Pratinho de Couratos

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sábado, dezembro 16, 2023

“Lembrem-se do Maine!” A história mostra como as mentiras podem espoletar guerras

"Uma mentira pode viajar meio mundo enquanto a verdade ainda está a calçar os sapatos", diz um ditado frequentemente atribuído a Mark Twain, embora Jonathan Swift possa ser a sua inspiração original.

Na semana passada, no meio de receios de que uma guerra mais vasta pudesse eclodir no Médio Oriente, o presidente dos EUA, Joe Biden, aproveitou o momento para reforçar a verdade e travar a perigosa espiral de desinformação, que muitas vezes conduziu a guerras, como já vimos antes na história.

O bombardeamento do Hospital Al-Ahli em Gaza, a 17 de outubro, que matou centenas de civis, foi uma tragédia terrível. Imediatamente a seguir à explosão, muitos meios de comunicação social reciclaram declarações dúbias do grupo militante islâmico Hamas, culpando Israel. "Ataque israelita mata centenas de pessoas no hospital, dizem os palestinianos", dizia um dos primeiros títulos do sítio Web do The New York Times. Os líderes árabes apressaram-se a condenar Israel.

Numa nota dos editores, na segunda-feira, o Times admitiu que "as primeiras versões da cobertura - e o destaque que recebeu num título, alerta de notícias e canais de redes sociais - basearam-se demasiado em afirmações do Hamas e não deixaram claro que essas afirmações não podiam ser imediatamente verificadas. O relatório deixou os leitores com uma impressão incorreta sobre o que era conhecido e o quão credível era o relato".

Biden, o Conselho de Segurança Nacional dos EUA e a comunidade de inteligência americana expressaram confiança de que o ataque ao hospital foi o resultado de um rocket errante disparado pela Jihad Islâmica Palestina, um grupo militante afiliado ao Hamas que os EUA e Israel consideram uma organização terrorista.

Esta avaliação baseou-se em provas de fonte aberta e proprietárias de áudio, vídeo, satélite, radar e infravermelhos, em comunicações intercetadas do Hamas que admitiam que um míssil perdido estava fora da rota e em vídeos que mostravam militantes palestinianos a disparar uma barragem de rockets perto do hospital, que depois não atingiram e explodiram dentro de Gaza.

As Forças de Defesa de Israel negaram categoricamente qualquer envolvimento no ataque ao hospital, atribuindo-o a um "lançamento falhado de um rocket" pela Jihad Islâmica palestiniana. O grupo negou as acusações de Israel.

Uma análise da CNN sugeriu que um rocket lançado de dentro de Gaza se partiu no ar e que a explosão no hospital resultou da aterragem de parte do rocket no complexo hospitalar. Especialistas em armas e explosivos afirmaram que as provas disponíveis de danos no local não eram consistentes com um ataque aéreo israelita.

Israel não tinha qualquer incentivo para bombardear um hospital civil, muito menos na véspera da chegada de Biden, uma vez que os Estados Unidos tinham reaberto as conversações com o Egipto, a Arábia Saudita, a Jordânia e a Autoridade Palestiniana.

As acusações do Hamas pareciam refletir a sua aparente sabotagem das extensões do Acordo de Abraão, 10 dias antes. Biden especulou, numa declaração da semana passada, que o motivo do Hamas para a invasão de Israel e o massacre de civis era fazer descarrilar um acordo de paz entre a Arábia Saudita, Israel e os EUA. "Penso que uma das razões pelas quais [o Hamas] agiu como agiu... é que sabiam que eu estava prestes a sentar-me com os sauditas", observou. "Os sauditas queriam reconhecer Israel.… e estavam prestes a reconhecer Israel. E isso iria, de facto, unir o Médio Oriente".

No entanto, apesar destes factos, o Médio Oriente está agora ainda mais inflamado por protestos maciços e por um virulento sentimento antiamericano e antissionista.

Informações falsas têm repetidamente conduzido e inflamado guerras longo da história.

A invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003, com o objetivo de eliminar as armas de destruição maciça de Saddam Hussein, baseou-se numa premissa falsa e em informações erróneas.

Lembrem-se do Maine!

O navio de guerra USS Maine explodiu no porto de Havana, Cuba, em 1898, matando mais de 260 marinheiros americanos. O presidente William McKinley acreditou inicialmente que o naufrágio tinha sido um acidente, mas os média inflamaram a opinião pública.

Jornais rivais, propriedade de William Randolph Hearst e Joseph Pulitzer, atribuíram o naufrágio a espanhóis hostis. "Remember the Maine!" ["Lembrem-se do Maine!"] tornou-se um grito de guerra contra Espanha. Em 1974, a Marinha dos Estados Unidos inverteu este ponto de vista, apresentando provas significativas de que a explosão se deveu a um incêndio a bordo de carvão.

O incidente do Golfo de Tonkin em 1964

Após um primeiro confronto entre as forças navais americanas e submarinos norte-vietnamitas em 2 de agosto de 1964, relatos de um segundo confronto na noite de 4 de agosto de 1964 levaram o Congresso dos EUA a aprovar a Resolução do Golfo de Tonkin três dias depois, autorizando o presidente Lyndon Johnson a enviar forças americanas para o Vietname e dando início à Guerra do Vietname.

Tanto o antigo secretário da Defesa dos EUA Robert McNamara como os principais líderes vietnamitas confirmaram, retrospetivamente, que os relatos de um ataque eram falsos, baseados em informações erradas e em deturpações de comunicações intercetadas.

A Guerra Mexicano-Americana em 1846

Quando o Congresso dos EUA estava a considerar declarar guerra depois de o México ter supostamente invadido território americano e matado soldados americanos, um então obscuro congressista do Illinois chamado Abraham Lincoln exigiu saber "o local específico do solo em que o sangue dos nossos cidadãos foi assim derramado".

