Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

segunda-feira, novembro 04, 2013

Jovens e sol

1983. Março, quarta-feira, 2, um avião da Alitalia desceu à terra, ainda portuguesa do aeroporto de Lisboa [1] e, logo, um arraial popular aterrou. “Jovens e sol saudaram esta manhã o Papa no aeroporto da Portela, na sua escala técnica a caminho da América Central. Inicialmente prevista para durar 45 minutos, a escala técnica prolongou-se por cerca de hora e meia, em virtude da calorosa receção que os portugueses lhe prestaram. João Paulo II assomou a uma das varandas do aeroporto pouco depois das 10:15”, após ter sido “recebido pelo presidente da República e mulher, Manuela Eanes, que beijou a mão do Sumo Pontífice, e, depois, ainda na apresentação de cumprimentos por Ribeiro de Almeida, presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro Pinto Balsemão, cardeal patriarca, núncio apostólico, membros do Governo e episcopado português”. Beijocada a elite o rebanho ao sol empunhava cartazes: “a Casa Pia de Lisboa saúda-vos”, “paz e justiça na América Central – monsenhor Romero presente”, “jovens saúdam o Papa”, “a universidade está com o Papa” [2]. “Milhares de pessoas, muitas delas desde esta manhã ali madrugadas. Dormiram ao relento ou abrigadas nas galerias, na esperança de guardarem os melhores lugares perto da janela onde Sua Santidade surgiu para falar durante cerca de um quarto de hora aos portugueses”. Assomado o Papa, durante dois minutos, bradaram-lhe: “a paz é possível”, “João, amigo, o povo está contigo”. Cerca das 10:20 João amigo hissopou-os de pias palavras: “é motivo de grande alegria para mim pisar de novo, ainda que por breves instantes, a terra de Santa Maria…”. Pelas 11:20, o avião prossegue viagem, o fumo das turbinas, sugado pelas dilatadas ventas em terra, como uma lavadora “Purple Rain” (2012) [3].
Em terra, as deslocações encarecem. “O preço do gasóleo aumentou a partir da meia-noite de 4 de março, passando de 35 para 40 escudos. (…). Segundo uma nota da Direção-Geral da Informação, a correção agora introduzida tem em vista ‘contrariar as distorções que estavam a acentuar-se nos consumos da gasolina e do gasóleo pelas viaturas ligeiras, ficando, agora, o novo sistema de preços ajustado aos sistemas existentes entre os dois combustíveis em outros países da Europa” [4]. Sentar o rabo nos assentos pela primeira vez também aumenta [5]. “Uma lição prática de condução automóvel, com duração de 50 minutos passa a custar 469$00. (…). A portaria n.º 255/83 explica estas subidas pronunciadas de preços pelo ‘aumento do custo dos veículos destinados ao ensino da condução, da subida do preço dos combustíveis e o agravamento dos encargos fiscais e salariais que recaem sobre as escolas de condução’. Atendendo que para tirar hoje a carta é obrigatório um mínimo de 20 aulas práticas e 15 teóricas, (…), o custo total da aprendizagem não ficará por menos de 12 300 escudos. Ou seja: a inscrição custa 471 000 as 20 lições práticas ficam agora por 8 250 e 15 lições teóricas importam em 2 641 escudos”.
Até o acompanhamento do whisky aumentava. “O metro cúbico de água para consumo privado doméstico subiu para 17$50, no primeiro escalão (para quem consome de 0 a 5 metros cúbicos/mês), 27$50 no segundo, 42$50 no terceiro e 62$50 no quarto escalão (consumo de mais de 25 metros cúbicos/mês)” [6].
Quinta-feira, 3 de março, em Moçambique. As autoridades encerraram a Faculdade de Marxismo-Leninismo da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo [7]. Sexta-feira, 4, na Bélgica morre Hergé. Nascido Georges Prosper Rémi a 22 de maio de 1907 em Etterbeek, publicou o seu primeiro desenho no Jamais assez, o boletim dos escuteiros de São Bonifácio e, entre 10 de janeiro de 1929 e 8 de maio de 1930, o jornal católico Le Vingtième Siècle, no seu suplemento Le Petit Vingtième, publica a primeira aventura do rapaz repórter Tintin e o seu fox terrier, Milou, “Tintin no país dos sovietes”. Os seus livros ainda se traduzem em línguas esquisitas: galês ou, em setembro de 2013, escocês. Segunda-feira, 14, no mundo comemora-se o centenário da morte de Karl Marx. Descreveu-a Friedrich Engels numa carta a Adolph Sorge: “ontem à tarde pelas 2:30 – que é a melhor hora para visitá-lo – cheguei para encontrar a casa em lágrimas. Parecia que o fim estava próximo. Perguntei o que tinha acontecido, tentei chegar ao fundo da questão, para oferecer consolo. Tinha ocorrido uma ligeira hemorragia mas, subitamente, ele começou a piorar rapidamente. A nossa velha e valente Lenchen, [Helene “Lenchen” Demuth], que cuidou dele melhor que uma mãe cuida de um filho, subiu as escadas para o ver e então desceu. Ele estava meio adormecido, disse ela, eu podia subir. Quando entrámos, ele estava deitado a dormir mas não acordaria novamente. O pulso e a respiração tinham parado. Naqueles dois minutos ele falecera, tranquilamente, e sem sofrimento” [8].
Terça-feira, 8, Mário Soares numa conferência de imprensa analisa o estado da economia. “ A AD [Aliança Democrática] não soube adaptar a política económica e financeira do país ao segundo choque petrolífero, não soube gerir a crise, limitou-se a deixar correr sem intervir, impondo uma política sem plano nem coerência, feita dia a dia sob pressão dos acontecimentos e dos interesses de grupos constituídos, deixando proliferar as atividades especulativas e os circuitos de economia paralela”. “O líder socialista revelou depois alguns dados de natureza económica – a AD aumentou o défice da balança de transações correntes 125 vezes em três anos; a dívida externa atinge 1200 milhões de contos e as receitas do turismo não são suficientes para o pagamento do respetivo juro; o défice das contas públicas de 1982, no valor de 150 milhões de contos, deveria incluir também outras operações não orçamentadas que o fariam subir para 200 milhões de contos; o investimento desacelerou e a fuga de capitais aumentou; o PNB por habitante é o segundo mais baixo da Europa, depois da Turquia; a produção nacional cobre apenas 80% das necessidades; importam-se 50% dos bens alimentares; a produtividade industrial é quatro vezes inferior à da CEE” [9].
Sábado, 12, numa entrevista publicada no Diário de Lisboa, Mário Soares publicita o seu produto: “O PS apresenta-se como um mediador, como um partido que quer ser o agente de um grande consenso nacional. Não pode começar por impor as suas ideias. Tem, sim, de pôr ideias à discussão, a partir do conhecimento exaustivo e completo da realidade nacional. (…). A ideia fundamental é esta – não é o governo, qualquer governo, que pode só por si resolver os problemas nacionais. Se houver um governo dinâmico, responsável e nacional, esse governo pode promover determinadas grandes reformas – em primeiro lugar estabilizar a situação financeira, em segundo lugar lançar reformas de estrutura que permitam, a um prazo médio fazer sair Portugal da situação de atraso. Mas isso tem de ser feito de acordo com a vontade política dos agentes produtivos, quer dos empresários, quer dos trabalhadores, dos homens de cultura, de ciência, da juventude [10]. (…). Não há ninguém com cinco réis de bom senso que perceba como é possível a um partido como o PC dizer que quer ser do governo e sabendo que é minoritário e que o grande partido do poder é o PS, insulta diariamente o PS e quer intervir mesmo no interior do Partido Socialista. E se der ao trabalho, o que eu faço aliás raramente, de ler um jornal como o Diário ou como o Avante, ficará espantado com a esquizofrenia de certos ataques ao Partido Socialista, que é privilegiado como o inimigo principal. É evidente que com essa raiva incontida, telecomandada porventura do exterior, o PCP está a conduzir os trabalhadores que votam comunista para um verdadeiro impasse. Não lhes oferece nada além de uma raiva impotente. (…). É lamentável que em 1976 o PS tenha tido que salvar o país do colapso económico e que em 83 o eleitorado se volte de novo para o Partido Socialista como uma tábua de salvação. Mas o eleitorado português tem de saber, de acordo com a política de verdade e de rigor que defendemos, que ninguém pode fazer milagres, que uma política de estabilização tem de ser feita pelo menos a dois anos, uma política de recuperação económica tem de ser feita pelo menos a quatro anos. (…). Tenho vindo a notar com algum prazer que hoje é pacifico reconhecer-se que os governos socialistas foram os melhores de todos os governos que houve neste país. Pelo seu equilíbrio e por aquilo que efetivamente fizeram. Isso tanto da parte dos trabalhadores como da parte dos próprios empresários. Hoje até se fala de milagre económico em relação à recuperação feita no ano de 1978. Não havia, na altura, termos de comparação e quando apareceram as promessas da AD, as pessoas pensaram que era fácil mudar e era fácil fazer mais”.
