Pratinho de Couratos

A espantosa vida quotidiana no Portugal moderno!

terça-feira, dezembro 30, 2008

Ano borguista

O ano de 2008 começou da melhor maneira em Portugal. Estreou-se pelas 02:30 horas, do dia 1 de Janeiro, no Casino do Estoril, com António Nunes, presidente da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, a fumar cigarrilhas. A proibição de fumar, em espaços públicos fechados, entrara em vigor às 00:00 horas e a ASAE, a entidade responsável pela fiscalização da aplicação dessa Lei, através do seu responsável máximo, ilustrava a corajosa qualidade lusa de navegar contramarés. Nada trava os portugueses na consumação das farturas. Os anos são batatas contadas no progresso, e 2009 não exige recurso a infalíveis artes de adivinhação, como
ler os pés (podomância?) ou leitura das nádegas, (inventada pela vidente Jackie Stallone, mãe de Sylvester), nem esperar pelo fim do jogo, para se prognosticar mais um ano polvilhado de açúcar e canela na Lusitânia.
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[Estalam foguetes, multicoloridas lagartas nos céus, bichas de rabear na Terra, porque os loucos anos 20 estão de volta. A presente pujança da economia mundial, puxada pelos cavalos da América, replicará os carros desenhados no
feminino, indiferenciação nos sexos, tabaco outra vez, beira-mar, o Cherleston, com os vestidos desenhados por Coco Chanel, o Black Bottom, (dança subsequente ao Charleston – um exemplo por Ginger Rogers), políticos matreiros, invenções, álcool, cinema e a mãe de todas as animações: a queda da Bolsa.
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A fartura do ano nascente arribará
Dionysos aos lares e empresas. A festança global bacanalizará 2009, envergonhando o deus grego, e os prazenteiros comensais da Antiguidade Clássica. E a música, para dançar o novo ano bom, assumirá um toque quente como no passado. Com Whispering Jack Smith – afamado cantor dos anos 20-30, um dos primeiros a usufruir das vantagens do recém inventado microfone, dono de um estilo característico de entoar as palavras, obtido pelas lesões nas cordas vocais, provocadas pelos gases venenosos da Primeira Guerra Mundial, cuja música ouve-se melhor na fritadeira dos discos de vinil – “Sunshine” :-) “Happy Days” :-) “I Kiss Your Hand, Madame” :-) “To Be in Love” :-) “Miss Annabelle Lee” :-) “Cecilia” :-) “My Blue Heaven” :-) “Ramona” :-) “Whispering” :-) “Oo! Golly Ain’t She Cute?”.
Ou:
The Savoy Havana Band – “Masculine Women and Feminine Men” :-) “Pasadena” :-) “Hen Pecked Blues” :-) “Knee Deep In Daisies” :-) “Sahara” :-) “Everybody Stomp].
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O primeiro-ministro já apregoou coisinhas boas para 2009. Afiançou que dinheiro enchumaçará as carteiras. Os portugueses beneficiarão de uma inflação baixa, de uma taxa Euribor tendencialmente zero e do petróleo ao preço da palha. Claro que sendo ano de eleições a oposição promete mais muito mais. A riqueza súbita avioletará mais 365 dias ainda que de 2008 não haja queixas. No ano velho acostou aos ecrãs nacionais o melhor reality show da MTV – “
A Shot at Love II with Tila Tequila”. Nele, Tila Tequila, uma artista americana nascida em Singapura, recebe em casa uma série de representantes de ambos os sexos, candidatos ao prémio de namorado/a da anfitriã. Oportuna estreia, quando os homens portugueses abananam-se no annus mirabilis de Cristiano Ronaldo, confundidos pelo desejo de massagens masculinas e noites escaldantes com o seu ídolo, Tila indica que no hay problema.
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[Também a década de 80 teve o seu mergulho económico. O índice
Dow Jones caiu 508 pontos e um trilião de dólares da riqueza made in USA esfumou-se em 4 dias. Ronald Reagan constituiu uma task force para avaliar o mistério que concluiu: o problema não estava no valor das acções, mas na infra-estrutura, que não comportava tamanho volume de negócios. Os anos 80 mantiveram a fé no consumo, sortudos tinham Mickey e Reagan para salvar o dia e o Break-dance para estimular as articulações, actualmente, nós, alertados por Peter Shiff, resguardados pelo Mágico Negro e aquecidos pelo Tecktonik, viveremos um 2009 repassado de exuberante folia desde o day one.