Os soldados norte-americanos estavam a penetrar em território que, segundo os historiadores, era mexicano. Ainda assim, a inflamada opinião pública norte-americana levou o presidente James Polk a atuar e o Congresso a declarar guerra.

O incêndio do Reichstag e o Terceiro Reich em 1933

Quatro semanas após a tomada de posse de Adolf Hitler como chanceler da Alemanha, o Reichstag, sede do parlamento alemão em Berlim, foi incendiado.

Hitler condenou rapidamente os agitadores comunistas, utilizando o episódio como pretexto para suspender as liberdades civis, os partidos políticos rivais, uma imprensa independente e o assassínio de rivais. Hitler foi catapultado de um fraco chanceler suplente para um ditador com um poder sem precedentes que estabeleceu o Terceiro Reich.

Só depois da Segunda Guerra Mundial é que surgiram provas que sugeriam que os nazis tinham planeado e ordenado o incêndio e, em 2008, a Alemanha perdoou postumamente um bode expiatório falsamente acusado do fogo posto.

Estes exemplos históricos oferecem lições claras que são relevantes para o conflito atual. O discurso de Biden sobre Israel sublinhou o facto de se ter visado deliberadamente civis inocentes que foram violados, mutilados, torturados e massacrados, tendo os seus corpos sido queimados vivos.

E abordou também o sofrimento dos palestinianos em Gaza, exacerbado pelo aparente erro de disparo de um míssil de um grupo militante palestiniano que atingiu por engano um hospital de Gaza, e insistiu no acesso à assistência humanitária aos habitantes de Gaza, incluindo mais 100 milhões de dólares dos EUA para os palestinianos.

As conclusões mais profundas do discurso de Biden são a necessidade de o mundo parar, recuperar o fôlego, atribuir a culpa com exatidão e não vilipendiar ainda mais as vítimas ou permitir que os vilões apareçam como vítimas.

Fonte: CNN Portugal, 27 de outubro de 2023

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quinta-feira, fevereiro 23, 2023

Deputado trabalhista britânico quer retirar Chelsea e mansão a Roman Abramovich

Chris Bryant defendeu, esta quinta-feira, que Roman Abramovich deve abrir mão da propriedade do Chelsea, assim como da mansão que detém no Reino Unido, no seguimento das suspeitas levantadas quanto às ligações que mantém com Vladimir Putin.

Em causa está um relatório confidencial datado de 2019, que apontava para a suposta ‘mão’ do milionário no “financiamento ilícito” das forças militares russas, assim como “associação pública em atividades e práticas corruptas”.

“Certamente, deveríamos procurar apreender alguns dos seus ativos, incluindo a casa de 152 milhões de libras [181,6 milhões de euros]? E garantir que outros a quem foram atribuídos vistos como este não estão envolvidos em atividades malignas no Reino Unido”, atirou.

“Isto aconteceu há quase três anos, e, no entanto, notavelmente, pouco foi feito. Certamente, o sr. Abramovich já não deveria poder deter um clube de futebol neste país”, completou o deputado, citado pelo jornal britânico The Sun.

Fonte: Notícias ao Minuto, 24 de fevereiro de 2022

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O sexo com neandertais tornou os humanos mais vulneráveis à Covid-19, mas com menos riscos de contrair HIV

Genes herdados dos homens de Neandertal podem reduzir a probabilidade de ser infetados pelo vírus HIV pessoas que adoecerem gravemente com a Covid-19, que o mesmo gene torna mais vulneráveis.

A herança neandertal voltou a dar cartas para explicar os muitos acasos da evolução humana. As pessoas que tiveram Covid-19 têm um risco 27% menor de contrair o vírus do HIV, concluiu um estudo da autoria de Hugo Zeberg, do Instituto Karolinska (Suécia), noticia o El País. As razões para tal ainda não são claras, porém podem estar relacionadas com o facto de esses genes herdados dos homens de Neandertal também protegerem contra a varíola.

Já noutra investigação, em conjunto com o geneticista Svante Pääbo, conclui que esta herança, encontrada no cromossoma 3, pode colocar algumas pessoas em maior risco de adoecerem gravemente com a Covid-19, e que foi introduzido na linha genética humana entre 50.000 e 70.000 anos atrás por causa do sexo dos homo sapiens com os neandertais. Os cientistas repararam que se encontra em 16 por cento da população europeia e em metade das pessoas do sul da Ásia e quase não existe em África e no leste da Ásia.

“A evolução é uma questão de equilíbrio”, recorda Cristian Cañestro, líder do grupo de investigação de Evolução e Desenvolvimento da Universidade de Barcelona, ao mesmo jornal. “É possível que esta mutação tenha dado algumas desvantagens, porque a proteína [CCR5, associada aos casos de Covid-19 mais grave] não desempenha bem a sua função, mas se der mais hipóteses de sobrevivência contra um vírus mortal, há uma vantagem frente ao resto da população”, acrescenta.

Ou seja, uma mutação benéfica numa circunstância pode não o ser noutra. Um estudo publicado na revista Science, em 2016, mostrou como um gene da espécie extinta tornou o sangue mais espesso e, portanto, facilitou o aparecimento de coágulos. Para os seres humanos sem médicos para suturar feridas de acidentes, essa coagulação rápida é uma vantagem decisiva, enquanto para os que têm estilos de vida que favorecem as doenças cardíacas, essa mesma variante genética é vista como um perigo para a saúde.

Esta ambivalência deve ser tida igualmente em consideração ao avaliar a possibilidade de modificar embriões. Em 2018, na China, nasceram duas meninas gémeas cujo gene CCR5 foi editado para desativá-lo. Questionado sobre se estão em maior risco de ter uma infeção por Covid-19 grave, Zeberg não tem ainda uma resposta: “No momento, não temos motivos para pensar que seja esse o caso”.

