Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

domingo, junho 12, 2011

O burro doméstico


Cuidava o ser humano de que lhe aligeiravam o fardo, o desfardavam, de que cirandaria entre almoços sobre a erva [1], de que lhe podavam os espinhos das silvas, para as amoras colher numa, mais que certa, hedonista existência [2]. Nas vísceras de sacrificadas ovelhas arúspices liam facilidades e alívios: porém, se o intento dos pilotos de Nações era aliviadoira, construiriam gaiutas e não serviços de informação e de fazenda pública. Nas costas da jumentada governada alancavam-lhes fardos, ao de cidadão, o de trabalhador, de consumidor, de eleitor e, o Smartburden Black Edition, o de devedor. António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, fulanizou: “se não houver um acordo em quadro parlamentar para a aprovação do Orçamento (2011), os sinais que estamos a dar aos nossos credores é que estes devedores não se entendem entre si. Não põe no campo, no terreno, medidas concretas de atalhar, de mudar de vida” [3]. O cidadão livre, o trabalhador das 09:00 às 19:00, o consumidor consoante a classe, o eleitor de 4 em 4 anos, é agora também devedor pleno. (Cada português deve 14 852,83 euros a uma dezena de países). Apossa-se uma nova consciência dos cidadãos [4]. Dançavam sob ecstasy e sumo de laranja o beat do Catroga, na época do crédito gordo, na magra, serão mais abusados que um Justin Bieber [5]. E fortificam-se os líderes [6]. Vêm aos trambolhões peritos nos “números e Deus” [7].Na reconquista cristã da península ibérica, as populações derrearam sob os visigodos, os sarracenos eram mais tolerantes no direito de culto e impostos, por isso conquistaram a península em poucos anos e os cristãos demoraram séculos a recuperá-la. Na retomada financeira, os banqueiros só têm meses, e o tamanino povo está “All Dolled Up”, (“abonecado”: a viagem fantástica dos New York Dolls), sem sítio para ir… exceto às repartições de Finanças.


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[1]Le Déjeuner Sur L’Herbe”, quadro de Manet, escandalizou os franceses em 1863, Malcolm McLaren, na década de 80, pretendeu análogo efeito na Inglaterra, com a capa do disco “See Jungle! See Jungle! Go Join Your Gang, Yeah. City All Over! Go Ape Crazy”, (1981), dos Bow Wow Wow. A vocalista, Annabella Lwin, 14 anos, não estava legal para se desvendar nua, rodeada de dois homens vestidos, e a capa foi proibida. Só aos 16 anos ela assinou a autorização: – a sessão fotográfica; – as canções: “Go Wild in the Country” ♪ “Chihuahua” ♪ “Aphrodisiac” ♪ “C30 C60 C90” ♪ “Elimination Dancing / Radio G-String” ♪ “Uomo Sex Al Apache”.