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Nos alvores dessa década nasceu uma banda em Kenmore, Nova Iorque, com o único desejo de ser a pior do mundo.
Green Jellÿ, originalmente chamavam-se Green Jellö, inspirados no sabor lima do pudim instantâneo Jell-O, o pior de sempre. A proprietária da marca não achou piada, reclamou violação dos direitos de autor, e eles mudaram a grafia do nome, embora mantivessem a mesma pronúncia. Resistiram durante uns segundos no concurso de talentos Gong Show – “Anarchy in Bedrock” :-) “Cereal Killer” :-) “House Me Teenage Rave” :-) “Electric Harley House of Love” :-) “Obey the Cowgod” :-) “Trippin’ On XTC” :-) “Whip Me Teenaged Babe” :-) “Flight of the Skajaquada” :-) “Nightmare on Sesame Street” :-) “Misadventures of Shitman].
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2008 produziu caviar. O melhor filme de ficção foi a “
Ida à Guerra do Príncipe Harry”. Propagou-se o boato de uma comissão militar no Iraque, e o infante inglês zarpou dissimulado para o Afeganistão, despistando jornalistas e terroristas. Por uma coincidência que não lembra nem ao diabo, uma equipa de TV filmava um documentário sobre a vida do gambozino alado na província de Helmand que, ao identificar o valente aristocrata, lhe cinematografou os heróicos feitos, contrariando a malsã ideia de que ele só lá foi fazer uma reportagem de propaganda da guerra e do palácio de Buckingham. Por outro acaso do caraças, desconhecidos ventilaram para os jornais a sua localização, convertendo-o num alvo privilegiado e um risco para os seus castrenses companheiros, e o desolado guerreiro teve de regressar ao lar antes de vencer a guerra.
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Os de alma sombria, os ocupantes dos bancos traseiros nas salas de aula, os ignorados pelas miúdas giras, os fãs da música indie ganharam a lotaria com o seu melhor CD do ano, “
Deathconsciousness”, dos Have a Nice Life, um grupo de Connecticut, que toca uma caldeação de post-punk, industrial, gothic rock, shoegaze etc. – “The Future” :-) “Bloodhail” :-) “Hunter” :-) “I Don’t Love”. Os outros, os populares no recreio, de ténis Nike e camisola Pull and Bear, emborcadores de shots no pub, saltarelos na disco, receberam dupla prenda da indústria discográfica. Dois CDs com rótulo de melhor. “The Fame” da Lady GaGa, nome artístico de Stefani Joanne Germanotta, figura pop e compositora – “Poker Face” :-) “Just Dance”. E o disco homónino de Santogold – “L.E.S Artistes” :-) “Lights Out” :-) “Shuv It”. Aqueles que povoam o meio caminho, a zona entre o estudo e o divertimento, roupas contrafeitas e penteados de gel, também ouviram o melhor no álbum “The Con” das gémeas canadianas Tegan and Sara – “The Con” :-) “Back In Your Head” :-) “Walking with a Ghost” :-) “Speak Slow” :-) “Nineteen”.
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Amy Winehouse propiciou o momento mais sexy do ano. Ela
ameaçou numa campanha de prevenção do cancro de mama. Mas a fulguração do topless de Amy Winehouse desabrochou nas férias de Natal, em S. Lúcia, nas Caraíbas, dançando na varanda e turvando a fama do dançarino global Matt Harding.
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O ano novo desponta no calendário com empenho de mais felicidade. Manarão dos céus Sofia Hilário para todos. Da comida se fará arte, e da arte, luz. Será um ano de arromba! Se der para o torto, porque o eleito imperador do planeta, inábil na manufactura das novas guerras, arruinou a vizinhança, já é possível simular a destruição nuclear da sua cidade e pôr-se a salvo. Ou, a violência aumenta, porque as condições económicas se degradaram, o Estado democrático cumprirá o seu destino, transmutando-se num Estado policial. O Instituto de Investigação para a Política Pública inglês alertou: “a prevenção deve começar cedo, porque os criminosos costumam começar a cometer delitos entre os 10 e os 13 anos”. Assim, as existentes bases de dados genéticos fornecerão a identidade dos futuros delinquentes, cruzando genética e psicologia, será possível caçá-los à saída da maternidade.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Maria