Fonte: Observador, 22 de fevereiro de 2022

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EUA alargam sanções ao Nord Stream2 e aos seus gestores

A Casa Branca decidiu impor sanções e ao Nord Stream2 e aos seus gestores. Esta decisão junta-se ao pacote de sanções contra a Rússia anunciado na terça-feira pelos Estados Unidos, perante a escala de tensões geopolíticas na Ucrânia.

“Hoje [quarta-feira, 23 de fevereiro] orientei a minha administração a impor sanções ao Nord Stream 2 AG e aos seus gestores corporativos”, anunciou o presidente dos Estados Unidos, em comunicado divulgado esta quarta-feira. Estas medidas juntar-se-ão ao pacote de sanções anunciado pelo governo norte-americano. “Como deixei claro, não hesitaremos em tomar novas medidas se a Rússia continuar a escalar”, garante a administração de Joe Biden.

Esta decisão surge depois de o chanceler alemão ter anunciado na terça-feira que a Alemanha ia suspender a certificação do gasoduto Nord Stream2, que liga a Rússia à Alemanha, através do Báltico. O objetivo é “fornecer uma resposta forte e unificada”, aponta ainda o comunicado.

Na terça-feira, os Estados Unidos decidiram fechar a torneira de financiamento à Rússia, proibindo a emissão de nova dívida soberana russa e reforçar a presença de tropas norte-americanas para os países da NATO com fronteira com a Rússia e a Ucrânia. Além disso, a Casa Branca avançou também com sanções que incidem sobre o sistema financeiro, sendo que, neste âmbito, o banco russo VEB e um banco militar ficam sem acesso ao dólar.

Fonte: Eco, 23 de fevereiro de 2022

Foto: “Assault Bots”

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Boris Johnson esclarece que afinal Roman Abramovich não está sujeito a sanções







O proprietário do clube de futebol Chelsea, que em 2021 obteve a nacionalidade portuguesa, teve até há quatro anos um visto de investidor no Reino Unido.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, corrigiu esta quarta-feira uma declaração anterior no Parlamento a propósito do conflito entre a Rússia e Ucrânia, esclarecendo que o multimilionário russo Roman Abramovich não está sujeito a sanções do Reino Unido.

Durante o anúncio de um pacote de sanções sobre cinco bancos russos e três empresários considerados próximos do Presidente, Vladimir Putin, Boris Johnson foi questionado pela oposição porque não alargava as medidas a outros chamados oligarcas. O primeiro-ministro disse, erradamente, que “Abramovich já é sujeito a sanções”, mas esta quarta esclareceu formalmente que “Roman Abramovich não foi alvo de medidas direcionadas”.

O proprietário do clube de futebol Chelsea, que em 2021 obteve a nacionalidade portuguesa através da lei que beneficia os descendentes de judeus sefarditas expulsos no final do século XV, teve até há quatro anos um visto de investidor no Reino Unido.

Abramovich obteve, entretanto, um passaporte israelita e, embora não possa residir ou trabalhar no Reino Unido, pode atravessar a fronteira sem necessidade de visto de turista.

Em 2018 retirou o pedido de renovação de visto britânico devido ao conflito diplomático entre o Reino Unido e Rússia na sequência do envenenamento com um agente neurotóxico do antigo espião Sergei Skripal em Inglaterra. Na altura, a então primeira-ministra Theresa May ordenou uma reavaliação dos vistos atribuídos a centenas de “oligarcas russos” no país, mas o esquema dos “vistos dourados” apenas foi encerrado na semana passada.

De acordo com a organização openDemocracy, desde 2015 foram atribuídos 202 daqueles vistos a multimilionários russos que investiram pelo menos dois milhões de libras (2,4 milhões de euros) cada em empresas britânicas, beneficiando também mais de 250 familiares.

Na terça-feira, o Governo britânico anunciou sanções contra os “oligarcas” Gennady Timchenko, Boris Rotenberg e o sobrinho deste último, Igor Rotenberg, cujos bens no Reino Unido foram congelados, além de estarem proibidos de entrar no país. Determinou também o congelamento dos ativos dos bancos Bank Rossiya, Black Sea Bank, IS Bank, Genbank e Promsvyazbank e disse estar pronto a avançar com mais sanções financeiras.

Boris Johnson está sob pressão da oposição e de membros do seu partido para endurecer as sanções contra a Rússia, que reconheceu na segunda-feira como independentes os dois territórios ucranianos separatistas de Donetsk e Lugansk, na região de Donbass, agravando a situação militar na região.

Fonte: Eco, 23 de fevereiro de 2022

Foto: a talentosa Ilona na luxuosa produção fotográfica “Big Game”.

Foto: Ilona, tcc Agnes / Carla / Cheryl M/ Cindy / Ilona E / Isis / Leslie / Micha/ Rylee / Veronica, 1,68 m, 52 kg, 94-66-94, olhos castanhos, cabelos pretos, nascida a 6 de julho de 1983 na Eslováquia.

Tem na sua cinematografia obras marcantes na sétima arte como a pressagiosa da ação de Boris Johnson no Ocidente Livre, “Anal Intensive 13” (2004).