[2] Como o Nick Cave local, nem menos nem mais do que… Miguel Ângelo: no vídeo com os Profilers, formados em 2007, banda de Sintra, vencedora do XIII Festival de Música Moderna de Corroios, em 2008: – no Renhau-nhau ♪ em Corroios ♪ “Edith Piaf on LSD”: este ano rechaparam-se Os Lábios e lançaram o seu 1º disco num elétrico de Lisboa. San de Palma, sobre o nome: “uma entrevista p’ó Blitz, no dia a seguir, exato. Andamos muito tempo a discutir qual é que seria o nome. Não foi fácil chegarmos a um acordo, mas ficou Os Lábios (…) eu acho que sim… já chegamos e ficamos Os Lábios e estamos muito contentes com o nome, não estamos rapazes?”. Eurico Silvestre, sobre as influências: “a música desses 5 anos (1979-1984) influencia-nos imenso. Isso sim. Assumimos definitivamente. Não só o estrangeiro, mas principalmente também cá, (Heróis) do Mar, António Variações, sim, por aí fora, Mler If Dada”. – Miguel Ângelo explicou o seu magnetismo regional entrevistado por Olavo Bilac: “foi uma vez, que fui contactado, por uma senhora que ficou obcecada, obcecada comigo. Uma senhora casada, de Gaia, e que começou a perseguir-me. Tipo stalker, mesmo, percebes? Ligar-me às duas da manhã p’a casa e tal, acordando a minha família inteira, e então aquilo foi quase um caso de polícia e então o que é que eu descobri? Descobri que a senhora tinha visitado uma daquelas igrejas que vêm do Brasil, não é? Quer dizer aquelas seitas religiosas. Que o pastor tinha dito que havia de chegar um homem de Fátima, de olhos azuis, e que havia de resolver todos os seus problemas. Eu, por acaso, num daqueles dias, ‘tava na televisão a apresentar o ‘Cantigas na Rua’, e tinha uma t-shirt desenhada pelo Nuno Gama, que os Delfins usavam, e que tinha uma imagem dos três pastorinhos, assim muito psicadélica. Cheia de cores e cheia de efeitos psicadélicos. Pá, a senhora viu-me na televisão. Viu-me ali, pronto! É este que me vai satisfazer todos os meus desejos e pronto, começou como stalker, uma coisa, números de telefone, polícia, uma coisa complicada, mas é assim…”.


[3] O sansadurninho Paulo Macedo, vice-presidente do BCP, reforça: “eu estou otimista no sentido em que acho que é inevitável. Ou seja, como eu não encaro situações de default, ou de reestruturação, só vejo cumprirmos o acordo. Eu acho que a gente às vezes esquece que se não ‘tivéssemos na União Europeia e não tivéssemos este acordo (o salvador plano da troika) só tínhamos estas duas alternativas, e elas teriam as consequências, enfim, esta da reestruturação, já foi aqui aflorada, e a do default. A gente viu o que foi com o eventualmente, um atraso dum dia no pagamento às Forças Armadas, não é? Portanto, quero dizer, vale a pena, quando dizemos que não pagamos, saber que nós ‘tamos, não só na posição de devedores, mas numa situação especial de devedores. É de devedores reiterados, não é?”.


[4] O cidadão comum Vale e Azevedo, à saída do Court of Lords, na Inglaterra, mala na mão, chove, vai apanhar um táxi: “entendi que não era necessário gastar dinheiro. A crise toca a todos e a toda a gente. Temos de ter cuidado com o que gastamos hoje em dia”.


[5] Pela propaganda judaica: “ o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu cancelou o seu encontro com a sensação pop Justin Bieber por causa da recusa do cantor de se encontrar com crianças vivendo em comunidades afetadas pelo lançamento de rockets de Gaza”. E por uma Lilith, uma vampe: Selena Gomez, 18 anos, seduz um Bieber de 16 anos e os tribunais não acionam contra este crime contra as crianças.


[6] Cavaco Silva, na campanha eleitoral: “cada um de vós pode imaginar o que sucederia a Portugal se a Presidência da República fosse ocupada por radicais ou por extremistas, por aqueles que insultam os que nos emprestam dinheiro. E no dia seguinte, como é que era?”. Durão Barroso, o timoneiro europeu: “este é o momento da verdade para a Europa. Ou nadamos todos juntos, ou nos afogamos separadamente”.


[7] Hervé Le Grand, em 1939, sobre Salazar: “aconteça o que acontecer, recordaremos que Portugal, tão grande pelo seu passado, mas tão diminuído pela democracia, se reergueu de forma espantosa a partir do dia em que passou a beneficiar de um Governo único encarnado por um homem que pode ser cabalmente descrito como alguém que conhece apenas os números e Deus”. O sapiente economista Cavaco Silva, nas Legislativas 2011, votou e depois foi à missa.


