Pratinho de Couratos

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sábado, dezembro 14, 2024

Macartismo, ao estilo europeu: a repressão das elites contra a dissidência na Ucrânia

Especialistas criticados porque os porta-vozes do Kremlin acabaram por ter razão

À medida que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia é enquadrada pelos políticos e comentadores no poder, na Europa e na América, como parte de uma suposta luta global entre democracias e autocracias, a qualidade da democracia no próprio Ocidente é afetada.

As vozes dominantes que defendem a vitória da Ucrânia e a derrota da Rússia, ambas definidas em termos maximalistas e cada vez mais inatingíveis, pretendem eliminar perspetivas mais ponderadas e matizadas, privando assim o público de um debate democrático sobre as questões existenciais da guerra e da paz.

Num padrão familiar em todo o Ocidente, académicos respeitados que previram corretamente o atoleiro em que a Ucrânia e o Ocidente se encontram agora foram difamados e deslegitimados como porta-vozes do Kremlin, sujeitos a assédio, marginalização e ostracismo.

A situação é particularmente alarmante na Europa. Enquanto o debate sobre a Ucrânia nos Estados Unidos é, numa medida preocupante, moldado por grupos de reflexão pró-militaristas, como o Atlantic Council, por políticos falcões e por especialistas neoconservadores, tem vindo a crescer um movimento de compensação constituído por vozes pró-contenção. Estas incluem o Defense Priorities, o CATO Institute, publicações como The Nation, à esquerda, e The American Conservative, à direita, e académicos como Stephen Walt, John Mearsheimer e Jeffrey Sachs, entre outros. Há mais espaço para vozes alternativas no discurso americano.

Na Europa, pelo contrário, os debates sobre política externa tendem simplesmente a fazer eco das vozes mais belicosos dentro do círculo de Washington.

A Suécia é uma ilustração particularmente reveladora dessa tendência. Depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, o governo e a classe política suecos rapidamente aderiram à NATO. No entanto, como me disse numa entrevista uma das principais académicas suecas de relações internacionais, Frida Stranne, “não se realizou um debate adequado sobre as questões-chave, como, por exemplo, se a agressão da Rússia contra a Ucrânia era, de facto, uma ameaça tão imediata à segurança da Suécia que esta tivesse de abandonar o estatuto de neutralidade de que gozava mesmo durante a Guerra Fria?” (Eu próprio posso testemunhar, do meu trabalho como conselheiro sénior de política externa no Parlamento Europeu no início de 2022, que mesmo alguns membros do partido social-democrata sueco, então no poder, ficaram horrorizados com o facto de o governo ter passado por cima de opiniões alternativas sobre a NATO).

Além disso, numa conversa comigo, Stranne, embora reconheça que a invasão da Ucrânia pela Rússia foi “uma violação flagrante do direito internacional”, apontou para as políticas dos EUA desde 2001, como a invasão do Iraque, observando que elas “ajudaram a minar os princípios legais internacionais e estabeleceram o precedente para outros países agirem ‘preventivamente’ contra ameaças percebidas”.

Na mesma entrevista, avisou também que “a recusa em aceitar uma solução negociada para a guerra na Ucrânia está a conduzir o mundo perigosamente perto da beira de um grande conflito militar entre a NATO e a Rússia”.

Enquanto nos Estados Unidos estes pontos são habitualmente defendidos por académicos bastante convencionais, na Suécia desencadearam uma campanha feroz contra Stranne e tornaram-na quase intocável nos meios de comunicação social e nos círculos de política externa. Os principais meios de comunicação social vilipendiaram-na como uma odiadora dos EUA e uma “Putinista”.

A Alemanha é outro exemplo de como o pensamento de grupo forçado levou à marginalização das perspetivas dissidentes nos debates políticos. O que é particularmente digno de nota é a rapidez e o radicalismo com que os falcões dos think tanks, dos média e dos partidos políticos conseguiram redefinir o debate num país anteriormente conhecido pela sua agora extinta Ostpolitik, uma política de compromisso pragmático com a União Soviética e, mais tarde, com a Rússia.

Um dos mais proeminentes especialistas em política externa da Alemanha, Johannes Varwick, da Universidade de Halle-Wittenberg, há muito que desafia a tendência e defende a diplomacia. Em dezembro de 2021, juntamente com uma série de antigos militares de alta patente, diplomatas e académicos, advertiu que uma deterioração maciça das relações com a Rússia poderia levar à guerra - devido, em parte, à recusa do Ocidente em levar a sério as preocupações de segurança da Rússia, principalmente relacionadas com as perspetivas de expansão da NATO para leste.

No entanto, essas opiniões valeram a Varwick acusações de “servir os interesses russos”. Por isso, como me disse numa entrevista, os seus “laços com os partidos políticos e os ministérios responsáveis pela condução da política externa e de segurança da Alemanha foram cortados”.

Os peritos dos países neutros também não foram poupados à marginalização. O professor austríaco Gerhard Mangott, um dos mais eminentes especialistas em Rússia no mundo germanófono, apontou para uma “responsabilidade partilhada” da Rússia, da Ucrânia e dos países ocidentais pelo fracasso na resolução pacífica do conflito ucraniano pós-2014. Esta análise, como Mangott me contou, levou à sua “excomunhão imediata pela comunidade científica de língua alemã, que rapidamente se voltou para o ativismo político e se tornou parte da guerra”.

A trágica ironia, claro, é que estas vozes ostracizadas provaram estar corretas na maior parte dos aspetos desta guerra.

Quando, apesar dos seus avisos, a invasão russa da Ucrânia ocorreu, Varwick, que a condenou como ilegal e inaceitável, apelou a mais esforços para encontrar uma solução negociada realista para o conflito. Como me disse, esta solução deveria “incluir, em primeiro lugar, um estatuto de neutralidade para a Ucrânia, com fortes garantias de segurança para o país. Em segundo lugar, haveria mudanças territoriais na Ucrânia que não seriam reconhecidas pelo direito internacional, mas que devem ser aceites como um modus vivendi temporário e, em terceiro lugar, deve ser oferecida a perspetiva de suspensão de algumas sanções no caso de uma mudança no comportamento da Rússia”.