Quinta-feira, 24, para o Governo de Balsemão demissionário governar era aumentar, também as taxas de juro aumentam. “A asfixia do aparelho produtivo, em termos tão violentos que se espera uma vaga de falências e de letras protestadas, deverá ser a consequência imediata da elevação brutal das taxas de juro em cinco pontos, a mais alta de uma só vez desde que o dinheiro a crédito começou a tornar-se caro em Portugal. Esta medida foi de todo em todo inesperada. Quando muito, podia aguardar-se uma subida proporcional à da desvalorização do escudo (dois pontos em média e 3,7 em relação ao dólar); mas logo cinco pontos foi um autêntico murro no estômago do setor empresarial. (…). Com a nova desvalorização do escudo, o dólar já foi esta manhã cotado a 98$50 (mais 4,8 pontos que na sexta-feira passada) e como a desvalorização deslizante também vai acelerar, passando de 0,75 ao mês para 1%, o dólar está prestes a atingir a linha dos 100 escudos. Para um governo que já ultrapassou a barreira dos mil milhões de contos de dívida externa, este é outro recorde que o caracteriza perfeita e negativamente” [11]
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[1] António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, em julho de 2012 venderá os terrenos do aeroporto de Lisboa ao Governo por 286 milhões. “Reconhecendo a propriedade do Estado sobre a totalidade dos terrenos do perímetro aeroportuário, a Câmara de Lisboa autoriza a transferência dos seus registos a favor da administração central. Em contrapartida, o Governo assume 277 milhões de euros do pagamento da dívida de médio e longo prazo do município, acrescidos do pagamento de mais uma parcela de nove milhões – valores resultantes da avaliação dos terrenos, feita, segundo a autarquia, por uma entidade externa aceite por ambas as partes”.
[2] A academia nacional fabrica enchidos culturais que, emigrados, ensopam de mérito e prestígio, voltados à pátria, escarrancham de excelência quando predicam aos simples, como o ministerial Poiares Maduro: “aqueles! que nos levaram ao tapete, procuram não fazer política, uma forma diferente, mas é fazer política. E criam de novo uma realidade alternativa. Agora, como estudaram Filosofia e que até têm uma expressão em termos filosóficos, chamam-lhe narrativa (pausa), passa-se por Paris e subitamente fica-se mais sofisticado (risos, na sala, o pessoal percebeu). A narrativa, que é o paradoxo pra quem conhece filosofia, a narrativa é a construção duma realidade que não existe. É particularmente (som) que quem usa essa expressão, se refira a ela dessa forma. Mas é uma realidade falsa mas que… que constantemente repetida procura passar pela verdade, mas o país não pode viver mais de narrativas” a). Na política, como no aquário ou na mata de Monsanto, a boca é o órgão agente, e durante as amnésias do ex-secretário de Estado do Tesouro Joaquim Pais Jorge, – enquanto diretor do Citibank em 2005 vendia swaps aos governos – Poiares Maduro, o ideógrafo do Governo, careceu de substantivo filosófico para conceptualizar a troca de correspondência institucional do Governo anterior, e duas folhas A4 circuladas nos meios de comunicação, uma, com o nome de Pais Jorge outra sem, e, já matara a palavra “narrativa”: “foi construída uma história b), q’ era uma história que o Governo anterior teria recusado e teria impedido o negócio q’ era pouco ético, ilegal até, q’ agora verificámos que não é exatamente verdade, porque esse Governo tinha até interésse e considerava absolutamente normal as operações em causa, mas mais que isso (…) a falsificação dum documento, que se traduz numa manipulação da comunicação social. Isso é um atentado à própria democracia” (agosto 2013). Britney Spears no seu último single narra o defeito dos ministros fabricados à pistola de paintball: “Work Bitch” (2013): “You wanna hot body / You want a Bugatti / You wanna Maseratti / You better work bitch! / You want a Lamborghini / Sip martinis / Look hot in a bikini / You better work bitch! / You wanna live fancy / Live in a big mansion / Party in France // You better work bitch” c).
a) O conceito “narrativa” amadureceu ao longo dos séculos. Na Grécia antiga, distinguiam: “narração”, diegese (διήγησις) - o relato da história pelo narrador; de “imitação”, mimese (μίμησις) - mostrar a ação ou um modelo através da cópia. – No cinema, por exemplo, a música na banda sonora que pontua, dramatiza, sublinha a ação de uma cena é não-diegética porque não é um elemento narrativo do filme. Será diegética quando o personagem liga um rádio ou desata a cantar consciente desse seu ato. No filme da Disney, “Teen Beach Movie” (2013), a banda sonora deleitava o espetador ainda com o balde de pipocas quente, e no ecrã Mack (Maia Mitchell) e Brady (Ross Lynch) viviam numa paz sonora surfista não-diegética: “Oxygen”: “Querido, diz-me, isto é bom para ti? / Para mim, é um sonho realizado / Penso em ti dia e noite / Se isto estiver errada / Não quero ter razão / Uma coisa é certa / Não me falta inspiração / Quando estamos juntos”. – Quando, após uma tempestade, caem no filme musical favorito de Brady, o “Wet Side Story”. Mack: “talvez estejamos mortos. Morremos e viemos parar a um musical”: “Surf’s Crazy”: “Vou a caminho / Sinto-me bem / Vejo o meu reflexo / No brilho da minha prancha / Estou ansioso por festejar”. – Brady: “Mack, estamos num filme”, Mack: “que filme?”, Brady: “no meu filme! No Wet Side Story!”, Mack: “o quê? Como? Porquê?”, Brady: “são todas perguntas válidas”; Mack: “o que fazemos?”, Brady: divertimo-nos!”. – Na narrativa deste filme surfistas e motards lutam pelo domínio do restaurante Big Momma. Butchy (John DeLuca): “surfistas, bem me cheirou a peixe”, Seacat (Jordan Fisher): “Rodents, bem me cheirou a óleo”: “Cruisin’ for a Bruisin’”: “Toca a fugir / Estamos a chegar / Sob o sol a acelerar / Prontos para arrasar / A viver o momento / Cheios de estilo / Cabelos ao vento / Prontos para arrasar”. No epílogo, Mack e Brady escapados do filme musical, imitam-no na narrativa original: “Surf’s Up”: “Estão todos a curtir o verão / A areia e as ondas / São sinónimo de diversão / Venham todos / E mostrem o que sabem”.
No episódio 7.º da 6.ª série de “Buffy the Vampire Slayer”, “os personagens veem-se compelidos a irromper num canto estilo musical. Os espectadores são levados a supor que este é um episódio musical, no qual os personagens não estão conscientes de que estão a cantar (não-diegético). Contudo, fica logo claro que os personagens estão todos muito conscientes dos seus interlúdios musicais, (diegéticos), e que determinar as causas sobrenaturais do canto será o foco da história do episódio”. “Numa patrulha rotineira noturna no cemitério, Buffy lamenta-se numa canção sobre quão insípida a sua vida se tornara (‘Going through the Motions’). Na manhã seguinte, na Magic Box, os amigos de Buffy contam que também eles cantaram naquela noite. Liderados por Giles, o grupo teoriza sobre a causa da cantoria, não pressentindo perigo imediato, mas concordando que trabalhando juntos ultrapassarão qualquer coisa (‘I've Got a Theory / Bunnies / If We're Together’). Buffy descobre que toda a cidade está afetada quando olha para fora da loja e vê um grande grupo (liderado pelo escritor e produtor da série David Fury) cantando e dançando sobre como o serviço de limpeza a seco tirou as suas nódoas (‘The Mustard’)”. (…). Quando o demónio Sweet lhe pergunta o que ela pensa sobre a vida, Buffy dá a sua visão pessimista sobre o seu significado ‘Something to Sing About’”.