Os banqueiros não têm o conceito de “cliente” [1]. Profissionais de fácil paleio: “bem prega São Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz”, ou na língua deles “you know me by my actions [2], not by words [3]”. Porteiros da circulação do dinheiro inventaram em 1988 os SIV (“produtos financeiros estruturados”), um caldo de ativos, uns reais, outros incertos e outros até insolventes. Apesar da duvidosa cobrança de alguns desses ativos, o dinheiro cumpria a sua função, isto é, circulava, o crédito era barato, economias e pessoas enriqueciam. Certo dia os Bancos começaram a desconfiar desses valores incertos, pararam os empréstimos e as trocas interbancárias congelaram. O “dinheiro” (apenas informação nos computadores) evaporou-se. Jean-Claude Trichet: “aquando da reunião da direção do Banco Central Europeu, na manhã de 9 de Agosto de 2007, o pedido de liquidez era de 92 mil milhões de euros para os Bancos comerciais. Era uma quantia enorme que traduzia o estado de letargia em que estava o mercado financeiro”, em duas horas e meia “decidimos dar liquidez ilimitada, com taxa fixa”. A circulação do “dinheiro” regressou, retornou a felicidade, voltou a mama nos países “ricos” [4].


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[1] Faria de Oliveira, presidente da Caixa Geral de Depósitos, durante a venda da Vivo à espanhola Telefónica, distribuiu palavras amigas a todos menos aos clientes: “tudo tem, já um colega meu (Ricardo Salgado do BES) disse, tudo tem o seu preço, exceto obviamente a honra, como ele disse e muito bem, mas tudo tem o seu preço (…) os accionistas, os accionistas devem, obviamente, procurar obter o máximo de informação possível por parte dos Conselhos de Administração é aquilo que nós também procuramos e procurar encontrar aquilo que melhor defenda, em primeiro lugar, o interesse nacional, em segundo lugar, o interesse dos accionistas e o interesse da empresa. Estão três factores em jogo”.


[2] Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, sobre o novo imposto para a Banca: “agora o que temos de pensar todos é que os Bancos de facto; têm de ser rentáveis, por que a Europa e os Estados Unidos estão cheios de casos de Bancos que fracassaram e que levaram à ruína as economias dos seus países. Não se esqueçam daquilo que aconteceu na Irlanda e em muitos outros países da Europa”. São os clientes que pagarão mas eles preocupam-se.


[3] Faria de Oliveira: “o momento é único, o que atravessamos, e não é sentido, segundo eu creio, no dia a dia, na grande maioria dos cidadãos portugueses. Nem sequer é completamente realizado pelas elites. Temos um primeiro momento de assumpção colectiva das dificuldades presentes e do próximo futuro, depois há que ter capacidade para solidariamente aceitar o inevitável. Temos de mudar radicalmente de vida e o nosso nível de vida vai baixar por uns tempos”. Não a vida dos banqueiros, as vidas dos outros.


[4] Mamar ou não mamar agita o mundo da pedagogia. O bebé Glotón, um brinquedo que mama, tem preocupado os educadores, quando o momento é de alegria, pois as boas almas, os pais negadores das diferenças entre os sexos, por 45 €, poderão oferecê-lo aos filhos varões, preparando-os para uma função que talvez cumpram no futuro. Nessa mesma visão o top de biquíni “Ashley”, um soutien push-up, acolchoado, para consumidores de 7-8 anos, da Abercrombie & Fitch, terá um nicho de mercado nos boys, tranquilizando os pais: “o soutien push-up é, efetivamente, uma ferramenta sexual, desenhado para empurrar os seios para cima e para fora, colocando-os à frente e centro, onde eles são mais acessíveis aos olhos (e a tudo o resto)”. E o novo mundo perfeito será pintado por Mike Cockrill.