Em março de 2022, tanto a Ucrânia como a Rússia estiveram perto de um acordo que seguia, em linhas gerais, estes mesmos parâmetros. O acordo não resultou porque, entre outras razões, o Ocidente encorajou a Ucrânia a acreditar que era possível uma “vitória” militar. O papel do então primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, no enfraquecimento das conversações é agora geralmente reconhecido. O que é, no entanto, particularmente surpreendente é que o próprio Johnson admitiu recentemente que via a guerra na Ucrânia como uma guerra por procuração contra a Rússia - uma afirmação feita por Stranne e Trita Parsi do Instituto Quincy em seu livro de 2023, em sueco, “The Illusion of American Peace”, pelo qual foram criticados por supostamente empurrar narrativas russas.

No final de 2024, perante as crescentes dificuldades no campo de batalha, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky dá sinais de que poderá aceitar alguns dos elementos delineados por Varwick, nomeadamente, aceitar algumas perdas territoriais de facto para evitar perdas ainda maiores caso a guerra continue.

Atualmente, a Ucrânia está mais longe de conseguir qualquer coisa que se assemelhe remotamente a uma vitória militar do que em qualquer outro momento desde fevereiro de 2022. Contrariamente às expectativas dos EUA e da UE, as sanções não afundaram a economia russa nem alteraram as suas políticas da forma pretendida pelo Ocidente.

No próprio Ocidente, as forças políticas que apelam a negociações para pôr fim à guerra estão em ascensão, como evidenciado pela eleição de Donald Trump como presidente nos Estados Unidos e pela ascensão de partidos antiguerra na Alemanha, em França e noutros países da UE. As sondagens de opinião pública mostram sistematicamente a preferência da maioria dos europeus por um fim negociado da guerra.

A realidade é que, independentemente do resultado da guerra na Ucrânia, terá de ser restabelecido um modus vivendi entre o Ocidente e a Rússia para garantir, nas palavras de Varwick, “a sua coexistência numa Guerra Fria 2.0 sem uma escalada permanente”. Há muito que se impõe o restabelecimento de um debate democrático aberto sobre esta questão vital.

Ouvir os especialistas que têm um historial comprovado de análises corretas seria um primeiro passo necessário.

Eldar Mamedov

Fonte: Responsible Statecraft, 12 de dezembro de 2024

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sábado, dezembro 16, 2023

“Lembrem-se do Maine!” A história mostra como as mentiras podem espoletar guerras

"Uma mentira pode viajar meio mundo enquanto a verdade ainda está a calçar os sapatos", diz um ditado frequentemente atribuído a Mark Twain, embora Jonathan Swift possa ser a sua inspiração original.

Na semana passada, no meio de receios de que uma guerra mais vasta pudesse eclodir no Médio Oriente, o presidente dos EUA, Joe Biden, aproveitou o momento para reforçar a verdade e travar a perigosa espiral de desinformação, que muitas vezes conduziu a guerras, como já vimos antes na história.

O bombardeamento do Hospital Al-Ahli em Gaza, a 17 de outubro, que matou centenas de civis, foi uma tragédia terrível. Imediatamente a seguir à explosão, muitos meios de comunicação social reciclaram declarações dúbias do grupo militante islâmico Hamas, culpando Israel. "Ataque israelita mata centenas de pessoas no hospital, dizem os palestinianos", dizia um dos primeiros títulos do sítio Web do The New York Times. Os líderes árabes apressaram-se a condenar Israel.

Numa nota dos editores, na segunda-feira, o Times admitiu que "as primeiras versões da cobertura - e o destaque que recebeu num título, alerta de notícias e canais de redes sociais - basearam-se demasiado em afirmações do Hamas e não deixaram claro que essas afirmações não podiam ser imediatamente verificadas. O relatório deixou os leitores com uma impressão incorreta sobre o que era conhecido e o quão credível era o relato".

Biden, o Conselho de Segurança Nacional dos EUA e a comunidade de inteligência americana expressaram confiança de que o ataque ao hospital foi o resultado de um rocket errante disparado pela Jihad Islâmica Palestina, um grupo militante afiliado ao Hamas que os EUA e Israel consideram uma organização terrorista.

Esta avaliação baseou-se em provas de fonte aberta e proprietárias de áudio, vídeo, satélite, radar e infravermelhos, em comunicações intercetadas do Hamas que admitiam que um míssil perdido estava fora da rota e em vídeos que mostravam militantes palestinianos a disparar uma barragem de rockets perto do hospital, que depois não atingiram e explodiram dentro de Gaza.

As Forças de Defesa de Israel negaram categoricamente qualquer envolvimento no ataque ao hospital, atribuindo-o a um "lançamento falhado de um rocket" pela Jihad Islâmica palestiniana. O grupo negou as acusações de Israel.

Uma análise da CNN sugeriu que um rocket lançado de dentro de Gaza se partiu no ar e que a explosão no hospital resultou da aterragem de parte do rocket no complexo hospitalar. Especialistas em armas e explosivos afirmaram que as provas disponíveis de danos no local não eram consistentes com um ataque aéreo israelita.

Israel não tinha qualquer incentivo para bombardear um hospital civil, muito menos na véspera da chegada de Biden, uma vez que os Estados Unidos tinham reaberto as conversações com o Egipto, a Arábia Saudita, a Jordânia e a Autoridade Palestiniana.

As acusações do Hamas pareciam refletir a sua aparente sabotagem das extensões do Acordo de Abraão, 10 dias antes. Biden especulou, numa declaração da semana passada, que o motivo do Hamas para a invasão de Israel e o massacre de civis era fazer descarrilar um acordo de paz entre a Arábia Saudita, Israel e os EUA. "Penso que uma das razões pelas quais [o Hamas] agiu como agiu... é que sabiam que eu estava prestes a sentar-me com os sauditas", observou. "Os sauditas queriam reconhecer Israel.… e estavam prestes a reconhecer Israel. E isso iria, de facto, unir o Médio Oriente".

No entanto, apesar destes factos, o Médio Oriente está agora ainda mais inflamado por protestos maciços e por um virulento sentimento antiamericano e antissionista.

Informações falsas têm repetidamente conduzido e inflamado guerras longo da história.

A invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003, com o objetivo de eliminar as armas de destruição maciça de Saddam Hussein, baseou-se numa premissa falsa e em informações erróneas.

Lembrem-se do Maine!

