Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

quinta-feira, setembro 22, 2011

O ano do pato à l’orange

Os povos medem-se aos salmos. Povos pios piados povos. Seus rogos são despachados na mala do correio prioritário azul celeste e Deus nunca ensurdeceu às preces portuguesas [1]. Como se parissem das santas mãos de Séfora e Fua – as bíblicas parteiras judias que, desobedecendo a ordem do faraó de esganar os filhos machos, sabotaram-lhe a política de controlo de natalidade – nasceram os portugueses para a luz ao fundo do túnel, já calendarizado pelo histórico primeiro-ministro Pedro Passos Coelho: “podemos fazer do ano de 2012, o ano do princípio do fim da emergência nacional (…) como todos os períodos de transição será um ano duro, repleto de desafios e de obstáculos”. Séculos de penar serão esbarrondados de uma penada [2]. Na crise da fome de 1310, a plebe roía as cascas das árvores ou comia carne em putrefação dos animais mortos. Nem as classes altas pandegavam. Certo dia, uma viúva entregou uma petição a D. João IV, que a desliza no bolso das calças sem a ler. A senhora, receando-lhe extravio, adverte: amanhã Vossa Majestade troca de calças e o papel desfaz-se na barrela. El-rei riposta: isso seria se eu tivesse outras. No seu reinado, a imensa fortuna da casa de Bragança, esbanjava-se na Guerra da Restauração (1640-68) e não lhe sobejava nem para um par de galdinas. Ainda no século XX, as refeições dos pastores algarvios eram pão de farinha de alfarroba e figos. Porvindouro está o ano do pato com laranja, é 2013, e temos dirigentes para esse entressonho: o histórico e destemido ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas arrisca a vida em Benghazi, na Líbia, pelos seus dois amores, as pequenas e médias empresas: “há um potencial de crescimento enorme para as empresas portuguesas, e muitas pequenas e médias empresas vão ganhar aqui, mercados e oportunidades, e eu quis abrir caminho, porque é esse o meu dever, pra esses mercados e pra essas oportunidades. Quem chegar a tempo ganha evidentemente posição”. O ministro da Educação Nuno Crato equaciona em “cratês”: “a exigência vai dar mais oportunidades aos pobres” [3]. Os jornais incensam-lhes valor acima do mercado: “Paulo Macedo é o ministro mais rico, Portas o mais pobre”. “Paulo Macedo perde 34 mil euros/mês com ida para o Governo”. E a estrela de Belém, Cavaco Silva, atira os jovens ao mar, no mar está o futuro da pesca nova de cada dia [4]. Neste vasto panascal o povo já chapisca melhorias: 12 383 pessoas em situação de pobreza no ano 2010, só 16 mil salários em atraso em 2010, só 700 mil famílias carenciadas na tarifa social de eletricidade, só 1 750 casas restituídas aos Bancos entre Janeiro e Abril de 2011. Afirmava José Sócrates que “um primeiro-ministro é um profissional do otimismo”, que blá-blá-blá, frases encantatórias, mesmo com o batel no fundo – mas a voz do Estado é enganadora e tramou Charles Bishop… numa sucinta história da América: em Song for Jedi[5].