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Para a fast life, filmes em quatro fotogramas. – “Die Straße”, (“A Rua”), (1923), de Karl Grune: “conta a história de uma noite, em que um homem de meia-idade é atraído, do seu feliz lar, para as emoções e perigos das ruas da cidade. A cidade é um pesadelo expressionista, um lugar perigoso e caótico. O infortunado homem cruza-se com ladrões, prostitutas e outros predadores. Mas a verdadeira ameaça à sua segurança e ordem é a própria rua”. Depois das suas noturnas agruras “regressa a casa onde a esposa, sem uma palavra, lhe serve a sopa requentada da noite anterior”. – “Qui êtes-vous, Polly Maggoo?” (1966), do fotógrafo de moda William Klein: diplomado pintor, estudou sob Fernand Léger, desviou-se para a fotografia, e para a revista Vogue (1955-65); “filmado como um falso documentário de TV mistificando a alta-costura” onde “o ridículo passa por sublime”; com Dorothy McGowan, modelo e atriz descoberta por um caçador de talentos de entre a multidão que esperava os Beatles no aeroporto Kennedy, Nova Iorque, irmã de James, polícia nova-iorquino, negociador principal na crise dos reféns, no Chase Manhattan Bank, no Brooklyn, em 1972, filmado por Sidney Lumet em “Dog Day Afternoon” (1975). – Cenas de ação: “Hard Ticket to Hawaii” (1987): “dois agentes da brigada de narcóticos são mortos numa ilha privada do Havai. Donna (Dona Linda Speir, Playmate, miss Março 1984) e Taryn (Hope Marie Carlton, Playmate, miss Julho 1985), duas agentes da Agência, acidentalmente intercetam uma entrega de diamantes destinados ao traficante Seth Romero, que discorda e tenta recuperá-los”; cenas de estonteante ação: o skater, a boneca insuflável e a bazucada ou a morte por frisbee. Com tudo, os mestres da porrada estão em Bollywood. – Montagens sem sentido: “Footloose” (1984), com Lori Singer: desterrado para uma parvalheira, Ren McCormack (Kevin Bacon), desafia a autoridade clerical, que proibira o rock e a dança, dançando (?) o rock (?) de Kenny Loggins num armazém: filme “vagamente baseado em acontecimentos vividos na pequena, rural e extremamente religiosa cidade agrícola de Elmore, Oklahoma, em 1978. A dança estava banida há perto de 90 anos até que um grupo de estudantes do liceu contestou”. – “Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer” (2010), “este documentário faz uma análise, em profundidade, da rápida ascensão e queda dramática do governador de Nova Iorque Eliot Spitzer. Alcunhado ‘ o xerife de Wall Street’, quando era Procurador-geral de NI, Eliot Spitzer processou crimes das maiores instituições financeiras da América e dalguns dos mais poderosos executivos no país. Depois da sua eleição para governador, com a maior margem na história do estado, muitos acreditavam que Spitzer estava no trajeto de se tornar no primeiro presidente judeu da nação. Então, chocantemente, a ascensão meteórica de Spitzer transformou-se numa queda vertiginosa, quando o New York Times revelou que Spitzer – o paradigma da retidão – fora apanhado a frequentar prostitutas. Enquanto os seus poderosos inimigos se regozijavam, os seus apoiantes questionavam o calendário de tudo: enquanto o xerife caía, assim também os mercados financeiros, num cataclismo que ameaçou desfiar a economia global”. Numa investigação do FBI sobre a interação com putas, Spitzer baixava as calças para “Kristen”, uma morena de 1,65 m, 22 anos, colaboradora do serviço internacional de acompanhantes Emperors' Club VIP: com preços entre mil e 5 500 dólares/hora e 31 mil por dia não é prostituição no mundo real, mas no fantasioso mundo da Justiça, “bons costumes” é salário magro para a plateia e bónus gordos para o balcão. Na inevitável escuta, “Kristen” avaliava o seu cliente 9: “não penso que ele seja difícil. Quero dizer, é apenas um tipo de gosto… que se lixe… eu estou aqui com um propósito. Sei qual é o meu propósito”. O New York Times identificou “Kristen” como Ashley Youmans, nome artístico Ashley Alexandra Dupré, nascida a 30 de Abril de 1985, atualmente colunista sexual no New York Post e cantora: “estive sozinha. Abusei de drogas. Estive tesa e sem-abrigo. Mas, sobrevivi, à minha custa. Aqui estou em Nova Iorque por causa da minha música”: “What We Want”. – “Repo! The Genetic Opera” (2008): “no ano 2056 uma epidémica falta de órgãos devasta o planeta. Da tragédia emerge o salvador: GeneCo, uma empresa de biotecnologia, que oferece transplantes de órgãos, por um preço. Aqueles que falham o pagamento são agendados para recuperação e perseguidos pelos infames Repo Men”; com Alexa Vega, Sarah Brightman, Paris Hilton. – Raparigas arrebenta-bilhas: Kate Beckinsale, a “sexiest woman alive”, na série “Underworld” (2003): “Selene, uma bonita guerreira vampira, está entalada numa guerra entre as raças de vampiros e lobisomens. Embora alinhe pelos vampiros, ela apaixona-se por Michael, um lobisomem que sonha com o fim da guerra”; “Underworld: Evolution” (2006): “o filme remonta ao início da antiga discórdia entre as duas tribos, enquanto Selene, a linda heroína vampira, e Michael, o licantropo híbrido, tentam desvendar os segredos da sua linhagem”; “Underworld: Rise of the Lycans” (2009), terceiro filme sem Beckinsale mas com Rhona Mitra: “na Idade Média, um jovem Lycan chamado Lucian emerge como um poderoso líder que reúne os lobisomens contra Viktor, o cruel rei vampiro que os escravizou”; Beckinsale retorna com India Eisley em “Underworld: New Dawn” (2012): “depois de ser mantida em estado de coma durante 15 anos, a vampira Selene descobre que tem uma filha de 14 anos, híbrida vampira/licantropo, Nissa, e quando a encontra, elas devem travar BioCom de criar um super Lycan que irá matar todos”. – Samia Gamal (1922-1994), no filme egípcio “Ma takulshi la hada” (“Don't Tell Anyone”) (1952), de Henry Barakat; ela também dançou em “Ali Baba and the Forty Thieves” (1954), com Fernandel; atriz e dançarina do ventre, nascida na aldeia de Wana, no Cairo conheceu Badia Masabni: fundadora da moderna dança oriental, nascida no Líbano, quando este ainda integrava a Síria, mudou-se para o Egito no início do século XX, em 1926 abriu um cabaret, Casino Opera, e contratava coreógrafos ocidentais para ensinarem as suas bailarinas, convidou Samia para a sua companhia de dança; Samia estudou com Badia e com a sua vedeta, Taheyya Kariokka, nome artístico de Badaweya Mohamed Kareem Al Nirani, nascida em 1915, em Ismaileya, Egito: participante em 120 filmes e casada 14 vezes. – “Intrépidos Punks” (1980), “é tão ruim, mas tão ruim, que você não consegue desgrudar os olhos da tela – e o espanhol falado pelos protagonistas só ajuda no factor diversão, já que a pronúncia de ‘punks’ se transforma em ‘PÓNKS’ com o carregadíssimo sotaque mexicano”: um bando de motociclistas “anda por aí a roubar, a chantagear e a violar pessoas, às vezes ateando-lhes fogo, enquanto tocam rock em salas vizinhas, ou a desfrutar um ocasional jogo de roleta russa, até que conseguem chatear, tanto o povo como as autoridades, que convocam um dueto de superbófias para pôr cobro ao seu extremo reino de terror, assim como terminar a corrupção em general no México rural”.


