Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

segunda-feira, agosto 19, 2013

Gallus gallus domesticus

1983. “O país é esperto, os portugueses são espertos”. Quem assim elogia? Olha, lá no céu! É um pássaro! É um avião! Não, é um superhomem! Ângelo Correia, no sábado 15 de janeiro, de os cadeirões do programa “Venha tomar café connosco” [1], além de panegíricos ao povo, atirou também know-how para tempo de crise: “devo a minha casa de 6 assoalhadas ao gonçalvismo: 1975 era uma esplêndida oportunidade para negócio, ninguém queria arriscar…”. Ângelo Correia, era o ministro da Administração Interna do Governo de Pinto Balsemão, e responsável político por duas mortes e muitos feridos no 1.º de maio de 1982 no Porto, porém, no gatinhar da democracia portuguesa, os ocupadores de cargos públicos não eram ainda responsabilizados pelos seus atos ou o descambar da sua tutela. Errou king size, no seu Canal da crítica de TV, em 17 de janeiro de 1983, Mário Castrim: “agora o homem que tem as mãos tintas de sangue vai-se embora. Deixa atrás de si um rasto de vergonha. Será com raiva e nojo que o povo português pronunciará sempre o seu nome que, mais do que simples nome de pessoa, é símbolo de uma política de repressão, de ruína, de morte” [2].
Tinha um amor, Ângelo: “eu quis criar a polícia que deve existir no ano 2000” - anúncio PSP (1983). Por amor de uma polícia livrou-nos Ângelo da pinky violence [3]. Quarta-feira, 19 de janeiro, inauguram-se os chacais, epíteto dos GOE entre si por serem bads to the bone: “o chacal precisa de mais treino”, comentou o major Diogo, comandante do Grupo de Operações Especiais da PSP, quando um dos seus homens com espingarda de mira telescópica falhou um alvo a 500 metros [4]. Presentes nesta demonstração, a comunicação social, vultos nacionais e, confrontados com ele, os chacais eram uns gatinhos, o verdadeiro “Bad Motherfucker” (do grupo indie russo Biting Elbows), o ministro da Administração Interna. Medusa dos terroristas, Ares dos petrolistas, galo cobridor dos subvertores, Ângelo Correia talha o modernismo do GOE: “uma resposta às forças que não aceitem a convivência pacífica em democracia, onde os problemas se resolvem através do debate das ideias”. Ângelo não é homem de dogmas, picuinhices que não dão hortaliças, versátil, não se engasga quando o país demanda por bosta, por fertilizantes políticos de carreira – “pois bosta pode ser usada como fertilizante, enquanto que os dogmas não”, Mao Tsé-Tung [5]. Na quinta-feira, 24 de fevereiro anuncia ele que, sem abandonar a sua pasta ministerial, concorre a deputado pelo distrito de Aveiro: “não há qualquer preceito na lei que mo impeça”. Que o seu ministério “praticamente nada tem a ver com o processo eleitoral, que depende fundamentalmente, da Comissão Nacional de Eleições”. “Há uma certa tradição proveniente das posições de anteriores titulares da pasta que não quiseram concorrer à Assembleia devido às funções que desempenham”, esse é um “argumento falacioso que não tem qualquer suporte legal ou político. Se fossemos por aí o ministro da Administração Interna teria de ser sempre, forçosamente, um independente e nunca um político de carreira” [6].
Sexta-feira, 21 de janeiro, Bayão Horta, ministro da Indústria, Energia e Exportação, numa visita ao Terceiro Encontro Nacional para o Desenvolvimento das Indústrias Elétricas e Eletrónicas, em Lisboa, “durante a sessão presidida pelo presidente da República, [general Ramalho Eanes], expôs publicamente os objetivos e princípios da nova campanha ‘comprar português’ que o seu ministério decidiu lançar em 1983”. Pelas suas contas “poderá permitir uma diminuição de cerca de 350 milhões de dólares no défice comercial do país”. A campanha dirige-se “no sentido de uma redução de 5 a 7 % do volume de aquisições, que em 1982, ascenderam a cerca de 5,5 mil milhões de dólares (480 milhões de contos)”, e na “promoção e divulgação da qualidade e capacidade competitiva dos produtos da indústria nacional, a promoção da inovação tecnológica nacional, assim como todas as ações tendentes a otimizar a curto e médio prazo o valor acrescentado nacional em todas as operações industriais”. - Em 1983, Isabelle Adjani lança “Pull Marine”, coescrita com Serge Gainsbourg, vídeo realizado por Luc Besson: “J'ai touché le fond de la piscine / Dans le petit pull marine / Tout déchiré aux coudes / Qu'j'ai pas voulu recoudre – Eu bati no fundo da piscina / Na minha camisola marinha / Toda rota nos cotovelos / Que eu não quis remendar”.
Quinta-feira, 27 de janeiro é publicado em Viena o relatório anual do Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes das Nações Unidas. “A produção ilícita aumenta e o tráfico está florescente”. O consumo de cocaína e heroina aumentou em 1982 no Ocidente. “A cocaína já não afeta só as camadas abastadas da população. (…). Este aumento de consumo de cocaína, considera o relatório, é devido nomeadamente a uma superprodução de folhas de coca. Este excedente não é utilizado para fins médicos, ou mascado pelas populações locais, nomeadamente na Bolívia e Peru. (…). O consumo e o tráfico de heroina aumentaram no primeiro trimestre de 1982 um pouco mais de 65% em relação ao mesmo período de 1981, num país da Europa ocidental não indicado. Segundo o relatório, a heroina continua a ser mais fácil de obter, em geral muito pura, e o seu preço baixou devido à abundância da recolha de papoilas dos dois últimos anos na região do triângulo de ouro (Birmânia, Tailândia, Laos) e a existência de quantidades crescentes de heroina produzidas ilicitamente em várias partes do Próximo e Médio Oriente”. Na década de 80, prosperou em Portugal o Casal Ventoso, o sonho dos liberais, a prova de como o mercado funciona com prosperidade para o vendedor e vantagens para o consumidor. Todos dos dias milhares rumavam ao bairro de Lisboa, para comprarem as suas quartas (teoricamente, um quarto de grama que, por pressão da livre concorrência, algumas pesavam meio grama, em preço estável, 2500$00 – conversor de moeda do Intergalactic Exchange Bureau).       