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Da independência à invasão. Ucrânia, um país há décadas entre a Rússia e o Ocidente


A independência da Ucrânia

  • A 1 de dezembro de 1991, ainda integrada à então União Soviética (dissolvida em 25 de dezembro desse ano), a Ucrânia vota, em referendo, a favor da independência. O resultado desta consulta foi imediatamente reconhecido pelo então presidente russo, Boris Yeltsin.
  • A 8 de dezembro, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia assinam um acordo que estabelece uma Comunidade de Estados Independentes (CEI). Nos cinco anos seguintes, porém, a Ucrânia tenta libertar-se da tutela política do seu grande vizinho, iniciada há três séculos. A Ucrânia não se compromete totalmente com a CEI, percebida como uma estrutura dominada pela Rússia, que tenta agregar as ex-repúblicas soviéticas.
  • A 5 de dezembro de 1994, Rússia, Ucrânia, Bielorrússia, Cazaquistão, Estados Unidos e Reino Unido assinam o Memorando de Budapeste sobre garantias de segurança. Nele, os signatários comprometem-se a respeitar a independência, a soberania e as fronteiras da Ucrânia, em troca do abandono das armas atómicas herdadas da União Soviética.

Um tratado de amizade entre a Rússia e a Ucrânia

  • A 31 de maio de 1997, Rússia e Ucrânia assinam um tratado de amizade e cooperação, que não elimina, porém, a ambiguidade das relações de Kiev com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). O Kremlin opõe-se fortemente a que Ucrânia, ou qualquer outra ex-república soviética, ingresse na Aliança Atlântica. 
  • O tratado e os textos anexos resolvem, em particular, a espinhosa disputa sobre a distribuição da antiga frota soviética no Mar Negro, ancorada em Sebastopol, na Crimeia. A Rússia mantém a propriedade da maioria dos navios, mas pagará à Ucrânia um valor modesto pelo uso do porto de Sebastopol.
  • Sendo, na época, o principal parceiro comercial de Kiev, a Rússia manteve, contudo, a sua “arma económica” frente à Ucrânia, muito dependente do petróleo e do gás russos.
  • Em 2003, Kiev assina um acordo para a criação de um Espaço Económico Comum com a Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão. A União Europeia reage, afirmando que o acordo pode dificultar a aproximação da Ucrânia com o bloco e a sua integração na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Um presidente pró-Ocidente em Kiev

  • Em novembro de 2004, o candidato pró-Rússia Viktor Yanukovych vence as eleições presidenciais na Ucrânia, denunciadas como fraudulentas pela oposição. Uma mobilização em massa, a chamada Revolução Laranja, consegue que as eleições sejam anuladas pelo Supremo Tribunal.
  • A 26 de dezembro, o líder da Revolução Laranja, o opositor pró-Ocidente Viktor Yushchenko, que sofreu um misterioso envenenamento durante a campanha, abre uma nova era política no país. Põe fim aos dez anos de Presidência de Leonid Kuchma (1994-2005), que oscilava entre a UE e Moscovo.
  • Yushchenko reitera a vontade da Ucrânia em aderir à União Europeia, apesar das objeções de Bruxelas e da NATO. Em 2008, na cimeira de Bucareste, os líderes dos países da NATO concordam que a Ucrânia tem vocação para ingressar na Aliança Atlântica, o que provoca a ira de Moscovo.
  • Rússia e Ucrânia travam várias guerras político-comerciais. Uma delas foi a do gás, de 2006 a 2009, que interrompeu o abastecimento de energia da Europa.

A Revolta de Maidan

  • Em 2010, Viktor Yanukovych é eleito presidente e lança uma política de aproximação com a Rússia. O presidente garante que a elaboração de um “acordo de associação” com a UE continua a ser a prioridade.
  • Em novembro de 2013, no entanto, Yanukovych nega-se a assinar, no último minuto, o acordo com a União Europeia e reativa as relações económicas com a Rússia. Esta mudança de política deflagra um movimento de protesto pró-Europa, que tem como símbolo a manifestação na Praça Maidan (Praça da Independência), em Kiev.
  • A rebelião termina em fevereiro de 2014 com a destituição e a fuga de Yanukovych para a Rússia, após a repressão do protesto de Maidan, durante o qual morreram cerca de 100 manifestantes e 20 polícias.

Anexação e guerra da Crimeia

  • Em resposta, as forças especiais russas assumem o controlo da Crimeia, território que a Rússia decide anexar em março de 2014.
  • Em abril de 2014, separatistas russos ocupam os lugares mais importantes de Dombass, a região de língua russa do leste da Ucrânia. Uma nova guerra começa em maio. Desde 2014, este conflito causou a morte de mais de 14.000 pessoas.
  • Kiev e países ocidentais afirmam que a Rússia organizou a separação das autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, em represália à guinada pró-Ocidente da Ucrânia.

A ‘operação militar’ agora em curso

  • Depois de concentrar dezenas de milhares de soldados na sua fronteira com a Ucrânia, o presidente Vladimir Putin reconhece, a 21 de fevereiro de 2022, a independência de Donetsk e de Lugansk e ordena o destacamento de tropas para estes territórios. 
  • Na madrugada de 24 de fevereiro, Putin anuncia uma “operação militar” na Ucrânia, descrita pelo ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, como uma “invasão em grande escala”.

Fonte: Sapo24, 24 de fevereiro de 2022

Foto: Veronica Morre na obra cinematográfica “Army Teen In Action”.

Veronica Morre, tcc Veronika Morre / Marfa Piroshka, 1,54 m, 50 kg, 91-66-89, sapatos 36 ½, olhos azuis, cabelos castanhos, nascida a 10 de junho de 1996 em Kiev, Ucrânia.

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Guerra América - Rússia

terça-feira, dezembro 06, 2022

Hospedeira da Ryanair com passado de estrela porno mantém emprego

Uma hospedeira da Ryanair, que apareceu em sites classificados para adultos, não será convidada a deixar o seu emprego.

Edita Schindlerova (22 anos) apareceu, disfarçadamente, em sites pornográficos posando com o seu alter-ego Edita Bente.

Mas a companhia aérea de baixo custo disse que a hospedeira manteria o seu emprego apesar de ser exposta como estrela num site porno.