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[Eternal Moonwalk (1) – ele morreu, o matemático Peter Dodds e o cientista de computadores Chris Danforth, bisbilhotaram 2.3 milhões de blogues e deduziram essa data como “o dia mais infeliz da net”. A Dança, precedeu-o: talvez influenciado por Bob Fosse no filme “The Little Prince” (1974), e sucedeu-lhe: a dança da vassoura de Turbo (Michael Chambers), no filme “Breakin’” (1984) (2): “uma batalhadora dançarina de jazz encontra dois break-dancers”; com Lucinda Dickey, uma estrela perdida para o casamento que, antes da rendição aos espinhos do tálamo, brilhou em “Ninja III: The Domination” (1984): “um pérfido ninja tenta vingar a sua morte, do além túmulo, possuindo o corpo de uma inocente mulher”. A história de Michael Jackson conta-se em peúgas: abuso infantil, negado pelo ancião pai, Joseph Jackson: “e toda a gente dava umas palmadas nos seus filhos quando eles faziam algo errado. Mas não espancavam. A Katherine cascava mais no Michael do que eu. Porque eu trabalhava em dois empregos e ela estava mais em casa com ele”; e o chimpanzé Bubbles: “tem agora 26 anos (em 2009) e está vivo e próspero no Centro para os Grandes Macacos, em Wauchula, Florida.