Paulo Bento, treinador do Sporting, figura top da estratigrafia intelectual portuguesa, devaneava em Outubro: “a única coisa que tenho a certeza que acontece em Dezembro, é que o Natal é dia 25. O resto não tenho mais a certeza”. Esta certeza, sólida como uma rocha, deu-a o Papa Júlio I, no século IV, quando cristianizou o regabofe pagão do
solstício de Inverno, em mais uma coincidência histórica bem desenhada. Júlio I não fazia a mínima ideia de quando as águas do fecundo ventre de Maria rebentaram, quis somente evitar o risco sistémico dos outros cultos, que soltavam a franga nas comemorações do período do ano onde a duração diária da luz solar volta a aumentar. Os astrónomos actuais, perscrutando os seus computadores, oh technology!, situam a data da benta parição no dia 27 de Junho do ano 2 a.C. Porque, nessa noite, a rara conjunção entre Júpiter e Vénus projectou um luzente brilho no céu de Belém. Contudo, o Papa foi mais previdente na sua escolha, pois Junho cheira a férias, fio dental, cocktails, acordar tarde, e não a boa vontade, solidariedade, mundo melhor, paz e contos de Natal, como o melhor deles, “The Junky’s Christmas” (parte2) de William S. Burroughs.
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[Cantoria de Natal, que se preze, começa por
Kay Martin and her Body Guards com “Come on Santa Let’s Have a Ball” e “The Girls Were All Happy” ”. Nesta quadra de peúga expectante na lareira, a moçoila Becky Lee Beck e a actriz inglesa Dora Bryan pedincharam o mesmo brinquedo. E Dottie Kolzauski reuniu as amigas, nas Three Blonde Mice, para homenagear o Beatle mais talentoso. Barrigadas de amor queria Cathy Hawn, terceira esposa de Dean Martin. Ao redor do pinheiro a Partridge Family e Ricky Segall encantaram. Os punks The Ravers e banda feminina de tributo aos Ramones, The Ramonas, destoaram. O jazz de Johnny Guarnieri desempatara. E as japonesas Shonen Knife futuraram.
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Durante as tricas e arrufos frios, entre a União Soviética e os Estados Unidos, a pequena Shana Lynette pedia “
Mister Russian Please Don’t Shoot Santa’s Claus Sleigh”, Heather Noel aceitava-o num transporte alternativo em “Santa Came on a Nuclear Missile” e Reece Shipley perguntava “Can Santa Claus Miss Those Missiles”. As modas natalícias seguiram os tempos. Em 59, na estação deles, Patsy Raye and the Beatniks entoavam “Beatnik’s Wish”. Em 61, The Marcels dançavam “Merry Twist-mas”. Em 64, o grupo pop inglês, The Go-Go’s inspirava-se no Doctor Who, para festividades vindas do espaço com “I’m Gonna Spend My Christmas with a Dalek”. Em 99, The BellRays participavam na colectânea “Fuck Christmas” com “Rocket Ship Santa”.
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E o arraial de arromba do Natal só termina com
Mae West cantarolando “Santa Come Up And See Me].
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Natal em Junho desconjuntava o ano. Não dava jeito. Que chatice, em vez de arrumar as malas, ter que montar o presépio, José, Maria, o menino e os mais importantes, os
cagões. Indispensáveis bonecos da tradição catalã que representavam figuras públicas. Maria Cavaco Silva, acompanhante do seu homem, numa viagem oficial à Madeira, cumpriu uma agenda pessoal, subordinada ao tema da pobreza. Meteram-lhe pela frente, um relatório do ISCTE de 2005, sobre a geografia da pobreza lusa, cujos níveis na Madeira aparecem muito acima da média nacional, com mais de 83 mil pobres. Ela pontapeou “não gostar de números”. Driblando a jogada: “como não falei com o ISCTE não posso responder. Mas honestamente não acredito nisso. Não li o relatório, nem vou lê-lo! As pessoas da Segurança Social, que falaram aqui comigo, disseram-me que vão entrar em contacto directo com o ISCTE. Mas isso é com elas, não é comigo. Não é a mulher do Presidente que vai ter com o ISCTE pôr os seus números em causa”.