Um porta-voz da empresa de Michael O'Leary disse que eles não acreditam que qualquer investigação sobre a funcionária seja considerada necessária.

Atividade 

“O que ela fez antes de entrar na empresa não é da nossa conta”, disse o porta-voz. “Qualquer atividade dos funcionários antes de virem trabalhar para a Ryanair ou depois de saírem não afetaria seu emprego.”

O porta-voz disse que não toleraria atividades ilegais ou criminosas, mas disse que Edita não será convidada a sair por causa da questão.

A funcionária da Ryanair trabalha na base da empresa em Essex, mas o seu perfil no Facebook está listado como estando na Irlanda.

Fotos explícitas dela, com um homem misterioso, foram publicadas num site adulto, junto com outras fotos da bonequinha do trolley em apenas fio dental numa cama.

Ela teria admitido, que um colega piloto a reconheceu de um filme porno, que viu na internet.

Natural da República Checa, Edita foi questionada sobre as imagens e pediu para confirmar se eram dela.

“Sim. Onde conseguiu isso?” ela disse. “Como descobriu o meu nome verdadeiro?”

Os seus colegas de trabalho, aparentemente, apoiaram a sua decisão e a da administração. “Não tínhamos ideia do que ela fazia no seu tempo livre”, disse uma amiga. “Não pode haver muitas companhias aéreas que tenham estrelas porno servindo bebidas nos voos.”

Biquíni

A pequena morena também apareceu no calendário de 2009 da Ryanair. 

Com o mês de fevereiro dedicado a ela, 

Edita posa como Ms Lookout usando arrasadores saltos altos prateados e biquíni roxo, mas disse que é improvável que ela apareça no calendário do próximo ano.

Fonte: Independent, 30 de abril de 2009

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sábado, outubro 01, 2022

Fachada de edifício do PCP em Beja vandalizada

A fachada do edifício do Centro de Trabalho de Beja do PCP foi vandalizada com inscrições alusivas à ofensiva militar da Rússia na Ucrânia, que já foram parcialmente apagadas, constatou hoje a agência Lusa no local.

As inscrições, que terão sido feitas na noite de sábado ou na madrugada de domingo, ainda se conseguiam reconhecer hoje à tarde na fachada do edifício, apesar de se notar ter havido uma limpeza.

No ato de vandalismo, um risco com tinta vermelha foi pintado na porta do edifício e, na parede, a preto, foram inscritas as frases “Russos = Comunas” e “Têm sangue ucraniano na foice”.

Contactado pela Lusa, o PCP, através do gabinete de imprensa, limitou-se a dizer que “os atos antidemocráticos falam por si”.

Já o comandante distrital de Beja da PSP, o intendente Raúl Glória Dias, também contactado pela Lusa, disse que a força de segurança “não teve conhecimento” da ocorrência, “nem formal, nem informalmente”, e que não foi apresentada qualquer queixa.

Na passada quinta-feira, dia em que a Rússia lançou a ofensiva militar em território da Ucrânia, a classe política portuguesa, com a exceção do PCP, condenou a ação, apelando à imposição de sanções e equacionando a mobilização de militares portugueses no quadro da NATO como forma de dissuasão.

Num debate sobre a invasão da Rússia à Ucrânia, na Comissão Permanente da Assembleia da República, o líder da bancada parlamentar do PCP, João Oliveira, considerou que a “guerra não é solução” para a resolução da situação entre aqueles dois países.

João Oliveira exortou o Governo a contrariar a “escalada de confrontação política” impedindo o envolvimento de militares portugueses e apontou o dedo aos Estados Unidos da América, que qualificou como sendo os “verdadeiros interessados numa nova guerra na Europa”, estando “dispostos a sacrificar até ao último ucraniano ou europeu para a promover”.

Já numa ação partidária em Lisboa, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou que as declarações de Vladimir Putin, sem especificar quais, refletem a Rússia “como país capitalista” e representam “um ataque à União Soviética”, defendendo a via do diálogo para encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia.

Fonte: Rádio Campanário, 28 de fevereiro de 2022

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Barbie Girl. Um êxito intemporal ou uma música “sexista”? (1)

A semana passada, ‘Barbie Girl’ – o maior êxito da banda dinamarquesa Aqua – atingiu as mil milhões de visualizações no Youtube, ao mesmo tempo que comemora o seu vigésimo quinto aniversário. Estaremos perante uma música que “objetifica” a mulher?

Não é preciso ter nascido nos anos 90 para que conheçamos, dancemos e vibremos cada vez que nas discotecas, ou festas entre amigos, ouvimos o tão famoso refrão: “I’m a Barbie girl in the Barbie world, life in plastic, it’s fantastic”.

Mesmo passados 25 anos, quando a música começa a tocar, somos imediatamente transportados para o videoclipe cor de rosa, exuberante e plástico, que nos faz, muitas vezes, deixarmo-nos levar por o diálogo entre a Barbie e o seu companheiro Ken como se efetivamente fossemos as personagens. A verdade é que o grupo dinamarquês Aqua conquistou o ranking mundial com Barbie Girl, a música em que sua vocalista, Lene Nystrøm, sarcasticamente se torna num “objeto feminino”. E há uma semana, mostrou que “o passar do tempo não leva ao esquecimento”: no vigésimo quinto aniversário da banda – a mais controversa das suas canções – atingiu a marca histórica dos mil milhões de visualizações no YouTube. 