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(1) Outros vídeos sincronizados: el señor anónimo para o Ghosts Film Festival dos Nine Inch Nails. Com a webcam: “Hibi no Neiro” (“o som diário”) dos Sour.


(2) Na primeira cena de dança de rua a assistência compõe-se de surfistas e vadios de praia. Entre eles, um homem de camisola de alças e calções pretos bate palmas ao compasso da música. É o primeiro aparecimento no cinema de Jean-Claude Van Damme.


O Moonwalk alunou no dia 25 de Março de 1983, durante a encenação de Billie Jean, no Pasadena Civic Auditorium, no programa especial de TV “Motown 25: Yesterday, Today, and Forever”: pela comemoração dos 25 anos da Motown e tributo a Berry Gordy Jr., seu fundador. “Jackson, inicialmente, recusou o convite, justificando que não queria apresentar-se ao vivo, nem tão pouco cantar com os irmãos. Reconsiderou após uma visita pessoal de Gordy, por quem tinha um enorme respeito. Jackson iria na condição de uma atuação a solo”. Por ela, nomearam-no para um Emmy e as vendas do álbum “Thriller” (3), colocaram um em cada lar. Quanto à gaja instigadora desta movimentação gravidade zero, Michael explicará: “existe uma rapariga chamada Billie Jean, mas não é acerca dessa Billie Jean... representa muitas raparigas... nos anos 60 costumavam-se chamar groupies”. Nessa mesma atuação a mão esquerda de Michael endireitou-se de fama: a luva branca que a agasalhava objetificou-se “popmente”, em merchandising para o cérebro dos fãs e tarefas para os ociosos da era informática, que isolaram os 10 060 planos da luva na “nacionalmente transmitida marcante execução de Billie Jean”. Sobre a enluvada decisão, a atriz Cicely Tyson, que partilhava o mesmo estilista de Michael (Bill Whitten): “e de repente, ele disse, ‘eu estou a fazer esta luva para o Michael’. Michael começava a desenvolver vitiligo e começara pela mão”.


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(3) Versões do “Thriller”.


As esquisitices da vida de Michael (4) horrorizaram mastigadores de Bíblias e engrossaram o anedotário: P: “sabes que o Michael Jackson vai casar com a Lisa-Marie Presley? R: “se o Elvis estivesse vivo daria voltas na tumba”. E abasteceram de lenha infinitas indústrias, além da óbvia. A indústria cinematográfica: “Captain Eo” (1986) e “Moonwalker” (1988); a indústria dos videojogos: “Michael Jackson's Moonwalker” (1990) para a Sega Genesis; a indústria da psiquiatria: diagnosticaram-lhe “autohebefilia”, (da deusa da juventude Hebe, filha de Zeus e Hera), o paciente seria “eroticamente excitado pela ideia de ser criança” (5); a indústria do passatempo informático: Super Michael Bros. por sikamako; a indústria da inseminação artificial: os doadores de esperma contrataram a indústria dos advogados pela paternidade dos filhos de Michael; a indústria da publicidade: na filmagem do anúncio da Pepsi incendiou-se-lhe o cabelo, Michael terá comentado: “odeio Pepsi. Odiei fazer aquele anúncio idiota. A única coisa de que gostei foi trabalhar com as crianças”, numa cassete onde discorria sobre a sua família: “Janet é uma maria-rapaz. É por isso que me mata vê-la sair e casar-se. Nós fazíamos tudo juntos e éramos muito parecidos”, que a indústria jornalística escandalizou.