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Maria, na sua candura, esclareceu a torpe mentira de que há pobreza em Portugal. Os números “não tem significado. Há uma nova realidade muito semelhante ao que acontece no Continente (…) Mas situações de miséria, miséria total… e eu tive a grande preocupação em perguntar isso, a Segurança Social tem a situação totalmente levantada, as pessoas trabalham em rede, estão muito bem articuladas”.
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[Quem mais contribuiu para as festivas datas cristãs foi os… judeus. E assim é também na música que anima o éter do fraterno amor e paz na Terra. Na
lista das canções mais tocadas figuram algumas das mais famosas:
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The Christmas Song” foi escrita durante uma onda de calor na Califórnia. Robert Welles, fechado em casa, compunha canções para uns filmes mas, para iludir a canícula, tentava pensar frio e escrevera: “Chestnuts roasting… Jack Frost nipping… Yuletide carols… Folks dressed up like Eskimos”. Mel Tormé passou por lá e achou que era uma boa ideia para uma canção de Natal e, em 40 minutos, ficou concluída.
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White Christmas” depois de a compor Irvin Berlin disse para a secretária: “acabei de escrever a melhor canção que alguma vez escrevi. Diabos, acabei de escrever a melhor canção alguma vez escrita”. Foi o single mais vendido até ser destronado pelo “eltonjohniano” “Candle in the Wind” para a princesa Diana em 98.
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Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!” composta por Jule Styne com letra de Sammy Cahn em 1945, cujos nomes verdadeiros eram Julius Kerwin Stein e Samuel Cohen, não faz uma única referência ao Natal.
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“Rudolph the Red-Nosed Reindeer” o personagem foi criado por Robert L. May, empregado da Montgomery Ward, em 1939, para um livro infantil distribuído pela empresa como truque publicitário. Johnny Marks era cunhado de May e decidiu adaptá-lo a uma canção.
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Silver Bells” canção inspirada pelos sinos do Exército de Salvação, apareceu pela primeira vez no filme “The Lemon Drop Kid”, cantado por Bob Hope e Marilyn Maxwell. Originariamente chama-se “Tinkle Bells” até que a mulher de Ray Evans lhe explicou que “tinkle” era calão para abanar depois de urinar.
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Outras canções vindas da judiaria: “
I’ll be Home for Christmas”. “Sleigh Ride”. “Rockin’ Around the Christmas Tree”. “A Holly Jolly Christmas”. “(There’s no Place Like) Home for the Holidays”. “Santa Baby].
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Trabalhar em rede, disse ela. E porque os políticos trabalharam tão bem, “fizemos o trabalho de casa”, repete sem fim José Sócrates, as famílias, empresas e bancos estão protegidos. O primeiro-ministro cauciona prosperidade, “pusemos as contas em dia”, e neste Natal os portugueses podem
comprar, comprar, comprar, comprar, comprar, comprar. Graças à Igreja e ao Estado, nesta quadra polvilhada de fantasia, gambiarras formatadas em estrelas, anjinhos e pinheiros estilizados, pistas de gelo, neve artificial, aconchegados no calor de uma lareira Colbert, os enriquecidos portugueses cearão fartos, e talvez recebam, como Tom Waits, um “Christmas Card From a Hooker in Minneapolis” e se deleitem com “As Mais Belas Canções de Natal para a Páscoa” do João Manzarra, antes de acordarem em 2009.
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[
Silent Night foi escrita em alemão no século XIX e cantada em infinitas línguas: japonês, norueguês, arapaho, russo, finlandês, húngaro, sueco, espanhol e… David Hasselhoff].