O vídeo do single, incluído no primeiro álbum da banda, Aquarium, de 1997, foi colocado na plataforma em 2010, mais de dez anos depois de ter sido lançado. “Só podemos dizer: ‘mil milhões de agradecimentos’!”, escreveram Lene Nystrøm, atualmente com 48, René Dif, de 54, e Søren Rasted, de 52, três dos membros originais da banda que, por incrível que pareça, ainda estão no “ativo” – apesar de não lançarem um álbum desde 2011, Aqua continua em tournée pelo mundo, mantendo o sucessos com músicas como Around The World , My Oh My, Happy Boys and Girls e, claro, Barbie Girl, que ironiza a “vida perfeita” da famosa boneca e no final dos anos 90 se tornou uma espécie de hino para os millennials. 

A música levou o grupo dinamarquês ao estrelato e ao topo das músicas mais ouvidas tanto do Reino Unido como de outros países da Europa, além do Top 10 da Billboard Hot 100, nos EUA. O vídeo do single foi lançado na MTV e foi dirigido pelo diretor holandês Peder Pedersen, inspirando-se em desenhos animados. Contudo, ao longo do percurso, nem tudo foi “cor de rosa”. 

Fonte: jornal i, 28 de fevereiro de 2022

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Barbie Girl. Um êxito intemporal ou uma música “sexista”? (2)

Apesar do seu êxito, a música fez com que muitos críticos “franzissem a testa”, questionando o tema da música, onde existe um diálogo entre o casal: Barbie e Ken. Oi, Barbie!/Oi, Ken!/Queres dar uma volta?/Claro, Ken!/Entra!/ Eu sou uma Barbie a viver no mundo da Barbie/A vida de plástico é fantástica/Podes-me escovar os cabelos/ Despir-me em qualquer lugar/ Usa a imaginação/ A vida é a tua criação!”, ouve-se no princípio do single. No início, a maioria das pessoas achou muita piada ao vídeo “cativante”, com cores “berrantes” e as vozes “exageradas”. Contudo, à medida que o tempo foi passando, as opiniões foram-se tornando cada vez menos unânimes, com algumas pessoas a defender que Aqua se encontra a “objetificar” a figura feminina. 

Aqua em Tribunal “Nós nunca quisemos fazer uma música sexista”, começou por esclarecer à revista Nylon, em 2017, Lene Nystrøm. “Para nós foi uma espécie de sátira ao tipo de miúda como Pamela Anderson, que existia na época e que ainda existe. Ainda assim, parece-me uma música inocente ao compará-la com outras músicas que por aí andam”, acredita. Além disso, a vocalista garante que se orgulha do single, que não se cansa de cantá-lo e que não tem problema nenhum quando os fãs a chamam de barbie girl. Segundo a mesma, esta identifica-se “absolutamente” com a sua música, apesar de não se considerar uma barbie. 

Fonte: jornal i, 28 de fevereiro de 2022

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Barbie Girl. Um êxito intemporal ou uma música “sexista”? (3)

No final dos anos 2000, a Mattel – a maior fabricante de brinquedos do mundo que detém a marca Barbie – abriu um processo contra Aqua, alegando que o grupo musical havia “arruinado a reputação da marca”, que “a música se tornou tão conhecida que começou a afetar as suas estratégias de marketing” e ainda que os artistas haviam “transformado a boneca num objeto sexual”. Além disso, a multinacional acreditava que os dinamarqueses não respeitaram “uma marca registada”, afirmando ainda que falavam da boneca como uma “referência cultural, um conceito e não uma marca específica”. Segundo a Mattel, a música fez com que as vendas da famosa Barbie descessem consideravelmente.

Contudo, a MCA Records e a banda dinamarquesa não ficaram de “braços cruzados” e processaram a empresa, por difamação. Em 2002, o U.S. Circuit Court of Appeals decidiu que a música era apenas uma “sátira inofensiva”, absolvendo a MCA Records e a banda das acusações. “O uso de direitos autorais não é afetado, porque o Aqua usa a palavra barbie para transmitir um conceito particular que eles têm”, lê-se num dos documentos, que também menciona que o facto de “remover” a música só colocaria em causa a liberdade de expressão. 

Apesar disso, a Mattel conseguiu que Aqua não cantasse Barbie Girl por alguns anos – não por imposição judicial, mas porque o grupo decidiu separar-se voluntariamente. “São vocês que estão a impor um sentido à letra da música”, defenderam os artistas na altura. Também o processo por difamação contra a Mattel não obteve resultados, e o juiz Alex Kozinski afirmou que “ambas as partes deviam relaxar”.

Fonte: jornal i, 28 de fevereiro de 2022

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Barbie Girl. Um êxito intemporal ou uma música “sexista”? (4)

Uma carreira de separações Segundo o jornal espanhol El Mundo, Aqua fez uma “pausa” na sua carreira entre 2001 e 2008, ano em que regressou para “oferecer” uma série de espetáculos. Ao perceberem que continuavam a fazer “vibrar” o público, o grupo pensou em lançar um terceiro álbum, em 2011. E assim nasceu Megalomania que se seguiu a Aquarius (2000). Três anos depois, o grupo voltou a separar-se, pois todos os seus membros queriam “aproveitar as famílias e os seus projetos a solo”. 

Em 2016, os artistas decidem regressar, desta vez sem Claus Norreen, que, embora declarasse que “amava os seus amigos incondicionalmente”, tinha “outras aspirações musicais”. Mesmo assim, nada conseguiu desencorajar os três integrantes restantes, que nos últimos seis anos fizeram tournées pela Europa, Ásia e América com grandes espetáculos onde o principal “anseio” é ouvir a música sobre as “futilidades” da boneca mais famosa do mundo.

Desde pequena que Lene Nystrøm nutriu uma paixão pela música. Esta treinou como cantora e começou a tocar em bares em adolescente. Em 1990 acabou por ganhar fama no programa de televisão Casino da TVNorge e, quatro anos depois, a sua vida mudou radicalmente, quando trabalhava num cruzeiro e conheceu o dinamarquês René Dif, que tocava com os seus amigos Søren Rasted e Claus Norreen num grupo chamado Joyspeed. 