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(4) Embalada no berçário Jackson 5: “Never Can Say Goodbye” ♪ “Can You Feel It”. E historiada em seis canções.


(5) Num caso relatado, um paciente consultou um cirurgião plástico para que fizesse o seu pénis parecer mais infantil.


O leilão do século (6) marcado para 22-25 de Abril de 2009: “Darren Julien, o afável leiloeiro de Los Angeles, de mercadoria de celebridades, que está a conduzir a venda, espera que um circo mediático desça sobre o hotel (Beverly Hilton), bem como tribos de dedicados fãs de Jackson de todos os cantos do globo”, Michael cancelou-o, porque se arrependeu da separação da tralha, que um gajo normal (7) amontoa ao longo dos muitos dólares. A indústria da advocacia acordou por uma exposição em vez do leilão. Entre a tarecada do rei da pop estava: o rei da pequenada, as criancices dos pirralhos; as lâminas do Eduardo Mãos de Tesoura; a mobília; os meiotes da tournée Triumph; Pete Wentz, baixista dos Fall Out Boys, licitaria: “quero aquele carro de golfe que tem ele vestido de Peter Pan no capot”. Muito dinheiro não dançou mas o verdadeiro dinheiro só baila sobre o caixão….


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(6) Catálogo da Julien’s Auctions.


(7) Celebrou o 50º aniversário “desfrutando bolo e desenhos animados” com os filhos.


Em 1990 a cantora hip-hop Safire – nome artístico de Wilma Cosme, da ilha de San Juan, Porto Rico – gravou “I Never Heard”. O corpo de Michael ainda não arrefecera, e a editora enxugava os chorosos dólares dos fãs, com um novo álbum e um filme, ambos rotulados: “This Is It”, precisamente outro título para a canção editada em 1990. O cadáver de Michael exalava o verde aroma dos dólares, e os direitos de autor intensificava esse odor, e o nariz de alguém não desobstruía. A canção foi escrita em 1983, por Michael Jackson e Paul Anka, que pôs a mão na anca: “eles perceberam o erro. Pediram desculpa e deram-me o que legitimamente é meu. É 50-50, dividido bem ao meio”. O agente de Safire diz que, a ideia original, era um dueto entre ela e Anka: “eles pensavam que Safire ia ser a próxima Gloria Estefan. Ela lançara três grandes discos de dança e estava a tornar-se uma artista bastante conhecida. E então ela lançou a balada ‘Thinking of You’, que foi um dos discos mais tocados do ano. Mas quando Michael a conheceu na Califórnia, no estúdio, viu como ela era nova e bela. Ele disse para o Paul: ‘não podes gravar o disco com ela, ela é muito nova’”, e ofereceu a canção a Safire.