Na praia económica na unida Europa. “O número de desempregados dentro da CEE atingiu um novo e inesperado recorde em fins de 1982, com um total de 12 milhões, ou seja, 10,8% da população ativa, indicam as estatísticas publicadas pela Comissão Europeia em Bruxelas. A comissão sublinha a gravidade do problema e indica que o aumento do desemprego no conjunto da CEE foi de 16,7% durante o ano de 1982. Nas suas previsões de outubro, a Comissão previa que a marca dos 12 milhões de desempregados só seria atingida em fins de 1983. (…). O agravamento da situação do desemprego atinge especialmente os jovens que representam 40% do total. Finalmente, sublinha-se que com os 12 milhões de desempregados a CEE atinge o nível dos Estados Unidos, quer em número quer em percentagem da população ativa” [7]. A aposta europeia no desemprego libertou o tempo, milhões de europeus sem nada que fazer, com todo o tempo da Europa. Como passatempo em Portugal leem-se livros, em 1983 foram publicados: “A insustentável leveza do ser”, Milan Kundera: “todos nós temos necessidade de ser olhados. Podíamos ser divididos em quatro categorias consoante o tipo de olhar sob o qual desejamos viver. A primeira procura o olhar de um número infinito de olhos anónimos ou, por outras palavras, o olhar do público. É o caso do cantor alemão e da estrela americana, como é também o caso do jornalista de queixo de rabeca”; e “As cruzadas vistas pelos árabes”, Amin Maalouf: “quando a matança parou, dois dias depois, não havia um único muçulmano dentro muros. Alguns aproveitaram a confusão para escapar para o lado de fora, através das portas que os assaltantes tinham deitado abaixo. Os outros jaziam aos milhares em poças de sangue nas soleiras das suas casas ou perto das mesquitas”. Em BD publicaram-se os dois primeiros números da saga de ficção científica “Incal”, escrita por Alejandro Jodorowsky, ilustrada por Moebius, “O Incal Negro” e “O Incal Luz”; e o Tenente Blueberry, escrita por Jean-Michel Charlier e desenhada por Moebius.
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[1] “Venha tomar café connosco”, autor e apresentador Jorge Cobanco, estreou no sábado, 6 de novembro de 1982 na RTP1, depois do Telejornal. O último Café foi transmitido sábado, 19 de fevereiro de 1983. Ângelo nesse programa após o “Dallas” caceteou: “tomismo e marxismo têm as mesmas géneses”. “O país tem grandes esperanças na sua Guarda Republicana”. “A única coisa que vale a pena é vivermos. A vida é uma chama que não pode apagar-se”. “Penso na morte. É estranho, tão novo… mas não quero morrer com o drama de Jean Barois. Quero preparar-me…”.
[2] O povo sulfatou Ângelo de quotiliquê, valor, vulto, prestígio, içou-o de gualdrapa e cabrejão escarlate de borlas, testeira de chapas amarelas, nas veredas mais altas da consideração. Em 2013, seu nome, ninguém o pronuncia com “raiva e nojo”, requisita-o com apreço como nora de poço de sabedorias. Aufere Ângelo pensão de 2200 € no entanto adora fazer-se de parvo: “quando a Judite, ou eu, o Henrique, descontamos, o dinheiro não fica guardado, por uma razão, porque é p’a pagar, nós ativos, aqueles que já trabalharam, que agora estão reformados. E a pagar os jovens que ainda não trabalham. Quando nós passarmos a ser idosos, o meu caso, já o vosso não é, nessa altura seremos pagos, eu serei pago pelo trabalho de vocês que cá ficam. É assim um problema de três ge de de um acordo de três gerações”, no programa da tvi24, Olhos nos olhos a).
a) As pensões em Portugal são pagas segundo o sistema de repartição, ou seja, chapa ganha chapa gasta, os no ativo pagam para os desativados, ao contrário do outro sistema chamado de capitalização, em que o dinheiro é aplicado para obter rendimentos, como por exemplo, compra de dívida pública de povos atrasados. Em 1983, 1,73 trabalhadores descontavam para um reformado, em 2011, essa média desceu para 1,21 trabalhadores para um reformado. Medina Carreira: “grosso modo há um português a trabalhar para um reformado, quer dizer, é preciso que o português que trabalha ganhe muito para manter um reformado, já tem dificuldades em manter a família, quanto mais manter um reformado”.
[3]Pinky Violence: Essential Trailers (1970-1977)”, segundo o Guia para principiantes, são “filmes de ação com raparigas más”. Um género de cinema japonês do final dos anos 60 início de 70, que misturava elementos eróticos dos filmes Pink (softcore japonês) com a violência dos filmes Yakuza.
[4] O GOE, instalado na Quinta das Águas Livres, em Belas, “está sob o comando do comandante-geral da PSP, mas só intervirá em ações especiais sob o controlo direto do Governo. (…). A vocação do GOE é participar em ações de libertação de reféns, neutralizando os sequestradores, estejam eles em qualquer tipo de instalações ou meios de transporte”. Na sua apresentação debutante teatralizaram vários quadros do treino. “Os GOE simularam também um assalto a um quinto andar, onde penetraram e fizeram explodir três granadas, com os polícias já no exterior da habitação, neutralizando os ‘sequestradores’. Os convidados puderam ainda observar uma ação de proteção de uma alta individualidade feita por três elementos, um dos quais, enquanto os outros dois disparavam, derrubava a alta individualidade, cobrindo-a com o seu próprio corpo. Ainda outra demonstração do GOE consistiu no assalto a uma vivenda fazendo rebentar uma parede lateral do edifício e criando uma abertura por onde entraram, enquanto outros elementos forçavam a porta numa ação conjugada e fulminante”.
[5] Mao Tsé-Tung: “o marxismo-leninismo não tem nem bons livros nem magia; é somente muito útil. Parece existir uma grande quantidade de pessoas que julgam que é uma espécie de medicina encantada com a qual se pode curar facilmente qualquer doença. Aqueles que o tomam como dogma são esse tipo de pessoas. Devemos dizer-lhes que os seus dogmas são menos úteis que a bosta de vaca. Pois bosta pode ser usada como fertilizante, enquanto que os dogmas não”, em “Remaking of Ideology”.