Apesar de Poiares, numa fase madura da vida, sem narrativa, não há comunicação. A semiótica narrativa de A. J. Greimas: “ele postula pelo contrário que a coerência textual baseia-se, de um lado, sobre a repetição contínua de certos componentes semânticos e, de outro lado, sobre a forma como um texto é, por assim dizer, gerado por um número limitado de eixos semânticos (que Greimas concebe sempre em termos de oposições fundamentais). A este respeito, é sobretudo a noção de isotopia (*) que se impõe à atenção. As isotopias, que indicam a repetição de certos elementos semânticos ou gramaticais, são uma condição necessária, não somente para a coerência de um texto, mas também e sobretudo para estabelecer um sentido mesmo no interior de um texto ou de um fragmento textual. Da mesma forma, a noção de isotopia é muito útil para refletir certos fenómenos estilísticos como a metáfora, o trocadilho ou a ambivalência, que Greimas analisa em termos de interação isotópica e de poli-isotopias”. (*) Definição de Greimas: “por isotopia, entendemos um conjunto redundante de categorias semânticas que torna possível a leitura uniforme da narrativa, tal que ela resulta das leituras parciais dos enunciados e da resolução das suas ambiguidades que é guiada pela procura da leitura única”.
b) O ministro é um homem in love. E um homem apaixonado apenas lucubra pelo seu primeiro-ministro. A falácia narrativa “refere-se à nossa tendência para construir histórias em torno dos factos que no amor, por exemplo, pode servir um propósito mas, quando alguém começa a acreditar nas histórias, e a acomodar os factos em histórias, é susceptível de errar. O historiador Hayden White discute este fenómeno nos seus escritos”. Esta expressão disseminou-se com o êxito de Nassim Nicholas Taleb no livro: “The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable”: “A falácia narrativa aborda a nossa limitada capacidade de olhar para as sequências de factos sem verter uma explicação nelas, ou, equivalentemente, forçando uma ligação lógica, uma flecha de relacionamento em cima delas. As explicações vinculam os factos uns com os outros. Fazem-nos mais facilmente recordados, ajudam-nos a fazer mais sentido. Onde esta propensão pode errar é quando aumenta a nossa sensação de entendimento”. A teoria do cisne negro é uma metáfora para um acontecimento raro e imprevisível, correlacionado, após facto, pela suposição post hoc ergo propter hoc (“depois disto, portanto causado por isto”). Ou seja, um acontecimento cisne negro é: inesperado, tem um efeito massivo, depois, em retrospetiva, é racionalizado como menos fortuito e mais previsível. Esta é uma doença muito comum nos historiadores diagnosticada por Hayden White. Na sua produção de História “para tornar uma história compreensível e significativa como História, os historiadores (consciente ou inconscientemente) adequam-na às suas preferências. (…). Estas preferências surgem sob a forma de ideologia [o seu lugar político]; argumento ou explicação, que é o modelo geral que os historiadores têm sobre como unidades históricas (por exemplo, agentes individuais, ideias, estatísticas comerciais, etc., qualquer coisa que possa ser isolada como uma entidade distinta no campo histórico) estão relacionadas entre si e com conjuntos maiores; e o enredo (emplotment), que é o género literário no qual a história é incluída”. White “argumentou que a escrita histórica espelha a escrita literária em muitos aspetos, compartilhando a forte dependência na narrativa para o significado, portanto, descartando a possibilidade de História objetiva ou verdadeiramente científica.
c) O melhor amigo da mulher moderna, o Photoshop, velou pelo corpo de Britney Spears. As fotos divulgadas pelo HOAX Films, o estúdio de efeitos especiais que trabalhou no vídeo “Trabalha cadela”, mostram cintura e coxas mais largas de antes e depois da limpeza da imagem. Britney tuítara no primeiro dia de filmagens: “dia quente no plateau… ;) Um pouco sujo, pouco sedutor, dancei o meu rabo às estopinhas. Excitada para amanhã!”. No segundo dia, #WorkBitchDay2, tuítou uma foto em biquíni azul, dos seus 31 anos ainda muito bem analógicos.
[3] Chelsea Redfern, cantora, compositora, modelo de Chesterfield, Derbyshire, Inglaterra, 1,68 m, 86-66-91, olhos castanhos, cabelo castanho. “Os seus pais descobriram a sua voz quando ela acompanhava faixas como ‘How Do I Live’ de LeAnn Rimes e era uma fã das Spice Girls. Os pais encorajaram-na inscrevendo-a em aulas de canto, concursos de karaoke e aulas de dança”: “Sweet Romance” (2012) ♪ “BMW” (2013).
[4] O automóvel um bem essencial. Dentro de um Toyota Supra, os botões saltam da blusa da modelo russa Manizha Faradey (Манижа Фарадей), 1,65 m, 45 kg, 85-60-85.
[5] Em 2013, será a ara da mulher portuguesa. “Elogiam-me o rabo”, Ana Piscarreta 1,75 m, olhos castanhos, cabelo castanho, no cardápio da Flying Star, “produzimos e organizamos eventos como estrelas”, e da New Exit. A agência de hospedeiras e promotores New Exit “foi criada no ano de 2004 com o objetivo de oferecer um serviço completo não só a nível de recursos humanos pelo qual somos reconhecidos, mas também noutras vertentes dos eventos e promoções”. {Menu}. – “Gosto muito do meu rabo”, Filipa Monteiro 1,60 m, 50 kg, 81-61-91, olhos castanhos, cabelo castanho, sapato 37, nascida em 28 de outubro de 1988, modelo desde 2007, enfermeira desde 2010. Foi a Maxim Girl de março 2013, uma mulher desinibida nas produções fotográficas: “Gostei imenso de ser fotografada na piscina, foi um ambiente muito relaxante. É uma equipa muito organizada, muito divertida”. “O que me destaca das outras mulheres é ser sensual, é a minha imagem. A minha barriga é bem tonificada, há uma proporção bonita com a anca, mas gosto muito do meu rabo”.
[6] Sob o signo da água. Cecilia Carrillo nos fatos de banho Johnnie Team nas praias da Venezuela (canção “Apaga las luces”, Franco Lsquadron). Mariell Andreina nos fatos de banho Johnnie Team (canção “One, Two, Three”, Britney Spears), modelo e animadora venezuelana, foi a Twitti no programa “En pelotasd), e apresenta o “En estreno”. Mediterranean Micro Bikinis na Playa El Arenal, Galpe, Alicante (canção “Bailando va” p/ duo francês La Caina, formado por Jean Pierre Plisson e a sua filha Maxime Plisson). Andreína Samudio, 1,68 m, 86-66-91, olhos azuis, cabelo castanho, modelo da Costa Rica (canção “She’s Royal”, Tarrus Riley). Ziany Mora, estudante de Psicologia, Inglês e Português, modelo da Costa Rica (canção “Bad Romance”, Lady GaGa). Na Isla Tortuga, no Pacífico. Ziany e Andreína na produção “un día en África Mía” para a revista SoHo (canção “Climbing up the Walls”, Chris Cornell).
d) Neste vídeo, a única mulher perfeita para dançar a “Balada boa” de Gusttavo Lima, Diosa Canales. Nome completo Dioshaily Rosfer Canales Gil, 1,76 m, 90-60-90, cabelo preto, olhos cor de café, sapato 39, nascida a 11 de janeiro de 1987, em El Tigre, Anzoátegui, Venezuela, modelo, atriz e cantora. Classificada “a bomba sexy de Venezuela” depois de se despir na histórica madrugada de 8 de julho de 2011 para a Twitcam. As roupas não aquecem no seu corpo, num ámen vão para o diabo: no calendário 2008; na MatrixHot 2011; nas revistas Playboy de agosto 2011 e de junho 2013. Diosa deseja casar-se “como Dios me trajo al mundo, y creo que no voy a encontrar un cura que lo acepte; creo que tendré que hacer una Iglesia para casarme”. Ela tem no seu Olimpo vários singles: “Tu boquita” (2010) ♪ “La falda (tanga, tanga, tanga)” (2011) ♪ “Rompe el celofán” (2011) ♪ “En cuerpo y alma” (2013).
[7] “A decisão, que faz parte de uma comunicação interna da reitoria, foi acompanhada da suspensão da Cadeira de Marxismo-Leninismo, incluída nos currículos de outras faculdades. Entre as razões que terão sido invocadas pelas autoridades académicas avulta a de que tanto a Faculdade como a Cadeira carecem de ser readequadas às realidades nacionais. Os professores de marxismo-leninismo eram todos estrangeiros – com predominância para os da República Democrática Alemã – e chegou-se à conclusão de que a sua interpretação da doutrina não se ajustava às especificidades nacionais. A Faculdade de Marxismo-Leninismo era obrigatoriamente frequentada pelos alunos do primeiro ano de todas as outras faculdades. (…). As autoridades académicas disseram aos professores da Faculdade que a Cadeira seria retomada logo que houvesse professores moçambicanos disponíveis para assegurar o seu funcionamento”.
