filhaputismos"...

    Obrigado pela "corrida" de graciosa bandeirada.

    Um abraço e bom feriado
    Carlos Rebola

     
  • At 1:23 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Stériuéré: a Gisela é uma grande figura nacional. Ontem no Gato Fedorento apresentaram outra que eu não conhecia, Perdigão, o travesti machão, eloquente e mais bem vestido que Sócrates. Este decididamente país não sabe acarinhar os seus heróis. Eu gosto também de “Assassins of Allah”. Uma pedra aquela letra.

    Inside me: sabe-se pouca coisa. Eu cada vez sei menos mas divirto-me mais. A forma como os políticos querem concertar o sistema financeiro mostra que eles sabem ainda menos do que eu. Vai ser muito divertido o fim disto tudo.

    Lc: a realidade portuguesa é de facto uma triste realidade.

     
  • At 1:25 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Carlos Rebola: a curva de Heidegger pelo nazismo deixou os puros (agora em Portugal também há muitos) à rasca. Nas épocas de crise as pessoas vêem sempre um salvador num tipo com dois dedos de conversa. Está na hora de pensar o fenómeno Oh!bama, vou começar no próximo post, embora o assunto seja os direitos de autor.

     
  • At 4:03 da tarde, Blogger mariam said…

    Táxi,

    Santo deus, quanta pesquisa p'ra este post!

    lê-lo é o tal misto de controversos pensamentos...e sorrisos... mas no final, cá me fico com a minha dose de naif... rsrs

    também estou a precisar férias!

    bom feriado
    um sorriso :)
    mariam

     
  • At 8:59 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Isto está de gritos,apitos e cambalhotas. Viva o Dias Loureiro & Associados. Viva

     
  • At 5:44 da manhã, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Mariam: são os milagres da banda larga.

    O Dias Loureiro é um homem honesto, vê-se que não está enrascado e a mentir, estão todos invejosos pelo homem ter enriquecido com muito custo do seu suor.

     
  • At 12:45 da tarde, Blogger Marco Rebelo said…

    obrigado pelo coment.
    aproveita e vota na sondagem.
    gracias :)

     
  • At 1:15 da tarde, OpenID cova-do-urso said…

    Gostei de conhecer o seu blog. Excelentes crónicas. Pessanha, Nietzsche, Michael Moorcock, Nancy Reagan, Gisela e Scarlett Johansson... Excelente. Grato pela leitura.

     
  • At 9:16 da tarde, Blogger deh said…

    porra, heidegger me lembra um guri que eu estava começando a ficar, ele fazia mestrado em filosofia e era louco por esse cara e sério... ele era mt mala...

     
  • At 2:21 da manhã, Blogger xistosa - (josé torres) said…

    Bem "dizido" "Avelhentar"
    É disso que tenho medo, de não o compreender e parar no tempo.
    Porque quem é trôpego não pode correr.

    Já aqui escrevi o que era a música para mim ...
    Não vou recordar.
    Também eu tento fintar o tempo ... já sei que é pura ilusão, mas se grandes e famosos o tentaram ...

    A única banda conhecida é a, ou o, LSD.
    Sei que trepavam pelas paredes sempre engoliam ... rolavam pelo chão e viam monstros.
    Talvez até tivessem razão, que os havia e chegaram aos nossos dias ...
    Sim esse, daquela coisa que tem as mãos cheias de cordelinhos e arames, que até abanam o bigode e a pêra e dá espectáculos na Praça da Alegria, pelos vistos não é aí, já que só ouvi falar em tristezas.

    A ministra não se safava na Jamaica.
    O título do post também atinge os outros ... as outras, os sostros e as sostras ...
    Não quero dizer que desta água não beberei ... nunca se sabe onde está a boa fruta ... porque alguma um pouco mais madura, por vezes, sacia-nos ... inesperadamente.
    Entre duas penadas, dois dias queria dizer, só deixei para o fim, o fim.
    Os "The Fall", cujo vocalista, (?) converteu o Malato ao judeísmo, ou lá o que é.
    O rapaz regenerou-se e ouvi eu, já não pertence "à família".
    Não sei qual delas.
    Só conheçia a "familia" ou o grande clã das telenovelas, cujo Padrinho ... (fiz uma pausa para fazer-lhe uma reverência), é o Nicolau.
    O homem que põe e dispõe, mesmo sem pau ...

    Olhe, uma boa semana ... e que o dinheiro cresça no banco.

     
  • At 3:15 da manhã, Blogger o que me vier à real gana said…

    Táxi, leva a ministra da Educação para as "setecheles"! É um favor k te peço... Ah, e depois diz aos pilotos k se esqueçam dela por lá por uns..., digamos - voltamos ao seis!- seis mesitos. Pode ser?
    Ah ah, ainda outra coisa: ofere-lhe a obra do teu amigo Nietzsche "Para a Genealogia da Moral". Pode ser!... Vá lá!

    Abraço

     
  • At 2:24 da tarde, Blogger Carla said…

    "perco-me" no manancial de informações que colocas em cada post...é muito bom ler-te, assim sendo vou reler tudo o que escreveste
    beijos

     
  • At 3:19 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Deh: namorados de filosofia não. Fuja deles. Não prestam. Eu sei porque sou disso. :-)))

     
  • At 3:31 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    José Torres: o Malato é um judeu novo? Oh diabo agora pode-se apedrejá-lo. Ou talvez fique magro com o kosher.

    Real Gana: a ministra é necessária no país para reconverter as escolas normais em escolas de futebol. Aí o país enriqueceria. Se todos os portugueses valessem 150 milhões de euros haveria muito dinheiro para acudir aos bancos.

     
  • At 3:31 da tarde, Blogger Táxi Pluvioso said…

    Carla: bem que tento encolher os posts mas é muito difícil. O que aumenta o seu tamanho são os parágrafos de música. Poderiam ser posts separados, mas prefiro assim, pois fico a semana a ver os vídeos, enquanto escrevo o post seguinte.

     

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