O navio de guerra USS Maine explodiu no porto de Havana, Cuba, em 1898, matando mais de 260 marinheiros americanos. O presidente William McKinley acreditou inicialmente que o naufrágio tinha sido um acidente, mas os média inflamaram a opinião pública.

Jornais rivais, propriedade de William Randolph Hearst e Joseph Pulitzer, atribuíram o naufrágio a espanhóis hostis. "Remember the Maine!" ["Lembrem-se do Maine!"] tornou-se um grito de guerra contra Espanha. Em 1974, a Marinha dos Estados Unidos inverteu este ponto de vista, apresentando provas significativas de que a explosão se deveu a um incêndio a bordo de carvão.

O incidente do Golfo de Tonkin em 1964

Após um primeiro confronto entre as forças navais americanas e submarinos norte-vietnamitas em 2 de agosto de 1964, relatos de um segundo confronto na noite de 4 de agosto de 1964 levaram o Congresso dos EUA a aprovar a Resolução do Golfo de Tonkin três dias depois, autorizando o presidente Lyndon Johnson a enviar forças americanas para o Vietname e dando início à Guerra do Vietname.

Tanto o antigo secretário da Defesa dos EUA Robert McNamara como os principais líderes vietnamitas confirmaram, retrospetivamente, que os relatos de um ataque eram falsos, baseados em informações erradas e em deturpações de comunicações intercetadas.

A Guerra Mexicano-Americana em 1846

Quando o Congresso dos EUA estava a considerar declarar guerra depois de o México ter supostamente invadido território americano e matado soldados americanos, um então obscuro congressista do Illinois chamado Abraham Lincoln exigiu saber "o local específico do solo em que o sangue dos nossos cidadãos foi assim derramado".

Os soldados norte-americanos estavam a penetrar em território que, segundo os historiadores, era mexicano. Ainda assim, a inflamada opinião pública norte-americana levou o presidente James Polk a atuar e o Congresso a declarar guerra.

O incêndio do Reichstag e o Terceiro Reich em 1933

Quatro semanas após a tomada de posse de Adolf Hitler como chanceler da Alemanha, o Reichstag, sede do parlamento alemão em Berlim, foi incendiado.

Hitler condenou rapidamente os agitadores comunistas, utilizando o episódio como pretexto para suspender as liberdades civis, os partidos políticos rivais, uma imprensa independente e o assassínio de rivais. Hitler foi catapultado de um fraco chanceler suplente para um ditador com um poder sem precedentes que estabeleceu o Terceiro Reich.

Só depois da Segunda Guerra Mundial é que surgiram provas que sugeriam que os nazis tinham planeado e ordenado o incêndio e, em 2008, a Alemanha perdoou postumamente um bode expiatório falsamente acusado do fogo posto.

Estes exemplos históricos oferecem lições claras que são relevantes para o conflito atual. O discurso de Biden sobre Israel sublinhou o facto de se ter visado deliberadamente civis inocentes que foram violados, mutilados, torturados e massacrados, tendo os seus corpos sido queimados vivos.

E abordou também o sofrimento dos palestinianos em Gaza, exacerbado pelo aparente erro de disparo de um míssil de um grupo militante palestiniano que atingiu por engano um hospital de Gaza, e insistiu no acesso à assistência humanitária aos habitantes de Gaza, incluindo mais 100 milhões de dólares dos EUA para os palestinianos.

As conclusões mais profundas do discurso de Biden são a necessidade de o mundo parar, recuperar o fôlego, atribuir a culpa com exatidão e não vilipendiar ainda mais as vítimas ou permitir que os vilões apareçam como vítimas.

Fonte: CNN Portugal, 27 de outubro de 2023

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quinta-feira, fevereiro 23, 2023

EUA alargam sanções ao Nord Stream2 e aos seus gestores

A Casa Branca decidiu impor sanções e ao Nord Stream2 e aos seus gestores. Esta decisão junta-se ao pacote de sanções contra a Rússia anunciado na terça-feira pelos Estados Unidos, perante a escala de tensões geopolíticas na Ucrânia.

“Hoje [quarta-feira, 23 de fevereiro] orientei a minha administração a impor sanções ao Nord Stream 2 AG e aos seus gestores corporativos”, anunciou o presidente dos Estados Unidos, em comunicado divulgado esta quarta-feira. Estas medidas juntar-se-ão ao pacote de sanções anunciado pelo governo norte-americano. “Como deixei claro, não hesitaremos em tomar novas medidas se a Rússia continuar a escalar”, garante a administração de Joe Biden.

Esta decisão surge depois de o chanceler alemão ter anunciado na terça-feira que a Alemanha ia suspender a certificação do gasoduto Nord Stream2, que liga a Rússia à Alemanha, através do Báltico. O objetivo é “fornecer uma resposta forte e unificada”, aponta ainda o comunicado.

Na terça-feira, os Estados Unidos decidiram fechar a torneira de financiamento à Rússia, proibindo a emissão de nova dívida soberana russa e reforçar a presença de tropas norte-americanas para os países da NATO com fronteira com a Rússia e a Ucrânia. Além disso, a Casa Branca avançou também com sanções que incidem sobre o sistema financeiro, sendo que, neste âmbito, o banco russo VEB e um banco militar ficam sem acesso ao dólar.

Fonte: Eco, 23 de fevereiro de 2022

Foto: “Assault Bots”

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Twitter suspendeu perfis que partilhavam imagens da invasão russa da Ucrânia

Depois de suspender temporariamente perfis que partilhavam imagens da invasão russa da Ucrânia, o Twitter diz ter cometido erros em alguns casos. Investigadores suspeitam de uma campanha massiva de denúncias perpetrada pela Rússia.

Nos últimos dias, têm chegado às redes sociais diversos relatos sobre a invasão russa de territórios ucranianos. Imagens e vídeos dão-nos uma ideia do que se passa no país, numa altura em que o conflito armado parece iminente e inevitável.

À medida que o conflito intensifica, são cada vez mais os investigadores que se dedicam a reunir e a partilhar estes registos nas suas próprias contas. No Twitter, contudo, os conteúdos parecem estar vedados, uma vez que a resposta da rede social tem passado por suspender estes perfis.