[6] Os portugueses, como girassóis, viram-se para Ângelo Correia, o sol, viripotente analisador e solucionista: “nós não temos de pensar um IRC p’a Portugal. Temos de pensar em IRC que tenha uma competitividade relativa com os outros países, onde os investidores podem investir, ou seja, com a Irlanda, com a Espanha, com os países bálticos” (2013). “Não, isto não acaba, o país continua e a luta também continua, portanto, quer dizer, não estamos a falar de acabar” (2013). “Eu falo do PS, por exemplo o dr. Seguro, o grande dr. Seguro, eu vi-o ao outro dia com os braços no ar, encalorado, a dizer estamos preparados p’a governar. Eu ri-me eu ri-me, porque é que de repente o dr. José António José Seguro acorda de manhã e diz ‘tá preparado? Porque tem um papel com 10 medidas. Isso não é programa de Governo”.
[7] A Europa melhorou, segundo dados do Eurostat, em maio de 2013 o número de desempregados era de 26 522 milhões. Os líderes europeus andam na corrida global, o mesmo modelo da corrida de ratos, só com os ratos correndo desnorteados. David Cameron, atrelado de 30 líderes empresariais ingleses, visitou o Kazaquistão para fechar negócios no valor de 700 milhões de libras e criar novos jobs no UK. O dinheiro é mais denso que os direitos humanos. Disse Cameron: “vamos ser claros, porque estou no Kazaquistão num domingo? Estamos numa corrida global. Este é um dos próximos países emergentes do mundo. Na questão dos direitos humanos, em todas as relações que temos, não há nunca nada fora da mesa, levantamos e discutimos todas estas questões e esse será o caso no Kazaquistão também. Penso que é importante fazer esta visita e é algo que eu escolho e queria fazer”. Portugal tem um teórico de gabarito, um bloguista sucedido, o ex-ministro da Economia Álvaro Santos Pereira, que não entendeu a globalização nem a tosquia da Europa. Em Angola dizia a 16 de julho de 2013 coisas de maravilhar: “portanto, muitas vezes, as pessoas e as empresas começam a exportar para o mercado angolano e depois apercebem-se que precisam de ter unidades fabris cá, e é assim que se faz um processo de internacionalização, e nós temos todo o interesse de apoiar esse processo de internacionalização”. “Claro que sim, e obviamente a reforma do IRC, que irá ser anunciado também em breve, visa exatamente atrair mais investimento estrangeiro e obviamente para nós o investimento angolano é prioritário, estamos a falar em economias irmãs, estamos a falar em países irmãos, e aumentar não só as parcerias mistas, mas também a reforçar a presença angolana em Portugal”.

na sala de cinema

Repo Man” (1984), estreia sexta-feira, 2 de outubro de 1987 no Quarteto sala 1. “Otto Maddox (Emilio Estevez), um jovem punk que vive em Los Angeles, é despedido do seu chato emprego de repositor de supermercado. Descobre que os seus pais, flipados, fumadores de boi, ex-hippies, doaram a um televangelista, o dinheiro que lhe prometeram para terminar a escola. Deprimido e teso, Otto vagueia pelas ruas, até que encontra Bud (Harry Dean Stanton), um calejado agente de recuperação de bens, ou repo man, [repossession agent], que trabalha para a Helping Hand Acceptance Corporation (uma pequena empresa de recuperação de automóveis). Embora, inicialmente, o conceito de recuperação de carros repugne Otto, a sua opinião muda rapidamente quando é pago, instantaneamente, em dinheiro, pelo primeiro trabalho. Otto junta-se à empresa como repo man ele próprio”. – Curiosidades: “todos os repo men (exceto Otto) têm nome de cervejas. Todos os carros (mais a mota da polícia) têm pendurados pinheiros ambientadores de ar. O código do repo man é baseado numa amálgama de ratice dada ao realizador Alex Cox quando ele trabalhava na vida real como repo man. Alusões ao livro ‘Naked Lunch’ de William S. Burroughs: ‘paging dr. Benway’, no sistema de som do hospital, e a referência a Bill Lee. Lite (Sy Richardson) dá a Otto um livro chamado ‘Dioretix’ para ‘ajudar a mudar a vida’. Esta é uma referência à ‘Dianética’ de L. Ron Hubbard. O filme foi feito pelas ‘edge city productions’, edge city é um tema recorrente no livro ‘Electric Kool-Aid Acid Test’ de Tom Wolfe. O letreiro do destino no autocarro que leva Otto de volta a casa dos pais diz ‘Edge City’. A foto de extraterrestres que Leila (Olivia Barash) mostra a Otto, que é considerado por alguns como sendo um prato de camarão é, na verdade, preservativos cheios de água vestidos de camisas de relva. No meio da confusão em torno do Chevy brilhante, ouve-se Bud dizer: ‘prefiro morrer de pé do que viver de joelhos’. Esta é uma citação atribuída ao revolucionário mexicano Emiliano Zapata. A matrícula do Chevy Malibu é ‘127 GBH’, G.B.H. é o nome de uma banda punk”. – Banda sonora: 1. “Repo Man Theme Song”, Iggy Pop; 2. “TV Party”, Black Flag; 3. “Institutionalized”, Suicidal Tendencies; 4. “Coup D’ État”, Circle Jerks; 5. “El Clavo Y La Cruz”, The Plugz; 6. “Pablo Picasso”, Burning Sensations; 7. “Let’s Have a War”, Fear; 8. “When the Shit Hits the Fan”, Circle Jerks; 9. “Hombre Secreto (Secret Agent Man) ”, The Plugz; 10. “Bad Man”, Juicy Bananas; 11. “Reel Ten”, The Plugz; e mais “See See Rider”, Louis Armstrong; e “Rhumboogie”, Andrews Sisters.