Desta forma, René convenceu Lene a fazer parte da banda e não foi preciso muito tempo para que Aqua nascesse. A banda estreou em 1996 com Roses Are Red e lançou o seu primeiro álbum Aquarium um ano depois.

Fonte: jornal i, 28 de fevereiro de 2022

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Barbie Girl. Um êxito intemporal ou uma música “sexista”? (5)

Atualmente, continuam a atuar em palcos juntos, a encher salas e a divertir o público, apesar das músicas lançadas depois de Barbie Girl nunca terem tido o mesmo sucesso. Na sua página no Instagram partilham regularmente fotografias dos seus espetáculos e é perfeitamente visível a mudança dos artistas. Estes descartaram em grande parte as roupas “descoladas” da época, vestindo-se de maneira “menos exuberante”. Recentemente o grupo, agora com três elementos, revelou à BBC que olhava para as suas conquistas da década de 1990, com nostalgia. Na legenda da fotografia partilhada na rede social para anunciar a entrevista, estes escreveram: “Tivemos uma ótima conversa com Ryan Saunders da BBC para o programa Top Of The Pops 1994-1997 no outro dia. Isso fez-nos viajar por memórias! Uau!”. 

De seguida foram muitos os fãs que partilharam da nostalgia. Um internauta escreveu: “A rainha nunca envelheceu”. Enquanto outro acrescentou: ‘Vocês estão ótimos”. Um terceiro seguidor “implorou” por uma nova música. Em 2019, Lene disse que a banda estava a trabalhar em novas músicas. 

Em entrevista ao TMZ, a vocalista adiantou que o grupo estava a trabalhar, mas que é o “juiz mais difícil”: “Não lançaremos nada até que esteja absolutamente perfeito”, explicou acrescentando que os artistas estão a “cruzar os dedos” para que do seu trabalho saia “algo incrível”. Em julho passado, a banda lançou um cover de I Am What I Am para o Copenhagen Pride. 

Com novas músicas ou não, críticas e tentativas de “cancelamento”, a verdade é que mesmo sem um dos elementos e, mesmo com o passar dos anos que os podiam ter levado ao “esquecimento”, os Aqua continuam “vivos” e, Barbie Girl não poderia deixar de ser tão “atual”.

Fonte: jornal i, 28 de fevereiro de 2022

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quarta-feira, setembro 07, 2022



 Quantos neonazis os EUA estão a apoiar na Ucrânia? (1)

Nem todos os membros das milícias ultranacionalistas ucranianas, que os EUA estão a treinar têm tatuagens das SS, e nem todos defendem o fascismo. Mas o suficiente para ser preocupante.

Mariupol, Ucrânia - O sargento Ivan Kharkiv, do Batalhão Azov, tem 21 anos, mas parece ser mais velho. Ele acena com a cabeça quando a assessora de imprensa do batalhão, Natalia, nos apresenta. O jovem oficial convida-nos a caminhar com ele pelo pátio da antiga Escola nº 61 em ruínas – agora uma base do Batalhão Azov no lado leste da cidade de Mariupol. O Azov é uma milícia voluntária da Guarda Nacional Ucraniana, que provou ser extremamente eficaz em batalha. Responde diretamente ao Ministério de Assuntos Internos e trabalha em estreita colaboração com o serviço de inteligência ucraniano, o SBU, entregando prisioneiros e fornecendo inteligência. O sargento Ivan Kharkiv tem uma fala suave, mas a sua linguagem é forte. “Se Putin quiser tomar Mariupol, ele deve saber que pelo menos 10 000 dos seus homens vão morrer.”

Kharkiv deixa essas palavras assentarem e prossegue: “Conhecemos toda Mariupol. Nós controlamos as estradas e o terreno alto. Ele pode tentar usar as forças aéreas, mas isso não importa”.

O sargento Kharkiv não acredita que Putin tentará invadir Mariupol. “Putin só quer criar instabilidade e treinar o seu exército. Ele quer dizer ao povo russo: ‘Veja como vivem os ucranianos: na guerra! Os russos vivem em paz.’ Ele quer fazer as pessoas pensarem que todos os ucranianos vivem em Donetsk”, a república separatista em guerra.

Quando interrogado sobre o recente ataque dos separatistas à cidade de Marinka (também Maryinka), no leste da Ucrânia e relatos dos média sobre uma invasão russa em grande escala, o sargento Kharkiv suspira: “O nosso inimigo não é tão estúpido [a ponto de invadir]. Os média internacionais fizeram Marinka parecer uma grande guerra, mas não foi. Eu estava lá. Vemos esse tipo de luta todos os dias em Shyrokyne.”

Shyrokyne é uma pequena vila costeira a 10 quilómetros a leste de Mariupol, que sofreu intensos bombardeamentos das forças separatistas, e tornou-se um ponto de ignição neste conflito. Apesar dos acordos de cessar-fogo de Minsk, as forças de ambos os lados continuam bombardeando, e aldeias, como Shyroknyne, tornam-se danos colaterais.

“Quando vim para esta guerra, quando vim para Mariupol, vim preparado para a guerra urbana, mas esta é uma guerra de artilharia. Aqui uma AK-47 só serve para proteger o rosto de estilhaços.” O sargento sorri, fingindo segurar uma AK-47 imaginária contra o rosto para proteção, mas fingir a arma não é necessário, já que as armas estão por toda parte. Ao nosso redor, fuzis de assalto descansam ao lado de soldados sentados languidamente na sombra, parecendo satisfeitos por estarem temporariamente fora das trincheiras, onde não há como escapar do sol quente - exceto, é claro, o pior tipo de fuga permanente.

