Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

sábado, junho 20, 2009

365 dias de Sodoma

Idolatrado pelos
celtas. Por milénios o mundo girou à sua volta. Numa derradeira tentativa, foi aprimorado pela tecnologia para entusiasmar o homem do telemóvel inteligente. Fracasso! No século XXI, o órgão genital feminino converte-se numa peça de museu… pelo menos para o homem. Décadas de chap-chap com Lynol, para aprazer ao marido, escoadas inúteis no bidé. Actualmente, se um homem quiser gritos afogueados de mulher, só no court de ténis, nos jogos da Michelle Larcher de Brito. Morreu um estilo de vida. Adeus “Putas e Coca”, olá “Corvos Anais”.
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As últimas pegadas do macho humano serão descobertas pelos antropólogos do futuro na
Villa Certosa, em Porto Rotondo, na Sardenha. Modesta mansão de Sílvio Berlusconi, retiro para políticos que tudo deram em troca de nada, empresários esfalfados de trabalhar, homens do clero mortificados pela dor no mundo. Nas férias de Maio de 2008, 40 moçoilas embelezavam a vivenda, umas de biquini, outras de mamas ao léu, pulcras, celsas, entre elas a favorita do harém Noemi Letizia. Ela ainda tinha 17 anos, mas aquilo não era um lupanar, corria uma aragem de pureza dos jardins do Éden. E, os desmancha-prazeres emporcalharam a casta cena. Os cubanos logo identificaram o velho sátiro entesado, como sendo o primeiro-ministro checo Mirek Topolanek, anticastrista convicto, com pulseira lembrete oferecida pelo Governo de Wbush. Confirmaram o que todos sabem, que ser pela América é melhor que Viagra.
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Lauren Harris – nascida em 6 de Julho de 1984, filha de Steve Harris, baixista dos Iron Maiden. De um jornal búlgaro veio a descrição da sua prestância musical “belos seios, apelido famoso, mas sem voz”, e rasante definição de toda a indústria do entretenimento. Se velhas carcaças, sentadas na mesa do Poder – blurp… Don Henley duplo blurp… Bob Dylan triplo blurp… Metallica – tivessem tetas, os bilionários patrões da indústria discográfica não chiariam tanto culpando o download ilegal pelas escassas vendas da diarreica produção dos nossos queridos artistas. Obviamente, Lisboa confirmou que “ela é boa” no Super Rock Super Bock de 2008 – “Like It or Not” $ “Your Turn” $ “Come On Over” $ “Natural Thing” $ “Let Us Be”.
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Os
Iron Maiden iniciaram laboração com o despedimento do primeiro vocalista Paul Day, por falta de “energia e carisma em palco”. Substituído por Dennis Wilcock, um fã dos Kiss, que compensava fracos dotes vocais com maquilhagem, sangue falso e pirotecnia. O senhor que se segue, Paul Di’Anno, aqueceu o lugar até as primeiras gravações da banda – “Phantom of the Opera” $ “Iron Maiden” $ em 2001, mudou-se de armas e bagagens para São Paulo, no Brasil, editando em 2006 o CD “The Living Dead”, e no início deste ano esteve numa sessão de autógrafos na discoteca Carbono da Amadora. O grand prix de vocalista dos Maiden foi para Bruce Dickinson – “Dracula” $ “Delilah” $ fora vocalista dos Samson – deu-lhes carisma, temas históricos e álbuns conceptualizados – “The Number of the Beast” $ “Fear of the Dark” $ “Sign of the Cross” $ “Run to the Hills”. Entrementes, Blaze Blayley dos Wolfsbane – “I Like it Hot” $ “Manhunt” – arcou com o microfone, entre 1994 e 1999, durante a pausa para carreira a solo de Dickinson, embora os Maiden rejuvenescessem, os fãs, seres condicionados pela indústria do CD e DVD para consumir um produto específico, receberam-no mal – “Wrathchild” $ “Fortunes of War” $ “The Evil That Men Do”.
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Steve Harris tem outro filho, George Harris, nos
Burn in Reason].
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Os inimigos da América excitam o órgão genital masculino. Bombeiam testosterona. Castro, erecção. Ahmanidejad, erecção. Kim Jong Il, erecção… mas com o novo posicionamento feminino, aos homens resta-lhes a
saída de Esparta (o acasalamento inter pares). O filme “Top Gun” despertou másculas inclinações pela carreira militar, vendeu abundantes blusões de aviador e promoveu os Berlin, a loira vocalista Terri Nunn, e uma carreira que ficou por “Sex (I’m A…)”. A apetecível instrutora de Tom Cruise, Kelly McGillis, também acordou muita heterossexualidade nos anos 80. Agora com 51 anos, divorciada, duas filhas, deu uma entrevista ao Girls Rock! afirmando que estava outra vez no mercado do engate por “definitivamente uma mulher”. Encerrara de vez o capítulo homem. E os homens recuperam um update do velho dito latino: “em Sodoma, sê sodomita”.
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Rita Redshoes – não é filha de nenhum músico, mas de Carlos Pereira, treinador adjunto do Sporting. Em Portugal, futebol é música, sambuca celestial. O futebol é o mais importante vértice do equilateral triângulo da identidade nacional. A sacra hóstia de Fátima conforta a alma através da língua, o bento Fado de alhures consola a alma através da orelha, mas o glorioso Futebol gruda alma e corpo. O povo parou quando os ardinas apregoaram nas áleas: olha a notícia fresca! “Ronaldo celebra negócio de 93 milhões com Paris Hilton”! “Paris Hilton ataca Cristiano Ronaldo”! “Cristiano Ronaldo já deixou Paris Hilton”! Os portugueses gritaram iiiiiiiiiiiiii abanado as mãos aos pulinhos de contentamento. O Grande Falo Com Órgãos, o Anti-Anti-Édipo produziu efeito não de máquina, não de metáfora, mas de hipérbole. Com Cronaldo comemo-las todas! Sonhamos que Paris ficou a coçar-se de saudade. Ó saudade sentimento mais português não há. O affair Paris Hilton foi religiosamente seguido como boa prática da virilidade lusa. O sarcasmo final do paparazzi “20 minutos e acabou”… bah! não nos demove da certeza de que ela ficou desfalecida de prazer no chão, no tecto ou no balcão da cozinha. Paris Hilton, famosa, sem cuecas nos estofos do Bentley, não intimida o futebolista português “seguro da sua sexualidade”. O facto dela preferir o vibrador Minx, com 12 brilhantes Swarovski cor-de-rosa incrustados, pousará um delicado sorriso na cara de Cronaldo after sex.
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Nem de propósito, Rita Redshoes estreou-se em Lisboa, no mês de Maio, num concerto no São Jorge onde confessou “
preciso de um cóccix novo”, precisamente situado na zona que mais vibra quando o homem português entra em campo com os seus craques ou a sua equipa do coração – “Choose Love” $ “The Beginning Song” $ “Dream on Girl” $ “Hey Tom].
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PS: o filho de Nick Cave, Jethro Cave, é modelo.