Kyle Glen dá conta de ter tido a sua conta suspensa por 12 horas, no passado dia 22 de fevereiro, bem como Oliver Alexander - este último por duas vezes no espaço de apenas um dia. A plataforma francófona, Neurone Intelligence, a espanhola, Mundo en Conflicto, e a brasileira, Notícias e Guerras, também foram afetadas.

Uma thread compilada por Nick Waters, analista da Bellingcat, uma plataforma de inteligência baseada em conteúdos open-source (OSINT), lista mais uma dezena de outras contas suspensas.

De acordo com o que tem sido partilhado por alguns destes investigadores, o Twitter tem justificado as suspensões com alegadas “violações das suas regras de conduta”, embora não especifique quais dessas regras foram infringidas. Alguns dos envolvidos receiam que a decisão de desligar estas contas temporariamente esteja relacionada com uma campanha de denúncias para perturbar a atividade destas agências e investigadores.

Elizabeth Busby, porta-voz do Twitter, já comentou o caso. “Estamos a monitorizar, proativamente, a emergência de narrativas que violem as nossas regras de conduta e, neste caso, cometemos erros ao tomar medidas de fiscalização contra algumas contas”, explicou, acrescentando que a empresa já está a “rever estas situações”. Busby é peremptória em afirmar que as suspensões não foram o resultado de uma campanha de denúncias conduzida por bots, como foi sugerido.

Quando questionada pelo The Verge sobre que regras poderiam estar a ser violadas pela partilha deste conteúdo, Busby aludiu à política de conteúdos sintéticos e manipulados, sob a qual é proibida a partilha de imagens e vídeos “sintéticos, manipulados ou fora de contexto, que possam enganar ou confundir as pessoas e causar danos”. A diretriz visa impedir a disseminação de informação falsa, mas a porta-voz não clarificou como é que os perfis visados infringiram a mesma.

(…).

O caso levanta algumas suspeitas, uma vez que, no passado, a Rússia conduziu campanhas de desinformação junto de utilizadores ucranianos e foi por várias vezes acusada de utilizar as redes sociais como arma, provendo a disseminação de notícias falsas, especialmente durante o conflito que resultou na anexação da Crimeia, em 2014. Os apoiantes da Ucrânia estão preocupados que a suspensão de contas OSINT possa beneficiar os objetivos militares do Kremlin.

Fonte: Casa dos bits, 24 de fevereiro de 2022

Foto: Canela Skin, tcc Ivana Ramirez, 1,61 m, 49 kg, 86-58-84, sapatos 36, olhos castanhos, cabelos pretos, nascida a 6 de julho de 1991 em Cali, Colômbia.

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Guerra América - Rússia

Paulo Rangel

“Mas, enfim, sinceramente isto aqui, do meu ponto de vista, a análise militar propriamente no terreno não é uma coisa em que eu seja especialista. Do meu ponto de vista, o que interessa aqui é verificar que tudo aponta ehh ehh tudo confirma a ideia de que há aqui uma invasão ehh ehh geral e global. E isto tem a ver muito com Putin e com a forma como eu sinceramente até aqui na própria CNN já encontrei vários comentadores que continuam em estado de negação, do meu ponto de vista, não é?

Putin é uma ameaça à segurança global e vai continuar a ser. E, portanto, a reação que nós tamos a ter parece-me que é uma reação um pouco tíbia. Acho que as pessoas não perceberam bem com quem estão a lidar ehh ehh ehh há aqui muitas semelhanças, têm sido feitas muitas semelhanças com Hitler. Não interessa agora, sob o ponto de vista ideológico, se é a mesma coisa ou se não é, ou se há ou não há essas identidades, mas do ponto de vista procedimental há muitas, há de facto semelhanças impressionantes com o final dos anos 30, em vários capítulos, em vários respeitos.”

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NATO refere que decisão de invasão foi erro estratégico e que “Rússia pagará um preço elevado”

Os chefes de Estado e de Governo da NATO declararam hoje que a decisão do Presidente russo, Vladimir Putin, de invadir a Ucrânia “é um erro estratégico pelo qual a Rússia pagará um preço elevado” económica e politicamente.

Num comunicado conjunto, divulgado após a reunião de hoje em Bruxelas destinada a debater aquela que classificaram como “a mais grave ameaça à segurança Euro-Atlântica em décadas”, os Estados-membros da Organização do Tratado do Atlântico-Norte (NATO) condenaram “nos termos mais fortes possíveis” a “invasão em larga escala da Ucrânia, facilitada pela Bielorrússia”, que teve início na quinta-feira.

“Instamos a Rússia a cessar imediatamente a sua agressão militar, a retirar todas as suas forças da Ucrânia e a recuar em relação ao caminho de violência que escolheu”, lê-se no documento.

“Este ataque longamente planeado à Ucrânia, um país independente, pacífico e democrático, é brutal e totalmente não-provocado e injustificado. Lamentamos a trágica perda de vidas, o enorme sofrimento humano e a destruição causados pelas ações da Rússia”, prosseguiram os dirigentes dos Estados-membros da Aliança Atlântica, para quem “a paz no continente europeu foi essencialmente destruída”.

Defendendo que “o mundo considerará a Rússia responsável, bem como a Bielorrússia, pelas suas ações”, os chefes de Estado e de Governo da NATO apelaram “a todos os Estados para condenarem sem reservas este ataque inconcebível” e sublinharam que “ninguém deve deixar-se enganar pelo chorrilho de mentiras do Governo russo”.

“A Rússia é a única responsável por este conflito: rejeitou a via da diplomacia e do diálogo repetidamente proposta pela NATO e seus aliados; violou os fundamentos do direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas” e “as suas ações são também uma flagrante rejeição dos princípios consagrados na Ata Fundadora NATO-Rússia”, porque “foi a Rússia que se afastou do compromisso assumido na Ata”.

A decisão do Presidente Putin de atacar a Ucrânia é um terrível erro estratégico, pelo qual a Rússia pagará um preço elevado, tanto económica como politicamente, nos próximos anos”, lê-se no texto, que precisa que “já foram impostas sanções em massa e sem precedentes à Rússia” e que a NATO “continuará a coordenar-se estreitamente com os atores relevantes e outras organizações internacionais, incluindo a União Europeia”, indicando que, a convite do secretário-geral, participaram na reunião de hoje representantes da Finlândia, da Suécia e da União Europeia.