Entrevista com o realizador Alex Cox: “quando saí da UCLA fui contratado pela United Artists para escrever um argumento sobre o desertor e agitador da Primeira Guerra Mundial, Percy Topliss. Quando entreguei o argumento, foi rejeitado como ‘muito inglês, muito caro e muito antiguerra’. Pouco tempo depois, conheci o realizador britânico Adrian Lyne. Ele dirigira uma película, Foxes (1980), e queria que a próxima fosse sobre o que ele sentia ser a questão mais importante do dia: a iminente possibilidade de uma guerra nuclear. Explorei Seattle e Vancouver como locais da ação e escrevi-lhe The Happy Hour. Adrian leu-o e partiu para realizar Flashdance”. Cox escreveu outro argumento para dois colegas de faculdade também muito caro para produção. “Então, saí e escrevi outro guião: Repo Man. Isto foi baseado nos meus próprios horrores pessoais de Los Angeles e a tutela de Mark Lewis, um recuperador de carros de Los Angeles e meu vizinho em Venice, CA. (…). Para tornar o pacote mais interessante aos investidores, desenhei quatro páginas de uma banda desenhada baseada no argumento e inclui-as com o guião. Tinha planeado num dado momento fazer um livro de banda desenhada, mas era demasiado trabalho, uma página por dia no máximo, e esforço para os olhos. Michael Nesmith, o ex-Monkee, viu o pacote argumento / BD, interessou-se e levou-o a Bob Rehme na Universal”. Cox escreveu uma sequela de Repo Man. “Michael Nesmith e os produtores de Repo Man propuseram esta sequela à Universal há cerca de 12 ou 13 anos. A coisa mais estranha é que a Universal nunca nos respondeu, por isso angariamos o dinheiro independentemente. Foi um bocado difícil angariar dinheiro para um filme com Emilio Estevez, porque a sua carreira de ator não tinha sido muito ilustre. Peter McCarthy, um dos produtores de Repo Man, buliu e buliu e finalmente foi capaz de montar o negócio. Então, de repente, Emilio Estevez desistiu, e desde então toda a energia simplesmente esmoreceu”. Chris Bones viu o guião no site de Cox e adaptou-o para banda desenhada, Waldo's Hawaiian Holiday: “Otto, agora usando o nome de Waldo, regressou à Terra vindo de Marte dez anos depois. Agora, quase nos 30 anos, ele adapta-se à vida em meados dos anos 90, e consegue um trabalho chato como operador de telemarketing. Quando Waldo recebe uma chamada oferecendo umas férias havaianas grátis, ele faz da viagem o seu objetivo, mas os seus esforços são repetidamente frustrados pela burocracia. É eventualmente revelado que essas dificuldades são intencionais, e que Los Angeles é realmente uma prisão experimental auto-sustentável construída por marcianos para conter humanos. Waldo regressa ao seu trabalho e nunca vai de férias”. Cox, realizador de “Sid & Nancy” (1986), “Searchers 2.0” (2007), “Straight to Hell” (2007) ou “Bill, the Galactic Hero”, em 2009 rodou um quase seguimento de Repo Man. Filmado em dez dias em frente de um green screen com miniaturas, “não uma sequela, mas situa-se no mesmo ambiente, na mesma crise económica, só que pior”: “Repo Chick”: “Pixxi De La Chasse (Jaclyn Jonet), mimada, egocêntrica, celebridade, é herdeira de uma família rica de Los Angeles. Depois de inumeráveis escândalos nos tablóides, os pais deserdam-na, e dizem-lhe que ela deve encontrar um emprego a sério a fim de recuperar a sua parte da fortuna. Quando o seu carro é arrestado, um membro do seu séquito sugere que ela arranje emprego como recuperadora, uma indústria florescente no colapso geral do crédito”. “Quadrophenia” (1979), estreia terça-feira 25 de março de 1980 no Nimas. “Como pano de fundo, o cenário dos motins de Brigthon nos anos 60, Quadrophenia capta perfeitamente a necessidade adolescente de pertença e identidade com os seus pares. Em 1964, Londres, Jimmy Cooper (Phil Daniels [1]) divide o seu tempo entre acompanhar os seus amigos Mod [2] e escravidão numa empresa de publicidade. Ele não trabalha por querer ou por desejo de prosseguir uma carreira. Não, tudo o que o Jimmy quer é ter dinheiro suficiente no bolso para manter a sua Lambretta [3] a funcionar e elegantes fatos sob medida, deixando um pouco para anfetaminas[4].
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[1] Um dos candidatos ao papel foi Johnny Rotten. Diz Toyah Wilcox: “bem, digo isto com todo o respeito por Phil, que é o único homem no mundo que podia representar o papel… mas John Lydon foi espantoso. E o que me… absolutamente partiu toda foi que eu apareci no seu apartamento em Kings Road e estava aterrorizada. O diretor Franc Roddam disse-me Ouve, quero que me faças um favor, ajuda o John Lydon na audição, dá-lhe aulas de representação e eu poderia dar-lhe o papel. Então, fui ao seu apartamento em Kings Road, havia pessoas inconscientes em cada pedaço de chão que a vista alcançasse. Acho que estava lá a banda chamada The Slits, havia alguns outros membros de bandas muito famosos lá, completamente inconscientes. Pensei Eu não vou ser capaz de lidar com isto. Sou uma moça de meio copo de Birmingham e isto é demasiado boémio para mim. Johnny finalmente veio cá em baixo e foi o ser humano mais educadamente articulado que eu conheci em muito tempo, e ensaiamos as cenas uma vez e outra e outra, ele estava completamente focado e então despedimo-nos, encontrámo-nos outra vez em Shepperton e tivemos que fazer a cena na qual eu estava a fazer o teste para o papel de Leslie Ash, para a protagonista, e ele fazia o teste para o papel de Phil. E estávamos ambos apavorados. Naquele tempo, éramos filmados em película de 35 mm, câmaras enormes e elas definiam o caminho, e havia esta câmara monstruosa à nossa frente e eu pensava Estou tão assustada, estou tão assustada e tenho de ajudar o John a passar isto! Mas fizemo-lo e achei que ele foi magnífico. E, então, a resposta veio três semanas depois, que as companhias de seguros não tocariam no filme se o John entrasse”.
[2] Os modernistas, específicos do final dos anos 50 meados de 60. “Mods e Rockers eram duas subculturas jovens em conflito no início / meados de 60. Gangs de mods e rockers combatendo em 1964, despoletou um pânico moral sobre os jovens britânicos, e os dois grupos eram vistos como tribos de diabos. Os rockers adotaram a imagem de motard macho, vestindo roupas tais como blusões de cabedal. Os mods adotaram uma pose de sofisticados condutores de Vespas, vestindo fatos e outras roupas de bom corte”. Os mods serão requentados em datas posteriores pelos Strypes, “You Can’t Judge a Book by the Cover” (2012), Janice Graham Band, “Murder” (2011), The Jam, “Start!(1980), Nine Below Zero, “Homework” (1980) ou pelas Mo-Dettes, “White Mice” (1979).
[3] Vendida num leilão por 36 000 libras em 2009.