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Dar música

Do
lar dos bravos desceu à Terra o novo Messias. Anunciado pelo visionário Louis Farrakhan, pavimentaram-lhe o presépio de fartos dólares. Vieram reis magos, nos jactos privados, depor-lhe a seus pés esperanças em troca de money in the bank. Os mais inocentes, os bebés e os brancos esclarecidos, exultaram o seu advento. Ele entrou no orbe ao som de “City of Blinding Lights”, dos U2, mas, nos altifalantes, por cima da manjedoura, ouvia-se sobretudo soul music. A revista religiosa Rolling Stone, especializada em vindas miraculosas, revelou os segredos do seu iPod. Nos microfones postado, Ele prometeu cumprir o seu destino: todos unidos, fechados como um punho, dilatarão num império único.
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Captain Beyond – banda de prog rock, injustamente esquecida, formada em Los Angeles no ano de 71. Constituída pelo vocalista Rod Evans originário dos Deep Purple, o baixista Lee Dorman e o guitarrista Larry “Rhino” Reinhardt vindos dos Iron Butterfly, e o baterista Bobby Caldwell que tocara com Johnny Winter – ao vivo em 1972: parte1 O parte2 O “Distant Sun” / “Drifting In Open Space” O “Stone Free” O “Thousand Days of Yesterdays” O “Pandora’s Box” O “Gotta Move].
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A eleição de Barack Oh!bama ababalhou os líderes europeus. Durão Barroso, o líder dos líderes, não discursa sem uma respeitosa deferência ao seu Presidente. O “verde” Joschka Fischer espera que a U. E. esteja à altura do Eleito. E não são os únicos a olhar o tecto. Um presidente americano é somente um investimento comercial. Qualquer um ensaca as chaves da Casa Branca desde que o dinheiro lhe sopre de favor.
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Nestas eleições, a riquíssima e poderosa indústria do entretenimento apostou forte e feio. Neil Portnow, presidente da National Academy of Recording Arts and Sciences, num
selecto concerto de pressão sobre políticos, com Kanye West, explicou a sacrossanta missão: “propriedade, copyright, educação musical, todas essas coisas”. A indústria discográfica há anos que tenta passar no Senado uma lei que “endureça a supervisão federal nas questões das Marcas Registadas, aumente as penas para os transgressores, e que permita ao Departamento de Justiça instaurar processos cíveis pelo download ilegal e a contrafacção de Marcas Registadas”. E, a instituição de um “czar do copyright” para coordenar a aplicação das leis da propriedade intelectual.
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Guru Guru – o baixista Uli Trepte, Mani Neumeier na bateria e o guitarrista Jim Kennedy formaram este grupo de prog rock alemão, em 1968, com o nome original The Guru Guru Groove, virado para a militância política de esquerda – “Electric Junk” O "Ooga Booga" O “Der LSD Marsch” O “Africa Steals The Show” O em 2007.
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Mani Neumeier tem participado em infinitos projectos – os Acid Mothers Guru O os Globe Unity Orchestra O os Harmonia O Dieter Möbius O Irene Schweizer O os Damo Suzuki Network].
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Os milionários executivos da indústria discográfica, ao atirarem dinheiro sem fim em Oh!bama, não desejam activar a circulação da revista
Ebony, mas aleitar um Batobama, um super-herói, que acabe com a música à la carte grátis, e lhes engrandeça ainda mais os fabulosos lucros. E, nesta conjuntura pós-Wbush, o vinil do destino arrumou-se ordenado na prateleira. Primeiro, Barack significa em árabe “bendito”, quase uma advertência divina para quem respira religião como os americanos, depois, ele é um americano-áfrico. Dois factos que prometem o paraíso do dólar. Os gestores das grandes companhias discográficas, incapazes do milagre da multiplicação dos lucros, anseiam por um abençoando que lhes garanta o bónus de fim de ano. E, viram em Oh!bama uma alma gémea, um simpatizante, pois a música americana de exportação é dominada pelos americanos-áfricos (localmente ainda é o country).
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Tem sido habitual culpar o download e a partilha de ficheiros na Internet pelas quebras nas vendas dos CDs. No seu combate acena-se como o