Fonte: Sapo24, 25 de fevereiro de 2022

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Combate à glorificação do nazismo volta a não ter o apoio de UE e NATO

A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução a favor do combate à «glorificação do nazismo e do neonazismo». Portugal, tal como os demais países da União Europeia e da NATO, votou contra.

A resolução intitulada «Combater a glorificação do Nazismo, Neonazismo e outras práticas que contribuem para alimentar formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionada» foi apresentada pela Rússia, em conjunto com outros países.

O documento foi aprovado, esta quinta-feira, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, com 120 votos a favor, 50 votos contra e dez abstenções, segundo revela o gabinete de imprensa do organismo multilateral.

A resolução, que é apresentada anualmente pela Rússia, desta vez foi também coescrita por África do Sul, Azerbaijão, Bielorrússia, Cuba, Guiné Equatorial, Laos, Mali, Nicarágua, Paquistão, República Centro-Africana, República Popular Democrática da Coreia, Síria, Sudão, Venezuela e Vietname.

O texto expressa «profunda preocupação sobre a glorificação, sob qualquer forma, do movimento nazi, do neonazismo e de antigos membros da organização Waffen-SS».

Essa preocupação também abrange a «construção de monumentos e memoriais», assim como a «celebração de manifestações em nome da glorificação do passado nazi, do movimento nazi e do neonazismo» – algo que ocorreu nos últimos anos, de modo frequente, em países como a Ucrânia, a Letónia, a Estónia, a Lituânia e a Polónia.

Os autores do texto alertam ainda, com «profunda preocupação», para «o aumento da frequência das tentativas de profanação ou destruição de monumentos erguidos em memória daqueles que lutaram contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, assim como dos casos de exumação ilegal ou trasladação dos restos mortais dessas pessoas».

A resolução «encoraja os estados a desenvolver e a implementar planos de ação nacionais para eliminar o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e as formas relacionadas de intolerância», de modo que, entre todos, se possa monitorizar o fenómeno do «nazismo, neonazismo e negação do Holocausto».

Fonte: Abril, 17 de dezembro de 2022

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Declaração de voto sobre uma resolução sobre a glorificação do nazismo

Jason Mack

Conselheiro para Assuntos

Económicos e Sociais Missão dos EUA nas Nações Unidas

Nova Iorque

18 de novembro de 2020

Presidência - Os Estados Unidos juntam-se à comunidade mundial na comemoração do 75º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. Honramos as corajosas contribuições e o heroísmo e sacrifício das nações aliadas e dos seus militares na derrota da Alemanha nazi em 1945. Também nos juntamos à comunidade internacional na condenação da glorificação do nazismo e de todas as formas de racismo, xenofobia, discriminação e intolerância. Na luta contra a tirania assassina do nazismo, os Estados Unidos também lutaram pela liberdade, dignidade e direitos humanos de todos - incluindo o nosso firme compromisso com a liberdade de expressão.

Hoje, porém, os Estados Unidos devem expressar oposição a esta resolução, um documento muito notório pelas suas tentativas dissimuladas de legitimar narrativas de desinformação russas de longa data que denigrem as nações vizinhas sob o cínico pretexto de deter a glorificação nazi. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos tem consistentemente afirmado o direito constitucional à liberdade de expressão e os direitos de reunião e associação pacífica, inclusive por nazis declarados, cujo ódio e xenofobia são amplamente desprezados pelo povo americano. Ao mesmo tempo, defendemos com firmeza os direitos constitucionais daqueles que exercem os seus direitos de combater a intolerância e expressamos uma forte oposição ao odioso credo nazi e a outros que abraçam ódios semelhantes.

Apesar de expressarmos consistentemente as nossas preocupações com a delegação russa e de propormos revisões para proteger contra restrições inaceitáveis à liberdade de expressão, as nossas recomendações, destinadas a melhorar e reforçar esta resolução, têm sido ignoradas. Desencorajamos os Estados a invocar o Artigo 4 da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial e o Artigo 20 do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, numa tentativa de silenciar opiniões indesejáveis ou de desculpar a sua incapacidade de combater a intolerância.

Por estas razões, os Estados Unidos votaram contra cada nova versão desta resolução desde 2005 e são, mais uma vez, obrigados a votar "Não" nesta resolução, e apela aos outros Estados para que façam o mesmo.

U.S. Mission to the United Nations, 18 de novembro de 2020

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Somente EUA e Ucrânia votaram contra resolução da ONU de combate ao nazismo

 

Resolução aprovada pela ONU em dezembro de 2021 manifesta preocupação com a glorificação do nazismo em alguns países, como aconteceu na Ucrânia após a deposição de presidente pró-Rússia

Desde que a Rússia lançou ofensiva militar contra a Ucrânia, na madrugada do dia 24 de fevereiro, muito se tem falado sobre a atuação de grupos neonazis, inclusive dentro do governo, no país comandado por Volodymyr Zelensky. O presidente russo, Vladimir Putin, inclusive, tem afirmado, ao “justificar” os ataques, que procura “desnazificar” o país.

Ainda que não seja possível classificar o governo de extrema direita ucraniano de nazi como um todo, é facto que grupos com inspirações extremistas e nazis ascenderam no país ao longo dos últimos anos, principalmente após o movimento “Euromaidan” de 2014, apoiado pelos Estados Unidos, que culminou na queda do então presidente Viktor Yanukovych, que era aliado ao governo da Rússia. De lá para cá, símbolos nazis e exaltação de antigos colaboradores ucranianos ao regime de Adolf Hitler passaram a ser mais comuns na nação do leste europeu.

Fonte: Revista Fórum, 25 de fevereiro de 2022

EUA votam contra resolução das Nações Unidas a condenar nazismo

Os Estados Unidos anunciaram ter sido um dos três países a votar contra uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) a condenar a glorificação do nazismo por preocupações com questões de liberdade de expressão.

A resolução "Combater a glorificação do Nazismo, Neonazismo e outras práticas que contribuem para alimentar formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionada" foi aprovada pelo comité dos Direitos Humanos da ONU na quinta-feira com 131 votos a favor, três contra e 48 abstenções.

A Ucrânia e o Palau foram os outros países a votar contra.