“Essa merda de guerra”, pondera o sargento Kharkiv. “As pessoas romantizam a guerra como veem soldados em filmes, até que um morteiro de 122 milímetros cai na sua trincheira. Então todas as suas ideias românticas vão para o inferno.”

Fonte: Daily Beast, 14 de abril de 2017

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Quantos neonazis os EUA estão a apoiar na Ucrânia? (2)

O jovem sargento então leva a conversa para outro rumo, como se estivesse a preparar-se para enfrentar o elefante no pátio da escola. Ele começa a falar dos nazis, e não dos antigos, dos novos, alguns dos quais estão nas fileiras do Azov.

“Na Europa, os nazis apoiam Putin. Eles pensam que ele quer fazer uma Europa branca e eslava”, diz Kharkiv. “Mas o líder branco, Putin, mata eslavos. Não sei pelo que os separatistas estão a lutar. Mas se destruíssemos a TV Putin [propaganda de notícias do Kremlin], então em meio ano poderíamos acabar com essa guerra apenas conversando com civis. Se somos nazis fascistas, por que pessoas como os georgianos estão a juntar-se a nós para lutar?”

Enquanto ele fala, um jovem soldado aproxima-se. Kharkiv apresenta-o. Ao apertar as mãos, uma grande tatuagem preta torna-se particularmente visível no bíceps superior do jovem. A tatuagem é uma imagem da águia nazi em cima de uma suástica preta.

Quando o soldado se foi, Kharkiv suspira e diz: “E sim, também temos alguns tipos que apoiam essas ideias. Mas pessoas com ideologias extremas de direita estão em todos os exércitos… nos EUA e na Rússia. Há skinheads, por exemplo. Dizemos-lhes ‘OK, mas temos uma ideologia nacional da Ucrânia. Se você não tem isso também, então você pode sair.’ Mas também temos tipos de muitas religiões, que acreditam em deuses diferentes ou nenhum deus, e todos dormem no mesmo quarto.”

Kharkiv diz-nos que há um judeu no batalhão, mas não o encontramos.

Para o Azov, não é apenas uma questão de um ocasional miúdo muito confuso pendurado nalguma variante distorcida da ideologia nazi que quer se alistar. Pode-se dizer que remonta à história de colaboração entre alguns nacionalistas ucranianos e os nazis, lutando contra os soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, mais especificamente e mais recentemente, há uma história recorrente da ideologia nazi no batalhão, que remonta ao seu fundador, Andriy Biletsky, que formou o grupo neonazi chamado Assembleia Social-Nacional (SNA) em 2008.

Fonte: Daily Beast, 14 de abril de 2017

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 Quantos neonazis os EUA estão a apoiar na Ucrânia? (3)

Isso cria um problema para os membros do batalhão como Kharkiv, que claramente não são neonazis. Mas isso cria um problema muito maior para o governo ucraniano, que depende imensamente do grupo, como uma de suas forças de combate mais eficazes, para defender a cidade de Mariupol e 100 quilómetros da linha de frente. No verão passado, foi o batalhão Azov, liderado por Biletsky, que libertou Mariupol dos separatistas apoiados pela Rússia. O Azov está completamente enraizado na estrutura de poder do país. “Trabalhamos com todos os sistemas de defesa do governo ucraniano”, diz Kharkiv.

O governo ucraniano não é o único governo que deve se preocupar. O governo dos Estados Unidos, neste momento, está treinando partes do Batalhão Azov junto com outros batalhões da Guarda Nacional Ucraniana perto da cidade de Lviv, no oeste da Ucrânia. Essa infeliz realidade dá ao que Kharkiv chama de “Putin TV”, e ao resto da máquina de propaganda do Kremlin, tudo o que precisa para retratar o governo da Ucrânia como fascista e os americanos como apoiantes de cripto-nazis.

De certa forma, a propaganda russa incessante, nociva e aparentemente absurda tornou-se uma profecia auto-realizável: o governo dos EUA está conscientemente a treinar e armar membros paramilitares ultranacionalistas ucranianos neonazis, em plena luz do dia, num país instável com um futuro incerto. Dezanove milhões de dólares do dinheiro dos contribuintes dos EUA estão indo para isso. Estamos todos pagando por isso. Não há como negá-lo.

O povo ucraniano merece um governo soberano, autodeterminação e o direito de se aproximar em direção à UE e à NATO? Claro. As forças armadas ucranianas precisam de treino? Afirmativo. Como diz Kharkiv: “Pagamos pelos nossos erros com as nossas vidas”. Vale a pena lutar pela integridade territorial da Ucrânia? Absolutamente. Mas, não apenas confiando nesses grupos desonestos para obter estabilidade, mas também fortalecendo, treinando e armando-os ainda mais, os líderes da Ucrânia e dos Estados Unidos estão a fazer escolhas muito más. Eles estão a jogar com o futuro do povo ucraniano – um futuro que não é deles para perder.

Enquanto nos leva para fora, Kharkiv diz: “Depois disso, quero voltar para a universidade, mas nos Estados Unidos. Eu amo a América. Quero estudar ciência política na Universidade de Michigan.”

De fato, Kharkiv seria um excelente estudante de ciência política depois do que viu. Ele parece ser uma das poucas pessoas no leste da Ucrânia que não está seriamente confusa. Levará anos para que os cientistas políticos entendam os vários tons e marcas de extremismo, que gravitam lentamente para as linhas da frente de ambos os lados deste tipo de guerra.

Como Kharkiv coloca, “Tipos como esse tornam-se terríveis dores de cabeça para o nosso governo”.

Então, o que é mais alarmante é, para onde esses guerreiros treinados pelos EUA irão, e o que farão eles, quando não houver mais guerra para lutar e quando tudo estiver calmo nesta frente oriental.

Fonte: Daily Beast, 14 de abril de 2017

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