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[1] No campo de Aljubarrota, na calmaria antes da batalha, o tinir de ferro temperado e o relinchar das cavalgaduras do descomunal exército espanhol rasgavam o silêncio. O lado português, um grupelho de uma soldadesca andrajosa e mal armada, encomendava os seus votos a Deus. “Se viver não lavrarei as terras ao domingo”, “se viver respeitarei a abstinência de carne”… de entre estes murmúrios aos céus erguem-se os votos de D. Martim Afonso de Sousa: “pois se eu escapar vivo, vou meter-me na cama da minha amiga, a abadessa de Rio Tinto, por 40 dias e 40 noites”. Deus ouviu a prece. Os portugueses colheram estrondosa vitória. D. Martim cumpriu. E, dessa maratona carnal nasceu o pai de D. Rui Afonso de Sousa, um diplomata de longos préstimos ao país, nos reinados de D. Afonso V, D. João II e D. Manuel: negociou o tratado de Tordesilhas, convenceu a Inglaterra a reconhecer os direitos portugueses aos mares da Guiné, construiu a catedral de São Salvador no Congo… Morreu em Toledo aos 75 anos quando acompanhava D. Manuel. Está sepultado em Évora. O seu filho, também diplomata, D. João de Sousa, bojou o nome de Portugal. Numa tourada, a rainha de Castela, Isabel, a católica, sentada no pódio do outro lado da praça, chamou-o para junto de si. E para lhe testar a raça, com D. João a meio caminho, ordena aos criados que soltassem o touro mais bravio. D. João, olha a besta nos olhos, desembainha a espada e de golpe certeiro fulmina-a. Limpa o sangue no capote imperturbado. No beija-mão diz-lhe a rainha: grande sorte na faena, D. João; e ele poltroneia os seus: em Portugal somos todos assim. A própria origem dos Sousas provém de uma derrota de Mafamede, de um rebolanço de D. Afonso III com uma linda moura, que assim resgatou uma alma cristã da infiel moirama. Desde cedo que Deus estava connosco. Segundo a lenda, no começo da portugalidade, no ano de 1128, o combate de S. Mamede delongava-se, o sol caía no horizonte, as tropas de D. Teresa e do galego que lhe mudava as águas, o conde Fernão Peres de Trava, enjeitavam os ataques do filho rebelde. E um enrascado D. Afonso Henriques finca um joelho no chão e suplica a Deus para parar o sol. E o sol parou. Deus consentiu-lhe mais umas horas de claridade para derrotar a mãe e fundar um país.

[2] O orgulho pátrio nos grandes feitos: Jaime Pereira dos Santos, luso, de republicanas bigodaças, representante do Núcleo Estratégico de Investidores na compra do BPN: “cada um dos concorrentes fez o seu melhor. Lutou por Portugal. Levantou o nome de Portugal. Levantou o nome da nossa Banca. Revelou que há interesse. É bom que as agências de rating, sobretudo as sérias, as outras não contam, vejam o grande músculo financeiro e o tecido socio-económico português agitarem-se por bons motivos. Querem crescer e querem investir. É um bom sintoma para Portugal”. Do estrangeiro enroscam-se efúgios panegíricos ao país das boas memórias: Katie Melua: “o público português é maravilhoso. Estive cá no ano passado e foi bom. Foi muito bom! Eu lembro-me da primeira vez que estive em Portugal, trouxe o meu ex-namorado e tivemos uma grande discussão quando estávamos a passear junto ao mar. E eu infelizmente ainda me recordo disso. Desculpem. Mas foi isso que aconteceu!”.

[3] A fúria do estudo em Marie Brethenoux. Filha de mãe portuguesa e pai francês: “passo muito tempo na biblioteca, mas uso um bocadinho mais de roupa. Nunca tinha feito uma sessão fotográfica nua, mas a equipa pôs-me muito à vontade. Adorei a sessão”. Há três anos, venceu o concurso Miss Sloggi, que elege o melhor rabo nacional: “eu candidatei-me pela Internet para que me avaliassem o rabo”. Com um espírito que facilita a compreensão do “Exame da ‘Visão em Deus’ de Malebranche” de John Locke: “sou muito safada na intimidade”.

[4] Em 1928, outro brilhante astro, para salvar o país, abandona “o sossego encantador de Coimbra para vir aplicar, como ministro, os princípios que há muito ensinava na sua cátedra de Finanças na velha universidade daquela cidade”, Tomaz Wylie Fernandes em “Professor Oliveira Salazar’s Record”. E exige as seguintes garantias aos militares no poder: “cada departamento do Governo vivesse dentro do orçamento com que era dotado pelo ministério das Finanças; que todas as medidas suscetíveis de afetar a receita ou as despesas do Estado fossem previamente discutidas com o ministério das Finanças; que o ministério das Finanças tivesse o poder de vetar quaisquer aumentos de despesa propostos; e que todos os departamentos do Governo cooperassem com o ministério das Finanças no sentido de reduzir a despesa e aumentar a cobrança de receita”, em “Salazar” de Filipe Ribeiro de Meneses.