"Devido ao âmbito excessivamente estreito e natureza politizada desta resolução, e porque exige limites inaceitáveis à fundamental liberdade de expressão, os Estados Unidos não podem apoiá-la", justificou a missão norte-americana num comunicado.

Fonte: RTP, 16 de novembro de 2016

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segunda-feira, janeiro 02, 2023

Empresário


Locutor: “Este patriotismo é algo novo, porque existe esta oposição com a Rússia? Ou os ucranianos, para si, sempre foram muito amantes da sua própria pátria?”

Pedro Rias: “Não, acho que não. Acho que neste momento sim. Neste momento são. Eu, por exemplo, tenho amigos meus que estão a falar ucraniano como nunca os vi falar ucraniano, todas as idades.”

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terça-feira, dezembro 06, 2022

YouTube bloqueia monetização de canais russos


O YouTube anunciou neste sábado vai bloquear a possibilidade de alguns canais russos, como o da RT, monetizarem o seu conteúdo na plataforma, devido “às circunstâncias excepcionais” na Ucrânia, invadida pela Rússia.

O YouTube também adiantou ter limitado o acesso ao RT (antes chamado Russia Today) e a outros canais russos na Ucrânia, país invadido nesta semana por tropas russas.

A receita com o YouTube é obtida por meio da ativação de anúncios nos vídeos. “Devido às circunstâncias excecionais na Ucrânia, estamos a tomar uma série de medidas”, anunciou um porta-voz da empresa. “As nossas equipas começaram a suspender a possibilidade de alguns canais monetizarem no YouTube, incluindo os canais RT em todo o mundo”, assinalou.

A plataforma especificou que “serão bastante limitadas” as recomendações aos utilizadores para que assistam a esses canais. “Em resposta a um pedido de um governo, restringimos o acesso ao RT e vários outros canais na Ucrânia”, informou.

No começo do mês, a Alemanha proibiu a rede RT no seu território, o que levou Moscovo a fechar o escritório local da emissora alemã pública Deutsche Welle. O Ocidente acusa a RT de contribuir para a desinformação.

A RT foi criada em 2005, é financiada pelo estado russo e possui emissoras e sites em vários idiomas, principalmente inglês, francês, espanhol, alemão e árabe.

Fonte: Sapo24, 26 fevereiro de 2022

Foto: a reportagem “A Day in The Life of a Pornstar” (2017), sobre o quotidiano de Mai Li.

Mia Li, tcc Mia Little / Pauline Popsicle, 1,54 m, 57 kg, 86-66-89, sapatos 37, ½, olhos castanhos, cabelos pretos, nascida a 28 de maio de 1990 em Astoria, Nova Iorque.  

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Jornalismo

Afinal, os 13 militares ucranianos que disseram a um navio russo “vá-se foder” podem estar vivos

Os 13 soldados ucranianos que se acredita terem morrido a defender a ilha de Zmiinyi, no Mar Negro, 300 km a oeste da Crimeia, depois de terem trocado comunicações com o inimigo e dito “navio de guerra russo, vá-se foder”, afinal podem estar vivos, de acordo com as autoridades fronteiriças ucranianas.

“Nós [temos] uma forte crença de que todos os defensores ucranianos da ilha de Zmiinyi (Snake) podem estar vivos”, escreveu o Serviço de Guarda de Fronteiras do Estado da Ucrânia num comunicado publicado no Facebook.

A Guarda de Fronteiras revelou ainda já ter recebido informações sobre a possível localização dos guardas fronteiriços e que está agora a trabalhar com as Forças Armadas da Ucrânia para localizá-los.  

As informações de que os soldados tinham morrido perante a invasão da ilha do inimigo deram-se ainda antes do Serviço de Guarda de Fronteiras ter perdido contacto com estes.

“Esperamos sinceramente que os rapazes voltem para casa o mais rápido possível”, disse, acrescentando que espera que os relatos da morte dos soldados sejam incorretos. “Glória aos defensores ucranianos!” acrescentou.

Após o primeiro dia da invasão russa, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky falou ao país para contar a história dos 13 guardas fronteiriços mortos pelas forças russas quando defendiam a ilha de Zmiinyi, também conhecida como Snake Island [Ilha Cobra], anunciando que lhes ia prestar uma homenagem póstuma.

Na nossa ilha de Zmiinyi, defendendo-a até ao fim, todos os guardas fronteiriços morreram como heróis”, disse Zelensky. “Mas não desistiram”.

O ato de heroísmo ganhou também um lado viral quando as comunicações começaram a ser partilhadas nas redes sociais. Segundo um excerto áudio da conversa entre os guardas da ilha e a embarcação russa, citado pela imprensa ucraniana e internacional, quando as forças de Moscovo ordenaram a rendição, os guardas ucranianos responderam: “navio de guerra russo, vá-se foder”.

Fonte: Sapo24, 27 de fevereiro de 2022

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Polónia denuncia em Berlim “egoísmo de betão” dos países ocidentais

O primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, denunciou hoje em Berlim “o egoísmo de betão” de vários países ocidentais, entre os quais a Alemanha, pedindo sanções “esmagadoras” após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Hoje não é o momento de fazer prova do egoísmo de betão que vemos em certos países ocidentais, inclusive aqui na Alemanha, infelizmente”, disse o governante polaco aos jornalistas depois de um encontro com o chanceler alemão, Olaf Scholz.

Citado pela agência France-Presse (AFP), o primeiro-ministro polaco disse que foi a Berlim “para abanar consciências, para abanar a consciência da Alemanha, para que eles [os alemães] se decidam finalmente a impor sanções verdadeiramente esmagadoras” contra a Rússia.

O chefe do Governo da Polónia qualificou, na quinta-feira, a agressão russa contra a Ucrânia como “barbárie” que “deve enfrentar a firme resistência de todo o mundo livre”.

A Polónia, membro da NATO e da União Europeia, partilha com a Ucrânia uma fronteira de 535 quilómetros.

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já provocaram pelo menos 198 mortos, incluindo civis, e mais de 1100 feridos, em território ucraniano, segundo Kiev. A ONU deu conta de 120 000 deslocados desde o primeiro dia de combates.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de o país se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

Fonte: Notícias ao Minuto, 26 de fevereiro de 2022

Foto: Lorenzo Renzi.