[4] Bruce Worden e Clare Cross desenharam “Goodnight Keith Moon”, uma paródia do conto infantil “Goodnight Moon” (1947), uma história para dormir com o baterista dos Who morto. Enquanto vivo em “Won’t Get Fooled Again”. Na promoção do álbum “Quadrophenia”, em 20 de novembro de 1973, os Who tocavam no Cow Palace, em Daly City, um subúrbio de São Francisco. Keith Moon, indisposto, vomitou antes do concerto, e tomou uns drunfos para acalmar, que afinal eram fenilciclidina ou pó de anjo. Keith apagou-se quando tocavam “Won’t Get Fooled Again”. Retiram-no do palco, deram-lhe um banho de água fria e uma injeção de cortisona e Keith regressa com a pica toda para tocar, até que se apagou de vez durante “Magic Bus” e transportaram-no para o hospital para uma lavagem ao estômago. Os Who tocam ainda “See Me, Feel Me” sem bateria. E Pete Townsend pergunta à audiência se alguém sabe tocar bateria. Scot Halpin, de 19 anos, assistia ao concerto e substituiu Keith Moon: “cheguei lá cerca de 13 horas antes do concerto e esperei na fila, arranjei um bilhete na candonga, e queria ficar bem na frente. E estive na frente nas três primeiras canções, e então ficou muito assustador, muito apertado. Então fui para o lado do palco para ver o resto do concerto. E ele desmaiara uma vez antes. O que aconteceu é que o meu amigo ficou muito entusiasmado quando viu que ia acontecer outra vez. E começou a dizer ao gajo da segurança, Sabe, este tipo pode ajudar. E, de repente, do nada, surgiu Bill Graham. (…). E assim, ele olhou-me diretamente nos olhos e disse Consegues fazê-lo? E eu disse Sim, sem pestanejar”. Scot sentou-se para tocar “Smokestack Lightning”, “Spoonful” e os nove minutes de “Naked Eye”. Os Who ofereceram-lhe um blusão do concerto. Scot morreu em 2008.

no aparelho de televisão

Captain Power and the Soldiers of the Future” (1987 / 88), sábados à tarde na RTP1, 26 de março / 9 de julho de 1988. “Power on!”. “Terra, 2147. O legado das Guerras do Metal, onde o homem combateu as máquinas, e as máquinas venceram. Bio-Dreads, monstruosas criações que caçam os humanos sobreviventes… e digitalizam-nos [armazenando-os no supercomputador inteligente Overmind]. Volcania, centro do Império Bio-Dread, reduto e fortaleza de Lord Dread (David Hemblen), temido governante desta nova ordem. Mas do fogo das Guerras do Metal ergue-se uma nova raça de guerreiro, nascido e treinado para derrubar Lord Dread e o seu Império Bio-Dread. Eles eram Soldados do Futuro, a última esperança da humanidade. O seu líder, capitão Jonathan Power (Tim Dunigan), mestre do incrível Fato Power, que transforma cada soldado numa força de ataque de um homem só. Major Matthew ‘Hawk’ Masterson (Peter MacNeill), lutador dos céus. Tenente Michael ‘Tank’ Ellis (Sven-Ole Thorsen), unidade de assalto terrestre. Sargento Robert ‘Scout’ Baker (Maurice Dean Wint), espionagem e comunicações. E o cabo Jennifer ‘Pilot’ Chase (Jessica Steen), especialista em sistemas táticos. Juntos, formam a força de combate mais poderosa da História da Terra. O seu credo: proteger toda a vida. A sua promessa: acabar com o Governo de Lord Dread. O seu nome: Capitão Power e os soldados do futuro”. “Capitão Power tentou apelar, tanto ao público infantil como ao adulto, com o seu enredo tenebroso e pós-apocalíptico, mostrando o rescaldo da guerra nuclear e continha alegorias sobre tópicos como o nazismo. Em última análise, contudo, isto tornou-se a ruína da série, era vista como muito violenta para as crianças (por exemplo, brinquedos para disparar contra a televisão, violência de ação ao vivo gerada por computador), e os seus aspetos menos maduros, como o título, afastaram o público adulto. Outros fatores que contribuíram para o fracasso da série, incluíram o alto custo da ação ao vivo (a produção de cada episódio custava cerca de um milhão de dólares), em comparação com os custos de produção mais baratos de um desenho animado, assim como o facto de a jogabilidade entre o programa e os brinquedos ser extremamente pobre”. A Mattel comercializara uma linha de brinquedos interativos. “Capitão Power foi também uma tentativa de lucrar com o mercado dos jogos interativos televisivos pela Mattel. Algumas naves e colecionáveis, quando disparavam sobre o ecrã interagiam durante vários segmentos do programa”. 1.º episódio. “The Black Forest Clinic / Die Schwarzwaldklinik” (1985 / 89), estreia na segunda-feira 19 de outubro de 1987, à noite, na RTP1. Na segunda-feira 11 de janeiro de 1988, estreia “Com pés e cabeça”: “novo concurso com autoria e apresentação de Fialho Gouveia. Trata-se de ‘Com Pés e Cabeça’ e tem como símbolo um simpático boneco: o sabichão. Jogos de movimento, provas de criatividade e jogos de conhecimento e memória são a base deste concurso que terá 28 sessões”, – e a “Clínica da Floresta Negra” é remarcada para as quintas-feiras. O último episódio foi transmitido dia 31 de março de 1988. “A produção de a Clínica da Floresta Negra foi influenciada pela popularidade da série médica checoslovaca ‘Nemocnice na kraji města’ (Hospital no fim da cidade), que foi para o ar entre 1977 e 1981, e foi transmitida tanto na Alemanha Oriental como na Alemanha Ocidental. (...). O cenário para o hospital fictício era a verdadeira Glotterbad Clinic na cidade de Glottertal, localizada na Floresta Negra de Baden-Württemberg”; c/ Klausjügen Wussow (prof. Klaus Brinkmann), Gaby Dohm (dra. Christa Brinkmann), Sasha Hehn (dr. Udo Brinkmann), Olivia Pascal (Carola)… [1]. “Guilherme Tell / Crossbow” (1987 / 90), os 24 episódios da 1.ª temporada serão transmitidos todos os dias úteis pelas 19:00 horas na RTP1, desde segunda-feira 7 março até sexta-feira 8 de abril de 1988; c/ Will Lyman (William Tell), Anne Lönnberg (Katrina Tell) [2], David Barry Gray (Matthew Tell), Jeremy Clyde (governador Hermann Gessler), Roger Daltrey (François Arconciel)... no episódio 13, da 2.ª temporada, Sarah Michelle Gellar aos 11 anos era Sara Guidotti, filha de atores itinerantes. 1.º episódio.