quinta-feira, junho 04, 2009

Sim nós podámos

A arejada campanha publicitária da
Gillette, “podar os arbustos faz parecer a árvore maior”, dirige-se ao macho moderno, conquistador, cosmopolita, para lhe desimpedir o caminho da antecâmara de, por exemplo, Heather Parisi (figura dos anos 80 na TV italiana actualmente uma bloguista) ou, se for vidrado no mundo virtual, da nova Lara Croft. Todavia, talvez porque Deus, na primordial mistura química do Seu cadinho, abusou do hidrogénio na luso-feitura, o másculo português repele o néon e atrai o carbono, e mareia numa onda (também década de 80) mais para o avesso lado dos Vital Sines.
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Camões nasceu para atormentar os pesadelos dos alunos do liceu durante o Estado Novo. O corte com o passado, provocado pelo 25 de Abril, promoveu esse pretexto de poeta chamado Fernando Pessoa que só é papável em
italiano. No entanto, Deus não desamparou os portugueses na fantasiosa ou abstracta poesia, algaraviada de palavras ocas, longe de lhes roçar a essência, enviou-lhes António Botto, o único poeta que compreendeu a lusitana alma. Não é necessário queimar pestanas com Paul Ricouer para se compreender, esse “discurso familiar”, que localiza o coração luso no espaço/tempo. Esse coração bate pelo “pajem loiro” pelo “mancebo alado” pelo “viril corpo trigueiro”. (Botto, visionário, só se enganou no ofício e na cor do cabelo).
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Those Dancing Days – certo dia, Mme Carla Bruni-Sarkozy, empolgada na viola-francesa, decretou que “Those Dancing Days Are Gone”. Não antevia ela que, na Suécia, mal saídas da adolescência, Linnea Jönsson (vocalista), Lisa Pyk (órgão), Rebecka Rolfart (guitarra), Mimmi Evrell (baixo) e Cissi Efraimsson (bateria) revivessem esses dias de donzelas despreocupadas, com o jantar na elísia mesa do marido, dançando até à hora em que perdem o sapato. Em 2005, retiraram o nome do grupo, da canção “Dancing Days” dos Led Zeppelin, torvelinhando num pop, engravidado pelas influências que cada autor de crítica musical escolhe “ver” – “Those Dancing Days” m “Home Sweet Home” m “Run Run” m “Hitten” m com a idade as cores L’ Óreal dos cabelos alteram-se. E sim! já estiveram no nosso querido Portugal, em Lisboa e Braga, tocando “Toxic(versão da velha Britney)].
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As mulheres aparecem na paisagem lusa? claro, como
decoração. António Botto era casado com Carminda Silva Rodrigues, como mandam as Sagradas Escrituras, esse hábito mantém-se. Casamento em nome de S. António acima de tudo! Botto, na época, ganhou um epitáfio do seu amigo Vitorino Nemésio: “Ai, pobre de António Boto/ Tão dandy naquele Chiado!/ Antes sujinho, antes roto/ Que suspeito condenado!”. Mas ele e os seus conterrâneos são percursores da modernidade mundial. O presidente Baráque ouviu-os, e sempre a fazer História, declarou Junho o mês das “Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgenders”. E, Hillary Clinton, como bónus do assassínio de paquistaneses e afegãos, prometeu estender a cruzada: “como Secretária de Estado, avançarei uma agenda compreensiva dos direitos humanos que inclua a eliminação da violência e discriminação contra pessoas baseada na orientação sexual”. Exorta ela: “o exemplo dado por aqueles, lutando por direitos iguais nos Estados Unidos, dá esperança aos homens e mulheres do mundo”.
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Sleep – no início de 90, em S. José, na Califórnia, influenciados pelos Black Sabbath, Al Cisneros, Chris Hakius, Tom Choi e Matt Pike constituíam os Asbestosdeath (“Nail”). Choi sai indo formar bandas como os Operator Generator ou os Noothgrush. Com a entrada de Justin Marler, os Asbestosdeath mudam o nome para Sleep, tornando-se uma das bandas precursoras do Stoner Rock – “Dragonaut” m “The Druid” m “Dopesmoker” m parte2.
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Depois da publicação do primeiro CD,