O cadáver esquisito de Michael amamentará longos banquetes de chicken e meatloaf até ao fim dos tempos. A mãe, Katherine Jackson, e os três filhos, Prince Michael, Paris e Blankett, deliberou-lhes o tribunal uma mesada de 86 804 dólares. O juiz Mitchell Beckloff delineou: os 26 804 dólares da mãe: 4 722 $ para um assistente, 3 500 $ para roupa, 4 000 $ para uma governanta e um motorista, 1 500 $ para entretenimento. Para os filhos 60 000 dolares: 14 600 $ para salários e impostos das pessoas que cuidam deles, 13 260 $ para entretenimento e despesas relacionadas. A caridade também come: a canção “Home” de La Toya Jackson “previamente gravada em honra da família será agora relançada em homenagem ao seu falecido irmão”, os lucros irão para a AIDS Project LA. E os credores digerirão. Pela morte, a receita anual de Michael era de 19 milhões de dolares, mas os seus gastos de 20-30 milhões, aportuguesavam-no, isto é, situavam-no na dependência de um plano externo. O benfeitor Sheik Abdullah bin Hamad Al Khalifa, o segundo filho do rei do Bahrein, processa o património de Michael por 7 milhões, “alegando que lhe dera milhões de dólares para pagar as dívidas, gravar um álbum, escrever a sua autobiografia e subsidiar o seu estilo de vida”.


Mas a melhor fatia, fatiou-a a AEG Live. A promotora dos concertos londrinos organizou o Concerto Perfeito (50 concertos mais exatamente: cenas dos últimos ensaios, dois dias antes da morte). Esgotou o 02 Arena, o artista morre, propõe a devolução dos bilhetes como é de lei, mas o colecionismo dos fãs guarda-os como históricos. O Concerto Perfeito: muito lucro, pouca despesa. As cataratas de dinheiro prosseguirão as usual: o vídeo “Scream” (7 milhões de dólares) está no 1º lugar do top da lista dos vídeos mais caros:


Vídeografia: 1979 - “Don't Stop 'til You Get Enough”, realizador Nick Saxton ♪ “Rock with you”, real. Bruce Gowers ☻1980 - “She's out of My Life”, real. Bruce Gowers ☻ 1983 - “Billie Jean”, real. Steve Barron ♪ “Beat it”, real. Bob Giraldi ♪ “Say Say Say”, real. Bob Giraldi ♪ “Thriller”, real. John Landis ☻ 1987 - “Bad”, real. Martin Scorsese ♪ “The Way You Make Me Feel”, real. Joe Pytka ☻ 1988 - “Man in the Mirror”, real. Donald Wilson ♪ “Dirty Diana”, real. Joe Pytka ♪ “Smooth Criminal”, real. Colin Chilvers ♪ “Another Part of Me”, real. Patrick Kelly ♪ “Speed Demon”, real. Jerry Kramer e Will Vinton ♪ Come Together”, real. Jerry Kramer e Colin Chilvers ☻ 1989 - “Leave Me Alone”, real. Jim Blashfield e Paul Diener ♪ “Liberian Girl”, real. Jim Yukich ☻ 1991 - “Black or White”, real. John Landis ☻ 1992 - “Remember the Time”, real. John Singleton ♪ “In the Closet”, real. Herb Ritts ♪ “Jam”, real. Michael Jackson e David Kellogg ♪ “Heal the World”, real. Joe Pytka ☻ 1993 - “Give Into Me”, real. Andy Moharan ♪ “Who Is It”, real. David Fincher ♪ “Will You Be There”, real. Vincent Paterson ♪ “Whatzupwitu”, real. Wayne Isham ♪ Gone Too Soon”, real. Bill DiCicco ☻ 1995 - “Scream”, real. Mark Romanek ♪ “Childhood”, real. Nicholas Brandt ♪ “You Are Not Alone”, real. Wayne Isham ♪ “Earth Song”, real. Nicholas Brandt ☻ 1996 - “They Don't Care About us”, (versão prisão), real. Spike Lee ♪ “They Don't Care About us”, (versão Brasil), real. Spike Lee ♪ “Stranger in Moscow”, real. Nicholas Brandt ☻ 1997 - “Blood on the Dance Floor”, real. Michael Jackson e Vincent Paterson ♪ “Ghosts”, real. Stan Winston ☻ 2001 - “You Rock My World”, real. Paul Hunter ♪ “Cry”, real. Nicholas Brandt ☻ 2003 - “One More Chance”, real. Michael Jackson].