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[1] Olivia Pascal, nascida em Munique a 26 de maio de 1957, era enfermeira formada quando em 1976 o realizador Hubert Frank descobriu debaixo da bata uma atriz para o filme emmanuellescoVanessa” (1977), estreou sexta-feira 13 de maio de 1977 no cinema Éden; Olivia prosseguiu noutros filmes eróticos: “Griechische Feigen” c/ Betty Vergès (moçoila da Penthouse 1978), em Portugal, chamou-se “Fruta madura”, estreou sexta-feira 23 de novembro de 1979 no Cinebolso; “Casanova & Co.” (1977), “As 13 mulheres de Casanova” estreou quinta-feira 21 de agosto de 1980 no Politeama. Olivia foi ídolo na revista Bravo, com poster publicado em 16 partes, e também cantava, editou o singleI’m a Tiger / Glad All Over (1980)”.
[2] Anne Lönnberg, nascida em Berkeley, Califórnia, em 17 de fevereiro de 1948, de pai sueco, atriz, escritora, compositora e cantora: “Mister Me Too” (2008) ♪ “Is There Life on the Earth”, da banda sonora de “Sweet Movie” (1974). Estreou-se como atriz no cinema grego: “Το νησί της Αφροδίτης / A ilha de Afrodite” (1965); “Κορίτσια στον ήλιο / Cachopas ao sol” (1968), e foi guia turística no museu Venini em “Moonraker” (1979), filme estreado quinta-feira 6 de setembro de 1979 no cinema São Jorge. O seu último trabalho foi de fotógrafa suíça no filme “A insustentável leveza do ser” (1988), estreia quinta-feira, 5 de maio de 1988 nos cinemas Londres e Las Vegas sala1.

na aparelhagem stereo

Andrew W. K. “Party Hard” (2001). “O Departamento de Estado, em parceria com a embaixada dos EUA em Manama, Bahrein, convidou Andrew a visitar o Médio Oriente para promover o partying e a energia positiva. Na tradição dos embaixadores do jazz americano, que viajavam pelo mundo em meados do século XX, como exemplos da cultura e espírito americanos [1], Andrew foi convidado pelo Departamento de Estado para viajar ao Bahrein e partilhar a sua música e fazer festas com as pessoas de lá. (…). Vai visitar escolas primárias, a universidade do Bahrein, salas de música, etc. enquanto promove o partying e a paz no mundo”. Andrew festejava rijo: “sinto-me muito privilegiado e humilde pela oportunidade de representar os Estados Unidos da América e mostrar ao bom povo do Bahrein o poder do partying positivo”. O direito to party: “It’s Time to Party” (2012) ♪ “Long Live the Party” (2003) ♪ “Party till You Puke” (2000). Depois, o banho de água fria. Noel Clay, porta-voz do Departamento de Estado, declarava partying no Bahrein com Andrew “um erro e não apropriado” e que o convite fora revogado. Andrew amochou a seco: “estou muito desapontado e intrigado pela mudança de atitude e decisão de última hora. Fui pessoalmente convidado para fazer esta viagem pelo Departamento de Estado e a embaixada no Bahrein há mais de um ano”. – A sua palestra “The Paradox of Partying”.
Bahrein, lar doce lar da 5.º esquadra da Marinha americana, é uma ilha soberana no golfo pérsico, terras de Mafoma, filão de terroristas para os americanos. “Cheguei a Guantánamo em janeiro de 2002, depois de os militares paquistaneses me entregarem aos Estados Unidos, provavelmente, suponho, por uma recompensa. Estava no Afeganistão para avaliar o progresso de um projeto de construção de uma mesquita, financiada por pessoas da minha nativa Arábia Saudita. Sabia que o Afeganistão era um local perigoso, mas eu era pago pela viagem e precisava do dinheiro, então fui. É uma decisão que sempre lamentarei. Quando os EUA começaram a bombardear o Afeganistão em novembro de 2001, fugi para o Paquistão. Num posto da fronteira, pedi ajuda aos guardas paquistaneses para chegar à embaixada saudita. Em vez disso, colocaram-me numa prisão, onde fui mantido vários dias com grilhões nas pernas. Após várias semanas, fui vendado e levado de avião com outros detidos para a base militar dos Estados Unidos em Kandahar, Afeganistão. Na chegada, fomos atirados ao chão. Alguém bateu-me na cabeça e enfiou-me a bota na boca. Apesar do gélido inverno afegão, passei várias semanas numa tenda aberta rodeada de arame farpado. Ainda tenho cicatrizes da minha estadia em Kandahar. Uma delas é de cigarro, que foi apagado no meu pulso, e a outra de quando fui atirado ao chão e coberto de cacos de vidro. Uma noite, cerca de duas semanas depois da nossa chegada, alguns soldados vieram e arrancaram as minhas roupas e vestiram-me um fato cor de laranja. Ajustaram-me uns óculos muito apertados para que não pudesse ver e colocaram algo sobre os meus ouvidos para que não pudesse ouvir. Fui acorrentado ao chão de um avião por várias horas, depois novamente ao chão de outro durante o que pareceu uma eternidade. Quando me tiraram do segundo avião não fazia ideia de onde estávamos. Era Guantánamo. Fomos levados para o Camp X-Ray, que consiste em gaiolas do tipo que normalmente prende animais [2]. Aprisionados nestas gaiolas, fomos proibidos de nos movermos e, algumas vezes, proibidos de rezar. Mais tarde, os guardas permitiram-nos rezar e até mesmo virar-nos, mas sempre que novos detidos chegavam, éramos outra vez proibidos de fazer qualquer coisa, exceto ficar sentados estáticos. (…). Nos anos posteriores, tais agressões físicas diminuíram, mas foram substituídas por algo mais doloroso: fui privado de contacto humano. Durante vários meses, os militares prenderam-me na solitária depois de uma tentativa de suicídio. Não tinha roupas além de uns calções nem cama exceto um tapete de plástico sujo. O ar condicionado foi ligado 24 horas por dia, as paredes frias de metal da cela fizeram-me sentir como se estivesse a viver dentro de um congelador. Não havia nenhuma torneira, assim tive que usar a água na sanita para beber e lavar-me”, carta do detido n.º 261 de Guantánamo, Jumah Al Dossari, cidadão do Bahrein, segundo o Los Angeles Times, natural da Arábia Saudita, segundo o Washington Post. Doze das trinta e nove tentativas de suicídio no campo do nascer de novo, construído pelos americanos noutra ilha soberana, Cuba, são de Al Dossari. Sem culpa formada ou julgamento, libertaram-no na Arábia Saudita a julho de 2007, cinco anos e meio depois. Os direitos humanos e dos humanos em Guantánamo, endireitaram Al Dossari para a poesia: “Death Poem”, “Take my blood, / Take my death shroud and / The remnants of my body. / Take photographs of my corpse at the grave, lonely”.