inferno e debitam-se slogans espaventosos: “combater a pirataria é um dever cívico”. Os canais de música idiotizam como é seu costume. Mas ninguém diz a verdade: a generalidade da música produzida é simplesmente lixo e que, por regra, um disco tem apenas uma canção com interesse, e o resto, uma penosa tortura auditiva. Com a agravante, das rádios e canais de TV especializados, transmitirem essa canção tantas vezes, que quem comprou o disco tem que parti-lo por exaustão.
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Quando em Portugal, por coincidência de mercado, eram editados ao mesmo tempo vários artistas que caem no goto do povo, como Daniela Mercury, Andrea Bocelli e Delfins, os lucros enriqueciam todos, inclusive o chefe do armazém da empresa distribuidora. O fim desta idílica paisagem acarreta choros, ranger de dentes e gritos de “ó da guarda” tragam de volta the good old days.
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F.M. – grupo canadiano de prog rock formado por Cameron Hawkins, vocalista, aparece no centro da cena, tocando sintetizadores ou guitarra baixo e Nash the Slash, escondido nas sombras do fundo do palco, operando uma caixa de ritmos, violino eléctrico, mandolina – “Phasors on Stun” O “Just Like You” O “Dream Girl” “Eleanor Rugby”.
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Nash the Slash – retirou o nome do mordomo assassino, interpretado em 1927 por Noah Young, no primeiro filme da dupla Laurel and Hardy “Do Detectives Think?”. Nos anos 80, ganhou reputação entre os punks e new wave, sendo convidado por Gary Numan para fazer a primeira parte da tournée de 80-81, na Inglaterra. E acompanhou os The Tubes na Europa – “Swing Shift” O “Friends and Neighbors” / “Dance after Curfew” O “Pretty Woman” O “Born To Be Wild” O “Dead Man’s Curve” O “Something Weird on My TV].
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Mas os dias são outros. Na vida moderna não há disponibilidade para ouvir um disco de uma hora, quando só uma canção agrada, e os hábitos de consumo alteraram-se com a digital opção de comprar músicas avulso. Os rendimentos não param de subir neste mercado. Tanto que
Kid Rock apela ao roubo porque os lucros são obscenos e pagam mal aos músicos. A compra pela Net pressiona os menestréis a escrever apenas êxitos e modificou as técnicas de marketing que os obriga a espectáculos ao vivo. Algumas companhias compreenderam onde estava o dinheiro, como a Live Nation Inc., que surripiou a Madonna à Warner Bros. por 200 milhões de dólares, com direitos sobre os discos, concertos e merchandising.
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Novos e ricos mercados se abriram para a indústria discográfica: os toques e as músicas de espera dos telemóveis, as bandas sonoras de filmes, os videogames, o Karaoke etc. Mesmo assim, as companhias insistem nos preços exorbitantes dos CDs e downloads legais, para manterem luxos principescos e recorrem ao “cão come cão” de empresas privadas para zelarem pela cobrança dos direitos de autor nas casas, nos espaços públicos e na Internet. A
PassMúsica, um consórcio luso de produtores e artistas, previa atingir os 3 milhões de euros, no primeiro semestre de 2008, com estas cobranças. Visitaram o Plateau, Capital, Amo-te Chiado, Steak House, Lizaran, em Lisboa, e estenderam a actividade ao resto do país neste proveitoso negócio.
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O consumidor atacado por técnicas de venda agressivas tem o direito de responder com o consumo agressivo. O consumo de música é forçado pela sua associação a imagens de moda, estilo de vida e juvenilidade eterna. Enquanto a música não for vendida a um preço justo, o download ilegal ou a circulação de cópias caseiras, são as únicas defesas contra uma potente e opulenta corporação empresarial. E tem uma irrecusável vantagem: os
Kiss prometeram não gravar mais material novo se os fãs não pararem de fazer download ilegal.
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[Edgar Winter – o albino tocador de vários géneros e instrumentos, jornadeou efemeramente pelo prog rock, e estacionou definitivamente na Cientologia, com as outras almas penadas de Tom Cruise, Juliette Lewis, Leah Remini, Ann Archer ou Kristie Alley. Ele produzi o álbum “Mission Earth”, segundo a lenda, seguindo as instruções e gravações deixadas para músicos e produtores do futuro por L. Ron Hubbard, (vídeo) fundador daquela Igreja – “Frankenstein” O “Teenage Love Affair” O “Rock & Roll Hoochie Koo” O “Tobacco Road” O “Free Ride” O com o irmão Johnny Winter O com Steve Lukather O com Michael McDonald O com Leon Russell O em 2008].