[8] Karl Marx: “o primeiro trabalho que realizei para resolver as dúvidas que me assaltavam foi uma revisão crítica da ‘Filosofia do Direito’ de Hegel. (…). As minhas investigações conduziram à conclusão de que as relações jurídicas – assim como as formas de Estado – não podiam ser compreendidas nem em si, nem pela chamada evolução geral do espírito humano, mas que, inversamente, tinham as suas raízes nas condições materiais da existência. (…). O resultado a que cheguei, e que, uma vez atingido, me serviu de fio condutor nos meus estudos pode resumidamente formular-se do seguinte modo: na redução social da sua existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a um dado grau de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto destas relações de produção constitui a estrutura jurídica e política, à qual correspondem formas de consciência social determinadas. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, é, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência” e).
e) O ópio. Ana Paula da Silva Oliveira, i.e. Ana Paula Bandeirinha, nascida em São Paulo, a 26 de maio de 1978, jornalista, empresária, árbitro. Antes de entrar em campo: “sempre faço uma oração, pedindo proteção a Deus”. Posou para a Playboy de junho 2007 {vídeo} {making of}: “foi uma decisão pessoal porque a minha família não tinha dinheiro, sou a mais velha de três irmãos e não tínhamos condições, os meus pais estavam com problemas de saúde e tomei a decisão de posar nua porque o dinheiro podia dar uma condição digna à minha família, comprar uma casa…”. “Como profissional a revista não ajudou muito. Havia muitos preconceitos, eu não sei porquê, agora, depois de três anos está tudo mais tranquilo, tenho a possibilidade de voltar (à arbitragem)”. Bruna Marquezine 1,71 m, 62 kg, 95-61-101, namorada do jogador do Barcelona, Neymar. “A família de Bruna estaria preocupada com a possibilidade de a jovem repetir os passos de Sthefany Brito, que deixou temporariamente a carreira para ir morar com Alexandre Pato na Europa. O casamento durou menos de um ano”. Bruna começou a carreira aos 7 anos como Salete na telenovela “Mulheres apaixonadas” (2003); foi Lurdinha da telenovela de Manoel Carlos, “São Jorge” (2012-2013): “quando provei o figurino, decidi ficar mais definida e malhei coxa e bumbum”. “Eu quando era mais nova era muito mais extrovertida, hoje em dia eu sou muito mais tímida, sou extrovertida com os meus, mas quando eu era pequenininha eu tomava a frente de tudo. Era líder na escola. Todos os casais eu sabia, eu ajudava. Meu primeiro beijo foi com 11 anos, eu era bem novinha, ?”. “Com seus 18 anos recém-completados, Bruna Marquezine resolveu adotar também novo cabelo. (…). A transformação aconteceu na sexta-feira (09.08.13) no salão da peruana Gladys Acosta, especialista em megahair”. Posa para a revista Joyce Pascowitch de setembro. A sua irmã mais nova, Luana Marquezine, 10 anos, estreia-se na telenovela de Manoel Carlos, “Em família”, onde Bruna desempenhará o papel de Helena, na primeira fase, e de Luiza, filha de Helena. {blog}. Melissa Satta 1,76 m, 88-60-92, olhos verdes, cabelo castanho, sapato 39, nascida a 7 de fevereiro de 1986, em Boston, Massachusetts, modelo, namorada do jogador do AC Milan Kevin-Prince Boateng. Na Sports Illustrated 2010. Na Maxim agosto 2013.
[9] O estado atual da economia portuguesa. Dados da revista Sábado: a dívida é de 214 573 milhões de €, ultrapassou os 130% do PIB. São 681 vezes a fortuna de Américo Amorim (3,15 mil milhões). São 2 282 vezes o preço pago pelo Real Madrid por Cristiano Ronaldo (94 milhões). São 22 351,4 vezes o valor que os partidos dizem gastar nas autárquicas (9,6 milhões de €). São 1 129,3 quadros “Os jogadores de cartas”, de Cézanne, comprado pela família real do Qatar (190 milhões). São 239,2 pontes Vasco da Gama (897 milhões). São 429,2 submarinos (500 milhões). – Por isso, cada português deve 20 453,8 €. São 30,1 iPhones 5 de 16GB (preço 679,9 €). São 73,1 prestações da casa (valor médio 280 €). São 510,1 vezes o custo diário de um preso (40,10 €). São 1,5 Renaults Clio, o carro mais vendido em Portugal (13 800 €). São 3 099 bilhetes para ‘A gaiola dourada’, o segundo filme mais visto do ano (preço do bilhete 6,60 €). São 23,6 vezes o salário médio (867,50 €). – E esta é apenas a dívida pública, porque a total, pública + privada, é de 453,8% do PIB (agosto 2013).
[10] No novo milénio a juventude ainda tem vontade. A Miss Estudante Santàl 2013 é Solange Mullens, tem 19 anos, é aluna da Licenciatura de Relações Internacionais da universidade de Évora. – Adriana Xavier, estudante, aos 18 anos abraçou um PSP na manifestação de 15 de setembro de 2012. “Adriana olhou para um dos polícias em particular. ‘Já tinha olhado para ele, quando ele ainda não tinha a viseira. Tinha um olhar triste. Mas tinha um olhar aberto também. Sou muito sensível nestas coisas’, conta a estudante. ‘Fui ter com ele e perguntei-lhe: ‘Por que é que vocês estão aqui? Para provocar alguma reação má?’. Ele disse: ‘É o meu trabalho’. Depois perguntei: ‘Não gostava de estar deste lado?’. E ele não respondeu. Olhou em frente’”. Agora, aos 19 anos, ainda estudante, é candidata do Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal de Lagos. Comunicado do Bloco: “Adriana, tal como referiu anteriormente, não é uma cidadã ativa na política, nem o pretende ser. Muito menos se assume como bloquista, ou quer de alguma forma estar ligada à ideologia do BE. Prestou sim, o seu apoio à candidatura como candidata independente por conhecer e confiar no trabalho e dedicação que os principais candidatos da lista podem vir a desempenhar no desenvolvimento da cidade de Lagos. A Adriana Xavier é apenas uma das jovens que compõem a lista do BE de Lagos. (…). O Bloco de Esquerda de Lagos quer com este comunicado repor a verdade e minimizar quaisquer tipos de danos que possam ter sido causados à propriedade intelectual, intenção ou ideologia da Adriana Xavier”.
[11] Demolição. “Wrecking Ball”, Miley Cyrus, vídeo de Terry Richardson f), com a brava Miley em cima de uma bola de demolição, nua, apenas com um par de botas Dr Marten de 100 libras. As lágrimas no vídeo são verdadeiras, a sua cadela Lila acabara de morrer: “o meu coração nunca esteve tão partido”, tuítou Miley. – Em 25 de agosto de 2013, a sua atuação nos MTV Video Music Awards g) - a língua de fora, o dedo de esponja e o twerk (chocalhar a peida) ao Robin Thicke durante a canção “Blurred Lines” - gerou 306 100 tweets por minuto e entrou diretamante para a cultura pop ao lado da revelação da identidade da “Gossip Girl”, do episódio 9 da 3.ª temporada da “Guerra dos tronos”, do concerto dos docinhos do folk, Joan Baez e Bob Dylan, na marcha de 1963 em Washington pelo Emprego e Liberdade, a cadeira de Salazar, os corninhos de Mário Lino, a mala Chanel da Pépa… h). O reagente social foi padronizado: atacaram-lhe o escandaloso look, ganhou título de pior vestida e conselhos da sua amiga Kelly Osbourne: “põe a merda da língua dentro da boca”. Perdeu a capa de dezembro da Vogue, a poderosa editrix Anna Wintour i) “achou toda a coisa de mau gosto”, disse uma fonte ao Daily Mail, “entendemos de onde Wintour vem – não conseguimos imaginar Lauren Santo Domingo ou outra das suas queridas da Vogue sacudindo o rabo (a não ser numa after party privada de Alexander Wang)”. As mulheres falaram do seu rabo pão mal cozido, como é rotineiro nas conversas femininas pós-posição do missionário (no ano passado, Germaine Greer zombou do tamanho da peida da então primeira-ministra australiana, Julia Gillard, na televisão). Robin Thicke inseriu este novo folclore - twerkers, dedos de esponja, bailarinas deitando a língua de fora - no seu novo vídeo “Give It 2 U”. – Miley Cyrus, em campanha promocional do seu 4º CD, “Bangrezj), - (com uma foto nua na capa alternativa, na edição deluxe) -, é pela primeira vez notícia de capa da Rolling Stone: “no quarto dos fundos de um estúdio de tatuagem em North La Brea Avenue, em Los Angeles, Miley Cyrus está prestes a obter nova tinta. ‘Tudo bem, barriga para baixo’, diz o tatuador, um tipo careca chamado Mojo. Miley gira sobre o seu estômago e espeta o rabo no ar. Nas solas dos seus pés sujos, com esferográfica, estão escritas as palavras: rolling (pé direito) e $tone (esquerdo)” k).
f) Miley, fotos de Terry Richardson.
g) Lições desta atuação. Peter Shankman, autor de “Nice Companies Finish Last”, “disse que a transição de Miley foi calculada e planeada por especialistas experientes em gestão de marcas e, embora a estrela pop reconhecesse que as suas palhaçadas foram um pouco escandalosas, ela permaneceu sem remorsos acerca das suas escolhas. ‘Ela sabia o que estava a fazer desde o primeiro dia. Ela mostra que é importante acreditar em si própria e ignorar os odiadores. As pessoas dirão sempre que o que estás a fazer é louco, mas se souberes que vai funcionar, então dá-lhe tudo o que tiveres. (…). Você deve ter cuidado em quem confia. Isto não funciona para todos, mas ela está claramente acompanhada de algumas pessoas inteligentes do marketing’”. Roy Cohen, autor de “The Wall Street Professional's Survival Guide”: “ela não mostrou remorso e reconheceu-se que isto era um exercício de rebranding. Eles disseram ‘sim, ela está a tentar redirecionar a sua careira agora como uma adulta’”. – Um dos ursos na coreografia deste espetáculo, a bailarina anã Hollis Jane, escreveu no seu blog: “eu era um urso na performance de Miley Cyrus nos VMA e era a minha primeira vez a fazer algo parecido… algo onde estava a ser usada pela minha altura, não por causa do meu talento. E serei a primeira a dizer-vos que, estar naquele palco naquele fato, foi uma das coisas mais degradantes, que alguma vez pensei poder fazer. (…). Nunca vou esquecer essa performance porque foi o que me forçou a desenhar minha linha vermelha. Depois do nosso primeiro ensaio nos trajes com a equipa, publicistas, artistas etc. a olhar-nos, saí do Barclay Center a tremer e a chorar. (…). Eu estava a ser fitada e gozada por todas as razões erradas. Estava a ser encarada como um adereço… como algo menos que humano. (…). Pela primeira vez senti-me verdadeiramente envergonhada de ser uma pessoa pequena. Estávamos a ser usados simplesmente porque éramos pequenos. – Miley parodiou-se na sua apresentação do Saturday Night Live de 5 de outubro 2013. Na afterparty na STK Steakhouse, em Nova Iorque, apresentou-se com um vestido transparente e uns sapatos T.U.K. Mondo Lo Sole de 75 libras.