Death metal no Bahrein. Género musical semi-clandestino. “Um grande número de estudiosos islâmicos têm uma perceção que o rock e o heavy metal estão relacionados com o satanismo e o diabo”, Ammar Alaradi, fundador do Bahrain Talent, um site que promove músicos independentes [3]. Esra'a Al Shafei, fundadora do fórum online Mideast Youth; “muitas vezes, encontra-se pessoas arranjando-se secretamente para ver esses grupos”. Por isso, Omar “Voidhanger” Zainal, guitarrista dos Smouldering in Forgotten, tem uma vida dupla, trabalha numa companhia aérea de dia, e de noite é músico de heavy metal: “tento não mencioná-lo. Há algumas pessoas que simplesmente não compreenderiam o que eu faço. As pessoas não aceitam o facto de o metal ser música e nos divertirmos. Está sempre em conflito com a religião”. Algumas bandas: Smouldering in Forgotten, chamaram-se Bleached Bones que trocaram por “Smouldering in Forgotten”, um verso de “Upon This Deathbed of Cold Fire” (2000) dos Goatwhore Dread Messiah” (2010) ♫ Thee Project “é o trabalho da colaboração de Necrohead e Ano666, dois malucos que um dia decidiram yabeela band, e assim descolou. A banda recentemente cresceu em tamanho com a adição de mais dois membros, Buslooh e Haji, trazendo mais caos para uma situação já doida EP “Terrorizer”. ♫ Bloodiction, projeto de black metal de um homem, Nelsefog demoLordica ov Whore” (2009) ♫ Dhul-Qarnayn, literalmente “o possuidor de dois chifres”, “é uma figura mencionada no Corão, a sagrada escritura do Islão, onde ele é descrito como um grande e justo governante, que construiu uma longa muralha, que impede Gog e Magog de atacar os povos do Ocidente. Ele é considerado por alguns muçulmanos um profeta” Over Old Hills” ♫ Gravedom demoNecropolis” (2005) ♫ Kusoof Al Thaw' Al Salbi” (2009) ♫ Lunacyst Animalistic Orbous Ahlia” (2012) ♫ Motör Militia, “têm a reputação de serem a primeira banda de trash metal do golfo pérsico. (…). Eles também são referidos como sendo a segunda banda local de metal no Bahrein, nos últimos 20 anos ou mais, a gravar e lançar um LP de material original numa etiqueta independente” [4] March of the Saracens” (2012) ♫ Through Sunken Eyes You Left Your Wife for a Thai Whore” (2006) ♫ نار جهنم, Narjahanam é o termo árabe de “O fogo do Inferno”. “Narjahanam foi fundada por Mardus em meados de 2004, como um projeto paralelo de Gravedom, e mais tarde foi acompanhado por Busac dos Smouldering in Forgotten, no início de 2005. Inspirados pela mitologia e cultura do Médio Oriente, Narjahanam infundiu metal extremo com música folk árabe e foram confluência de bandas como Orphaned Land e Nile” عندما تظهر الشمس من الغرب” (“Quando o sol aparece do oeste”) (2007).
Black Metal português nos anos 80:
Black Cross, do Barreiro, Setúbal, “formada em 1985 pelo baixista João ‘Francês’ Ramos (ex-Air Force), que contactou o guitarrista Paulo Henrique para formarem uma banda de heavy metal, os Black Cross. João contactou outro amigo, Filipe ‘Bombas’ que assumiu a bateria. Depois de um período de vários meses com ensaios e à procura de um vocalista, Paulo Henrique abandona a banda por razões pessoais. Reduzido a um duo o grupo continua os ensaios e por essa altura segue-se a aquisição de um vocalista, Quim. As guitarras são garantidas através da ajuda de Toninho (Asgarth / Ibéria). Em 20 de dezembro de 1986, os Black Cross tocam o seu primeiro concerto no Rock Rendez VousSexta-feira 13” (1986) ♪ ao vivo no Rock Rendez Vous (1987) ♪ os Black Cross numa bela Campanha anti-droga. Procyon, “eram de Almada. Formada em 1982 por João Vasco Marcos, guitarra, e Paulo McVitor, baixo. Em dezembro de 1984, Mané Ribeiro, bateria, e Tozé, voz, completam a primeira formação dos Procyon. Ainda, em dezembro tocam ao vivo pela primeira vez na Escola Secundária do Pragal, AlmadaPsycho Pain” (1988) ♪ “Asking More” (1990) ♪ “All the Same” (1991). Sepulcro, dos Olivais, Lisboa. “Fundado em 1982, a formação consistia de Miguel Pinto, voz, Jorge Marmitas, guitarra, Beto, guitarra (Alkateya), Manuel Animal, bateria e Isidro Chibo, baixo. Em 15 de dezembro de 1984, os Sepulcro tocaram no primeiríssimo Festival de Heavy Metal Português, organizado pelo Purgatório do Heavy Metal Fan-ClubVenon and Treason” (1984) ♪ “Flesh Meets Steel” (1985) ♪ “I Wanna See Girls” (1986). Satan’s Saints, “eram da Amadora. Inicialmente, formados em outubro de 1985 por Samuel Lopes, baixo, Zé Allen, guitarra ritmo e Carlos Coelho, bateria. Depois de alguma procura por um vocalista capaz de preencher o lugar, eles acabaram escolhendo Paulo Lemos. Em meados de fevereiro de 1986, João Carvalho entra para a segunda guitarra. O primeiro espetáculo do grupo teve lugar no Ateneu Madre de Deus, Lisboa, a 26 de junho de 1986, com os STS Paranoid. Após um breve período de quarto meses, eles têm a oportunidade de tocar no Metal Stage, o primeiro Festival Heavy Metal da cidade da Amadora, um evento que ocorreu no Cine Plaza no 4 de outubroFull Speed” (1986) ♪ “Power of the Night” (1986) ♪ “No Mercy” (1986). Thormenthor, de Almada, “foi fundada em outubro de 1987 pelo baterista Rui Amaral e Miguel Fonseca guitarrista / vocalista. Pouco depois Hélder Gonçalves junta-se à banda como baixista. Foi com essa formação que eles gravaram em 1988 a sua primeira demo intitulada ‘Corpus Dissectus’, com três faixas: ‘Necroterium’, ‘Cynical Hypocrisy’ e ‘Sacrifice’, gravada exclusivamente para ser transmitida num programa de uma rádio local. Em outubro desse ano, apresentaram-se pela primeira vez ao vivo com os Braindead, The Coven e Procyon no Fogueteiro, Seixal, dia 15 de outubro de 1988Self Immolation” (1989) ♪ “Dissolved in Absurd” (1991) ♪ “The Proportional Dream” (1994).