[5] O 11 de Setembro foi o jackpot para a América. Nova Iorque arrecadou um lugar de grande valor turístico e, do ponto de vista do Estado, os Governos abotoaram-se da escusa perfeita para vigiar e retirar direitos aos cidadãos e de uma ferramenta preciosa na difusão de sistemas simbólicos para consumo interno e exportação ultramarina. Internamente, o Governo americano, quando o cidadão se extravia em questões que lhe prejudicam a vida ou perto de eleições, toca o sino do “terrorismo”. No estrangeiro, o sofrimento da morte é explorado como mais um espetáculo de um poder colonial cultural. Em Lisboa há uma viga do World Trade Center, de duas toneladas e meia, ainda sem local de exposição para a teatralização da dor pública. No cruzamento da av. Estados Unidos da América com a av. de Roma, o então presidente da Câmara, João Soares, célere na concretização, um mês depois da queda das torres, “bemgastou” os impostos numa escultura de Augusto Cid. – Charles Bishop (1986-2002) foi um jovem que acreditou na encenação do Estado e despenhou-se com um Cessna 172 contra a torre do Banco da América, em Tampa, na Flórida. No avião estava a nota: “preparei esta declaração relativa aos atos que estou prestes a cometer. Primeiro que tudo, Osama bin Laden está absolutamente justificado no terror que causou no 11/9. Ele prostrou uma poderosa nação de joelhos! Deus o abençoe e aos outros que ajudaram a fazer o 11 de Setembro. Os EUA terão de enfrentar as consequências das suas horríveis ações contra o povo palestiniano e iraquiano, pela sua aliança com os monstruosos israelitas – que querem nada menos do que dominar o mundo! Vocês pagarão – Deus vos ajude – e eu farei vocês pagarem! Virão mais! A al Qaeda e outras organizações encontraram-se comigo várias vezes para discutir a hipótese de me alistar. Não o fiz. Esta é uma operação feita por mim apenas. Não tive ajuda, contudo, estou a agir em meu nome. Osama bin Laden está a planear explodir a Super Bowl com uma bomba nuclear antiga que restou da guerra israelo-síria de 1967”. A mãe processou os laboratórios La Roche pelo Accutane, o seu medicamento contra o acne, provocar como efeito secundário sintomas de psicose.

Há um ataque ao euro [1]? João César das Neves, um sabichão português, sabicha: “aliás, se houvesse um ataque ao euro, o primeiro prejudicado era o dólar, é preciso perceber isso. Se o euro amanhã acaba, o dólar leva um estoiro. Se houver uma crise na Europa o mundo inteiro leva um estoiro. Quem é que ganhava com isso? Os únicos bene benefícios são os terroristas globais que queiram destruir o planeta. Dar cabo da Europa e dar cabo do euro é uma coisa que não interessa literalmente ninguém, a não ser meia dúzia de pessoas que andem depois a apanhar os cacos”. Ele diferencia a Grécia de Portugal: “há 20% de pess de anarqui de pessoas que votam nos anarquistas que são mesmo anarquistas, não são como os nossos, temos esses esquerdóides, coitados, a gente dá-lhes um copo e eles ficam contentes. Não! Os anarquistas gregos são me’mo anarquistas”. Apesar deste sábio insight, em 2010, o Banco de Investimento Goldman Sachs e os hedge funds Soros Fund Management, SAC, Greenlight Capital e Paulson & Co vendem euros para os desvalorizar, depois compram CDS (credit default swap) gregos, um forma de seguro que especula sobre a insolvência da dívida grega. Um financeiro próximo de Georgios Papandreou explica: “o credit default swap é apenas um seguro contra o incumprimento de uma obrigação, até então, para ter um seguro assim, um produto que foi criado por volta de 1997 ou 1998, tínhamos de ter a obrigação, é lógico, quando isso foi abolido em finais de 2000, podíamos comprar um seguro contra o incumprimento de uma obrigação sem termos a obrigação. Assim, é como se fizéssemos um seguro à casa do vizinho”, e repimpar-se calmamente para que ela arda, “o que é assombroso é que em 2001, o total das transações foi de 600 mil milhões de dólares, e em 2007 foi de 60 triliões de dólares só no CDS”. Entretanto, o Financial Times publica duas petas para enterrar o euro: que a China recusou comprar 25 mil milhões de dívida grega e que o Banco Central chinês queria livrar-se dos euros. Neste verão, de 2011, o Daily Mail fez idêntica graça noticiando a breve falência do Société Générale.