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Avelhentar

A passagem dos dias espumeja a submissa lira dos poetas, ameigando, no dulçor das palavras, o curto carreiro trilhado, pelos agigantados passos humanos, para o zóster da pedra tumular, como versava
Camilo Pessanha: “Tudo acabou... Anémonas, hidrângeas, / Silindras, – flores tão nossas amigas! / No claustro agora viçam as urtigas, / Rojam-se cobras pelas velhas lájeas”. A mesma espuma dos dias embrulhou astutos filósofos no engano. Martin Heidegger pensou Hitler como a salvação da Alemanha, repetindo a quimera humana, demasiado humana, que advém em todas as épocas de crise. Sartre e Nietzsche lançaram o dado da Liberdade insuportável no meio de seres que unicamente ambicionam o ergástulo. Nu de atavios e berloques, o comum dos mortais, perante o decorrer obrigatório dos dias, tenta… fintar o tempo.

[
Hawkwind – formados em 1969, por Dave Brock e Mick Slattery, com o baterista Terry Ollis. Os amigos de Brock, Nik Turner e Michael ‘Dik Mik’ Davies, que ajudavam a carregar e a montar o material, completaram a banda, no saxofone e nos sintetizadores, respectivamente. O seu nome deriva da alcunha de Nik Turner, que tinha uma chata mania de aclarar a garganta (hawking) e problemas de flatulência (wind). Os Hawkwind situam-se no campo do prog rock, pela experimentação nos sintetizadores, e o rock psicadélico, pelo LSD, os textos do escritor de ficção científica Michael Moorcock e as danças de Stacia, quase sempre nua com o corpo pintado de tinta fosforescente – “Assassins of Allah” D “Silver Machine” D “Master of the Universe” D “The Right Stuff”/ “Angels of Death” D no místico concerto em Stonehenge: parte1 D parte2 D parte3 D parte4 D parte5 D parte6 D “Utopia” D estranhamente new wave, excepto no título da canção, “Quark, Strangeness and Charm”, no programa TV de Marc Bolan.

Lemmy pertenceu ao grupo entre 71-75 onde aprendeu realidades da vida: como desenrascar-se a tocar guitarra baixo, experimentar speed e ácido, para escolher o primeiro, como droga de preferência, pelas suas vivaces propriedades e a satisfazer 100% as fãs. Em 1975, Lemmy foi apanhado na fronteira dos E.U.A. para o Canadá com anfetamina na bagagem, que a bófia confundiu com cocaína. Ele foi preso cinco dias e alguns concertos cancelados. Enfadados com o seu comportamento, os outros membros da banda, despendem-no. Junta-se ao guitarrista Larry Wallis, dos Pink Fairies para formar uma locomotiva de metal com o nome da última canção que escrevera para os Hawkwind, os Motörhead – “Iron Fist” D “R.A.M.O.N.E.S” D “Born to Raise Hell” D “Going To Brazil” D “Built for Speed” D “God Save the Queen” D com as Girlschool].
Mentir sobre a idade é um expediente demais vulgarizado. A lista estende-se infindável. Fidel Castro aumentou um ano para entrar na escola. Nancy Reagan, ainda chamada Davis, na sua carreira de genial artista, nas obras-primas como “Hellcats of the Navy” ou “Shadow on the Wall”, rejuvenesceu-se três anos, que actriz velha não tem cotação no mercado e só arranja emprego na Casa Branca. Al Capone acrescentou um ano de vida e a esposa, Mae Goughlin, retirou um. Até Scarlett Johansson atrasa a entrada na trintona gaveta.