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[1]Em 1956, sob orientação do secretário de Estado, John Foster Dulles, o Departamento de Estado enviou os melhores músicos de jazz da nação ao exterior, como representantes da boa vontade, num esforço consciente para simbolizar o compromisso da América com o liberdade. O programa Jazz Ambassadors foi lançado no momento mais amargo da Guerra-fria a) para levar o melhor da cultura americana ao resto do mundo. O programa não focava apenas as nações da Cortina de Ferro mas também o Terceiro Mundo, onde muitos países em vias de desenvolvimento exploravam o marxismo como uma possível identidade política. O primeiro embaixador do jazz foi o trompetista Dizzy Gillespie, e dois anos depois Brubeck juntou-se às fileiras que eventualmente incluem Louis Armstrong, Duke Ellington, Thelonious Monk, Benny Goodman e Miles Davis”. “Como primeiro tiro num programa que se prolongará por mais de duas décadas, o congressista Adam Clayton Powell Jr. propôs que Dizzy Gillespie formasse uma grande banda para representar os Estados Unidos como embaixadores musicais. O Departamento de Estado e a administração Eisenhower concordaram e o grupo embarcou para o sul da Europa e Médio Oriente em 1956. (…). A diplomacia do jazz começara e o Governo dos Estados Unidos estava encantado. Mais tarde, no mesmo ano, Benny Goodman e a sua banda viajaram para a Ásia oriental; em 1958, o Dave Brubeck Quartet visitou a Europa de leste, Médio Oriente e o sul da Ásia; Louis Armstrong and the All Stars fez uma tournée por Africa em 1960-61; e Benny Goodman fez as malas outra vez, de saída para a União Soviética em 1962. No ano seguinte, a Duke Ellington Orchestra e o seu carismático líder cruzaram o Médio Oriente e o sul da Ásia, iniciando uma década de viagens. Estas dinâmicas iniciativas culturais continuaram sob a direção do Departamento de Estado até 1978, e inúmeros músicos de jazz, incluindo Benny Carter, Miles Davis, Woody Herman, Earl Hines, Oscar Peterson, Clark Terry e Sarah Vaughan, circum-navegaram o mundo em nome da América”. Entre os músicos de jazz eram plantados agentes da CIA para prepararem golpes de Estado nas partes hostis do mundo b).
a) Dois factos aqueciam a Guerra-fria em 1956. A revolta húngara, eram apenas pessoas a morrer, algo irrelevante, Eisenhower disse: “padeço com o povo húngaro”, o secretário de Estado John Foster Dulles disse: “a todos aqueles a sofrer sob a escravidão comunista, deixem-nos dizer-vos podem contar connosco”. Ditas as palavras fecharam a boca. A crise do Suez “que aconteceu ao mesmo tempo, foi considerada muito mais importante e de maior relevância para o Ocidente que o sofrimento dos húngaros. Consequentemente, Grã-bretanha, França e América concentraram os seus recursos nessa crise”.
b) No século XXI, os patos são outros, as armas para caçá-los são também outras. “O Departamento de Estado gastou mais de 630 mil dólares em campanhas publicitárias para aumentar o número de likes do Facebook nas páginas no site da agência, de acordo com um relatório do inspetor-geral da agência. Entre 2011 e março de 2013, o Bureau of International Information Programs da agência utilizou os fundos em publicidade para aumentar o número de amigos para cada uma das suas quatro páginas do Facebook, de 100 mil para mais de 2 milhões, de acordo com o relatório de maio 2013”. 
[2] Será redimido pelo cinema, a arma ideológica americana que integra na cultura popular momentos menos dignos praticados pelos homens. John Rambo harmonizou a opinião negativa da guerra no Vietname, o rapto de muçulmanos sê-lo-á noutros filmes como “Camp X-Ray” c/ Kristen Stewart. – Camp X-Ray com capacidade para 2000 evil ones, cercado de arame farpado, com celas individuais de 1,80 m por 2,4 ao ar livre, cobertas de telhados de chapa metálica, colchões no chão sob luzes de halogéneo.
[3] Black metal no Ocidente livre, os mestres em filme, Watain “Opus Diaboli” (2012) Deathspell Omega Sola Fide I” (latim: “por fé somente”, 2004): “O Satan, I acknowledge you as the Great Destroyer of the Universe. / All that has been created you will corrupt and destroy. / Exercise upon me all your rights. / I spit on Christ's redemption and to it I shall renounce. / My life is yours Lord, let me be your herald and executioner” The Devil’s Blood Christ or Cocaine” (2009) “Do you think you're a sinner or a saint? / Do you even think you could see? / Or would you rather step into my church / And go to hell with me” Negative Plane Lamentations & Ashes” (2011): “All join hands at the mass of the open sores / A congregation of the unclean spirit calling on the lord / Water into wine and children into swine / Welcome fallen angels with open arms” Sonne Adam (hebreu: “o que odeia o Homem”) We Who Worship the Black” (2011): “We who worship the black / The emperor's throne will fall into our grasp” Saturnalia Temple Fall” (2011): “Fall / Burn / Dream / Fly...”.
[4] Os primeiros foram os Pink Floyd do Bahrein nos anos 70/80, os Osiris Myths & Legends” (1984) ♪ “Wasted” (1984) ♪ “Homeward Bound Once Again” (2010).