A 15 de Fevereiro de 2010, Jean-Claude Juncker, após uma reunião, quatro dias antes, da velhada europeia [2], em Bruxelas, para decidir medidas “firmes” para salvar a Grécia, afirmava “firme”: “reafirmamos o compromisso do Conselho Europeu. Isto é, os Estados membros da Zona Euro terão uma ação determinada e coordenada, caso venha a ser necessário”. Os mercados riram-se e as obrigações gregas valiam zero. Giorgos Papakonstantinou, ministro das Finanças grego: “a Grécia andou perto da falência no início de Junho, desculpe, de Maio. Tínhamos obrigações, mas era óbvio que os mercados estavam fechados para nós. Se não houvesse o necessário apoio, não poderíamos cumprir os nossos compromissos”. Angela Merkel dia 17 de Março no Bundestag: “o euro encontra-se perante o desafio mais importante de sempre (…). Não há qualquer alternativa ao plano de austeridade da Grécia, enquanto aguardamos esforços futuros. Saúdo o povo grego que decidiu economizar 4% do PIB” (…). Numa determinada zona monetária, sobretudo da Zona Euro, não podemos deixar um país à beira da estrada. Repetimos que estamos unidos pela estabilidade do euro”. Em Abril, Nicolas Sarkozy convence Merkel a esquecer-se do Pacto de Estabilidade para emprestar à Grécia 110 milhões de euros. A massa tarda na burocracia. Dia 23 desse mês, o primeiro-ministro Georgios Papandreou, anuncia dramático num background soalheiro, casas baixas, barcos, água: “hoje a situação dos mercados ameaça destruir não só os sacrifícios do povo grego, mas o fundamento da economia”. Olli Rehn, comissário europeu dos Assuntos Económicos, em Washington, para ultimar o plano de ajuda à Grécia: “se bem me lembro era quinta-feira, dia 22 de Abril, nessa noite reunimo-nos com o G7 para jantar. O ambiente era sério. Estávamos todos de acordo para tomar ações eficazes e rápidas. A participação dos Estados Unidos foi muito construtiva e não mostrou qualquer desdém pela situação difícil da Europa”. Os mercados riam-se. Dia 9 de Maio mais uma reunião de emergência da velharia europeia, depois da Grécia, agora Espanha, Portugal e Irlanda não estão de boa saúde. Christine Lagarde, ministra francesa das Finanças: “houve um momento fundamental entre as 18:00 e as 19:00 de domingo em que o presidente da República (Sarkozy) e a chanceler alemã falaram e decidiram, primeiro, que era preciso um grande montante na mesa e, segundo, que era preciso que a soma das fontes europeias atingisse os 500 mil milhões de euros (…). É verdade que foi angustiante, pois víamos a hora da abertura dos mercados a aproximar-se com o avançar da noite”. Pactuaram num fundo de ajuda a países encravados: 440 mil milhões da UE, 220 mil milhões do FMI, 60 mil milhões da Comissão Europeia, mais os 110 mil milhões já emprestados à Grécia, um total de 830 mil milhões para amedrontar os mercados. Exatamente o que George Soros sugerira em 2009, quando alertou os europeus, isto é, os alemães, para a vindoura crise das dívidas soberanas. Veio tarde o fundo e agora os mercados riem-se. Em 2008, os Bancos europeus estavam falidos, o fundo criado pelos dirigentes políticos dois anos depois tem um único préstimo: salvar a Banca. A “crise” tem uma lição: serão os contribuintes que irão recapitalizar a Banca. Os Bancos venceram. E os cidadãos europeus ficaram com dívida. E todos viveram felizes e comeram perdizes…