Juventude tem vantagens. Dexteridade na
moderna tecnologia, colectânea de anedotas se for loira, sagacidade nos conhecimentos, ou exposição desinibida de talentos na Internet. Mas a mocidade feminina enferma de um mal que os especialistas denominam “bitching” (em português traduz-se por “cabrismo”, “cadelismo” ou, no vernáculo sentido literal, “filhadoputismo”). Ou seja, as jovens esgadanham-se mutuamente, sem razão aparente, embora alguns cientistas afirmem tratar-se de um aspecto mais feroz da competição pelo macho alfa. Portugal teve a honra de assistir a um exemplo desta “filhadaputice”, no reality show Masterplan, em 2003. No carro com o marido da altura, o másculo Luís, Gisela Serrano e a outra concorrente, Sandra Leão, são “cabras” uma para a outra.

Em Portugal, país de um povo superlativo, que melhora a qualidade de vida segundo após segundo, o “filhadoputismo” não é um comportamento negativo. Este caso proporcionou um momento único de TV e revelou mais dois talentos nacionais, a própria Gisela, e a mãe, Dilar Relvas, que, por arrasto da fama da filha, foi comentar as figuras do jet-set no programa do Goucha, na TVI.
[Refugee – fugaz grupo de prog rock fundado por dois ex-membros dos Nice, Brian Davison e Lee Jackson, com o futuro teclista dos Yes, Patrick Moraz – “Papillon” D “Gatecrasher” / “Ritt Mickley].
Nos outros países esta nefasta maleita inferniza as relações sociais e só se esbate com o encanecer. Um estudo publicado na revista Biology Letters demonstra que as mulheres pós-menopausa reagem de forma positiva a fotos de caras femininas. A comentadora do Telegraph logo deduziu que a fase “bitchy” – folhear a Vogue e murmurar “puta” quando aparece a foto da Charlize Theron ou da Nicole Kidman – estaria ultrapassada. O Daily Mail corroborou a opinião, descrevendo as jovens como sendo tão competitivas quanto os machos, apenas se produzem melhor: “pegam no pitbull interior e aplicam-lhe bâton”. No entanto, Petra Boynton contesta o rigor científico do estudo, afirmando que para lhe conferir “fiabilidade seria necessário seguir as mulheres durante um certo período de tempo, para confirmar se não mudaram de opinião, ou comparar o grupo com outras mais jovens, ou homens desempenhando a mesma tarefa”. E conclui com a suspeita de que os resultados destes três grupos seriam iguais.

Gilberto Madaíl desabafava face aos maus resultados futebolísticos lusos: “já me fartei de beber Água das Pedras”. Semelhante grupo etário, mas feminino, descobriu outro meio de curar contrariedades. Embarcam num avião e vão para o Quénia, Tailândia, ilha de Granada em excursões de turismo sexual. Gozam a fruta local ao sol e… na Jamaica o serviço de “
rent a dread” bate a Avis.

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Can – grupo de prog rock alemão formado na cidade de Colónia em 1968. Constituído por dois alunos de Karlheinz Stockhausen, o baixista Holger Czukay e o teclista Irmin Schmidt, o aluno de Czukay, Michael Karoli, na guitarra e o baterista Jaki Liebezeit. O nome foi proposto por Liebezeit como um acrónimo de “comunismo, anarquismo, niilismo” – “Paperhouse” D “Sing Swan Song” D “Deadlock” D “Mother Sky” D “Spoon” D “I’m Too Liese” D “Don’t Say No”.

Holger Czukay – após saída dos Can envolveu-se na experimentação de sons e colaborações com outros músicos – com Jah Wobble D com David Sylvian D com os Eurythmics D com os Trio D “Cool In the Pool” D “Ode to Perfume” D “The East Is Red”.

Damo Suzuki – cantado pelos The Fall, vocalista dos Can entre 1970-73, retirou-se da música em 1974, quando se casou com a namorada alemã, convertendo-se em testemunha de Jeová. Regressou em 83 e actualmente ainda toca com os Damo Suzuki’s Network].