Volume One, Justin Marler meteu a viola no saco e ingressou num mosteiro. O segundo disco, Sleep's Holy Mountain, valeu-lhes um lucrativo contrato com a London Records, que tentava facturar big mcdollars na onda “stoner”. A caixa registadora tropeçou quando o terceiro álbum, Dopesmoker, continha apenas uma canção de uma hora. Os executivos da London Records recusam editá-lo por ser invendável. Os Sleep regressam ao estúdio, reescrevem as letras e aparam o disco para 52 minutos. A London Records negou, outra vez, publicar esta dor de cabeça do marketing e a banda separou-se. Cisneros e Hakius afinaram canções com a estrutura do canto tibetano nos Om – “Pilgrimage” m “Flight of the Eagle” m ao vivo na Áustria m parte2. E Mike Pike funda o grupo de heavy metal High on Fire – “Rumours of War” m “Hung, Drawn, and Quartered” m “Baghdad].
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“Esperança” é a password, divulgada pelos analistas do presidente Baráque, em open source, para o reboot da economia. Obviamente, antes dele, os portugueses foram precursores. O primeiro-ministro, José Sócrates, cindiu-se para impor o “computador” Magalhães. Cometeu excessos, compreensíveis, que os “bota-abaixo” morderam como regueifa quentinha com manteiga. Confundiu computador com netbook, uma máquina limitada a tarefas elementares e, com um desempenho razoável, quando munida de um processador Atom, e for o Celeron, adeus vantagens tecnológicas. Exagerou na afirmação de que os seus assessores todos
utilizam e não precisam de outra coisa no seu exigente trabalho ministerial. Ora, como o Magalhães foi desenhado para crianças, Sócrates movia-se pela vontade de vender e não de chamar crianças aos colaboradores e ministros.
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Depois de eleito, o presidente Baráque imitou o primeiro-ministro português, publicitando outro produto de consumo: “como parte do meu compromisso para com a indústria automóvel americana, encarreguei a minha Administração, para usar o
Recovery Act Fund, para comprar uma nova frota, eficientemente ecológica, de veículos do Governo, para assegurar a procura pelas nossas empresas automóveis americanas e estimular a economia”. Vender “popós” ou “computas”? os políticos actuais são somente feirantes e o presidente Baráque, como dono de um stand, traz esperança e rezas… sobre rodas.
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Moby Grape – grupo formado em 1966 por dois despedidos dos Jefferson Airplane, Skip Spence, o primeiro baterista e o manager Matthew Katz. Desempregado, Katz incentivou Spence a formar um grupo semelhante aos Jefferson. Juntaram Jerry Miller (guitarrista) e Don Stevenson (baterista) dos Frantics de Seattle, Bob Mosley (baixista dos Misfits de San Diego) e Peter Lewis (guitarrista dos The Cornells e filho de Loretta Young). Tinham tudo para dar certo e “acabaram com nada, ou menos”, devido a trapalhadas da editora; birras de Katz em querer receber um milhão de dólares pelos direitos de inclusão no filme do Festival Pop de Monterey, recusado esse valor, os Moby Grape não só não figuraram no filme de D.A. Pennebaker, como a sua actuação foi transferida para a sexta-feira, ao pôr do sol, quando a assistência ainda era escassa; acusações de sexo com mocinhas sem idade para baixar as cuecas; e o LSD estragou Spence, depois de brandir um machado no Hotel Albert, fecharam-no na prisão de Nova Iorque conhecida como as Catacumbas, e posteriormente no Hospital de Bellevue para a Thorazine da praxe – “Hey Grandma” m “Omaha” / “8:5” m “It's A Beautiful Day Today” m “Miller's Blues” m “Fall on You”.
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As drogas, o álcool e a doença mental não abandonaram Skip Spence, após vários anos sem-abrigo, morreu de cancro pulmonar em 1999. Jerry Miller continua a solo ou na Jerry Miller Band. Don Stevenson mudou de vida. Bob Mosley pouco mexe. Peter Lewis ainda toca a solo ou com David West e, entre 2000-03, integrou os Electric Prunes].