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[1] Em 2001, o Vítor Constâncio, o presidente do Banco de Portugal, aquando da sua introdução em Portugal: “não existirão quaisquer custos diretos para as populações, nesta operação de conversão (…) não há riscos de um surto inflacionista em resultado da introdução do euro”. Na economia real, das pessoas que vivem nas sociedades e não nos livros de teoria económica, a inflação foi de 100%. A unidade monetária das ruas era a moeda de cem escudos, o “pintor”, e de um dia para outro, duplica-se no euro, ou seja, 200 escudos. Sobre uma economia fraca lançou-se uma moeda forte e nada se fez para que essa economia crescesse para suportar essa moeda e as consequências estão agora no país. E insistiu este sabichão: “estas notas têm, como saberão, elementos de segurança que não têm precedentes na história monetária, visto que contêm mais de uma dúzia de elementos de segurança”, esqueceu-se do principal para a nota não ser falsa: de uma política financeira coerente.

[2] Chefes de Estado ou de Governo da UE, na idade das pantufas, teimam em “governar”. À pergunta: o que devem ter numa digressão? respondeu “Tico” Torres, velho baterista dos velhos Bon Jovi: “acredite ou não, comemos canja de galinha em todos os países. Faz-nos pensar na nossa casa. Afasta as constipações e conforta a barriga. É bom. É a única coisa que pedimos”. A ideia que os velhos empatam é da sabedoria popular. Na série “Morangos com Açúcar 8 Vive o teu Verão”, a morangomania da juventude portuguesa, a rebelde Dalila, após o seu topless na praia: “só tirei a parte de cima do biquíni mais nada. Mas claro há sempre uma velha chata e invejosa que faz questão de chamar a polícia”. Interpretada por Inês Curado: “Foi a primeira vez que fiz topless na vida. Estava nervosa, mas correu bem”. No movimento Pantene.

Homero esmolava pelas ruas de Acaia. Em Orlando, Flórida é proibido alimentar os sem-abrigo sem licença. No povo da Geração Coragem, a seleção sub-20 de futebol, derrotada pelo Brasil na final do Mundial na Colômbia. Uma derrota moderna, com sabor a vitória, jogadores e dirigentes foram medalhados pelo presidente da República. No povo que não é burro chofra-se o futuro da abundância. O mais ilustre português, Ricardo Gonçalves, o deputado da província com fome: “se abrissem a cantina da Assembleia da República à noite, eu ia lá jantar. Eu e muitos outros deputados da província. Quase não temos dinheiro para comer”; “o palhaço inimputável” da velhota imputável Maria José Nogueira Pinto; no XVIII congresso do Partido Socialista abriu o regaço para refeições de pato com laranja: “e nós PS temos que cumprir com o acordo da troika, sem o qual também não temos futuro. E esta é a realidade. E é nesta realidade que nós temos que construir o futuro, com a colaboração de todos, com a participação de todos, e com a nossa Maria de Belém à frente. Nós voltamos ao tempo da rainha santa Isabel, e é por isso que as rosas desapareceram deste congresso, porque estão todas no regaços da Maria de Belém e quando a Europa vier fazer guerra connosco, a Maria de Belém abre o seu regaço, e do seu regaço brotarão rosas, com as quais os europeus nos compreenderão, e nos darão tudo e todo o apoio, e nós seremos felizes p’a sempre. Viva o PS! Viva Portugal! Viva a Maria de Belém! Viva o António José Seguro!”.

cinema:

Breana McDow: "também sou uma atriz muito experiente, músico, bailarina / ginasta. Não estou interessada em qualquer tipo de nudez ou fotografia erótica”. Nascida em 1990, “Breana formou-se em 2008 na Nogales High School e frequentou os colégios comunitários Mount San Antonio College e Los Angeles City College, aspirando graduar-se em antropologia”. Jeitosa, nos anúncios das sapatilhas Skechers Tone-ups e nas mochilas Eastpak e nos vídeos: “When She Turns 18” dos Christian TV e “Give Me Something” dos Scars On 45. O seu primeiro filme será “Measure” (2011), em rodagem, em Norwood, Ohio: “uma tragédia vagamente baseada no ‘Medida por Medida’ de Shakespeare, sobre um envelhecido e já não relevante mafioso irlandês que luta por manter o seu domínio sobre uma cidade, e o polícia que ainda guarda um rancor de família”, realizado por Djay Brawner, noivo de Breana, planeiam casar-se na primavera de 2013. [Site. Blog. Twitter]. – Abbe Lane: “nascida Abigail Francine Lassman, numa família judia do Brooklyn, Nova Iorque, Lane começou a sua carreira como atriz infantil na rádio, e daí progrediu para o canto e a dança na Broadway. Casada com Xavier Cugat, de 1952 até ao seu divórcio em 1964”. Nesse mesmo ano, ele casou com Charo, e ela com Perry Left, em 1965 ofereceu-lhe uns botões de punho de diamante como presente de casamento. “Conquistou o seu maior sucesso como cantora de clubes noturnos, e foi descrita num artigo de uma revista em 1963 como o ‘swingingest sexpot in show business’”. “Votada ‘demasiado sexy’ para aparecer na TV, pela rede RAI, e forçada pela NBC a cobrir-se no ‘The Jackie Gleason Show’ (1966)”. Deslinguada como as suas contemporâneas: “Jayne Mansfield pode transformar os garotos em homens, mas eu levo-os a partir daí”. Jean Cocteau apelidava-a de notável pelo seu grande apreço pelos animais. Em 1961, ela, o esposo e os cães, estiveram no aeroporto da Portela, no restaurante, para um refresco, onde Lane exemplificou uns passos da nova dança La Pachanga: “como uma dança, a pachanga tem sido descrita como uma ‘happy-go-lucky dance’, de origem cubana, com um sabor de Charleston, devido à dupla flexão e o endireitar dos joelhos”. Cantou nos clubes e no cinema. No filme “Donatella” (1956); no filme “Totò, Eva e il pennelo proibito” (1959); no programa da RAI “Il signore delle 21” (1962); “Me lo dijo Adela”. – “Dancing for the Dead: Funeral Strippers in Taiwan”: “se bater a bota em Taiwan, uma opção funerária aberta é o Electric Flower Car, uma plataforma com rodas, iluminada de néon, sobre a qual pulcras mulheres despem as cuecas para benefício das audiências… vivas e falecidas”. Documentário do antropólogo Marc L. Moskowitz, da universidade da Carolina do Sul, que responde sobre a frequência do strip nos funerais taiwaneses: “não é de todo comum para os moradores urbanos, mas nas áreas rurais, a maioria das pessoas viu estas performances. Na verdade, o strip total entrou na clandestinidade, porque foram promulgadas, em meados dos anos 80, leis contra a nudez completa, de modo que não é tão popular como antes. Eu não vi strip total – embora seja provável que isso sucedesse, em parte, porque elas sabiam que eu estava a filmar nessa altura – mas quase todos com quem falei tinham visto strip total. A maioria das pessoas em Taiwan classifica ambas, strippers e cantoras, como um grupo: como artistas do Electric Flower Car –, as únicas pessoas com quem falei que fazem uma clara distinção entre strippers e cantoras são as próprias artistas e os agentes”. – “The Girl with the Dragon Tattoo” (2011), realizado por David Fincher: “o jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) é auxiliado, na sua busca de uma mulher que desapareceu há 40 anos, por Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma jovem hacker”. [Site]. Na banda sonora, sete minutos e meio de Trent Reznor, dos Nine Inch Nails, e Atticus Ross; esta dupla vencera em 2010 o Globo de Ouro pela banda sonora original de “The Social Network”. – Top 100 das estrelas porno: Riley Steele: “é um talento em rápida ascensão de Escondido, Califórnia”; Lexie Belle: embora se dispa na net desde idade talvez ilegal, a sua biografia é floreada como os poetas do crepúsculo do século XIX: “é uma jovem coisinha sexy do Luisiana. Belle fez sexo pela primeira vez com o seu namorado no seu décimo sétimo aniversário. Ambos virgens, tentaram usar película aderente como contracetivo, uma vez que não tinham preservativo. Ela trabalhava num clube de vídeo, onde foi abordada por alguém, que tinha visto o seu MySpace e queria recrutá-la para a indústria porno”, três meses depois visitou pela primeira vez um cenário porno. A sua primeira cena foi a primeira vez que aboquejou um fellatio. [Site. Twitter]; Shazia Sahari: “é supostamente meia paquistanesa, meia