h) E no dicionário. É um das novas palavras no dicionário de Oxford: twerk: “dançar música popular de uma maneira sexualmente provocante, envolvendo movimentos arremessadores dos quadris e uma posição baixa de cócoras”; apols: “desculpa”; bitcoins: “moeda digital”; food baby: “barriga saliente causada pela ingestão de uma grande quantidade de alimentos”; squee: “expressar grande prazer ou excitação”: selfie: “autofotografia”. – O twerk é uma torção para vender. Em junho, num evento da iHeartRadio, em Miami, Miley recebeu as fãs num quarto decorado com um grande balão que dizia twerk, patos insufláveis gigantes, balões em forma de palmeira e dinheiro falso espalhado na cama. Natalie Berger, a vencedora do Ultimate Pool Party, assistiu-lhe quando fecho do top rebentou e lhe saltaram as tetas, agradecida Miley assinou-lhe um poster: “Natalie! Twerk Bitch/Love, Miley/PS Sorry about da titties!”.
i) A última ilusão: a cosmética. As caras besuntam-se de Revitalift X3 Laser, os cabelos mascarram-se de Garnier Olia e os corpos reprimem a descentralização no tempo. Cristina Ferreira: “aos 45 anos vou ser uma brasa” sem medo da idade aos 36 anos.
j) Sean Garrett, produtor do disco, classificou a colaboração de Britney Spears na faixa “SMS”, no Twitter: “merda é uma loucura!!!”. Miley e Britney tinham trocado tuíts. Dia 20 de junho Britney tuítou: “Adorando o teu vídeo para #WeCantStop! Talvez me possas ensinar como abanar a peida um dia LOL”. Miley respondeu: “Nós podíamos abaná-la em troca de tu me ensinares os movimentos para ‘slave for you’ (tenho praticado nos últimos 10 anos)”.
 – k) Miley disse na entrevista que o vídeo de “Nothing Compares 2 U” inspirou “Wrecking Ball”: “é o oposto dos VMA. É como o vídeo de Sinéad O’Connor, mas tipo, a versão mais moderna. Queria ser dura mas realmente bonita – é o que Sinéad fez com o seu cabelo e tudo o resto. O truque é colocar a câmara por cima, assim quase parece que estás a olhar para cima para alguém e a chorar. Penso que as pessoas vão odiá-lo, elas vão ver o meu rabo e dizer tipo ‘ó meu Deus, não acredito que ela fez aquilo’, e então quando chegarmos à ponte, vão verter um lagrimazinha e dizer tipo ‘vai-te foder!’. Penso também que será um daqueles vídeos icónicos. Acho que é algo que as pessoas não vão esquecer. Esperemos que daqui a 30 anos um artista diga tipo ‘yo, lembras-te daquele vídeo da Miley Cyrus? Temos que fazer algo assim”. Logo, se afligia a idosa senhora Sinéad O’Connor numa carta aberta: “estou extremamente preocupada porque aqueles que te rodeiam te levaram a acreditar, ou encorajaram a tua própria crença, que é de alguma forma ‘fixe’ estar nua e lamber marretas nos teus vídeos. A questão é, de facto, que obscurecerás o teu talento ao permitires ser chulada, seja o negócio da música ou a ti própria fazendo o proxenetismo”. “Nada, exceto prejuízo, virá a longo prazo, de permitir-se ser explorada e, absolutamente, não é de forma alguma um empoderamento de ti própria ou de quaisquer outras raparigas, por mandares a mensagem que deves ser valorizada (até por ti), mais pela tua atração sexual do que pelo teu óbvio talento”. Sinéad avisa que a indústria está-se nas tintas para “qualquer de nós”. “Eles vão prostituir-te por tudo o que valeres e, habilmente, farão pensar-te que é o que tu queres… e quando acabares na reabilitação como um resultado de seres prostituída, ‘eles’ estarão apanhando sol nos seus iates em Antígua, que compraram vendendo o teu corpo e encontrar-te-ás extremamente sozinha”. Miley tuítou-lhe: “Sinead. Não tenho tempo para te escrever uma carta aberta porque apresento & atuo no SNL esta semana. Então se queres encontrar-te comigo e falar deixa-me saber na tua próxima carta. :)”.

na sala de cinema

Una rata en la oscuridad” (1979), México, real. Alfredo Salazar, c/ Ana Luisa Peluffo (Josefina), Anaís de Melo (Sonia) [1] … “Josefina e Sonia são duas irmãs que adquiriram a um preço muito acessível uma velha mansão. Logo após se instalarem, ocorrem uma série de eventos inexplicáveis que lhes fazem a vida impossível. Paralelamente, a irmã mais nova, Sonia, começa a comportar-se de maneira estranha. Josefina, muito preocupada, tenta por todos os meios ajudá-la, mas a presença maligna que habita a casa é muito poderosa”. “El erótico enmascarado” (1980), Espanha, real. Mariano Ozores, c/ Fernando Esteso (Manolo), Antonio Ozores (Ramón Alcañiz), África Pratt (Azucena), María Salerno (Marta), Azucena Hernández (Julia) [2] … “Um professor de Ciências Políticas, ex-ator (mascarado) num filme pornográfico, sofre de impotência devido a um acidente. Como está quase a casar-se recorre a um psiquiatra para solucionar o seu problema”. “Cada quien su madre (Ratero II)” (1982), México, real. Ismael Rodríguez, c/ Carmen Salinas, Ana Luisa Peluffo, Blanca Guerra … “Um ladrão promete no leito de morte de sua mãe portar-se bem e não voltar a roubar, mas montam-lhe uma armadilha, o seu meio irmão mata um segurança e culpa-o a ele” [3]. “L’alcova” (1984), Itália, real. Joe D’Amato, c/ Lilli Carati (Alessandra), Annie Belle (Wilma), Al Cliver (Elio De Silveris), Roberto Caruso (Furio), Laura Gemser (Zerbal) … “Itália 1936: Elio regressa de África planeando escrever as suas memórias para liquidar as suas crescentes dívidas. Mal sabe ele que a sua solitária esposa, Alessandra, tem dormido com a sua secretária Wilma. Além das sedas, máscaras africanas e esculturas, Elio trouxe também para casa Zerbal, uma princesa abissínia transformada em escrava sexual”. “3 mexicanos ardientes” (1986), México, real. Gilberto Martínez Solares, c/ Alfonso Zayas, Alberto Rojas, José René Ruiz, Ana Luisa Peluffo, Lina Santos, Patricia Rivera … “Conta a história de um homem casado que conhece Lina, uma mulher sensual que o enlouquece. Quando ele lhe propõe que se tornem amantes, Lina concorda, mas em troca o homem terá que lhe comprar um carro, um apartamento, roupas e dar-lhe dinheiro para gastar. O emprego do homem não é suficiente, então traz dois dos seus melhores amigos e chegam a um acordo: se eles contribuírem com dinheiro, podem passar dois dias por semana com Lina. Infelizmente, os amigos são também casados e depressa as três esposas tomam conhecimento do que se passa. No final, ninguém tem sexo com Lina. Em vez disso, os amigos têm sexo com as esposas uns dos outros”. “El manosanta está cargado” (1987), Argentina, real. Hugo Sofovich, c/ Alberto Olmedo (Alberto Capelleti), Javier Portales (Alvarez), Adriana Brodsky (Adriana), Adrián Martel (Adrián Martínez), Silvia Pérez (Silvia), Susana Romero (Susana), Beatríz Salomón (Beatríz) [4] … “Um homem vulgar, farto da sua má sorte e de não conseguir trabalho, decide fazer-se passar por um curandeiro milagroso que chega do Brasil: um manosanta (curandeiro com poderes curativos nas mãos), o Pai Alberto Capelleti. Ele está apaixonado pela filha do seu chefe, Alvarez, e faz todo o tipo de loucuras com o intuito de que o pai de Adriana o aceite de uma ou outra forma”. “El inocente y las pecadoras” (1990), México, real. Víctor Manuel Castro, c/ Miguel Manzano, Alberto Rojas, Lizbeth Olivier, Adriana Rojas, María Cardinal … “Um tímido e ingénuo sacristão de província vê-se inocentemente envolvido nas situações mais divertidas, quando ao chegar da grande cidade tem que servir como mediador entre a igreja, as autoridades e um pervertido social, que quer abrir uma casa do pecado”.