Modelo: Viola Bailey, tcc Viola / Viola O / Annabelle / Judy Violette / Vanea H / Viola Baileys / Viola Bailey’s / Viola Oh / Viola Paige / Violetta Banks, 1,65 m, 55 kg, 86-61-91, sapatos 38, olhos verdes, cabelos castanhos, nascida a 3 de março de 1993 em Riga, Letónia.

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Pessoas próximas de Trump pedem que antigo presidente não elogie Putin

Muitos dos seus conselheiros na presidência mostram-se surpreendidos pelas referências positivas de Donald Trump a Vladimir Putin.

“Fiquei surpreendido em ouvir estes elogios”, disse Dan Coats, um dos diretores dos serviços secretos americanos para Donald Trump, em declarações a The Daily Beast na quinta-feira. “Não consigo pensar num outro presidente que nesta situação diria o que ele disse”.

Os vários elogios levaram no último dia muitos dos seus associados a pedirem a Trump que evite falar em termos favoráveis de Vladimir Putin. Um dos seus conselheiros pediu ao antigo presidente norte-americano, de acordo com The Daily Beastque falasse apenas das fraquezas de Joe Biden.

No entanto, Donald Trump não está a seguir os conselhos daqueles que são mais próximos. Um programa televisivo norte-americano, The Clay Travis & Buck Sexton Show, mostrou na última terça-feira um excerto de uma entrevista do 45º presidente do Estados Unidos em que falava da tática de Putin na Ucrânia como “genial” e sugeria que os Estados Unidos deviam fazer o mesmo na fronteira com o México para parar a imigração.

Numa gala de angariação de fundos, na última quarta-feira, Trump não se coibiu de elogiar o presidente russo. “Quer dizer, ele está a invadir um país e sofre sanções fracas. Parece-me uma coisa muito inteligente”. Trump garantiu também que, se ainda fosse presidente, Putin nunca invadiria a Ucrânia.

Esta seria a situação ideal para arrastar Joe Biden numa onda de insultos por uma ação fraca sobre as ações da Ucrânia. No entanto, as opiniões de Trump estão a causar mal-estar e muitos membros do Partido Republicano preferiam que o antigo presidente não falasse sobre o assunto.

Rudy Giuliani, advogado de Trump, afina pelo mesmo diapasão e disse à comunicação social que Joe Biden não sabe o que está a fazer e que Putin jogou este jogo diplomático como se fosse o maestro de uma sinfonia.

“Ele jogou com esta situação para fazer Biden parecer cada vez mais parvo. Eles [Rússia] têm um presidente, nós não”.

Muitos republicanos preferem ignorar Trump e atacar diretamente o presidente Biden. Caso da republicana Elise Stefanik, que declarou que Biden mostrou inação em relação à invasão da Ucrânia, apesar das sanções impostas à Rússia. Uma crítica repercutida por outros republicanos.

“Estamos a testemunhar a política de guerra de Joe Biden através da sua fraqueza”, disse Stefanik no Twitter. “No último ano, os nossos adversários em todo o mundo têm medido a liderança de Joe Biden no palco mundial e ele falhou em todos os parâmetros”, concluiu.

Fonte: RTP, 26 de fevereiro de 2022

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segunda-feira, novembro 07, 2022

Soldados digitais

Hackers do mundo, uni-vos! Governo da Ucrânia recruta soldados digitais para ajudar na ciberguerra

Mykailho Fedorov, vice-primeiro ministro e ministro da Transformação Digital da Ucrânia, pediu no Twitter apoio para formar um exército digital. O grupo de hackers Anonymous já reivindicou a responsabilidade de vários ciberataques dirigidos a vários sites governamentais russos

Enquanto os confrontos se intensificam no terreno, com combates nas principais cidades da Ucrânia, há uma nova frente de batalha a decorrer na internet e na darkweb. Trata-se da ciberguerra, uma luta que pode ajudar a enfraquecer o inimigo e mobilizar as populações.

Ontem ao final do dia, Mykailho Fedorov, Vice-Primeiro Ministro e Ministro da Transformação Digital da Ucrânia, colocou um apelo no Twitter a recrutar todos os que se queiram juntar a este exército digital.

“Estamos a criar um exército de TI. Precisamos de talentos digitais. Todas as tarefas operacionais serão dadas aqui:https://t.me/itarmyofuraine. Haverá tarefas para todos. Continuamos a lutar na frente cibernética. A primeira tarefa está no canal para especialistas cibernéticos”, lê-se no tweet publicado ontem.

O exército armado da Ucrânia, assim é apelidado, utiliza o Telegram, um serviço alternativo de mensagens instantâneas, para partilhar informação. O canal já tem mais de 21 mil subscritores.

A ideia é estes voluntários do submundo hacker combaterem com armas digitais nesta guerra cibernética. O objetivo é criar uma unidade defensiva para proteger a infraestrutura ucraniana, como usinas de energia e sistemas de água. Além disso, esta unidade de voluntários vem também ajudar as forças militares ucranianas a realizar operações de espionagem digital contra as forças invasoras russas

Além do recrutamento de hackers, o governo ucraniano tem vindo a conduzir uma guerra de memes nas redes sociais, com caricaturas políticas e piadas sobre Putin e a Rússia. Segundo o New York Post, há também outro tipo de arma: a sedução digital. Os soldados russos estão a comunicar com mulheres ucranianas no Tinder, abrindo a possibilidade de inteligência militar criar perfis falsos e descobrir locais e movimentos de tropas.

Os danos causados por este tipo de guerra podem ser assinaláveis. Um conflito a este nível pode ter um forte impacto nos dois países, que embora protegidos, têm sempre vulnerabilidades nos seus sistemas.

Fonte: Visão, 27 de fevereiro de 2022

Foto: Asia Carrera, tcc Jessica Bennett / Asia / Asia Carera / Asian Carrera, 1,75 m, 50 kg, 91-66-91, sapatos 42, olhos castanhos, cabelos pretos, nascida Jessica Andrea Steinhauser a 6 de agosto de 1973 em Nova Iorque.

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As trombetas do apocalipse

O sétimo selo

Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu por mais ou menos meia hora. Então vi os sete anjos, que se acham em pé diante de Deus, e vi que lhes foram dadas sete trombetas.