saudita, o que pode fazer dela uma das poucas atrizes muçulmanas no porno tradicional”; Tori Black: “desde que ingressou na indústria em 2007, entrou em mais de 200 filmes”. [Site]. O porno quando bumba é para todos: atrizes louras, infelizmente Allison Angel (nascida Christie Caudill) arrumou as tetas para ser enfermeira. Felizmente, outras desistiram para serem servas de Deus. Atrizes pretas: Midori, nome verdadeiro Michelle Watley, irmã de Jody Watley, também se bambaleia pelo microfone; Heather Hunter, agora rapper, pintora e escritora. Porno para cegos. Paródias. Atrizes no Twitter: Sydney Moon está adoentada. – “Spy Kids: All Time in the World” (2011), realizado por Robert Rodriguez em 4D. Uma invenção de John Waters no filme “Polyester” (1981): “apresenta um artifício chamado ‘Odorama’, (“smelling is believing”), em que os espectadores podiam sentir o cheiro do que viam na tela através de cartões de raspar e cheirar”, agora modernizado sob o mais vendível nome de Aromascope. Mais um drama para os portugueses: uma tecnologia que matará a imaginação nas crianças tal com o computador Magalhães matou o cálculo matemático: extinguindo-se as incógnitas estruturantes do crescimento hormonal masculino: ao que cheira o rabo da Jessica Alba? e o cheiro da bichana de outras? E críticos de cinema e espectadores lactentes de experiência cinematográfica frequentarão as salas afocinhados num Nasal Ranger: “instrumento para medir o odor ambiente da diluição ao limiar”. Rodriguez somou mais um número ao cinema, em 2003 filmara “Spy Kids 3-D: Game Over”: “há muito tempo que tinha planos para um filme de ficção científica sobre irmãos que ficam presos dentro de um jogo de vídeo e eu queria que fosse em 3-D”. Filme com uma aparição da futura namorada de Justin Bieber, ainda criança: Selena Gomez, e o espectro da América, Sylvester Stallone, como o vilão. Rodriguez rememora o seu encontro: “foi na festa de estreia do festival de cinema de Veneza. Naquele dia saí com Sly, e fiquei fascinado por descobrir como era uma pessoa realmente engraçada e agradável. Eu queria trabalhar com ele desde então, mas num papel cómico, e não num papel de ação. Stallone passou-se dos carretes no papel do Toymaker e divertimo-nos à farta”. O 4D centuplicará o sucesso de “Labyrinth” (1986) ou de Gassie, a cadela que não ladra, bufa, da série Sonny with a Chance” (2009-2011), do pouco inodoro canal Disney. – “Splice” (2009): “os engenheiros genéticos Clive Nicoli (Adrien Brody) e Elsa Kast (Sarah Polley) esperam alcançar a fama através de uma bem sucedida ligação de ADN de diferentes animais para criar novos animais híbridos para uso médico”. O realizador, Vincenzo Natali, tem futuros planos: “no caso de ‘High Rise’, baseado na novela de 1975, de J. G. Ballard, que conta a história de um gigantesco edifício que se tornou na sua própria sociedade, onde ‘festas degeneram em ataques saqueadores contra andares inimigos e as, antes luxuriosas comodidades, transformam-se numa arena para o caos tecnológico!’. Natali descreve por que este poderia ser um filme fantástico: ‘eu tenho uma adaptação de um romance de J. G. Ballard chamado High Rise que desesperadamente quero fazer. É sobre um edifício que é tão grande que basicamente funciona como uma sociedade verticalmente integrada’, explica Natali. ‘É sobre o que sucede quando essa sociedade - high rise - se desmorona… eu chamo-lhe um filme catástrofe social, é realmente divertido, é realmente louco’”. – “Gaiking” (2012 ou 2013): “quando a Terra é invadida por um pavoroso exército alienígena, um robot gigante chamado Gaiking é construído para defender a Terra”. Gaiking é “um gigante mech (termo da ficção científica para grande veículo caminhante ou robot) membro dos Shogun Warriors”, da série de animeGaiking: Legend of Daikuu-Maryuu” (2005-2006), produzida pela Toei Animation. “O projeto Gaiking deveria, originalmente, ser uma curta-metragem de 7 minutos anexada ao ‘Heavy Metal’ de Fincher, mas depois de esse projeto se mudar para outro estúdio, Jules Urbach apropriou-se dele e prosseguiu-o, e agora parece a caminho de ser um desabrochado filme com a realização de Matthew Gratzer. Urbach foi um dos fundadores da Lightstage, a companhia que desenvolveu a tecnologia de mapeamento de personagens 3D visto no The Curious Case of Benjamin Button”. – “Captain America: The First Avenger” (2011): a Paramount e a Marvel deram liberdade aos mercados internacionais de excluírem o “capitão América” do título para que o lucro não se represasse nos ódios anti-América. A Rússia, Ucrânia e Coreia do Sul acolheram a sugestão e exibem o filme somente como “O primeiro vingador”. A China ainda hesita: eles “só autorizam a exibição de 20 filmes estrangeiros por ano e não é esperado que este entre na fatia”.