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[1]Anaís de Melo é uma atriz portuguesa que apareceu com Alfonso Zayas no filme ‘Hilario Cortés, el rey del talón’ (1980). Nesse filme tem uma cena quente no duche. Mas Anaís não esteve apenas com Zayas nesse filme, eis que, como confessou no programa da TV Azteca ‘La Tombola’, foi amante de Zayas durante algum tempo. A este respeito, a bela atriz portuguesa confessou que gostava de homens feios”.  
[2] Azucena Hernández nascida em Sevilha, 22 de março de 1960. “Aos 17 anos foi eleita Miss Catalunha na localidade de Agramunt e mais tarde concorreu a Miss Espanha em Campello (Alicante). Depois foi para Madrid começando a sua carreira de atriz em 1978 com o filme “Las eróticas vacaciones de Estrela”, do subgénero conhecido como ‘Cine S da la transición’. Seguiram-se outros filmes similares como “Bacanal en directo” (1979), e outros de trato humorístico como ‘El consenso’ (1980). (…). A sua vitalidade juntamente com a sua beleza e a sua grande vocação com ganas de triunfar, conseguiu fazer dela uma atriz importante durante a década de 80. Mas, depois de fazer o filme ‘La estanquera de Vallecas’, um gravíssimo acidente de viação em Las Rozas de Madrid, na noite de 15 para 16 de outubro de 1984, fez com que acabasse tetraplégica e que tivesse de usar, desde então, uma cadeira de rodas frustrando a sua emergente carreira no cinema”.
[3]Ratero” (1979), real. Ismael Rodríguez. “Em Tepito, um dos bairros mais antigos da cidade de México, encontra-se um bairro habitado por famílias miseráveis que tratam de melhorar as suas vidas, porém, vários deles são obrigados a roubar, a enganar as pessoas e a todos os polícias corruptos para sobreviver. Um desses inquilinos, alcunhado Solovino, por não saber de onde vem, entra para roubar uma casa do dono de um jornal, obtendo um grande saque de jóias. Dois agentes da polícia oferecem-lhe a liberdade a troco do saque, e com isto converte-se em presa do assédio da polícia. Formando um quadro completo: ladrão que rouba as pessoas, polícias que roubam os ladrões e advogados que roubam os ladrões, os polícias e as pessoas”.
[4] História da televisão argentina. Las chicas de Alberto Olmero: Susana Romero, a quem a Virgem apareceu já por duas vezes, uma, em 2004 numas fotos tiradas no jardim, a outra, em 2012 num pinheiro; Beatríz Salomón, em 2013 “estou coberta de dívidas, devo 15 mil pesos de despesas e estão para me cortar a TV por cabo”. E o ex-marido deve-lhe a pensão de alimentos: “fode-me que a justiça demore 9 anos, na vida de uma mulher são como 900 anos”.

no aparelho de televisão

Shōgun” (1980), minissérie c/ Richard Chamberlain (John Blackthorne), Toshirô Mifume (Yoshi Toranaga), Yoko Shimada (Lady Toda Mariko) … transmitida na RTP 1, terças-feiras à noite de 1 de março / 17 de maio de 1983. “A história é baseada nas aventuras do navegador inglês William Adams. A série acompanha as aventuras do piloto John Blackthorne no Japão no princípio do século XVII. Depois de o seu navio, o Erasmus, ser destruído na costa do Japão, Blackthorne deve conciliar a sua identidade como inglês, associado a outros europeus, ou seja, comerciantes portugueses e padres jesuítas, com a cultura japonesa para a qual é empurrado. Como inglês, Blackthorne está em conflito com os portugueses e com jesuítas”. Esta “foi a primeira série a permitir o uso da palavra mijo no diálogo e, na verdade, mostrar o ato de urinar (como um ato simbólico da subserviência de Blackthorne para com a classe dominante japonesa e puni-lo por ter dito: ‘mijo em você e no seu país’, um nobre / samurai urina sobre Blackthorne”. “Beauty and the Beast” (1987-1990), transmitida aos domingos na RTP 2 cerca das 18:00 horas de 21 de agosto de 1988 / 16 de abril de 1989. “A versão atualizada do autor Ron Koslow do conto de fadas [1] tem um duplo foco: a relação entre Vincent (Ron Perlman), um nobre homem-animal mítico e Catherine Chandler (Linda Hamilton), uma experiente procuradora do Ministério Público de Nova Iorque e uma comunidade utópica de párias sociais vivendo num santuário subterrâneo. Através de uma ligação empática, Vincent sente as emoções de Catherine e torna-se o seu guardião”. Linda Hamilton engravida e abandona a série. O seu personagem, Catherine Chandler, morre na 2.ª temporada e, no episódio 47, é substituída Diana Bennett, uma profiler da 210 Divisão do Departamento de Polícia de Nova Iorque, interpretado por Jo Anderson. “Lovejoy” (1986-1994), transmitida aos domingos cerca das 17:30 na RTP 2 de 4 janeiro / 8 março de 1987. “Lovejoy (Ian McShane) é um encantador patife e negociante de antiguidades com um talento espantoso para descobrir tesouros escondidos. Quando não está à procura de colecionáveis únicos, Lovejoy gasta a maior parte do seu tempo usando as suas habilidades de vigarista para ajudar os menos afortunados. Os seus parceiros no crime são: a abastada Lady Jane Felsham (Phyllis Logan), o seu fraco assistente Eric Catchpole (Chris Jury) e o genialmente embriagado Tinker Dill (Dudley Sutton)”. 
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[1] “Foi publicado pela primeira vez em 1740 na ‘La Jeune Américaine et les contes marins’, como ‘La Belle et la Bête’, escrito por Gabrielle-Suzanne Barbot Gallon Villeneuve, uma escritora francesa menor que alcançou imortalidade pela sua ligação a esta história em particular. Realmente, não se tornou popular durante 16 anos, quando Jeanne-Marie Leprince de Beaumont publicou uma versão abreviada que retirou boa parte da história de ambos os personagens, e também mudou a Bela de uma humilde filha de um comerciante numa princesa, para sua própria surpresa. Em ambas as encarnações, contudo, a história era sobre a transformação de Bela de uma mulher que julga com base nas aparências numa que reconhecia a beleza interior e encontrou a felicidade por causa disso”.

na aparelhagem stereo

Música clássica na Cisjordânia – “por toda a Cisjordânia, várias novas escolas de música clássica estão a dar às crianças uma forma de escapar aos muros que cercam os territórios palestinianos” [1]. Ramallah, Cisjordânia, “Dalia Moukarker é uma das alunas da Fundação Barenboim-Said. Ela mora em Beit Jala, uma aldeia perto de Belém, onde partilha um quarto com a irmã Roudy, uma clarinetista em embrião. Ela é a mais velha de cinco crianças numa família cristã. O seu pai, Sulieman, é segurança na universidade de Belém, e a família sobrevive com o dinheiro enviado pelos irmãos expatriados do pai. Posters do franco-suíço Pahud [2] estão colados na janela do seu quarto, com vista para Belém e uma confusão de casas brancas”. Dalia estuda flauta. “Ela pratica tão arduamente – às vezes retirando-se para a casa de banho no seu apartamento superlotado, às vezes saltando refeições – que o seu pulso doía, limitando-a a duas horas por dia”. Para ela a flauta: “leva-me para outro mundo, que é muito longe daqui, um mundo mais bonito. Porque aqui não é um lugar bonito. É um lugar feio”. “Mas a coisa mais importante era o sentimento que a música me dá. Sente-se como se se estivesse a voar”. Ela deseja ganhar uma bolsa de estudo para França “e sonha ser maestrina[3].
Ramallah, Cisjordânia, “o jovem era habilidoso com as ferramentas. Sobrinho de um carpinteiro, gostava de consertar cadeiras, janelas e fechaduras. Noutras ocasiões ele ficava de braços cruzados na esquina da rua. Ramzi Aburedwan [4] reparou nele. Como o flautista mágico, Aburedwan, um violinista treinado pelos franceses e criado num campo de refugiados palestiniano, estava a tentar levar as crianças palestinianas para o mundo da música: a saber, um centro de música que ele estava a fundar num bairro antigo da cidade. Mas ele tinha outros planos para o jovem. O centro recebia dúzias de instrumentos de corda doados da Europa, instrumentos propensos a fendas, cavaletes partidos e volutas danificadas. O jovem, Shehade Shelaldeh, tornar-se-ia restaurador de violinos. E assim, dois anos mais tarde, depois de absorver lições de luthiers visitantes voluntários e um estágio de três meses em Itália, Shelaldeh tem a sua própria oficina de reparação de instrumentos. Está numa antiga garagem ao virar da esquina do centro de música Al Kamandjati (O Violinista). Ele aprendeu a consertar instrumentos e a substituir a crina nos arcos. Já construiu dois violinos, um com uma pequena bandeira palestiniana no estandarte, que prende as cordas. ‘É um sentimento belo’, disse ele um dia no final de abril. ‘Eu quero trabalhar aqui e ensinar as pessoas’. É a precisão do trabalho que o atrai, acrescentou, bem como a paz que vem de trabalhar por si mesmo, até altas horas da noite. Num lugar muito familiarizado com sons de disparos, veículos militares e explosões, ‘Al Kamandjati ensinou-nos a ouvir música’, disse ele”.