Depois veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar. Ele estava com um incensário de ouro e foi-lhe dado muito incenso para ser oferecido com as orações de todo o povo de Deus sobre o altar de ouro que se encontra diante do trono. E a fumaça do incenso, juntamente com as orações do povo de Deus, subiu da mão do anjo à presença de Deus. E o anjo pegou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o atirou à terra. E houve trovões, barulhos, relâmpagos e terremoto.

As trombetas dos sete anjos

Então os sete anjos que tinham as trombetas prepararam-se para tocá-las. O primeiro anjo tocou a sua trombeta e fogo e uma chuva de pedras misturados com sangue foram atirados à terra. Uma terça parte da terra foi queimada, assim como uma terça parte das árvores e toda erva verde.

O segundo anjo tocou a sua trombeta e uma coisa, que parecia uma grande montanha pegando fogo, foi atirada ao mar. Uma terça parte do mar tornou-se em sangue, terça parte dos animais que viviam no mar morreu e uma terça parte das embarcações foi destruída.

O terceiro anjo tocou a sua trombeta e uma grande estrela, que estava queimando como uma tocha, caiu do céu sobre uma terça parte dos rios e sobre as fontes de água. Uma terça parte das águas se tornou em absinto (pois o nome da estrela era Absinto) e muitas pessoas morreram porque beberam daquela água, uma vez que ela tinha se tornado amarga.

O quarto anjo tocou a sua trombeta e uma terça parte do sol, da lua e das estrelas foi ferida, de modo que uma terça parte deles se tornou escura. Assim, uma terça parte do dia e da noite ficou sem luz.

Depois eu olhei e ouvi uma águia que voava no meio do céu e dizia em voz alta:

—Ai! Ai! Ai dos que moram na terra, por causa dos restantes sons de trombeta que os outros três anjos ainda têm que tocar!”

Livro do Apocalipse

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Dinheiro

UE dá luz verde a pacote de 450 milhões de euros para armar exército ucraniano

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia deram aval a um pacote de 450 milhões de euros para financiar o fornecimento de armas letais ao exército ucraniano, que luta contra a invasão russa, anunciou o chefe da diplomacia europeia.

“Decidimos usar as nossas capacidades para fornecer armas, armas letais, assistência letal, ao exército ucraniano com um pacote de apoio no valor de 450 milhões, a que acrescem mais 50 milhões para fornecimento de material não letal, designadamente combustível e equipamento de proteção”, anunciou em Bruxelas o Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Josep Borrell.

Falando numa conferência de imprensa no final de uma videoconferência dos chefes de diplomacia dos 27, o chefe da diplomacia europeia explicou que, tendo sido esta uma reunião informal ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros, o que resultou deste Conselho extraordinário foi a aprovação do financiamento do armamento.

E para segunda-feira foi já agendada uma reunião de ministros da Defesa, “para coordenar como converter esta assistência em material, e como transportar o material para a linha da frente, para as forças armadas ucranianas que lutam contra a invasão russa”, acrescentou.

Borrell aproveitou a oportunidade para “agradecer à Polónia, que se ofereceu para ser ‘hub’ logístico para a transferência desta assistência material à Ucrânia”.

“Sei que o termo histórico é muitas vezes sobreutilizado e abusado, mas este é certamente um momento histórico, por duas razões: primeiro, porque é primeira vez desde o fim da II Guerra Mundial que um poder militar invade outro Estado soberano, em violação da ordem internacional, em segundo, porque os europeus têm reagido de uma forma que surpreendeu muita gente, a começar pelos russos”, disse.

No seguimento dos anúncios feitos durante a tarde pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Borrell anunciou que, além de ter dado luz verde ao pacote de apoio às forças armadas ucranianas, o Conselho também deu “o seu acordo político a um novo pacote de sanções, a compromissos diplomáticos para isolar a Rússia, medidas de apoio à Ucrânia e região, e de combate à desinformação”.

Nada mau”, comentou, sublinhando o acordo, em conjunto com as potências do G7, de bloquear as transações do Banco Central russo, que terá “mais de metade das suas reservas congeladas”, dado encontrarem-se em estabelecimentos de países do G7.

Borrell especificou que, após o acordo político dos 27, serão desenvolvidos todos os passos legais nas próximas horas, de modo à adoção formal da medida antes da abertura dos mercados, na segunda-feira.

Durante a tarde, numa declaração à imprensa, Von der Leyen já anunciara, além da inédita proposta de fornecimento de armas à Ucrânia, mais sanções dirigidas à Rússia, tais como “o encerramento do espaço aéreo da UE a aeronaves de propriedade russa, registadas ou controladas pela Rússia”, incluindo os jatos privados dos oligarcas, que “não poderão aterrar, descolar ou sobrevoar o território da UE”, e medidas para “proibir os oligarcas russos de utilizarem os seus ativos financeiros nos mercados europeus”.

Borrell precisou que a lista alargada de sanções, que passa a contemplar oligarcas e homens de negócios próximos do Kremlin, será divulgada na segunda-feira.

Fonte: Sapo24, 27 de fevereiro de 2022

Foto: Sophia Lucci, tcc Nadia Bahr / Peujon Nazifi, 1,62 m, 50 kg, 86-61-86, sapatos 37 ½, olhos castanhos, cabelos pretos, nascida a 7 de abril de 1983 em Pittsburgh, Pensilvânia.

A poeira levantada pela penetração russa na Ucrânia é uma ocasião sem-par de laboratório sociológico. A sociedade moderna pugnou por ter cada vez mais mulheres em postos de poder político, agora temos condições para estudar os seus efeitos sobre o quotidiano dos povos. 

A escalada da tomada de decisões sem avaliar as consequências em quem produz, em quem não tem um vencimento certo, pago pelos contribuintes, é um mau presságio, pois denota emoção, mas não racionalidade. Neste concurso de sanções à Rússia, como se fosse um concurso de apple pies numa feira americana, sem pensar nas consequências para os povos, sem ter em conta as falências e miséria que advirão naqueles que produzem e exportam, será um belo toque feminino na sociedade moderna.

Distribuir armas para combater russos já deu ótimos resultados no Afeganistão, criando um estado moderno e democrático, e também gerou grandes heróis como Khalid Sheikh Mohammed, Mohamed Atta, Marwan al-Shehhi, Hani Hanjour ou Ziad Jarrah.

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