música:

[Dick Dastardly & Muttley in their Flying Machines” – série de desenhos animados da Hanna-Barbera, derivada de uma outra, “Wacky Races”, e reconhecida pela melodia “Stop the Pigeon” – também tangida pela banda texana, auto-descrita como “country-fed punkabilly”, Reverend Horton Heat. Uma melodia extraída de uma outra mais antiga: “Tiger Rag”: “um clássico do jazz, originalmente gravado e registado pela Original Dixieland Jass Band em 1917. (Só adotaram a grafia ‘Jazz’ no final de 1917). É uma das composições de jazz mais gravadas de todos os tempos”. A secção final, “Hold That Tiger”, foi desenvolvida por um trombonista chamado Jack e o trompetista Punch Miller. “Mais tarde, Harry DaCosta escreveu a letra para o instrumental, que vendeu aos milhões e um seria um hit nacional americano dos Mills Brothers em 1931”. “Segundo o escritor Sam Chartres, ‘Tiger Rag’ foi trabalhado pela Carey Jack Band, o grupo que desenvolveu muitos dos temas clássicos que foram gravados pela Original Dixieland Jazz Band. O trabalho era conhecido como ‘Jack Carey’, entre os músicos pretos da cidade (Nova Orleães) e como ‘Nigger #2’ pelos brancos”.

Versões diversas: The Five Racketeers num “all-colored vaudeville show” (1935): consoante Dennis Nyback “vaudeville foi uma forma de arte americana que floresceu nos palcos dos Estados Unidos e no Canadá, com digressões a terras estrangeiras, na última metade do século XIX e grande parte da primeira metade do XX. Consistia numa variedades de números no mesmo espetáculo”, – nesse mesmo vaudeville show também Eunice Wilson and the Five Racketeers $ no desenho animado de Betty Boop, improvisada por Grampy com aparelhos domésticos, que esquecera a música para a sua festa em “Betty and Grampy” $ Liberace $ Les Paul & Mary Ford $ Django Reinhardt $ The Mulcays & Bob Hope $ a orquestra feminina dos anos 1925-37 The Ingenues $ pelo “criador do estilo mais suave do country conhecido como som de Nashville” Chet Atkins $ num soundie (avô dos vídeoclips) de Victor Young and Orchestra $ no anúncio da Esso $ pelo guitarrista inglês, ex The Yardbirds, The Jeff Beck Group e Beck, Bogert & Appice, e a cantora irlandesa, guitarrista e tocadora de bodhrán, Jeff Beck & Imelda May. Na mesma arca do tempo, outros músicos: The Cats And The Fiddle »»Killin' Jive” $ e o “gaiato judeu magricela de cabelos loiros”, rocker de sexo e drogas, antes do rock ‘n’ roll, Harry “The Hipster” Gibson »»Piano Boogie Jump” ♪ “4-F Ferdinand” ♪ "Handsome Harry The Hipster" ♪ “Who Put the Benzedrine in Mrs. Murphy’s Ovaltine?].