Entretanto, nas terras de paz e abundância, o Deus bom serve latte macchiato de caramelo apolentando-se depois do néctar da latria. Justin Bieber: “só quero agradecer muito, não só a Deus, mas a Jesus”, agradece nos MTV Awards 2011. Paula Teixeira: “sabes, é uma relação muito pessoal. É mesmo eu e Ele. Exatamente… eu telefono, falo com Ele e e e e é muito fácil. Muito simples. Muito tranquilo. É uma relação muito pacífica”. “Crystalline[5]. Fagulhas de fé, acendalhas de graças por trabalho lucrativo na pacífica mina da claridade sem estilhaços ou cerimónias fúnebres. Vídeo dos Klepht “A idade da estupidez”, filmado nas minas de S. Domingos, Mértola, realizado por Afonso Pimentel e Vítor Guerreiro. Pimentel esclarece: “houve várias ideias iniciais relativamente a isto. Havia uma vontade muito grande por parte da banda de se fazer um vídeo que fosse muito mais agressivo do que aquilo que eles ‘tavam habituados a ser, até porque a música assim o pedia. (…). E foi sendo, foi um pouco entre garrafinhas de vinho e conversas com a própria banda”.
Estilhaços metálicos em Portugal:
Alarme, “grupo da Nazaré formado por Carlos Cavalheiro (voz), Altino Borda D'Água (guitarra), Silvino Pais da Silva (guitarra), Orlando Borda D'Água (baixo) e Vítor Bombas (bateria). Em 5 de julho de 1981 foram os vencedores do festival Só Rock que se  realizou em Coimbra. É editado em 1982, através da Imavox, um single com os temas ‘Desconto especial’ e ‘Autocarro diariamente’”. Em 1982, quarta-feira 11 de agosto, tocaram na praça de touros figueirense, na primeira parte do concerto dos Dr. Feelgood na Figueira da Foz, preço do bilhete 400$00. E a 3 de dezembro abriram para as Girlschol e os Rainbow no pavilhão Dramático de Cascais, preço do bilhete 450$00. “Após a dissolução da banda, ocorrida em 1983, Carlos Cavalheiro, o seu mentor, emigra para o Canadá onde fará carreira ligada ao setor televisivo. Retornará a Portugal e à sua terra natal em 2009. Nesse ano, talvez com saudades desses tempos, Cavalheiro reforma o grupo na companhia de dois outros músicos que não estiveram ligados à formação original, Abílio Caseiro (guitarra) e Abílio Ferro (bateria)” ▬ “Estamos aqui” (2009). Devil Across, “de Lisboa, formados em 1981 pelos guitarristas Ricardo ‘Bon’ Santos e Fernando Pascoal Martins. Em 1983, Pedro ‘Rato’ Inglês, bateria, junta-se ao grupo, e finalmente no início de 1987 juntam-se dois novos membros, Pedro ‘Balto’ Batalha, baixo e Carlos Ramalhete, voz. Canções como ‘Defenders of the Metal’, ‘Kings of the Bubbles’, ‘Metal Attack’, ‘You’ll Die’, ‘Lisbon Night’, ‘Love’s Curse’, ‘Stand To Suffer’, ‘Alju Battle’, ‘Guards of Hell’, ‘Rise’ e ‘You’ve Got Love On Me’ faziam parte do repertório. Os Devil Across entraram em estúdio para gravar uma demo em 1987. A 3 de abril de 1987 os Devil Across tocaram ao vivo pela primeira vez no Rock Rendez Vous”. Hardness, “nasceram no início de 1990, em Vermoim, Maia, Porto, por Fernando Vilela, guitarra, Paulo Monteiro, bateria, Alberto Gomes, baixo / voz e Abel Duarte, guitarra. Em junho de 1990 tocaram o primeiro concerto no liceu da Maia. A banda decide gravar a sua primeira demo chamada ‘Trashing Up…’, entre julho / agosto na garagem e sala de ensaios do baterista. A demo incluía uma introdução e 6 canções: ‘Beirut’, ‘Another Death To Die’, ‘Acid Rain’, ‘Bailinho da Madeira’, ‘Intro’, ‘Silent Scream’. A 1 de setembro de 1990 tocaram com os W.C. Noise nos Restauradores do Brás-Oleiro, em Águas Santas, Maia. Com a entrada de Nuno Tavanez para a guitarra e a passagem de Abel para o baixo, liberta Alberto para os vocais. Em março de 1992 lançaram a sua segunda demo ‘Promo Tape 92’, gravada no Rec n’ Roll Studios, Valadares. Demo com três faixas ‘Euthanasia’, ‘Remember When I Die’ e ‘Face Death’. A banda abriu para o grupo brasileiro Sarcófago a 12 de dezembro de 1992”. Metal Brains, “formados em setembro de 1986 na cidade do Porto, por Jorge Santos, baixo e Pedro Santos, bateria, pouco depois junta-se-lhes João Leite, guitarra solo e Paulo Monteiro, guitarra rítmica, seguidos pelo vocalista Carlos Roque. Carlos fica na banda entre dezembro de 1986 e janeiro de 1987 e então é substituído por Paulo Cruz, que ocupou o cargo entre janeiro e abril. Segue-se um período de ensaios até março de 1987 quando a banda toca ao vivo pela primeira vez, numa pequena festa para 50 pessoas, seguido de outro concerto para cerca de 70 pessoas. Entretanto, a 7 de junho de 1987, gravaram uma demo de três faixas no Studios X, ‘Portas do Inferno e ‘Praga social’. Para o terceiro concerto, tocaram para cerca de 300 pessoas na escola secundária de Águas Santas, a 13 de junho”.   
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[1] Muros de cimento, ideologia religiosa e imposição política. E muita comédia política após George W. Bush, ótimo cantor, melhor presidente americano, ter sonhado com a teoria dos dois Estados: “sou o primeiro presidente de sempre a ter articulado uma solução de dois Estados, dois Estados vivendo lado a lado em paz”. Uma quadrifólia fantasia tragada pelo gang de choque da política, como Zbigniew Brzezinski, que já tem data marcada para a independência do Estado palestiniano: NUNCA. Em 2009, t-shits do exército israelita tresandavam a vontade real judia: retratavam uma mira de um rifle com várias legendas. Sobre uma grávida: “um tiro mata dois”. Sobre uma criança com uma arma: “mais pequeno, mais difícil”, segundo um soldado entrevistado: “é uma criança. Então, você tem um pouco mais que um problema, moralmente, e também o alvo é mais pequeno”. Sobre uma mãe palestiniana que chora junto do túmulo do bebé: “melhor usar Durex”. A teoria dos dois Estados - com hilárias negociações - é um arranjinho diplomático entre os Estados Unidos e Israel para desembarque de vantagens: “o presidente Barack Obama iria pedir ao Congresso para aprovar a venda de 20 caças avançados a Israel”. Um Estado palestiniano, com fronteiras definidas, que impeçam uma supervisão judaica da população palestiniana – (a polícia ordenava o encerramento do teatro na noite de abertura do Festival de Literatura da Palestina. “A polícia trouxe uma carta do ministro da Segurança Interna, que dizia que o evento não se poderia realizar porque era uma atividade política ligada à Autoridade Palestiniana”) – nem o banaboia John Kerry, fornecedor de cimento e tijolo para a construção de colonatos, crê. Contudo, a teoria dos dois Estados é uma ideia simpática, positiva, aquece com fogo ideológico as boas almas, envergonhadas em confessar a única solução judaica: a da expulsão total dos palestinianos. Já as ideias antipáticas, negativas, são perseguidas pelos mastins judeus alerta. Roger Waters é defensor ativo da campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel: pelo fim da ocupação e colonização de terra árabe, igualdade para os árabes-palestinianos cidadãos de Israel e o regresso dos refugiados. Nos seus concertos Waters usa uma imagem da modelo judia Bar Rafaeli. Bar Rafaeli tuítou em hebraico: “Roger Waters, você deve remover a minha foto dos vídeos nos seus concertos. Se vai boicotar, então vá até ao fundo” l).
l) O radar judeu não dorme. O filme “Inch’Allah” (2012), da canadiana Anaïs Barbeau-Lavalette, foi retirado do Festival Israelita de Cinema, realizado no mês de agosto de 2013, na Austrália. Barbeau-Lavalette é uma dos 500 artistas de Montreal que assinaram a campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel. David Schulberg, um patrono do festival: “deturpa gravemente a situação que existe no conflito israelo-palestiniano, destacando o alegado sofrimento dos palestinianos às mãos dos israelitas, distorcendo e distendendo os factos no terreno”. Albert Dadon, presidente da Australia Israel Cultural Exchange: “representa uma ideologia que, obviamente, não podemos subscrever. Ele justifica o suicídio bombista. Poderia ser okay estar noutro festival, mas certamente não no nosso”.
Após 1982, Roger Garaudy também violou um tabu: “a crítica da política israelita, protegida agora pela celerada lei Gayssot-Fabius de 13 de julho de 1990, que restaura em França o delito de opinião do Segundo Império, substituindo por uma lei repressiva a carência de argumentos”. Lei proposta pelo deputado comunista Jean-Claude Gayssot, fixa, por lei, aquilo que muitas vezes os acontecimentos não corroboram porque, através de uma versão oficial do passado, controla-se o presente. Quando Garaudy publica em 1995 “Les mythes fondateurs de la politique israélienne” (pdf) disparou outra vez os alarmes nos vigilantes da imagem de Israel no mundo. Atiçaram os cães de guarda e Garaudy é acusado de negador do holocausto m). Ora, não há nada para negar, pois o holocausto não é um facto histórico, é um dogma religioso, não se prova nem se nega, tal como a virgindade de Maria, é dogma, acredita-se. O facto histórico é que 25 % da população mundial, 60 milhões de pessoas, morreram na Segunda Guerra, foram chacinados mais chineses que judeus, facto mesquinho para a História europeia, logo não está legislado nesse cacho de países a sua compulsividade. Em 27 de fevereiro de 1998 os tribunais franceses proíbem futuras publicações do livro, e Garaudy é multado em 240 mil francos e pena suspensa. Porque a História, na sua vulgata, não é a descrição do passado, mas um instrumento de controlo do presente, e o holocausto, além de novo preceito do judaísmo, é uma arma de chantagem política de Israel sobre os Governos americanos e europeus que os faz advogar que os mortos palestinianos são meras estatísticas.
m) Garaudy foi defendido pelo advogado do diabo, Jacques Vergès, falecido a 15 de agosto de 2013, no quarto onde morrera Voltaire, em frente ao Louvre. Vergès, advogado dos escorraçados do exclusivo clube Humanidade, com uma estratégia: questionar a legitimidade dos tribunais, acusando de hipocrisia os regimes ocidentais, culpados de crimes mais graves do que aqueles dos seus constituintes. Em 1957, defendia Djamila Bouhired da Frente de Libertação Nacional: “conhecia-a à saída da sala de tortura”. Sob tortura, ela não cedeu e apenas dizia: “a Argélia é a nossa mãe”, acusada de atentados é condenada à guilhotina pelas autoridades francesas. As petições de Vergès adiaram a execução e em 1958, Djamila é enviada para a prisão de Rheims. Em maio de 1962 são assinados os Acordos de Évian proclamando o cessar-fogo, a libertação de prisioneiros e a independência da Argélia. Quando Djamila foi libertada, Vergès converteu-se ao islamismo e casaram. Um dos seus clientes foi Carlos, o Chacal: “escolho este advogado porque ele é mais perigoso do que eu”. Vergès: “sou um pouco como D. Juan. Gosto de revoluções como ele gostava de mulheres. Fascinam-me quando são jovens, mas quando envelhecem, perco o interesse”. “Um dia, alguém me perguntou: defenderia o Hitler? Eu disse Mas eu defenderia até o Bush. Mas sob que condições? Na condição de ele declarar-se culpado”.
Escreveu, sobre a ocupação da Palestina, Gandhi (1938): “o pedido por um lar nacional para os judeus não me é muito apelativo. O fundamento para isto é procurado na Bíblia e a tenacidade com a qual os judeus cobiçaram depois do retorno à Palestina. Por que não deveriam eles, como os outros povos da Terra, fazer o seu lar no país onde nasceram e onde ganham o seu sustento? A Palestina pertence aos árabes. … Certamente, seria um crime contra a humanidade rebaixar os orgulhosos árabes, para que a Palestina possa ser restaurada para os judeus, parcialmente ou no todo, como o seu lar nacional. … A Palestina da conceção bíblica não é um tratado geográfico. Está nos seus corações. … Eles podem estabelecer-se na Palestina somente pela boa vontade dos árabes. Eles devem procurar converter o coração árabe. … Eu não defendo os excessos árabes. Gostaria que tivessem escolhido o caminho da não-violência para resistir ao que eles justamente consideram uma invasão injustificável do seu país. Mas, de acordo com os adotados cânones de certo ou errado, nada pode ser dito contra a resistência árabe em face de esmagadoras adversidades”.
[2] O flautista Emmanuel Pahud: “Introduction and Variations” (Franz Schubert).
[3] Lógico seriam outros sons como “Nephicide” (2013), Jonathan Larroquette e Amir Yaghmai, o duo de Los Angeles Jogger. Exemplos de jovens que na Comunidade Internacional (ex-Ocidente Livre) pegaram em instrumentos: os Heene Boyz – “Chasing Tornadoes” (2013), eles são Falcon, Ryo e Brandford, filhos de Richard Heene. No dia 15 de outubro de 2009, Heene “perdeu o controlo de um dos seus muitos projetos, um balão de hélio prateado em forma de OVNI de 700 dólares. Ele flutuou para longe do quintal da família em Fort Collins, Colorado, e a sua mulher, Mayumi, chamou o 112. Com Mayumi em aflição audível, disseram aos operadores que o pequeno Falcon tinha rastejado para dentro da engenhoca e estava lá em cima. O aeroporto de Denver foi fechado, helicópteros da Guarda Nacional perseguiram o artefacto fugitivo, e a CNN pôs no ar o voo do disco voador numa dramática transmissão ao vivo. Enquanto isso, o pequeno Falcon Heene esteve escondido no sótão o tempo todo”, depois foi o circo americano da fama, até se descobrir que tudo fora um embuste para conseguir um contrato para um reality show. Os meios de comunicação chamaram a Falcon Heene o “Balloon Boy”. Ele cresceu e numa banda de metal outros balões lhe imploram, Falcon: “Nós autografámos maminhas!!!!!”. Os Unlocking the Truth – no programa Totally Biased, “amigos praticamente desde o berço Malcolm Brickhouse e Jarad Dawkins formaram a sua primeira banda de metal, Tears of Blood, em 2007, quando tinham ambos 5 anos. Agora no sexto ano, ao duo de Flatbush, Brooklyn, juntou-se o amigo de infância Alec Atkins no baixo para soltar os Unlocking the Truth sobre desavisados nova-iorquinos que não esperam que miúdos de 12 anos toquem tão pesado”. Os Old Skull – “Pizza Man” (1992), grupo punk dos anos 80 de Madison, Wisconsin. Os DeathKids – “Bleeding and Praying” (1998), de Lindenhurst, Nova Iorque. Matt Rega, (baixo), tinha 16 anos, Harley Wootton, (guitarra, voz), 10 e Kenneth Edward Wootton Jr., (bateria), 12, quando gravaram o primeiro CD. Os Decapitated – “Winds of Creation” (2000), “formados em Krosno, Polónia em 1996, pelo guitarrista Wacław ‘Vogg’ Kiełtyka, que tinha 15 anos na altura, o seu irmão Witold ‘Vitek’ Kiełtyka, baterista, que tinha 12, e o vocalista Wojciech ‘Sauron’ Wąsowicz, que tinha 16. Um ano depois, o baixista Marcin ‘Martin’ Rygiel, 13, juntou-se à banda”. Os Light of Doom – “We Will Rock You”, de Escondido, Califórnia, formados na primavera de 2005. The Stinky Puffs – “Buddies Aren't Butts” (1995), “banda rock do princípio dos anos 90, iniciada por Simon Fair Timony, então enteado de Jad Fair, e por Cody Linn Ranaldo, filho do guitarrista dos Sonic Youth, Lee Ranaldo”.
[4] Ramzi Aburedwan é arte para a Comunidade Internacional (ex-Ocidente Livre). É ele o miúdo de 8 anos numa foto da Primeira Intifada (1987-1993), lágrimas nos olhos, que atirava pedras aos soldados judeus.
[5] Do álbum “Vaccine” (2011), dos Younger Brother, capa de Storm Thorgerson, (28 fev.1944 / 4 abril 2013), autor de capas para os Pink Floyd, Led Zeppelin, T. Rex, Genesis, Black Sabbath… Os Younger Brother são Simon Posford e Benji Vaughan, duo de música eletrónica, formado em 2003. O nome provém de uma profecia dos kogui, povo ameríndio da Colômbia, habitando a encosta norte da Sierra Nevada de Santa Marta. “Os kogui consideravam-se como o Velho Irmão e dizem que a destruição da Terra e do meio ambiente seriam feitos pelos ocidentais chamados Irmão Mais Novo”. Fragmentos dessa profecia estão em “Evil and Harm” (2003).